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Talibãs anunciam destruição de célula do Estado Islâmico

No domingo houve um atentado em uma mesquita em Cabul. O Talibã afirma que os responsáveis eram do Estado Islâmico e, durante a madrugada, atacaram pessoas que seriam ligadas ao grupo rival. Explosão perto de mesquita em Cabul deixa mortos, afirma porta-voz do Talibã
Os talibãs anunciaram, nesta segunda-feira (4), que destruíram uma célula do Estado Islâmico na capital do Afeganistão, Cabul.
No domingo, o Talibã afirmou que houve um ataque do Estado Islâmico contra uma mesquita que deixou cinco mortos.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, disse que os combatentes do grupo fizeram a operação no norte de Cabul na noite de domingo. “Como resultado da operação, que foi muito decisiva e bem-sucedida, o centro do Estado Islâmico foi completamente destruído, e os membros do grupo em seu interior morreram”, afirmou Mujahid em uma rede social.
Explosões e disparos foram ouvidos em Cabul no momento do assalto. Imagens publicadas nas redes sociais mostravam uma fogo no local.
Abdul Rahaman, um funcionário do governo em Cabul, disse que um grande número de membros das forças especiais dos talibãs atacou pelo menos três casas em seu bairro.
“Os confrontos continuaram por várias horas. Não sei quantos morreram, ou foram presos, mas o combate foi intenso”, afirmou.
Ataque a uma mesquita
A operação foi lançada horas depois de um ataque a uma mesquita na qual acontecia uma cerimônia em memória da mãe de Mujahid, o porta-voz talibã. Ela faleceu na semana passada.
Um funcionário da comissão cultural do governo que pediu para não ser identificado disse que cinco pessoas foram mortas, e 11 ficaram feridas. As baixas incluem civis e talibãs. Três pessoas foram presas.
O artefato foi colocado na entrada da mesquita, e explodiu no momento em que as pessoas saíam, depois de apresentarem suas condolências a Mujahid e sua família.
Nesta segunda-feira, Mujahid disse que uma investigação está em andamento, mas que “a informação inicial sugere que grupos ligados ao Estado Islâmico cometeram o ataque”.
Tanto os talibãs quanto o braço afegão do Estado Islâmico, conhecido como Estado Islâmico Khorasan, são islâmicos sunitas de linha-dura. Divergem, porém, em temas como religião e estratégia, o que já provocou confrontos entre eles.
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Fonte: G1 Mundo

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Guerrilheiros colombianos atravessam fronteira por garimpo ilegal na Amazônia


Documentos da Polícia Federal apontam que estrangeiros suspeitos de ligação com uma dissidência das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estão entrando em território brasileiro atraídos pelo avanço do garimpo ilegal de ouro no Brasil. Danos provocados pelo garimpo ilegal na região do rio Uraricoera, na Terra Indígena Yanomami
Funai/Via BBC
Estrangeiros suspeitos de ligação com uma dissidência das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estão entrando em território brasileiro atraídos pelo avanço do garimpo ilegal de ouro no Brasil nos rios da Amazônia. A informação consta de documentos obtidos pela BBC News Brasil e foi confirmada pela Polícia Federal.
As investigações apontam que os dissidentes estão extorquindo garimpeiros ilegais que atuam de forma clandestina nos rios da região e cobrando uma espécie de “pedágio” para poderem continuar trabalhando. Em agosto, a PF e o Exército brasileiro realizaram uma operação no município de Japurá (AM), a 745 quilômetros de Manaus, depois de receberem informações de que havia dissidentes na área urbana da cidade. Dois colombianos foram presos.
As Farc eram um dos grupos armados que, por quase 50 anos, esteve em conflito com o governo colombiano. Em 2016, comandantes da organização e o então presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, firmaram um cessar-fogo que previa o desarmamento da organização e a possibilidade de o grupo participar da vida política do país. Em 2017, a maioria dos rebeldes se desmobilizou e passou a formar o partido político Força Alternativa Revolucionária do Comum, também conhecida pela sigla Farc. Mais de oito mil fuzis foram entregues pelos guerrilheiros.
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Parte deles, porém, decidiu não aderir ao acordo e continuou a atuar na região, especialmente em território amazônico. São esses dissidentes que as autoridades brasileiras acreditam que estejam ingressando em território nacional desde então. Nos últimos anos, serviços de inteligência receberam a informação de que alguns deles fazem a “escolta” de carregamentos de drogas enviadas da Colômbia para o Brasil pelos rios da região.
Os documentos obtidos pela BBC News Brasil fazem parte de uma investigação conduzida pela Polícia Federal após a operação de agosto e que tramita, agora, na Justiça Federal do Amazonas. Segundo eles, a novidade agora é que esses dissidentes estão extorquindo garimpeiros ilegais brasileiros que atuam na extração ilegal de ouro nos rios da região, especialmente nos rios Purué e Joamim. O processo contém fotos tiradas por informantes da PF que mostram homens armados com fuzis e uniformes semelhantes aos usados pelos guerrilheiros abordando dragas de garimpo.
Segundo o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Leandro Almada, há suspeitas de que o ouro extraído ilegalmente no Brasil esteja sendo usado para financiar as atividades dos dissidentes na Colômbia.
“Indivíduos supostamente dissidentes de grupos paramilitares estrangeiros atuariam na faixa de fronteira da região de Japurá e teriam envolvimento com o tráfico de entorpecentes, realizando escoltas de carregamentos de drogas e, mais recentemente, atuando na extorsão de garimpeiros ilegais que atuam na região de fronteira. Não temos dados concretos, mas existe a possibilidade de tais recursos estarem sendo utilizados para o financiamento desses grupos baseados no exterior”, disse o delegado em nota enviada à BBC Brasil.
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“Segundo levantamentos na região, os dissidentes ingressam ilegalmente em território nacional, muitas vezes com documentos falsos, e atuam nas áreas de garimpo da faixa de fronteira abordando ribeirinhos e garimpeiros, ou infiltrados na zona urbana de Japurá, onde adquirem mantimentos”, explicou o delegado.
A suspeita de que dissidentes estejam usando o ouro ilegal brasileiro chama atenção porque, na Colômbia, há pelo menos nove anos existem registros de que grupos paramilitares comando minas ilegais no país vizinho.
“Isso é algo que aconteceu na Colômbia. Há minas ilegais administradas pelas Farc e outros grupos ilegais no meu país, de modo que não me estranharia que esses criminosos que atravessam a fronteira comecem a atuar dessa maneira no Brasil”, disse o embaixador da Colômbia no Brasil, Dario Montoya Mejia.
O diplomata afirmou também que as autoridades dos dois países vêm intensificado as ações de cooperação na região para sufocar atividades de organizações criminosas.
Bilhetes com carimbo das Farc
Entre os indícios que, segundo a PF, ligam o casal colombiano preso em agosto deste ano a grupos dissidentes das Farc estão um bilhete apreendido com o casal que contem o carimbo da Frente Carolina Ramirez, um dos sub-grupos da dissidência das Farc que atua no sul da Colômbia. O casal foi encontrado depois de invadir a casa de uma moradora de Japurá ao fugir da polícia e do Exército.
A investigação da PF suspeita de que a dupla atuava como emissários responsáveis por obter mantimentos, remédios e outros insumos para dar suporte ao grupo na selva. Além do bilhete, a PF encontrou um uniforme camuflado, botas, artigos para sobrevivência na selva e uma balança de precisão. As suspeitas aumentaram depois que um laudo de peritos da PF constatou que a mulher detida apresentou nomes e documentos falsos às autoridades brasileiras.
Em seu depoimento, a dona da casa invadida, cujo nome não será divulgado por motivos de segurança, disse ter sentido ameaçada.
“Aí, na hora que eles entraram, empurraram a porta e quase jogaram as duas (sua filha e cunhada) aí embaixo e falaram que iam ficar aí e foram direto pro meu quarto. A gente pediu para sair, não saíram. Falaram que iam ficar aí, porque se eles não ficassem aí não, (a gente) sabia o que podia acontecer […] Me senti (ameaçada) […] se a gente não fizer o que eles estão pedindo, (a gente) se lasca depois”, disse.
Japurá é um município localizado no extremo oeste do Amazonas, com pouco mais de 1,7 mil habitantes e 55,8 mil quilômetros quadrados e coberta majoritariamente pela floresta amazônica. É uma das áreas mais remotas do Brasil, equivalente a 35 vezes o tamanho da cidade de São Paulo.
Sua única ligação física com a capital do estado, Manaus, é o rio Japurá, em uma viagem que pode levar até uma semana. Nas últimas décadas, o município se tornou uma importante porta de entrada para drogas produzidas na Colômbia com destino ao Brasil, especialmente o “skunk”, uma espécie de maconha considerada mais potente que a maconha normal.
O ambiente passou a ficar ainda mais tenso com o avanço da extração ilegal de ouro na região. Segundo a PF, nos últimos três anos, houve um aumento da atividade garimpeira na área. Dezenas de dragas e centenas de garimpeiros aproveitam a pouca fiscalização das autoridades na região e levam dragas que revolvem o leito do rio em busca do minério ao mesmo tempo em que liberam mercúrio na água e no ar. Apesar desse cenário, a cidade conta com apenas dois policiais civis e seis policiais militares.
“Japurá fica numa região muito isolada e muito pobre e que precisa de um reforço da segurança”, reconhece o chefe do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil do Amazonas, Paulo Mavignier.
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A prisão da dupla e os relatos sobre a presença de dissidentes da guerrilha colombiana em Japurá trouxe de volta a lembrança de um episódio ocorrido há 30 anos em uma região próxima à cidade, mais precisamente no rio Traíra, que corre pela divisa entre o Brasil e a Colômbia. No dia 26 de fevereiro de 1991, um destacamento do Exército foi atacado por guerrilheiros das Farc. Na ocasião, três militares brasileiros morreram.
Como resposta, o Brasil mobilizou aproximadamente 400 militares para a região durante a Operação Traíra, em março daquele mesmo ano. Registros feitos pela imprensa à época indicam que pelo menos sete colombianos foram mortos.
O professor do Departamento de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense, Thiago Fernandes, explica que atividades ilegais como tráfico de seres humanos, drogas e de armas são comuns em regiões de fronteira, especialmente naquelas marcadas pelo isolamento como a do Brasil com a Colômbia. Ele diz, no entanto, que o episódio ocorrido em Japurá mostra que avanço do garimpo ilegal no Brasil funciona como um fator de atração para grupos criminosos estrangeiros.
“Os garimpos servem de polo de atração. Esse ouro vai atraindo esses outros grupos ilegais, incluindo as Farc e dissidentes. O avanço do garimpo ilegal no Brasil cria mais uma oportunidade de financiamento para esses grupos criminosos. É compreensível que eles avancem em nosso território em busca de uma nova fonte de renda”, afirmou.
A BBC News Brasil questionou o Exército sobre o episódio ocorrido em Japurá e que medidas estão sendo tomadas sobre o ingresso de dissidentes no Brasil.
Em nota, o Exército disse que recebeu as informações sobre a existência de dissidentes na região por meio de denúncias feitas pela população do município e que “realiza, diuturnamente, operações preventivas e repressivas com o intuito de combater os ilícitos praticados nas regiões de fronteira”.
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Fonte: G1 Mundo

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Lars Vilks, sueco autor de caricatura de Maomé, morre em acidente de trânsito


Carro em que o artista viajava com dois policiais que faziam sua segurança bateu em um caminhão. Todos morreram no acidente. Lars Vilks em foto de 2015
Vesa Moilanen/Lehtikuva/Reuters
O cartunista sueco Lars Vilks, alvo de um atentado em Copenhague em 2015 que vivia sob proteção após desenhar o profeta Maomé com o corpo de um cachorro em 2007, morreu neste domingo (3) em um acidente de trânsito na Suécia junto com os dois policiais que faziam sua segurança.
A polícia sueca confirmou à AFP a morte do cartunista de 75 anos e dos dois policiais. Também descartou a hipótese de um ato intencional.
“É objeto de investigação como qualquer acidente de trânsito. Como há dois policiais envolvidos, foi aberta uma investigação por uma seção específica da promotoria”, disse um porta-voz da polícia local à AFP.
O acidente ocorreu na tarde de domingo em uma estrada na comuna de Markaryd, sul do país, quando o carro se chocou contra um caminhão que viajava no sentido contrário, explicou a polícia em um comunicado. Os dois veículos pegaram fogo após a colisão.
Segundo o jornal Expressen, o veículo policial, que andava em alta velocidade, cruzou uma cerca de segurança por motivos ainda não determinados antes de colidir com o caminhão. O motorista do caminhão foi hospitalizado, indicou a polícia.
Após seu cartum de Maomé como um cachorro, Vilks passou a viver sob proteção quase ininterrupta devido a inúmeras ameaças e ataques de fundamentalistas islâmicos.
Em 14 de fevereiro de 2015, um jovem dinamarquês de origem palestina abriu fogo durante um debate sobre liberdade de expressão em Copenhague, organizado após o ataque mortal à revista Charlie Hebdo em Paris.
Vilks e o embaixador francês saíram ilesos, mas um cineasta dinamarquês de 55 anos foi morto pelo jovem, que horas depois matou um guarda da sinagoga de Copenhague. O agressor morreu no dia seguinte em um confronto com a polícia dinamarquesa.
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Fonte: G1 Mundo

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Fumio Kishida é o novo primeiro-ministro do Japão


Ex-ministro das Relações Exteriores, de 64 anos, foi eleito pelo Parlamento nesta segunda-feira (4). Considerado um político moderado, ele é herdeiro de uma família de políticos. Fumio Kishida é aplaudido após ser escolhido como o novo primeiro-ministro no Parlamento, nesta segunda-feira, no Japão
Kim Kyung-Hoon/Reuters
O ex-ministro das Relações Exteriores do Japão Fumio Kishida, de 64 anos, foi eleito oficialmente como o 100º primeiro-ministro do Japão nesta segunda-feira (4), depois de ganhar a maioria dos votos em ambas as casas do parlamento.
Segundo a agência Reuters, os novos membros do gabinete serão anunciados no final do dia.
Kishida é considerado um político moderado. Ele venceu a disputa pela presidência do Partido Liberal Democrata (PLD) derrotando um adversário que é mais conhecido: Taro Kono, de 58 anos, que coordenou a campanha de vacinação contra a Covid-19 no país.
O antecessor de Kishida, Yoshihide Suga, decidiu não se candidatar ao voto do PLD, sigla que domina a vida política japonesa desde 1955. Em novembro, ocorrerão eleições legislativas (o PLD é considerado favorito).
Kishida foi ministro das Relações Exteriores do Japão de 2012 a 2017. Ele é herdeiro de uma família de políticos. Em 2020, concorreu contra Suga e perdeu. Ele foi o primeiro a declarar-se candidato para as eleições deste ano.
Destacando sua capacidade de escuta e convidando os japoneses a compartilhar suas reivindicações e ideias com ele, Kishida buscou capitalizar a insatisfação da opinião pública com a gestão da crise de saúde, que minou a popularidade do governo Suga.
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‘Prêmio Nobel não reflete como a ciência é feita hoje’, diz astrofísico Brian Keating


O professor da Universidade da Califórnia questiona o processo de escolha dos vencedores nas categorias científicas e entende que o reconhecimento deveria ser dado a grupos de pesquisa, e não para cientistas de forma individual. O astrofísico, que também é autor do livro Losing The Nobel Prize (“Perdendo o Prêmio Nobel”, sem versão em português), conversou com a BBC Mundo
Arquivo pessoal
“Nenhum cientista vai a Estocolmo sozinho”, escreveu Brian Keating, professor de física da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos Estados Unidos.
“Dar prêmios Nobel a cientistas de forma individual é um anacronismo”, escreveu o pesquisador no ensaio Time to Update the Nobel (“Hora de Atualizar o Nobel”, em tradução livre para o português) publicado em 2019 no site Aeon.
O físico questiona o processo de escolha dos vencedores das categorias científicas (física, química e medicina) do prestigiado reconhecimento que é anunciado todos os anos no início de outubro.
E ele não está sozinho. Em 2012, Jim Al-Khalili, físico teórico e professor da Universidade de Surrey, no Reino Unido, escreveu outro artigo, intitulado “Por que os Prêmios Nobel Precisam de uma Reformulação” no jornal The Guardian.
O autor apontou como, cada vez mais, as fronteiras entre as ciências estão se confundindo e que os prêmios também deveriam “recompensar as melhores pesquisas” e não ser classificados de acordo com algumas disciplinas.
“O comitê poderia introduzir novas categorias e variá-las anualmente. Pode haver um ano em que astrobiologia, ciência dos materiais e geofísica sejam escolhidas, e outro em que eles selecionem nanoquímica, inteligência artificial e biologia quântica”, sugeriu Al-Khalili.
As críticas também apontam para a falta de diversidade entre os vencedores. Em 119 anos de história, apenas 23 mulheres ganharam o prêmio nos ramos científicos: 4 em física (entre 216 laureados), 7 em química (entre 186) e 12 em medicina (entre 222).
“Nenhum cientista negro jamais ganhou um Nobel. Isso é ruim para a ciência e para a sociedade”, escreveu em 2018 o pesquisador Winston Morgan, professor de toxicologia clínica e bioquímica da Universidade East London, no Reino Unido, no site The Conversation.
Como são escolhidos os vencedores?
Em 2019, a revista Nature publicou uma declaração intitulada “Comitê do Nobel Responde às Críticas”.
“Nosso processo de premiação se esforça para garantir que todos os cientistas tenham uma chance justa, independentemente de sua localização geográfica ou de gênero”, escreveram Göran Hansson, secretário-geral da Academia Real de Ciências da Suécia, e Gunnar Von Heijne, secretário do Comitê do Nobel de Química.
‘Nosso processo de premiação se esforça para garantir que todos os cientistas tenham uma chance justa, independentemente de sua localização geográfica ou gênero’, disse Göran Hansson
FREDRIK SANDBERG/TT NEWS AGENCY/AFP VIA GETTY IMAGES
Os processos de nomeação e seleção dos laureados em física e química são muito semelhantes.
No primeiro caso, observa a organização, o Comitê do Nobel de Física (assim como o de Química) envia formulários de nomeação confidenciais “para cerca de 3 mil pessoas: professores selecionados de universidades ao redor do mundo, ganhadores do Nobel e membros da Academia Real de Ciências da Suécia, entre outros.”
Assim que esses formulários são devolvidos, o comitê “analisa as indicações e seleciona os candidatos preliminares”. Entre 250 e 350 nomes são propostos nessa primeira fase.
Os nomes preliminares são enviados “a especialistas especialmente designados” para avaliar o trabalho dos candidatos.
Na sequência, o comitê apresenta recomendações sobre os candidatos finais para a Academia Real de Ciências da Suécia, cujos membros escolhem os vencedores por maioria de votos.
No caso do prêmio de medicina, cabe à Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska de Estocolmo (capital da Suécia) escolher os laureados entre os candidatos indicados pelo Comitê do Nobel de Fisiologia ou Medicina.
E esse estágio é alcançado após “mais de 3 mil convites pessoais confidenciais serem enviados para nomeadores qualificados”.
Os estatutos da Fundação Nobel estabelecem que até três pessoas podem compartilhar o reconhecimento por ano — o Prêmio da Paz é o único que pode ser concedido a organizações.
O número limite
Em 2019, Hansson e Von Heijne apontaram que “a distribuição desigual dos prêmios Nobel é sintoma de um problema maior”.
“A ciência foi dominada pela Europa Ocidental e pela América do Norte durante séculos, e as mulheres tiveram oportunidades científicas limitadas.”
No ano passado, o Prêmio Nobel de Física foi concedido ao britânico Roger Penrose, ao alemão Reinhard Genzel e à americana Andrea Ghez por suas descobertas sobre buracos negros
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Keating discorda dessa abordagem.
“Acho que é sobre o comitê ter que fazer pesquisas mais ativas e tomar medidas proativas para ter certeza de que está realmente revelando as pesquisas maiores, mais importantes e mais benéficas, aquelas que realmente ajudarão, como disse Alfred Nobel, a toda a humanidade”, disse o pesquisador à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
Ele ressalta que, se tivéssemos mais de três vencedores por ano em cada categoria científica, isso “incluiria mais mulheres e mais pessoas de grupos sem representação”.
Venki Ramakrishnan, vencedor do Nobel de Química de 2009 (junto com Thomas A. Steitz e Ada Yonath), escreveu que “na ciência, descobrir três pessoas que fizeram uma diferença real em um campo específico torna-se cada vez mais difícil e subjetivo, quase impossível.”
“Além disso, a explosão da ciência no último meio século significou que muitos avanços importantes nunca ganharam reconhecimento”, observou ele no livro Gene Machine: The Race to Decipher the Secrets of the Ribosome (A Máquina do Gene: a Corrida para Decifrar os Segredos do Ribossomo, sem versão em português).
Em entrevista à BBC Mundo, Hansson, o secretário-geral da Academia Real de Ciências da Suécia, disse que a discussão sobre a premiação de grupos ou de organizações inteiras em categorias científicas tem ocorrido não apenas na imprensa, mas também “na Academia” e ele acredita que o debate continuará no futuro.
“Até agora, descobrimos que é possível reconhecer uma, duas ou três pessoas por uma descoberta específica, e eu pessoalmente acredito que, se você pode recompensar um indivíduo, você mostra que uma pessoa faz a diferença neste mundo de organizações e instituições.”
Em sua opinião, destacar o “indivíduo criativo” e torná-lo um modelo pode ser mais positivo do que recompensar uma organização.
Até o professor Keating, da Universidade da Califórnia, reconhece que os prêmios levam os cientistas ao sucesso.
“Eu mesmo fiquei um pouco apaixonado pelo Nobel, com o desejo de querer ganhá-lo, de alcançar o mais alto nível de notoriedade e imortalidade que pode ser obtido na física e de fazer parte de uma coorte muito exclusiva, habitada por pessoas como Einstein”, escreveu, em um artigo para a BBC em 2020.
O astrofísico, que também é autor do livro Losing The Nobel Prize (“Perdendo o Prêmio Nobel”, sem versão em português), conversou com a BBC Mundo. Confira os principais trechos a seguir.
BBC Mundo – Por que você acha anacrônico conceder prêmios Nobel a cientistas de forma individual?
Brian Keating – Porque eles não refletem a forma como a ciência é feita.
A ciência hoje é raramente realizada por gênios solitários, por pessoas que trabalham sozinhas e sem ajuda. Em vez disso, a ciência é muito parecida com uma indústria, em que temos grandes colaborações, ótimas equipes, muitos recursos e suporte.

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Essa combinação e a diversidade da contribuição intelectual não podem vir de uma única pessoa. Precisamos de várias perspectivas.
E nem existe mais a oportunidade de fazer o que consideramos descobertas fáceis de alcançar, ou ampliar demais o número de descobertas que poderiam ter sido feitas por um indivíduo.
É muito raro que, agora, uma pessoa contribua tanto para uma descoberta a ponto de isso pertencer apenas a ela.
BBC Mundo – No seu ponto de vista, qual é o principal problema com o Prêmio Nobel no momento?
Keating – Acho que existem três problemas principais. Um aspecto importante é que não mais do que três pessoas podem ganhar em cada categoria, o que é uma decisão quase caprichosa do comitê. Originalmente, era apenas um vencedor e, embora tenha ocorrido um avanço, isso ainda não reflete como a ciência é feita hoje.
O outro problema é que o prêmio não pode ser destinado a pessoas que morreram, mesmo que se reconheça o quanto elas o mereceriam. Esses indivíduos não são incluídos nos elogios, na atenção e no alarde só porque estão mortos. Em última análise, isso é injusto e o Prêmio Nobel não reflete como a ciência é feita hoje.
O terceiro problema é que as premiações transformam a ciência em uma espécie de esporte, uma cerimônia de premiação para estrelas de cinema, com risco de reescrever como a história realmente se desenrolou.
Desse modo, às vezes falamos sobre as descobertas científicas pelo número de ganhadores do Nobel ou pela forma como essas descobertas levaram a um prêmio desses, em vez de nos concentrarmos nas lutas e no processo para chegar a essa descoberta.
Me parece que há uma tendência a pensar mais no resultado do que no processo em si.
BBC Mundo – Em 2019, o comitê do Nobel indicou que faz “esforços substanciais para alcançar centros de pesquisa em todo o mundo”. Você ainda acredita que “cálculos arbitrários e muitas vezes cruéis” são executados nesse processo de seleção, conforme escreveu num artigo?
Keating – Sim, acho que eles têm interesses. Eu considero que eles não têm uma agenda ou um foco. Isso seria impreciso, e eles podem até admitir que é estranho: três pessoas que estão exatamente na mesma área obtêm o mesmo número de votos? Não parece ser plausível.
O que eu acho que acontece, em geral, é que eles têm uma ideia, dentro da Academia Real de Ciência da Suécia, de quem merece um Prêmio Nobel e, então, tentam encontrar o apoio de nomeadores, como é o meu caso, para apoiar essa narrativa.
Mas, como o processo não é nada transparente e está escondido há pelo menos 50 anos, é impossível para uma pessoa de fora realmente saber o que está acontecendo.
Porém, o fato de não olharem para trás e verificarem o que está errado é cruel.
Quantas pessoas mereciam o prêmio, como Rosalind Franklin (1920-1958) ou Jocelyn Bell (1943), cujos méritos eles próprios reconhecem, e não ganharam?
BBC Mundo – Você acha que os prêmios Nobel em ciência deveriam ser dados a grupos?
Keating – Sim, acredito que quem foi fundamental no processo merece ser reconhecido e recompensado.
Até que os vencedores comecem a se rebelar e até rejeitar o prêmio em seu formato atual, as coisas continuarão como estão, como um monopólio, uma entidade monolítica e imutável.
Na primeira vez que alguém se manifestar e dizer: ‘Não vou aceitar esse prêmio porque não é exato, não é justo e não representa a totalidade da descoberta’, o comitê mudará seus planos.
Meu livro foi escrito na esperança de que isso aconteça, de que alguém veja que isso está afetando negativamente os resultados da ciência. Até agora, ninguém realmente aceitou esse desafio, mas gostaria que alguém tomasse a iniciativa. Com o tempo, imagino que os vencedores serão forçados a isso.
Ou seja, acredito que o Prêmio Nobel vai perder prestígio e, se isso acontecer, não haverá como recupera-lo.
E isso é visto hoje em lugares como Hollywood, onde as mulheres foram reprimidas por muitas décadas, e agora elas vêm à tona e protestam, até com a participação dos homens.
Não estou comparando as duas áreas, mas o mesmo pode acontecer com o Prêmio Nobel se eles não tomarem cuidado. Acho que eles deveriam aproveitar a oportunidade para reformular enquanto ainda têm tempo de fazê-lo em seus próprios termos.
BBC Mundo – Você também mencionou que a imagem do pesquisador solitário parece ser cada vez mais “uma relíquia do passado”. Por que você acha que existe uma imagem idealizada de um ganhador do Nobel?
Keating – Acho que isso remonta à ideia do gênio solitário que as pessoas querem acreditar que existe. Aquele indivíduo que trabalha muito sozinho em algo que nenhum de nós pode fazer.
É uma espécie de fantasia que existam indivíduos assim.
Talvez essa ideia venha de pessoas como Galileu Galilei, Isaac Newton ou Albert Einstein, que trabalhavam predominantemente isolados e sozinhos. Mas todos admitiram que estavam sobre os ombros de gigantes, como chamavam aqueles que atuavam no mesmo campo antes deles.
Acho que perdemos de vista a segunda parte dessa frase: os cientistas, por natureza, têm que trabalhar de forma colaborativa. Hoje, nenhuma pessoa pode construir o Grande Colisor de Hádrons, o Observatório Simons ou qualquer um dos projetos mais cativantes sozinho.
Acho que prejudicamos a ciência quando mandamos a mensagem de que você tem que ser o Einstein para dar uma contribuição. Mesmo o Einstein, quando criança, não era o Einstein que conhecemos. Em outras palavras, ele não sabia de nada e levou anos para desenvolver seu conhecimento, aprender matemática e assim por diante.
Imagine se ele sentisse que tinha que ser um super gênio para ser um cientista. Ele ficaria desanimado quando era jovem e nunca teríamos todas aquelas contribuições.
BBC Mundo – Embora você reconheça que a competição científica para ganhar um Prêmio Nobel possa ser saudável, também acredita que ela pode levar ao desperdício de recursos. O que quer dizer com isso?
Keating – Uma das necessidades mais urgentes da ciência é o financiamento, ter a possibilidade de contratar colaboradores, pesquisadores, poder pagar por experimentos, comprar equipamentos, viagens e assim por diante.
Mesmo agora, com uma pandemia, ainda é urgente poder viajar para o Chile, a Europa e outros lugares onde fazemos nossas pesquisas.
A ciência realmente depende de financiamento, mas os valores estão cada vez menores. Por outro lado, o número de cientistas está aumentando, assim como nosso desejo por novas tecnologias e descobertas científicas.
É assim que você tem cada vez menos recursos e, ao mesmo tempo, mais atenção à área. Isso vai causar um choque.
Os órgãos que decidem o financiamento, como a National Science Foundation, dos Estados Unidos, ou os diversos órgãos governamentais da Europa, vão perguntar qual projeto terá maior impacto, seja um telescópio ou um acelerador de partículas.
E, muitas vezes, o atalho que usam é dizer: isso vai ganhar um Prêmio Nobel? É por esse motivo que os diferentes projetos vencedores do prêmio que eles apoiaram costumam ser vistos nos sites de agências governamentais.
Acho que, novamente, isso perpetua a ideia quase mítica sobre o Prêmio Nobel e dá a ela um excesso de poder.
Isso, penso eu, é outro tipo de consequência da idolatria quase religiosa sobre aqueles que ganham esse reconhecimento.
BBC Mundo – Em seu artigo, você questiona: “E se o Comitê do Nobel divulgasse todos os indicados daquele ano?”. Quais seriam os benefícios disso?
Keating – Acho que, nesse caso, a atenção que seria dada aos cientistas, principalmente aos jovens, destacaria como é importante aquilo que eles estão fazendo.
Não há outra cerimônia de premiação em que não se saiba quem vai concorrer. Nas Olimpíadas, no Oscar, no Emmy ou no Bafta, as pessoas conhecem quem está envolvido, quem são os finalistas. Isso, de certa forma, dá mais atenção àquela comunidade, àquela área.
Por esse motivo, acho que seria bom reconhecer a todos, que potencialmente se consideram merecedores desse prêmio.
BBC Mundo – Em 2017, o jornalista Ed Yong escreveu no The Atlantic, um artigo sobre absurdo dos prêmios Nobel e postulou que “na medida em que propagam o mito do gênio solitário, esse gênio solitário é quase sempre branco e homem”. Como o senhor vê esse ponto de vista?
Keating – Esse é um fenômeno semelhante à perspectiva de Einstein que mencionei antes: as pessoas querem que os cientistas estejam lá e recebam o prêmio.
De certa forma, acho que as pessoas querem que essas figuras existam, para que não tenham que tomar decisões ou fazer as coisas por si mesmas. Em outras palavras, não preciso me debruçar em um tópico importante porque outra pessoa, que é muito mais inteligente do que eu, está pensando sobre a origem do universo ou a estrutura do espaço e do tempo.
E eu acho que, infelizmente, isso é causado pelos próprios cientistas, porque eles vão dizer coisas como: “Não, isso é muito difícil para você entender e eu não posso explicar”, ou como Richard Feynman (Prêmio Nobel de Física de 1965) respondeu: “Se eu pudesse explicar para uma pessoa comum, o Prêmio Nobel não teria nenhum mérito.”
Isso é prejudicial porque, novamente, desencoraja os jovens. Não há cientista tão inteligente ao nascer como quando ele ganhou o Prêmio Nobel.
Você só prejudica a ciência ao fazê-la parecer exclusiva. É verdade que a maioria dos vencedores foram homens brancos, ou pelo menos homens.
Houve muitos cientistas japoneses, chineses e de outras origens que foram laureados. Mas até agora não há nenhum vencedor afro-americano, por exemplo.
Isso é sintoma de um dos fenômenos que descrevo em meu livro: quanto mais vezes você estiver associado a um ganhador do Prêmio Nobel, maior será a probabilidade de você mesmo ganhar um Prêmio Nobel, seja você conselheiro, aluno, colaborador ou apenas autor de um artigo com esse ganhador.
Nesse sentido, o rico tende a ficar rico e há a criação de uma espécie de dinastia no Prêmio Nobel. Me parece que isso pode reforçar o mesmo fenômeno de que Ed Yong fala naquele artigo.

Fonte: G1 Mundo

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Abóbora com 744 kg conquista o primeiro lugar em festival na Alemanha

O fazendeiro alemão Hubertus Elmar foi o campeão do Festival de Abóboras de Ludwigsburg 2020 com o fruto mais pesado da competição. O recorde mundial foi de 1,190 kg. Abóbora com 744 kg conquista o primeiro lugar em festival na Alemanha
O fazendeiro alemão Hubertus Elmar venceu uma competição europeia de pesagem de abóbora, que aconteceu na cidade de Ludwigsburg, na Alemanha, neste domingo (03). O fruto pesava cerca de 744 kg (assista no vídeo acima).
Com o primeiro lugar, ele ganhou o prêmio de 750 euros (aproximadamente R$ 10.897,88). E, apesar de ter conquistado o troféu, a abóbora de Hubertus Elmar não bateu o recorde mundial estabelecido pelo agricultor belga Mathias Willemijns, em 2016, com uma abóbora de 1.190,5 kg.
O Festival de Abóboras de Ludwigsburg 2020 reuniu dezenas de pessoas de mais de 20 países, que acompanharam a pesagem de cada participante.

Fonte: G1 Mundo

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O naufrágio do navio de guerra inglês que mudou a história da navegação


Um dos piores desastres da história marítima britânica, o colapso do HMS Association motivou a promulgação de duas leis e a criação de um mecanismo para calcular a longitude no mar.
DAVID CHAPMAN/ALAMY
Nosso barco estava a apenas alguns quilômetros de St. Mary’s, a ilha principal das Ilhas Scilly, mas o mar havia se tornado um animal totalmente diferente.
As águas calmas do porto haviam ficado há muito tempo para trás e, à medida que contornávamos as Western Rocks — um conhecido cordão de recifes afiados como navalhas, no extremo sudoeste da Inglaterra — as ondas aumentavam.
As ondas batiam contra a proa, enquanto o barco tombava para frente e para trás.
A água estava da cor da meia-noite, e eu espiei na escuridão em busca de um sinal do HMS Association, um dos mil naufrágios que se encontram estilhaçados no fundo do mar ao redor das Ilhas Scilly.
Formada por recifes paralelos, cuja maior parte fica submersa na maré alta, as Western Rocks representavam uma grande ameaça para os marinheiros com destino a um porto seguro em Tresco ou St Mary’s.
“Duvido que qualquer coleção de rochas em todas as Ilhas Britânicas tenha uma reputação pior”, diz Richard Larn OBE, presidente da Sociedade Internacional de Arqueologia Marítima e Naufrágios e autor do livro Sea of Storms: Shipwrecks of Cornwall and the Isles of Scilly (“Mar de Tormentas: Naufrágios da Cornualha e das Ilhas Scilly”, em tradução livre).
“Esta imensa área de perigo oculto foi cenário de vários dos piores desastres de naufrágio nas Scilly.”
Nenhum, no entanto, foi mais trágico, nem desempenhou um papel tão significativo na história, do que o naufrágio do Association nos primeiros anos do século 18.
Um navio de guerra inglês de segunda categoria com 90 canhões, o HMS Association era o “carro-chefe” de Sir Cloudesley Shovell, que passou de humilde ajudante a almirante da frota em 1705.
Shovell se destacou na Guerra dos Nove Anos e nos primeiros conflitos da Guerra da Sucessão Espanhola, mas depois de um verão sitiando (sem sucesso) o porto francês de Toulon, ele zarpou para casa, saindo de Gibraltar para a Inglaterra no fim de setembro de 1707.
Por volta das 20h do dia 22 de outubro de 1707, acreditando que estavam ao longo da costa da Bretanha e seguindo para o Canal da Mancha, a frota avançou pela escuridão em direção às Western Rocks.
O Association, sob o comando do Capitão Edward Loades, bateu na rocha Outer Gilstone e afundou em dois minutos. Três outros navios — o Eagle, o Romney e o Firebrand — também naufragaram.
Cercada por rochas traiçoeiras, as Ilhas Scilly têm uma das maiores concentrações de naufrágios do Reino Unido
DAVID CHAPMAN/ALAMY
“Como o tempo estava muito nebuloso e chuvoso e a noite escura… alguns deles [estavam] sobre as rochas a oeste das Scilly sem saber. Nenhum homem do Association foi salvo”, reportou na época o Daily Courant, o primeiro jornal diário britânico.
Cerca de 1.450 homens morreram nos quatro navios, restaram apenas 24 sobreviventes entre eles. Continua sendo um dos piores desastres da história marítima britânica.
Mas, como os melhores marinheiros da época — tão famosos quanto Lord Nelson era na sua época, de acordo com Larn — ficaram completamente e catastroficamente perdidos?
O mau tempo não ajudou, tampouco a natureza baixa das Ilhas Scilly e seus recifes, que se misturam à superfície da água à noite devido à pouca visibilidade.
A análise dos diários de bordo dos navios que conseguiram voltar a Londres também revelou que os oficiais da frota estavam usando mapas que colocavam as Ilhas Scilly oito milhas náuticas ao norte.
Todas essas questões eram agravadas pelo problema real — que no início do século 18, não havia uma maneira precisa de determinar a longitude exata de um navio (sua posição leste-oeste) no mar.
Os marinheiros usavam um processo chamado “navegação estimada”, medindo velocidade, direção e distância para estimar sua localização.
Mas era um palpite bem fundamentado, na melhor das hipóteses. Shovell e seus oficiais sabiam que estavam alinhados com o Canal da Mancha, mas nunca teriam como saber de que lado das Scilly estavam.
Perder o almirante da frota e tantos homens ao lado dele, “mexeu com a opinião pública e foi citado como um exemplo da necessidade urgente de um método para encontrar a longitude no mar”, escreveu o curador tenente-comandante David Waters no catálogo 4 Steps to Longitude, uma exposição no National Maritime Museum, em 1962.
Larn vai mais além, acreditando que o parlamento introduziu a Lei da Longitude de 1714 como resultado direto do desastre.
A lei oferecia uma recompensa — o Prêmio Longitude — de £20 mil a quem conseguisse criar uma solução que fosse “viável e útil no mar”.
Isaac Newton e Edmond Halley (famoso pelo cometa) se empenharam na tarefa, mas o problema foi resolvido por um carpinteiro que virou relojoeiro de Yorkshire.
John Harrison levou 25 anos e quatro tentativas, mas em 1759 ele inventou um cronômetro marinho que permitia a um navio calcular sua longitude comparando a diferença do horário local no mar com o horário de Greenwich.
O H4, cronômetro marinho de John Harrison, resolveu o problema de calcular a longitude no mar
WILF DOYLE/ALAMY
Seu relógio de bolso premiado, conhecido como H4, superou as condições desafiadoras a bordo — as questões de movimento e variação de temperatura — e ofereceu a estabilidade necessária.
“O H4 funciona a princípio como qualquer outro relógio mecânico”, explica Emily Akkermans, curadora do Royal Observatory em Greenwich, Londres.
“Mas a diferença é o nível de precisão alcançado [por Harrison] pelo uso de um roda de balanço de ‘alta energia’, que girava mais rápido do que as menores e mais leves encontradas em relógios tradicionais.”
Em uma viagem de teste de quatro meses de Portsmouth à Jamaica, o H4 atrasou apenas 1 minuto e 54 segundos.
Mesmo assim, o Conselho de Longitude se recusou a reconhecer totalmente a conquista de Harrison e ele nunca recebeu o valor total do prêmio em dinheiro que lhe era devido.
O Association, enquanto isso, ainda estava fragmentado sob a rocha Outer Gilstone, como ficaria por mais 200 anos.
Em 1963, Larn, então sargento-chefe da primeira categoria da Marinha Real, iniciou a busca pelo naufrágio quando se aproximou de um almirante para perguntar se ele poderia pegar emprestado um navio caça-minas.
Larn e uma equipe de mergulhadores do comando naval da aeronática levaram três anos para encontrar o Association, até que em 4 de julho de 1967 eles descobriram um canhão de bronze e moedas de ouro próximo a Gilstone.
Em apenas seis semanas, eles resgataram vários canhões franceses do fundo do mar — troféus da Guerra da Sucessão Espanhola (um dos quais doaram ao Museu Valhalla, em Tresco) — junto com moedas de ouro e prata, placas de estanho e uma variedade fenomenal de artefatos, de fivelas e botões a castiçais e pentes.
A notícia se espalhou rapidamente, no entanto, e caçadores de tesouro amadores aportaram nas Scilly.
“Qualquer pessoa que tinha um cilindro de mergulho e um saco de dormir apareceu por aqui”, diz Larn.
“Não havia nada que impedisse ninguém de saquear o naufrágio do Association depois que partimos, e foi exatamente o que aconteceu. As moedas eram tão abundantes que as pessoas pagavam por cerveja no pub com elas.”
Um memorial de pedra marca o local para onde o corpo de Sir Cloudesley Shovell foi levado
MICHAEL GRANT/ALAMY
Nenhum registro oficial jamais foi feito do que foi retirado do mar e, em poucos meses, as descobertas estavam espalhadas por todo o globo.
Uma placa de prata com a inscrição do brasão de armas de Sir Cloudesley Shovell foi vendida para a prefeitura de Rochester, onde o almirante havia servido como parlamentar local; artefatos do naufrágio hoje decoram um pub em Penzance; e fragmentos do sino do navio foram leiloados para colecionadores particulares nos Estados Unidos.
“O que aconteceu no Association foi uma desgraça nacional”, afirma Larn, que apresentou uma petição ao parlamentar local para considerar um projeto de lei para proteger os naufrágios históricos — o Mary Rose havia sido descoberto recentemente em Solent, e Larn temia que seus tesouros tivessem o mesmo fim se nada fosse feito.
A Lei de Proteção de Naufrágios foi aprovada em 1973, mais de 250 anos após a primeira, protegendo os naufrágios de interferências não autorizadas.
Há atualmente 24 naufrágios protegidos nas águas do Reino Unido, três dos quais estão ao longo das Scilly; o Association, cujo local do naufrágio ainda contém canhões de ferro, é um deles.
Embora os visitantes não tenham acesso ao local do naufrágio, eles podem ver alguns dos itens que foram resgatados do Association no acervo do Museu das Ilhas Scilly, que inclui um canhão do navio e o que se acredita ser o “penico” amassado de Sir Cloudesley Shovell.
O museu foi obrigado a fechar em junho de 2019, quando sua casa histórica foi considerada insegura, e a coleção está atualmente espalhada pela prefeitura de St Mary’s e exposições temporárias nas ilhas St Martin’s, Tresco, Bryher e St Agnes — em hotéis, lojas, salões comunitários e até em uma antiga cabine telefônica.
St Mary’s é a maior ilha das Ilhas Scilly e o porto mais próximo das famosas Western Rocks
WESTEND61 / GETTY IMAGES
“Estamos tentando reconectar os objetos aos lugares e manter o museu vivo enquanto arrecadamos fundos para uma nova casa”, diz Kate Hale, curadora do museu, sobre seu projeto Museum on the Move.
Hale estava no cargo havia apenas dois meses quando o museu fechou de repente; o lockdown estava no auge, então as restrições impostas pela pandemia de covid-19 fizeram com que ela trabalhasse sozinha, em um porão escuro, embrulhando 10 mil objetos do acervo do museu à luz de lanternas.
Os visitantes também podem conhecer o naufrágio por meio do novo aplicativo Walking Companion, criado por Hale e sua equipe e desenvolvido como parte do projeto Coastal Timetripping.
O aplicativo de celular é ativado automaticamente quando você está na área de alcance de um naufrágio próximo e permite que os visitantes explorem, por meio da realidade aumentada, os fragmentos do Association.
Em Porth Hellick, por exemplo, a 11 quilômetros do local do naufrágio, um memorial marca o lugar onde o corpo de Sir Cloudesley Shovell foi “lançado na costa e enterrado com outros na areia”.
Ele havia sido arrastado pelo mar até aqui com seus dois enteados, seu capitão e seu galgo de estimação, Mumper.
Dê uma volta pela enseada, e o aplicativo mostrará pinturas do Association, imagens dos arquivos do Museu das Ilhas Scilly e modelos 3D do sino do navio.
Um grupo de teatro local lê um poema que descreve os eventos da noite de 22 de outubro de 1707 do poeta local Robert Maybee, e o grupo folk Dalla, da Cornualha, canta uma música sobre a lenda do naufrágio.
E além da enseada, depois da ilha St Mary’s, o oceano continua enfurecido em torno das Western Rocks.

Fonte: G1 Mundo

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Como cientistas conseguiram resolver enigma de epidemia que deixou 50 mil cubanos cegos


No início da década de 1990, acreditava-se que um vírus estava fazendo a população da ilha perder a visão. Epidemia misteriosa na ilha chegou a mobilizar a OMS
ADALBERTO ROQUE/AFP VIA GETTY IMAGES
Enquanto Cuba enfrentava uma grave crise econômica no início da década de 1990, cerca de 50 mil cubanos perderam inexplicavelmente a visão.
Inicialmente, as autoridades de saúde da ilha, assim como especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), acreditaram que se tratava de uma infecção viral, que estava se espalhando pela população cubana.
Mas estavam enganados.
Em entrevista ao jornalista Mike Lanchin do programa de rádio Witness, da BBC, o oftalmologista americano Alfredo Sadun conta como ajudou a resolver o mistério da chamada epidemia cubana de neuropatia óptica.
É maio de 1993, e o oftalmologista americano Alfredo Sadun acaba de ser contatado por um representante da OMS a respeito de uma inexplicável epidemia de cegueira em Cuba.
“Não consigo lembrar as palavras exatas, mas vou parafrasear o que ele disse: ‘A OMS identificou que se trata de a) provavelmente um problema viral e b) que provavelmente afeta o nervo óptico’.”
“Eu era uma espécie de especialista e referência mundial em doenças do nervo óptico, então o pedido era para que eu fosse para Cuba o mais rápido possível”, conta Sadun, que hoje é membro do Doheny Eye Institute, afiliado à Universidade da Califórnia de Los Angeles (UCLA), nos EUA, em entrevista ao programa Witness.
Cerca de 50 mil pessoas haviam perdido a visão na ilha, e a doença parecia estar se espalhando num ritmo assustador.
O representante da OMS queria que Sadun embarcasse para Cuba naquela mesma noite.
Mas o médico, que estava em Miami com a família, negociou mais alguns dias.
“Expliquei que precisava voltar para Los Angeles primeiro, queria ter a oportunidade de dar alguns telefonemas para montar a equipe certa para me acompanhar.”
“(Também) queria passar algum tempo na biblioteca. Isso foi antes do Google, e precisava pesquisar várias possibilidades”, destaca.
E, embora estivesse entusiasmado com a ideia, era algo que precisava discutir com a esposa, dada a natureza da proposta.
“O fato de eu estar me metendo em uma (suposta) epidemia viral que estava cegando as pessoas de repente, era algo que eu precisava explicar a ela.”
Crise econômica
O início dos anos 1990 foi um período um tanto desafiador para os cubanos e seu líder, Fidel Castro.
O colapso da antiga União Soviética, que fornecia à ilha caribenha milhões de dólares em petróleo, alimentos e outros suprimentos vitais, desencadeou uma grave crise econômica na ilha, reforçada pelo endurecimento do embargo imposto pelos Estados Unidos.
O chamado “período especial” foi marcado pela escassez de diversos produtos básicos, como alimentos e combustível, e a adoção de políticas de racionamento.
Mas, naquele momento, a cegueira parecia desconectada da crise interna de desabastecimento — e sua rápida propagação sugeria, de fato, a presença de um vírus.
Preocupadas com uma possível epidemia viral tão perto da sua costa, as autoridades dos EUA concordaram rapidamente em autorizar a ida de Sadun para Cuba, apesar da proibição de viagens de cidadãos americanos ao país e da hostilidade declarada entre as duas nações.
E assim, em meados de maio de 1993, o médico e outros 11 especialistas da área de saúde voaram para Havana.
A primeira reunião deles na capital cubana aconteceu na mesma noite em que desembarcaram — com a sala repleta de cientistas e a presença de Fidel Castro.
“Castro interrompia regularmente. Algumas interrupções pareciam ser bastante sem importância. Alguém dizia: ‘80%’, e ele interrompia e dizia: ‘Não vamos exagerar, foi 78%’.”
“Eu interpretei isso como uma demonstração para todos de que ele estava no controle, que sabia o que estava acontecendo, e que não era apenas uma supervisão geral”, avalia.
E será que o líder cubano estava confortável com a presença de um americano na ilha?
“Quando cheguei, e ele me apresentou a algumas pessoas, me apresentou como Alfredo Sadun da OMS. No dia seguinte, me apresentou como médico e cientista italiano.”
“Ele fez de tudo para evitar me chamar de americano”, relembra.
Cuba já era conhecida por suas conquistas e expertise na área de saúde, mas a maioria das autoridades locais ainda estava convencida de que a epidemia era causada por um vírus.
Sadun, no entanto, estava mais cético.
Ele e sua equipe começaram analisando amostras do líquido cefalorraquidiano retiradas de pacientes que perderam a visão — e não encontraram nenhum vestígio de glóbulos brancos ou proteína, o que seria indício de uma infecção viral.
Além disso, constataram que não houve surtos em orfanatos, asilos ou quartéis militares — segundo ele, infecções virais tendem a se propagar rapidamente nestas instituições devido à falta de distanciamento entre os ocupantes.
Para provar sua teoria de que a cegueira tinha outra causa, e não era viral, Sadun precisava encontrar características comuns entre os pacientes afetados. Ele selecionou então um grupo de cerca de 20 para analisar.
“Precisávamos encontrar conexões familiares: pai e filho, mãe e filha, marido e mulher, porque aí você pode dizer o que essas pessoas têm em comum. Por exemplo, de repente elas usam o mesmo óleo de cozinha”, explica.
E o que ele descobriu é que todos haviam perdido uma quantidade enorme de peso.
“Em nosso grupo, a perda de peso variava de 9 kg a 13 kg. Então isso me deu uma noção das bases nutricionais do problema”, afirma.
A descoberta de que a alimentação provavelmente estava por trás da cegueira foi um grande passo. Mas não explicava tudo.
Por que, por exemplo, alguns membros da mesma família que não moravam juntos ou tampouco comiam juntos também haviam perdido a visão? A resposta foi encontrada quase por acidente.
A explicação
Uma paciente, cujo irmão também havia ficado cego, mas não vivia com ela nem compartilhava refeições com ela, forneceu a peça que faltava para montar o quebra-cabeça.
Ao ser entrevistada pela assistente de Sudan, ela contou que os dois se encontravam para caminhar na floresta.
“E nessas caminhadas, eles se encontravam com alguém que vendia rum de fabricação caseira para eles. E isso, sem dúvida, foi um entendimento revolucionário,” diz ele.
O rum artesanal contém traços de metanol, toxina com a qual um organismo saudável é capaz de lidar. Mas em alguém com deficiência de ácido fólico devido a uma má alimentação, o metanol presente na bebida caseira é metabolizado em ácido fórmico (formato) — que, por sua vez, pode causar danos irreparáveis ao nervo óptico.
“Naquele momento, estávamos todos suficientemente convencidos de que não apenas não era um vírus, como essa dupla combinação de deficiência nutricional, particularmente de ácido fólico, e envenenamento por ácido fórmico, um subproduto do metanol, que ocorre de forma crônica bastante lenta, era motivo suficiente (para causar a cegueira)”, explica.
Naquela mesma semana, Sadun anunciou suas descobertas às autoridades de saúde cubanas. Ele conta que, apesar da recepção fria de alguns, Fidel Castro ouviu com atenção e perguntou o que poderia ser feito.
O médico americano recomendou então a distribuição imediata e em massa de suplementos de ácido fólico e vitamina B.
Em setembro de 1993, a chamada epidemia cubana de neuropatia óptica havia sido controlada. Muitos pacientes apresentaram melhora após algumas semanas de tratamento, mas alguns não se recuperaram.
O trabalho de investigação de Sadun rendeu a ele, em 2002, uma medalha de honra da Academia Nacional de Ciências de Cuba.
Mas ele lembra que é preciso dar crédito aos cubanos, que foram capazes de identificar, antes de tudo, que a parte do globo ocular lesionada era o nervo óptico.

Fonte: G1 Mundo

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Equador: o novo depósito do narcotráfico latino-americano

O Equador apreendeu cerca de 116 toneladas de drogas entre janeiro e agosto de 2021, principalmente cocaína, em comparação com o recorde de 128 toneladas em 2020. O Equador, localizado entre a Colômbia e o Peru, os maiores produtores de cocaína do mundo, deixou de ser um país de trânsito para se tornar um depósito do narcotráfico, disse a ministra do Interior, Alexandra Vela, no domingo (3).
“O processo de incursão do tráfico de drogas no país ocorrido nos últimos anos (…) vem se consolidando e fazendo com que o país deixe de ser uma mera passagem para um país onde há armazenamento interno”, disse a autoridade ao canal de televisão Ecuavisa.
O Equador apreendeu cerca de 116 toneladas de drogas entre janeiro e agosto de 2021, principalmente cocaína, em comparação com o recorde de 128 toneladas em 2020.
O país andino enfrenta uma crise carcerária há vários anos por inúmeros motivos, incluindo a violência desencadeada por uma guerra entre grupos criminosos a serviço de cartéis de drogas como o mexicano Sinaloa e Jalisco Nueva Generación.
Membros dessas gangues trocaram tiros na terça-feira (28) em uma penitenciária do porto equatoriano de Guayaquil (sudoeste), deixando pelo menos 119 presos mortos, o que constitui um dos piores massacres penitenciários da história da América Latina.
Até agora, em 2021, os distúrbios nas prisões no país deixaram 238 mortos, de acordo com dados oficiais.
Vela destacou que “o que está acontecendo dentro das prisões no momento é uma luta aberta entre duas gangues ou grupos criminosos, às vezes três e quatro estão dentro da prisão, para controlar a cadeia e os mercados do tráfico”.
O Equador tem 65 presídios com capacidade para cerca de 30.000 pessoas ao todo, mas são ocupados por 39.000, uma superpopulação de 30%. Um terço de todos os presos tem relações com o narcotráfico, segundo analistas.
O especialista equatoriano em segurança e tráfico de drogas Freddy Rivera disse à AFP que o país é “estratégico” para os traficantes porque tem uma economia dolarizada e cinco portos marítimos para tentar exportar drogas para os Estados Unidos e Europa.
Também é favorável porque tem “uma enorme fragilidade institucional, permeada pela corrupção e pela infiltração do crime organizado nas instituições de segurança, justiça e prisionais”, completou.

Fonte: G1 Mundo

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Queiroga testa negativo para Covid e deve voltar ao Brasil entre hoje e amanhã


Ministro da Saúde foi diagnosticado durante viagem com comitiva presidencial à Assembleia Geral da ONU. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, testou neste domingo (3) negativo para Covid-19 e deve retornar ao Brasil entre hoje e amanhã.
Na sexta-feira (1º), o ministro havia informado em uma rede social que recebeu novo resultado positivo para Covid no exame realizado na quinta (30).
Queiroga permaneceu em isolamento nos Estados Unidos, para onde viajou na comitiva do presidente Jair Bolsonaro. O presidente foi a Nova York para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Queiroga foi diagnosticado com Covid no último dia 21, após participar de uma série de compromissos públicos com representantes brasileiros e de outros países no evento da ONU – incluindo o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e o presidente da Polônia, Andrezj Duda.
Queiroga com Covid: o que acontece com quem teve contato com o ministro em NY?
Antes do ministro da Saúde, um diplomata brasileiro que integrava a comitiva também havia recebido resultado positivo para a Covid.
O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, come pizza na rua em Nova York, antes da Assembleia Geral da ONU, ao lado do presidente da Caixa, Pedro Guimarães; Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência; Gilson Machado Neto, ministro do Turismo; Marcelo Queiroga, ministro da Saúde; e outros
Reprodução/Instagram
Após o diagnóstico de Queiroga, e já de volta ao Brasil, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, também testaram positivo para o vírus.
O ministro já tinha sido imunizado com duas doses de vacina contra o coronavírus. Até o retorno ao Brasil, o secretário-executivo da pasta, Rodrigo Cruz, responde pelo Ministério da Saúde como ministro-substituto.
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Fonte: G1 Mundo