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‘Trágico e hediondo’: o relato de pediatra sobre internação recorde de crianças por Covid nos EUA


Em meio à rápida disseminação da variante delta no país, hospitalizações entre os pequenos atinge maior nível desde o início da pandemia. Pediatra de hospital no Texas faz apelo para que adultos se vacinem
Getty Images via BBC
As hospitalizações de crianças acometidas pela Covid-19 atingiram seu nível mais alto nos Estados Unidos desde que o país começou a monitorar esse tipo de caso, há cerca de um ano.
No final de agosto, a média diária de internações girava em torno de 300, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), agência de saúde pública dos EUA.
Médicos alertam que a situação pode piorar à medida que as escolas dão início ao ano letivo e que a variante delta, mais contagiosa, se dissemina por todo o território.
A taxa de mortalidade de crianças com Covid é inferior a 1%, mas o problema mais sério, segundo os especialistas, são as consequências que o vírus pode causar.
Entre elas, a síndrome inflamatória multissistêmica (PIMS, na sigla em inglês), que pode provocar danos no coração, no sistema digestivo, nervoso e respiratório.
A pediatra Christina Propst relata sua experiência no tratamento de crianças com Covid-19 e a situação no Texas Medical Center, o maior complexo médico do mundo:
“O que vejo nas crianças com Covid me assusta. Alguns dos meus pacientes têm precisado de cuidados intensivos e, nas últimas semanas, houve óbitos infantis no Texas Medical Center.
Essas mortes são devastadoras, principalmente quando você vê o sofrimento pelo qual uma criança intubada teve que passar por um longo período de tempo.
O problema é que a delta está afetando mais crianças do que outras variantes. Na verdade, no Hospital Pediátrico do Texas, um terço das crianças que chegam com Covid necessitam de cuidados intensivos.
Isso geralmente significa que eles precisam de suporte respiratório. É realmente doloroso ver crianças intubadas por Covid.
Não teria dito isso há um ano, quando tínhamos a variante alfa, mas aquilo não era nada comparado ao que estamos vivendo agora.
Os casos de Covid em crianças em todo o país quadruplicaram no último mês, e um dos motivos é que a variante delta é transmitida muito mais facilmente.
Uma segunda razão é que as crianças não estão sendo vacinadas. Por um lado, os menores de 12 anos não se qualificam para a imunização; por outro, muitos adolescentes não foram vacinados. Isso é um grande problema.
A terceira razão é o fato de que muitos adultos não usam máscara. Andam por aí como se não houvesse nada de errado, sem saber que podem ser assintomáticos e, portanto, infectar seus filhos ou outras crianças.
Estudo preliminar com 340 mil pessoas comprova que máscaras são eficazes contra a Covid
Eu gostaria que mais pessoas pudessem ver o que os pediatras que trabalham na linha de frente estão vendo agora. É simplesmente trágico, hediondo, devastador.
Sinto a mesma coisa que muitos pediatras. Sinto uma combinação de dor, raiva e frustração, porque a morte de um filho por Covid é completamente evitável.
Se você tem um filho com mais de 12 anos, deve vaciná-lo. É como quando você exige que ele coloque o cinto de segurança no carro para que sua vida não corra perigo.
Tenho visto pais que perderam seus filhos e imploram às pessoas que se vacinem para poupar outras famílias da dor que estão sentindo.
Estados Unidos desperdiçaram 15 milhões de doses de vacinas de Covid desde março
Lembro-me de um caso em que um de meus pacientes, um bebê de apenas cinco semanas, foi diagnosticado com Covid. A mãe também estava com a doença.
É uma família numerosa, com poucos recursos econômicos e que não fala inglês como primeira língua. Felizmente, esse bebê está bem e agora está em casa.
Mas outras crianças, infelizmente, apresentam sequelas muito graves, como uma reação inflamatória multissistêmica que pode causar danos ao coração, pulmões, rins e outros órgãos.
Estamos observando aumento desse tipo de caso, mas muitas pessoas não sabem disso. Se uma criança tem miocardite e contrai Covid, ela pode sofrer de insuficiência cardíaca. Em outros casos, pode sofrer de insuficiência renal que demande diálise mesmo após a cura da Covid.
Eu diria que, além da morte, essas são algumas das sequelas mais graves possíveis que a doença pode causar.
Há também a Covid longa, que, no caso das crianças, levou muito mais tempo para que fosse identificada. Isso se deve, em parte, ao fato de que as crianças geralmente não dão entrevistas, não votam ou fazem doações para políticos.
Se prestarmos atenção ao que está acontecendo com crianças que têm Covid longa, percebemos que elas sentem fadiga, dores de cabeça, confusão mental, distúrbios do sono, desconforto, alterações no olfato e no paladar. Algumas dessas crianças desenvolveram depressão severa.
Uma das coisas mais preocupantes é que a Covid pode provocar repercussões nas próximas décadas com consequências que nem conhecemos hoje.
O panorama está se complicando. Cerca de metade dos testes de Covid que fiz em uma única semana deram positivo. Isso é uma taxa de positividade de 50% apenas na minha amostra.
E isso foi antes do início do ano letivo no final de agosto.
O que vi é que a abertura de escolas nada mais fez do que colocar mais combustível no fogo, acelerando o índice de positividade entre as crianças, pelo menos aqui em Houston [capital do estado do Texas].
É de fato assustador quando o maior centro médico do mundo, o Texas Medical Center, está à beira do colapso.
A unidade de terapia intensiva do Hospital Pediátrico do Texas está lotada, e isso afeta outras crianças que podem precisar de cuidados intensivos porque sofreram um acidente ou desenvolveram, por exemplo, meningite bacteriana. O que você faz com elas?
Uma situação semelhante também está ocorrendo em outras partes dos EUA. Em uma semana de agosto, apenas em uma semana, 180 mil novos casos de Covid em crianças foram diagnosticados no país.
E muitas pessoas não querem ser vacinadas, apesar do que estamos passando. Aqui no Texas, apenas 56% estão vacinadas com as duas doses. A essa altura do campeonato, isso é cruel.
As pessoas deveriam levar isso a sério pelas crianças. No momento, elas são o grupo mais vulnerável, ​​porque os idosos podem receber uma terceira dose.
As crianças, por outro lado, não podem nem mesmo receber uma primeira dose se tiverem menos de 12 anos de idade. Assim, para mim, o mais importante é que todas as pessoas que podem se vacinar o façam.
Pode parecer algo muito óbvio, mas aparentemente é preciso que isso seja bradado para todo mundo aos quatro ventos.
Nossa última esperança agora é que as pessoas usem máscaras e que nos comportemos como adultos responsáveis.”
O que devemos saber sobre as máscaras PFF2/ N95
Veja VÍDEOS sobre as vacinas da Covid-19:

Fonte: G1 Mundo

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Talibãs e rebeldes entram em confronto no Vale do Panjshir


Região é a única das 34 províncias do Afeganistão que não foi conquistada pelo grupo extremista em sua volta ao poder. Panjshir resistiu ao Talibã na década de 90 e à invasão soviética na de 80. VÍDEO: Quem é Ahmad Massoud, que pode se tornar líder da resistência ao Talibã no Afeganistão
Forças do Talibã entraram em confronto com rebeldes no Vale do Panjshir, a única das 34 províncias do Afeganistão que não foi conquistada pelo grupo extremista em sua volta ao poder após 20 anos.
Forças leais ao líder Ahmad Massoud, filho do lendário comandante Massoud, se reúnem no vale íngreme, montanhoso e de difícil acesso que nem os soviéticos na década de 80 nem os talibãs na década de 90 conseguiram conquistar (veja no vídeo acima).
A capital de Panjshir, que significa “Cinco leões”, é Bazarak. Ela fica a apenas 120 km a nordeste de Cabul, a cerca de duas horas de carro da capital afegã.
Vale do Panjshir: a única província que ainda resiste ao Talibã no Afeganistão
Lucas Sampaio/G1
Afegãos armados resistem ao Talibã em área de Parakh, em Bazarak, na província de Panjshir, em 19 de agosto de 2021
Ahmad Sahel Arman/AFP
O Talibã cercou a região de difícil acesso em meados de agosto, e os dois lados negociavam um acordo de paz. “Começamos as operações após a negociação com o grupo armado local fracassar”, afirmou o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid.
Tanto os rebeldes quanto o grupo extremista disseram ter provocado grandes danos e mortes no adversário. “Eles sofreram perdas pesadas”, disse Mujahid.
Um porta-voz da Frente Nacional de Resistência do Afeganistão, no entanto, disse que os rebeldes têm total controle de todas as entradas da região e repeliram os ataques no distrito de Shotul.
“O inimigo fez múltiplas tentativas para entrar em Shotul a partir de Jabul-Saraj e fracassou em todas elas”, disse, em referência à uma cidade na província vizinha de Parwan.
Resistência à URSS e ao Talibã
Movimento de resistência ao Talibã participam de treinamento militar na área de Malimah, no distrito de Dara, na província de Panjshir, em 2 de setembro de 2021, enquanto o vale continua sendo o último local ainda não conquistado pelo grupo extremista no Afeganistão
Ahmad Sahel Arman/AFP
Ahmad Massoud é filho do comandante Ahmad Shah Massoud, herói da resistência antissoviética no Afeganistão que ganhou o apelido de “Leão de Panjshir”. Seus seguidores o chamam de Amir Sahib-e Shahid, que significa “nosso amado comandante martirizado”.
Até hoje o vale está cheio de carcaças de blindados soviéticos destruídos em batalhas malsucedidas para conquistá-lo.
Além da União Soviética, na década de 80, o Talibã também não conseguiu conquistar o Vale do Panjshir quando controlou o país, entre 1996 e 2001.
Massoud pai foi assassinado pela Al-Qaeda na província vizinha de Takhar em 2001, na época do ataque terrorista do 11 de Setembro que desencadeou a invasão americana ao Afeganistão.
Devido aos inimigos em comum, o Panjshir serviu como reduto da Aliança do Norte, grupo armado que se aliou aos EUA durante a invasão de 2001 para tirar o Talibã do poder e expulsar a Al-Qaeda do país.
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Ahmad Massoud, filho do herói da resistência anti-soviética Ahmad Shah Massoud, que foi morto pelo Talibã em 2001, pede ajuda estrangeira para organizar resistência ao grupo extremista a partir da província de Panjshir, no Afeganistão. Foto de 5 de setembro de 2019.
Mohammad Ismail/Reuters

Fonte: G1 Mundo

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Mulheres afegãs pedem participação política em protesto em Cabul


Um grupo de mais de dez mulheres fez um protesto do lado de fora do palácio presidencial em Cabul. Mulheres realizam protesto por emprego no Afeganistão
Um grupo de mulheres do Afeganistão fez um protesto do lado de fora do palácio presidencial em Cabul, a capital do país, nesta sexta-feira (3) no qual pediam para que os direitos que as mulheres tiveram nos últimos 20 anos sejam mantidos e que mulheres façam parte do governo do Talibã a ser formado.
Manifestantes pedem direitos políticos no Afeganistão, em 3 de setembro de 2021
Wali Sabawoon/AP
Em um dos portões, havia pouco mais de dez mulheres. Elas carregavam pequenos cartazes nos quais pediam “um governo heróico com a presença de mulheres”.
As manifestantes afirmaram que não querem voltar ao passado.
Mulheres afegãs protestam em Cabul, em 3 de setembro de 2021
Wali Sabawoon/AP
Elas também distribuíram um documento no qual pedem que as mulheres afegãs tenham direito a educação, participação política e social no futuro do país, além de liberdade de discurso.
A volta do Talibã
Com o retorno do grupo fundamentalista islâmico ao poder após 20 anos, as afegãs temem perder os direitos sociais e econômicos que conquistaram nas últimas duas décadas.
O Talibã comandou o país de 1996 a 2001. O grupo foi acusado pelos americanos de esconder e financiar membros da Al-Qaeda, grupo terrorista comandado por Osama bin Laden e responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001.
Os EUA e seus aliados invadiram o Afeganistão pouco depois dos ataques terroristas. O grupo extremista foi expulso do poder com a invasão americana.
O grupo assinou um acordo com o governo de Donald Trump para a saída dos americanos. No começo de agosto de 2021, o Talibã começou a conquistar diversas províncias no país. No dia 15 de agosto, o Talibã já estava perto de Cabul. O presidente Ashraf Ghani, então, fugiu do país. O grupo retomou controle do país.
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Fonte: G1 Mundo

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Primeiro-ministro britânico reclama de insultos racistas contra jogadores ingleses na Hungria


Dois jogadores negros da Inglaterra foram vítimas de racismo em um jogo entre Inglaterra e Hungria que aconteceu em Budapeste, pela eliminatória da Copa do Mundo. UEFA investiga racismo e homofobia de torcida da Hungria na Euro
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, reclamou, nesta sexta-feira (3), dos insultos racistas de torcedores da Hungria contra os jogadores da Inglaterra durante o jogo de qualificação para a Copa do Mundo de 2022, na quinta-feira, em Budapeste.
“É totalmente inaceitável que jogadores da seleção inglesa tenham sido alvo de insultos racistas ontem à noite (quinta-feira) na Hungria”, escreveu Johnson. O chefe de governo pediu à Fifa que “tome medidas enérgicas contra os responsáveis para garantir que esse tipo de comportamento vergonhoso seja erradicado para sempre”.
Jude Bellingham, jogador inglês que defende o Borussia Dortmund, em imagem de agosto
Leon Kuegeler/Reuters
Veículos da imprensa britânica, como a BBC e a Sky News, relataram os gritos racistas dirigidos aos jogadores negros Jude Bellingham e Raheem Sterling durante a vitória da Inglaterra por 4-0.
“Eu não ouvi”, disse o capitão da Inglaterra, Harry Kane, à ITV. “Vou falar com os rapazes para ver se ouviram alguma coisa”, acrescentou.
Caso isso se confirme, será comunicado à Uefa, afirmou, dizendo esperar medidas enérgicas em resposta.
Pouco antes da partida, os jogadores ingleses também foram vaiados pela maioria dos 60 mil torcedores húngaros por se ajoelharem para denunciar o racismo.
Em 2019, uma partida de qualificação para a Eurocopa 2020, em que a Inglaterra venceu a Bulgária, foi marcada por explosões racistas. O episódio gerou indignação no Reino Unido e nos organismos europeus de futebol.
Em julho, Johnson anunciou sua intenção de proibir o acesso aos estádios de torcedores que proferirem insultos racistas contra os jogadores na Internet. A declaração foi dada na esteira dos ataques sofridos por três jogadores negros da seleção inglesa, após a derrota na final da Eurocopa 2020 para a Itália.
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Fonte: G1 Mundo

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O que é o Islã? Muçulmanos e pesquisador explicam pilares da religião


Crença em Allah, jejum e oração guiam ensinamentos disseminados pelo profeta Muhammad. Sheik e professores de cultura islâmica falam sobre hijab, casamento e fé. Mulheres muçulmanas se lavam em uma fonte da Jama Masjid, a Grande Mesquita, em Nova Délhi, na Índia.
Altaf Qadri/AP
Oração, jejum e a crença em um único deus formam a base do Islã, uma das religiões que mais crescem no mundo em número de fiéis. Os ensinamentos estão contidos no Alcorão, o livro sagrado que reúne as revelações divinas ao profeta Muhammad (Maomé), ainda no século VII.
Apesar da ascensão no número de seguidores, o desconhecimento sobre as tradições, regras e as crenças islâmicas ainda persiste no Ocidente. Para explicar os principais conceitos, o G1 ouviu um sheik – líder religioso –, um pesquisador de cultura e religião na área de relações internacionais e uma professora muçulmana, que dá aulas sobre língua árabe e cultura islâmica.
Mohammad Zedan, de 71 anos, lidera uma mesquita na Asa Norte, em Brasília. Ele explica que são cinco os pilares do Islã:
A profissão da fé, com um Deus único e absoluto (Allah), e Muhammad é seu profeta;
Orações 5 vezes ao dia: às 5h30, 12h, 15h30, 16h, 19h30;
Jejum no mês do Ramadã;
Caridade;
Peregrinação à Meca, se o fiel tiver condições financeiras.
Além disso, o professor-adjunto Erwin Pádua Xavier, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), destaca que a base da religião é o monoteísmo. “Acredita-se na supremacia e na unidade de Deus. Não se concebe Deus como trindade, mas como fonte indivisível da criação”, explica.
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Já em relação aos extremismos, assunto em voga devido a atuação recente do Talibã no Afeganistão e aos ataques cometidos pelo Estado Islâmico no país, a professora Maha Abdelaziz Zeineldin, que ensina língua árabe e cultura islâmica no Centro Islâmico de Brasília, deixa claro que a religião “não tem nada a ver com eles”.
“Qualquer muçulmano abomina atos terroristas. Somos obrigados a respeitar outras etnias e religiões. Isso de sair matando porque a mulher não usou roupa coberta, não existe, isso não é prática entre muçulmanos e nem no Alcorão”, diz.
Saiba a diferença entre o Estado Islâmico e o Talibã
Mulheres no Islã
Para a pesquisadora, existe “muita confusão” no mundo ocidental sobre o entendimento do modo como o Islã orienta as mulheres, principalmente em relação aos trajes.
Talibã no poder: afegão que vive em Brasília relembra rotina de regras e proibições impostas por extremistas
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As regras do Alcorão orientam que as muçulmanas cubram pernas, braços, o tronco e a cabeça, esta, com uso do hijab (véu). No entanto, segundo Maha, não existe uma determinação sobre uso da burca, que cobre olhos, boca e nariz.
“Não podemos usar roupas com as pernas de fora ou mostrar os seios. A beleza da mulher chama a atenção do homem, e o Islã nos vê como uma joia”, explica. “Não somos uma mercadoria para sermos exposta na rua para quem quiser.”
“Não é uma repressão. A mulher muçulmana gosta de se proteger e se cobrir”, explica Maha.
Maha Abdelaziz Zaki Salama Zeineldin é natural do Egito e vive no Brasil é 41 anos
Arquivo pessoal
Por causa dessas tradições religiosas e culturais, a professora – que nasceu no Egito – diz ainda que o uso dos trajes, hijab (véu) e roupas modestas, são um modo de “liberdade de expressão e de praticar nossa cultura”.
“Muitos países ocidentais não aceitam nossa cultura e nos obrigam a aceitar a deles. Não podem haver dois pesos e duas medidas.”
O professor de relações internacionais Erwin Xavier, também explica que, apesar das regras impostas pelo Alcorão, ainda no século VII, na região da península arábica, o Islã surgiu com uma série de tradições mais progressista para a época.
“Antes, a mulher era considerada uma propriedade trocada entre famílias, mas o Islã estende para elas uma série de direitos. A religião proibiu o infanticídio feminino, por exemplo. Antes, simplesmente por nascer menina, a criança podia ser enterrada viva ou jogada no rio”, diz.
Oração 5 vezes ao dia
A primeira oração, das cinco diárias que devem ser realizadas pelos fieis da religião islâmica, se chama Farj e inicia ainda na alvorada, às 5h30. A última, o Ishaa, deve ser feita à noite, às 19h, sempre em direção à Meca, na Arábia Saudita – uma das cidades sagradas, onde nasceu o profeta Maomé.
Afeganistão: o que é a Sharia, lei islâmica que o Talibã quer aplicar no país?
Para quem vê de fora, a obrigação pode ser difícil de conciliar com os afazeres, rotina e trabalho. No entanto, Maha explica que algumas orações podem ser “puladas” e feitas “assim que possível”, em caso excepcional.
“A primeira oração eu faço ao acordar, então, ainda estou em casa. A segunda, na hora do almoço. A terceira, dá para pegar uma pausa no trabalho, entrar no banheiro, lavar as mãos e os pés (ablução) e ir até um cantinho para rezar. Você coloca um tapete e reza. As demais, já estarei em casa”, conta.
Na história do Islã, existem importantes figuras femininas
Getty Images/BBC
Além disso, a professora de cultura islâmica explica que as mulheres, em especial, não são obrigadas a ir todas as vezes à mesquita. “Todo o planeta, para Deus, é uma mesquita”, afirma.
Casamento e família
A poligamia é permitida em alguns países onde a população segue o Islamismo. A prática, no entanto, não é difundida em todos os segmentos da religião.
Os religiosos ouvidos pelo G1 explicam que as orientações sobre casamento e família também estão no Alcorão, o livro sagrado. “Na época, o profeta Muhammad tratou de todas as questões: casamento, herança, tudo… O Alcorão é um livro religioso e jurídico”, explica Maha.
Mesquita em Brasília, na Asa Norte
Abdul Rashid/Arquivo pessoal
“Naquela época que ele recebeu a missão, os homens tinham 500 mulheres, outros 40. Então, o profeta limitou isso, porque o homem não vai conseguir realizar justiça com três ou quatro esposas. Jamais vai ter condições de manter tantas casas assim”, explica Maha.
“A única determinação é que os homens sejam fieis, jamais trair, nem com a palavra. A mulher deve dar apoio ao marido. Pode trabalhar, e não é obrigada a bancar nada, nem os gastos dela. O homem deve cobrir todas as necessidades da esposa.”
Na mesma linha, o professor Erwin afirma que o Islã proíbe casamentos forçados. “A mulher tem que consentir licitamente para se casar”, diz. “E, no geral, a religião autoriza o casamento do homem com até quatro mulheres, mas orienta que o ideal é a monogamia”.
Islã x islamismo x muçulmanos
Um estudo do Pew Research de 2017 estimou que, até o fim do século, o Islã deve ultrapassar o cristianismo e se tornar a religião com o maior número absoluto de fiéis do planeta.
O pesquisador da universidade de Uberlândia explica que, atualmente, a maioria dos fiéis não está no Oriente Médio, mas em países como Índia, Paquistão e Bangladesh.
“Somente neste subcontinente são cerca 700 milhões de muçulmanos.”
Ainda sobre o assunto, Erwin detalha a diferença entre os termos “Islã”, “Islamismo” e “muçulmano”.
Islã: nome que se dá à religião. Na tradução do árabe, faz referência a “paz e entrega”.
Islamismo: nome da religião, mas sufixo “ismo” também pode se referir à ideologia política.
Muçulmano: vem do árabe “muslim”, aquele que que se entregou e segue as leis divinas.
Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

Fonte: G1 Mundo

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Fortões ucranianos batem recorde ao puxar, sozinhos, um avião Antonov; veja VÍDEO


Grupo de 8 atletas foi capaz de arrastar, apenas com a força do corpo, o maior avião de carga do mundo. VÍDEO: Fortões ucranianos batem recorde ao puxar, sozinhos, um avião Antonov
Atletas ucranianos bateram o recorde ao conseguirem, sozinhos, puxar um avião Antonov AN-225, o maior cargueiro do mundo (veja no vídeo acima).
O grupo de fortões – oito no total – arrastou a aeronave por uma distância de 4 metros no aeroporto de Kiev, na semana passada. Todo o esforço durou cerca de 1 minuto e 13 segundos.
Os recordistas já estão acostumados a desafios como este, que pesa mais de 200 toneladas. Isso porque eles competem profissionalmente em esportes de força.
Ucranianos batem recorde ao puxar avião Antonov, maior cargueiro do mundo
Gleb Garanich/Reuters
Oleksandr Lashyn, um dos atletas recordistas, disse em entrevista à agência de notícias Reuters acreditar que este foi um momento único.
“É o maior e mais pesado avião do mundo”, disse Lashyn. “É um avião feito na Ucrânia. E nós conseguimos fazer ele se mover pouco mais de 4 metros.”
“Acredito que esse recorde merece estar no Guinness Book”, reforçou o esportista.
Ucranianos batem recorde ao puxar avião Antonov, maior cargueiro do mundo
Gleb Garanich/Reuters
O livro dos recordes ainda não formalizou a conquista dos ucranianos, feita na quinta (26), mas lista ao menos dois recordes ligados a esta aeronave: de mais pesada a mais comprida.
Também chamado de Mriya, o Antonov foi construído na União Soviética em 1988 para transportar naves espaciais e outras cargas pesadas.

Fonte: G1 Mundo

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Entenda o que significa a proibição do aborto no Texas para o resto dos EUA


Decisão da Suprema Corte de não bloquear a legislação restritiva para as mulheres pode gerar efeito dominó em estados conservadores. Manifestante protesta contra projeto de lei do Texas que irá dificultar o voto de minorias no estado
Gabrielle/Reuters
Numa medida que pode abrir caminho para reverter a decisão histórica que permite, desde 1973, o aborto nos EUA, a Suprema Corte se recusou a bloquear a lei que torna o Texas o estado com as regras mais rígidas e restritivas para a interrupção voluntária da gestação. Trata-se da maior vitória, em meio século, dos grupos pró-vida e a consolidação da maioria conservadora na corte.
Cinco juízes conservadores — três deles nomeados pelo ex-presidente Donald Trump — autorizaram que a lei sancionada pelo governador republicano Greg Abbott entrasse em vigor, violando o princípio básico do caso Roe x Wade: a interrupção da gravidez só poderá ser feita em até seis semanas após a menstruação, em contraposição ao prazo permitido atualmente, entre 22 e 24 semanas.
A legislação exclui o direito ao aborto em casos de incesto ou estupro e ainda dá permite qualquer cidadão do Texas processar médicos em 24 clínicas que praticam o aborto e ganhar até US$ 10 mil.
É esta, aliás, a principal diferença do estado em relação a outros que tentaram aprovar a proibição do aborto após seis semanas, mas foram bloqueados pelos tribunais: no Texas, o segundo mais populoso dos EUA, a lei sobreviveu porque delega a fiscalização aos cidadãos e não ao poder público.
Ou seja, o mecanismo criará uma legião de denunciantes, com poder de polícia, à caça de recompensas, incentivando, na mesma proporção, tanto gananciosos quanto fanáticos da direita religiosa.
O novo dispositivo transformou em pesadelo a vida de milhares de texanas, já que 85% recorrem ao aborto após a sexta semana de gravidez. Ao optar por não o bloquear, a Suprema Corte acendeu um alerta perigoso.
Juristas e constitucionalistas se debruçam no debate sobre o efeito dominó que terá sobre as proteções ao aborto que vigoram desde o caso Roe x Wade. De acordo com a decisão tomada na década de 1970 pelo mais alto tribunal dos EUA, a interrupção voluntária da gestação deve ser permitida à mulher, por qualquer razão, até o momento em que o feto se torna potencialmente capaz de viver fora do útero materno sem ajuda artificial.
Em minoria, os três magistrados da ala progressista da Suprema Corte tiveram a adesão do chefe do tribunal, o juiz John Roberts, que chamou a aplicação da lei do Texas de “não apenas incomum, mas sem precedentes”. O presidente Joe Biden, outro aliado dos defensores dos direitos das mulheres, questionou a sua constitucionalidade.
O mais preocupante, para os grupos de ativistas, ainda está por vir. A decisão do tribunal de não bloquear a legislação do Texas pode significar um alento à revisão, até o fim do ano, de uma lei do Mississippi, que proíbe o aborto até 15 semanas, interpretada como mais uma violação da decisão Roe x Wade.
Outros estados conservadores, como Kentucky, Alabama, Arkansas e Dakota do Norte, serão estimulados a replicar a política estadual do Texas. É ilusório, contudo, acreditar que as restrições, ou mesmo a proibição, reduzirão o número de abortos. Apenas levarão a prática para a clandestinidade, pondo em risco a saúde das mulheres e acirrando as desigualdades.

Fonte: G1 Mundo

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Homem é morto pela polícia após atacar e esfaquear pessoas em supermercado na Nova Zelândia

A primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Arden, afirmou que o ataque foi um ato terrorista. A polícia da Nova Zelândia atirou e matou um homem nesta sexta-feira (3) depois que ele esfaqueou e feriu pelo menos seis pessoas em um supermercado na cidade de Auckland.
A primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Arden, afirmou que o ataque foi um ato terrorista.
“Um extremista violento empreendeu um ataque terrorista contra inocentes da Nova Zelândia”, disse Ardern.
O agressor era um cidadão do Sri Lanka que estava na Nova Zelândia há 10 anos. Ele vinha sendo observado pela polícia há cinco anos.
O homem foi morto logo após iniciar seu ataque. A polícia infirmou que o homem agiu sozinho.
“Foi odioso, foi errado. Foi realizado por um indivíduo, não por uma fé”, lamentou Ardern. “Só ele carrega a responsabilidade por esses atos.”
Um vídeo postado em rede social mostrou clientes no supermercado New Lynn durante o ataque. “Tem alguém aqui com uma faca … ele tem uma faca”, grita uma mulher. “Alguém foi esfaqueado!”
Dos seis feridos, três estavam em estado crítico e um em estado grave, informou o serviço de ambulância.
A Nova Zelândia está em alerta para ataques desde que um atirador da supremacia branca matou 51 pessoas em duas mesquitas na cidade de Christchurch em 15 de março de 2019.
Em maio, quatro pessoas foram esfaqueadas em um supermercado em Dunedin, na Ilha Sul da Nova Zelândia.

Fonte: G1 Mundo

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Primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, anuncia que vai deixar o cargo


Suga, de 72 anos, que sucedeu a Shinzo Abe – renunciou em setembro por motivos de saúde – deveria buscar a reeleição como líder do PLD, em votação marcada para 29 de setembro. Yoshihide Suga, primeiro-ministro do Japão, durante entrevista coletiva sobre a pandemia em 2 de fevereiro
David Mareuil/Pool via Reuters
O primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, anunciou nesta sexta-feira (3) que não buscará a reeleição e deixará o cargo após um ano de mandato.
Suga anunciou sua decisão durante reunião de emergência de líderes do Partido Liberal Democrático (PLD), disse Toshihiro Nikai, secretário-geral do partido.
“Hoje (sexta-feira) na reunião executiva, o presidente (do partido) Suga disse que quer concentrar seus esforços em medidas contra o coronavírus e não vai contestar a eleição do líder do partido”, afirmou Nikai. “Honestamente, me surpreende. É muito lamentável. Ele fez o seu melhor, mas após uma consideração cuidadosa, ele tomou sua decisão”, acrescentou.
Suga, de 72 anos, que sucedeu a Shinzo Abe – renunciou em setembro por motivos de saúde – deveria buscar a reeleição como líder do PLD, em votação marcada para 29 de setembro. As eleições gerais devem ser convocadas até o final de outubro, e espera-se que o PLD permaneça no poder.
O anúncio veio em um momento em que os índices de aprovação do governo para lidar com a pandemia estão em seus níveis mais baixos.
Uma pesquisa da agência de notícias Kyodo em agosto revelou que seu governo tem um apoio de apenas 31,8%.
O manejo da pandemia atingiu a imagem do governo Suga enquanto o Japão enfrenta sua quinta onda de infecções por vírus ao intensificar sua campanha de vacinação, que começou lentamente.

Fonte: G1 Mundo

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Bélgica libera entrada de brasileiros com certificado de vacinação traduzido


Documento deve atestar que os brasileiros interessados em entrar no país receberam as duas doses de vacina Pfizer ou AstraZeneca ou dose única da Janssen pelo menos 14 dias antes do embarque; Coronavac ainda não é aceita. Frasco com dose de vacina contra a Covid é exibido na Bélgica
AP Photo/Francisco Seco, Pool
A Bélgica anunciou nesta quinta-feira (2) que vai aceitar a versão em inglês do certificado de vacinação completa emitido no Brasil pelo ConectSUS (veja aqui como emitir).
O documento deve atestar que os brasileiros interessados em entrar no país receberam as duas doses da vacina Pfizer ou AstraZeneca ou a dose única da Janssen pelo menos 14 dias antes do embarque. A Coronavac ainda não é aceita.
Além disso, os brasileiros – assim como outros estrangeiros que chegam à Bélgica – precisam preencher um formulário eletrônico online e o enviar 48 horas antes de chegar ao país, além de se submeter a um teste PCR no primeiro ou segundo dia após a chegada, mantendo quarentena até a obtenção do resultado.
A embaixada belga alerta, no entanto, que, como não há voos diretos entre o Brasil e a Bélgica, é necessário também checar previamente as exigências do país onde será feita a escala.
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Fonte: G1 Mundo