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Franceses protestam pela sexta semana seguida contra restrições a não vacinados


Os manifestantes tentam pressionar o governo Macron, que restringe o acesso a restaurantes, cinemas, bares a pessoas completamente imunizadas ou com um teste negativo para a doença. Manifestantes protestam contra a restrição de acesso a locais públicos na França; apenas vacinados podem frequentar bares e restaurantes
AP / Michel Spingler
Pela sexta semana seguida, milhares de franceses foram às ruas neste sábado (21) para protestar contra o passaporte sanitário, o mecanismo de controle implementado pelo governo Macron para restringir o acesso a ambientes fechados a quem está completamente imunizado contra a Covid-19 ou apresenta um teste negativo para a doença.
As manifestações se repetiram de norte a sul do país em tom pacífico, reunindo pessoas de diferentes tendências políticas em torno da indignação contra o controle da circulação e o que chamam de “vacina obrigatória”.
“Tome a vacina se quiser, mas somos contra um passaporte para entrar no hospital ou para ir às compras, exigimos a revogação da lei”, discursou uma das figuras emblemáticas do movimento dos “coletes amarelos”, Jêrome Rodrigues em Pau, cidade na região dos Pirineus franceses, diante de 2.700 manifestantes.
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Ao norte, em Lille, o protesto reuniu 3.200 pessoas, na contagem oficial, e era encabeçado por uma faixa com os dizeres “Tiremos Macron, com seu passaporte e suas reformas estúpidas”(“Dégageons Macron avec son pass et ses réformes à la con”, em francês).
Contra o passaporte sanitário
Os manifestantes tentam pressionar o governo de Emmanuel Macron, que neste momento restringe o acesso a restaurantes, cinemas, bares e até trens de longa distância a pessoas completamente imunizadas ou com um teste negativo para a doença. O teste, feito hoje de maneira gratuita, passará a ser cobrado nos próximos meses para quem não tiver um pedido médico.
Participando do protesto em Paris, Monique Bourhis, “não vacinada” aos 75 anos,  disse não ser contra a vacina, “estou esperando a francesa”. O país, até o momento, tem adotado as vacinas da Astrazenec, Pfizer e Moderna.
 Doutor Raoult
De acordo com a polícia, as maiores manifestações aconteceram em Marseille, com 9.500 pessoas, e em Toulon (6.000). Houve ainda 4.100 manifestantes em Estrasburgo, 3.400 em Bordeaux e Toulouse, 3.000 em Bayonne, 2.500 em Nice, 2.300 em Nantes e 2.000 em Caen.
Em Paris, os manifestantes foram divididos em quatro protestos, dois deles iniciados por grupos de “coletes amarelos” e um por Florian Philippot, líder do partido de extrema direita “Patriotas”. Na marcha conduzida por Philippot, o nome do médico Didier Raoult, ferrenho defensor do uso da hidroxocloroquina contra a Covid-19, foi ovacionado muitas vezes.
Em apoio ao médico que segue apoiando o uso da hidroxicloroquina, apesar de numeoros estudos mostrarem sua ineficácia contra a Covi, muitos manifestantes em Paris e em Marselha carregavam faixas “Não toquem em Raoult”.
Nesta semana, o diretor dos Hospitais de Marselha afirmou que Raoult, que trabalha no Instituto do Hospital Universitário de Marselha, não deve manter seu mandato na direção da instituição. Aos 69 anos, o pesquisador será obrigado a se aposentar de seus trabalhos universitários.
“Vacina para quê?”
Em Bordeaux, no sudoeste da França, manifestantes entoavam o slogan “não toquem em nossos filhos”. Entre os manifestantes, pais e avós preocupados com a extensão da vacinação a crianças menores de 12 anos –o que ainda não tem previsão do governo para acontecer.
Desde junho, os adolescentes entre 12 e 17 anos podem ser imunizados contra a Covid-19. Até o momento, 55% desse grupo já tomou ao menos uma dose da vacina.
Entre a população geral da França, 70% já tomou ao menos uma dose do imunizante, e 55% está completamente vacinada.

Fonte: G1 Mundo

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União Europeia diz que não reconhece regime do Talibã


Presidente do bloco, Ursula von der Leyen, afirma que bloco mantém contatos operacionais com o grupo extremista para facilitar que pessoas em Cabul consigam chegar até o aeroporto. Ursula von der Leyen
AP/Paul White
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou neste sábado (21) que o bloco não reconhece o regime Talibã, apesar de manter um diálogo com o grupo extremista para retirada de cidadãos do Afeganistão.
A declaração foi feita em visita a um centro criado pelo governo da Espanha, na base aérea militar de Torrejón, n nordeste do país, para receber pessoas que deixam o território afegão.
Para a líder do bloco europeu, é necessário manter contatos operacionais com o Talibã para facilitar que as pessoas em Cabul consigam chegar até o aeroporto. “Mas isso é completamente distinto e separado de negociações políticas”, disse.
“Não há negociações políticas com o Talibã e não há reconhecimento do Talibã”, disse a líder da União Europeia.
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Ela também afirmou que o bloco europeu só investirá no Afeganistão se houver respeito aos direitos humanos pelo Talibã.
“O 1 bilhão de euros reservado pela União Europeia para os próximos sete anos para ajuda ao desenvolvimento está vinculado a condições estritas: respeito aos direitos humanos, bom tratamento de minorias e respeito pelos direitos de mulheres e meninas”, indicou von der Leyen.
A chefe do bloco europeu alertou para os relatos de mulheres que não são aceitas em seus locais de trabalho e de perseguições por conta de opiniões.
Centro de acolhida
Neste sábado, altos funcionários da União Europeia visitaram as instalações a base aérea militar de Torrejón, junto com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, que disse que a instalação pode acomodar 800 pessoas.
Dois aviões enviados pela Espanha a Cabul já chegaram à base aérea. Um trouxe cinco espanhóis e 48 afegãos que trabalharam para a Espanha e suas famílias. Um segundo chegou na sexta-feira (20) com mais 110 afegãos.
Um terceiro voo com outros 110 passageiros deixou Cabul com destino a Dubai, cidade que a Espanha está usando como ponto de parada antes que os refugiados sejam transferidos para Madri.
A base aérea também está recebendo voos da União Europeia com outros refugiados afegãos. Todos devem passar até três dias lá antes de se mudarem para centros de acolhimento em outros lugares da Espanha ou para outros países europeus.
Sánchez disse que a resposta de outros membros da UE foi positiva e que alguns refugiados afegãos já partiram para outros países do bloco.
Os Estados Unidos e os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), por sua vez, estão lutando para ajudar os afegãos que trabalharam para eles e que, agora, temem represálias do Talibã para chegar e entrar no aeroporto de Cabul.
Von der Leyen disse que a equipe da UE está conversando com autoridades americanas e da Otan sobre o problema. “É uma situação muito difícil, está mudando a cada minuto, mas há um trabalho intenso sendo feito para tirar o melhor proveito de uma situação muito difícil”, disse ela.
Von der Leyen, no entanto, também pediu que a comunidade internacional ajude os afegãos que ficaram no país.
Segundo ela, o retorno do Talibã ao poder provocou o deslocamento de quase 3,7 milhões de pessoas. Muitos países europeus também temem outra onda de migração semelhante à de 2015 provocada pela guerra civil na Síria.
“Devemos ajudar a garantir que os afegãos deslocados possam voltar para suas casas ou pelo menos ter uma perspectiva, estejam eles atualmente no Afeganistão ou em países vizinhos”, disse ela.
Von der Leyen disse que a questão da migração afegã deve ser uma preocupação central da reunião do G-7 da próxima semana para ajudar a criar “rotas legais e seguras em todo o mundo, organizadas por nós, a comunidade internacional, para aqueles que precisam de proteção”.

Fonte: G1 Mundo

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EUA pedem que americanos evitem aeroporto de Cabul, tomado por multidões e caos


Segundo comunicado da embaixada norte-americana, só deve ir ao aeroporto quem receber instruções individuais de um representante do governo dos EUA. Soldados dos EUA chegam para fornecer segurança em apoio à Operação Refúgio dos Aliados, no aeroporto de Cabul, no dia 20 de agosto de 2021
via Reuters
Os Estados Unidos aconselharam, neste sábado (21), que norte-americanos no Afeganistão evitem ir para o aeroporto de Cabul, após milhares de pessoas terem tentado fugir do país depois que o Talibã assumiu o poder.
O aviso chegou após um dos cofundadores do Talibã, Mullah Baradar, chegar a Cabul para reuniões com outros líderes para formar um novo governo afegão.
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Esta semana, imagens mostraram afegãos correndo na direção de um avião norte-americano C-17 e se pendurando no lado de fora. Outro vídeo mostrou o que parecia ser uma pessoa caindo de um avião militar, enquanto ele se afastava de Cabul.
Desde então, mais pessoas estão se aglomerando no aeroporto. Soldados armados do Talibã dizem para quem não tem documentos de viagem voltar para casa. Pelo menos, 12 pessoas foram mortas dentro ou nos arredores do aeroporto, segundo a Otan e autoridades do Talibã.
“Por causa das potenciais ameaças de segurança no lado de fora do aeroporto de Cabul, estamos aconselhando cidadãos norte-americanos que evitem ir ao aeroporto e que evitem os portões do aeroporto, a menos que você receba instruções individuais de um representante do governo dos EUA para fazê-lo”, disse o alerta da Embaixada dos Estados Unidos.
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A Suíça adiou um voo fretado de Cabul por causa do caos.
“A situação de segurança em torno do aeroporto de Cabul piorou bastante nas últimas horas. Muitas pessoas estão na frente do aeroporto e às vezes conflitos violentos dificultam o acesso ao aeroporto”, afirmou o Departamento Federal de Assuntos Estrangeiros da Suíça em um comunicado.
Avanço do Talibã
O Talibã completou seu rápido avanço pelo país, à medida em que as forças lideradas pelos EUA se retiraram, coincidindo com o que a chanceler alemã Angela Merkel disse ser um “colapso espantoso” do exército afegão.
A autoridade do Talibã afirmou que o grupo planejava preparar um novo modelo para governar o Afeganistão dentro das próximas semanas, com equipes diferentes tratando de assuntos de segurança interna e financeiros.
“Especialistas do antigo governo serão trazidos para administração de crise”, disse à Reuters.
A estrutura do novo governo não será uma democracia, pelas definições ocidentais, mas “protegerá os direitos de todos”, acrescentou a autoridade.
O Talibã, que segue uma versão ultra-rígida do islamismo sunita, apresentou uma versão moderada desde que retornou ao poder, dizendo que quer paz e que respeitará os direitos das mulheres, dentro dos parâmetros da legislação islâmica.
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Fonte: G1 Mundo

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‘Preferia dormir nas ruas do Brasil a voltar ao Afeganistão’, diz refugiada em Porto Alegre


Nabila Khazizadah foi reassentada no Brasil em 2002, fugindo da guerra e do Talebã. Ela diz que no início chegou a ser chamada de ‘mulher-bomba’ nas ruas, por usar o hijab. Mas também foi ‘acolhida como irmã’ pelas vizinhas brasileiras. Nabila Khazizadah (direita) foi reassentada no Brasil em 2002, fugindo da guerra no Afeganistão e do TalIbã
Arquivo pessoal
A menina caminha nas ruas de terra para comprar alimentos na venda perto de casa. De repente, ouve o barulho ensurdecedor de uma explosão. Poeira branca sobe, cobre totalmente a visão. Tudo parece suspenso no ar até que gritos lacerantes interrompem o silêncio. Aos poucos, os olhos voltam a enxergar o chão, agora tingido de vermelho. A menina se vê rodeada de sangue que não é dela.
Mais de uma vez, Nabila Khazizadah esteve diante dessa cena.
“Muitas pessoas morreram na minha frente. Eu saía para a rua para comprar alguma coisa e não sabia se iria voltar. Caía bomba, levantava fumaça, ficava tudo branco e, de repente, era sangue para todo o lado.”
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Foi para evitar que um dia o sangue no chão fosse dela que Nabila e a família buscaram refúgio na Índia e, depois, no Brasil.
“O Afeganistão sempre esteve em guerra, desde que eu nasci foi assim, bombas e medo. Até que os talibãs tomaram a nossa casa e perdemos tudo”, contou à BBC News Brasil.
Nabila, o pai, a mãe e o irmão se mudaram para a Índia depois de perderem a casa para o Talibã. No novo país, chegaram a dormir nas ruas e passar fome, enquanto o pai tentava manter a família vendendo chinelos entre carros e transeuntes.
Nabila (à esquerda), a mãe (direita), o pai e o irmão moraram por um tempo na Índia. Ela se casou e foi com o marido para o Brasil em 2002
Arquivo pessoal
Alguns anos depois, Nabila casou com um afegão, também refugiado na Índia, e o casal teve dois filhos. “Meu marido decidiu pedir ao governo indiano para sermos reassentados em outro país que desse auxílio e tivesse mais oportunidades de trabalho”.
Foi assim que começou a jornada para o Brasil. Meses depois do pedido, receberam a notícia de que o governo brasileiro havia aceitado reassentá-los. A notícia surpreendeu. Brasil? Eles tinham uma ideia muito remota do que era esse país tão distante de tudo o que conheciam.
“A gente disse: ‘mas a gente não sabe como é o Brasil, como é a língua, a cultura’. Saímos com olhos fechados, no escuro, jogando na sorte”, conta.
“Tudo o que a gente queria era um futuro para nossos filhos, mais calmo, mais saudável.”
O início da vida no Brasil
O marido de Nabila não se adaptou ao Brasil e resolveu voltar ao Afeganistão em 2007
Arquivo pessoal
Nabila, o marido e os dois filhos, de 7 e 8 anos, embarcaram num avião junto com outras quatro famílias afegãs que seriam reassentadas num programa do Ministério da Justiça com a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), lançado logo após o início da Guerra do Afeganistão, em 2001.
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Eles foram encaminhados para Porto Alegre e passaram a receber ajuda financeira mensal de R$ 260, mais R$ 13 por criança, além de aluguel, energia, cesta básica, remédios e transporte escolar, pagos pela Acnur.
Mas a esperança de recomeçar num país onde teria direitos assegurados se misturava à dor da saudade dos pais e irmão, que ficaram na Índia.
“Fiquei três meses fechada dentro de casa chorando, pensando no que eu faria longe da minha família. Depois eu pensei, isso não adianta, chorando dentro de casa eu não vou conseguir fazer nada. Eu tenho que colocar a cara à tapa e aprender português”, contou à BBC News Brasil.
“Saí pelo bairro falando com as vizinhas, tentando fazer amizades.”
‘Cuidado com a mulher-bomba’
Mas a adaptação não foi fácil. E, depois de um ano, os benefícios pagos pela Acnur, que eram temporários, cessaram.
“O português é uma língua muito difícil e a gente não sabia ainda como funcionavam as coisas. Começamos a correr atrás e meu marido conseguiu emprego.”
Ao andar pelas ruas de Porto Alegre com os cabelos totalmente cobertos pelo hijab, Nabila sentia os olhares desconfiados dos brasileiros que nunca tinham convivido com mulheres de véu. Alguns chegavam a reagir com hostilidade e se recusavam a sentar ao lado dela no ônibus.
“Não tinha afegãos lá naquela época, não tinha muçulmanos. As pessoas me viam com o hijab e saíam de perto, não queriam sentar ao meu lado no ônibus. Alguns falavam: sai de perto, é mulher-bomba, vai explodir.”
Nabila chegou a ser hostilizada nas ruas de Porto Alegre por usar o hijab
Arquivo pessoal (BBC)
Os filhos, no entanto, se adaptaram rapidamente e, aos poucos, Nabila fez amizades com as vizinhas, a quem chama hoje de irmãs.
“Mas comecei a ter problemas com meu marido. Ele passou a ter ciúmes. Não queria deixar os nossos filhos saírem de casa, nem que eu trabalhasse, apesar de a gente precisar do dinheiro”, conta.
Em 2007, o marido de Nabila decidiu voltar ao Afeganistão. Ela se recusou a sair do Brasil e não deixou que ele levasse os dois meninos. Mesmo sem dinheiro e emprego, Nabila se separou do marido e decidiu que daria um jeito de sustentar a família sozinha.
“Eu preferia dormir nas ruas do Brasil a voltar ao meu país. Eu conseguiria alimentar meus filhos mesmo na rua, mas não podia deixar que eles vivessem na guerra”, disse.
“Eu me sentiria mais segura dormindo na rua no Brasil que numa casa no Afeganistão, que pode ser bombardeada a qualquer momento.”
A busca por emprego
O marido voltou ao Afeganistão e Nabila ficou com os meninos. Sem a renda do marido, ela teve que batalhar muito para garantir o aluguel do apartamento e comida para a família.
“Eu nunca tinha trabalhado na minha vida e comecei a trabalhar. Desde que comecei a trabalhar, não parei mais. Eu nunca disse não. Eu cuidei até de tartaruga e do gato do vizinho”, conta.
Faz 15 anos que Nabila trabalha na casa de uma família pela manhã. “Faço de tudo: limpo, passo, cozinho. São pessoas muito boas. E confiam em mim. Isso não tem preço.”
De tarde, ela cuida de uma idosa. “Fico de 14h às 20h com ela. É uma pessoa maravilhosa.” Atualmente, os filhos de Nabila têm 27 e 28 anos, trabalham e são independentes financeiramente.
“Eles são rapazes bons. Um é o braço direito do dono de um restaurante japonês. O chefe tem confiança total nele para tomar conta do restaurante. O outro é auxiliar de cabeleireiro, mas já corta cabelo, faz tudo.”
O reencontro com os pais
Há dois anos, Nabila conseguiu realizar o sonho de rever os pais, depois de 17 anos. O casal de idosos hoje mora nos Estados Unidos – eles foram reassentados após pedido feito ao governo americano, alguns anos depois de Nabila vir ao Brasil.
“Eu queria muito ver meus pais. Eles têm diabetes, são idosos e eu precisava abraçá-los mesmo que fosse uma última vez”, conta.
Ela tentou obter o visto de turista para viajar aos EUA, mas teve o pedido negado. “Fiquei arrasada, mas aí meu pai deu um jeito de vir ao Brasil com a minha mãe, mesmo estando muito idosos.”
A mãe e o pai de Nabila conseguiram visitar a filha no Brasil há dois anos, depois de 17 anos sem se verem
Arquivo pessoal (BBC)
O reencontro foi emocionante. “Meus pais não entendiam como eu podia ter conseguido sustentar minha família sozinha. Eles diziam: ‘Mas minha filha, você está sozinha, sem um afegão? Pensavam coisas que não tinham nada a ver.”
Ao chegar ao Brasil, o pai e a mãe de Nabila reviram os netos, já adultos, e conheceram as muitas amigas que a afegã, hoje com 43 anos, fez no país. Perceberam que ela tinha construído, à sua maneira, uma nova família.
“Quando estava indo embora meu pai disse: ‘agora não tenho uma filha, tenho várias filhas’. Eles viram que eu estava rodeada de pessoas. A gente também pode construir família de afeto. Tenho amigas que me amam como irmã.”
Quase 20 anos depois de chegar ao Brasil, Nabila diz que, apesar das dificuldades de adaptação nos primeiros anos, hoje se sente em casa. Ela fala português fluentemente, com um leve sotaque. Não abre mão de usar o hijab nas ruas e de frequentar a mesquita da cidade.
“O Brasil é um país bom. Se não fossem os roubos, seria o melhor país do mundo. Eu, mesmo se tivesse oportunidade de morar no Canadá ou nos Estados Unidos, iria querer continuar a morar no Brasil. As pessoas aqui são maravilhosas, são acolhedoras, sabem olhar para a dor do outro.”
Vídeos: Histórias e relatos sobre o caos no Afeganistão

Fonte: G1 Mundo

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Furacão Grace é rebaixado para categoria 1 após atingir costa do México

Ventos chegavam a 150 km/h por volta das 9h (horário de Brasília). VÍDEO: Grace chega ao litoral do México
O furacão Grace foi rebaixado para a categoria 1 após atingir a região leste do México na manhã deste sábado (21). Por volta das 9h (horário de Brasília), ele tinha ventos sustentados de 150 km/h.
A informação foi divulgada pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês). Na madrugada deste sábado, antes de chegar à costa do México, o Grace tinha ventos de 195 km/h e era considerado um furacão de categoria 3.
Apesar do rebaixamento na categoria, o furacão levou à falta de energia elétrica para parte da população, inundações e quedas de árvores, segundo a agência Reuters.
O NHC afirmou que o Grace segue rumo ao oeste do México, em um movimento que deve permanecer durante o dia.
A expectativa é que a velocidade do furacão continue diminuindo conforme ele se desloca para áreas centrais do país.
De acordo com o NHC, o Grace deverá se transformar em uma tempestade tropical nas próximas horas e se dissipar até domingo (22). O órgão alertou para riscos após a passagem do furacão, como maré alta, inundações e deslizamentos de terra.
O Grace atingiu regiões como Veracruz, estado produtor de petróleo. Houve inundações em Ciudad Madero, no estado de Tamaulipas, onde está localizada a petrolífera estatal Pemex.
O aeroporto internacional da Cidade do México teve alguns voos cancelados por conta do furacão.
Na quinta-feira (19), o Grace já havia atingido a costa caribenha do México, deixando 700 mil pessoas temporariamente sem energia elétrica. No início da semana, Jamaica e o Haiti registraram chuvas torrenciais relacionadas ao fenômeno.
Furacão Grace: o que se sabe sobre o fenômeno que atinge Haiti, México e Jamaica

Fonte: G1 Mundo

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Caos no Afeganistão: jogador morto ao cair de avião, bebê entregue por cima do muro e multidão em pânico; veja vídeos que marcaram semana

Fonte: G1 Mundo

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Angela Merkel manifesta apoio a candidato conservador de seu partido para sucedê-la


Foi a primeira vez que a chanceler alemã manifestou apoio a Armin Laschet, líder e candidato de seu partido. O anúncio foi feito durante ato de campanha, em Berlim, neste sábado (21). Angela Merkel e Armin Laschet durante a campanha do partido União Democrata Cristã, em Berlim, no dia 21 de agosto
Annegret Hilse/Reuters
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, manifestou apoio a Armin Laschet, líder e candidato de seu partido, elogiando suas qualidades para sucedê-la. O anúncio foi feito durante ato de campanha, em Berlim, neste sábado (21).
As eleições legislativas do país acontecem no dia 26 de setembro. É a primeira vez que a líder alemã se envolve na campanha de seu partido conservador, a União Democrata Cristã (CDU). Ela insistiu nos valores de Laschet e sua capacidade de “construir pontes entre as pessoas”.
Disputa pela sucessão de Angela Merkel fica mais acirrada
“Sempre foi importante para ele [Laschet] colocar a dignidade individual e inalienável no centro de tudo. Estou profundamente convencida de que é justamente com esta atitude que servirá aos alemães como chanceler”, disse Merkel, que está no poder a 16 anos.
Merkel entra na campanha
Este apoio chega em um momento delicado para o candidato da CDU, que perde força nas pesquisas e está ameaçado tanto pelos sociais-democratas do SPD quanto pelos Verdes.
Até agora, a chanceler se manteve muito discreta na campanha e deixou o campo aberto para seu sucessor.
“É minha atitude e minha profunda convicção”, insistiu durante o ato com quase 100 espectadores, entre eles seu próprio sucessor na CDU.
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O comício foi também um dos últimos discursos eleitorais de Merkel, que depois de 31 anos de carreira e quatro campanhas vitoriosas para a chancelaria, ainda desfruta de alta popularidade na Alemanha.
Na segunda-feira (23), a chanceler voltará a se encontrar com Armin Laschet para celebrar os 75 anos da fundação do estado regional mais populoso do país, Renânia do Norte-Vestfália, que seu sucessor governa há quatro anos.
O partido conservador e seu irmão bávaro, o CSU, contam com uma intenção de voto de 22%-23%, contra cerca de 30% há algumas semanas. A queda é vertiginosa desde o início do ano, quando tinha 36%.
Laschet criticou seus dois principais adversários, sociais-democratas e ambientalistas, afirmando querer “lutar com tudo para que este país não seja governado por ideólogos”.
Seu partido conservador “quer governar não porque tenha vontade de governar, mas porque devemos governar para que a Alemanha continue no caminho certo”, disse.
Ascensão social-democrata
Os sociais-democratas do SPD, liderados pelo ministro das Finanças, Olaf Scholz, estão alcançando os conservadores. O partido, onipresente na política alemã depois da guerra, está protagonizando uma reviravolta, com 21% das intenções de voto.
Por outro lado, o fenômeno do partido ambientalista dos Verdes parece cair e agora tem 17% das intenções de voto. Em abril, após anunciar sua candidata Annalena Baerbock, chegou a superar os conservadores.
Eleito em janeiro à frente do CDU, Laschet, de 60 anos, sofreu para se impor como chefe da CDU-CSU, contra seu rival bávaro Markus Söder.
Montagem com os rostos de Olaf Scholz, Armin Laschet e Annalena Baerbock, líderes de partidos que melhor aparecem em pesquisas de intenção de votos na Alemanha
Armando Babani/Reuters, Ronny Hartmann e Patrik Stollarz/AFP
“Armin, pode contar com meu apoio, digo isso com toda a honestidade”, afirmou Söder neste sábado, em Berlim.
No entanto, também lançou um alerta, advertindo que a tendência atual é “clara”.
“Será muito acirrado e todo o mundo deve entender” que é tudo ou nada, disse. “Não tenho nenhuma vontade de ir para a oposição”, afirmou.

Fonte: G1 Mundo

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Quais os riscos para as mulheres com a volta do Talibã ao poder no Afeganistão? G1 Explica


Realidade dura não tão distante pode estar voltando para as mulheres no país. Vídeo do G1 no YouTube explica como ter o grupo extremista no poder pode ser especialmente tenso para esse grupo da população. Um passado não muito distante pode estar prestes a voltar para as mulheres no Afeganistão com o retorno do Talibã ao poder. Vigilância o tempo todo, perda de direitos, proibições de estudar e trabalhar: era essa a realidade das mulheres quando o grupo extremista governou o país de 1996 a 2001.
No vídeo abaixo, o G1 explica o que é o Talibã, o que ele tem a ver com a queda das torres gêmeas de 2001 e por que a situação agora no Afeganistão é especialmente tensa para as mulheres.
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G1 Explica mulheres e o Talibã
G1

Fonte: G1 Mundo

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Ponto mais alto da Groenlândia registra chuva pela primeira vez

Fenômeno ocorreu em local a 3.216 metros de altitude, onde as temperaturas ficaram acima de zero durante nove horas. Para especialistas, este é mais um alerta para aquecimento da camada de gelo na região. VÍDEO: Ponto mais alto da Groenlândia registra chuva pela primeira vez
O ponto mais alto do manto de gelo da Groenlândia registrou chuva pela primeira vez na história. O fenômeno aconteceu no último sábado (14) em um local a 3.216 metros de altitude, onde as temperaturas permaneceram acima de zero por cerca de nove horas.
A chuva foi relatada na quarta-feira (18) por cientistas do Centro de Dados Nacional de Neve e Gelo dos Estados Unidos. Segundo especialistas, este é mais um sinal preocupante de aquecimento da camada de gelo, que já está derretendo em um ritmo crescente.
“Isso não é um sinal saudável para um manto de gelo”, disse Indrani Das, glaciologista do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia à agência Reuters. “Água no gelo é ruim. Torna a camada de gelo mais propensa a derreter”.
Derretimento de gelo na Groenlândia atingiu ponto irreversível, diz estudo
Por que prestar atenção ao novo governo da Groenlândia
O Centro de Dados Nacional de Neve e Gelo afirmou que, por conta do clima, a região registrou derretimento de gelo durante três dias seguidos. “A causa do derretimento que ocorreu de 14 a 16 de agosto de 2021 foi semelhante aos eventos ocorridos no final de julho”, disse.
Segundo o órgão, a área do derretimento de gelo na superfície chegou a 872 mil quilômetros quadrados no sábado (14) e reduziu de tamanho nos dias seguintes.
A perda de massa de gelo na superfície registrada no domingo (15) foi sete vezes acima da média para meados de agosto.
Com o derretimento do gelo, a água flui para o oceano e faz com que o nível do mar suba. O derretimento da camada de gelo da Groenlândia – a segunda maior do mundo depois da Antártica – causou cerca de 25% do aumento do nível do mar global nas últimas décadas, estimam os cientistas.

Fonte: G1 Mundo

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Grécia constrói muro de 40km para barrar entrada de refugiados afegãos


Barreira de 40 km é colocada na fronteira entre Grécia e Turquia ao mesmo tempo em que se espera um aumento repentino de migrantes afegãos. Trecho da cerca construída na região de Evros, na fronteira da Grécia com a Turquia
Reuters/BBC
A Grécia instalou uma cerca de 40 km e um sistema de vigilância em sua fronteira com a Turquia, em meio à preocupação com o aumento de migrantes do Afeganistão.
“Não podemos esperar, passivamente, pelo possível impacto”, disse o ministro da proteção ao cidadão da Grécia, Michalis Chrisochoidis, em visita à região de Evros na sexta-feira (20/8).
“Nossas fronteiras permanecerão invioláveis”, afirmou.
Os comentários do ministro grego foram feitos no momento em que a Turquia chamava os países europeus a assumir a responsabilidade pelos migrantes afegãos, diante da crise enfrentada após a tomada do país pelo Talibã.
Em uma conversa telefônica com o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan disse que um aumento acentuado no número de pessoas que deixam o Afeganistão pode representar “um sério desafio para todos”.
“Uma nova onda de migração é inevitável se as medidas necessárias não forem tomadas no Afeganistão e no Irã”, disse Erdogan.
A rápida tomada do Afeganistão pelo Talibã deixou alguns cidadãos temerosos por suas vidas e os levou a tentar fugir do país, muitas vezes a qualquer custo.
A Grécia, que estava na linha de frente da crise migratória em 2015, quando mais de um milhão de pessoas fugindo da guerra e da pobreza no Oriente Médio cruzaram a fronteira da Turquia para a União Europeia, disse que pode mandar de volta quaisquer afegãos que chegarem ilegalmente ao país.
Dos que chegaram à Grécia durante a crise migratória, muitos viajaram mais para o norte pela Europa, mas cerca de 60 mil permaneceram no país.
No ano passado, Atenas bloqueou temporariamente novos pedidos de asilo depois que Erdogan disse que a Turquia “abriu as portas” para migrantes viajarem para a União Europeia.
Mitsotakis disse, na época, que a Grécia havia aumentado “o nível de dissuasão em nossas fronteiras ao máximo”, com pessoal de segurança destacado para a fronteira terrestre de Evros.
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Fonte: G1 Mundo