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Sociais-democratas, verdes e liberais formalizam negociação para um governo de coalizão na Alemanha

Coalizãogovernaria em nível federal e daria fim aos 16 anos de governo dos conservadores sob a liderança da chanceler Angela Merkel, que não disputou a eleição e deixará o cargo. Partido mais votado na Alemanha não obtém margem suficiente para governar sozinho
Líderes do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), de centro-esquerda, e de outros dois partidos menores recomendarão às suas bases partidárias que iniciem conversas formais de coalizão e concordaram em um roteiro para as negociações, disse o candidato a chanceler do SPD, Olaf Scholz, nesta sexta-feira (15).
O SPD, que ficou em primeiro lugar na eleição do mês passado, os Verdes e o Partido Liberal Democrático (FDP) disseram que as conversas exploratórias sobre se eles teriam o suficiente em comum para formar um governo juntos foram construtivas.
Alemanha: a importância do Partido Verde no novo governo
“Um novo começo é possível com as três partes se unindo”, disse Scholz em uma coletiva de imprensa.
O líder do FDP, Christian Lindner, disse que a coalizão “semáforo” –em referência às respectivas cores das três siglas– é uma “oportunidade”.
“Se esses partidos tão diferentes conseguirem chegar a um acordo conjunto sobre desafios e soluções, então será uma oportunidade de unir nosso país”, disse ele, “a chance de que uma possível coalizão pode ser maior do que a soma de suas partes”.
Essa seria a primeira vez que a chamada coalizão “semáforo” governaria em nível federal e daria fim aos 16 anos de governo dos conservadores sob a liderança da chanceler Angela Merkel, que não disputou a eleição e deixará o cargo.
“Estamos agora convencidos de que por muito tempo não houve uma oportunidade como essa para modernizar a sociedade, a economia e o governo”, disse Lindner em coletiva de imprensa.
Os três partidos devem entregar uma decisão na segunda-feira sobre se devem ou não prosseguir com as conversas, disse Scholz.
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Fonte: G1 Mundo

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Policial britânico é demitido por pagar R$ 0,75 em caixinha para caridade por biscoitos de R$ 7,5


As atitudes do policial Chris Dwyer prejudicaram a reputação da Polícia de West Yorkshire, concluiu um julgamento por má conduta. Ao pagar um valor inferior pelos Jaffa Cakes, Chris Dwyer violou várias normas de comportamento profissional da polícia
Getty Images/BBC
Um policial que pegou dois pacotes de biscoitos de uma barraca de caridade sem pagar o preço total foi demitido da corporação de West Yorkshire, no Reino Unido.
Chris Dwyer, de 51 anos, pagou apenas £ 0,10 (aproximadamente R$ 0,75) por dois pacotes da guloseima na cantina da delegacia de polícia de Halifax, em vez do preço correto de £ 1 (cerca de R$ 7,5).
E, de acordo com a comissão que apurou sua conduta imprópria, ele também tentou “mudar e florear” sua versão do ocorrido quando questionado a respeito.
Ele foi considerado culpado de má conduta grave e foi demitido imediatamente.
A barraquinha montada na delegacia de polícia de Halifax — para ajudar a arrecadar fundos para uma viagem de caridade a Uganda — vendia guloseimas e refrigerantes a £ 0,50 cada.
Entre os produtos à venda, estava o Jaffa Cake — doce tradicional inglês com textura de bolo, mas formato de biscoito, recheado com geleia de laranja e com cobertura de chocolate.
A comissão foi informada que Dwyer foi à banquinha de caridade no dia 21 de janeiro, e depois de colocar algum dinheiro na caixinha, pegou dois pacotes de Jaffa Cakes.
Posteriormente, um colega levantou suspeitas sobre um possível pagamento insuficiente por parte do policial e, quando foi verificado, constatou-se que o fluxo de caixa teve um aumento de apenas £ 0,10.
Quando questionado sobre o assunto, Dwyer deu relatos desonestos e suas evidências foram “evasivas e uma tentativa de reduzir sua culpa”, concluiu a comissão.
O policial, que entrou para a Polícia de West Yorkshire em 2017, negou ter violado as normas da polícia.
E alegou inicialmente que havia colocado cinco moedas de £ 0,20 na caixinha, mas depois disse que não conseguia se lembrar do “valor exato”.
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.’Abuso de confiança’
O presidente da comissão, Akbar Khan, disse que as atitudes de Dwyer foram um “abuso de confiança” e trouxeram “descrédito à polícia e ao serviço”.
“O policial é o único culpado por sua própria conduta, que foi desonesta e de natureza criminosa”, ele acrescentou.
“A natureza de sua desonestidade está relacionada ao pagamento insuficiente de itens cuja venda era para apoiar uma instituição de caridade da qual ele estava plenamente ciente.”
A comissão concluiu que Dwyer violou as normas profissionais da Polícia de West Yorkshire no que diz respeito à integridade, honestidade e conduta imprópria.
VÍDEOS com notícias internacionais
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Fonte: G1 Mundo

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Governo da Itália obriga todos os trabalhadores a se vacinarem


O objetivo da medida é estimular a campanha de vacinação no país. Três milhões de italianos ainda não estão imunizados contra a Covid-19 e podem ter o acesso ao local de trabalho recusado Itália passa a exigir certificado de Covid para todos os trabalhadores
A obrigatoriedade do passaporte sanitário para todos os trabalhadores dos setores público e privado entra em vigor na Itália a partir desta sexta-feira (15). O objetivo da medida é estimular a campanha de vacinação no país. Três milhões de italianos ainda não estão imunizados contra a Covid-19 e podem ter o acesso ao local de trabalho recusado. 
A partir de hoje, para entrar no local de trabalho na Itália, as pessoas que optaram por não se vacinar deverão contar com um comprovante de recuperação pós-Covid-19 ou um teste negativo feito nas últimas 48 horas pago do próprio bolso. Caso contrário, o funcionário será considerado como ausente e terá um desconto no salário.
Policial verifica o telefone de uma passageira na estação de trem Porta Garibaldi, em Milão, em 1º de setembro de 2021 na Itália
Luca Bruno/AP
Os empregadores que evitarem o controle de seus funcionários também estão sujeitos a multas e não podem propor a atividade à distância. A decisão, que visa convencer os mais reticentes à imunização, está no foco de novas manifestações, previstas para esta sexta-feira e sábado (16). 
A Itália foi o primeiro país europeu afetado pela pandemia de coronavírus, em fevereiro de 2020, e registrou, até agora, mais de 130.000 mortes. A campanha de vacinação começou em dezembro do ano passado. Mais de 80% das pessoas com mais de 12 anos estão totalmente vacinadas. A imunização já era obrigatória para os profissionais da saúde e o chamado “passaporte Covid” também está exigido dos professores.
No entanto, para o governo liderado por Mario Draghi, essas medidas não eram suficientes para garantir um nível de imunidade alto e evitar novos surtos que podem afetar a atividade econômica do país. Foi o que aconteceu em 2020 e no início de 2021.
Por isso, para incentivar a vacinação generalizada, o governo anunciou há um mês, com o apoio dos partidos da coalizão, a obrigação do passaporte sanitário para o acesso ao local de trabalho. O dispositivo foi introduzido em agosto e já é exigido em trens, museus e restaurantes, entre outros.
A medida gerou protestos violentos no último sábado (9), em Roma, onde milhares de pessoas, incluindo ativistas de extrema direita, devastaram a sede do maior sindicato do país, o CGIL, e invadiram a emergência de um hospital da capital. Alguns trabalhadores ameaçaram entrar em greve e até bloquear portos, se a medida não for revogada.
Medida divide líderes do setor
Segundo estimativa do Ministério da Função Pública, em torno de 250 mil indivíduos dos cerca de 3,2 milhões de funcionários públicos, não estão vacinados, o que equivale a 7,8% dos trabalhadores. No setor privado, este número chega a 2,2 milhões de pessoas de 14,6 milhões, o equivalente a 15%. 
Isso pode representar um desafio, a partir de 15 de outubro, para a recuperação econômica do país após o duro ano de 2020, quando o Produto Interno Bruto (PIB) da península despencou 8,9%. Em contrapartida, a campanha de vacinação permitiu manter o controle das infecções em um nível baixo e gerar uma alta da taxa de crescimento de 5,8% para este ano, de acordo com previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Luca Zaia, presidente da rica região do Vêneto, ao norte, advertiu sobre o “caos” que a implementação da medida pode causar nas empresas italianas a partir desta sexta-feira. “Não podemos garantir a todos que não se vacinaram que façam um teste a cada 48 horas. Os empregadores com os quais eu falo estão muito preocupados”, frisou.
Já a maior organização da indústria, a Confindustria, apoia firmemente a decisão do governo e rejeita a “chantagem” de alguns setores dos trabalhadores. Para o vice-presidente da Confindustria, Maurizio Stirpe, “não tem motivo para pagar o teste de quem não quer ser vacinado. As pessoas devem assumir suas decisões”.
O Forza Italia, o partido de centro-direita de Silvio Berlusconi, e o Partido Democrático, de centro-esquerda, são a favor da obrigatoriedade da vacina. A medida vem sendo rejeitada pelo governo por enquanto, sobretudo devido à oposição da Liga, de Matteo Salvini, partido de extrema direita. Membro da coalizão nacional, ele ameaça romper com seus aliados.
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Fonte: G1 Mundo

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Vacinados contra a Covid entrarão nos EUA sem restrições a partir de 8 de novembro, diz Casa Branca

Medida vale para todos os países, inclusive o Brasil. País manterá a exigência de que o passageiro apresente um teste negativo de Covid-19 feito até 3 dias antes do embarque. Os Estados Unidos vão suspender todas as restrições de viagens internacionais, a partir de 8 novembro, para adultos estrangeiros que estiverem totalmente vacinados contra a Covid-19, anunciou o governo do presidente Joe Biden nesta sexta-feira (15).
A medida vale para todos os países, inclusive o Brasil, e substitui o atual sistema, que restringe o voo de estrangeiros de determinados países e impõe outras restrições, como quarentenas obrigatórias.
A Casa Branca havia informado que a medida entraria em vigor “a partir do início de novembro”, sem especificar a data exata – que agora foi divulgada.
Todas as vacinas disponíveis nos EUA e as aprovadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) serão aceitas (veja mais abaixo).
EUA suspenderão restrições à entrada de estrangeiros vacinados contra Covid em novembro
Segundo o comunicado, os estrangeiros que viajarem aos EUA deverão estar totalmente imunizados e apresentar o comprovante de vacinação antes de embarcar.
Além disso, o país vai manter a exigência de que o passageiro apresente um teste negativo de Covid-19 feito até 3 dias antes do embarque.
Vacinas aprovadas nos EUA
Atualmente, o CDC considera “totalmente vacinado” contra a Covid-19 quem tomou os imunizantes aprovados para uso emergencial no país: da Pfizer, da Moderna e da Janssen (vacina em dose única da Johnson& Johnson).
2 semanas após a segunda dose das vacinas da Pfizer e da Moderna
2 semanas após a dose única da vacina da Janssen
O site do CDC sobre viagens internacionais faz uma ressalva e diz que “a orientação também pode ser aplicada a vacinas contra a Covid-19 que foram listadas para uso emergencial pela Organização Mundial de Saúde (por exemplo, a vacina de Oxford/AstraZeneca)”.
Entre os imunizantes aprovados pela OMS está a CoronaVac, vacina da fabricante chinesa Sinovac que no Brasil é produzida e distribuída em parceria com o Instituto Butantan.
As vacinas autorizadas pela OMS até o momento são as seguintes:
Pfizer/BioNTech
Moderna
Oxford/AstraZeneca — produzida no Brasil pela Fiocruz
Janssen (Johnson & Johnson)
SinoPharm
CoronaVac — produzida no Brasil pelo Instituto Butantan
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Fonte: G1 Mundo

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A volta do manto tupinambá: como indígenas da Bahia retomaram peça sagrada que só era vista na Europa


Manto de penas vermelhas do século 17 exposto era um dos raros exemplares desse objeto histórico e ritual tão importante para comunidades da costa brasileira, todos conservados em museus da Europa. Manto tupinambá do século 16, em exposição no Museu Real de Arte e História da Bélgica, em Bruxelas
Museu Real de Arte e História da Bélgica/Divulgação
Quando viram pela primeira vez um manto tupinambá, por trás de uma vitrine da exposição que comemorava os 500 anos do Brasil, Dona Nivalda e Seu Aloísio choraram. “Toda história do nosso povo está aqui”, disse a líder indígena na ocasião.
O manto de penas vermelhas do século 17 exposto era um dos raros exemplares desse objeto histórico e ritual tão importante para comunidades da costa brasileira, todos conservados em museus da Europa.
Naquele ano de 2000, os Tupinambás de Olivença, apesar de viverem no sul da Bahia desde tempos imemoriais, não eram reconhecidos como indígenas pelo Estado brasileiro. A comunidade, de cerca de 5 mil pessoas, só foi reconhecida oficialmente pela Funai em 2001.
O episódio da visita à peça marca a intensificação de um ciclo de luta pelo território e de valorização da cultura tradicional, que culmina agora na confecção de um manto de 1,2 metro e mais de 3 mil penas pela artista e liderança indígena Glicéria Tupinambá.
Nivalda e Aloísio já não estão nesta terra, mas o manto voltou para a aldeia da Serra do Padeiro. O novo manto não tem o vermelho exuberante das penas de guará, ave que não se encontra no território Tupinambá de Olivença.
Sua cor predominante é o marrom, das plumas de aves da comunidade e da terra que defendem – o grupo luta pela conclusão da demarcação de sua terra indígena, alvo de ataques armados e invasões.
‘Tudo a seu tempo’
Primeiro manto confeccionado por Glicéria Tupinambá em 2006. Peça foi doada para o Museu Nacional e se salvou do incêndio de 2018
Museu Nacional/Divulgação
O percurso foi longo para reunir os saberes necessários para a confecção da peça sem nunca ter visto um manto presencialmente, conta Glicéria. A primeira tentativa de fazer um manto foi em 2006. A ideia era recriar a peça a partir de uma foto para a principal festa da comunidade, comemorada em janeiro.
“Painho [o pajé da comunidade] me explicou como era a paleta, como era o algodão, como era isso e aquilo. Mas eu ainda não sabia quais eram as medidas, como era a malha. Sabia que dava para fazer uma capa, com o ponto que tínhamos na aldeia”, explica a artista.
A peça realizada foi usada em rituais da comunidade. “Na festa, eu pedi para o Encantado [entidade tupinambá] me guiar para conseguir resgatar cada vez mais a nossa cultura, e ele me disse: ‘Calma, tudo a seu tempo’. Na hora eu não entendi”, conta a líder indígena. “Agora eu sei que o manto não é só fazer o manto, aplicar as penas, é fazer todo um percurso”, explica Glicéria.
Nessa trajetória de 15 anos, o encontro da artista com um manto tupinambá do século 16 foi fundamental. Em 2018, Glicéria foi convidada para dar uma palestra em Paris. Durante a viagem, ela pôde visitar um manto guardado a sete chaves na reserva técnica do museu do Quai Branly.
“O manto estava me esperando, e eu vou lá para ver as penas, fazer a análise da malha, entender o manto. Vi as posições e o caimento das penas, o ponto da malha, que era como o de jereré [instrumento de pesca tradicional] que fazemos aqui. A gente ficou quase uma hora com o manto e eu tentei memorizar tudo o que ele tinha ali”, relembra.
Joias das coleções europeias
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A majestosa peça plumária é considerada uma joia nas coleções europeias etnográficas. O objeto visto por Glicéria não está em exposição. A peça de 1555, a mais velha da coleção etnográfica do museu francês, é considerada frágil demais.
Como este, há cerca de uma dezena de mantos tupinambás dos séculos 16 e 17 conservados em museus na Europa – na Bélgica, Itália, Suíça e Dinamarca. São remanescentes de uma intensa interação cultural e comercial entre europeus e indígenas durante o período da colonização, explica a pesquisadora de antropologia histórica Mariana Françozo, professora da Universidade de Leiden, na Holanda.
“Já a partir do século 16, a gente vê nas fontes escritas, mas também nas pinturas feitas por europeus, um interesse muito grande em tudo aquilo que as Américas tinham e os europeus não conheciam. Essa curiosidade vem obviamente ligada a interesses comerciais e com base em uma relação não igualitária”, sublinha.
Françozo estudou a coleção formada por Maurício de Nassau, que governou a colônia holandesa em Pernambuco, e diz que os mantos eram muito valorizados como símbolos do Novo Mundo e entraram em uso na Europa.
“No caso da Holanda, temos registros de pelo menos duas vezes em que mantos de penas vindos do Brasil – se eram tupinambás, não sabemos –, que foram usados em festas da nobreza”, detalha a antropóloga.
Assim como os mantos, há milhares de artefatos indígenas brasileiros dentro dos acervos de museus pelo mundo, especialmente na Europa, sem que haja uma catalogação devida. Muitas dessas peças são artefatos únicos, que mesmo as comunidades que as produziram não têm mais.
“Temos atualmente uma aliança entre povos indígenas e pesquisadores para tentar descobrir quantos são, o que é que está e onde está. E, a grande questão, é o que fazer com essas peças, a quem elas pertencem”, assinala Françozo.
O resgate deste conhecimento sobre essas peças tem sido objeto de estudos recentes, mas ainda há muito o que fazer na área.
A antropóloga Nathalie Le Boulet Pavelic, que pesquisa os Tupinambás de Olivença, destaca que nos museus esses artefatos muitas vezes ainda são vistos como vestígios do passado, sem relação com um povo que ainda existe.
“Não é porque é um artefato nos museus que não é uma peça do cotidiano dos povos e que tenha uma importância muito grande para eles em alguma área, ou religiosa ou do dia a dia. Daí a importância dos museus de trabalharem junto com os povos indígenas e saber como é que aquilo vive atualmente dentro das aldeias”, defende.
A retomada da tecnologia
Cacique Babau vestido com manto tupinambá na aldeia da Serra do Padeiro, no sul da Bahia
Glicéria Tupinambá/Cortesia
A visita ao manto do século 16 serviu de base para que Glicéria confeccionasse uma nova peça. Um manto vivo, nas palavras da líder indígena, tecido com algodão encerado pela cera das abelhas tiúba e penas de aves da comunidade, entre elas o gavião, o canário-da-mata e o tururim.
“A gente lutou pela revitalização do meio ambiente, da mata, pela volta dos animais. A gente tem uma recuperação muito forte do nosso território. E o manto só passa a existir porque existe um equilíbrio na natureza do território da Serra do Padeiro”, afirma.
“Faltava o manto, e ele chega neste momento, quando o Brasil está em uma crise daquelas terríveis, onde tudo é contra os povos indígenas, tudo é contra a demarcação das terras indígenas. Ele vem quando é preciso ele existir.”
O manto ritual está na aldeia e foi vestido pelo cacique Babau durante a cerimônia em que recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado da Bahia em junho deste ano.
Pergunto à líder indígena se ela gostaria de reaver as peças que estão nos museus europeus. Ela rejeita a proposta e diz que receber o manto de volta seria perdoar os crimes cometidos contra seu povo.
“Para nós de Serra do Padeiro, o manto lá é como uma condenação para os europeus, a pena deles é cuidar dos vestígios do povo tupinambá. Mas queremos que eles abram espaço para receber os povos indígenas, para que possamos também ter contato com as pegadas do nosso povo”, conclui.
Com a retomada da técnica de produção, Glicéria teceu um segundo manto, atualmente em exposição. O manto ritual pode ser visitado na Funarte Brasília, na mostra “Essa é a grande volta do manto tupinambá”, ao lado de obras de Edimilson de Almeida Pereira, Fernanda Liberti e Gustavo Caboco.
Serviço
Kwá yapé turusú yuriri assojaba tupinambá | Essa é a grande volta do manto tupinambá
Em Porto Seguro, de 28 de outubro a 27 de novembro
Casa da Lenha

Fonte: G1 Mundo

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Parlamentar inglês é esfaqueado durante encontro com eleitores


David Amess, do Partido Conservador, participava de um encontro com eleitores quando foi esfaqueado por um homem. David Amess durante uma sessão no Parlamento britânico em 23 de setembro
Reprodução/davidamess.co.uk
Um parlamentar do Reino Unido foi esfaqueado várias vezes nesta sexta-feira (15) durante um encontro dele com eleitores de seu distrito, segundo a Sky News.
David Amess, do Partido Conservador, é o parlamentar da região de Southend West, na cidade de Essex, na Inglaterra.
Segundo a Sky, o suspeito é um homem que entrou no local onde o encontro estava acontecendo.
Amess recebeu tratamento inicial no local.

Fonte: G1 Mundo

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Cidade do México vai colocar imagem de mulher indígena em local onde havia estátua de Cristóvão Colombo


Prefeita anunciou que a nova estátua será de uma mulher indígena da época anterior à chegada dos europeus na região. Imagem provisória, colocada por ativistas, em pedestal onde ficava imagem de Cristóvao Colombo na Cidade do México
Pedro Pardo / AFP
A prefeita da Cidade do México, Claudia Sheinbaum, afirmou na terça-feira (12) que o pedestal onde ficava uma estátua de Cristóvão Colombo na principal praça da cidade vai receber uma imagem de uma mulher indígena da época anterior à chegada dos europeus.
A nova estátua vai representar a luta das mulheres, particularmente das indígenas, na história do México”, ela disse em uma entrevista coletiva.
A estátua de Colombo era do começo do século 20. A peça ficava no Paseo de la Reforma, uma das avenidas mais importantes da Cidade do México, que foi planejada e construída pelo Imperador Maximiliano de Habsburgo, no século 19.
Estátua de Cristóvão Colombo tem cabeça cortada nos Estados Unidos
Depois de uma guerra sangrenta entre liberais e conservadores, Maximiliano foi fuzilado, a República foi restabelecida e o Paseo Imperial foi rebatizado de Paseo de la Reforma e, ao longo dessa avenida, foram colocadas estátuas dos liberais que lutaram contra o imperador austríaco, que era um monarca convidado pelos conservadores para governar o México.
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As grandes marchas e manifestações na capital mexicana sempre tiveram uma parada estratégica para desfigurar e atacar a estátua de Colombo, principalmente quando se trata de mobilizações indígenas e camponesas.
O gesto de erguer a estátua de uma mulher indígena na Glorieta de Colón é simbólico: o governo de Andrés Manuel López Obrador é um adversário dos conservadores mexicanos.
Além disso, em agosto passado o México fez questão de lembrar os 500 anos da queda de Tenochtitlán, a capital do império asteca nas mãos dos conquistadores espanhóis.
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Fonte: G1 Mundo

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Rainha Elizabeth II critica líderes mundiais antes da COP26: ‘Falam, mas não agem’


Reclamação da monarca britânica sobre a conferência do clima, que ocorrerá em Glasgow, na Escócia, foi feita em uma conversa privada e captada pelo microfone de uma câmera de televisão. A rainha Elizabeth II, da Grã-Bretanha, acena após participar de sessão no Parlamento Galês, em Cardiff, no País de Gales, em 14 de outubro de 2021
Jacob King/Pool via AFP
A rainha Elizabeth II, da Grã-Bretanha, expressou irritação com outros líderes mundiais que “falam” sobre as mudanças climáticas, “mas não agem”. O áudio da declaração foi captado em um evento oficial e divulgada nesta sexta-feira (15) pela imprensa britânica.
Ela foi dada em uma conversa privada sobre a COP26, conferência sobre o clima que vai reunir líderes de quase 200 países em Glasgow, na Escócia, entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro.
A COP (Conferência das Partes) é um evento anual e parte da convenção da ONU sobre mudanças climáticas, um acordo internacional assinado por praticamente todos os países e territórios do mundo para reduzir o impacto da atividade humana no clima.
A rainha, que tem 95 anos, conversava com Camilla, a esposa de seu filho Charles, e com Elis Jones, presidente da Câmara do País de Gales, na quinta-feira (14), após inaugurar a nova sessão legislativa do Parlamento regional em Cardiff.
O microfone de uma câmera de televisão captou sua fala. “Estou acompanhando tudo sobre a COP” e “ainda não sei quem vem”, reclamou Elizabeth. “Sabemos apenas quem não vem… É realmente irritante quando falam, mas não agem”.
Até o momento, está prevista a presença de líderes mundiais como o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, mas entre os que ainda não confirmaram presença estão os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, além do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.
O príncipe Charles, que está com 72 anos e é um ambientalista de longa data, pediu mesta semana aos líderes mundiais para “colocarem mãos à obra”.
Na quinta-feira (14), o príncipe William, neto de Elizabeth, filho de Charles e o segundo na linha de sucessão ao trono britânico, pediu mais do que “palavras”. O duque de Cambridge também criticou a corrida pelo turismo espacial.
Um dia depois de o ator da série “Star Strek” William Shatner ter feito uma viagem de alguns minutos ao espaço, a bordo de um foguete Blue Origin, William pediu que “algumas das mentes e dos cérebros mais brilhantes do mundo se concentrem, antes de mais nada, em tentar consertar este planeta, não tentar encontrar outro lugar para viver”.
A presidente do Parlamento galês falou com a rainha sobre esse raro ataque frontal do príncipe William, que gerou muitas reações.
“Sim, eu li”, respondeu Elizabeth II, com um sorriso.
Os comentários de William desagradaram círculos científicos, onde muitos destacaram o valor para a humanidade de décadas de exploração espacial.
A cientista espacial britânica Maggie Aderin-Pocock, por exemplo, declarou que concorda que a ação humana está destruindo o planeta e que há lições a serem tiradas, mas que a pesquisa sobre o espaço também é relevante quando se trata da questão climática na Terra.
“Mas esse não pode ser o nosso único objetivo. O espaço é inspirador. Graças a ‘Star Trek’, eu me tornei cientista espacial e agora trabalho na mudança climática”, declarou ao canal ITV.
“Vou para a COP26 no mês que vem para falar sobre como o espaço nos ajuda com a mudança climática. Então, temos que nos concentrar na mudança climática, mas não pode ser a única coisa”, destacou.
A rainha, Charles e Guilherme devem participar dos eventos da COP26.
A conferência tentará motivar as principais economias em desenvolvimento a fazerem mais para reduzir suas emissões de carbono e, no caso dos países mais ricos, que contribuam com bilhões de dólares para ajudar os mais desfavorecidos a se adaptarem às mudança climática.

Fonte: G1 Mundo

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A macabra pilha de ossos humanos descoberta em caverna na Arábia Saudita


Segundo arqueológos, são centenas de milhares de ossos que pertencem a pelo menos 14 tipos de animais e até humanos; eles teriam sido estocados provavelmente por hienas nos últimos 7 mil anos. Segundo arqueológos, são centenas de milhares de ossos que pertencem a pelo menos 14 tipos de animais e até humanos
Archeological and anthropological sciences/Via BBC
Uma enorme pilha de ossos de animais, provavelmente acumulados por hienas nos últimos 7 mil anos, foi descoberta por arqueólogos no noroeste da Arábia Saudita.
São centenas de milhares deles, que pertencem a pelo menos 14 tipos de animais, incluindo gado, caprídeos, cavalos, camelos, roedores, e até humanos.
Os ossos foram encontrados em Umm Jirsan, uma extensa rede de túneis formados por atividades vulcânicas.
Imagem de catálogo de ossos achados na Arábia Saudita
Archeological and anthropological sciences
As descobertas dos pesquisadores foram publicadas recentemente na revista científica Archaeological and Anthropological Sciences.
Segundo o autor principal do estudo, Mathew Stewart, zooarqueológo do Instituto Max Plank para a Ciência da História Humana, na Alemanha, o envolvimento das hienas foi constatado a partir da análise de cortes, mordidas e marcas de digestão dos ossos.
“A hiena-riscada (Hyaena hyaena, também conhecida como hiena-raiada ou hiena-listrada) é um acumulador de ossos muito ávido”, disse Stewart ao site Gizmodo.
Itens de caverna na Arábia Saudita catalogados
Archeological and anthropological sciences
Os pesquisadores vinham investigando a área, no campo de lava Harrat Khaybar, na Arábia Saudita, desde 2007, mas só se aventuraram nas profundezas da caverna há alguns meses.
Para o estudo, a equipe analisou 1.917 ossos e dentes recuperados do local. E chegou à conclusão de que tinham entre 439 e 6.839 anos, uma clara indicação de que esses animais vêm usando a rede de túneis subterrâneos há muito tempo. Para isso, usou um pequeno número dessas amostras a partir de um processo conhecido como datação por carbono.
Hienas são animais conhecidos por transportarem ossos para suas tocas, para ser consumidos, armazenados ou alimentar os filhotes.
Veja abaixo um vídeo de 2018 sobre a escavação que revelou o primeiro cemitério de São Paulo.
Escavação arqueológica traz à tona primeiro cemitério público de SP
Segundo o estudo, esses mamíferos são tanto caçadores quanto carniceiros, ou seja, matam alguns animais enquanto acumulam restos mortais de outros.
Um sinal de que as hienas estavam por trás da enorme pilha de ossos foi a presença de fragmentos de crânio humano. Os mamíferos são famosos por vasculhar túmulos em busca de comida.
“É sempre a calota craniana (calvária) que sobrevive”, disse Stewart ao Gizmodo.
“(As hienas) parecem não estar realmente interessadas em calotas cranianas. Encontramos talvez cinco ou seis calotas cranianas com marcas de mordidas, mas apenas as calotas. Nada mais”, acrescentou ele.
Hienas solitárias normalmente comem animais mortos. Mas as matilhas preferem caçar, visando presas como antílopes, lebres, roedores e pássaros.
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Umm Jirsan está longe de ser o único exemplo de hienas estocando enormes conjuntos de ossos.
A caverna Srbsko Chlum-Komin na República Tcheca contém mais de 3,5 mil ossos bem preservados de grandes mamíferos coletados pelos carnívoros.
O novo estudo ocorreu como parte do Projeto Paleodesertos, que busca rastrear a migração humana e animal pela Península Arábica. O clima severo da Arábia Saudita torna essa tarefa difícil: as altas temperaturas podem quebrar os ossos, e alguns realmente se desintegram quando tocados.
“O mais surpreendente é quão bem preservado está o material, e quanto material existe, visto que na Arábia Saudita não temos restos de animais, na verdade”, disse Stewart ao Gizmodo.
No Twitter, o pesquisador escreveu que “Umm Jirsan (e outros locais semelhantes na região) provavelmente contém informações valiosas sobre as ecologias e os ambientes do Holoceno na Arábia. Este estudo é apenas a ponta do iceberg.”
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Pai é indiciado após filho de 2 anos matar mãe a tiros durante chamada de Zoom


Polícia disse que arma foi mantida carregada em mochila infantil no chão do quarto do casal. Polícia disse que arma foi mantida carregada em mochila infantil no chão do quarto do casal
Polícia do Condado de Seminole/Via BBC
Um americano foi preso e acusado pela morte de sua namorada com um tiro disparado pelo filho de dois anos do casal durante uma videochamada por Zoom em agosto deste ano.
A criança encontrou a arma carregada de Veondre Avery dentro de uma mochila infantil enquanto a mãe Shamaya Lynn estava em uma videochamada de trabalho, informou a polícia da Flórida.
Avery, de 22 anos, é acusado de homicídio culposo e de não manter uma arma de fogo em casa sob segurança.
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Os registros do tribunal mostram que ele ainda não tem um advogado e não fez admissão de culpa.
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Na Flórida, homicídio culposo é crime punível com até 15 anos de prisão. Avery também pode enfrentar 15 anos de liberdade condicional e uma multa de US$ 10 mil (cerca de R$ 55 mil).
A arma foi mantida desprotegida dentro de uma mochila infantil que foi deixada no chão do quarto do casal, segundo a polícia de Altamonte Springs.
Os policiais disseram que a criança pegou a arma, foi para trás da mãe e disparou um único tiro.
Uma das colegas de trabalho de Lynn que participava da videochamada no aplicativo Zoom telefonou em 11 de agosto para equipes de emergência. Ela relatou ter ouvido um barulho alto e visto Lynn cair para trás.
“Uma das meninas desmaiou… Ela está com a câmera ligada. Seu bebê está chorando ao fundo”, disse a colega de trabalho em uma ligação divulgada pela polícia à imprensa local.
Quando Avery voltou para casa, encontrou sua namorada sangrando no chão. Ele chamou a polícia e pediu aos paramédicos “por favor, se apressem”, segundo o jornal “Orlando Sentinel”.
Durante o telefonema, ele disse que tinha acabado de voltar para casa e não sabia o que havia acontecido. Ele podia ser ouvido realizando reanimação cardiorrespiratória enquanto esperava a ajuda chegar.
Os paramédicos chegaram a prestar os primeiros socorros na jovem de 21 anos, mas ela foi declarada morta no local.
“Decisões geram consequências”, disse o policial de Altamonte Springs, Roberto Ruiz, em entrevista a jornalistas na terça-feira (12).
“Como proprietário de uma arma, você tem a responsabilidade de cuidar dessas armas.”
Nenhum dos dois filhos do casal, que estavam em casa durante o incidente, ficou ferido. Ambos agora estão sob os cuidados de outros membros da família.
Avery deve comparecer a uma nova audiência no tribunal em 23 de novembro.
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Fonte: G1 Mundo