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França vai fechar 6 mesquitas e dissolver associações suspeitas de radicalismo


Locais de culto foram investigados desde 2020. As autoridades também analisam a dissolução da editora islâmica Nawa e a da Liga de Defesa da África Negra. Uma mulher lê um decreto municipal instalado nos portões de entrada da Grande Mesquita de Pantin, perto de Paris, França, em 2020
Antony Paone/Reuters
A França tomou medidas para fechar seis mesquitas e dissolver várias associações suspeitas de promover propaganda islâmica radical.
O ministro do Interior da França, Gérald Darmanin, disse ao jornal “Le Figaro” que um terço dos 89 locais de culto “suspeitos de serem radicais” foram investigados desde novembro de 2020.
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Os seis locais de culto a serem desativados estão hoje espalhados por cinco departamentos da França.
Darmanin enfatizou que os serviços de segurança franceses aumentaram sua vigilância nos últimos anos, como parte da luta do país contra o “separatismo” islâmico.
Associações polêmicas
As autoridades também estão analisando a dissolução da editora islâmica Nawa, bem como a da Liga de Defesa da África Negra (LDNA), que organizou uma manifestação contra a violência policial em junho do ano passado em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Paris.
Darmanin acusou Nawa, com sede na cidade de Ariège, no sul da França, de “incitar o extermínio de judeus e legitimar o apedrejamento de homossexuais”.
Além disso, o ministro declarou que a LDNA “advogava o ódio e a discriminação” – acrescentando que no ano que vem mais 10 associações seriam dissolvidas.
Em setembro, o Conselho de Estado da França aprovou a decisão do governo de desmantelar o partido Anti-Islamofobia na França e as associações Barakacity.
O governo trabalhou para que estas associações fossem fechadas no final de 2020, após o assassinato do professor Samuel Paty, que foi decapitado por um radical islâmico na França.
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Fonte: G1 Mundo

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Justiça francesa condena Sarkozy por financiamento ilegal de campanha


É a 2ª condenação do ex-presidente francês, que em março foi sentenciado por corrupção e tráfico de influência. Nicolas Sarkozy, ex-presidente da França, participa de cerimônia no Arco do Triunfo, em Paris, em 11 de novembro de 2019
Ludovic Marin/Pool via AP
A Justiça da França declarou nesta quinta-feira (30) o ex-presidente Nicolas Sarkozy culpado por financiamento ilegal de campanha, por ter excedido o limite de gastos autorizados nas eleições presidenciais de 2012.
É a segunda condenação de Sarkozy, que em março foi sentenciado à prisão por corrupção tráfico de influência. O político de 66 anos é o primeiro ex-presidente da Quinta República (regime iniciado em 1958) a ser condenado. A defesa recorreu da decisão.
A condenação desta quinta aconteceu no caso conhecido como ‘Bygmalion’, que diz respeito às contas de campanha da eleição presidencial de 2012, que o então chefe de Estado perdeu para o socialista François Hollande.
A presidente do tribunal, Caroline Viguier, leu a decisão antes de pronunciar as penas contra o ex-chefe de Estado, que não compareceu à leitura do veredicto, e contra os outros 13 acusados.
Ao final do julgamento, que aconteceu em maio e junho, a Promotoria solicitou um ano de prisão, incluindo seis meses de cumprimento obrigatório, pelo que chamou de campanha de “espetáculos ao estilo americano”, com gastos sem preocupação.
O excesso de gastos teria sido ocultado em um arranjo financeiro entre o partido governista União por um Movimento Popular (UMP) – atualmente Os Republicanos – e a empresa que organizou os eventos, Bygmalion.
Ao contrário das outras 13 pessoas sentadas no banco dos réus, o ex-chefe de Estado conservador não foi acusado do sistema de cobrança dupla implantado, e sim de “financiamento ilegal de campanha”.
De modo concreto, a campanha gastou 42,8 milhões de euros (49,6 milhões de dólares na cotação atual), quase o dobro do limite legal.
“É um conto”, afirmou Sarkozy durante o julgamento. “Eu gostaria que explicassem o que fiz a mais na campanha em 2012 do que 2007. É falso!”, completou.
O ex-presidente conservador também tem outros processos abertos. A justiça o acusa de corrupção passiva e associação criminosa, entre outros delitos, pelo suposto financiamento líbi ode sua campanha de 2007, que o levou ao Palácio de Eliseu.
A Promotoria Nacional Financeira (PNF) o investiga ainda por tráfico de influência e lavagem de dinheiro, em relação a suas atividades de consultoria na Rússia.

Fonte: G1 Mundo

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Como funciona um vulcão? Entenda como é a estrutura e qual a origem da lava que corre há 10 dias na ilha


Lava de vulcão chegou ao mar na terça-feira (28). Especialistas avaliam que erupção ainda está distante do desfecho. Vulcão em La Palma
G1
Desde 19 de setembro, o vulcão Cumbre Vieja está em erupção e derramando lava por diferentes comunidades da Ilha da La Palma, nas Canárias. Nesta terça-feira (29), a região completou 10 dias sob estado de alerta devido ao fenômeno natural, com o deslocamento de milhares de pessoas. Até o momento, não há o registro de mortes.
Qual é a altura do vulcão?
O vulcão Cumbre Vieja tem 1,9 mil metros de altura e a principal cratera responsável pela atual erupção está a cerca de 950 metros do nível do mar, segundo o Instituto de Geografia Nacional (IGN) da Espanha.
Qual é a origem da lava e por que ela é expelida?
Debaixo de cada vulcão existem imensas áreas chamadas câmaras magmáticas. Magma é o mesmo material que, quando chega à superfície, é chamado de lava. Adormecido, ele permanece a cerca de 600ºC na camada da Terra chamada “manto”, abaixo da crosta.
Só que o magma está sempre em movimento: quando em camadas mais altas, ele esfria e desce, e o inferior, mais quente, sobe para câmaras magmáticas cada vez mais perto da superfície. Neste movimento, pode causar tremores de terra e gerar escape do magma em erupções de lava.
Qual é o impacto do vulcão?
Geógrafos do Instituto Vulcanológico das Canárias (Involcan) apontam que a lava pode chegar a atingir os 1.075°C. Ao encontrar o mar, como ocorreu já nesta terça-feira (29), o material de um vulcão como o La Palma pode gerar “explosões e emissão de gases nocivos”.
Lava do vulcão atinge o mar na ilha espanhola de La Palma, nas Canárias, em 29 de setembro de 2021
Borja Suarez/Reuters
“Quando o magma toca o mar, grandes colunas de vapor d’água se formam porque grande parte da água do mar vira vapor. Isso se deve ao grande contraste térmico entre os dois: a lava tem uma temperatura de mais de 900°C, enquanto a água tem cerca de 23°C “, explicou José Mangas, professor de geologia da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, à BBC.
Além disso, Cumbre Vieja expele cerca de 800 toneladas de CO2 por dia e mais 10,5 mil toneladas de dióxido de enxofre a cada dia no ar. A coluna de fumaça (pluma vulcânica) com cinzas e gases tóxicos chegou a atingir um pico de 4,2 km.
Lava de vulcão atinge o mar nas Canárias e libera gases tóxicos no ar; veja vídeo
E os riscos para o futuro?
Por enquanto, os especialistas não conseguem cravar uma data para que a erupção termine e, até lá, a população que vive na Ilha de La Palma precisa ser constantemente deslocada de suas residências para evitar mortes e outras consequências devido à forte fumaça e aos gases tóxicos da lava em contato com o mar.
Além disso, com a possibilidade de deslizamento de uma parte da terra na parede do vulcão, se demonstrou a possibilidade da formação de um tsunami. Em tese, ele poderia, inclusive, chegar à costa brasileira. A chance de isso acontecer, segundo os cientistas, é bastante remota.
“Esse assunto foi discutido na mídia uns 20 ou 30 anos atrás quando foi publicado um trabalho de geólogos americanos sobre a possibilidade de desabamento de uma parte da ilha provocar um tsunami no Brasil”, citou Marcelo Assumpção, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP), em comunicado divulgado pela RSBR.
“Na época, a conclusão foi de que a probabilidade de que o deslizamento fosse suficientemente grande para provocar um tsunami perigoso era muito pequena”, explicou Assumpção.
Professor do Labomar-UFC tranquiliza com relação a impactos de vulcão em erupção.
Como monitorar que um vulcão vai entrar em erupção?
O magma, originalmente no manto da Terra, chega até as câmaras magmáticas do vulcão após uma série de fenômenos químicos e físicos. Com o aumento da pressão na cavidade, ele acaba subindo para o topo e o vulcão entra em erupção.
“É tremor e mudança na composição dos gases que são exalados. As duas coisas indicam chegada de novos pulsos de magmas nesta estrutura da câmara magmática subjacente. Quando mais rasa for essa reinjeção de magma, maior é a chance de o vulcão entrar em erupção. Às vezes, ele só exala um pouco de gás e fica ali. Mas às vezes, quando vem acompanhado de sismos frequentes e de mudança brusca na composição dos gases, a chance de ele entrar em erupção é grande”, disse Adriana Alves, geóloga e doutora em geociências pela Universidade de São Paulo (USP).
Drone mostra destruição após erupções de vulcão em La Palma

Fonte: G1 Mundo

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Restrições para mulheres e fuga em massa: veja em 7 pontos como está o Afeganistão 1 mês após a retirada dos EUA


Veja o que mudou após a saída das tropas americanas e o fim das duas décadas de ocupação estrangeira no país, agora sob o controle do grupo extremista Talibã. Uma bandeira do Talibã é colocada na frente de uma motocicleta em Cabul, Afeganistão, em foto de 28 de setembro de 2021
Bernat Armangue/AP
Na noite de 30 de agosto de 2021, uma segunda-feira, as tropas americanas deixaram o Afeganistão e puseram fim, oficialmente, às duas décadas da guerra mais longa dos Estados Unidos.
O último soldado deixou o aeroporto internacional de Cabul por volta da meia noite, minutos antes da data limite estabelecida pela Casa Branca para o fim da operação, dia 31 de agosto.
EUA e aliados corriam contra o tempo desde que o Talibã tomou a capital afegã em 15 de agosto para poder retirar suas equipes diplomáticas, civis e militares do país centro-asiático.
Nas primeiras horas da madrugada de 31 de agosto, o grupo extremista celebrou o fim da ocupação e afirmou que a data passaria a marcar a “independência” do Afeganistão.
Em 30 dias um novo governo foi formado – apenas com homens –, mulheres tiveram seus direitos restringidos e milhares tentam ainda abandonar o país.
O g1 elenca, em 7 pontos, o que marcou o primeiro mês após a retirada americana:
Com a rápida retirada, americanos e aliados ficaram para trás
Afegãos tentam fugir pela fronteira com Paquistão
Último refúgio da resistência afegã, os talibãs tomam o Vale do Panjshir
Aumenta o risco para a presença de grupos terroristas
100% homens: governo talibã é anunciado sem a participação feminina
Mulheres afegãs voltam a ter restrições para poder trabalhar e estudar
Aumento da repressão e anúncio de leis e punições mais duras
1. Com a rápida retirada, americanos e aliados ficaram para trás
Avião militar dos EUA decola do Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul, em 30 de agosto de 2021, pouco antes do fim do prazo de retirada das tropas do país.
Wali Sabawoon/AP
Americanos e aliados precisaram abandonar o país às pressas e cenas caóticas foram registradas no aeroporto internacional de Cabul nos últimos dias de ocupação.
Segundo o governo dos EUA, mais de 120 mil cidadãos americanos foram retirados do país apenas nas duas últimas semanas de operação – no entanto, não há um número exato de quantos aliados afegãos podem ainda ter ficado no país.
O International Rescue Committee, organização que presta assistência a pessoas em áreas de conflito, estima em mais de 300 mil o número de afegãos que trabalharam em favor dos EUA desde 2001, data do início da ocupação.
O Pentágono também afirmou que cerca de 200 pessoas com nacionalidade americana ainda permaneciam no Afeganistão – mas o número pode ser ainda maior, por haver muitas pessoas com dupla cidadania.
O governo americano cobra do regime Talibã que cidadãos e afegãos com vistos humanitários possam deixar o país em segurança. O grupo extremista diz que garante a segurança dos viajantes, mas há relatos de perseguições e impedimentos para seguirem viagem.
2. Afegãos tentam fugir pela fronteira com Paquistão
Afegãos na fronteira com o Paquistão em foto de 31 de agosto de 2021
AP
Ao mesmo tempo que os EUA abandonavam o controle do aeroporto de Cabul, mais de 20 mil pessoas tentavam cruzar para o Paquistão, país com o qual o Afeganistão compartilha 2.570 km de fronteira.
Segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), em seis meses de 2021, mais de 500 mil cidadãos abandonaram o país e o número só tem aumentado. A fronteira paquistanesa recebe diariamente cerca de 20 mil pessoas – o triplo do que estava acostumada.
A agência da ONU estima que mais de 2 milhões de refugiados afegãos vivam atualmente nos países vizinhos Irã e Paquistão. A Acnur também estima que mais 500 mil refugiados deixem o Afeganistão nos próximos meses.
3. Último refúgio da resistência, os talibãs tomam o Vale do Panjshir
Vista do vale do rio Panjshir, em foto de 21 de maio de 2011, tirada do ponto de vista da tumba de Ahmad Shah Massoud. Estudante de engenharia da Universidade de Cabul, Massoud se tornou líder militar que desempenhou um importante papel na expulsão do exército soviético do Afeganistão
Master Sgt. Michael O’Connor
Com o controle da capital Cabul, em 15 de agosto, os talibãs declararam ter retomado o Afeganistão 20 anos após serem expulsos do poder pelos EUA. No entanto, mesmo após a retirada dos americanos, uma última província ainda resistia ao novo regime: o Vale do Panjshir.
O vale montanhoso a cerca de duas horas de carro da capital Cabul foi a única das 34 províncias do Afeganistão que se mantinha livre do controle do Talibã.
A capital de Panjshir é Bazarak, que fica a 120 km a nordeste de Cabul, e a região é um vale íngreme e montanhoso de difícil acesso.
O povo do Vale do Panjshir é de uma etnia diferente dos pashtus, que são maioria dentro do Talibã. Quando o Talibã dominou o Afeganistão pela primeira vez, entre os anos de 1996 e 2001, houve resistência no Vale do Panjshir.
No início de setembro, o Talibã anunciou que assumiu o controle total do vale.
4. Aumenta o risco para a presença de grupos terroristas
Soldado do Talibã monta guarda em 27 de agosto de 2021 no local dos dois atentados suicidas que mataram dezenas de pessoas, incluindo 13 soldados americanos, no aeroporto internacional de Cabul em 26 de agosto de 2021
Wakil Kohsar/AFP
Em meio à atribulada retirada americana do país, membros do grupo terrorista Estado Islâmico organizaram um ataque em uma das entradas do aeroporto de Cabul deixando dezenas de mortos.
O ataque evidenciou a presença de grupos terroristas no país, o que gera uma preocupação internacional de que o Afeganistão, sob o regime talibã, se torne uma área “segura” para esses grupos, como foi com a Al Qaeda.
A luta contra a organização terrorista Al Qaeda, responsável pelos ataques do 11 de Setembro, foi o principal motivo da invasão ao Afeganistão em 2001.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) alertou o Talibã dizendo que o grupo não deve permitir que o Afeganistão se torne um terreno fértil para o terrorismo novamente. A aliança militar disse ainda que pode atacar qualquer grupo terrorista a distância.
5. 100% homens: governo talibã é anunciado sem a participação feminina
Porta-voz do Talibã dá entrevista coletiva em Cabul em 17 de agosto de 2021
Rahmat Gul/AP
Os líderes talibãs vieram anunciando, durante todo o mês de setembro, nomes que integrarão o governo do Afeganistão – e mantiveram um alto escalão 100% masculino.
A primeira parte do governo havia sido anunciada no dia 7, apenas com líderes históricos do grupo extremista.
O governo é composto apenas por homens e não há mais um ministério dedicado às mulheres, ao contrário do que ocorria no governo anterior, derrubado pelo Talibã.
6. Mulheres afegãs voltam a ter restrições para poder trabalhar e estudar
Alunos da Universidade Avicenna, em Cabul, em imagem divulgada em redes sociais
Reprodução/Via Reuters
As aulas no Afeganistão foram interrompidas em agosto, quando o Talibã voltou ao poder após 20 anos, antes mesmo da retirada das tropas estrangeiras do país e do fim da ocupação americana.
Desde então, as meninas do ensino fundamental e as universitárias já retornaram às aulas, mas com restrições, começando pela separação dos alunos homens.
Além disso, há diversos relatos de mulheres que precisaram abandonar seus postos de trabalho e entregá-los a parentes homens. Isso mesmo com o regime tendo afirmado que as mulheres não seriam impedidas de trabalhar e de frequentar a escola.
Mas isso não é o que vem sendo feito. O reitor indicado pelos talibãs para a Universidade de Cabul anunciou que mulheres e professoras serão proibidas nos cursos da instituição.
O grupo extremista já esteve no poder uma vez antes, entre 1996 e 2001, e nesses anos as mulheres não podiam estudar – elas não podiam nem mesmo andar em público se não estivessem acompanhadas de um parente homem.
7. Aumento da repressão e anúncio de leis e punições mais duras
Jornalistas afegãos mostram marcas após serem detidos por talibãs por cobrirem protesto feminino em Cabul em 10 de setembro de 2021
Bernat Armangue/AP
A ONU afirmou no início do mês que ao menos quatro pessoas foram mortas na violenta repressão do Talibã a uma manifestação pacífica em Cabul e denunciou que a resposta do grupo aos protestos tem sido cada vez mais violenta, com o uso de munição real, cassetetes e chicotes.
Protestos, sobretudo os liderados por mulheres, representam um desafio para o novo governo do Talibã, que está tentando passar uma imagem de maior moderação ao Ocidente (apesar de a realidade confrontar o discurso do grupo extremista).
O Talibã também é acusado de agredir e prender jornalistas que cobriam a mesma manifestação. Taqi Daryabi e Neamat Naghdi ficaram com ferimentos nas costas, nas pernas, no ombro e no braço, além de hematomas e cortes nos rostos (veja na foto acima).
Além disso, na semana passada, um dos fundadores do talibã e chefe do grupo que controla a aplicação da Sharia, em uma interpretação extremista da lei islâmica no país, afirmou que amputações e execuções voltarão a acontecer no Afeganistão.
Em entrevista a agência de notícias “Associated Press”, o mulá Nooruddin Turabi afirmou que as punições severas – aplicadas a assaltantes e adúlteros, por exemplo – que durante os anos 1996 e 2001 aconteciam em estádios, voltarão a ocorrer, mas de forma privada.
“Ninguém vai dizer para a gente como devem ser nossas leis”, afirmou o religioso. “Nós vamos seguir o islã e legislar a partir do Corão.”

Fonte: G1 Mundo

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Homem usa lixeira para capturar jacaré na porta de casa na Flórida; assista

Veterano do Exército diz que, apesar de assustado, ‘precisava fazer alguma coisa’. Animal foi transportado e solto de forma segura em lago; autoridades alertam que moradores não devem tentar captura por conta própria. Homem usa lixeira para capturar aligator nos EUA
Um homem usou uma lixeira para prender um aligátor (espécie de jacaré da América do Norte) que vagava em frente a uma casa em Orange County, na Flórida (veja vídeo acima).
Eugene Bozzi, veterano do Exército dos EUA, admite que estava apavorado, mas agiu porque “alguém precisava fazer alguma coisa”, segundo disse ao site Wesh.
“Alguém tem que se apresentar e fazer alguma coisa, todos nós temos que cuidar uns dos outros, certo?” questionou. “Fiquei muito assustado, porque ele era muito poderoso. E eu não esperava por aquilo, ele estava tentando sair, balançando a cauda”, contou.
O animal estava em frente a casa de Denise Sparks, uma das vizinhas de Bozzi, que só percebeu o que estava acontecendo quando ouviu o barulho durante a captura, filmada por outro morador do bairro.
Bozzi, que atribuiu o sucesso da ação a seu treinamento militar, disse que não sabia exatamente a melhor forma de lidar com a situação e por isso o fez “do seu jeito”.
Depois que o animal estava dentro da lixeira, ele conseguiu transportar o contêiner até um lago, onde abriu cuidadosamente a tampa e deixou que o aligátor fosse embora.
Após a divulgação online do vídeo, autoridades do condado de Orange County alertaram que é perigoso tentar capturar esse tipo de animal por conta própria, e que os moradores sempre devem acionar os serviços municipais, que enviam funcionários especializados.

Fonte: G1 Mundo

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Buscas por influencer Gabby Petito podem ter ajudado a solucionar outro desaparecimento, diz associação


Robert Lowery desapareceu em 20 de agosto em uma floresta do Wyoming, mesma área que a jovem influencer foi encontrada morta quase um mês depois. Cartaz busca por Robert Lowery, desaparecido em 20 de agosto no Wyoming
Reprodução/Redes Sociais
As buscas pela influencer americana Gabby Petito podem ter ajudado a dar um desfecho a outro caso de desaparecimento no Wyoming, disse nesta terça-feira (28) uma associação que busca por pessoas desaparecidas no estado.
Robert Lowery, de 46 anos, desapareceu em 20 de agosto enquanto fazia trilha em uma floresta do condado de Teton, na mesma área que a jovem influencer foi encontrada morta quase um mês depois (leia mais sobre o caso adiante).
Com a repercussão do caso da influencer, o número de voluntários nas buscas aumentou e foi possível cobrir uma área ainda maior do Parque Nacional de Grand Teton. Além do corpo da jovem influencer, outro, de um homem com as mesmas características de Lowery foi encontrado.
A associação Teton County Search and Rescue, que oferece apoio na busca por desaparecidos na região, disse em um comunicado que esta descoberta só foi possível após o desaparecimento de Petito aumentar a atenção para as atividades do grupo.
Uma autópsia ainda será feita para identificar a causa da morte e a identidade do homem encontrado na floresta. No entanto, a família de Lowery disse em nota que já foi informada sobre a possibilidade de que o corpo seja dele e pede “privacidade”.
Robert Lowery posa com filhos
Reprodução/Redes Sociais
Morte de Gabby Petito
A morte de Petito causou enorme comoção nos EUA. Ela e o noivo, Brian Laundrie, estavam viajando pelo país em uma van, o que a tornou bastante conhecida nas redes sociais (veja no vídeo abaixo).
Gabby Petito: sumiço e morte de influenciadora causam comoção nos EUA
Petito deixou o emprego em julho para viajar e documentava a viagem principalmente no Instagram. Um vídeo publicado no YouTube, em que os dois aparecem sorrindo, se beijando e correndo na praia, já foi visto mais de 2,3 milhões de vezes.
A influenciadora digital estava desaparecida desde o dia 11, e seu corpo foi encontrado no domingo (19) no Parque Nacional Grand Teton, no estado de Wyoming. Seus pais procuraram a polícia depois que ela não respondeu a ligações nem mensagens de texto por vários dias.
Perícia do médico legista do condado de Teton determinou que Petito foi assassinada, segundo o FBI.
Namorado é indiciado, mas segue desaparecido
Brian Laundrie e a namorada Gabby Petito, em foto de 2 de julho de 2020
Reprodução/Instagram
O namorado de Gabby Petito foi indiciado pela polícia americana na semana passada. Ele não foi acusado formalmente pela morte da influencer, mas teria usado o cartão de débito pessoal da jovem após seu desaparecimento, o que é ilegal.
Laundrie, de 23 anos, teria sido visto pela última vez no estado americano da Flórida.
“Embora o mandado permita que a polícia prenda o senhor Laundrie, o FBI continua investigando os fatos e as circunstâncias do homicídio da senhora Petito”, disse em nota a polícia federal americana.
Com o indiciamento pela fraude no cartão de débito, Laundrie, que não responde pela morte de Petito, poderá ser preso por qualquer agente policial caso seja encontrado.
Laundrie havia voltado sozinho para casa no dia 1º, sem falar sobre o paradeiro de Petito, e saiu de casa de novo dias depois, dizendo que ia fazer uma trilha na reserva Carlton (veja mais abaixo).
A polícia o trata como uma “pessoa de interesse” (termo usado nos EUA para designar um suspeito ou uma pessoa que possa ter relação com a investigação), mas ele não foi acusado de homicídio.
Buscas pelo namorado de Gabby Petito na Flórida
Departamento de Polícia de North Port via AP e Reprodução/redes sociais
As buscas na Flórida
Autoridades não disseram por que estão convencidas de que Laundrie ainda pode estar dentro da reserva natural, que tem mais de 9,7 mil hectares e fica perto da casa da sua família em North Port.
A polícia de North Port diz que os pais dele não relataram seu desaparecimento até o dia 14, três dias depois que a família o viu pela última vez.
Ele disse aos parentes que ia fazer uma caminhada sozinho na reserva, que tem mais de 128 km de trilhas e é dominada por águas pantanosas.
A casa da família Laundrie em North Port foi alvo de buscas na semana passada, e policiais foram vistos carregando caixas de papelão em uma van e apreendendo um Ford Mustang prata.
A influenciadora Gabby Petito, cujo corpo foi encontrado nos Estados Unidos em um parque em Wyoming
Reprodução/Redes sociais
Viagem pelos EUA e desaparecimento
Petito e Laundrie deixaram o estado de Nova York, onde moravam, em julho. Eles viajaram em uma van postando fotos nas redes sociais enquanto viajavam por Kansas, Colorado e Utah.
Testemunhas viram Petito pela última vez em 24 de agosto, quando ela deixou um hotel em Salt Lake City, e ela postou sua última foto no dia seguinte.
A última mensagem do telefone de Petito para a sua mãe, Nicole Schmidt, foi em 30 de agosto — e a polícia desconfia de seu conteúdo.
Ela dizia apenas: “Nenhum serviço em Yosemite”, um parque nacional na Califórnia, na Costa Oeste dos EUA, que Petito e Laundrie não visitaram durante a viagem.
Americanos fazem vigília após a morte da influencer Gabby Petito
Ligação para o 911
Em 12 de agosto, uma pessoa ligou para o 911 relatando que Laundrie estava batendo em Petito na frente da Moonflower Community Cooperative em Moab, no estado de Utah.
A polícia de Moab parou o casal em uma rodovia perto do Parque Nacional Arches.
A filmagem da câmera corporal do agente mostra Petito soluçando enquanto descreve uma briga do casal, em que ela disse ter levado um tapa de Laundrie enquanto ele dirigia a van.
Os policiais não tomaram nenhuma atitude e apenas recomendaram que os dois passassem a noite separados.

Fonte: G1 Mundo

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EUA autoriza novos lançamentos da Virgin Galactic após concluir investigação

Voos especiais pela empresa estavam suspensos após desvio no trajeto do foguete em julho enquanto se direcionava para o pouso. VÍDEO: Veja os melhores momentos do voo de Richard Branson ao espaço
A Virgin Galactic anunciou nesta quarta-feira (29) que foi autorizada a realizar voos espaciais, depois que a Agência Federal de Aviação (FAA) concluiu uma investigação sobre um “contratempo” de segurança relacionado com sua missão em julho, que contou com a presença do fundador da companhia, Richard Branson.
A FAA informou à compania que tinha aceito as medidas corretivas propostas em relação ao voo, no qual o veículo SpaceShipTwo caiu abaixo de seu espaço aéreo durante a descida na pista de pouso em Spaceport America, Novo México.
A investigação teve início depois de uma reportagem da revista The New Yorker apontar que o desvio no plano de voo fez com que alertas de segurança fossem acionados na cabine da nave da Virgin Galactic e que o sinal deveria ter sido motivo para que a missão fosse abortada.
A Virgin Galactic disse que fará seus cálculos para voos futuros e pedirá mais espaço aéreo. A empresa também prometeu comunicação em tempo real com a FAA durante as operações de voo.
“Toda a nossa abordagem de voos espaciais está orientado por um compromisso fundamental com a segurança em todos os níveis, inclusive nosso sistema de voos espaciais e nosso programa de voos de testes”, disse o diretor-executivo da companhia, Michael Colglazier, em um comunicado.
“Apreciamos a revisão exaustiva desta investigação de parte da FAA. Nosso programa de voo de testes está projetado especificamente para melhorar continuamente nossos processos e procedimentos”.
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Voo de risco
A FAA manteve em solo a Virgin Galactic no começo do mês depois que uma reportagem investigativa da revista The New Yorker reportou que o voo experimentou irregularidades que poderiam ter posto em risco a missão.
O artigo destacou que os pilotos encontraram advertências na cabine que indicavam que a ascensão do avião espacial propulsionado por foguetes era superficial demais e o nariz do foguete – ou seja, sua extremidade superior – não estava suficientemente na vertical.
Isso poderia ter significado que, depois de levar sua tripulação ao limiar do espaço, faltaria energia suficiente para a aeronave planar de volta à pista de pouso na Terra.
De acordo com a reportagem citando fontes anônimas dentro da empresa fundada por Branson, a forma mais segura de reagir a esses alertas teria sido interromper a missão.
Os dois pilotos a bordo decidiram continuar apesar das luzes, e o pouso finalmente ocorreu sem problemas.
VÍDEO: Foguete da Virgin Galactic pousa em segurança
Em um comunicado, a FAA confirmou que tinha encerrado sua “investigação do contratempo”.
“A FAA também descobriu que a Virgin Galactic não comunicou o desvio à FAA como requerido”, acrescentou o comunicado. A declaração sugere que a agência só soube da irregularidade pelo artigo na The New Yorker.
A Virgin Galactic está planejando seu próximo voo de testes com membros da força aérea italiana em meados de outubro.

Fonte: G1 Mundo

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Equador decreta estado de exceção em prisões após rebelião com mais de 100 mortes

Crise gerada por superpopulação e violência entre gangues do narcotráfico gerou motim que teve início na terça-feira. Rebelião é a mais sangrenta do ano; estado de exceção permite ao Poder Executivo suspender direitos e usar a força pública para restabelecer a normalidade. O Equador declarou nesta quarta-feira (29) estado de exceção para o sistema penitenciário, que está em crise devido à superpopulação e à violência entre gangues do narcotráfico, após um motim que deixou mais de 100 presos mortos e 52 feridos.
A rebelião de terça-feira em uma das prisões do porto de Guayaquil, no sudoeste, se tornou a mais sangrenta do ano no país, onde já foi registrada a morte de cerca de 120 presos.
Em fevereiro, ocorreram distúrbios simultâneos em quatro prisões de três cidades equatorianas, nos quais morreram 79 presidiários, vários deles decapitados.
“Acabo de decretar Estado de Exceção em todo o sistema carcerário em nível nacional”, disse o presidente Guillermo Lasso no Twitter, acrescentando que chefiará um comitê de segurança em Guayaquil para controlar a “emergência, garantindo os direitos humanos de todos os envolvidos”.
O estado de exceção permite ao Poder Executivo suspender direitos e usar a força pública para restabelecer a normalidade.
No balanço oficial mais recente, o órgão governamental encarregado das prisões (SNAI) indicou “mais de 100 #PPL (pessoas privadas de liberdade) falecidas e 52 feridas”.
Pelo Twitter, a entidade acrescentou que a polícia e o Ministério Público “continuam levantando informações” na prisão, que permanece isolada por militares, apoiados por um tanque.
“Não sei nada sobre meu filho”
A presença de soldados do lado de fora do presídio Guayas 1, que faz parte de um grande complexo penitenciário, foi reforçada devido a um tiroteio.
Policiais a cavalo também vigiavam o exterior, onde dezenas de pessoas buscavam informações sobre a situação de seus parentes presos.
“Queremos informação porque não sabemos nada sobre nossas famílias, nossos filhos, porque tenho meu filho aqui, não sei nada sobre meu filho”, disse uma mulher que não revelou sua identidade.
A crise penitenciária, alimentada pela superlotação, corrupção, insuficiência de guardas e violência, levou as autoridades a declarar o sistema em emergência desde 2019. Os militares apoiam há meses o controle externo das prisões.
O Ministério Público destacou que entre os feridos estão dois policiais e que “a luta pelo poder dentro da Penitenciária do Litoral e a intenção das autoridades de transferir os dirigentes de organizações criminosas para outras penitenciárias do país teriam desencadeado os confrontos”, que deixaram vários detentos decapitados.
Com a intervenção da polícia, “evitou-se que ocorressem mortes mais violentas”, declarou o general Fausto Buenaño, comandante policial em Guayaquil. Os amotinados, que tinham até um rifle, “nos atacaram com armas longas, armas curtas”, disse.
Mais de 200 presos mortos
Depois da rebelião sangrenta de terça-feira, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) mais uma vez condenou a violência nas prisões equatorianas.
“Em 2021, serão mais de 200 pessoas mortas como resultado da violência nas prisões. Lembre-se que os Estados têm o dever legal de adotar medidas que garantam os direitos à vida, à integridade pessoal e à segurança das pessoas sob sua custódia”, publicou no Twitter.
Os motins agravaram a crise penitenciária no Equador, causada pelos confrontos entre organizações criminosas vinculadas aos cartéis mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nova Geração.
No Equador, com 17,7 milhões de habitantes, a violência se tornou permanente em seus 65 presídios, que abrigam 39 mil presidiários com uma capacidade para cerca de 30 mil.
Segundo a Defensoria Pública, em 2020 ocorreram 103 assassinatos nas penitenciárias do país, onde a corrupção facilita a entrada de armas e munições.
Um terço dos detentos “vem de organizações criminosas explicitamente ligadas ao tráfico internacional de drogas”, afirmou à AFP o especialista em segurança e tráfico de drogas Fernando Carrión.
Duas das gangues que apoiam os cartéis mexicanos têm cerca de 20 mil membros, segundo relatórios da polícia.
Entre janeiro e agosto de 2021, o Equador apreendeu cerca de 116 toneladas de drogas, principalmente cocaína. Em 2020, a quantidade apreendida foi de 128 toneladas em todo o ano.
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Fonte: G1 Mundo

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Novas imagens mostram em detalhes como lava cai no mar nas Canárias; assista

Vídeo divulgado nesta quarta-feira (29) mostra com mais proximidade momento em que lava entra em contato com a água. É possível ver a grande quantidade de fumaça, que gera gases considerados tóxicos, grande preocupação de cientistas. Novas imagens mostram detalhes da queda da lava no mar nas Canárias
Novas imagens divulgadas nesta quarta-feira (29) mostram com mais proximidade e detalhes a lava do vulcão Cumbre Vieja em contato com a água do Oceano Atlântico, nas Ilhas Canárias. É possível ver a grande quantidade de fumaça, que gera gases considerados tóxicos, grande preocupação de cientistas.
Após quase dez dias de erupção – que teve início no dia 19 – a lava chegou ao mar na terça-feira, após deixar um rastro de destruição em terra na ilha de La Palma, onde mais de 6 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas e ao menos 600 construções foram atingidas.
Lava de vulcão atinge o mar nas Canárias e libera gases tóxicos no ar; veja vídeo
Não há, até o momento, o registro de mortos ou feridos por decorrência da atividade vulcânica na ilha.
Também na terça-feira, o governo da Espanha declarou que a área do vulcão em erupção é uma “zona de catástrofe”. Com isso, o país vai destinar 10,5 milhões de euros (cerca de R$ 67 milhões) para medidas urgentes de moradia e ajuda aos desalojados.
As Canárias são um território espanhol no Oceano Atlântico, um arquipélago formado por oito ilhas. La Palma é uma delas e tem cerca de 83 mil habitantes.
Veja mais vídeos sobre o vulcão em La Palma
Lava do vulcão Cumbre Vieja toca o mar nas Canárias
Amostra de rocha vulcânica faz água ferver instantaneamente
Drone mostra destruição após erupções de vulcão em La Palma
6 fatos sobre o vulcão nas Ilhas Canárias
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Fonte: G1 Mundo

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Os trabalhadores de saúde dispostos a perder emprego para não se vacinar nos EUA


Terminou nesta segunda-feira o prazo estipulado pelo Estado de Nova York para que os profissionais de saúde sejam vacinados contra o coronavírus. Milhares podem perder seus empregos. Os profissionais de saúde reclamam que, depois de considerados heróis, estão sendo obrigados a se vacinar
Getty Images/BBC
Eles são minoria, mas a sua reivindicação pode ter peso determinante na direção da política de vacinação contra o coronavírus nos Estados Unidos.
Dezenas de milhares de profissionais de saúde no Estado de Nova York correm o risco de perder seus empregos, já que o prazo estabelecido pelas autoridades estaduais para receber pelo menos uma dose da vacina contra Covid-19 expirou nesta semana.
Nova York tem uma das regras de vacinação mais rígidas dos EUA. A obrigatoriedade da vacina não abre exceções nem para quem não deseja a injeção por motivos religiosos, algo que já foi contestado na Justiça.
Cerca de 70 mil dos 450 mil funcionários de hospitais em Nova York seguiam sem vacina até a semana passada, de acordo com dados publicados pela imprensa local.
Esse dado revela que o percentual de não-vacinados caiu nove pontos percentuais (de 25% para 16%) desde o último dia 16 de agosto, quando o então governador André Cuomo estabeleceu a vacinação obrigatória como condição para trabalhadores de saúde manterem seus empregos.
Ao fazer isso, Cuomo argumentou que a mudança era necessária para lidar com a expansão do coronavírus impulsionada pela variante delta.
“Nossos heróis do setor de saúde lideraram a batalha contra o vírus e agora precisamos deles para liderar a batalha entre a variante e a vacina”, disse Cuomo, que também incentivou a vacinação obrigatória de professores e estimulou empresas privadas a estabelecerem a vacinação como requisito para admitir clientes nas suas instalações.
Esta política foi mantida pela nova governadora de Nova York, Kathy C. Hochul, que afirmou na sexta-feira passada que poderia contratar trabalhadores temporários das Filipinas ou da Irlanda para preencher as vagas deixadas por trabalhadores não-vacinados.
Hochul também disse que poderá vir a declarar estado de emergência para enfrentar os problemas de falta de pessoal devido à demissão em massa de trabalhadores não-vacinados.
Por que eles não são vacinados?
Com mais de 42 milhões de casos confirmados e mais de 687 mil mortes desde o início da pandemia, os EUA vivem uma situação paradoxal em relação ao coronavírus.
Ao contrário do que acontece na maior parte do mundo, o que atrapalha o processo de vacinação nos EUA não é a falta de doses, mas a relutância de parte da população em se vacinar.
Até segunda-feira (27), 66,6% dos americanos com mais de 18 anos estavam totalmente vacinados e 77,1% haviam recebido pelo menos uma dose, de acordo com o CDC.
A taxa diária de vacinados caiu de uma média de 3,35 milhões de doses administradas em meados de abril para cerca de 703 mil na semana passada.
Essa diminuição não se deve à falta de vacinas ou de pessoal médico, mas à relutância de parte da população em ser vacinada.
As razões pelas quais os americanos não querem receber a injeção contra Covid-19 parecem estar relacionadas principalmente à desconfiança que sentem sobre a vacina ou sobre as autoridades de saúde.
Uma pesquisa de agosto do Pew Center descobriu que quase 9 em cada 10 entrevistados que não foram vacinados concordaram com a ideia de que “há pressão demais sobre os americanos para serem vacinados”.
Enquanto isso, 8 em cada 10 disseram concordar com as frases “não sabemos ainda se existem riscos graves para a saúde com as vacinas Covid-19” e “as autoridades de saúde pública não estão nos dizendo tudo o que sabem sobre as vacinas contra Covid-19”.
Da mesma forma, três em cada quatro não-vacinados fizeram uma avaliação negativa das mudanças que ocorreram em relação às normas para enfrentar a pandemia, o que os fez questionar se os altos funcionários da saúde estão escondendo algo (78%) e os fez confiar menos em suas recomendações (75%).
Apesar de suas dúvidas, os ensaios clínicos e o acompanhamento das vacinas até o momento indicam que elas são seguras e altamente eficazes na prevenção de doenças graves e morte, como tem sido repetidamente apontado por autoridades de saúde e especialistas em saúde de todo o mundo.
Diferentes pesquisas realizadas nos últimos meses estimam que a porcentagem de americanos que não foram vacinados e que não planejam fazê-lo varia entre 14% e 26%.
Um estudo da Fundação Kaiser indica que 14% dos americanos afirmam que nunca serão vacinados, enquanto 3% afirmam que só o farão se for necessário por motivos de trabalho, educação ou outros.
Nesse contexto, o fato de cerca de 15% dos trabalhadores de hospitais no Estado de Nova York não quererem se vacinar não parece estar longe do cenário que existe no restante do país.
Embora, é claro, as razões para não fazê-lo possam variar de pessoa para pessoa.
Por exemplo, Deborah Conrad, assistente de saúde que trabalha na região Oeste do Estado, disse ao jornal “New York Times” que sua relutância responde aos efeitos colaterais da vacina, que ela diz ter visto e que não correspondem ao consenso científico.
Conrad disse que não entende por que não é suficiente apenas usar o equipamento de proteção que ela usava antes de uma vacina estar disponível.
“Não é que eu não queira continuar fazendo meu trabalho. É que não tenho permissão para continuar fazendo meu trabalho”, disse ela.
Alguns profissionais de saúde rejeitam a obrigatoriedade por violar suas liberdades individuais, enquanto outros afirmam que, como já foram infectados pelo coronavírus, já possuem imunidade natural ao vírus. É importante destacar que os especialistas alertam que esse tipo de proteção é insuficiente.
De qualquer forma, o Departamento do Trabalho de Nova York já emitiu um documento no qual adverte que os trabalhadores que perderem o emprego por não quererem ser vacinados não terão o direito de receber seguro-desemprego, a menos que tenham ordem médica específica.
Outros trabalhadores alegaram motivos religiosos. Um grupo contestou a obrigatoriedade da vacina em um tribunal com base nisso e obteve uma ordem judicial adiando a aplicação desta regra nos seus casos particulares até 12 de outubro.
A governadora Hochul manteve sua firme rejeição aos trabalhadores usando motivos religiosos para não serem vacinados e, no último domingo, em um centro cultural no Brooklyn, ela usou um argumento religioso para defender a vacinação.
“Deus respondeu às nossas orações. Ele fez com que os homens e mulheres mais brilhantes — cientistas, médicos, pesquisadores — recebessem uma vacina. Isso vem de Deus para nós e devemos dizer ‘Obrigado, Deus, obrigado'”, disse Hochul.
O exemplo de Nova York
Embora sejam uma minoria, a recusa em cumprir o mandato de vacinação por profissionais de saúde em Nova York pode ter um efeito significativo no funcionamento do sistema de saúde no Estado.
Afinal, o pessoal de saúde em todas as partes do mundo está escasso e bastante exausto depois de mais de um ano e meio lutando contra a pandemia.
No caso de ficar sem milhares de trabalhadores, o governador Hochul anunciou a possibilidade de declarar estado de emergência.
Isso permitiria, entre outras coisas, a contratação de profissionais de saúde estrangeiros ou que tenham obtido suas licenças fora do Estado, bem como a incorporação de aposentados ou recém-formados.
Também é possível solicitar o apoio das tropas da Guarda Nacional com treinamento médico ou pedir ajuda do governo federal para disponibilizar o pessoal de saúde das equipes de emergência para desastres.
De qualquer forma, o que acontecer em Nova York provavelmente definirá o curso que os diferentes Estados do país tomarão e até onde estão dispostos a ir em seus esforços para vacinar o maior número possível de cidadãos.
Rhode Island, Maine, Oregon e o Distrito de Columbia (capital do país) estabeleceram que os profissionais de saúde devem ser vacinados para continuar em seus cargos.
Alguns Estados têm sido mais moderados nesta exigência e permitem que aqueles que não desejam ser vacinados façam teste de Covid-19 regularmente. Nessa situação estão Califórnia, Nova Jersey, Pensilvânia, Maryland e Illinois.
Muitos estão esperando para ver o que acontece em Nova York, cujo exemplo pode abrir precedentes e dar lições sobre até onde é apropriado ou possível ir na obrigatoriedade da vacinação.
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Fonte: G1 Mundo