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Fãs do BTS disputam ingressos para primeira turnê dos astros do K-pop desde serviço militar


Fãs do BTS já acampam na Zona Sul de SP por ingressos de show
A boy band de K-pop BTS, líder nas paradas de sucesso, está pronta para embarcar em uma turnê mundial de shows em abril, marcando o lançamento de seu primeiro álbum novo em mais de três anos, e na quinta-feira (22) os fãs correram para garantir ingressos para os shows de abertura da turnê na Coreia do Sul.
A banda estava em pausa desde 2022, enquanto cada um de seus sete integrantes prestava o serviço militar obrigatório.
“Eu voei até a Coreia só para conseguir os ingressos, então valeu a pena”, disse Joanna Marie, de 34 anos, em uma cafeteria em Seul.
Leia mais: BTS anuncia shows no Brasil em outubro; grupo entra em turnê após hiato de 4 anos
Show do BTS: como fãs se organizam na fila por ingressos em loja física de SP
BTS se apresenta no Grammy 2022
Mario Anzuoni/Reuters
“Eu estava esperando por eles… há muito tempo, e agora que vamos vê-los novamente, é como um grande sonho.”
No início deste mês, o BTS anunciou que lançará um novo álbum, “Arirang”, em março, provocando intensa expectativa entre os fãs de todo o mundo, conhecidos coletivamente como “Army”.
Fãs do BTS disputam ingressos para primeira turnê dos astros do K-pop desde serviço militar
REUTERS/Kim Soo-hyeon
A turnê mundial que o acompanhará será lançada em Goyang, na Coreia do Sul, em 9 de abril, e terá 79 shows na Ásia, nos Estados Unidos e na Europa até julho, informou a agência do grupo.
Os fãs que disputam assentos para os três primeiros shows no Goyang Stadium se prepararam para a venda de ingressos, que começou às 20h, horário de Seul. Alguns até voaram para Seul para aproveitar a conexão de internet de alta velocidade para a guerra dos ingressos.
Fãs do BTS tentam comprar ingressos para show do grupo em uma cafeteria de Seul.
REUTERS/Kim Soo-hyeon
“Acho que todos nós esperamos muito tempo e agora que está acontecendo, vamos esperar que todos fiquemos satisfeitos”, disse Valentina Le Pera, de 20 anos, na cafeteria.
“Eles realmente estão fazendo muitas datas (de turnê), então acho que eles sabem o que os fãs estão esperando.”
O álbum mais recente da banda, “Proof”, lançado em 2022, estreou em primeiro lugar em 18 países e acumulou cerca de 16,7 bilhões de transmissões, de acordo com dados do setor.

Fonte: G1 Entretenimento

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Kleber Mendonça Filho: o cineasta pernambucano que conquistou Hollywood – O Assunto #1646


No dia 15 de março, Kleber Mendonça Filho percorrerá o tapete vermelho da mais importante premiação do cinema mundial, em Los Angeles (EUA). Na cerimônia do Oscar, ele poderá ver “O Agente Secreto”, filme que escreveu e dirigiu, levar até quatro estatuetas – concorre nas categorias Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco, Melhor Ator (com Wagner Moura) e Melhor Filme.
Ainda em janeiro, ele já conquistou dois Globos de Ouro, nas categorias Melhor Filme Internacional e Melhor Ator. Ao todo, seu longa-metragem soma mais de 50 premiações nos festivais de todo o mundo. No Brasil, a produção já levou 1,5 milhão de pessoas aos cinemas.
Neste episódio especial do Assunto, Kleber Mendonça Filho conversa com Natuza Nery sobre o que faz de “O Agente Secreto” um filme que vem conquistando a audiência e a crítica especializada em todo o mundo. Ele retorna ao ano de 2020, quando começou a escrever este roteiro, que desde o primeiro momento seria destinado para que Wagner Moura fosse o protagonista. O cineasta também explica o processo de escolha de atores e atrizes que dariam forma aos mais de 60 personagens do longa.
Nesta entrevista, Kleber olha para vários aspectos de sua identidade artística. Ele explora sua profunda conexão com Recife, cidade que é personagem de seus filmes e é fonte de inspiração cultural e política para ele. E comenta sobre como foi crescer “ouvindo histórias sobre a História” – ele que é filho da historiadora Joselice Jucá. Por mim, ele reflete sobre o aspecto da memória em sua obra.
Convidado: Kleber Mendonça Filho, diretor e roteirista de “O Agente Secreto”.
O que você precisa saber:
O ASSUNTO #1645: O Agente Secreto e o mais verde e amarelo dos Oscars
OSCAR 2026: ‘O agente secreto’ recebe quatro indicações e iguala recorde de ‘Cidade de Deus’
O MAIS BRASILEIRO: País bate recorde nacional com 5 indicações no mesmo ano
ENTENDA: Indicado ao Oscar de melhor filme, ‘O Agente Secreto’ recebeu investimentos públicos e privados
BRASILEIRO: Adolpho Veloso, diretor de fotografia de ‘Sonhos de Trem’, é indicado ao Oscar 2026
QUEM LIDERA? Oscar 2026: veja lista completa de indicados; ‘Pecadores’ lidera com 16 indicações
DESTAQUE: Veja como a imprensa internacional noticiou indicações de ‘O Agente Secreto’
15 DE MARÇO: Globo vai transmitir a 98ª edição da premiação
O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sarah Resende, Luiz Felipe Silva e Carlos Catelan. Colaborou neste episódio Paula Paiva Paulo. Apresentação: Natuza Nery.
O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.
Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho durante as gravações de ‘O agente secreto’
Victor Jucá/Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Morte do produtor musical Bira Haway tira de cena um dos principais arquitetos do pagode dos anos 1990


Bira Haway (1951 – 2026) atuava como produtor musical e ritmista nos estúdios de gravação
Reprodução / Facebook Bira Haway
♫ OBITUÁRIO
♬ A morte de Ubirajara de Souza (7 de outubro de 1951 – 25 de janeiro de 2026) – o produtor musical conhecido como Bira Haway – tira de cena um dos principais arquitetos do pagode romântico da década de 1990. Falecido no Rio de Janeiro (RJ) neste domingo, aos 74 anos, o artista atuou como percussionista, como compositor e como intérprete de sambas de enredo, tendo puxado o samba da escola Estácio de Sá no Carnaval de 1989.
Como ritmista, ofício que o levou a se iniciar na música aos 13 anos, o instrumentista era polivalente, manejando com habilidade instrumentos como surdo, repique de mão e tantã em discos de cantores como Zeca Pagodinho. Mas é como produtor musical que o pai de Anderson Leonardo (1972 – 2024) fica imortalizado no universo do samba.
Bira Haway teve atuação decisiva na discografia de grupos de pagode como Exaltasamba, Molejo, Revelação e Soweto, para citar somente quatro grupos que tiveram álbuns formatados pelo produtor musical. O nome de Bira Haway figura nos créditos, como produtor musical, de álbuns relevantes do pagode dos anos 1990, casos de “Cartão postal” (Exaltasamba, 1998), “Refém do coração” (Soweto, 1997), “Farol das estrelas” (Soweto, 1999) e “Não quero saber de ti ti ti” (Molejo, 1996).
Filho de pai compositor de bloco de Carnaval e de mãe porta-bandeira, Ubirajara tocou nas noites de Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) antes de integrar o grupo Sambrasil e de se firmar como músico de estúdio. A propósito, se o nome Bira veio de Ubirajara, o sobrenome artístico Haway foi fruto da assiduidade com que o músico trabalhou no Estúdio Haway.
A partir de 1983, sem deixar de atuar como músico de estúdio, Bira Haway passou a priorizar o ofício de produtor musical e, nesse posto, fez nome no samba, a partir da década de 1990.

Fonte: G1 Entretenimento

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Hoje é Dia Nacional da Bossa Nova, ou seja, é dia de João Gilberto, baiano que também tinha o molho…


João Gilberto em foto exposta na capa de edição do livro ‘Chega de saudade’, de Ruy Castro
Reprodução / Capa de livro
♫ ANÁLISE
♬ Ficou estabelecido que 25 de janeiro é o Dia Nacional da Bossa Nova. Então, consequentemente, hoje é o dia de João Gilberto Prado Pereira de Oliveira (10 de junho de 1931 – 6 de julho de 2019) porque João Gilberto é a Bossa Nova. E porque a Bossa Nova é João Gilberto, criador da revolucionária batida diferente do violão tornada pública com o histórico single lançado em agosto de 1958 com a gravação do samba “Chega de saudade” (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes) na voz e no violão do artista baiano.
Muitos abriram os caminhos harmônicos para que se chegasse à bossa depurada por João, sobretudo o pianista, cantor e compositor carioca Johnny Alf (1929 – 2010). Mas foi João que chegou lá ao minimizar a cadência do samba nas cordas do violão, na batida que ele burilou incansavelmente ao longo dos anos 1950, sobretudo entre 1955 e 1957.
A bossa de João também passava pela total integração entre a voz, o instrumento (no caso dele, o violão autossuficiente) e o arranjo. Ele criou som leve, harmonioso, original, refinado. Um som único que mudou tudo e estabeleceu novos parâmetros na música do Brasil, mas um som que também se tornou plural porque, a partir de 1958, a bossa nova gerou ramificações e herdeiros que levaram o som por outros caminhos e cadências, mas sempre tendo João como o norte, o ponto de referência.
Ficou definido que 25 de janeiro é o Dia Nacional da Bossa Nova porque trata-se da data de nascimento de Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994), compositor que forneceu, sozinho ou em parcerias com Newton Mendonça (1927 – 1960) e Vinicius de Moraes (1913 – 1980), a maior parte dos standards planetários da bossa nova.
Só que Tom Jobim já se mostrara grande antes de 1958. Tom foi o compositor certo no ano certo (1958) e no lugar certo (o estúdio, ao lado de João). Mas Tom seria gigante e soberano com ou sem a Bossa Nova. Da mesma forma, compositores da segunda geração, como Marcos Valle, também teriam se imposto na música do Brasil pela força do cancioneiro autoral.
Se todos acabaram atrelados à Bossa Nova, é porque João Gilberto foi o estopim e o catalisador do movimento. Tudo parte de João Gilberto. E tudo volta para João Gilberto. O baiano tinha o molho…
Capa do livro “João Gilberto e a insurreição Bossa Nova – Outros lados da história”, de Tárik de Souza
Reprodução
♫ LIVRO SOBRE A INSURREIÇÃO DE JOÃO GILBERTO RESULTA SEM A LEVEZA DA BOSSA NOVA
♬ Lançado no segundo semestre de 2025, o livro “João Gilberto e a insurreição Bossa Nova – Outros lados da história” (L&PM Editores) tem o peso de um compêndio. Um dos mais importantes jornalistas e críticos musicais do Brasil, Tárik de Souza relaciona tudo o que veio antes e depois da revolução feita por João Gilberto em 1958 com a criação da Bossa Nova.
É uma obra de referência e, até por esse caráter de compilação sobre as ramificações do movimento no Brasil e no exterior, o livro carecia de índice onomástico. O excesso de detalhes e informações (confiáveis) sobre repertórios de álbuns tornou pesada a narrativa que avança até 2025.
O livro flui melhor na segunda metade, sobretudo nos capítulos em que o autor disseca o legado e a obra fonográfica de João Gilberto, disco a disco. Ainda assim,Tárik de Souza ficou longe de alcançar a precisão de “Amoroso – Uma biografia de João Gilberto” (2021), livro essencial em que Zuza Homem de Melo (1933 – 2020) apresentou narrativa sem vibratos em que repisou todos os passos do gênio antes, durante e depois da insurreição Bossa Nova com a leveza exigida por tudo que se trata de João Gilberto.

Fonte: G1 Entretenimento

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Uma noite com Ana Carolina entre lágrimas, sucessos, gritos e paixões…


Ana Carolina em vários momentos da apresentação do show ’25 Anas’ na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro, na noite de ontem, 24 de janeiro
Fotos de Rodrigo Goffredo / Montagem g1
♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR
♬ Revi ontem o show em que Ana Carolina festeja 25 anos de carreira fonográfica. A rigor, esses 25 anos já são 27, pois foi em 1999 que a artista mineira irrompeu como vulcão em fúria na música brasileira. Contudo, a exatidão da matemática é mero insignificante detalhe para o séquito apaixonado de admiradoras da cantora. O que conta é a inabalável paixão do publico da artista. Tanto que Ana Carolina nem precisa mais de um hit massivo para lotar shows. E os shows estão sempre lotados, como percebi mais uma vez, sentado numa das cadeiras da primeira fila da casa Vivo Rio, na noite de sábado, 24 de janeiro.
Sem a tensão de ter que anotar tudo para escrever uma resenha detalhada, porque já tinha feito a crítica do show ao assistir à estreia nacional da turnê “25 Anas” em 12 de julho de 2025, na mesma cidade do Rio de Janeiro (RJ), vivi uma noite marcada por lágrimas, hits, gritos e paixões.
As lágrimas espocaram nos olhos da cantora após a ovação ao fim de “Quem de nós dois” (2001), o sucesso blockbuster do segundo álbum de Ana Carolina. “Quem de nós dois” é a música que, há 25 anos (aí, sim, 25…), deu o visto definitivo para a cantora se apresentar em grandes casas de shows.
Sim, Ana Carolina chorou. Talvez porque, ciente de ser cantora de importância minimizada pelos críticos (muito por conta dos caminhos fonográficos escolhidos por Ana a partir de 2005, verdade seja dita…), ela tenha percebido ali que ainda conta com algo que nenhum crítico pode dar a nenhum artista: o aval e a paixão do público.
Sim, paixão. Se o canto de Ana arde na fogueira das paixões, a estima do público pela artista resulta passional na mesma proporção. No show de ontem, assim como em todas as apresentações de Ana Carolina, gritos foram recorrentes no palco e na plateia. “Gostosa!!”, bradava volta e meia uma voz anônima, de uma das mesas do lotado Vivo Rio.
Revendo o show, percebi que, ao roteiro original, Ana adicionou os hits “Quem de nós dois” e “É isso aí” (2005), ambos com efeito catártico.
Da minha parte, quando Ana Carolina cantou “Nua” (2003) – primeira e única parceria com Vitor Ramil – e “Encostar na tua” (2003), percebi que “Estampado” (2003) é meu álbum preferido de Ana, embora reconheça a força do primeiro álbum da artista, “Ana Carolina”, lançado em 1999 com o hit “Garganta”. E também com uma pureza e uma chama que, por vezes, se diluíram na longa estrada. O mercado é cruel quando se joga o jogo da indústria fonográfica para tentar se manter em evidência com um sucesso atrás do outro.
E por falar em hits, não posso deixar de ressaltar a generosidade da compositora por ter dado “Sinais de fogo” (2003) para Preta Gil (1974 – 2025) e o samba “Cabide” (2005) para Mart’nália, pois ambas as músicas estão entre as melhores composições desses 27 anos de carreira fonográfica de Ana Carolina. Poucos intérpretes têm essa generosidade autoral.
Hits à parte, reiterei ontem a beleza e a emoção real de “Mãe” (2025), música mais bonita do álbum mais recente de Ana Carolina, “Ainda já”. Álbum que, a propósito, ainda está pela metade. O primeiro EP saiu em julho do ano passado. Mas cadê o segundo?!?
Desta segunda metade, Ana tem mantido no roteiro do show “25 Anas” as músicas “Lésbica monossilábica” e “Canção de trás pra frente”. Outras inéditas, presentes no roteiro da estreia, foram sendo limadas do show ao longo da turnê para dar lugar aos sucessos que o público de Ana quer ouvir.
E, sim, justiça seja feita, as inclusões dos hits fizeram bem ao show. A apresentação de ontem fluiu bem melhor do que a estreia em julho. Ao menos, a velha chama – que pareceu ter ido por água abaixo no show “Fogueira em alto mar” (2019), o pior momento da trajetória da artista – estava novamente acesa. Essa chama, no fim das contas, é o que alimenta não somente um show, mais uma carreira.
Ana Carolina é isso aí: uma cantora passional, orgulhosa do cancioneiro autoral amealhado desde o primeiro álbum. Há quem goste dela. Eu já gostei muito até o álbum “Estampado”. Depois, somente uma ou outra canção me mobilizou, caso da balada “Ruas de outono” (2006). Mas nunca a perdi de vista como crítico musical. Nenhum disco ou show da artista deixou de ser resenhado porque reconheço a importância da artista.
No fundo, acho que ainda alimento a esperança de que, um dia, Ana apresente outro álbum como “Estampado”. Mas não vou viver como alguém que somente espera um novo amor, digo, um disco que me encante… E, por isso, deixei Ana Carolina me levar ontem para a casa Vivo Rio para uma noite de lágrimas, hits, gritos e paixões.
Ana Carolina canta músicas ainda sem registro fonográfico oficial, como ‘Canção de trás pra frente’ e ‘Lésbica monossilábica’, no show ’25 Anas’
Rodrigo Goffredo

Fonte: G1 Entretenimento

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Marcante voz do samba que se calou há 30 anos, Roberto Ribeiro é lembrado em single de Leo Russo e Mauro Diniz


Roberto Ribeiro (1940 – 1996) é homenageado por Leo Russo e Mauro Diniz no samba ‘A voz de Roberto Ribeiro’
Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Faz 30 anos neste mês de janeiro de 2026 que o samba perdeu a voz marcante de Roberto Ribeiro, nome artístico do cantor e compositor fluminense Demerval Miranda Maciel (20 de julho de 1940 – 8 de janeiro de 1996).
Nascido na cidade fluminense de Campos dos Goytacazes (RJ), Roberto saiu precocemente de cena, aos 55 anos, vitima de atropelamento na zona oeste do Rio de Janeiro (RJ), cidade onde o artista viveu o auge da carreira na segunda metade dos anos 1970, emplacando sucessos como “Acreditar” (Dona Ivone Lara e Delcio Carvalho) e “Todo menino é um rei” (Nelson Rufino e Zé Luiz, 1978) com a voz calorosa e de emissão límpida.
As três décadas sem Roberto Ribeiro são lembradas por Leo Russo e Mauro Diniz, compositores e cantores do inédito samba “A voz de Roberto Ribeiro”.
Com arranjo de Rildo Hora, o samba “A voz de Roberto Ribeiro” foi lançado ontem, 23 de janeiro, em single idealizado para recordar o legado do cantor que irrompeu forte no universo do samba a partir de 1975.
Roberto Ribeiro deixou álbuns antológicos como “Molejo” (1975), “Arrasta povo” (1976), “Poeira pura” (1977), “Roberto Ribeiro” (1978) e “Coisas da vida” (1979).
A partir do álbum “Fala meu povo!” (1980), a discografia do cantor perdeu impulso nas paradas – talvez porque Roberto nunca tenha se integrado à geração de sambistas do Cacique de Ramos e do grupo Fundo de Quintal, turma que deu o tom do samba da década de 1980 – mas jamais perdeu qualidade no que diz respeito ao repertório e ao canto do artista.
Mesmo com menor repercussão, álbuns como “Massa, raça e emoção” (1981), “Fantasias” (1982), “Roberto Ribeiro” (1983), “Corrente de aço” (1985) e “Sorri pra vida” (1987) deixaram eternizada a voz do grande cantor, ora saudada por Leo Russo e Mauro Diniz em samba (infelizmente, pouco inspirado) que alude na letra aos nomes de vários sucessos de Roberto Ribeiro.
“À luz do luar brilha a Estrela de Madureira / Num céu verde e branco, um resto de esperança / A nossa herança ainda está no ar / A voz de Roberto Ribeiro não vai se calar”, rimam Leo Russo e Mauro Diniz.
Capa do single ‘A voz de Roberto Ribeiro’, de Leo Russo (à direita) e Mauro Diniz
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Zé Renato e Claudio Nucci se afinam e se harmonizam em show que segue a toada de um Brasil bucólico e poético


Zé Renato (à esquerda) e Claudio Nucci se reencontram no palco do Teatro Rival Petrobras em show idealizado para celebrar os 40 anos do único álbum dos cantores como dupla
Rodrigo Goffredo
♫ CRÍTICA DE SHOW
Título: Claudio Nucci e Zé Renato 40 anos (1985 – 2025)
Artistas: Claudio Nucci e Zé Renato
Data e local: 23 de janeiro de 2026 no Teatro Rival Petrobras (Rio de Janeiro, RJ)
Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2
♬ Claudio Nucci e Zé Renato têm os violões para se acompanharem. Também têm duas das vozes mais bonitas da música brasileira. Quando harmonizadas, essas duas vozes seguem uma toada que leva os intérpretes e os ouvintes para um Brasil bucólico, poético, já utópico, em rota que passa pelas terras das Geraes desbravadas por Milton Nascimento.
Foi esse roteiro de lindezas que os cantores seguiram mais uma vez na volta do show “Claudio Nucci e Zé Renato 40 anos (1985 – 2025)” ao Teatro Rival Petrobras, no Rio de Janeiro (R), na noite de ontem, 23 de janeiro.
Idealizado no ano passado para celebrar as quatro décadas do primeiro e único álbum gravado pelos cantores como dupla, “Pelo sim pelo não” (1985), o reencontro dos cantores ignorou a passagem do tempo na primeira das duas apresentações do show no Teatro Rival Petrobras (a segunda acontece hoje, 24 de janeiro).
É 2026, mas pareceu que era 1979 quando, quase no fim do show, Nucci e Zé puxaram “Toada (Na direção do dia)” (Zé Renato, Claudio Nucci e Juca Filho, 1978), primeiro grande sucesso do Boca Livre, grupo que deu projeção nacional aos artistas.
Munidos somente das vozes e dos próprios violões, os cantores permaneceram juntos no palco, lado a lado, durante todo o show – o que não impediu solos como os números individuais de Zé Renato em “Ânima” (Zé Renato e Milton Nascimento, 1982) e em “Flor de muçambê” (parceria inédita de Zé com Chico César em que música e letra estão em fina sintonia) e os solos de Nucci em “Quero quero” (Claudio Nucci e Mauro Assumpção, 1980) e “Meu silêncio” (1980), este menos sedutor para quem tem como referência a profundidade emocional do canto de Nana Caymmi (1941 – 2025), intérprete original da belíssima e tristonha canção composta por Nucci em 1976 e letrada pelo primeiro parceiro do artista, Luiz Fernando Gonçalves, com toda a dor pela morte então recente de um amigo, o “velho companheiro” do título original da música.
Juntos, Claudio Nucci e Zé Renato se afinaram quando calçaram “Sapato velho” (Mu Carvalho, Claudio Nucci e Paulinho Tapajós, 1978) – número que fez o show assentar bonito já na abertura – e seguiram o bucólico trilho folk de “Acontecências” (Claudio Nucci e Juca Filho, 1980).
Da seara mineira, os cantores hastearam “A bandeira do porvir” – música de Milton Nascimento e Marcio Borges, feita para espetáculo sinfônico estreado em 2012 e inédita em disco até ser gravada por Claudio Nucci e Zé Renato para o single de 2025 que celebrou os 40 anos do supracitado álbum “Pelo sim pelo não” – e “Quinhentas mais”, versão em português do mesmo Marcio Borges para “Five hundred miles” (Hedy West, 1962), música do repertório do trio norte-americano de folk Peter, Paul and Mary.
A versão “Quinhentas mais” foi gravada por Nucci e Zé Renato no álbum de 1985 que projetou a melódica canção “A hora e a vez” (Claudio Nucci, Zé Renato e Ronaldo Bastos, 1985) e a música-título “Pelo sim pelo não” (Claudio Nucci, Zé Renato e Juca Filho, 1985), ambos incluídas na trilha sonora da novela “Roque Santeiro” (TV Globo, 1985 / 1986). As duas músicas integraram evidentemente o roteiro do show, sendo que, em “A hora e a vez”, impressionou pela naturalidade com que as vozes de Nucci e Zé Renato transitaram dos registros graves aos agudos.
Zé Renato (à esquerda) apresenta parceria inédita com Chico César, ‘Flor de muçambê’, no roteiro do show feito com Claudio Nucci
Rodrigo Goffredo
Para esse álbum em dupla, os cantores também gravaram – mas limaram da seleção final do disco – “Eu sambo mesmo” (Janet de Almeida, 1945), samba que desceu redondo no show em registro de vozes e violões que resultou mais sedutor do que a arquivada gravação de 1985, lançada enfim em 2025 como lado B do single “A bandeira do porvir”.
Quando cantaram “Eu sambo mesmo”, os dois vocalistas mais conhecidos da história do grupo Boca Livre evocaram o grupo vocal Anjos do Inferno, intérprete original do samba abordado por João Gilberto (1931 – 2019) em álbum de 1991. João provavelmente avalizaria o canto do samba pela dupla.
Sempre afinada, a cantoria ganhou sotaque caipira em “Papo de passarim” (Zé Renato e Xico Chaves, 1982) e se embrenhou pelas terras do Brasil rural em “Matança” (Augusto Jatobá, 1981), sucesso do cantador Xangai que Nucci e Zé Renato haviam revivido em evento em favor do meio ambiente.
Entre o belo voo de “Blackbird” (John Lennon e Paul McCartney, 1968) e as oportunas lembranças de “Lamento sertanejo” (Dominguinhos e Gilberto Gil, 1973) e “As moças” (Zé Renato e Juca Filho), música do repertório do seminal Cantares (grupo vocal que desaguou no Boca Livre), os cantores reviveram “Salmo” – composição de Edu Lobo e Chico Buarque que tiveram o privilégio de gravar na trilha sonora do musical “O corsário do rei” (1985) – sem atingir no show o âmago dessa canção de grande força espiritual.
Em contrapartida, “Ponta de areia” (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974) soou arrepiante no canto a capella dos intérpretes.
No arremate do bis, “Quem tem a viola” (Zé Renato, Claudio Nucci, Juca Filho e Xico Chaves, 1979) fechou em alto astral um grande show em que, à beleza harmônica da combinação das vozes dos cantores, somou-se o som folk de rio, mar e terra que pulsou nas cordas de metal.

Fonte: G1 Entretenimento

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Brasileiros vão xingar ‘Sirât’ nas redes e acabam invadindo posts da mesma distribuidora de ‘O Agente Secreto’


Cena do filme ‘Sirât’, de Oliver Laxe
Divulgação
Brasileiros estão indo ao perfil do filme espanhol “Sirât” para criticar ou até mesmo proferir ofensas contra o longa e o diretor, o cineasta franco-espanhol Óliver Laxe, após ele ironizar as quatro indicações de “O Agente Secreto” no Oscar 2026.
“Na Academia há muitos brasileiros, nós gostamos muito deles, mas eles são ultranacionalistas. Acho que, se os brasileiros inscrevessem um sapato no Oscar, todos votariam nele”, disse Laxe durante o talk show La Revuelta, da emissora pública espanhola TVE.
O cineasta concorre ao Oscar nas categorias Melhor Filme Internacional e Melhor Som, por “Sirât”. A premiação acontece em 15 de março, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
A declaração do cineasta repercutiu nas redes e causou revolta em muitos brasileiros. Assim como ocorreu no ano passado com a atriz Karla Sofía Gascón durante o período de premiações de 2025, Laxe passou a ser alvo de diversas ofensas nas redes.
Como ele não tem perfil pessoal no Instagram, as críticas têm sido feitas no perfil oficial do filme.
Brasileiros têm feito diversos comentários em publicações de filme ‘Sirât’ feitas pela distribuidora Neon
Reprodução/Instagram
Os comentários são diversos. “Preferimos o sapato”, escreveu uma mulher. “Não se garante com o filme e inventa notícia falsa sem embasamento”, escreveu outro. “Respeita o cinema brasileiro”. “A blogueira menor do meu bairro tem mais seguidores que esse filme furreco”.
Em muitas dessas críticas, os brasileiros usam emojis de sapatos, em alusão ao comentário de Laxe.
Essas críticas atingem diretamente a norte-americana Neon, empresa que distribui “Sirât” nos Estados Unidos. É a mesma que adquiriu os direitos de distribuição de “O Agente Secreto” no país norte-americano.
A distribuidora é a empresa responsável por comercializar, promover e lançar um filme no mercado após sua produção.
A maioria dos posts que tem sido alvo dos inúmeros ataques de brasileiros foram feitos pela Neon em parceria com o perfil oficial de “Sirât”, como forma de promoção do filme espanhol. Ou seja, os ataques estão indo para o perfil do filme, mas também aparecem no perfil da produtora.
Apesar das críticas, os ataques também representam engajamento para esses posts. São mais de 41 mil comentários na publicação mais recente de “Sirât” no perfil da Neon. Já em outra são mais de 10,6 mil comentários. No post mais recente de “O Agente Secreto” são apenas 438 comentários.
Ainda que os posts do filme brasileiro tenham mais curtidas, os posts de “Sirât” têm alcançado muito mais engajamento por conta dos inúmeros comentários.

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Marty Supreme’ se empolga com começo incrível e insiste em repetir confusões cansativas; g1 já viu


Poucos filmes de 2025 começam tão bem quanto “Marty Supreme”. Talvez nenhum.
Instigante e frenética, a primeira hora subverte os clichês de filmes sobre esportes – neste caso, o mundo do pingue-pongue competitivo da Nova York dos anos 1950 – e surpreende os espectadores em um crescendo notável.
Apoiada principalmente nas atuações brilhantes de Timothée Chalamet (“Duna”) e Odessa A’zion (“I love LA”) e na direção ágil de Josh Safdie (que faz estreia solo após bons trabalhos com o irmão, Benny, como “Joias brutas”), a obra à primeira vista justifica as nove indicações ao Oscar recebidas nesta quinta-feira (22).
Pena que dure pouco.
Talvez empolgado pela boa abertura, o filme em cartaz nos cinemas brasileiros entra então num loop cansativo de trambicagens do protagonista, que sempre consegue escapar por um triz para o próximo golpe.
A revelação de que o jovem jogador genial e egocêntrico – na superfície, o padrão para uma cinebiografia esportiva, mesmo fictícia – se trata também de um vigarista contumaz com o tempo passa de uma novidade refrescante para uma armadilha que prende a trama.
Lá pela quinta armação do rapaz de bigodinho ralo e rosto marcado pela acne, ou pela sexta vez que uma mulher incrível o perdoa pela maior canalhice já gravada, é inevitável pensar duas coisas.
A primeira é que Safdie de alguma forma conseguiu transformar alguns dos atributos da primeira metade do filme em suas principais fraquezas.
E a segunda é: “por que mesmo eu deveria me importar com essas pessoas?”.
Quando os irmãos viram um
Equilíbrio nem sempre é necessário em um filme. Muitas vezes até atrapalha. Mas é difícil não questionar se a antiga parceria dos irmãos Safdie não ajudava a fazer com que cada um controlasse seus impulsos mais destrutivos.
Se Benny entregou uma história tão mundana em “Coração de lutador: The Smashing Machine” (2025) que, no fim, virou uma das mais chatas do ano, Josh fez praticamente o contrário em “Marty Supreme”.
Dois exemplares muito bem realizados do gênero de filmes esportivos, por mais que diametralmente opostos em relação a ritmo e intensidade, as produções compartilham a estrutura esquemática e a infeliz perda de propósito em certo ponto.
Timothée Chalamet em cena de ‘Marty Supreme’
Divulgação
Um mundo para Chalamet
“Marty Supreme” pelo menos serve como um palco para Chalamet desfilar todo o seu invejável alcance e carisma. Para alguns, pode ser o suficiente. Com 2h30 de duração, para muitos outros, uma história de verdade faz falta.
Não que o roteiro de Safdie e seu antigo parceiro de “Joias Brutas” (2019) e “Bom Comportamento” (2017), Ronald Bronstein, seja desprezível. Dá para entender algumas das intenções. Infelizmente, muito do que aparece na tela já foi feito antes – e muito melhor – por “Depois de horas” (1985).
Para ser justo, a Nova York dos anos 1950 apresentada no filme não tem paralelos no cinema das últimas décadas. Suja, barulhenta e viva, metrópole que dá as caras no filme é um mundo à parte que merecia ser melhor explorado.
Odessa A’zion em cena de ‘Marty Supreme’
Divulgação
Dança à altura
O elenco talentoso ajuda o ator a manter a energia de calhorda lá no alto. Veteranas como Gwyneth Paltrow (“Vingadores: Ultimato”) ou novatos como o rapper Tyler the Creator levantam boas bolas para Chalamet cortar.
A’zion talvez seja a única que não se contenta com o status de escada e salta sobre os demais.
Por mais que sua personagem também se junte ao exército de enganados/comparsas do protagonista, a atriz de 25 anos desafia o parceiro de cena e provavelmente o próprio roteiro com uma força furiosa sutil que merecia uma indicação ao prêmio da Academia.
Cartela resenha crítica g1
Arte/g1

Fonte: G1 Entretenimento

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ENTRETERIMENTO

A indústria milionária das séries de amor lésbico tailandesas que conquistaram dezenas de países — inclusive o Brasil


O que começou como uma experiência deu origem a um novo gênero de séries dramáticas que agora conquistam o mundo
GMMTV via BBC
Ongsa começa sua vida em uma nova escola se sentindo nervosa e alienada, mas quando conhece Sun, uma das garotas mais populares, a solitária garota se apaixona à primeira vista.
Com medo de compartilhar seus sentimentos, Ongsa usa o nome de usuário “Earth” no Instagram para mandar mensagens para Sun, mas Sun presume que seu admirador secreto seja um garoto.
Ongsa então se torna amiga de Sun na vida real, enquanto continua conversando com ela online sob um pseudônimo.
Mas a tensão emocional de manter seu relacionamento em segredo faz com que o casal termine logo.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
“Eu tinha medo de que as pessoas te criticassem por estar com alguém como eu”, chora Ongsa.
Mas em um reencontro feliz, uma Sun sorridente responde: “Eu não me importo com outras pessoas — eu só me importo com você.”
O que começou como um experimento — adicionar um casal lésbico a um elenco de personagens gays em uma série chamada Bad Buddy — gerou um gênero totalmente novo de dramas televisivos que agora conquistam o mundo.
LEIA MAIS: O que são microdramas? E como as novelinhas verticais devem causar uma reviravolta no mercado
Como (e por que) casal Lorena e Juquinha, de ‘Três Graças’, ganhou repercussão internacional
Já uma das exportações culturais de maior sucesso da Ásia, estimada em dezenas de milhões de dólares, o Girls’ Love (Amor entre Meninas, em tradução livre, ou às vezes chamado de Universo GL), como o gênero ficou conhecido, colocou a Tailândia no centro de um movimento em rápido crescimento que está remodelando a representação LGBT no entretenimento e redefinindo a cultura dos fãs em escala global.
“No início, não tínhamos muita certeza. Então, como diretora, experimentei adicionar um casal de mulheres a uma história BL [Boys’ Love, ou Amor Entre Meninos], especificamente as atrizes Milk e Love na história Bad Buddy”, disse Noppharnach Chaiyahwimhon, da produtora tailandesa GMMTV, à BBC News Thai, o serviço de notícias em tailandês da BBC.
E então, a enorme popularidade do casal entre os fãs online, interpretado pelas atrizes tailandesas Pansa “Milk” Vosbein e Pattranite “Love” Limpatiyakorn, rapidamente se tornou um ponto de virada.
A primeira série completa da GMMTV sobre sexualidade global, 23.5 Degrees That the World is Tilted, é uma adaptação do romance homônimo.
Wasawat Lukharang / BBC News Thai
“Percebemos que havia uma tendência: as pessoas estavam falando sobre esse casal de forma significativa e começaram a pedir uma série com um casal principal formado apenas por duas mulheres”, diz Chaiyahwimhon.
A GMMTV respondeu encomendando sua primeira série Girls’ Love completa, chamada 23.5, adaptada do romance homônimo e estrelada pelas mesmas duas atrizes, no papel de Ongsa e Sun.
Mas, quando a série foi ao ar, em 2024, a principal emissora aberta, o Canal 3, antecipando a tendência, já exibia GAP The Series, o primeiro grande sucesso Girls’ Love, em toda a Tailândia, que tem uma população de 70 milhões, e no YouTube, onde rapidamente acumulou mais de 300 milhões de visualizações.
Antes do final do ano, 21 séries Girls’ Love haviam sido produzidas e 51 casais formados apenas por mulheres haviam sido criados, de acordo com a empresa de análise de mídia Rocket Media Lab.
Entretanto, diversas turnês de encontro com fãs do gênero Girls’ Love esgotaram ingressos na China, Taiwan, Filipinas, Japão, Singapura, Camboja e até mesmo nos Estados Unidos.
No Brasil, a atriz tailandesa Mae Metharkarn reuniu centenas de fãs em um encontro em São Paulo em maio do ano passado.
Pansa “Milk” Vosbein (à esquerda) e Pattranite “Love” Limpatiyakorn interpretaram o casal Ink e Pa, em papéis coadjuvantes na série Bad Baddy, antes de estrelarem sua própria série
Napasin Samkaewcham / BBC News Thai
Parte do apelo reside em como as histórias de Girls’ Love tailandesas divergem das representações globais anteriores de relacionamentos lésbicos.
Globalmente, personagens lésbicas, gays ou bissexuais têm sido frequentemente associados a desfechos trágicos ou desaparecimentos repentinos das tramas, observa Eva Cheuk-Yin Li, professora assistente de indústrias audiovisuais no King’s College London, no Reino Unido.
“Quando olhamos ao redor do mundo, a quantidade de histórias contadas na televisão sobre amor entre mulheres do mesmo sexo é bastante limitada, mesmo em Hollywood, e frequentemente vemos personagens lésbicas sendo mortas na tela, ou terminando com finais infelizes ou trágicos. Isso é o que chamamos de ‘síndrome da lésbica morta’, onde personagens LGBT frequentemente têm vidas trágicas na tela.”
Mas o GL tailandês rompe com essa narrativa.
“O que realmente destaca o romance entre garotas na Tailândia em meio a toda essa representação”, diz Li, “é que geralmente existe um arco de personagem muito mais completo. Os casais enfrentam desafios, mas normalmente têm um relacionamento mais gratificante e feliz, ou até mesmo um final feliz, na maioria das histórias.”
Por causa de sua paixão pelas séries Girls’ Love tailandesas, a brasileira Luiza Z viajou com sua mãe por dois meses pela Tailândia, o que ela descreve como “a melhor viagem” da sua vida
Luiza Z via BBC
Ela acrescenta, no entanto: “As personagens principais das séries tailandesas de romance entre garotas tendem a ser bastante femininas, embora algumas tenham personalidades fortes. Na vida real, existem lésbicas de várias formas e tamanhos diferentes, então acho que ainda existem algumas preocupações com a diversidade na representação.”
A fã brasileira Luiza Z disse à BBC News Thai que assistir a dramas tailandeses de Girls’ Love foi a primeira vez que sentiu que “o amor entre duas mulheres poderia ser a história principal, e não apenas uma história secundária”.
“Foi tão bonito o jeito como elas se conectaram, a maneira como apresentaram a profundidade do relacionamento, as dificuldades e as emoções”, diz ela. E os finais felizes a fazem se sentir “aceita”.
“[Histórias] Girls’ Love da Tailândia sempre terminam com um final feliz — e estamos felizes que seja assim, onde não precisamos nos preocupar com a eliminação dessas duas personagens ou que elas não terão um final feliz.
“Sabemos que elas ficarão juntas no final e isso é reconfortante — nos sentimos validadas.”
O fenômeno Girls’ Love foi ainda mais impulsionado pela facilidade que audiências no mundo têm a conteúdos internacionais. Muitas séries estão disponíveis no YouTube, frequentemente com legendas em vários idiomas.
E isso remove barreiras para fãs em países com regulamentação rígida da mídia, incluindo China e Indonésia, onde o conteúdo homossexual é restrito.
Nos últimos anos, a China fechou dezenas de milhares de sites e contas de mídia social contendo o que seus censores chamam de conteúdo “vulgar” e pornográfico ou outro material considerado ilegal ou “antichinês”.
Como resultado, o público vê cada vez mais o conteúdo Girls’ Love estrangeiro como um espaço cultural seguro.
“Um dos meus filmes lésbicos… foi visto na Arábia Saudita mais do que em qualquer outro país”, disse a diretora Rachel Dax, radicada no Reino Unido, à BBC.
A cineasta Rachel Dax afirma que o Girls’ Love ajuda lésbicas em sociedades conservadoras a perceberem que sua sexualidade é algo a ser celebrado
Rachel Dax via BBC
“Em países onde existem leis anti-gays muito rígidas, para algumas mulheres será a única afirmação positiva que elas recebem sobre a realidade de sua sexualidade e isso pode ser tratado de forma positiva. Esses filmes ajudarão as pessoas.”
Alguns fãs acreditam que o aumento da visibilidade também está mudando sutilmente as atitudes na sociedade tailandesa.
Ranuka Songmuang, que administra uma página de fãs de filmes Girls’ Love, diz que a reação simples de sua mãe ao gênero é típica. “Eu gosto da série The Secret of Us”, disse sua mãe. “A médica [uma das personagens principais] é linda.”
Mas a Tailândia já é um dos países mais liberais da Ásia no que diz respeito à integração de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo na sociedade cotidiana. Ela possui uma lei de casamento igualitário, assim como Taiwan e Nepal, por exemplo.
Nas Filipinas, há uma crescente aceitação de casais LGBT vivendo juntos abertamente. Mas a Igreja Católica Romana, que desempenha um papel importante na sociedade filipina, se opõe veementemente ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
E existem obstáculos significativos em alguns outros países, como Malásia, Indonésia e Brunei, onde há menos aceitação de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. Em Brunei, por exemplo, o sexo entre homens é punível com pena de morte, embora na prática o país não execute mais pessoas por nenhum crime.
Algumas tramas de dramas Girls’ Love abordam o preconceito de frente. Em Poisonous Love, a protagonista Pat implora aos pais de sua amada, Prem, que permitam que elas continuem namorando, mas o pai de Prem ordena que terminem.
“Nosso amor é sincero e puro”, diz Pat, chamando os pais de Prem de “Mãe e Pai”.
Ranuka Songmuang diz que vem esperando há anos que a mídia tradicional aborde o amor lésbico
Wasawat Lukharang / BBC News Thai
“Não ouse me chamar de Pai”, responde o pai de Prem. “Estou enojado.”
O caminho percorrido pelo romance de Ongsa e Sun acaba sendo muito mais tranquilo, com um final feliz firmemente estabelecido no horizonte para os fãs de 23.5.
Quando Sun pergunta como eles lidariam se tivessem que passar um ano separados, Ongsa responde: “Não importa quantos anos-luz nos separem, ficaremos bem. No final, nossas órbitas nos levarão a nos encontrar novamente.”
“Porque a Terra (Earth) foi feita para estar com o Sol (Sun).”

Fonte: G1 Entretenimento