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Extremista ‘viking’ que invadiu o Capitólio dos EUA assume culpa e faz acordo judicial


Jacob Chansley, que ficou conhecido por ter usado chifres durante a invasão do congresso americano em 6 de janeiro, pode pegar até 20 anos de prisão. Foto de 6 de janeiro de 2021, dia da invasão ao Capitólio dos EUA, mostra policiais conversando com apoiadores do então presidente americano, Donald Trump, incluindo Jacob Chansley (à direita), do lado de fora do plenário do Senado
Manuel Balce Ceneta/AP
Extremista ‘viking’ que invadiu o Capitólio dos EUA assume culpa e faz acordo judicial
Jacob Chansley, que ficou conhecido por ter usado chifres durante a invasão do congresso americano em 6 de janeiro, pode pegar até 20 anos de prisão.
Reportagem em atualização.

Fonte: G1 Mundo

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VÍDEO: Homem retira cobra de garagem na Austrália

A píton estava escondida debaixo do cortador de grama em uma casa rural. A moradora precisou pedir ajuda a um especialista para conseguir resgatar o animal selvagem. VÍDEO: Homem retira cobra de garagem na Austrália
Um homem resgatou uma cobra que estava escondida em uma garagem de Doonan, na Austrália, e postou as imagens em sua rede social (veja no vídeo acima).
Luke Huntley, que é um especialista em recuperar animais selvagens, disse que o caso ocorreu no meio de agosto em uma residência rural do estado de Queensland, no nordeste do país.
A moradora da casa estranhou que seus cavalos pareciam assustados e identificou o motivo: a píton de quase 3 metros de comprimento estava escondida debaixo do cortador de grama.
Huntley explicou que na Austrália, durante esta época do ano, as cobras costumam migrar e que por isso é preciso ficar de olho em todos os cantos para evitar acidentes.
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Fonte: G1 Mundo

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Assassinos de Koskela: adolescentes são condenados por torturar e matar ex-colega de classe na Finlândia


O crime ocorreu em dezembro do ano passado. Três jovens, de então 16 anos, espancaram e mataram um garoto que conheciam desde o jardim de infância. Eles poderão pegar até dez anos de prisão. Memorial com velas e flores em homenagem ao adolescente morto após ser torturado por três colegas na Finlândia em dezembro de 2020
Vesa Moilanen/Lehtikuva/AFP
Um tribunal da Finlândia condenou, nesta sexta-feira (3), três adolescentes a até dez anos de prisão por torturarem e espancarem um ex-colega de classe até a morte. O caso horrorizou o país nórdico.
O crime cometido em dezembro de 2020, que gerou a condenação por assassinato para os três jovens com então 16 anos, ocorreu após meses de repetidas agressões.
Segundo a acusação, a vítima – um menino de 16 anos que vivia em um abrigo – foi atacada “de forma sádica” durante várias horas antes de morrer.
Seu corpo foi encontrado em um parque de Koskela, ao norte da capital Helsinki. A ministra do Interior, Maria Ohisalo, disse à época que o crime era “arrepiante”.
Os três condenados, que segundo a Justiça conheciam a vítima desde o jardim de infância, se declararam inocentes da acusação de assassinato.
O tribunal reconheceu que eles agiram de forma coordenada. Mais de 100 lesões foram identificadas no corpo da vítima e elas foram feitas “de forma especialmente brutal e cruel”, disse a condenação.
Segundo dados oficiais, quase um em cada dois jovens de entre 14 e 16 anos que vivem em internatos na Finlândia sofreu ou sofrem agressões e ameaças de violência.
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Fonte: G1 Mundo

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Sexo: as francesas são as europeias menos satisfeitas em 2021, segundo estudo


A depressão e o tédio ganharam lugar na cama de muitas francesas: esta é uma das conclusões de um estudo realizado pelo Observatório Europeu da Sexualidade Feminina. A pesquisa foi realizada em março de 2021, em meio à crise sanitária, com mais de 5 mil mulheres em cinco países da Europa. Anéis de casamento em livro formando formato de coração
Pixabay/Divulgação
As mulheres francesas parecem muito menos realizadas do que suas vizinhas alemãs e britânicas: elas são 35% a dizer que estão insatisfeitas com suas relações sexuais, ou seja, mais do que em 2016. Há cinco anos, 31% das francesas admitiam não ter prazer suficiente com o parceiro. Eles são ainda mais numerosos hoje.
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É lógico, portanto, observar que as francesas têm hoje menos relações sexuais do que em 2016: há cinco anos, 18% delas declararam ter mais de duas relações íntimas por semana. Em 2021, são apenas 8%, segundo estudo publicado na sexta-feira (3) pelo Observatório Europeu da Sexualidade Feminina.
Na Alemanha e na Grã-Bretanha, a frustração é menor, de acordo com o estudo: 23% das alemãs dizem estar insatisfeitas, contra 27% no Reino Unido.
Impacto da pandemia?
Obviamente, o período durante o qual esta pesquisa foi conduzida não é trivial. Em março, a França foi submetida a novas restrições, em meio à terceira onda da epidemia de Covid-19. A proximidade forçada com o parceiro, mas também o estresse, a preocupação com o futuro e o cansaço relacionado às circunstâncias, inevitavelmente tiveram um impacto na vida sexual das francesas.
Mas estudos semelhantes, realizados nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, antes da crise, já mostravam um declínio da atividade sexual em adultos jovens. A explicação estaria, portanto, em outro lugar. O movimento #MeToo, em particular, teve seu papel. As mulheres tomaram a palavra publicamente para falar sem tabu sobre sua intimidade, sua busca por prazer e sua rejeição à submissão.
Influenciadoras, nas redes sociais, têm questionado ideias prontas sobre a sexualidade feminina. Por que aceitar sexo sem desejo e sem prazer? Por que se submeter a práticas indesejadas?
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Mulheres mais informadas e mais exigentes
Jüne Plã não se surpreendeu com os resultados desta pesquisa. A ilustradora e autora francesa tem feito sucesso, primeiro nas redes sociais e depois nas livrarias, com seus desenhos muito explícitos das diversas formas de buscar o prazer.
“As mulheres têm muito mais informações sobre a sexualidade, sobre como seu corpo funciona”, explica Jüne Plã. “Elas sabem que podem ser mais exigentes e que podem ter mais. ”
Para a autora, os homens têm poucas desculpas para não evoluir em sua sexualidade: os recursos são numerosos e gratuitos nas redes sociais, em especial. A conta do Instagram “Jouissance Club de la jeune femme” (algo como Clube do Prazer da Mulher, em tradução livre) tem mais de 900 mil seguidores. “Mas mais de 70% das pessoas que me seguem são mulheres”, diz ela. “Seria bom se os homens também fizessem o caminho para buscar ideias e aprimorar seus conhecimentos.”
Segundo a artista, as mulheres muitas vezes se veem obrigadas a explicar ao parceiro o que precisam e se encontram em um papel que já conhecem muito bem no dia a dia, em casa ou com a família: o de “professora”. 
Jogos de submissão 
Esse questionamento da sexualidade feminina certamente explicaria outra lição da pesquisa do Observatório Europeu da Sexualidade Feminina. No seu conjunto, as mulheres europeias abandonaram determinados jogos sexuais, promovidos pela indústria pornográfica, que colocam as mulheres numa situação de dominação diante de seus parceiros.
Veja VÍDEOS da série ‘Sexo é bom e eu gosto’:

Fonte: G1 Mundo

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Idoso é resgatado após passar três dias perdido em floresta na Tailândia


Barry Leonard Weller, de 72 anos, se perdeu quando ia visitar amigos que moram em um trailer na província de Khon Kaen; ele foi encontrado por caçador, dormindo em formação rochosa. Aposentado britânico vive há 15 anos no país. Barry Leonard Weller, de 72 anos, é retirado da floresta com a ajuda de membros de equipe de resgate, na província de Khon Kaen, na Tailândia, na sexta-feira (3)
AP Photo/Tanadon Sribura
Um inglês de 72 anos foi encontrado em segurança nesta sexta-feira (3), três dias depois de desaparecer em uma densa floresta no nordeste da Tailândia, quando ia visitar amigos que moram em um trailer.
Um caçador local se deparou com Barry Leonard Weller, dormindo em uma formação rochosa que ele havia escalado para tentar enxergar do alto um caminho, em uma floresta remota na província de Khon Kaen.
Segundo Nattapat Tadee, membro de uma equipe voluntária que ajudou no resgate, Weller disse que não comeu nada durante todos esses dias, mas que conseguiu beber água empoçada nas pedras, usando palha como um canudo.
O inglês foi visto caminhando cautelosamente para fora da floresta, cercado pelos voluntários da equipe. Ele estava sem sapatos e vestindo uma bermuda e uma camisa aberta, com um aspecto cansado e vários pequenos cortes nas pernas, mas sem maiores ferimentos.
“Sim, estou imensamente feliz. Nunca estive tão feliz na minha vida”, disse Weller. “Meus pés estão inchados, fora isso estou feliz. Com calor. Admiro muito o trabalho que essas pessoas estão fazendo. Me faz chorar. Estão fazendo um ótimo trabalho”.
Barry Leonard Weller reencontra sua parceira Tawee Chaisanrit, após ser retirado da floresta com a ajuda de membros de equipe de resgate, na província de Khon Kaen, na Tailândia, na sexta-feira (3)
AP Photo/Tanadon Sribura
Ele teve um emocionante reencontro com sua parceira tailandesa, Tawee Chaisanrit. Eles se abraçaram apertado e choraram antes de ela agradecer aos socorristas.
“Obrigado a todos. Obrigado a todas as equipes que continuaram lutando comigo”, disse ela, unindo as mãos em um tradicional gesto tailandês de respeito.
Tawee, de 49 anos, disse à agência Associated Press por telefone que Weller deixou a casa deles na terça-feira e não voltou. Choveu muito forte e ela procurou por ele sem sucesso. No dia seguinte, alertou as autoridades.
Ela disse que ele contou a ela que pegou um caminho diferente do que estava costumado e se perdeu. Weller é aposentado e vive na Tailândia há cerca de 15 anos.
As florestas da Tailândia servem de habitat para muitos tipos de animais selvagens, incluindo tigres, leopardos, ursos e elefantes, mas os membros da equipe de resgate disseram que essa floresta em particular não era considerada perigosa nesse sentido.
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Fonte: G1 Mundo

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Crianças afegãs refugiadas morrem após ingerirem cogumelos venenosos na Polônia


Família colheu fungos em floresta perto de centro onde está hospedada em Podkowa Leśna, confundindo com uma popular espécie comestível. Menino de seis anos chegou a ser submetido a transplante de fígado, mas não resistiu; irmã de 17 anos também comeu, mas se recuperou. Os cogumelos Cicuta verde (Amanita phalloides), venenoso, à esquerda, e guarda-sol (Macrolepiota procera), comestível, à direita
Archenzo/kilo/Creative Commons
Dois irmãos afegãos, de cinco e seis anos, morreram após comerem cogumelos venenosos na Polônia, para onde tinham conseguido fugir com a família após o Talibã tomar o poder em seu país de origem.
Os meninos e uma irmã de 17 anos ingeriram os cogumelos depois que parentes os coletaram em uma floresta perto de um centro de refugiados em Podkowa Leśna, confundindo com uma popular espécie comestível.
A confusão teria acontecido entre os cogumelos Cicuta verde (Amanita phalloides) e Guarda-sol (Macrolepiota procera).
O menino mais novo morreu na quinta-feira, e o de seis anos chegou a ser submetido a um transplante de fígado, mas sofreu danos cerebrais e seu estado era considerado muito grave. Ele faleceu nesta sexta (3), de acordo com a agência France Presse.
A irmã mais velha reagiu bem ao tratamento e já recebeu alta.
Os irmãos chegaram à Polônia acompanhados dos pais, encaminhados pelo governo do Reino Unido, no mês passado. O pai havia trabalhado para as tropas britânicas que participaram da ocupação do Afeganistão.
Segundo o jornal britânico “The Guardian”, outro incidente semelhante foi registrado recentemente perto de Varsóvia, quando quatro homens adultos, também afegãos, foram hospitalizados após comerem cogumelos venenosos.
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Fonte: G1 Mundo

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A maquiadora afegã que agora vive escondida


No dia em que o Talebã assumiu controle da capital do Afeganistão, vitrines de salões de beleza mostrando mulheres em trajes de noiva foram vandalizados; BBC falou com maquiadora que teme por sua segurança e se mantém escondida. Rostos de mulheres foram apagados de cartazes em salões de Cabul
Agência Anadolu
No dia em que o Talibã assumiu o controle da capital do Afeganistão, Cabul, cartazes publicitários colados do lado de fora dos salões de beleza — mostrando mulheres em trajes de noiva — foram pintados. Salões em toda a cidade foram fechados.
E, embora algumas empresas tenham prometido retornar o serviço completo em breve, várias mulheres se preocupam com o futuro da indústria da beleza no país.
Afsoon (nome fictício), uma maquiadora, deu à BBC uma ideia do que a indústria da beleza representava para as mulheres afegãs.
É difícil traduzir o significado exato da expressão takaan khordum para outras línguas.
Grosso modo, ela descreve um evento raro na vida que abala alguém profundamente, depois do qual você terá se transformado para sempre — como a morte de alguém que você ama, alguém central em sua vida.
Rostos de mulheres foram apagados de cartazes em salões de Cabul
Getty Images via BBC
Afsoon vivenciou a sensação do takaan pela primeira vez no dia 15 de agosto de 2021.
Naquele domingo, ela acordou às 10h com o telefonema de uma colega do salão de beleza onde ela trabalhava. Afsoon era feliz lá, convivendo com o cheiro de shampoo e esmalte de unha fresco misturado com o zumbido de um secador de cabelo com muita conversa fiada.
“Não venha hoje”, disse a colega de Afsoon ao telefone. “Estamos fechando. Acabou.”
Sentada na cama, Afsoon checou o celular. O polegar dela moveu-se para cima e para baixo na tela do telefone enquanto percorria dezenas de mensagens de texto de amigos e familiares e, em seguida, centenas de postagens em redes sociais. Uma torrente de pavor a atingiu com tanta força que ela se sentiu congelada e enjoada ao mesmo tempo.
As mensagens eram todas iguais. O Taibã havia entrado na capital do Afeganistão, Cabul. Em 16 dias, todas as tropas ocidentais e seus diplomatas teriam deixado o país.
“Acabou”, ela repetiu para si mesma. Era hora de se esconder.
Afsoon está na casa dos 20 anos e se considera uma mulher afegã moderna. Ela ama redes sociais, adora filmes, sabe dirigir e tem ambições profissionais.
Afsoon não consegue se lembrar de como era viver nos anos 1990, a década em que nasceu, quando o Talibã proibiu os salões de beleza no país.
Ela cresceu em um Afeganistão onde os salões de beleza faziam parte do cotidiano. Quando era adolescente, ela folheava revistas e redes sociais em busca de looks glamorosos e frequentava salões de beleza com mulheres da família.
Maquiadora que havia conquistado sucesso no Afeganistão passou a se esconder desde que Talibã assumiu o controle
Nilab Adelyar
Ela amava tudo naquele mundo. Desde a pintura multicolorida das unhas aos maquiadores que se curvavam sobre as mulheres para fazer delineados esfumaçados e emolduravam cílios espessos e escovados em um rosto maquiado. Na boca, um gloss brilhante completa o look, além dos cabelos longos e esvoaçantes.
Nas duas décadas desde a invasão liderada pelos Estados Unidos que derrubou o Talibã em 2001, mais de 200 salões de beleza foram abertos somente em Cabul, com outras centenas em outras partes do país.
Afsoon acabou realizando seu sonho de trabalhar em um deles e se tornou uma maquiadora de sucesso. Ela não queria nada além daquilo.
Como todos os salões de beleza em Cabul, o salão de Afsoon tinha vitrines inteiramente cobertas por pôsteres de mulheres elegantes e glamorosas, anunciando uma promessa de beleza que poderia ser realizada lá dentro.
Os pôsteres faziam com que um pedestre, que transitava nas quentes ruas dominadas por homens de Cabul, não pudesse ver o interior do tranquilo e multigeracional espaço feminino do salão de Afsoon.
A qualquer hora do dia, havia mais de uma dúzia de mulheres lá dentro, fossem as profissionais ou a clientela — que variava de médicas a jornalistas, de cantoras e estrelas de TV a noivas se preparando para seu grande dia e adolescentes rindo com suas mães em um dia especial de união.
Os salões sempre foram ambientes saudáveis, fossem em dias de casamentos ou nos mais tranquilos. E extremamente cheios durante festivais como o Eid, quando as mulheres voltaram a se socializar. Nessas datas, poderia demorar dias para conseguir agendar um horário.
“Amo mulheres. Queria trabalhar e construir espaços onde as mulheres pudessem ser livres e brilhar”, diz ela. “Poderíamos relaxar em um lugar longe dos homens.”
Mas, no dia 15 de agosto, o dia em que o Talibã assumiu o controle do palácio presidencial de Cabul, acabou tudo.
É quase meia-noite em Cabul e Afsoon fala baixinho ao telefone com a reportagem. Ela está visivelmente com medo. Saiu de sua residência naquele domingo e encontrou uma casa segura. “As mulheres na indústria da beleza, especialmente pessoas como eu, que eram visíveis e públicas com nosso trabalho, são os alvos”.
Depois do telefonema da amiga dizendo para ela não ir trabalhar, Afsoon ouviu que qualquer pôster que representasse a beleza feminina estava sendo pintado por moradores assustados de Cabul. Uma amiga de Afsoon pintou pessoalmente alguns pôsteres de modelos, em um gesto para apaziguar o Talibã e não atrair a atenção de suas amigas com negócios de beleza.
“Eles não aprovariam de nenhuma maneira ver rostos descobertos ou pescoços de mulheres expostos”, diz ela. “Eles sempre foram muito claros em sua crença de que uma mulher não deve atrair atenção.
“É o fim da indústria da beleza no Afeganistão.”
Afsoon não tem um convite ou proposta de trabalho que pudesse garantir a ela um assento em um avião para fora de Cabul.
Não há saída para ela.
Ela se mantém em contato diariamente com colegas em um bate-papo em grupo. O último pagamento que receberam foi no dia 24 de agosto. Nada mais será pago. O salão está fechado e todas aceitaram que não voltarão ao trabalho.
Afsoon diz que não pode falar sobre o futuro dela.
Ela não tem certeza do que virá. Ela não pensou em como se vestirá agora, ou mesmo quando se aventurará nas ruas.
Neste momento, a cor de um futuro que ela imaginou foi pintada com uma camada grossa de tinta preta. E ela está no meio de um choque que não tem limite de tempo para se recuperar.
“Permanecer viva é a única coisa em que consigo pensar. Não tenho medo de morrer — mas não quero ficar assim, apavorada e sem esperança”, diz ela. “A cada segundo, sinto que o Talibã virá atrás de mim.”
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Como ajudei a matar Pablo Escobar


Agente de inteligência do departamento americano de combate às drogas conta ao programa ‘Witness History’ da BBC como os EUA ajudaram a rastrear narcotraficante foragido em 1993. Forças de seguranças colombianas no telhado em que Pablo Escobar foi morto a tiros em 2 de dezembro de 1993
Jesus Abad-el Colombiano/AFP/Getty Images via BBC
Pablo Escobar, o traficante de drogas colombiano que já foi um dos homens mais ricos do mundo, foi morto a tiros pela polícia em dezembro de 1993.
Na ocasião, ele era um dos homens mais procurados do mundo — e estava fugindo das autoridades havia mais de um ano.
Elizabeth Zilli, que trabalhava na época para a DEA (Drug Enforcement Administration, a agência americana de combate às drogas), foi uma das pessoas que ajudou a rastrear e encontrar Escobar na Colômbia.
“Ele era muito inteligente. Intimidava as pessoas que trabalhavam para ele. Você não consegue chegar à posição de poder dele sem ser muito inteligente”, disse Zilli ao programa de rádio Witness History da BBC, em que ela contou como a polícia colombiana conseguiu, com a ajuda dos EUA, chegar até ele.
Pablo Escobar saiu da pobreza para se tornar um dos homens mais ricos do mundo. Fundador do cartel de Medellín, ele faturava bilhões com tráfico de drogas da Colômbia para os Estados Unidos e a Europa.
A Colômbia havia se tornado o maior produtor de cocaína do mundo. Dizia-se que, para cada pessoa que cheirava cocaína nos EUA, quatro em cada cinco carreiras da droga eram provenientes do cartel de Escobar.
Pablo Escobar era o narcotraficante mais rico e perigoso do mundo
Getty Images via BBC
Zilli fazia parte de um esforço do governo americano para monitorar e acabar com o tráfico de drogas.
Ela trabalhou em duas ocasiões em solo colombiano — a primeira vez nos anos 1970 e depois no fim dos anos 1980, reunindo inteligência de informantes nos centros dos cartéis de drogas em Medellín, Cali e Cartagena.
“Cada informante tinha de duas a três pessoas para rastrear. Eles iam e voltavam com informações”, revela. “Eu saía para encontrar meus informantes em Barranquilla, em Cartagena. Eu ia até lá com dinheiro para pagá-los — e os interrogava”.
“Nada é insignificante quando você está reunindo inteligência. O menor detalhe pode ser importante, tudo que tenha a ver com a pessoa com quem você está preocupado — as roupas que usa, onde vai comer, beber, quem são seus amigos”, explica Zilli à BBC.
Quando não estava lidando com informantes, ela estava em busca de plantações de coca e maconha na selva colombiana.
“Fizemos muitos sobrevoos de helicóptero, em busca de plantações de coca, plantações de maconha. Isso tinha que ser feito de helicóptero. Eu amava”, relata.
Pablo Escobar revolucionou o fornecimento de drogas. Ele montou os chamados megalaboratórios para fabricar cocaína em escala industrial na Colômbia, de onde a droga era posteriormente transportada para os EUA.
Estima-se que ele ganhava meio bilhão de dólares por semana — não é à toa que em 1989 foi apontado como o sétimo homem mais rico do mundo.
Os bilhões de dólares que ele acumulou fomentaram a corrupção do Exército, da polícia e do governo colombianos, à medida que ele subornava as autoridades para expandir seu império.
De acordo com Zilli, quando ela voltou a servir em solo colombiano, no fim dos anos 1980, a situação havia mudado, assim como os crimes praticados.
“No início, havia principalmente crimes de rua e invasão de casas. Isso foi pré Pablo. Mas depois que nosso amigo se tornou o que se tornou, ficou muito pior. Virou estado de sítio.”
“Uma noite, uma bomba explodiu em uma pizzaria bem embaixo do meu prédio e praticamente me jogou para fora da cama”, relembra.
Escobar lançava mão de uma expressão simples para lidar com obstáculos ao seu negócio: plata ou plomo, que pode ser traduzida como “dinheiro ou chumbo”. Ou seja, se ele não conseguisse subornar alguém, o mataria.
Estima-se que 5 mil assassinatos estejam ligados ao narcotraficante.
A execução de Luis Carlos Galán, então candidato à presidência da Colômbia, em agosto de 1989, foi um divisor de águas.
Ele havia prometido extraditar os barões do tráfico para os EUA se ganhasse a eleição. E foi esta proposta que levou ao seu assassinato.
Em resposta, o cerco ao tráfico de drogas apertou — dando início a um período de extrema violência no país.
Os narcotraficantes chegaram a colocar bombas em escritórios de partidos políticos e a ameaçar atacar juízes, empresários e líderes sindicais.
Em 1991, Escobar se entregou às autoridades colombianas — sob a condição de cumprir pena no país, em vez de ser extraditado para os Estados Unidos.
A negociação previa também que ele construísse sua própria prisão, que ficou conhecida como La Catedral.
Era um rancho de luxo, nas colinas de Medellín — e não uma prisão comum administrada pelo governo.
“Era muito confortável. Ele tinha mulheres lá e todas as coisas materiais que um homem gostaria de ter: muita bebida, companhia e diversão”, afirma Zilli.
O jornal americano The New York Times publicou à época que a instalação contava com colchão de água, videocassete, bar, refrigerador, TV de 60 polegadas, banheira e até lareira. Havia também um ginásio e um campo de futebol.
Escobar teria continuado a administrar seu império de drogas de dentro desta prisão de luxo.
Mas, em 1992, ele decidiu que já tinha passado tempo suficiente ali.
“Quando Pablo saiu, perdão, eu não deveria dizer ‘saiu’, escapou, o estado de sítio realmente começou”, conta Zilli.
Teve início então a caçada a Pablo Escobar — e com ela, uma série de rumores sobre seu paradeiro.
“Primeiro disseram que ele estava na Espanha. Depois, que ele estava na Argentina”, ela recorda.
“É muito interessante porque disseram a mesma coisa sobre El Chapo Guzmán (traficante mexicano). (Mas) esses traficantes de drogas nunca vão embora. Eles querem ficar em sua zona de conforto. El Chapo nunca saiu de Culiacán (no México). Pablo nunca saiu de Medellín.”
Durante a caçada ao narcotraficante, o DEA compartilhava a inteligência que recebia com as autoridades colombianas.
“Informantes nos disseram que ele, Pablo, atravessava as plantações à noite, tentando encontrar um lugar para dormir.”
“Ele não tinha acesso fácil a todo o seu dinheiro — e é incrível como, no caso de traficantes de drogas, seus amigos vão sumindo. Ele estava passando por um momento difícil.”
Em 2 de dezembro de 1993, uma equipe da polícia em busca do narcotraficante teve sorte.
“Quando a polícia colombiana realmente começou a procurá-lo, foi absolutamente fascinante. Nós os estávamos ajudando, mas eles estavam fazendo muito por conta própria.”
“Uma coisa com a qual ajudamos eles em Medellín foi com a triangulação do telefone (de Escobar)”, diz Zilli.
A tecnologia permitiu que os colombianos rastreassem o narcotraficante, localizando onde estava seu aparelho quando ele fazia as ligações. E isso se provou vital para os agentes em solo.
“Um dia, cinco deles estavam em um carro, vestidos de forma bem casual, sem uniforme, dirigindo pelas ruas de Medellín, e receberam um sinal no dispositivo.”
“Eles olharam para o alto, na janela, e lá estava Pablo, no parapeito, conversando (pelo telefone) com o filho.”
Pablo Escobar tentou escapar pelo telhado, onde foi morto a tiros pela polícia colombiana.
“Em meia hora, estava tudo acabado. Não houve muito tiroteio. Mas Pablo estava morto”, diz Zilli.
“O chefão da nossa agência correu para o corredor, nenhum de nós sabia de tudo isso ainda, e ele disse três palavras: ‘Nós o pegamos’. E foi assim que ficamos sabendo.”

Fonte: G1 Mundo

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Cofundador do Talibã, mulá Baradar liderará novo governo afegão


O mulá Baradar comanda o escritório político do Talibã e esteve envolvido em acordos com os EUA. O mulá Abdul Ghani Baradar, no centro, em Moscou, em março de 2021
Alexander Zemlianichenko/Reuters
O mulá Baradar, um cofundador do Talibã, vai liderar o novo governo do Afeganistão. O anúncio será feito em breve, disseram fontes do grupo islâmico nesta sexta-feira (3).
O grupo ainda não conquistou totalmente o país —combatentes talibãs ainda enfrentam forças leais à república derrotada no Vale de Panjshir, ao norte de Cabul.
A prioridade mais imediata do novo governo deve ser impedir o colapso de uma economia abalada por uma seca e pela devastação de um conflito que se estima ter matado 240 mil afegãos.
Abdul Ghani Baradar (o mulá Baradar), que comanda o escritório político do Talibã, o mulá Mohammad Yaqoob, filho do falecido fundador do grupo, o mulá Omar, e por Sher Mohammad Abbas Stanekzai ocuparão cargos de alto escalão no governo, disseram três fontes.
Talibã prepara novo governo para o Afeganistão
Todos os líderes principais chegaram a Cabul, onde os preparativos para se anunciar o novo governo estão nos estágios finais, disse uma autoridade do Talibã à agência de notícias Reuters sob condição de anonimato.
Haibatullah Akhunzada, o líder religioso supremo do Talibã, se concentrará em questões de religião e governança nos moldes do Islã, disse outra fonte do grupo.
O Talibã tomou Cabul no dia 15 de agosto depois de dominar a maior parte do país.
Só membros do Talibã
Embora o Talibã tenha mencionado seu desejo de formar um governo de consenso, uma fonte próxima do movimento militante disse que o governo interino sendo montado consistirá unicamente de membros do Talibã.
Ele será composto por 25 ministérios e um conselho consultivo, ou shura, de 12 eruditos muçulmanos, acrescentou a fonte.
Também está sendo planejada para daqui a seis a oito meses uma loya jirga, ou grande assembleia, que reunirá anciãos e representantes de toda a sociedade afegã para debater uma Constituição e a estrutura do governo futuro, segundo a fonte.
Todas as fontes acreditam que o gabinete do governo interino será finalizado em breve, mas divergiram sobre quando exatamente. Algumas disseram que o governo será estabelecido ainda nesta sexta-feira, e outras creem que será até meados da próxima semana.
A legitimidade do governo aos olhos de doadores e investidores internacionais será crucial. Grupos humanitários alertam para uma catástrofe iminente, e a economia, dependente há anos de milhões de dólares de ajuda estrangeira, está a beira do colapso.
Resistência no Vale de Panjshir
Há relatos de combates intensos e baixas entre os talibãs nos combates no Vale de Panjshir.
Milhares de combatentes de milícias regionais e remanescentes das Forças Armadas do governo se reúnem no vale escarpado sob a liderança de Ahmad Massoud, filho do ex-comandante mujahideen Ahmad Shah Massoud.
Os esforços para se negociar um acordo parecem ter falhado, e cada lado culpa o outro pelo fracasso.
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Fonte: G1 Mundo

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Como traficantes chineses ameaçam onça-pintada na América Latina


Caça ilegal de onças é problemas grave na Bolívia, onde apenas em uma apreensão em restaurante operado por chineses foram encontrada 185 presas (dentes caninos) do animal. Conservacionistas lutam contra o crime organizado para proteger a espécie
SCIENCE PHOTO LIBRARY via BBC
“Fiz uma promessa a mim mesmo de proteger as onças até o último minuto da minha vida”, diz o guarda florestal Marcos Uzquiano, um dos chefes de proteção ambiental do Parque Nacional Madidi, uma das 22 áreas protegidas da Bolívia.
A luta dele e de seus colegas é um dos temas centrais do documentário Tigre Gente, de Elizabeth Unger. O filme, que estreou recentemente no festival Tribeca, em Nova York, traz à tona um problema tão sério quanto complexo: o tráfico ilegal de partes de onças-pintadas da Bolívia à Ásia, principalmente à China.
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Entre 2014 e o início de 2019, foram apreendidas cerca de 760 presas de onça-pintada, segundo a bióloga Ángela Núñez, que trabalha na Associação Savia, entidade de proteção ambiental da Bolívia.
“Acredita-se que foram mortas pelo menos 200 onças, ou até mais, porque nem sempre eles conseguem obter as 4 presas (dentes caninos) de cada onça”, diz Núñez.
Em apenas em uma apreensão, em um restaurante operado por dois cidadãos chineses em Santa Cruz, foram encontradas 185 presas. E o serviço postal da Bolívia, Ecobol, encontrou cerca de 300 presas em 16 pacotes com destino à Ásia.
Um relatório de ONGs internacionais indica que as descobertas são a ponta de um iceberg que envolve organizações criminosas chinesas.
Esse tráfico ilegal ameaça não apenas o maior felino do continente americano, mas também a integridade daqueles que, como Uzquiano e outros guardas-florestais, arriscam suas vidas para protegê-los.
‘Não adianta demonizar os chineses’
A documentarista americana Elizabeth Unger, diretora do filme, estudava biologia quando viajou para a Bolívia para trabalhar como voluntária em um centro de resgate de vida selvagem.
A experiência contribuiu para sua decisão de não se dedicar à pesquisa científica, mas sim a criar documentários para expor problemas internacionais.
Tigre Gente mostra não só o problema do tráfico, mas a importância da onça-pintada na cultura local e em seu habitat.
Elizabeth Unger é a diretora do filme ‘Tigre Gente’
CORTESIA DE ELIZABETH UNGER via BBC
“Conservando a onça-pintada, conservamos todas as espécies de plantas e animais que convivem com ela, inclusive a humana, por todas as funções ambientais que esse sistema nos proporciona”, diz a bióloga Ángela Núñez.
Unger espera que quem assistir ao documentário “capte a mensagem de que a onça-pintada é um animal incrível que deve ser salvo”.
Além de Uzquiano, outra protagonista central do filme é a jornalista chinesa Laurel Chor, que investiga o lado asiático do tráfico e as crenças culturais de quem compra esses produtos.
“Queremos mostrar que essa é uma questão complexa. Que demonizar a comunidade chinesa não resolverá o problema do tráfico ilegal de partes de onças nem reduzirá seu consumo. Pode ajudar a entender a mentalidade por trás da demanda”, diz Unger à BBC Mundo.
A documentarista afirma que existem crenças errôneas no ocidente sobre o assunto. Uma delas é a de que a maioria da população da China consome produtos do tráfico ilegal de animais selvagens — o que não é verdade, é um público relativamente pequeno.
“Também é importante compreender que tradições muito antigas, passadas de geração em geração, por exemplo no uso da medicina tradicional, são um fator a ter em conta.”
‘Elas são a minha família’
Uzquiano cresceu em Buenaventura, uma pequena cidade no coração da região amazônica da Colômbia.
“Para mim, isso não é apenas luta por um animal, é algo muito mais profundo. Considero as onças minha família”, diz Marcos Uzquiano, o chefe de proteção ambiental do parque na Bolívia.
“Desde a infância, a onça representa uma grande energia. Para mim, ela é força, é vida, é mito”, diz ele à BBC Mundo.
“Não havia médicos na cidade onde crescemos. O xamã, que para nós era o médico de família, nos contava histórias de pessoas que se transformavam em onças.”
“Nas comunidades indígenas, a onça é conhecida como tigre. Meu sonho de criança era realmente me transformar em um tigre. O destino me levou a me tornar um guarda florestal para preservar a vida da onça e lutar contra o tráfico de presas”, conta Uzquiano.
A lenda deu o título ao documentário, Tigre Gente.
Organizações criminosas
Os primeiros sinais do problema que o filme retrata surgiram quando conservacionistas locais ouviram mensagens em rádios comunitárias rurais. Os anunciantes procuravam presas de onça para comprar, apesar da captura e da comercialização de animais silvestres serem proibidas.
Marcos Uzquiano (primeiro à esq.) é um dos guardas florestais na reserva de Madidi
CORTESIA DE ELIZABETH UNGER via BBC
Em 2017, os biólogos Enzo Aliaga e Ángela Núñez publicaram um artigo alertando sobre o tráfico.
Uma investigação na Bolívia entre 2018 e 2020 revelou a magnitude do problema. Realizada pela ONG Long Earth League International (ELI), em conjunto com o comitê holandês da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a investigação deu origem a um relatório publicado em 2020.
“O tráfico de partes de onças-pintadas não é apenas um problema de conservação, mas também de crime organizado”, diz Andrea Crosta, cofundadora e diretora da ELI. “Os principais traficantes, todos da Ásia, também se envolvem em outros crimes graves e costumam estar ligados ao crime organizado”.
Existem pelo menos três organizações criminosas (constituídas principalmente por cidadãos chineses) operando em território boliviano. Um dos grupos teria ligações com uma notória máfia de Hong Kong.
Os traficantes usam aeroportos e rotas terrestres mal protegidas, principalmente através do Suriname e da Guiana. A carne de onça-pintada também era vendida em dois restaurantes em Santa Cruz operados por estrangeiros.
“Compartilhamos com as autoridades bolivianas um relatório confidencial com nomes e informações importantes dos traficantes chineses mais atuantes no país”, diz Crosta à BBC News Mundo.
O Parque Nacional de Madidi é refúgio para muitas espécies como a onça-pintada
WCS
Onça por tigre
As onças são caçadas por suas presas, ossos, pele e órgãos genitais, que são usados ​​na medicina tradicional ou como amuletos ou joias. Crosta afirma que partes de onça são vendidas na China como se fossem partes de tigre, o animal originalmente usado nas tradições.
“É cada vez mais difícil encontrar tigres selvagens na Ásia e os clientes querem órgãos de animais selvagens, não de tigres criados em cativeiro”, explica.
Os grupos criminosos usam empreendimentos legítimos, como restaurantes, por exemplo, como fachada.
“Os mais importantes traficantes de animais selvagem que conhecemos na América Latina, do México à Bolívia — trabalhamos em sete países da região —, têm negócios legítimos não apenas para encobrir suas atividades ilícitas, mas também como fonte de lucro”, diz Crosta.
Os caçadores na Bolívia podem vender uma presa a intermediários por menos de US$ 100 (cerca de R$ 515). O consumidor final na Ásia paga de US$ 900 (R$ 4 mil) a US$ 3 mil (R$ 15,4 mil).
Segundo Enzo Aliaga, que atualmente dirige a diretoria de biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente da Bolívia, o problema também atinge o Panamá, Peru, México, Guiana e outros países onde existe a espécie.
Há fortes suspeitas de que o Brasil, país com a maior população de onças (que nos países de língua espanhola são chamada de jaguares) no continente, também seja afetado (veja mais abaixo).
As presas de onça são vendidas na China como presas de tigres
ELI
Presas no bolso
Um dos problemas, diz Crosta, da ELI, é que contrabandear partes de animais é mais fácil do que fazer o tráfico de animais vivos.
“Contrabandear presas é extremamente simples porque são pequenos objetos que podem ser escondidos em qualquer lugar, como bolsos ou bagagem”, afirma ela.
Quando se trata de grandes quantidades ou ossos, são escondidos em remessas de produtos como madeira.
“A menos que você saiba onde procurar, é impossível encontrá-los”, afirma Crosta.
Aliaga afirma que os traficantes fazem o transporte até em caixas de bombons. “Eles passam pelos controles do aeroporto porque o detector de metais não vai soar”, afirma.
Os traficantes também vendem a pele do animal
ELI
Investimentos chineses
Um estudo sobre apreensões na América do Sul e Central, publicado em 2020 na revista Conservation Biology, analisou a relação entre a chegada à região de investimentos chineses, especialmente em projetos de infraestrutura, e o tráfico de partes de onças.
“Encontramos uma correlação consistente entre o nível de investimento privado chinês e o número de apreensões de partes de onças-pintadas, mas não de onças-pardas ou jaguatiricas, nossas espécies de controle. Neste estudo, no entanto, não avaliamos como a cooperação econômica pode facilitar o tráfico”, afirma Thais Morcatty, pesquisadora da Oxford Brookes University, na Inglaterra, e uma das autoras do estudo.
“O número de apreensões aumentou significativamente na América Latina entre 2012 e 2018. Mas ainda não comprovamos que uma coisa causa a outra. Não podemos especificar se o aumento é causado pelo aumento do tráfico, resultado de maior monitoramento ou resultado de algum outro fator. Portanto, esses dados devem ser interpretados com cautela”, diz ela.
“Em nossos registros, 34% das apreensões foram supostamente vinculadas à China como destino ou a cidadãos chineses. Os 66% restantes incluem comércio interno e tráfico internacional em que o país de destino não foi identificado”, explica a pesquisadora.
A matança de onças também pode abrir a porta para o tráfico de outras espécies.
“Já há evidências disso. Em um dos anúncios, há dois ou três anos, eles pediam abertamente chifres e genitais de veados e garras de tamanduás e ursos andinos”, diz Aliaga.
Núñez acredita que as autoridades deveriam prestar mais atenção ao problema.
“Sob o pretexto de ‘ataques de onças ao gado’, estão caçando onças, que provavelmente estão entrando no mercado negro para o tráfico de suas partes.”
Entre 2014 e 2019, foram apreendidas cerca de 760 presas
ELI
Outras ameaças
Além do tráfico, as onças-pintadas enfrentam uma série de outros riscos graves – principalmente a destruição de seu habitat por causa do avanço agressivo do agronegócio, diz Enzo Aliaga, do Ministério do Meio Ambiente da Bolívia.
“A pecuária extensiva e mal gerida está se expandindo, transformando florestas em pastagens”, afirma Aliaga, do Ministério do Meio Ambiente da Bolívia.
Outro grande problema são os incêndios. “No maior incêndio de 2019 na Bolívia, cinco milhões de hectares foram queimados. Estima-se que milhões de animais morreram, provavelmente onças entre eles” afirma.
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“As onças mal sobrevivem em circunstâncias tão adversas. Há conflitos com fazendeiros. As pessoas têm medo deles e os matam. A pressão sobre a onça ficou muito, muito forte. E eu temo que vai continuar crescendo”, diz Aliaga.
Ameaças no Brasil
O tráfico das presas “parece potencialmente afetar as onças brasileiras”, segundo Thais Morcatty, da Oxford Brookes University.
“Existem apreensões de partes de onça em que a polícia suspeitou de envolvimento com o tráfico internacional, e outros relatos por populações locais próximos às zonas fronteiriças de partes de onça que estariam sendo levadas a países vizinhos como Suriname, por exemplo, para serem exportados para a Ásia”, disse ela à BBC News Brasil.
Segundo Morcatty, de acordo com último estudo publicado em 2018, o Brasil “tem a maior proporção de área protegida (66% da área de abrangência da onça-pintada)” entre os países latino-americanos, e “a subpopulação Amazônica é estimada entre 56 e 58 mil indivíduos de onça-pintada”.
A onça-pintada é uma das milhares de espécies que têm sofrido com a destruição de seu habitat no Brasil nos últimos anos, quando houve altas históricas do desmatamento.
As onças também são alvo de caçadores brasileiros — que chegam a expor a matança de animais silvestres no Facebook e no Youtube.
O ICMBio, órgão do Ministério do Meio Ambiente, tinha um Plano de Ação Nacional para Conservação da onça-pintada, implementado em 2010, mas o programa foi encerrado em 2017 e nunca foi reativado.
No momento o órgão é uma das entidades ligadas ao Ministério do Meio Ambiente que sofrem com corte de verbas e perda de funcionários.
Os animais estão sob ameaça em diversos países da América Latina
SCIENCE PHOTO LIBRARY
Ações na Bolívia
A Bolívia tem realizado diversas ações para tentar proteger a espécie em seu território, como a criação da Aliança Nacional para a Conservação da Onça-pintada.
Instituições governamentais, universidades, pesquisadores independentes e órgãos não-governamentais como a Wildlife Conservation Society, a Panthera e a Associação Savia Association, participam da aliança.
“A reserva de Madidi é a área protegida com maior diversidade biológica do mundo, um refúgio para muitas espécies ameaçadas, incluindo a onça-pintada”, diz Rob Wallace, cientista da Wildlife Conservation Society que monitora as onças-pintadas na reserva há 25 anos.
O Ministério do Meio Ambiente da Bolívia também lançou um programa para proteção da espécie, que inclui a formação de juízes e promotores em parceria com a aliança.
“As pessoas presas em flagrante delito foram libertadas por promotores que muitas vezes desconhecem a regra ou não a aplicam corretamente, ou foram condenadas a penas muito baixas”, diz Núñez.
Aliaga diz que, dos mais de 20 processos criminais por tráfico de partes de onças, apenas três pessoas de cidadania chinesa foram condenadas à prisão, com penas de três e quatro anos.
Aliaga acredita que as penas deveriam ser mais drásticas “porque os traficantes e caçadores sabem que se matarem o animal estarão livres em pouco tempo”.
O plano também promove pesquisas sobre a situação do felino. Estimativas internacionais feitas com diferentes métodos colocam a população da onça-pintada na América entre 64 mil e 173 mil indivíduos.
O grande desafio no país continua sendo a falta de recursos.
“Recebi a denúncia de que o tráfico continua em uma área muito remota, mas o problema é que a Diretoria de Biodiversidade é uma pequena diretoria em termos de pessoal e orçamento”, diz Aliaga. “Tentamos trabalhar com a polícia ambiental, mas ela também é muito pequena,infelizmente.”
Marcos Uzquiano disse à BBC Mundo que se orgulha de ser guarda florestal em Madidi e das iniciativas que surgiram na Bolívia, mas também ressalta a urgência em obter recursos.
“Somos 26 guardas-florestais e dois diretores de proteção em um parque de mais de 1,8 milhão de hectares. Isso, somado à falta de equipamentos, torna a tarefa árdua. O orçamento não é suficiente para cobrir as despesas operacionais, de combustível”, afirma.
Os guardas relatam no filme sua preocupação com o risco crescente de se tornaram alvos dos caçadores.
Além do tráfico, o agronegócio, o desmatamento e a caça por fazendeiros locais também ameaçam o felino
WCS
‘Enquanto houver mercado…’
Aliaga diz que é preciso cooperação internacional.
“Podemos continuar a luta aqui na Bolívia com penas mais duras, mas enquanto houver mercado, vai continuar”, afirma.
Para a diretora do ELI, “os traficantes chineses na América Latina são o elo mais fraco do crime, a melhor oportunidade de interromper a cadeia de abastecimento ilegal”.
“Infelizmente, nos sete países em que operamos atualmente, não conheço nenhum governo que consiga combater com eficácia essas redes de tráfico chinesas. As entidades ambientais não têm recursos, não têm o conhecimento específico e nem mesmo têm intérpretes chineses”, afirma Crosta.
“Algumas dessas agências têm uma intenção genuína de enfrentar o problema, mas admitem que não têm o conhecimento prático para fazê-lo.”
A maioria das áreas identificadas como prioritárias para a conservação do felino são áreas transfronteiriças, explica Rob Wallace.
Uma onça-pintada pode ter um território de mais de 200 quilômetros quadrados.
“É absolutamente crucial que existam grandes áreas conectadas de habitat relativamente intacto”, afirma Wallace.
“É importante também que sejam tomadas ações da IUCN, uma vez que já existe uma proposta de mudança da categoria da espécie, de espécie em situação menos preocupante para espécie ameaçada internacionalmente”, dia a bióloga Núñez.
“Essa medida permitiria aos países tomarem mais ações em prol da conservação da espécie”.
A espécie é encontrada em 18 países da América, a maioria na região amazônica
Carlos Navarro via BBC
No final do filme Tigre Gente, a jornalista Laurel Chor é vista dando uma palestra sobre conservação para crianças em Hong Kong.
Enzo Aliaga acredita que também é preciso melhorar a educação ambiental na Bolívia.
“Quando os bolivianos começarem a aprender mais sobre a biodiversidade, acho que eles darão muito valor a essas vidas”.
Marcos Uzquiano espera que Tigre Gente ajude a aumentar a conscientização sobre a necessidade de proteger a onça-pintada.
“Peço à população que volte seu olhar para as áreas protegidas, para a onça. Precisamos trabalhar como um povo unido ou essa luta não fará sentido. Nós, como guardas florestais, não conseguimos fazer isso sozinhos”, diz ele. “Precisamos do apoio da população e do compromisso da comunidade internacional.”
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Fonte: G1 Mundo