Categorias
MUNDO

Como ‘mentor’ dos ataques do 11 de Setembro escapou por 8 anos do FBI


Será que o homem acusado de tramar o complô para levar aviões até marcos dos EUA há 20 anos podia ter sido detido? Mohammed em um tribunal em 2012
Reuters via BBC
O homem acusado de arquitetar a conspiração com aviões de passageiros sequestrados atingindo locais icônicos dos Estados Unidos há 20 anos está preso aguardando julgamento. Uma pergunta que ainda não foi respondida é: ele poderia ter sido detido antes dos ataques?
“Ele era meu cara.”
Frank Pellegrino estava sentado em um quarto de hotel na Malásia quando viu as imagens na televisão dos aviões colidindo com as Torres Gêmeas. A primeira coisa que ele pensou foi: “Meu Deus, deve ser Khalid Sheikh Mohammed”.
O alvo e as ambições fechavam com o que Pellegrino sabia de Mohammed — e só ele poderia saber isso.
O ex-agente especial do FBI passou três décadas no rastro de Mohammed. Mesmo assim, o suposto mentor do 11 de Setembro ainda não foi julgado.
Um advogado de Mohammed disse à BBC que pode levar mais 20 anos até que o caso seja concluído.
O presidente Bush com bombeiros nos escombros dias após o ataque
Getty Images via BBC
Osama Bin Laden, na época líder da Al-Qaeda, é geralmente o homem mais associado aos ataques de 11 de setembro. Mas a realidade é que Mohammed, ou “KSM” como ficou conhecido, foi o “arquiteto principal”, de acordo com a Comissão do 11 de Setembro que investigou os ataques. Ele foi o homem que teve a ideia e a levou à Al-Qaeda.
Nascido no Kuwait, ele estudou nos EUA antes de lutar no Afeganistão na década de 1980. Anos antes do ataque de 11 de setembro, o agente do FBI Frank Pellegrino estava no rastro do jihadista.
Veja bastidores da cobertura dos atentados de 11 de setembro
Pellegrino havia sido designado pelo FBI para investigar o atentado ao World Trade Center em 1993, oito anos antes do 11 de Setembro. Foi nessa ocasião que o nome de Mohammed chamou a atenção das autoridades dos EUA, porque ele havia feito uma transferência de dinheiro para um dos envolvidos.
O agente do FBI logo percebeu o tamanho da ambição de Mohammed em 1995, quando KSM foi ligado a uma conspiração para explodir vários aviões internacionais sobre o Pacífico. Em meados da década de 1990, Pellegrino esteve perto de prendê-lo, tendo o localizado no Catar.
Ele e uma equipe foram para Omã, de onde planejavam cruzar para o Catar e prender Mohammed. Um avião estava pronto para trazer o suspeito de volta. Mas houve resistência por parte dos diplomatas americanos no local.
Pellegrino foi ao Catar e disse ao embaixador e a outros funcionários da embaixada que tinha uma acusação formal contra Mohammed por conspiração envolvendo aviões. Mas ele diz que os diplomatas não queriam causar problemas no país.
“Acho que eles pensaram que talvez isso fosse trazer incômodos para eles”, lembra Pellegrino.
Pellegrino em 1987 e em 2020
Pellegrino em 1987 e em 2020
Por fim, o embaixador informou a Pellegrino que as autoridades do Catar alegaram ter perdido Mohammed. “Havia angústia, raiva e frustração”, diz ele. “Sabíamos que era uma oportunidade perdida.”
Mas ele reconhece que já em meados dos anos 90 Mohammed não era mais visto como um alvo de alta prioridade. Pellegrino não conseguiu sequer listá-lo na lista dos dez criminosos mais procurados dos EUA.
“Me disseram que já havia muitos terroristas lá dentro.”
Mohammed parece ter sido avisado sobre o interesse dos EUA e fugiu do Catar para o Afeganistão.
Mais suspeitas
O atentado ao World Trade Center de 1993 matou seis e feriu mais de mil
Getty Images via BBC
Nos anos seguintes, o nome de KSM continuou aparecendo, muitas vezes em listas telefônicas de suspeitos de terrorismo presos em todo o mundo, deixando claro que ele estava bem conectado. Foi durante esses anos que ele foi a Bin Laden com a ideia de treinar pilotos para jogar aviões contra edifícios nos EUA.
E então o 11 de Setembro aconteceu. As suspeitas de Pellegrino sobre o papel de KSM foram comprovadas quando uma figura-chave da Al-Qaeda sob custódia o identificou. “Todo mundo percebeu que foi o cara de Frank que cometeu [o atentado]”, lembra Pellegrino. “Quando descobriram que ele era o cara, não havia ninguém mais arrasado do que eu.”
Em 2003, Mohammed foi localizado e preso no Paquistão. Pellegrino esperava que ele fosse julgado como consequência de seu trabalho ao longo dos anos. Mas Mohammed “desapareceu”. A CIA o levou a um lugar desconhecido onde “técnicas aprimoradas de interrogatório” foram usadas.
“Quero saber o que ele sabe e quero saber rápido”, disse um alto funcionário da CIA na época.
Informações reveladas por Mohammed levaram a uma busca por Bin Laden na fronteira com o Paquistão
Getty Images via BBC
Mohammed foi submetido a uma técnica chamada waterboarding pelo menos 183 vezes, uma espécie de “quase afogamento”, considerado tortura. Ele foi submetido a reidratação retal, posições de estresse, privação de sono, nudez forçada e ouviu que seus filhos seriam mortos.
Ele confessou várias conspirações durante esse tempo. Mas um relatório do Senado descobriu posteriormente que grande parte da inteligência supostamente produzida havia sido inventada pelo detido.
Depois que detalhes do programa de detenção da CIA foram revelados, “presos de alto valor” como Mohammed foram transferidos para Guantánamo em 2006. O FBI finalmente teve acesso permitido aos presos.
Em janeiro de 2007, Frank Pellegrino ficou cara a cara com o homem que ele havia perseguido por tanto tempo.
Os dois sentaram-se frente a frente um do outro.
“Eu queria que ele soubesse que estive envolvido em indiciá-lo nos anos 90”, diz ele, na esperança de abrir a conversa para extrair informações sobre o 11 de setembro.
O ex-agente do FBI não quis revelar os detalhes do que foi dito, mas admitiu que “ele é um cara muito envolvente com senso de humor, acredite ou não”.
KSM sempre foi visto como “arrogante” em audiências em Guantánamo. Pellegrino diz que Mohammed é uma espécie de “Kardashian”, dado seu desejo por atenção, mas que o preso não demonstra nenhum remorso.
“Eu tenho certeza que ele está contente com o que fez, mas ele gosta desse show todo”, diz ele.
Depois de seis dias de conversa, Mohammed finalmente disse que não aguentava mais. “E foi isso”, lembra Pellegrino.
Tentativas subsequentes de se julgá-lo fracassaram. Um plano para realizar um julgamento em Nova York recebeu oposição do público e de políticos. “Todo mundo gritava ‘Não quero esse cara no meu quintal. Mantenha-o em Guantánamo'”, disse Pellegrino, ele próprio um nova-iorquino.
Em seguida, veio um tribunal militar em Guantánamo. Mas os atrasos nos procedimentos, agravados pela pandemia de covid, que fechou a base, tornaram o processo demorado. Mais audiências ainda estão ocorrendo esta semana, mas o fim do caso parece muito distante.
O advogado de Mohammed acredita que as últimas audiências foram programadas apenas para mostrar à imprensa que algo está acontecendo no 20º aniversário do 11 de Setembro. David Nevin disse à BBC que ainda espera “algo na ordem de 20 anos para uma resolução completa do processo”.
Informações reveladas por Mohammed levaram a uma busca por Bin Laden na fronteira com o Paquistão
Getty Images via BBC
O advogado de defesa está no caso desde o início em 2008. O plano original era começar os julgamentos quase imediatamente. Mas eles ainda não estão nem perto de começar, diz ele, observando que um juiz recém-nomeado é “o oitavo ou nono juiz que tivemos”.
Cada juiz precisa se familiarizar com cerca de 35 mil páginas de transcrições de audiências anteriores e milhares de moções no que Nevin descreve como “o maior julgamento criminal da história dos EUA”.
E também o mais polêmico.
Isso ocorre principalmente porque os cinco réus foram todos mantidos em detenção secreta pela CIA e submetidos a “técnicas avançadas de interrogatório”.
Isso levou a discussões sobre provas contaminadas pelo que aconteceu nos sites secretos da CIA.
Camp Justice, em Guantánamo, onde algumas das primeiras audiências ocorreram
Getty Images via BBC
Os EUA “organizaram e implementaram um programa claramente definido para torturar esses homens”, disse Nevin. Esses métodos abrem espaço para recursos judiciais contra quaisquer condenações, e isso se arrasta por anos.
Nevin não revelou detalhes de como é representar um dos réus mais notórios do mundo. Ele diz que inicialmente seu cliente estava “profundamente cético” em ser representado por um advogado americano, então houve um longo processo para eles se conhecerem.
Quando Mohammed ficou detido em uma parte ultrassecreta da base naval, os advogados foram colocados em uma van com as janelas fechadas e andaram de carro por 45 minutos apenas para despistá-los, diz ele. Mas agora seu cliente está detido em um local normal.
A equipe jurídica está atenta às sensibilidades das famílias das vítimas do 11 de setembro, que foram levadas de avião para comparecer às audiências do tribunal. Nas reuniões, alguns familiares criticam advogados como Nevin por representarem os réus. Mas outros fazem perguntas sobre como funciona o processo.
“Trabalhamos muito duro para não fazer nada que exacerbe a dor e o sofrimento que eles experimentaram ao longo dos anos”, disse Nevin.
Outra razão pela qual ele acredita que o tribunal se arrastou é porque se trata de um caso de pena de morte e isso aumenta o rigor. “Teria acabado há muito tempo se o governo não estivesse tentando executar esses homens.”
Pellegrino adiou sua aposentadoria do FBI em três anos, na esperança de que o julgamento militar em Guantánamo, no qual ele espera testemunhar, seja concluído. “Teria sido bom ver isso passar enquanto eu ainda tinha o distintivo.”
Mas o veterano agente especial atingiu a idade de aposentadoria e acaba de deixar o bureau.
Depois de cruzar o mundo em busca de pistas sobre Mohammed, ele agora sente uma forte sensação de fracasso, imaginando se capturá-lo na década de 1990 poderia ter evitado o 11 de setembro.
“O nome dele surge na minha cabeça todos os dias e não é um pensamento agradável”, diz ele.
“O tempo ajuda a curar as coisas. Mas é o que é.”

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Incêndio em hospital na Macedônia do Norte deixa mortos; unidade atendia pacientes com Covid-19


Causas do fogo estão sob investigação, segundo o Ministério da Saúde macedônio. Pessoas acompanham resgate em hospital que sofreu incêndio em Tetovo, na Macedônia do Norte, nesta quarta (8)
Ognen Teofilovski/Reuters
Um incêndio em um hospital para pacientes de Covid-19 na Macedônia do Norte deixou 10 mortos nesta quarta-feira (8), informou o Ministério da Saúde local.
O fogo começou em uma clínica para a Covid-19 em Tetovo, noroeste do país, escreveu no Twitter o ministro da Saúde, Venko Filipice. Por enquanto são desconhecidas as causas do incêndio.
“Um terrível acidente ocorreu em Tetovo, que custou muitas vidas”, informou ministro. “Até o momento, dez pessoas foram confirmadas como mortas, mas o número poder subir”, acrescentou.
RELEMBRE OUTROS CASOS:
Fogo em hospital que trata pacientes de coronavírus no Iraque deixou mortos em julho
Na Índia, 18 morreram em incêndio que atingiu em maio ala para Covid-19
Rússia também sofreu com fogo em hospital para pacientes da pandemia; relembre
O incêndio foi reportado por volta das 16h (de Brasília) aos bombeiros, que disseram ter conseguido controlá-lo em 45 minutos.
Fogo em hospital na Macedônia do Norte – MAPA
G1 Mundo
Coronavírus na Macedônia do Norte
A Macedônia do Norte, com dois milhões de habitantes e frágeis serviços de saúde, registrou recentemente um aumento no número de contágios pelo coronavírus, com cerca de 30 mortes diárias. No total, a pandemia deixou mais de 6.100 mortos no país.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

COI diz que ajudou atletas do Afeganistão a deixarem o país após Talibã tomar poder


Autoridade olímpica internacional diz que atletas afegãos que competiram em Tóquio estão em segurança, fora do território tomado pelos extremistas. Além dos competidores, cerca de 100 pessoas ligadas ao esporte conseguiram vistos humanitários. Presidente do COI, Thomas Bach, durante reunião em Lausanne nesta quarta (8)
Philippe Woods/IOC/Handout via Reuters
O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, anunciou nesta quarta-feira (8) que cerca de 100 pessoas envolvidas com as Olimpíadas no Afeganistão foram retiradas do país com vistos humanitários após o grupo extremista Talibã tomar o controle do território.
Entre essas pessoas que o COI ajudou a retirar do solo afegão, estão atletas que disputaram os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio. Também integram a lista dois competidores que tentam uma vaga nas Olimpíadas de Inverno de 2022, que será disputada em Pequim.
Segundo Bach, houve uma atenção especial a meninas e a mulheres — nesta semana, um líder do Talibã disse que proibiria a prática esportiva feminina no Afeganistão (leia mais no fim da reportagem).
Representante da Acnur desfila com bandeira do Afeganistão na abertura dos Jogos Paralímpicos de Tóquio
Reuters/Marko Djurica
O Talibã tomou a capital do Afeganistão, Cabul, na semana seguinte ao encerramento dos Jogos Olímpicos e às vésperas dos Paralímpicos. Assim, os atletas do país não participariam das Paralimpíadas — na abertura, um representante do Alto Comissariado da ONU para Refugiados levou a bandeira afegã.
Porém, o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês), conseguiu retirar com segurança os competidores que estavam classificados, garantindo, assim, a presença de afegãos em Tóquio.
Mulheres afegãs fora do esporte
O que esperar do futuro das mulheres no Afeganistão?
As mulheres serão proibidas de praticar esportes no Afeganistão, afirmou um dos líderes culturais do Talibã, Ahmadullah Wasiq, em uma entrevista a uma rede de TV da Austrália, a SBS.
Segundo Wasiq, esporte feminino é algo inapropriado e desnecessário. Ele falou especificamente sobre o críquete, que é muito praticado naquela região da Ásia.
“Eu não acho que não será permitido às mulheres jogar críquete, porque não é necessário que as mulheres joguem críquete. No críquete, elas podem estar em situações em que o rosto e o corpo delas não estejam cobertos, e o Islã não permite que elas sejam vistas dessa forma”, afirmou ele.
“Essa é a era da mídia, haverá fotos e vídeos [de mulheres praticando esportes], e as pessoas poderão assistir. O Islã e o Emirado Islâmico (a forma como o Talibã se refere ao próprio regime) não permitem que as mulheres joguem críquete ou os esportes em que elas ficam expostas”, afirmou ele, segundo o jornal “The Guardian”.
Initial plugin text

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Inquilino abandona cobra e tarântulas ao se mudar de casa nos Estados Unidos


Proprietário chamou especialista em resgates, que conseguiu salvar uma píton-real, não venenosa, e 15 tarântulas; quatro aranhas já estavam mortas. Animais – cuja criação é proibida no estado do Maine – haviam sido deixados sem água. Uma das tarântulas encontradas na casa desocupada em Auburn, nos EUA
Reprodução/Facebook/Drew Desjardins
Ao entrar em uma casa recém-desocupada por um inquilino, no início deste mês, em Auburn, no estado do Maine, nos Estados Unidos, o proprietário descobriu que o homem havia deixado para trás seus animais de estimação: quase 20 tarântulas e uma cobra.
Uma das tarântulas encontradas na casa desocupada em Auburn, nos EUA
Reprodução/Facebook/Drew Desjardins
Ilegais no estado, os animais foram abandonados em péssimas condições, sem água, e quatro aranhas já estavam mortas quando o especialista em resgates Drew Desjardins chegou à residência.
Uma das tarântulas encontradas na casa desocupada em Auburn, nos EUA
Reprodução/Facebook/Drew Desjardins
Desjardins conseguiu retirar 15 tarântulas vivas e a cobra, uma píton-real, não venenosa. Ele levou os animais para sua própria casa até que eles sejam relocados para um local apropriado.
As cobras e aranhas encontradas na casa desocupada em Auburn, nos EUA
Reprodução/Facebook/Drew Desjardins
A agência Associated Press não conseguiu informações sobre o paradeiro do antigo locatário ou se a polícia estava à sua procura.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

‘Frase de Keith Richards me revelou que sobreviveria’, diz brasileiro sobre atentado que vai a julgamento em Paris


Vários números tornam esse julgamento um dos maiores já realizados na França. Além das 1,8 mil partes interessadas e seus mais de 300 advogados, o dossiê com relatórios de investigações, testemunhos e perícias possui 542 volumes, totalizando cerca de 1 milhão de páginas. Arquiteto brasileiro Gabriel Sepe Camargo sobreviveu ao ataque terrorista em 2015, em Paris
Gabriel Sepe Camargo/Acervo pessoal
Depois de levar um tiro no pulmão que por muito pouco não o deixou paraplégico e outro na perna que “estraçalhou” a tíbia, no restaurante Le Petit Cambodge, em Paris, um dos alvos da onda de atentados na capital da França em 13 de novembro de 2015, o arquiteto brasileiro Gabriel Sepe Camargo achou que iria morrer.
Deitado no asfalto, ele conta que pensou na avó e na mãe e depois se lembrou de uma frase do livro “Vida”, do guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, sobre o corpo continuar a funcionar independentemente do que sua mente acha. Ele conta que foi aí que disse a si mesmo que iria sobreviver e se tranquilizou.
Quase seis anos após a tragédia que matou 130 pessoas e deixou centenas de feridos (nos atentados na casa de shows Bataclan, em bares e restaurantes da capital francesa e no Stade France), Sepe é uma das cerca de 1,8 mil partes interessadas (entre vítimas e parentes) no julgamento.
Com 20 acusados pelos ataques, o julgamento que começou nesta quarta-feira (8) é considerado “histórico” na França e deve durar cerca de nove meses (veja no vídeo abaixo).
França reforça segurança para julgamento dos acusados pelos atentados de Paris de 2015
A inclusão de Sepe no processo foi feita de forma automática por um fundo de assistência às vítimas de atentados terroristas na França.
Na primeira entrevista à imprensa desde os atentados, o arquiteto disse à BBC News Brasil que não espera uma compensação individual nesse julgamento. Ele avalia que o processo judicial é importante para as pessoas que perderam familiares e amigos obterem um encerramento de todo esse período.
Para ele, o que está em jogo no julgamento é o “ato último” que leva uma pessoa envolvida em extremismos na internet a pegar armas e sair atirando. As investigações revelaram que autores dos ataques assistiam regularmente a vídeos do Estado Islâmico e integraram a organização, fazendo inclusive viagens à Síria.
Entre os 20 acusados, há o único sobrevivente dos grupos que atacaram diversos locais em Paris e o Stade de France: o franco-belga Salah Abdeslam, que abandonou seu cinturão de explosivos na periferia da capital e conseguiu fugir para Bruxelas, onde foi detido em 2016 e entregue às autoridades francesas.
Os demais são acusados de cumplicidade. Eles participaram da logística (esconderijos, transporte, armas, fabricação de bombas) ou do financiamento dos ataques. Seis deles serão julgados à revelia, sendo que cinco são tidos como mortos. As penas vão de seis anos de detenção à prisão perpétua, como no caso de Abdeslam e dez outros acusados.
Não há expectativa de que Abdeslam, que completará 32 anos na próxima semana, responda algo durante o julgamento. Nos últimos anos, ele tem se mantido calado sobre sua implicação nos atentados. Detido em 2016 na periferia de Paris, ele é vigiado por câmeras 24 horas por dia para evitar um eventual suicídio.
“Falar seria uma concessão à sociedade que ele quer destruir”, avalia Sepe.
O fato de considerar que foi vítima de uma violência aleatória, em que ele não era um alvo premeditado, garante ao arquiteto paulista de 35 anos mais tranquilidade em relação ao drama.
Na época do atentado, aos 29 anos, ele tinha feito poucas viagens internacionais e estava apenas de passagem por Paris. Seu destino era Valência, na Espanha, onde apresentaria um projeto de arquitetura na Fundação Le Corbusier.
Sepe estava à mesa no Le Petit Cambodge – no 10° distrito de Paris, uma área popular e de imigrantes repleta de bares e restaurantes – com sete outras pessoas (seis brasileiros e um francês).
Ele conta que o que mais o impressionou foi descobrir a dimensão de seus ferimentos após as cirurgias na perna e para a retirada de um dos lóbulos do pulmão direito.
“Foi aí que entendi o que aconteceu e me emocionei. A enfermeira me levantou para cuidar do ferimento nas costas e vi um corte em diagonal sobre a coluna. Foi por pouco que não fiquei paraplégico.”
O arquiteto avalia que, em meio à tragédia, teve sucessivas “sortes”: o pulmão direito baleado tem três lóbulos, enquanto o esquerdo tem apenas dois, e a bala não pegou a coluna por uma curta distância.
Muito ferido, ele quase foi deixado de lado na triagem feita pelas equipes de socorro no local, que estavam dando prioridade para levar ao hospital às pessoas que tinham mais chances de sobreviver. “Um médico disse que tinham de me levar porque ainda dava (para salvar)”, diz Sepe, se baseando em relatos que ouviu de amigos presentes.
O arquiteto conta que entendeu imediatamente que se tratava de um atentado terrorista e não de um ato de violência urbana, como um assalto. “O grau de violência, o som das metralhadoras, não era algo normal”, afirma.
Ele ouviu os tiros, saiu correndo e caiu baleado, consciente. Ele teve a impressão de ficar ali 15 minutos, mas segundo pessoas presentes foram mais de 40. Ele se lembra de sua chegada ao hospital e até dos azulejos nas paredes.
Processo de recuperação
Sepe ficou 40 dias hospitalizado na França, sendo cerca de duas semanas em um serviço de pneumologia. Depois foi transferido para um asilo de idosos. “Foi uma experiência curiosa. Eu me senti como no filme Um Estranho no Ninho.”
Seu progressivo processo de recuperação levou um ano, o que acabou provocando uma interrupção temporária de suas atividades profissionais e acadêmicas. Na época, ele havia acabado de abrir seu próprio escritório de arquitetura e diz que fez questão de continuar morando sozinho, sendo monitorado pela família. “Estava independente e de repente regredi.”
Sepe afirma que não tem sequelas e que leva uma vida normal. Ele diz que não tem dificuldades para caminhar nem respirar, mas ressalta que às vezes sente cansaço.
O arquiteto diz ainda não ter visto a dimensão da violência do ataque que matou 12 pessoas no restaurante asiático, situado na área do Canal Saint-Martin, a poucos metros de um hospital. Apesar de saber que tinha sido baleado e estar consciente, sua percepção, atenuada com o passar do tempo, estava concentrada nele mesmo e não no que ocorria ao seu redor. “Não vi o que aconteceu depois dos tiros. Quem não ficou ferido viu cenas piores, pessoas sangrando, casais mortos”, afirma.
É o caso da brasileira Amanda Antunes, que também estava no Le Petit Cambodge – a única do grupo que reside em Paris. Na época recém-chegada à capital francesa, ela conta que durante um tempo viveu com medo de descobrir as coisas na cidade. Ela também afirma ter tido pesadelos durante meses.
“Parecia que eu estava em um filme de ficção. Nada fazia sentido. Não podia ser real. São cenas que nunca imaginamos”, conta, acrescentando que depois as situações de medo foram passando, apesar de alguns sobressaltos quando ouvia barulhos diferentes.
Amanda, que realiza cenografias de exposições, também é uma das partes interessadas no julgamento dos atentados que começa nesta quarta. Segundo ela, essa participação faz sentido por conta da dimensão coletiva do processo. “Nada consegue substituir o fato de ter vivido isso. Mas é uma maneira de dar voz às vítimas, de permitir que elas sejam ouvidas”.
Ela diz estar vivendo o início do julgamento de maneira distante. Mas como mora na França, ouve diariamente notícias a respeito, o que traz de volta algumas cenas e provoca emoções, que ela diz conseguir “filtrar”.
Diferentemente de Sepe, Amanda afirma não ter entendido na hora que se tratava de um ataque terrorista. “Achei que era um acerto de contas entre criminosos”, diz ela.
Isso não a impediu de reagir rapidamente aos disparos. “Derrubei a mesa, me joguei no chão e me arrastei para dentro do restaurante. Protegi minha cabeça com as mãos logo que começaram os disparos. Eu ouvia pessoas se perguntando o que estava acontecendo, mas eu já estava deitada”, relembra. Seu grande temor no momento era que os três atiradores entrassem no restaurante, o que não ocorreu.
Sala especial
Vários números tornam esse julgamento um dos maiores já realizados na França. Além das 1,8 mil partes interessadas (vítimas ou parentes de pessoas mortas) e seus mais de 300 advogados – cujos honorários são pagos pelo Estado francês em casos de terrorismo -, o dossiê com relatórios de investigações, testemunhos e perícias possui 542 volumes, totalizando cerca de 1 milhão de páginas.
O julgamento é considerado “histórico” também em razão da organização das audiências. Uma sala dentro do Tribunal de Justiça foi construída especialmente para a ocasião, com capacidade para 550 lugares. Ela custou 8 milhões de euros.
Um canal de radio pela internet, com sistema de segurança, foi criado para permitir às vítimas que não podem comparecer assistir aos debates à distância. A medida custou 250 mil euros.
A duração de nove meses do julgamento, que será integralmente filmado, também é considerada excepcional.
Ele ocorrerá sob forte esquema de segurança. Os acusados serão escoltados em furgões blindados com o apoio de um helicóptero. Eles não serão julgados por um júri popular, e sim por juízes.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Vídeo: o que é a ‘luz do apocalipse’ que apareceu durante o terremoto do México?


Hipótese mais aceita é a de que fricção entre rochas cause uma atividade elétrica. Luzes surgem durante terremoto no México
Um fenômeno de luz natural raro foi observado no México durante o terremoto que atingiu o país na noite de terça-feira (7): ocorrem flashes de luz durante a noite.
Usuários de redes sociais publicaram vídeos do fenômeno, e falou-se, de maneira lúdica, da possibilidade de apocalipse.
Em Acapulco, que foi atingida fortemente pelo terremoto, os flashes começam pouco depois do tremor de terra. Em um momento, a luz parece iluminar os prédios da orla da cidade.
Pessoas com medo após terremoto na Cidade do México
Luis Cortes / Reuters
É comum que luzes estranhas surjam durante terremotos. Não há muito consenso científico sobre o que causa os flashes —aliás, nem mesmo se, de fato, é algo que ocorre sempre em terremotos.
Uma hipótese é que há atividade elétrica causada pela fricção entre rochas. E há quem diga que são luzes mais comuns, do cotidiano.
Terremoto no México causa prejuízos
A luz de descarga elétrica não é muito diferente dos raios no céu —esses são resultado de acumulação de carga elétrica nas nuvens.
No caso da luz de terremotos, o flash é resultado do movimento de rochas em camadas do solo, que geram cargas elétricas quando acontecem perto de falhas geológicas da Terra.
Há documentação desse fenômeno desde os anos 1600, de acordo com um comunicado da Associação Sismológica dos Estados Unidos.
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

11 de setembro: as 2 causas científicas para queda das torres do World Trade Center


A colisão de dois aviões contra os edifícios mais altos de Nova York foi o início de uma sequência de horror que reduziu os icônicos prédios a escombros. Imagem captura momento em que um dos aviões Boeing 767 colidiu com as Torres Gêmeas em 11 de setembro
Getty Images via BBC
Em 11 de setembro de 2001, dois aviões Boeing 767 colidiram com as Torres Gêmeas, que com seus 110 andares eram os edifícios mais altos de Nova York.
O primeiro avião atingiu a Torre Norte às 8:45 da manhã. O prédio pegou fogo durante 102 minutos e depois, às 10:28 da manhã, ele entrou em colapso, desabando em apenas 11 segundos.
Dezoito minutos após o primeiro acidente, às 9h03, o segundo avião atingiu a Torre Sul. O arranha-céu resistiu às chamas por 56 minutos, e depois, às 9h59, desabou em 9 segundos.
“Depois do incrível barulho do prédio desabando, em poucos segundos tudo ficou mais escuro que a noite, sem som, e eu não conseguia respirar”, lembra Bruno Dellinger, sobrevivente que trabalhava no 47º andar da Torre Norte.
“Eu estava convencido de que tinha morrido, porque o cérebro não pode processar algo assim”, disse Dellinger em seu depoimento compartilhado pelo Memorial e Museu do 11 de Setembro em Nova York.
O saldo foi de 2.606 mortos.
Por que as torres caíram?
Imediatamente após os ataques, o engenheiro civil Eduardo Kausel, professor emérito do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), liderou uma série de estudos e publicações em que especialistas do MIT analisaram as causas dos colapsos de um ponto de vista estrutural, de engenharia e arquitetônico.
A resposta de Kausel contém uma série de fenômenos físicos e químicos que desencadearam uma catástrofe que ninguém, naquela época, era capaz de imaginar.
Cenas inéditas mostram o 11 de setembro sob o olhar de pessoas comuns
Combinação fatal
Os estudos do MIT, publicados em 2002, coincidem amplamente com as conclusões do relatório de que o governo dos EUA encomendou ao Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (Nist) para descobrir por que as torres caíram, e cuja versão final foi publicada em 2008.
Tanto o MIT quanto o Nist concluem que as torres entraram em colapso principalmente devido a uma combinação de dois fatores: os graves danos estruturais causados ​​pelas colisões de aeronaves em cada edifício e a cadeia de incêndios que se espalhou por vários andares.
“Se não houvesse fogo, os prédios não teriam desabado”, diz Kausel. “E se tivesse havido apenas um incêndio, sem os danos estruturais, eles também não teriam desabado.”
“As torres demonstraram muita resistência”, diz o engenheiro.
Veja também:
Biden é pressionado por famílias de vítimas do 11 de Setembro, que não o querem nas homenagens do 20º aniversário dos atentados
Talibã ganhou atenção internacional após ataques de 11 de setembro; entenda
O relatório do Nist, por sua vez, afirma que há documentos oficiais que indicam que as torres foram projetadas para suportar o impacto de um Boeing 707, que era o maior avião comercial existente à época de seu projeto.
Os pesquisadores, no entanto, alertam que não encontraram nenhuma informação sobre os critérios e métodos usados ​​para chegar a essa conclusão.
O que está claro é que, juntos, o impacto e o incêndio produziram um resultado devastador: o colapso das duas torres.
Como as torres foram construídas
As Torres Gêmeas tiveram um projeto que era o padrão na década de 1960, quando começaram a ser construídas.
Cada edifício tinha um núcleo vertical de aço e concreto no centro que abrigava os elevadores e as escadas.
Cada andar era formado por uma série de vigas de aço (horizontais) que partiam desse núcleo e se conectavam com colunas de aço (verticais) para formar as paredes externas do edifício.
Estudo aponta que o ataque terrorista às Torres Gêmeas em setembro de 2001 teve a cobertura televisiva mais marcante dos últimos 50 anos.
Marty Lederhandler/AP (arquivo)
O entremeado de vigas distribuía o peso de cada piso em direção aos pilares, enquanto cada piso, por sua vez, servia como suporte lateral que evitava a torção dos pilares, o que na engenharia civil é conhecido como flambagem.
Toda a estrutura metálica era coberta por concreto, que funcionava como protetor de vigas e pilares em caso de incêndio.
As vigas e colunas também eram cobertas por uma fina camada isolante à prova de fogo.
Impacto, fogo e ar
Ambas as torres foram atingidas por diferentes modelos de aeronaves Boeing 767, maiores que um Boeing 707.
O impacto, de acordo com o relatório do Nist, “danificou severamente” as colunas e desalojou o isolamento contra incêndio que cobria a estrutura de vigas e colunas de aço.
“A vibração do choque causou a fratura do revestimento antifogo do aço, deixando as vigas mais expostas ao fogo”, explica Kausel.
Assim, os danos estruturais abriram caminho para as chamas, que por sua vez causaram mais danos estruturais.
Enquanto isso, as temperaturas, que chegavam a 1.000° C, faziam com que os vidros das janelas se dilatassem e se quebrassem, o que aumentava o fluxo de ar, alimentando o fogo.
“O fogo se alimentou de ar e por isso se espalhou”, diz Kausel.
“Bombas voadoras”
Dados oficiais estimam que cada avião carregava cerca de 37.850 litros de combustível.
“Eram bombas voadoras”, diz Kausel.
Muito desse combustível foi queimado durante a bola de fogo que se formou com o impacto, mas parte dele foi derramado nos andares inferiores das torres.
Isso fez com que o fogo se expandisse, encontrando vários objetos inflamáveis ​​em seu caminho que lhe permitiam continuar avançando.
Esse incêndio teve dois efeitos principais, explica o engenheiro do MIT.
Primeiro, o calor intenso fez com que as vigas e lajes de cada andar se expandissem. Isso fez com que as lajes se separassem de suas vigas.
Além disso, a expansão das vigas também empurrou as colunas para fora.
Mas então houve um segundo efeito. As chamas começaram a amolecer o aço das vigas, tornando-as maleáveis.
Isso fez com que o que antes eram estruturas rígidas, agora se parecessem com cordas que, quando arqueadas, começaram a empurrar para dentro as colunas às quais estavam presas.
“Isso foi fatal para as torres”, diz Kausel.
Colapso
Naquele momento, todos os ingredientes se juntaram para desencadear o colapso.
As colunas não estavam mais totalmente verticais, pois as vigas primeiro as empurraram para fora e depois as puxaram para dentro, de modo que começaram a ceder.
Assim, de acordo com o relatório do Nist, as colunas começaram a entrar em colapso arqueando, enquanto as vigas às quais estavam conectadas as puxavam para dentro.
A análise de Kausel, por outro lado, acrescenta que, em alguns casos, as vigas puxaram com tanta força as colunas que destruíram os parafusos que as prendiam às colunas, o que fez com que esses pisos desabassem. Os escombros causaram sobrepeso na parte inferior pisos.
Isso colocou pressão adicional sobre a capacidade das colunas já enfraquecidas.
O resultado foi uma queda em efeito cascata.
Depois que o prédio entrou em queda livre, explica Kausel, o colapso empurrou progressivamente o ar entre os andares, causando um vento forte.
Isso fez com que o colapso fosse envolvido por uma nuvem de poeira e as paredes externas desabassem para fora, “como quem descasca uma banana”, diz o especialista.
Ambos os edifícios desapareceram em segundos, mas o fogo nos escombros continuou a arder por 100 dias.
Vinte anos depois, o horror e a dor causados ​​pelos ataques ainda assustam.
VÍDEOS: notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Ministro russo morre durante treinamento no Ártico


O ministro teria tentado salvar a vida de uma pessoa durante um treinamento, mas não há detalhes sobre como foi a morte. Imagem de agosto de 2021 de Yevgeny Zinichev, ministro russo que morreu em um treinamento no Ártico
Alexei Nikolsky/Sputnik/Via Reuters
O ministro de Emergências da Rússia, Yevgeny Zinichev, morreu durante um treinamento no Ártico nesta quarta-feira (8), comunicou o ministério, segundo relatou a agência de notícias RIA.
Zinichev, que tinha 55 anos e comandava o destacado Ministério de Emergências desde 2018, morreu tentando salvar a vida de outra pessoa, disse a RIA, sem dar maiores detalhes.
“Zinichev morreu tragicamente enquanto desempenhava suas tarefas oficiais durante exercícios interdepartamentais para evitar situações de crise no Ártico, salvando a vida de alguém”, disse o ministério, segundo a agência.
Margarita Simonyan, editora-chefe do canal de televisão russo RT, disse que Zinichev estava em um parapeito com um operador câmera que escorregou e caiu na água.
“Havia um bom número de testemunhas, ninguém nem teve tempo de pensar no que aconteceu quando Zinichev se atirou na água pela pessoa caída e se chocou com uma rocha protuberante”, tuitou ela, acrescentando que o câmera também morreu.
Zinichev estava no Ártico para supervisionar manobras de larga escala e visitou o canteiro de obras de uma nova estação de bombeiros em Norilsk, além da equipe de busca e resgate da área, havia dito o ministério em um comunicado mais cedo nesta quarta-feira.
Antes de se tornar ministro, Zinichev teve uma série de empregos, entre eles o de vice-diretor do Serviço Federal de Segurança e o de governador interino de Kaliningrado por um período curto.
Veja abaixo um vídeo de agosto de 2021 de um resgate de um cachorro no Ártico.
Marinheiros russos salvam cão preso em gelo no Ártico
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

México aprova criação de referendo que pode tirar presidentes do poder


‘Lei de Revogação do Mandato’ tem o apoio do atual presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e do seu partido, que é maioria no Parlamento. Oposição considera lei uma ‘armadilha’. O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, durante celebração dos 500 anos da tomada de Tenochtitlan pelos espanhóis
Alfredo Estrella/AFP
O Congresso do México aprovou na terça-feira (7) uma lei que cria mecanismos para a realização de uma consulta popular sobre a continuidade de mandatos presidenciais.
A “Lei de Revogação do Mandato” tem o apoio do atual presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e do seu partido, o Morena, que é maioria no Parlamento.
A medida, que já tinha sido aprovada na sexta-feira (3) pelo Senado, passou também na Câmara. Foram 491 votos a favor, um contra e uma abstenção na casa.
Apesar da votação expressiva, o Partido Ação Nacional (PAN) considerou a lei uma “armadilha” que pode levar López Obrador a tentar se reeleger — o que não é permitido pela Constituição.
O temor se mantém apesar de o presidente, um populista de esquerda, já ter dito em diferentes ocasiões que não pretende tentar um novo mandato.
O que muda
Segundo a Câmara dos Deputados, o objetivo do projeto é “regular e garantir o exercício do direito político” dos mexicanos “de solicitar, participar, serem consultados e votarem pela revogação do mandato da pessoa eleita popularmente como chefe da Presidência”.
Caso a medida seja convocada, a pergunta ser feita será: “Você está de acordo que [nome], Presidente dos Estados Unidos Mexicanos, tenha o mandato revogado por perda de confiança ou deve permanecer na Presidência da República até o fim do mandato?”.
VEJA TAMBÉM:
Presidente do México agradece a elogio de traficante de drogas acusado de matar agente da DEA
López Obrador chama de ‘fracasso’ a conquista e colonização espanholas, ocorrida há 500 anos
O polêmico sorteio do luxuoso avião presidencial no México
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

França inicia julgamento sobre atentados de Paris de 2015

França reforça segurança para julgamento dos acusados pelos atentados de Paris de 2015
A França iniciou nesta quarta-feira (8) o julgamento de um dos ataques terroristas mais violentos da história do país, seis anos após a noite de horror que terminou com 130 mortos em Paris. Um dos agressores está vivo.
O julgamento do megaprocesso, que tem quase 1,8 mil partes civis envolvidas e 20 réus, começou às 13h17 (horário local, 8h17 de Brasília) no imponente Palácio da Justiça de Paris.
Seis réus serão julgados à revelia, e 12 podem ser condenados à prisão perpétua. O processo é tratado como o “julgamento do século” pela imprensa francesa e deve durar nove meses.
Presente no tribunal, o franco-marroquino Salah Abdeslam, de 31 anos, é o principal acusado pelos massacres perpetrados no dia 13 de novembro de 2015 no Stade de France, no norte de Paris, nos cafés da zona leste da capital e na casa de espetáculos Bataclan.
Risco de ataque
Usando máscara, o único terrorista vivo sentou-se no banco dos réus cercado por policiais. O esquema de segurança foi reforçado também do lado de fora do tribunal, devido ao risco de uma ameaça terrorista.
A preocupação das forças de segurança ocorre porque atentados foram registrados no país durante o julgamento do ataque à revista satírica Charlie Hebdo, em 2020.
Arthur Dénouveaux, sobrevivente do Bataclan e presidente da associação de vítimas “Life for Paris” (Vida para Paris), diz que o julgamento “é um salto para o desconhecido”.
Os atentados
Naquele momento, um homem-bomba detonou seus explosivos perto do Stade de France, onde acontecia um jogo amistoso entre França e Alemanha, com milhares de torcedores nas arquibancadas, incluindo o então presidente François Hollande.
Outros dois terroristas continuaram a ação, matando um motorista de ônibus. Abdeslam também deveria ter atacado, mas acabou fugindo para a Bélgica porque, segundo os investigadores, seu cinto de explosivos estava com defeito.
Então, no centro de Paris, dois comandos de três homens dispararam contra as pessoas que estavam em bares e restaurantes e no Bataclan, onde as forças de segurança lançaram um assalto depois da meia-noite.
O balanço do pior ataque em Paris desde a Segunda Guerra Mundial foi de 130 mortos e mais de 350 feridos, em um momento em que uma coalizão internacional lutava contra o EI na Síria e no Iraque e milhares de sírios tentavam chegar à Europa fugindo da guerra.
Quatro anos de investigação permitiram reconstituir grande parte da logística dos ataques e do percurso que os comandos tomaram: por uma rota migratória da Síria até os seus esconderijos alugados na Bélgica e perto de Paris.
Os investigadores descobriram uma célula terrorista muito maior e também responsável pelos atentados que deixaram 32 mortos em 22 de março de 2016 no metrô e no aeroporto de Bruxelas, outro ataque violento do período na Europa.
– “Até que eu morra” -“Os sobreviventes dos ataques de 13 de novembro têm uma necessidade urgente de explicação sobre o que aconteceu, o que sofreram”, disse a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, ao jornal Le Parisien, para quem este julgamento os ajudará em “seu processo de reconstrução”.
Para François Molins, ex-procurador de Paris, é necessário construir “uma memória coletiva que reafirme os valores da humanidade e da dignidade” e permitir que “as famílias das vítimas compreendam o que aconteceu”, disse à rádio RTL.
“A dor que tenho não vai ser reparada pela sentença proferida pelo tribunal. Sentirei dor até morrer e a falta de Juan Alberto terei até morrer”, assegurou à AFP Cristina Garrido, cujo filho foi assassinado no Bataclan.
O primeiro momento importante do julgamento terá início no final de setembro com os depoimentos dos sobreviventes e familiares das vítimas, durante cinco semanas, e suas associações já alertaram para a emotividade.
O interrogatório dos acusados – seis dos quais são julgados à revelia – acontecerá em 2022 e a principal questão será se Abdeslam vai abandonar o silêncio que tomou desde sua prisão na Bélgica em 2016, além de suas referências ao Islã.

Fonte: G1 Mundo