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Conheça a história de Osama bin Laden e da Al-Qaeda antes e depois do 11 de setembro


Filho do maior empreiteiro da Arábia Saudita se tornou um grande arrecadador de dinheiro para financiar a luta dos afegãos contra os soviéticos. Lá, em 1988, ele fundou a ‘Al Qaeda’ (a base, em árabe), a organização terrorista que mudou a história. Imagem de 2016 em que egípcios mostram pôster com foto de Osama bin Laden na Praça Tahrir, no Cairo. Os escritos dizem: ‘Que Deus tenha piedade da alma do sheik Osama bin Laden. Esperem por mais reações nocivas de nós’
Asmaa Waguih/Reuters
Osama bin Laden passou os últimos cinco anos de sua vida no imóvel onde foi morto, em Abbottabad, no Paquistão, com sua família.
Os militares americanos que invadiram o local e mataram o terrorista encontraram documentos e cartas escritas pelo próprio bin Laden e por seus familiares.
Esses textos ajudam a entender como foi o período final de sua vida.
Logo após os ataques do 11 de setembro de 2001 suspeitou-se que Osama bin Laden e a organização que ele havia fundado no fim dos anos 1980, a Al-Qaeda, estavam por trás dos atentados.
No dia 12 de setembro de 2001, havia evidências de que os sequestradores eram ligados a bin Laden. Encontrar o terrorista virou uma prioridade para os Estados Unidos.
Torres Gêmeas em ataque de 11 de Setembro de 2001
(Foto: AP)
Mesmo antes dos ataques, os americanos já procuravam o líder da Al-Qaeda, pois a organização havia feito outros atentados contra os americanos: em 2000, bombardeou um navio americano no Iêmen, e em 1998, atacou duas embaixadas dos EUA na África (no Quênia e na Tanzânia).
Os militares americanos tentaram matar bin Laden em agosto de 1998, quando bombardearam, com mais de 70 mísseis, os campos de treinamento da Al-Qaeda no Afeganistão. O líder terrorista conseguiu fugir —não era a primeira vez que ele escapava de um ataque de uma superpotência e não seria a última.
Morte de Osama Bin Laden (vídeo de 2011)
Bin Laden antes do 11 de setembro
O pai de Osama bin Laden, Mohammed bin Awahd bin Laden, nasceu no Iêmen. No começo da década de 1930, ele deixou o país e foi morar na Arábia Saudita.
Nessa época, o reino saudita era um país pobre, que vivia do turismo de muçulmanos que visitavam as cidades sagradas de Meca e Medina. Isso mudou a partir de 1931, quando foi encontrado petróleo no país.
Na década de 1950, a Arábia Saudita era um outro país, vivia da riqueza do petróleo explorado por companhias estrangeiras.
O rei saudita pressionou essas empresas estrangeiras a contratar construtoras locais. Mohammed bin Laden foi um dos que conseguiram trabalhar para as empresas petrolíferas e, assim, tornou-se o maior empreiteiro da Arábia Saudita.
Foto de 2017 mostra grafite com bandeira da Al-Qaeda em muro de escola convertida em centro religioso no Iêmen
Arquivo/AP Photo
Osama nasceu em Riad, em 1958. Acredita-se que seu pai teve outros 54 filhos. Mohammed morreu em um acidente de avião em 1967. O curador que ficou responsável pelos filhos de Mohammed mandou vários deles estudarem no Líbano, menos Osama, que era tido como o mais provinciano de todos os irmãos.
Ele estudou em uma escola em Jidá e, no ginásio, entrou para a Irmandade Muçulmana. Em 1976, entrou na faculdade de economia, mas, na prática, ele se preocupava com assuntos da irmandade.
Bin Laden conseguiu um emprego na empresa da família e começou a trabalhar na construção de estradas.
Quando estava na faculdade, Bin Laden começou a se aproximar dos livros de um muçulmano radical, Sayyid Qutb, que havia vivido nos Estados Unidos e começou a defender uma jihad violenta.
Apesar de a tradução de jihad ser algo como “a luta”, a palavra é empregada para se referir ao esforço para viver de acordo com as regras do Islã, e não é um sinônimo de violência.
Cenas inéditas mostram o 11 de setembro sob o olhar de pessoas comuns
No fim da década de 1970, a União Soviética invadiu o Afeganistão.
Bin Laden foi um dos muçulmanos que resolveram ir ao país que ele mal conhecia para ajudar na luta contra os soviéticos. Há registros de que ele passou pelo Afeganistão em 1984.
Como ele conhecia a família real saudita e era de um clã rico do Oriente Médio, começou a arrecadar dinheiro para os afegãos que lutavam contra os soviéticos.
Ele passava muito tempo nas cidades do Paquistão onde exilados afegãos se organizavam.
Com o dinheiro que arrecadava, ele mantinha um contingente de árabes que, como ele, queriam se envolver com a luta no Afeganistão.
Tropa soviética durante a Guerra do Afeganistão, em foto de 1988
Andrew/Sputnik via AFP/Arquivo
Em 1986, ele levou sua família para Peshawar, uma cidade paquistanesa perto do Afeganistão.
Bin Laden passou a viver em acampamentos em uma região de Tora Bora, nas montanhas do Afeganistão. Lá, ele construiu um local que chamava de Maasada (o nome Osama significa leão, e Maasada é a cova do leão).
Maasada, ao longo dos anos, foi transformada em um centro de treinamento sofisticado.
11 de Setembro: minuto a minuto do atentado que completou 20 anos
Os soviéticos chegaram a atacar o complexo, mas bin Laden e os estrangeiros que lutavam na região conseguiram afastar os soldados da União Soviética, que eram mais numerosos (isso contribuiu para a fama de bin Laden entre os jihadistas).
No fim dos anos 1980, ainda envolvido em batalhas contra os soviéticos, bin Laden deixou de querer apenas apoiar o Afeganistão e começou a pensar em uma força de árabes que iriam defender causas muçulmanas pelo mundo.
No Paquistão, ele conheceu o médico egípcio Ayman al Zawahiri.
Zawahiri também tinha sido influenciado por Sayyid Qutb e também coordenava uma rede de muçulmanos radicalizados. Os recrutas de Zawahiri eram mais sofisticados do que os guerrilheiros que bin Laden mantinha no Afeganistão.
Para os dois, o Ocidente havia cometido crimes contra o Islã.
Em agosto de 1988, quando a União Soviética já estava deixando o Afeganistão, a Al-Qaeda (“A Base”, em árabe) foi fundada.
Os EUA como inimigos
Magnoli: Talibã, Al-Qaeda e Isis têm diferenças, mas compartilham fundamentalismo
Nos anos seguintes, a Al-Qaeda começou a recrutar pessoas, inicialmente no Afeganistão. Os novos membros recebiam dinheiro e eram instruídos a se despedir de suas famílias.
Eles recebiam até um plano de seguro saúde, segundo diz o autor Lawrence Wright, no livro O Vulto das Torres.
Aos 31, bin Laden estava à frente de um exército de muçulmanos. Em 1989, ele voltou à Arábia Saudita e ao trabalho na empreiteira da família.
Na Arábia Saudita, começou a atacar os países do Ocidente e os Estados Unidos —ele afirmava que os árabes haviam sido derrotados e humilhados pelos ocidentais. Inicialmente, ele pregava um boicote econômico aos EUA.
Nessa época, a Al-Qaeda chegou a fazer ataques no Iêmen —os alvos eram principalmente líderes socialistas. Bin Laden também se propôs a atacar o Iraque, que tinha um poderoso exército na época. Ele tentava influenciar a política da Arábia Saudita na região, mas era repelido pela família real, que não se interessava pelas possíveis contribuições de Osama.
Bin Laden começou a se desentender cada vez mais com os líderes sauditas e, em 1992, voltou ao Paquistão.
De lá, ele foi morar no Sudão, onde, como seu pai, construiu estradas.
Foi em 1992, quando bin Laden estava no Sudão, que a organização decidiu que não iria mais combater exércitos, mas, sim, ter civis como alvos. Como os americanos eram os membros da única superpotência que poderia evitar a restauração de um califado islâmico, como desejavam os dirigentes, do grupo, o também decidiu atacar os EUA.
Ainda havia soldados americanos na Arábia Saudita por causa da primeira guerra dos EUA contra o Iraque, e bin Laden intensificou suas críticas contra Washington.
As pessoas que chegavam ao Sudão para se filiarem ao grupo era tratadas como uma espécie de “trainees de terrorismo”. Ele oferecia armas e treinamento (bin Laden tinha conseguido trazer armas de Tora Bora, no Afeganistão).
Os funcionários das empresas de bin Laden que pertenciam à Al-Qaeda também ganhavam bônus. No entanto, a partir de 1994, ele começou a ter problemas no negócio, especialmente com a inflação no Sudão.
Os EUA enxergavam bin Laden como um milionário incômodo. Os americanos pressionaram o governo do Sudão para expulsá-lo do país.
Bin Laden voltou ao Afeganistão, que estava prestes a ser tomado pelo Talibã.
A Al-Qaeda e o Talibã não se conheciam. O líder do Talibã, o mulá Omar, mandou uma comitiva para saudar bin Laden nas cavernas de Tora Bora. Os talibãs aceitaram proteger o líder terrorista e a Al-Qaeda.
Em fevereiro de 1998, Osama bin Laden e Ayman al Zawahiri endossaram uma fatwa publicada em um jornal árabe que afirmava que os muçulmanos deveriam matar americanos – incluindo civis – em qualquer lugar onde pudessem ser encontrados.
Muçulmanos do mundo inteiro foram ao Afeganistão para se tornarem recrutas da Al-Qaeda.
Em agosto daquele ano, em uma ação coordenada, houve uma explosão nas embaixadas americanas em Dar es Salaam, na Tanzânia, e em Nairobi, no Quênia.
Bin Laden virou um dos terroristas mais procurados pelos EUA.
Antes dos atentados em 2001, Osama bin Laden já estava na lista dos 10 criminosos mais procurados pelos Estados Unidos. Em cartaz do FBI, líder da al-Qaeda é procurado por envolvimento em atentados contra embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia
AP
O 11 de setembro e a fuga do Afeganistão
Osama bin Laden dizia que os EUA eram fracos, um país que parecia ser ameaçador, mas era ineficiente em suas guerras. Foi com essa premissa que ele atacou os americanos.
Os atentados de 11 de setembro foram planejados por Khalid Sheikh Mohammed, um membro da Al-Qaeda.
Em poucos dias, os EUA decretaram a guerra contra o terror e invadiram o Afeganistão.
Em outubro de 2001, um vídeo de bin Laden foi divulgado pela Al Jazeera. Ele dizia que os ataques dividiram o mundo entre dois lados, o dos crentes e o dos infiéis. Em conversas após os ataques, ele chegou a dizer que por ter trabalhado com construção civil, imaginava que a explosão causada pelo impacto dos aviões iria esquentar o aço dos prédios a uma temperatura que faria os edifícios desmoronar.
Khalid Sheikh Mohammed em foto de arquivo
Reuters
Os militares dos EUA ainda estavam nas cidades do Afeganistão quando a Al-Qaeda começou a se preparar em Tora Bora.
Os EUA começaram a bombardear a região.
De cerca de 1.900 membros da organização na época, cerca de 1.600 foram mortos.
Bin Laden chegou a escrever um testamento nessa época. No texto, dizia que os ataques aos EUA marcavam o início da eliminação dos EUA e do Ocidente infiel.
Segundo avião atinge a torre sul do WTC nos ataques coordenados
The New York Times
No entanto, em dezembro de 2001, ele conseguiu fugir de Tora Bora e do Afeganistão.
A Al-Qaeda após a resposta dos americanos
Durante alguns anos após o 11 de setembro, a organização exercia um poder de atração em muçulmanos radicais que odiavam o Ocidente, diz Andre Luis Woloszyn, autor do livro “Guerra nas Sombras”.
A organização foi responsável por ataques terroristas em Istambul (2003), Madri (2004) e Londres (2005).
Imagem exibida pela emissora de TV Al-Jazeera em 5 de outubro de 2001 mostra Osama Bin Laden ao lado do egípcio Ayman al-Zawahri
Al-Jazeera via APTN
A organização começou a afiliar grupos por outros países. Só que, diferentemente do primeiro momento, quando ela tinha uma base, contratava pessoas a quem dava treinamento, ela começou a atuar em uma “guerra híbrida”, diz João Fiuza, pesquisador da USP que fez um mestrado sobre os conflitos no Oriente Médio e o surgimento do Estado Islâmico do Iraque e da Síria.
“A Al-Qaeda passou a se tornar uma insurgência, pessoas que não têm quartéis ou unidades formadas, mas sim, pequenas unidades pulverizadas —não só no Afeganistão, mas em diversos países”, diz ele.
O próprio Estado Islâmico começou como o braço da Al-Qaeda no Iraque, mas há outras organizações que, ao menos em algum momento, tiveram alguma filiação com o grupo de bin Laden, como o Al Shabaab e o Boko Haram.
No entanto, a entidade que passou a exercer mais atração em radicais que odeiam o Ocidente passou a ser o Estado Islâmico, afirma Woloszyn.
“Os mecanismos de doutrinação são outros, eles usam mais a internet. E os militantes não estão muito preocupados em estarem bem treinados: são atentados de baixa intensidade, executados com o que eles têm à mão, seja uma faca, um caminhão” diz ele.
Bin Laden continuou a dar as cartas na Al-Qaeda mesmo após os EUA ocuparem o Afeganistão, diz Peter Bergen em seu livro “The Rise and Fall of Osama bin Laden”.
Por exemplo, a Al-Qaeda na Península Arábica quis nomear um clérigo como o líder, mas bin Laden vetou; a Al-Qaeda no Iêmen quis declarar um estado islâmico no país, mas o fundador do grupo afirmou que ainda não era o momento; o Al Shabaab, do leste da África, se identificava como parte da Al-Qaeda, mas bin Laden mandou eles pararem (e assim aconteceu).
Vida no Paquistão
A casa onde ele foi morto fica perto de um centro de treinamento da elite militar do Paquistão.
Nos textos encontrados na casa dele após sua morte, não há nada que confirme que ele tenha recebido proteção dos paquistaneses.
Havia até mesmo planos para atacar os militares paquistaneses. Os líderes da Al-Qaeda chegaram a conversar sobre um possível acordo com os serviços de inteligência do país, mas isso não foi para a frente.
Segundo Bergen, ainda havia relações com o Talibã no Afeganistão. Em 2010, a Al-Qaeda chegou a sequestrar um diplomata afegão no Paquistão e conseguiu um resgate de US$ 5 milhões —uma parte desse dinheiro foi para o Talibã.
Uma dupla de seguranças fazia as compras da casa e era responsável por levar os recados do líder para o mundo.
Ele foi morto por militares americanos em 2 de maio de 2011.
Al-Qaeda após Osama bin Laden
Zawahiri é visto em outro vídeo divulgado pela al-Qaeda no início de outubro de 2016
AFP
O líder do grupo hoje é Aiman al-Zawahiri, o médico egípcio que bin Laden conheceu no Paquistão no fim dos anos 1980.
Em um relatório recente da Organização das Nações Unidas afirma-se que ele deve estar em algum lugar na região de fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão. Houve relatos de que Zawahiri teria morrido de causas naturais, mas isso não foi confirmado.
O relatório da ONU afirma que, apesar de o Talibã ter dito que não vai dar proteção para a Al-Qaeda, o grupo terrorista ainda está presente no Afeganistão, que foi recentemente retomado pelos talibãs.
A Al-Qaeda está presente em ao menos 15 províncias afegãs, no leste, sul e sudeste do país, diz o relatório.
A retomada do Afeganistão pelo Talibã é o maior incentivo para a Al-Qaeda desde o 11 de setembro, disse à revista “New Yorker” Rita Katz, diretora-executiva do Site Intelligence Group, organização que monitora extremistas.
O consenso, segundo ela, é que a organização terrorista, agora, pode voltar a investir no país como um local seguro. Para Katz, a retomada foi uma bênção para a Al-Qaeda e suas franquias. Militantes islâmicos jihadistas de todo o mundo vão pensar em ir para lá, afirma ela.
INFOGRAFIA — ‘Marco Zero’ do 11 de Setembro antes, durante e depois dos ataques
Juan Silva/G1
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Fonte: G1 Mundo

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Como os ataques de 11 de setembro mudaram o mundo


Guerras em dois países, o surgimento de diversos grupos terroristas, mudanças na lei de vigilância, a criação de uma prisão americana em território cubano e uma nova moral dos americanos são legados dos atentados do dia 11 de setembro de 2001. A segunda torre do World Trade Center é atingida por avião e explode em chamas durante atentado do 11 de Setembro em Nova York
Chao Soi Cheong/AP/Arquivo
No dia 30 de agosto de 2021, o general americano Kenneth McKenzie fez um anúncio aos repórteres que cobrem o governo dos Estados Unidos: “Estou aqui para anunciar o fim da nossa retirada do Afeganistão e o fim da missão militar para retirar cidadãos norte-americanos. Isso significa o fim do componente militar da retirada e também o fim da missão que começou no Afeganistão logo após o 11 de setembro de 2001”.
A declaração deixa claro como, passados 20 anos dos atentados cometidos pela Al-Qaeda em solo americano, o 11 de setembro de 2001 ainda tem consequências na geopolítica mundial.
Os EUA e o Oriente Médio foram os locais que mais mudaram após os atentados que ocorreram há 20 anos. Além das guerras, houve mudanças de legislação e mesmo da moral dos povos —há acadêmicos que dizem que um aumento da xenofobia entre os americanos tem origem nos atentados.
Veja abaixo algumas das formas pelas quais o 11 de setembro mudou o mundo:
A guerra ao terror
Os EUA começaram a reagir para dar uma resposta militar três dias depois do 11 de setembro. George W. Bush, o presidente, conseguiu uma autorização do Congresso dos Estados Unidos para atacar a Al-Qaeda, o Talibã e “forças associadas”.
Em 18 de setembro de 2001, estava iniciada, oficialmente, a “guerra ao terror” —portanto, o inimigo não era um Estado ou um grupo específico, mas qualquer um que, na concepção dos americanos, adotasse táticas terroristas.
Osama Bin Laden em frame de vídeo divulgado em maio de 2015
AFP
Com essa aprovação do Congresso, o governo dos EUA ganhou mais autonomia para atacar sem autorização quando considerasse que isso fosse necessário —a expressão “forças associadas”, que está no texto legislativo, é subjetiva o suficiente para que os militares ataquem quem considerem perigosos.
As guerras do Afeganistão e do Iraque foram travadas nesse contexto (veja abaixo).
Em 2013, cerca de dez anos depois dos ataques do 11 de setembro de 2001, o presidente Barack Obama afirmou que os militares não iriam mais lutar contra “o terror”, mas sim, contra organizações específicas.
Militares americanos admitem que mentiram sobre guerra no Afeganistão
No entanto, o mecanismo legal ainda está em vigência —o presidente Donald Trump afirmou que tinha autorização para atacar e matar o general iraniano Qassem Suleimani, em 2020, em solo iraquiano, porque o Congresso havia autorizado a guerra ao terror no Iraque.
Guerra no Afeganistão
Em 2001, quando a Al-Qaeda atacou os EUA, a organização já era ligada ao grupo que dominava o Afeganistão, o Talibã.
A organização terrorista tinha feito um juramento de lealdade ao Talibã. Osama Bin Laden, o líder da Al-Qaeda, e Mullah Omar, o fundador do Talibã, tinham laços familiares.
Como o primeiro objetivo da guerra ao terror era acabar com a Al-Qaeda, o Afeganistão foi o primeiro país que os EUA e seus aliados ocuparam.
A guerra no Afeganistão foi a missão mais longa na história dos EUA, com pouco menos de 20 anos. Ao longo desse tempo, entre os americanos morreram:
Cerca de 2.500 soldados do exército americano;
Quase 4.000 terceirizados;
Mais de mil militares aliados da Otan.
Entre os afegãos as baixas foram mais significativas:
Cerca de 66 mil militares ou policiais;
Cerca de 47 mil civis;
Entre os talibãs e seus aliados, foram mais de 51 mil mortes.
Ainda houve as seguintes perdas:
444 mortes de pessoas que trabalhavam em organizações humanitárias;
72 jornalistas.
O propósito inicial da guerra era derrotar a Al-Qaeda e o Talibã, mas os EUA tiveram dificuldade para sair. O sucesso de George W. Bush, o presidente Obama anunciou que iria reduzir a presença militar no país. O presidente Trump fez um acordo com o Talibã que previa a retirada, que de fato foi cumprida pelo presidente Joe Biden.
Guerra no Iraque
Em março de 2003, menos de dois anos depois dos ataques do 11 de setembro, forças militares dos EUA invadiram o Iraque com o propósito de eliminar armas de destruição em massa que o governo iraquiano supostamente tinha. Era uma ilusão, os iraquianos não tinham essas armas.
“A guerra do Iraque foi decorrência da percepção, por parte dos EUA, de uma ameaça generalizada”, afirma Samuel Feldberg, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP).
Fantástico acompanha guerra no Iraque pelos olhos de um brasileiro
Formalmente, a guerra terminou em maio de 2003. “Conflitos externos sempre têm influência no processo eleitoral dos Estados Unidos, e o presidente George Bush, inicialmente, se beneficiou disso”, diz Feldberg.
As perdas foram ainda mais significativas do que no Afeganistão —não se sabe ao certo o número de civis que morreram no Iraque. Estima-se que foi um número entre 184 mil e 207 mil.
Entre os americanos, foram mais de 4.500 militares e mais de 3.500 terceirizados. Foi em 2003, no Iraque, que morreu o diplomata brasileiro Sergio Vieira de Mello.
No fim daquele ano, o antigo ditador do país, Saddam Hussein, foi capturado. Em 2006, ele foi julgado e enforcado.
Saddam Hussein quando foi preso
GloboNews
Em 2004, ficou claro que os americanos haviam cometido um grande erro a respeito de armas de destruição em massa, a guerra perdeu apoio.
Nessa mesma época, começa uma insurgência, com diversas milícias tentando tomar o poder. Uma delas era a Al-Qaeda no Iraque, que era comandada por Abu Musab al-Zarqawi (conheça mais sobre ele abaixo).
A guerra entre as diversas facções iraquianas xiitas e sunitas teve seu auge em 2006. Os EUA resolveram enviar mais soldados para lá em 2007. No ano seguinte, Barack Obama foi eleito e, entre suas promessas de campanha, estava a de sair do Iraque. Isso aconteceu em dezembro de 2011.
Estado Islâmico
Abu Musab al-Zarqawi, um sunita da Jordânia, havia lutado no Afeganistão contra a União Soviética. Quando os EUA invadiram o Afeganistão, em 2001, al-Zarqawi foi para o norte do Iraque. Durante a disputa entre facções, ele acabou virando o líder de uma milícia chamada Al-Qaeda no Iraque. Al-Zarqawi morreu em 2006, mas o grupo continuou. A milícia acabou mudando de nome para Estado Islâmico no Iraque.
Combatente do Estado Islâmico exibe arma e bandeira do grupo em rua de Mossul, no Iraque, em foto de 23 de junho de 2014
Reuters/Stringer
O destino desse grupo mudou com a guerra na Síria, o país ao norte do Iraque. O líder do Estado Islâmico no Iraque, Abu Bakr al-Baghdadi, envia seus combatentes para a Síria. Jihadistas do Iraque começam a se unir ao grupo, que passa a se chamar Estado Islâmico no Iraque e Síria (na sigla em inglês, Isis; no Brasil, conhecido só como Estado Islâmico).
“O Estado Islâmico é um filhote da Al-Qaeda. Quando o Talibã foi derrotado no Afeganistão, os grupos fundamentalistas migraram e ocuparam o vácuo produzido pelos EUA com a derrubada de Saddam Hussein no Iraque e com a primavera na Síria. Esses elementos, na prática, se transformaram no Estado Islâmico”, diz Feldberg.
Em 2014, o Estado Islâmico consegue dominar o norte do Iraque e uma parte da Síria. Forças ocidentais começam então a atacar o Estado Islâmico, que começa a perder seu território.
Mas desde então o grupo faz ataques terroristas para chamar a atenção —como o que aconteceu em 2015, em Paris, quando mataram 130 pessoas na França.
Recentemente, o Estado Islâmico no Afeganistão matou mais de 180 pessoas no meio da retirada de pessoas do país após a retomada de poder pelo Talibã.
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O Oriente Médio 20 anos depois
“Não acho que seja possível repetir uma ação coordenada como a do 11 de setembro. Os atentados dos últimos anos são difusos, geralmente reivindicados por algum grupo com relação com o Estado Islâmico, mas são como cogumelos que pipocam e somem”, afirma a professora Arlene Clemesha, professora de história árabe da USP.
O resultado da ação dos EUA no Oriente Médio após o 11 de setembro, para ela, foi “abrir as portas para o Irã em sua arena doméstica como uma força militar e paramilitar muito grande”, afirma ela. Segundo a professora, isso se deve à derrocada do Iraque —antes da queda do regime de Saddam Hussein, o Iraque ainda exercia um papel de moderação ao Irã em seu programa para influenciar milícias na região.
Apontar certas populações como inimigas —ou imigrantes— e ampliar os métodos de vigilância, segundo Clemesha, é uma herança da resposta ao 11 de setembro: “A guerra ao terror criou um mundo com o qual ainda temos que lidar”.
As mudanças no governo dos EUA
11 de Setembro: minuto a minuto do atentado que completou 20 anos
No território americano também houve mudanças depois do 11 de setembro. Após os atentados, foi criado um Departamento de Segurança Interna —os agentes desse órgão foram empregados para conter alguns protestos contra o presidente Donald Trump, por exemplo.
O governo dos EUA considera que a autorização que o Congresso deu ao presidente após os ataques de 11 de setembro são um reforço legal para o uso de escutas pela Agência de Segurança Nacional (NSA). Em 2013, uma série de reportagens na mídia internacional mostrou que a NSA coletou dados de milhões de usuários de telefone celular e e-mails.
Mesmo antes do 11 de setembro, oficiais da CIA usavam tortura para obter declarações de pessoas acusadas de terrorismo —a agência torturou um homem acusado de participar do atentado a um navio dos EUA, o U.S.S Cole, no Iêmen, no ano 2000. Novos casos surgiram desde então. Durante a ocupação no Iraque, também houve tortura na prisão de Abu Ghraib.
Os EUA são donos de uma região na baía de Guantánamo, na ilha de Cuba. A partir de 2002, os americanos levaram para lá suspeitos de terrorismo —a ideia é que se trata de uma região fora da jurisdição dos EUA. Também há denúncias de tortura em Guantánamo.
Mudanças no povo dos EUA
O povo americano também mudou após o 11 de setembro, afirma Jeremi Suri, professor de história na Universidade do Texas. “Os americanos têm mais medo de pessoas que vieram de outros países, pois essa é a imagem dos terroristas. A nossa sociedade também ficou mais desconfiada do governo —fomos a uma guerra porque havia armas de destruição em massa e, quando soubemos que não havia nada disso, pensamos sobre por que nós deveríamos confiar em autoridades”, ele diz.
O professor aponta que a resposta aos ataques do governo dos EUA era, em grande medida, unilateral, como se os americanos dissessem “nós temos que resolver o problema no Afeganistão”. E isso, afirma ele, teve desdobramentos na população também: as pessoas passaram a achar que elas mesmas devem tomar ações com suas próprias armas, por exemplo.
– ‘Marco Zero’ do 11 de Setembro antes, durante e depois dos ataques
Juan Silva/G1
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Fonte: G1 Mundo

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Ataques de 11 de Setembro: veja VÍDEO que mostra minuto a minuto como foram os atentados


Há vinte anos, quatro aviões foram sequestrados logo após a decolagem. Às 8h46 de terça-feira, 11 de setembro de 2001 o primeiro deles se chocou contra uma das Torres Gêmeas em NY, dando início ao maior ataque já registrado dentro do território americano, que deixou milhares de mortos. 11 de Setembro: minuto a minuto do atentado que completou 20 anos
Em 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos foram atacados em uma série de ações terroristas que deixaram mais de três mil mortos. Naquela terça-feira, quatro aviões foram sequestrados e dois deles se chocaram contra as Torres Gêmeas em Nova York.
Além dos dois aviões que avançaram contra o World Trade Center, membros da rede Al-Qaeda arremessaram um terceiro avião contra o Pentágono. A quarta aeronave sequestrada caiu na Pensilvânia antes de atingir seu destino – que parecia ser a capital Washington DC.
Nesta reportagem, você vai rever, minuto a minuto, como o maior ataque terrorista já registrado dentro do território americano aconteceu (veja no vídeo acima).
Cronologia dos atentados de 11/9
Torres Gêmeas em 11 setembro de 2001
Marty Lederhandler/AP/Arquivo
7h59 o vôo 11 da American Airlines decola do aeroporto de Boston com destino a Los Angeles
8h15 o vôo 175 da United Airlines também decola de Boston com destino a Los Angeles
8h20 o vôo 77 decola do aeroporto de Dulles, no estado da Virgínia
8h42 o vôo 93 da United Airlines decola com atraso do aeroporto de Newark em Nova Jersey, com destino a Califórnia
8h46 o vôo 11 bate contra a Torre Norte do World Trade Center em Nova York
9h03 o vôo 175 se chocou contra os andares 77 e 85 da Torre Sul do World Trade Center
9h05 o presidente dos EUA George W. Bush é avisado sobre o segundo avião no WTC
9h37 o vôo 77 se choca contra a a face oeste do Pentágono, sede da Defesa americana
10h03 vôo 93 é derrubado em um campo vazio da Pensilvânia, a 20 minutos de voo da capital americana, Washington DC
10h28 a Torre Norte desaba em Nova York
17h20 enquanto bombeiros faziam buscas por sobreviventes, a Torre Sul do World Trade Center colapsa
20h30 o presidente George W Bush faz um pronunciamento de dentro da Casa Branca: “A busca por aqueles que estão por trás desses atos malignos está em andamento. Não faremos distinção entre os terroristas que cometeram esses atos e aqueles que os abrigam.”
Na tarde de 12 de setembro os trabalhadores retiraram Genelle Guzman, a 18ª e última pessoa a ser encontrada com vida entre os destroços

Fonte: G1 Mundo

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Os ataques de 11 de Setembro em 20 FOTOS


Passados 20 anos do maior ataque terrorista da história dos EUA, relembre algumas das cenas mais marcantes capturadas por fotógrafos no dia do atentado. Explosão do segundo avião a atingir o World Trade Center é vista de longe em Nova York durante o ataque terrorista em 11 de setembro de 2001
Spencer Platt/Getty Images via AFP/Arquivo
Por trás da Ponte do Brooklyn, a explosão do segundo avião a atingir o World Trade Center é vista de longe em Nova York durante o ataque terrorista em 11 de setembro de 2001
Sara K. Schwittek/Reuters/Arquivo
Segundos antes, avião do voo 175 da United Airlines é visto se aproximando da Torre Sul do WTC, em Nova York, enquanto a Torre Norte pega fogo, durante os ataques terroristas do 11 de Setembro
Sean Adair/Reuters/Arquivo
A segunda torre do World Trade Center é atingida por avião e explode em chamas durante atentado do 11 de Setembro em Nova York
Chao Soi Cheong/AP/Arquivo
O então presidente dos EUA, George W. Bush, é informado do segundo avião a colidir com o World Trade Center por seu chefe de gabinete, Andrew Card, enquanto participa de uma leitura com crianças numa escola em Sarasota, na Flórida
Win McNamee/Reuters/Arquivo
Pessoas assistem telão na Times Square, no Centro de Manhattan, mostrando o World Trade Center em chamas na parte sul da ilha antes de a segunda torre ser atingida
Shannon Stapleton/Reuters/Arquivo
Com um pé apoiado sobre sua mesa em Washington, o então vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, assiste à TV mostrando as torres do World Trade Center em chamas após os ataques aéreos do 11 de Setembro. A foto foi divulgada pelo governo dos EUA quase 14 anos depois, em julho de 2015
Arquivo Nacional dos EUA via Reuters/Arquivo
O Pentágono é visto em Washington após também ser atingido por um avião comercial durante os ataques terroristas de 11 de Setembro
Larry Downing/Reuters/Arquivo
Equipe de emergência trabalha no local da queda do voo 93 da United Airlines em Shanksville, na Pensilvânia. Passageiros lutaram contra os terroristas, e o avião foi jogado no solo a 20 minutos da capital
Keith Srakocic/AP/Arquivo
Pessoas pedem por socorro das janelas da torre norte do World Trade Center em chamas durante ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, em Nova York
Jeff Christensen/Reuters/Arquivo
Uma pessoa é vista em queda da torre norte do World Trade Center em chamas enquanto outra se pendura do lado de fora, após os ataques aéreos do 11 de Setembro em Nova York
Richard Drew/AP/Arquivo
A torre sul do World Trade Center começa a desmoronar após os ataques aéreos do 11 de Setembro em Nova York
Gulnara Samoilova/AP/Arquivo
Pedestres correm enquanto uma das torres do World Trade Center vem abaixo e uma nuvem de poeira e destroços se aproxima em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001
Doug Kanter/AFP/Arquivo
Pessoas observam de Nova Jersey enquanto a segunda torre do World Trade Center desmorona, cerca de 30 minutos após a primeira vir abaixo em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001
Ray Stubblebine/Reuters/Arquivo
Sobrevivente do 11 de Setembro, Edward Fine cobre a boca enquanto caminha em meio a pó e destroços após a queda de uma das Torres Gêmeas em Nova York
Stan Honda/AFP/Arquivo
Sobrevivente do 11 de Setembro, Marcy Borders caminha coberta de pó ao se refugiar em um escritório após a queda das Torres Gêmeas
Stan Honda/AFP/Arquivo
Exausto, um policial apoia a cabeça na traseira de um carro para descansar após a queda das torres do World Trade Center em 11 de setembro de 2001
Stan Honda/AFP/Arquivo
Homem grita oferecendo ajuda em busca de sobreviventes diante dos escombros do World Trade Center, após o desmoronamento das duas torres no atentado do 11 de Setembro em Nova York
Doug Kanter/AFP/Arquivo
Restos da estrutura do World Trade Center são vistos em meio aos destroços após as duas torres virem abaixo no 11 de Setembro
Alexandre Fuchs/AFP/Arquivo
Resto da folha de um documento queimado é visto em meio ao pó que se acumulou nas ruas em área próxima ao World Trade Center, em Nova York, após o atentado terrorista do 11 de Setembro
Stan Honda/AFP/Arquivo
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Fonte: G1 Mundo

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Investigação põe em dúvida presença de bomba em carro atacado pelos EUA no Afeganistão, diz jornal


Vídeos e relatos obtidos pelo ‘The New York Times’ indicam que motorista acusado de colaborar com o Estado Islâmico não levava explosivos e ainda tinha trabalhado justamente para os EUA recentemente. Ofensiva americana também teria vitimado crianças. Afegãos em frente a casa atingida após um ataque de drone dos Estados Unidos em Cabul, capital do Afeganistão, em 29 de agosto de 2021
Khwaja Tawfiq Sediqi/AP
Uma investigação do jornal “The New York Times” publicada nesta sexta-feira (10) colocou em dúvida a presença de uma bomba do grupo terrorista Estado Islâmico no carro atacado por um drone dos Estados Unidos no Afeganistão em 29 de agosto.
SAIBA MAIS: O que é o Estado Islâmico-Khorasan, que atua no Afeganistão
O jornal ouviu testemunhas e teve acesso a imagens que contestam a versão do governo americano de que havia um explosivo no carro. Na ocasião, as autoridades militares dos EUA alegavam que o veículo levava uma bomba e representava perigo aos americanos que ainda estavam no aeroporto de Cabul, tomado dias antes pelos extremistas do Talibã (relembre no vídeo abaixo).
EUA lançam ataque aéreo contra Estado Islâmico-k no Afeganistão
Na versão oficial dos militares dos EUA, o ataque por drone matou três civis. No entanto, o número de mortos pela operação chegou a 10, incluindo 7 crianças, segundo investigações independentes.Segundo reportagem do jornal americano, os miliares não sabiam exatamente quem estava no carro, mas avaliaram que o veículo era levado por um homem que teria visitado uma base do Estado Islâmico no Afeganistão — o grupo é rival do Talibã, que agora controla o país.
O “New York Times” identificou esse motorista como Zemari Ahmadi, que chegou inclusive a participar de grupos de ajuda comandados pelos EUA. Colegas e familiares negam que esse homem tenha qualquer relação com o Estado Islâmico e dizem ainda que ele gostava dos americanos.
Relembre o ataque
Reprodução de vídeo que mostra fumaça escura em Cabul, em 29 de agosto de 2021
Reprodução
Os Estados Unidos executaram um ataque aéreo com drone contra supostos integrantes do Estado Islâmico na cidade de Cabul, no Afeganistão, em 29 de agosto.
O alvo eram pessoas suspeitas de serem militantes do braço afegão do Estado Islâmico, chamado Estado Islâmico-Khorasan. Um carro que levava um homem-bomba ao aeroporto foi atingido. Segundo o governo americano, explosões secundárias após o ataque provariam que ele levava uma grande quantidade de material explosivo.
O Talibã é inimigo do Estado Islâmico no Afeganistão. Segundo a agência Associated Press, o Talibã confirmou que um ataque dos EUA atingiu um homem-bomba que estava em um carro e que pretendia fazer um atentado no aeroporto de Cabul.

Fonte: G1 Mundo

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Força da união é ‘lição central’ do 11 de Setembro, diz Biden em mensagem


Presidente dos EUA divulgou mensagem na véspera do 20º aniversário de atentados que mataram quase 3 mil pessoas em 2001. ‘A união é o que nos faz sermos o que somos: os EUA em seu melhor’, disse. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante mensagem sobre os atentados de 11 de setembro de 2001
Reprodução/Twitter/PresidentBiden
“Em nosso estado mais vulnerável, no balanço de tudo que nos faz humanos, na batalha pela alma dos EUA, união é nossa maior força”, afirmou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em uma mensagem a parentes e amigos das vítimas dos atentados de 11 de Setembro de 2001, divulgada nesta sexta-feira (10).
No vídeo, com pouco mais de seis minutos, o presidente lembrou as 2.977 pessoas, de mais de 90 países, mortas naquele dia, além dos milhares de feridos, e ofereceu honras “a todos aqueles que arriscaram e deram suas vidas nos minutos, horas, meses e anos seguintes”.
Biden reconheceu que mesmo após duas décadas ainda é muito difícil para “crianças que cresceram sem pais, pais que sofreram sem seus filhos, maridos e esposas tiveram que encontrar caminhos em suas vidas sem seus parceiros”, além de outros parentes e amigos dos que perderam as vidas naquele dia.
Mas ressaltou que a coragem dessas pessoas é inspiradora e disse que, ao redor do mundo, ainda hoje pessoas que sofrem encontram nesses americanos um exemplo e um incentivo para se reerguerem e seguirem adiante também.
O presidente contou ainda a história de seu amigo Davis, que havia perdido um filho de 15 anos no ano 2000, e tinha outro trabalhando no 104º do World Trade Center em 11 de Setembro. Segundo Biden, ao saber que ele faria uma palestra sobre os novos tempos pós-atentado para universitários, Davis deu a ele um recado: “diga para que tenham coragem”.
Sem quebrar
Biden, que era senador em 2001, lembrou do que aconteceu após os atentados e de que era possível ver “heroísmo em todos os lugares. União e resiliência, capacidade de recuperação”.
Outro efeito, lembrou, foi o de que a “geração de 9/11”, como chamou, se apresentou em peso para servir às forças armadas e “mostrar a todos que se você busca ferir os EUA iremos caçá-lo e fazê-lo pagar por isso. E isso nunca vai parar”.
O presidente, porém, recordou também o lado negativo. “Mas também testemunhamos as forças obscuras da natureza humana, ressentimento e violência contra americanos muçulmanos, seguidores verdadeiros e fiéis de uma religião pacífica”, destacou.
“Vimos uma nação unida envergar. E aprendemos que a união é a única coisa que nunca deve se quebrar. A união é o que nos faz sermos o que somos: os EUA em seu melhor. Para mim, esta é a lição central de 11 de setembro: é que em nosso estado mais vulnerável, no balanço de tudo que nos faz humanos, na batalha pela alma dos EUA, união é nossa maior força”, concluiu.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

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Para companhias aéreas, ameaças cibernéticas são o principal temor de segurança atualmente


Medidas estabelecidas em aeroportos e aviões após os atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York limitaram drasticamente o risco de uma ação terrorista presencial. Ataque de 11 de Setembro completa 20 anos. Terroristas sequestraram aviões comerciais para jogá-los contra pontos dos EUA como as Torres Gêmeas, em Nova York
Sean Adair/Reuters/Arquivo
As medidas de segurança estabelecidas em aeroportos e aviões após os atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York limitaram drasticamente o risco de uma ação terrorista. Hoje, contudo, o que mais preocupa as companhias aéreas no quesito segurança são os potenciais ataques cibernéticos.
A blindagem das portas de acesso, o uso de equipamentos sofisticados para detecção de explosivos, o monitoramento de passageiros e o controle mais rígido dos objetos que podem ser levados dentro das aeronaves foram algumas das medidas introduzidas após os atentados.
Em uma nota publicada na última quarta-feira (8), o diretor-geral da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata, na sigla em inglês), Willie Walsh, afirmou que “há mais segurança” nos aviões atualmente.
Memória Globo: 11 de Setembro
FOTOS do Marco Zero antes, durante e depois dos atentados ao WTC
Além disso, mesmo que alguém conseguisse burlar as medidas de segurança e tentasse assumir o controle físico de uma aeronave, “os próprios passageiros, cientes do que ocorreu em 11 de setembro, lutariam”, previu Dan Cutrer, um ex-piloto e especialista em segurança aérea da universidade Embry-Riddle, nos EUA.
Segundo o especialista, agora os novos perigos são invisíveis, como o coronavírus e os ataques cibernéticos.
Estes últimos, na opinião do diretor-geral da Iata, fazem parte dos “riscos emergentes” para a segurança e devem ser monitorados de perto.
Novas portas
Conforme o setor de aviação adota novas tecnologias, desenvolve serviços on-line e oferece conexões wi-fi aos passageiros, novas portas se abrem para a ação dos hackers.
Os especialistas ouvidos pela AFP, no entanto, consideram pouco provável que alguém consiga assumir remotamente o controle de uma aeronave, já que o sistema utilizado para a pilotagem não está conectado ao que é oferecido para gerenciar os utilitários dos passageiros.
Pablo Hernández, pesquisador do instituto Innaxis, especializado em aviação, acredita que a ameaça mais tangível talvez esteja no sistema de que comunicação entre pilotos e controladores aéreos, que não está encriptado. Segundo o especialista, não é muito difícil se intrometer em uma conversa com um bom equipamento de rádio.
Contudo, como a segurança dos voos é prioridade na aviação, os aparelhos sensíveis estão protegidos, garante Hernández.
Por outro lado, os ataques aos sistemas “em terra”, como os que gerenciam reservas de passagens e bagagens, se tornaram mais comuns. Em 2020, um grupo de hackers teve acesso aos dados pessoais de cerca de 9 milhões de clientes da empresa britânica EasyJet.
Apenas no ano passado, o órgão de vigilância de tráfego aéreo Eurocontrol registrou 1.260 ataques desse tipo, principalmente contra companhias aéreas, mas também contra fabricantes, aeroportos, autoridades, etc.
Em média, um agente do setor no mundo é vítima a cada semana de algum tipo de software malicioso, instalado fraudulentamente pelos hackers, que pedem um resgate em dinheiro para desbloquear o sistema ou para não tornar públicas as informações roubadas, acrescentou o Eurocontrol em uma nota publicada no início de julho.
VÍDEO: Ransomware – entenda como vírus é usado em extorsões
Dinheiro e espionagem
Para Deneen DeFiore, chefe de segurança cibernética da companhia United Airlines, o risco mais temido é um ciberataque que “atrapalhe as operações”.
“Na aviação, não há tempo perdido”, afirmou DeFiore à AFP. Os aviões estão em constante movimento em todo o mundo e qualquer avaria pode gerar um problema em cascata.
Além disso, o risco aumenta com o uso crescente de softwares para realização de transações financeiras, gerenciamento de dados e de planejamento para o consumo de combustíveis.
A grande maioria dos hackers parecem agir motivados pelo dinheiro, que podem ganhar “hackeando” dados bancários, vendendo dados pessoais ou exigindo um resgate.
Por outro lado, devido às muitas informações disponíveis sobre os passageiros, como nomes e históricos de viagens, alguns países pode se sentir tentados a realizar ações de de espionagem, opinou Katelyn Bailey, especialista da empresa de cibersegurança FireEye.
Contudo, a existência de um centro para compartilhar informações e análises dedicadas à cibersegurança na aviação (Aviation ISAC, em inglês) desde 2014 tem proporcionado uma ajuda inestimável para as companhias, opina Deneen DeFiore.
Para ela, os riscos cibernéticos representam uma nova realidade que deve ser levada em conta, desde os responsáveis pela segurança aérea às equipes de manutenção.

Fonte: G1 Mundo

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Influenciadora que não se vacinou contra a Covid grava vídeo antes de morrer: ‘Vá se vacinar’


Americana alegou que ‘queria pesquisar mais’ sobre os imunizantes, embora todos os estudos sobre as vacinas disponíveis nos EUA tenham atestado segurança e eficácia. Megan Alexandra Blankenbiller, tiktoker não vacinada que gravou vídeo antes de morrer pedindo que as pessoas se vacinem
Tiktok/Reprodução
A influenciadora americana Megan Alexandra Blankenbiller publicou um vídeo na rede social TikTok dias antes de morrer por Covid-19 pedindo, do hospital, que as pessoas se vacinem contra a doença.
Ela não havia tomado a vacinada contra o coronavírus porque alegava que queria “pesquisar mais” sobre os imunizantes. O vídeo foi ao ar em 15 de agosto, e Blankenbiller morreu nove dias depois, aos 31 anos.
“Eu não sou anti-vacina! Eu apenas queria pesquisar mais por mim mesma. Estava assustada e queria que eu e minha família pesquisássemos ao mesmo tempo”, disse a tiktoker na postagem gravada do leito de um hospital nos Estados Unidos.
Todos os imunizantes aprovados nos EUA e no Brasil têm eficácia e segurança atestada por estudos científicos e aprovados por agências reguladoras como a Anvisa, no caso do Brasil.
“Não espere, vá se vacinar. Porque, se você pegar o vírus, você não terminará no hospital como eu”, disse Blankenbiller.
EUA veem adesão baixa às vacinas
Posto de vacinação em Birmingham, Alabama (EUA), relativamente vazio, em maio de 2021
Jay Reeves/AP Photo
A tiktoker vivia em Jacksonville, na Flórida — estado que vem batendo recordes de casos e mortes por Covid-19 atribuídos à baixa adesão ao programa de imunização.
Os Estados Unidos, que têm uma enorme oferta de vacinas contra o coronavírus, viram o aceleradíssimo ritmo de vacinação no primeiro semestre terminar com a chegada do verão. A queda é atribuída às pessoas que não se vacinam por opção — o percentual da população completamente vacinada estagnou-se em torno dos 55%.
Com isso, os EUA assistem a um ressurgimento das epidemias de Covid-19 principalmente nos estados com menor cobertura vacinal.
Por causa disso, o governo de Joe Biden ordenou na quinta (9) vacinas ou testes de Covid semanais a todas as empresas com mais de 100 funcionários.
As empresas devem “se assegurar de que sua força de trabalho esteja completamente vacinada ou exigir dos trabalhadores que não se vacinarem que obtenham um teste com resultado negativo pelo menos uma vez por semana”, afirmou.

Fonte: G1 Mundo

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Recuo de Bolsonaro, troca de noivo em casamento e sexo em flutuante: os vídeos mais vistos da semana


Veja as imagens que impactaram o Brasil e o mundo na semana de 6 a 10 de setembro. Veja as imagens que impactaram o Brasil e o mundo na semana de 6 a 10 de setembro.

Fonte: G1 Mundo

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Bandeira Talibã é pintada na antiga Embaixada dos EUA em Cabul


Antes de os extremistas tomarem o Afeganistão, mural tinha imagens de George Floyd. Símbolo branco tem inscrito, em preto, uma frase de profissão de fé islâmica. Bandeira Talibã é pintada na antiga embaixada dos EUA em Cabul
A bandeira do Talibã foi vista nesta semana pintada nos muros da antiga Embaixada dos Estados Unidos em Cabul, capital do Afeganistão. Assista ao VÍDEO acima.
A bandeira do Talibã foi vista ne pintada nos muros da antiga Embaixada dos Estados Unidos em Cabul, capital do Afeganistão. o morto nos EUA durante abordagem policial em 2020 — e de Tetsu Nakamura, um cidadão japonês morto em 2019.
Com o avanço do Talibã sobre Cabul em agosto, o corpo diplomático dos EUA foi rapidamente retirado do Afeganistão, e o prédio onde funcionava a Embaixada americana ficou esvaziado.
Segundo testemunhas ouvidas pela agência Ruptly, bandeiras do Talibã estão agora espalhadas pela capital do Afeganistão.
“Antes, havia murais com imagens das vacinas, dos mártires, e isso deixava as pessoas tristes. É bom que agora vemos as palavras ‘Não há outro deus senão Alá, e Maomé é seu profeta’ [trecho inscrito na bandeira Talibã]”, disse um apoiador do grupo extremista.
Significado da bandeira Talibã
Homens ajustam a bandeira do Talibã antes da entrevista coletiva de um porta-voz do Talibã, em Cabul, em 17 de agosto de 2021
Hoshang Hashimi / AFP
A bandeira talibã é branca com dizeres em árabe. A transliteração soa como La Illaha Ila Allah Muhamad Rasulu Allah —em português, isso significa: “Não há outra divindade além de Deus, e Maomé é seu profeta”.
O que está escrito na bandeira talibã?
Esse dizer é conhecido como Shahada, ou declaração de fé no Islã. É a principal prece da religião.
A declaração de fé é um dos cinco pilares do islamismo (além dela, há a peregrinação a Meca, conhecida como Hajj, as orações, o jejum e a prática de contribuir com esmolas).
Essa inscrição em árabe — que não é o idioma nativo dos afegãos — também está na bandeira do Afeganistão, no alto do brasão oficial do país.
A Shahada também aparece na bandeira da Arábia Saudita, que é verde e tem a imagem de uma espada.

Fonte: G1 Mundo