Categorias
MUNDO

União Europeia entregou vacinas suficientes para imunizar 70% dos adultos


Chefe da Comissão Europeia disse que a distribuição de doses ao redor do bloco chegará a cerca de 500 milhões no domingo. Mapa da Europa com ampolas da vacina contra Covid-19 e seringa
Dado Ruvic/Reuters
A União Europeia entregou doses suficientes de vacinas contra Covid-19 a seus Estados-membros para imunizar pelo menos 70% dos adultos do bloco, disse a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em comunicado.
Von der Leyen fez um apelo para que os países da UE aumentem a vacinação e disse que a distribuição de doses ao redor do bloco chegará a cerca de 500 milhões no domingo (11).

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Sobe para 86 número de mortos em desabamento de edifício na Flórida


62 vítimas localizadas nos escombros ainda precisam ser identificadas. Outras 43 são consideradas desaparecidas. Equipes fazem buscas nos escombros do prédio que desabou na região de Miami no fim de junho, foto de 5 de julho de 2021
Lynne Sladky/AP
As equipes de resgate localizaram na madrugada deste sábado (10) mais sete vítimas entre os escombros do edifício Champlain Towers South, prédio que caiu em Surfside, na Flórida, Estados Unidos, no fim de junho. O número total de mortos sobe para 86 agora.
A informação foi confirmada pela prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Levine Cara. Ela informou que, das 86 vítimas retiradas dos escombros até o momento, 62 foram identificadas. Outras 43 estão desaparecidas.
Este é o 17º dia de buscas nos escombros. Na manhã deste sábado, uma forte tempestade interrompeu temporariamente os trabalhos no local, segundo informações do Miami Herald.
Gato Binx
Na sexta-feira (9), os socorristas haviam encontrado mais 15 corpos.
Em meio à tragédia, uma boa notícia foi o aparecimento de Binx, um gato que vivia no nono andar do edifício de Surside e foi encontrado com vida na sexta.
“Binx, um gato que vivia no nono andar do Champlain Towers South, foi recentemente encontrado perto do local e há algumas horas se reuniu com sua família”, disse Danielle Levine Cava, prefeita do condado de Miami-Dade, que faz parte da Flórida.
“Fico feliz que este pequeno milagre possa trazer alguma luz (…) em meio a esta terrível tragédia”, acrescentou ela em entrevista coletiva.
Na quarta-feira, os trabalhadores do resgate fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do desabamento (veja no vídeo abaixo).
VÍDEO: Equipes de busca fazem 1 min de silêncio pelas vítimas do desabamento em Miami
Presidente do Paraguai vai a Miami
Entre as vítimas, está Sophia López Moreira, cunhada do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez. Ele e a primeira dama paraguaia viajaram na sexta-feira a Miami. Além de Sophia, o marido dela, os três filhos do casal e a babá da criança estavam no prédio que desabou.
O prédio abrigava dezenas de famílias de diferentes partes da América Latina — muitas vezes como residência temporária, na madrugada. Há, inclusive, brasileiros entre os desaparecidos.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Por que calor recorde no hemisfério norte indica que algo pior está por vir


Não são as altas temperaturas que preocupam exatamente, mas sim a maneira avassaladora como as máximas históricas foram sucessivamente batidas. Pessoas descansam em um ‘centro de resfriamento’ em Oregon, Portland
Getty Images
Acabei de aproveitar meu primeiro fim de semana só com minha mulher e nossa neta de 20 meses, Hazel, então talvez isso tenha me amolecido um pouco.
Ou talvez tenha sido a semana de licença que tirei do trabalho que afetou o distanciamento emocional que costumo manter na condição de jornalista da BBC.
De qualquer forma, confesso que tive um mau presságio quando Hazel foi embora e vi notícias na TV sobre a onda de calor que vem provocando mortes na América do Norte.
Não porque novos recordes de temperatura tenham sido estabelecidos no noroeste dos Estados Unidos e no Canadá — isso acontece de vez em quando. O que preocupa mesmo é que os recordes antigos foram quebrados de forma avassaladora.
O recorde anterior de temperatura mais alta do Canadá de 45 °C foi estabelecido em 1937, quando o solo ressecado não conseguiu atenuar as temperaturas, algo que também acontece neste ano.
Normalmente, recordes como este são superados por uma fração de graus, mas este ano a antiga máxima foi obliterada em três dias consecutivos.
A temperatura final na cidade de Lytton foi 4,6 ° C mais alta do que o recorde antigo. As emissões das atividades humanas contribuíram indiscutivelmente para o aumento, aumentando a temperatura média global em cerca de 1,2 ° C desde o final do século 19.
Os climatologistas ficam nervosos quando são acusados de alarmismo — mas muitos estão realmente alarmados há algum tempo.
“A natureza extrema do recorde, junto com outros, é um motivo de preocupação real”, disse o cientista veterano, o professor Brian Hoskins. “O que os modelos climáticos projetam para o futuro é o que obteremos se tivermos sorte. O comportamento dos modelos pode ser muito conservador.”
Em outras palavras, em alguns lugares é provável que o aquecimento global seja ainda pior do que o previsto.
Os cientistas usam modelos de computador para tentar adivinhar o comportamento futuro do clima da Terra. Mas esses modelos têm uma visão muito ampla das temperaturas globais — eles não são tão precisos quando tratam de áreas menores, onde os extremos de temperatura podem ser ainda maiores.
Cientistas agora estão tentando prever alguns desses eventos climáticos malucos que vem pegando os políticos de surpresa.
Além das ondas de calor, há outros problemas climáticos, como as chuvas torrenciais, que causam inundações devastadoras em nível local. Ninguém imaginava que um gás natural inofensivo como o CO2 poderia causar tantos estragos. O instituto de meteorologia do Reino Unido, Met Office, espera que seu novíssimo megacomputador seja capaz de fazer projeções com precisão muito maior, embora alguns estejam céticos sobre sua capacidade.
Thatcher alertou para os riscos climáticos no final dos anos 80
Getty Images
Enquanto isso, as temperaturas continuam subindo e mudando as balizas científicas. A máxima extrema do Canadá foi acelerada por um aumento da temperatura global de apenas 1,2 ° C até agora em comparação com níveis pré-industriais.
Mas o mundo provavelmente está caminhando para 1,5 ° C de aquecimento no início da próxima década, e as temperaturas vão avançar para 2 ° C ou mais, a menos que as políticas mudem radicalmente. Como será o mundo com um aumento de 2 ° C, que até recentemente era considerado um nível de mudança relativamente “seguro”?
A Baronesa Worthington, autora principal da Lei de Mudanças Climáticas do Reino Unido, me disse: “Cientistas preocupados não estão mais preocupados; eles estão apavorados”.
“Eles estão preocupados que pode não haver um ‘pouso seguro’ do clima. Estamos trabalhando na ideia de orçamentos de carbono seguros (a quantidade de carbono que podemos colocar na atmosfera sem prejudicar gravemente o clima). Mas e se não houver um nível seguro de carbono?”
“E se o orçamento de carbono ‘seguro’ for zero? Não podemos amenizar as realidades potenciais disso.”
Os políticos estão trabalhando para evitar o pior dessas realidades potenciais, mas até mesmo a ex-primeira-ministra do Reino Unido Margaret Thatcher observou no final dos anos 1980 que fazer um experimento com nosso único planeta era loucura.
Em 1989, ela chamou a atenção da ONU ao falar que os gases de efeito estufa estavam “mudando o meio ambiente de nosso planeta de maneiras perigosas e prejudiciais”.
Thatcher — que foi uma pesquisadora química — continuou: “O resultado é que a mudança no futuro provavelmente será mais fundamental e mais ampla do que qualquer coisa que conhecemos até agora. É comparável em suas implicações à descoberta de como dividir o átomo. Na verdade, seus resultados podem ser ainda mais abrangentes.”
“Não adianta discutir quem é o responsável ou quem deve pagar. Só teremos sucesso em lidar com os problemas por meio de um vasto esforço cooperativo internacional.”
O discurso foi extraordinariamente visionário. Eram palavras ainda mais fortes quando ditas por uma líder mundial de direita, e não por um hippie barulhento.
Se o mundo tivesse atendido seu aviso naquela época, imagine onde estaríamos agora?
Mas as opiniões de Thatcher foram desafiadas pelos “céticos” do clima — alguns deles financiados por uma campanha de desinformação de décadas feita por empresas de combustíveis fósseis.
As nações ricas se fixaram no crescimento econômico em vez de salvar o planeta de uma ameaça hipotética, e as economias emergentes reafirmaram seu “direito” de poluir o ar, assim como as nações ricas.
Os países ricos restringiram o dinheiro que ofereceram às nações pobres para obter tecnologia limpa. E as negociações internacionais falharam consistentemente em produzir as mudanças difíceis e radicais que Thatcher considerava necessárias.
Finalmente as nações estão começando a formular políticas para reduzir as emissões nas próximas décadas.
Não é apenas com os recordes de calor que elas estão preocupadas. Aprendemos recentemente sobre os extremos climáticos na Antártica, no Himalaia e no Ártico.
Alguns cientistas alertam que áreas do mundo se tornarão inabitáveis se as tendências atuais continuarem. Então, o que nossos líderes estão fazendo para nos manter seguros?
Eles estão falando muito bem e, sem dúvida, alguns realmente pretendem conter a mudança climática. Mas os impactos do aquecimento global estão acontecendo agora, enquanto as principais nações planejam eliminar suas emissões só até 2050.
O presidente americano Joe Biden diz que o CO2 dos EUA será reduzido pela metade em relação aos níveis de 2005 nesta década. Mas seus investimentos propostos em tecnologia limpa sofrem resistência por parte dos republicanos.
A GM e outras empresas prometeram vender apenas veículos com emissões zero no escapamento até 2035. Mas o presidente não definiu uma data para eletrificar a frota de carros dos EUA.
Além do mais, seu enviado para o clima, John Kerry, atraiu críticas por insistir que o estilo de vida dos EUA não precisa mudar, enquanto os especialistas dizem que proteger o clima requer novas tecnologias, bem como mudanças comportamentais, como comer menos carne e dirigir carros menores.
O leito seco do Lago Shasta na Califórnia
Getty Images
E há uma lacuna nas políticas até mesmo de uma nação líder no tema, como o Reino Unido, onde o governo planeja um programa de construção de estradas avaliado em 27 bilhões de libras (R$ 192 bilhões ).
E, embora o uso de ferrovias tenha caído durante a pandemia, o premiê Boris Johnson está gastando mais de 100 bilhões de libras (R$ 714 bilhões) no projeto ferroviário HS2, que não será neutro em carbono até o final do século.
Os setores de tecnologia e dos negócios estão mostrando alguns sinais positivos. O custo da energia solar e eólica, por exemplo, está despencando. Mas eles respondem por apenas cerca de 14% da demanda total de energia do mundo, de acordo com a agência de energias renováveis IRENA.
Enquanto isso, um duto de gás rompido no Golfo do México transformou o oceano em chamas e, em Londres, um fundo de investimento para indústrias verdes não conseguiu atingir o financiamento mínimo e foi descartado.
E na Ásia 600 novas usinas termelétricas a carvão estão planejadas, embora se reconheça que algumas estejam sendo retiradas, à medida que os investidores finalmente percebem que o carvão é uma aposta ruim de longo prazo.
Contra esse pano de fundo, os multimilionários do mundo estão competindo para usar grandes quantidades de energia para colocar turistas no espaço — energia que poderia estar sendo usada para enfrentar a mudança climática.
Aqui está o problema — os mundos da política e dos negócios estão definitivamente despertando para a crise climática. Mas algumas mudanças no mundo natural parecem estar superando as respostas da sociedade.
Parece que Thatcher estava certa — precisávamos de uma ação drástica há décadas.
Amanhã voltarei a dissecar friamente as questões intrigantes de política climática, mas hoje, pensando em minha neta Hazel, por favor, desculpe-me esta breve visita ao meu lado mais emocional.
Em meus mais de 30 anos de reportagem sobre o clima, sempre tive uma perspectiva de risco nas histórias, porque Thatcher estava certa ao dizer que só existe um planeta. E eu quero que Hazel e seus próprios futuros netos desfrutem dele.
Eu costumava usar a hashtag #Rollthedice (Lance os dados) do Twitter. Agora mudei para #Playingwithfire (Brincando com fogo).

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Por dentro da extrema direita chinesa nos EUA


Uma pesquisadora australiana tenta entender como a desinformação flui pela diáspora chinesa na América do Norte. Apoiadores de Trump asiáticos e sino-americanos durante uma manifestação em Manhattan, em 2016.
Getty Images via BBC
Wu Qian não consegue tirar os olhos do telefone. Ela verifica incansavelmente uma dúzia de salas de bate-papo em chinês do Telegram, onde milhares de sino-americanos conservadores discutem notícias, política — e, às vezes, até conspirações do grupo QAnon.
A pesquisadora australiana de 33 anos, que pediu para seu nome verdadeiro não ser usado nesta reportagem, caminha na ponta dos pés, como infiltrada, por essas redes de extrema direita chinesa. Seu objetivo é entender como a desinformação flui entre esses grupos.
QAnon: o que é e de onde veio o grupo que participou da invasão ao Congresso dos EUA
“Eu vejo muita desinformação todos os dias”, diz Qian. “E estou curiosa para verificar as suas origens.”
Ela começou a notar uma onda maior de notícias falsas relacionadas à pandemia na diáspora chinesa na metade de 2020, quando o coronavírus varreu o globo.
Para combater a disseminação de tanta notícia falsa, ela organizou um grupo de centenas de verificadores de notícias voluntários. Seu objetivo era desmascarar essas histórias mentirosas, mas não demorou muito para que esses ambientes digitais fossem dominados por uma forte corrente de boatos e teorias da conspiração envolvendo a eleição presidencial dos Estados Unidos, que ocorreu no ano passado.
Falsas alegações de fraude, em particular, se espalharam como fogo no palheiro entre os imigrantes chineses extremamente conservadores na América do Norte — um grupo pequeno, mas expressivo, entre as comunidades da diáspora.
“Eles são politicamente ativos e agem coletivamente com frequência”, diz Qian.
A maioria dos membros dessas salas de bate-papo são fervorosos apoiadores de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, se identificam como cristãos e nutrem opiniões bastante críticas sobre o Partido Comunista Chinês.
A pesquisadora diz que não posta nada nos grupos do Telegram. Ela apenas observa as conversas. Enquanto isso, os outros participantes do bate-papo trocam dezenas de milhares de mensagens todos os dias.
Doações para os Proud Boys
Membros do Proud Boys entraram em confronto com a polícia e com outros manifestantes durante protestos que ocorreram em dezembro de 2020 na capital Washington.
Getty Images via BCC
Em dezembro de 2020, Qian identificou um movimento que pedia a arrecadação de fundos para beneficiar os Proud Boys (Meninos Orgulhosos, em tradução literal).
Trata-se de um grupo de extrema direita que é classificado pelo governo do Canadá como uma “organização neofascista” terrorista.
A “vaquinha” serviria para cobrir as despesas médicas de membros feridos durante um comício pró-Trump em Washington, capital dos EUA, que ocorrera alguns dias antes.
A mensagem começava com uma frase comovente em chinês: “Não deixe lutando com cardos e espinhos aqueles que pavimentam o caminho em direção à liberdade”, seguida por emojis de rosas e corações, além de, claro, links para um site de crowdfunding (financiamento coletivo, em português).
Vale destacar que os Proud Boys são um grupo contrário à imigração. Mas, aos olhos da extrema direita sino-americana, eles estão lutando contra as forças comunistas pela liberdade.
A mensagem de arrecadação de fundos foi compartilhada em vários grupos do Telegram e atingiu dezenas de milhares de conservadores em poucas horas.
“Quanto mais [doações], melhor”, escreveram os organizadores da arrecadação.
Uma dúzia de doadores declararam no site de financiamento coletivo que são americanos ou canadenses cujos familiares vieram de China, Hong Kong ou Taiwan. Alguns deles deixaram mensagens, desejando aos membros feridos do Proud Boys “uma recuperação rápida”.
Em menos de um mês, a vaquinha virtual arrecadou mais de 100 mil dólares (R$ 525 mil), de acordo com dados contabilizados pelo Distributed Denial of Secrets, um site de denúncias. Esse número também foi checado ​​pela BBC News.
Das quase mil contribuições individuais, mais de 80% vieram de doadores com sobrenomes de origem chinesa.
Uma mulher sino-americana que doou 500 dólares (R$ 2,6 mil) disse ao jornal USA Today: “Você tem que entender como nos sentimos. Conseguimos sair da China comunista e apreciamos muito o que vivemos aqui.”
Ascensão da direita sino-americana
Nos Estados Unidos, imigrantes chineses se tornaram uma força crescente na política conservadora.
Muitos são impelidos para a direita por sua oposição às políticas afirmativas, que visam reduzir a desigualdade em áreas como educação e trabalho, mas são vistas por alguns sino-americanos como prejudiciais às oportunidades para seus filhos e netos.
As crenças anticomunistas também desempenham um papel importante na mobilização desse grupo, já que alguns acreditavam que a política linha-dura do governo Trump pressionaria Pequim e acabaria levando à queda do regime comunista.
“Na história dos Estados Unidos, Trump é o presidente que mais apoiou os direitos humanos na China”, afirmou um imigrante chinês que reside na cidade de Los Angeles.
Enquanto Pequim apertava seu controle e aumentava a pressão militar nos últimos meses, um número crescente de cidadãos de Hong Kong e Taiwan depositavam as esperanças na posição “dura com a China”, que era uma das bandeiras de Trump.
E, para completar, a pandemia trouxe a possibilidade de uma aliança improvável entre a diáspora chinesa e os conservadores americanos, enquanto os governos em Washington e Pequim entraram em confronto sobre as origens da covid-19.
Para os oponentes, culpar a China por não conter o vírus dentro de suas fronteiras é uma oportunidade de condenar o governo comunista.
Enquanto isso, a direita americana entende que as críticas sobre a China por causa da pandemia tiram o foco sobre as políticas internas de Trump, que levaram o país a ter o mais alto número de casos e mortes pelo coronavírus até o momento.
A aliança entre Steve Bannon, ex-conselheiro de Trump, e Guo Wengui, empresário chinês exilado, é um exemplo disso. A dupla está envolvida em uma ampla rede que dissemina desinformação sobre supostas fraudes eleitorais, as vacinas contra a covid-19 e as narrativas do QAnon em várias mídias sociais.
Para completar, os imigrantes chineses costumam ignorar os sites jornalísticos tradicionais na hora de consumir as notícias, de acordo com o First Draft, uma organização sem fins lucrativos que luta contra a desinformação.
Isso acontece em razão das barreiras de idioma e os costumes em lidar com as notícias entre esse grupo.
Na diáspora chinesa, muitos tendem a ler as reportagens que circulam por espaços mais fechados e particulares, como os grupos de mensagens do Telegram — afinal, já existe ali uma relação de confiança entre os participantes, e todas as informações compartilhadas são aceitas como verdades, o que cria enormes “câmaras de ressonância da desinformação”.
“Depois que você é exposto às redes de informações falsas, é difícil sair desse universo”, analisa Qian.
‘Reviravolta’ nas eleições?
A maioria dos membros dessas salas de bate-papo de extrema direita no Telegram são fervorosos apoiadores de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos.
Getty Images via BBC
Quando manifestantes pró-Trump invadiram o Capitólio em janeiro de 2021, houve um verdadeiro frenesi entre os membros de extrema direita sino-americana.
Nas salas de bate-papo do Telegram, as pessoas iam “além do entusiasmo”, lembra Qian. Elas estavam torcendo pelos desordeiros e celebrando a “reviravolta” nos resultados das eleições presidenciais.
Nesse mesmo dia, a arrecadação de fundos para os Proud Boys foi marcada por um novo aumento nas doações. Um benfeitor anônimo escreveu em chinês que eles deveriam “impedir que Satanás roube a eleição”.
Nos grupos privados, muitos dos membros haviam inclusive planejado a logística do comício pró-Trump em Washington: eles encomendaram camisetas com os dizeres “Sino-americanos a favor de Trump” e reservaram ônibus que sairiam de várias cidades para inundar a capital dos EUA.
No dia 6 de janeiro, mais de uma centena de sino-americanos esteve em Washington e se juntou aos demais manifestantes na marcha contra o resultado da eleição. Na multidão, dezenas agitavam bandeiras americanas, gritavam slogans pró-Trump e seguravam cartazes com os dizeres “Fim da tirania. Fim do PCC [Partido Comunista Chinês]”.
Um manifestante disse a um canal conservador no YouTube que o dia marcaria uma nova era para os sino-americanos.
“Nós realmente nos tornamos americanos. Finalmente entramos na esfera política do país”, afirmou, em mandarim.
Não está claro quantos desses indivíduos chegaram a invadir o Capitólio, mas vídeos sobre o ataque ao Congresso e toda a desordem se tornaram virais nos grupos de mensagens com integrantes da diáspora chinesa.
Em um desses materiais, um homem grita em mandarim o preâmbulo da Constituição dos Estados Unidos.
Qian acredita que, embora esses manifestantes sino-americanos se sintam fortalecidos pela liberdade e pela democracia nos EUA, eles estão cercados pela desinformação política, o que atrapalha a interpretação que eles têm dos fatos.
Nos fatídicos protestos de janeiro, Qian entende que os manifestantes “queriam mostrar o poder do povo aos legisladores, mas não tinham ideia de quais seriam as consequências de seus atos”.
Quando uma grande maioria de americanos começou a condenar o ataque ao Capitólio, muitos grupos do Telegram rapidamente removeram o histórico de mensagens relacionadas aos tumultos, observou a pesquisadora.
Nos últimos meses, a discussão sobre as alegações de fraude defendidas por Trump já diminuiu, mas as salas de bate-papo permanecem ativas: os membros agora focam a sua atenção em teorias de conspiração sobre as vacinas contra a covid-19 e os supostos vínculos do atual presidente Joe Biden com a China.
Muitos creem nos boatos de que Biden tem laços estreitos com Pequim. Para isso, citam os contatos comerciais mantidos por seu filho, Hunter Biden, com empresas do país localizado na Ásia.
Recentemente, quando o presidente americano fez um discurso que tratava da China e omitiu algumas palavras, participantes dessas salas de bate-papo concluíram que o líder dos EUA estava “enviando um sinal”, lembra Qian.
A situação no momento pode até estar mais calma. Mas, nos cantos secretos da Internet, a extrema direita sino-americana está atenta à próxima tempestade política.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Covid-19: Malta é primeiro país da UE a fechar fronteiras a viajantes não vacinados


Até a próxima terça-feira (13), será possível desembarcar em Malta apresentando um teste PCR negativo à Covid-19. No entanto, a partir de 14 de julho, a regra muda e apenas viajantes completamente imunizados poderão chegar ao local. Uma senhora vende alcaparras e outras iguarias de seu velho carrinho nas ruas de Marsaxlokk, uma vila de pescadores em Malta.
JOSEPH P SMIT
O governo de Malta anunciou na sexta-feira (9) que não aceitará a entrada de viajantes não vacinados contra a Covid-19. O país é o primeiro da União Europeia (UE) a anunciar a medida para tentar barrar a propagação da variante Delta. 
“A partir da quarta-feira, 14 de julho, toda a pessoa que chegar a Malta deve apresentar um certificado de vacinação reconhecido: um certificado maltês, um certificado britânico ou um certificado da União Europeia”, declarou o ministro da saúde do país, Chris Fearne, durante uma coletiva de imprensa. 
Desde 1° de junho, turistas vindos da UE, dos Estados Unidos e de alguns outros países que conseguiram administrar a epidemia de Covid-19 podem entrar nesta paradisíaca ilha do Mediterrâneo – um dos principais destinos europeus durante o verão no Hemisfério Norte.
Até a próxima terça-feira (13), será possível desembarcar em Malta apresentando um teste PCR negativo à Covid-19. No entanto, a partir de 14 de julho, a regra muda e apenas viajantes completamente imunizados poderão chegar ao local.
Covid: 3 critérios para mundo voltar a abrir portas para turistas do Brasil
Afeganistão, Albânia, Tonga, México… brasileiros só podem viajar sem restrições para 8 países
A única exceção será para os menores de 12 anos acompanhados pelos pais, dos quais continuará sendo exigido o teste PCR negativo. A Agência Europeia de Saúde autorizou a vacinação contra a Covid-19 para jovens a partir de 12 anos. 
A OMS pede que países que estejam retomando o o turismo reconheçam todas as vacinas aprovadas pelo órgão
Alta taxa de vacinação
Essa pequena ilha do Mediterrâneo de 500 mil habitantes se orgulha de ser o país com a mais alta taxa de vacinação da UE. No total, 79% da população acima de 12 anos recebeu duas doses do imunizante anticovid.
No entanto, um grande número de casos foi recentemente registrado entre jovens que viajam a Malta para estudar inglês. Por enquanto, a ilha ainda não enfrenta uma onda da variante Delta, a exemplo de vários países europeus, mas quer evitar que a linhagem se propague no local.
Segundo a responsável de saúde pública de Malta, Charmaine Gauci, apenas 7 dos 252 casos de Covid-19 atualmente ativos no país são da variante de origem indiana. Desde o início da pandemia, o governo maltês registrou 30.851 casos da doença e 420 mortes. 
Questionado sobre o anúncio repentino, o ministro da Saúde foi taxativo. “Não é justo de submeter nossos cidadãos a riscos. Devemos primeiro cuidar de nossos habitantes”, defendeu. 
Europa reforça medidas contra a Delta
A variante Delta continua se propagando rapidamente e preocupando os governos europeus. Vários países anunciaram novas medidas para tentar barrar o aumento de infecções pela linhagem que é altamente contagiosa e vem sobretudo infectando pessoas que não se vacinaram.
A região da Catalunha, no nordeste da Espanha, restabelece algumas restrições sanitárias a partir deste sábado (10), como o fechamento de discotecas e locais de diversão noturnos. Também será necessário apresentar um teste negativo à Covid-19 ou estar vacinado para participar de eventos ao ar livre com mais de 500 pessoas. 
“A situação epidemiológica na Catalunha é extremamente complicada”, explicou a porta-voz do governo catalão, Patricia Plaja, na última terça-feira (6). Segundo ela, a quantidade de casos na região aumenta em ritmo exponencial, sobretudo entre os jovens. 
Na Holanda, o primeiro-ministro Mark Rutte anunciou novas medidas na sexta-feira que passam a valer a partir deste sábado, como o fechamento de discotecas. Bares e restaurantes deverão parar de funcionar à meia-noite. 
Na França, apesar de a Delta representar quase 50% das novas contaminações, as discotecas reabriram na sexta-feira, mas apenas para quem possui o passaporte sanitário. O governo francês cogita tornar a vacinação obrigatória aos profissionais de saúde e novos anúncios são esperados na segunda-feira (12), quando o presidente Emmanuel Macron fará um pronunciamento. 
Já as Forças Armadas da Letônia afirmaram na sexta-feira que todos os militares na ativa serão vacinados até o próximo mês de agosto. Quem não estiver de acordo com a decisão corre o risco de perder o emprego. 
A Rússia, que enfrenta uma forte onda da variante Delta, anunciou um novo recorde neste sábado: 752 óbitos em 24 horas. No mesmo período, 25.082 novos casos foram registrados no país, dos quais 5.694 na capital Moscou. 
VÍDEOS: Notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Discrição e pouca transparência geram apreensão sobre saúde de Francisco

Celebração de Ângelus do hospital tenta imprimir normalidade à recuperação do Papa, mas ceticismo em torno de informações do Vaticano faz fiéis reviverem a lenta agonia de João Paulo II. Sempre envolta em mistério, a saúde dos pontífices costuma abalar os alicerces do Vaticano toda vez que ameaça o reinado de seu inquilino vitalício, em geral idoso e mais vulnerável. É o que acontece com o Papa Francisco, de 84 anos, hospitalizado desde domingo na Policlínica Gemelli, a que João Paulo II, em uma de suas internações, referiu-se como “Vaticano número 3”, ou seja, a terceira casa do pontífice.
Francisco foi submetido a uma cirurgia para a retirada de parte do cólon, que se revelou depois ser mais grave e extensa do que o previsto. Os fiéis foram surpreendidos, no próprio domingo, com o anúncio repentino de uma operação para tratar a estenose diverticular sintomática do cólon, que já estaria programada.
A apreensão em torno da saúde papal e o ceticismo gerado pelas informações da Santa Sé são justificados e têm antecedentes traumáticos entre o rebanho católico. Basta lembrar a lenta agonia de João Paulo II, que sofria de Mal de Parkinson e ingressou dez vezes na ala do Gemelli reservada aos papas.
Exímio esportista, ao longo de seus 26 anos no comando da Igreja Católica, o Pontífice foi tornando-se encurvado e com a saúde visivelmente deteriorada. Nos últimos tempos, demonstrava também problemas respiratórios e dificuldades para falar, contrariando o que dizia o Vaticano. Ainda assim, manteve-se à frente da Santa Sé até a morte, em abril de 2005.
Neste contexto, de discrição e pouca transparência, é natural que se especule sobre o real estado de Francisco em sua primeira internação no Gemelli. Sem parte de um dos pulmões desde os 21 anos, o Papa tem demonstrado vigor e boa saúde. Ele não esconde sofrer de dor crônica no ciático, que tenta aliviar com fisioterapia, massagens e anti-inflamatórios.
Mas, no regresso de Bagdá a Roma, em março passado, após uma parada de um ano nas viagens, forçada pela pandemia, ele admitiu ter se cansado “muito mais do que nas outras vezes”.
A cirurgia extensa, planejada para coincidir com o período de férias, levanta dúvidas sobre os efeitos que terá na agenda do Papa. A celebração do Ângelus dominical, da sacada do hospital, uma semana após a colectomia, procura dar aos fiéis um indício de aparente normalidade.
Numa entrevista em 2015, Francisco ponderou que a renúncia de Bento XVI não deveria ser considerada uma exceção. Chegou a prever que sua missão como chefe da Igreja Católica seria curta, entre dois e cinco anos. Já dura oito anos.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Você viu? Prisão na CPI e carta a Bolsonaro, pesquisa eleitoral, assassinato de presidente do Haiti e fortuna do brasileiro mais rico


Uma seleção de reportagens publicadas no G1 com as notícias de 5 a 9 de julho. Roberto Dias é preso durante depoimento à CPI da Covid, a carta da comissão à Bolsonaro e o suposto envolvimento do presidente nos esquemas de rachadinha. TSE reage às declarações de voto impresso. Datafolha aponta reprovação do governo. A variante Delta, a vacinação e a queda da média móvel de mortes no Brasil. André Mendonça é escolhido para o STF. Presidente do Haiti é assassinado. Homofobia mata brasileiro na Espanha, e mulher trans é brutalmente assassinada no Brasil. A fortuna do brasileiro mais rico. O ‘Diabão’ do litoral de SP. Fim de semana tem ‘Viúva Negra’ e final da Eurocopa. Caso Evandro ganha novo capítulo. Luciano Szafir na UTI. Inflação e energia em alta. Plano de saúde individual fica mais barato.
Newsletter do G1: receba um resumo com as notícias do dia no seu e-mail
Prisão na CPI e carta a Bolsonaro
“Chame a polícia do Senado. O senhor está detido pela presidência da CPI.”
O dono da frase acima é Omar Aziz, presidente da CPI da Covid, que acusou Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, de mentir durante seu depoimento — o que caracteriza falso testemunho; entenda aqui. Dias foi convocado para dar explicações sobre as acusações de que teria pedido propina de US$ 1 por dose de vacina. No depoimento, ele negou ter participado da negociação da compra da vacina, ter pedido propina na oferta de doses da AstraZeneca e ter sido indicado pelo deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara. Dias foi preso pela Polícia Legislativa, mas foi solto após pagar fiança de R$ 1,1 mil.
VÍDEO: veja reação de Roberto Dias ao receber ordem de prisão
VALDO CRUZ: depoimento de Dias revela ‘guerra de grupos’ na Saúde
Nesta semana, a CPI da Covid também enviou uma carta ao presidente Jair Bolsonaro e cobrou que ele esclareça se é verdade que atribuiu a Ricardo Barros as suspeitas de irregularidades nas negociações para a compra da vacina Covaxin. Quem disse isso foi o deputado Luis Miranda, em depoimento dado à CPI duas semanas atrás. Na internet, Bolsonaro afirmou que não vai responder a carta: “Você sabe qual é a minha resposta, pessoal? Caguei. Caguei para a CPI. Não vou responder nada”. Entenda suspeita de irregularidades na compra da Covaxin.
VÍDEO explica suspeita de irregularidade na compra da Covaxin
ENTENDA por que Bolsonaro é investigado no caso da vacina indiana
Ainda na CPI, a ex-gestora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Francieli Fantinato, que foi exonerada um dia antes de depor, listou durante depoimento entraves à vacinação no país, como a falta de doses e de campanha publicitária em defesa da imunização. Ela afirmou ter deixado o cargo após a “politização” que tomou conta do tema no governo e disse que Bolsonaro também prejudicou a vacinação com falas que colocam em dúvida a eficácia dos imunizantes.
Covaxin na mira da comissão
E no último depoimento da semana, o técnico de divisão da importação William Santana disse que notou uma série de erros nos documentos de compra da Covaxin. Ele teria pedido a correção do documento e recebido pelo menos três versões, que ainda apontavam inconsistências. Mesmo assim, a área de execução do contrato teria dado continuidade ao processo. A ala governista da comissão – incluindo Flavio Bolsonaro – refutou as datas de envio das versões no depoimento. Nos próximos dias, a CPI deve votar uma perícia na documentação, e ainda a convocação de Onyx Lorenzoni para comparar os documentos apresentados por ele e William Santana.
Entendendo o caso Covaxin: 4 pontos sobre a denúncia de irregularidades
Esquemas de rachadinha
As denúncias de corrupção no enfrentamento à pandemia não são as únicas pressões enfrentadas por Bolsonaro no governo. Áudios atribuídos a Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente, indicam envolvimento direto de Jair Bolsonaro com esquemas de rachadinha (ouça aqui). Andrea afirma que o irmão André Siqueira Valle foi demitido do cargo de assessor do então deputado federal Jair Bolsonaro porque se recusou a repassar o valor definido. Ao blog de Gerson Camarotti , Renan Calheiros disse que vai abrir um requerimento para convocar Andrea à CPI.
Presidente subiu o tom
Simultaneamente à semana de apurações na CPI sobre a irregularidade compra de vacinas e as denúncias dos esquemas de rachadinha, Jair Bolsonaro subiu o tom e, novamente, colocou em dúvida os resultados das eleições – até mesmo as de 2018, no ano em que foi eleito. Ele chegou a dizer que ou haverá voto impresso em 2022 ou não terá eleição. Em resposta, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral Luis Roberto Barroso afirmou, em nota, que impedir as eleições viola a Constituição e configura crime de responsabilidade.
Rodrigo Pacheco, presidente do Congresso Nacional, também reagiu às declarações e disse que o Poder Legislativo não aceitará “retrocesso”. As eleições, completou, são “inegociáveis”.
📊 Pesquisa Datafolha
A pesquisa do instituto Datafolha divulgada pelo jornal “Folha de S.Paulo” na quinta e nesta sexta revela o maior índice de reprovação ao governo Bolsonaro desde a posse e uma rejeição alta ao presidente, que perde para Lula, Ciro e Doria num eventual 2º turno da eleição presidencial em 2022.
Veja os 10 principais pontos mostrados no levantamento
Variante delta e a vacinação no Brasil 💉💉
Na tentativa de reduzir os riscos de contágio da variante delta do coronavírus Sars-CoV-2, ao menos 7 estados decidiram reduzir o intervalo entre a primeira e a segunda dose da vacina AstraZeneca. O Ministério da Saúde recomenda o período de 12 semanas (3 meses), mas a bula do imunizante já prevê que “a segunda injeção pode ser administrada entre 4 e 12 semanas após a primeira”.
ASTRAZENECA: veja que remédio tomar e qual evitar em caso de efeito colateral
A variante delta já circula pelo estado de São Paulo entre pessoas que não viajaram ao exterior. A mutação já é considerada predominante em ao menos mais quatro países além da Índia, onde ela foi descoberta: Reino Unido, Israel, México e Bélgica. Entenda como ela avança pelo mundo. No Brasil, especialistas alertam que é hora de prevenção. O sintoma mais comum é a dor de cabeça.
Apesar da corrida contra variantes, a vacinação segue lenta no Brasil: 13,9% dos brasileiros estavam completamente imunizados até a manhã de sexta-feira (9). A boa notícia fica por conta do Mato Grosso do Sul, que, na contramão da média do país, já tem mais de 24% de sua população vacinada. Outro dado positivo veio do Amazonas, que, pela 1ª vez desde o início da pandemia não registrou nenhuma morte por Covid em 24 horas.
G1 no Youtube: Olha o que os cientistas já fizeram pela gente
Números da pandemia
A média móvel de mortes nos últimos 7 dias ficou abaixo de 1.400 após 4 meses. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -19% e aponta tendência de queda. Os números de mortes estão em queda há pelo menos 13 dias seguidos. Desde o início da pandemia, o Brasil ultrapassou 531 mil vítimas da Covid.
Indicação ao STF
Com indicação anunciada publicamente por Jair Bolsonaro para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) aberta com a saída de Marco Aurélio Mello, André Mendonça participa do governo desde o início. Pós-graduado em direito pela Universidade de Brasília (UnB) e pastor na Igreja Presbiteriana Esperança, em Brasília, ele foi Advogado-Geral da União (AGU) de janeiro de 2019 a abril de 2020, quando foi nomeado ministro da Justiça. Em março de 2021, voltou a chefiar a AGU. Leia perfil.
Para chegar à Suprema Corte, Mendonça terá se submeter a uma sabatina no Senado. Em seguida, a indicação será votada no plenário. Marco Aurélio Mello deixa a Corte na próxima segunda-feira (12), após a aposentadoria dele ter sido publicada na edição desta sexta-feira do “Diário Oficial da União” (DOU).
Assassinato do presidente do Haiti
VÍDEO: presidente do Haiti é assassinado em ataque em casa
O presidente do Haiti, país mais pobre das Américas, Jovenel Moise foi morto em casa, num ataque a tiros. A primeira-dama, Martine Moise, também foi baleada e está hospitalizada. O primeiro-ministro interino disse que esse foi um “ato odioso, desumano e bárbaro”. Assista ao tiroteio.
A Polícia Nacional haitiana informou que ao menos 28 pessoas participaram do crime, sendo que 20 foram presas e oito estão foragidas. Segundo as autoridades, dois dos envolvidos seriam cidadãos dos Estados Unidos com origem haitiana e 26 têm cidadania na Colômbia. O governo colombiano investiga se os presos nascidos no país sul-americano são reservistas do exército da Colômbia.
Conhecido como “homem da banana”, Moise teve mais votos que 26 outros candidatos em um processo eleitoral de quase dois anos que foi marcado por acusações de fraude, desastres naturais e uma baixa presença de eleitores. Leia perfil.
Homofobia na Espanha e morte de trans no Brasil
O assassinato na Espanha de um jovem gay brasileiro causou comoção e protestos na Espanha. O auxiliar de enfermagem Samuel Luiz Muñiz tinha 24 anos e foi espancado até a morte por um grupo ao sair de uma boate. A amiga que o acompanhava e familiares falam em crime de homofobia. Segundo a imprensa local, os primeiros elementos da necrópsia apontam que Samuel morreu por um traumatismo cranioencefálico grave, causado por um chute na cabeça. A polícia espanhola prendeu quatro suspeitos de terem participado do crime. Outros dois adolescentes também foram apreendidos.
VÍDEO: Morte de jovem gay brasileiro na Espanha gera onda de protestos
E aqui no Brasil morreu a mulher trans que teve o corpo queimado por um adolescente no último dia 24, no Recife. Segundo boletim policial, Roberta da Silva morava na rua e foi atacada perto de um terminal de ônibus. O documento também informa que testemunhas relataram à PM que um homem estaria com a vítima em um barraco de lona e teria ateado fogo nela, tentando fugir em seguida. O adolescente foi encontrado logo depois e apreendido.
O brasileiro mais rico
Saiba quem é Eduardo Saverin, o brasileiro mais rico do mundo
US$ 19,4 bilhões: esta é a fortuna avaliada do brasileiro mais rico, valor que equivale a aproximadamente R$100 bilhões. Eduardo Saverin, de 39 anos, é cofundador do Facebook, foi criado nos EUA e hoje mora em Singapura. Com essa grana toda, ele está na 95ª posição no ranking das pessoas mais ricas do mundo. Veja o top 10 de brasileiros.
Também por lá, de um jeito leve e descontraído, a gente conta os planos do bilionário Jeff Bezos fora do comando da Amazon e como uma declaração de amor escrita há 40 anos foi descoberta na parede de um escola de São Vicente. Já deu seu 👍 e ativou as notificações?
Folgas às quartas
Na Islândia, no Japão e na Nova Zelândia, uma jornada de 4 dias de trabalho (e sem redução salarial) já é uma realidade — geralmente, a folga acontece nas quartas. Seria possível implantar isso no Brasil? Aqui a lei prevê que a jornada seja de 8 horas diárias e 44 horas semanais, sendo que as empresas podem reduzir a carga horária. O advogado Ricardo Souza Calcini tirou dúvidas sobre a aplicação do modelo no país. Por aqui, há pelo menos uma empresa que implantou o sistema (saiba como ela funciona).
‘Diabão’ do litoral de SP
‘Diabão’ do litoral de SP mostra implantação de dentadura de prata nas redes sociais
Entre escarnificações, implantes de silicone e até a remoção de nariz, orelha, dedo e mamilo, Michel Praddo tem 66 modificações e 85% do corpo tatuado. O homem de 46 anos é conhecido como o ‘Diabão’ do litoral de São Paulo e quer entrar para o Guinness Book como o ‘mais modificado do mundo’. Ele fez uma abdominoplastia para remover o umbigo, mas sofreu complicações após os pontos da cirurgia terem se rompido e teve que passar por um novo procedimento nesta semana. Segundo a esposa Carol Praddo, também conhecida como ‘Mulher Demônia’, o ‘Diabão’ do litoral passa bem: “Graças a Deus, deu tudo certo.”
Eurocopa
Inglaterra e Itália farão a final da Eurocopa, que acontece neste domingo (11). Os ingleses se classificaram após vencerem a Dinamarca na prorrogação. Já o time italiano superou a Espanha nos pênaltis antes de chagar à final. Sabe tudo sobre o clássico Inglaterra x Itália? Teste seu conhecimento neste quiz.
Cinema, televisão e música
Opção para quem gosta de um cinema no fim de semana, “Viúva Negra” é o primeiro filme dos estúdios Marvel dirigido somente por uma diretora mulher. G1 conversou com a australiana Cate Shortland, conhecida principalmente por curtas premiados. O longa também pode ser visto na Disney+.
Saudosistas dos anos 1990 podem maratonar a primeira temporada de “Malhação” no Globoplay. A trama marcou a estreia de André Marques como ator no papel de Mocotó e gira em torno da história de Héricles Barreto (Danton Mello). Relembre o início da novela teen.
Assista AQUI aos primeiros episódios
No streaming da música, uma análise do G1 sobre as preferências do brasileiro no primeiro semestre mostra que o forró disparou em audiência, mas a mais tocada pertence ao sertanejo – “Batom de cereja”, de Israel e Rodolffo, sucesso durante o “BBB21”. Veja a lista completa (ou dê o play abaixo).
Veja as músicas mais tocadas no primeiro semestre de 2021 no ranking do Spotify
O Caso Evandro
Caso Evandro: Pai de santo Osvaldo Marcineiro, condenado por participar do crime em Guaratuba
Reprodução/Globoplay
A série que detalha um dos crimes mais marcantes dos anos 90 ganhou um capítulo extra nesta semana. Um dos condenados pelo assassinato do menino Evandro, Osvaldo Marcineiro, falou sobre a prisão pelo desaparecimento e a morte da criança no litoral do Paraná. As entrevistas inéditas estão disponíveis no episódio “Consequências”, do documentário “O Caso Evandro”, no Globoplay.
Luciano Szafir na UTI
Luciano Szafir
Reprodução/Redes sociais
Internado com Covid desde 22 de junho, Luciano Szafir teve que ser submetido à uma cirurgia para conter um sangramento e retirar parte do intestino. Ele também teve embolia pulmonar e foi transferido do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, para o Copa Star e está intubado na UTI. É a segunda vez em que ele contrai a doença. Nas redes sociais, a filha Sasha Meneghel e a apresentadora Xuxa pediram orações ao ator de 52 anos. A socialite Beth Szafir, mãe de Luciano, disse na última sexta (9) que o quadro dele é estável.
Tiktokers de educação
Dá para aprender em vídeos curtos no TikTok? Professores que já acumulam mais de 1 milhão de seguidores na rede social e especialistas ouvidos pelo G1 dizem que sim. Por lá, há vídeos para engajar quem tem problemas com química (como aprender a calcular o Mol) ou ensinado sobre o uso da palavra cringe nas aulas de inglês, por exemplo. Veja abaixo.
Professores no TikTok dão dicas de matemática, português e até divulgação científica
Inflação
Puxada pela alta da energia elétrica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – a inflação oficial do país – ficou em 0,53% em junho, após ter registrado taxa de 0,83% em maio.
“Esse é o maior resultado para o mês desde junho de 2018 (1,26%). Com isso, o indicador acumula alta de 3,77% no ano e 8,35% nos últimos 12 meses”, informou o IBGE.
Energia em alta (no bolso)
Julho começou com a conta de energia mais cara com o reajuste na bandeira tarifária vermelha patamar 2. A cobrança extra passou de R$ 6,24 para R$ 9,49 a cada 100 kWh consumidos – o que corresponde a uma alta de 52%. Entenda como funciona o sistema, o impacto no seu bolso e o que explica o aumento do custo de energia no país.
Reajustes da Conta de Luz – atualizada
G1
Plano de saúde mais barato
Pela primeira vez, a ANS decidiu pela redução do valor do plano de saúde individual. A previsão é que, até abril de 2022, 8,1 milhões de beneficiários paguem 8,19% mais barato nos contratos. A decisão se dá após aumento de 8,14% nos valores em 2020, acompanhado de uma queda no uso de serviços médicos, como exames e cirurgias, no ano passado. O reajuste negativo não vale para planos de saúde coletivos, como os empresariais, e os por adesão, em que os consumidores contratam em grupo. Entenda a decisão.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Joseph Lambert é declarado presidente interino do Haiti pelo Senado; país pede que EUA e ONU enviem tropas


Presidente do Senado foi apontado após vencer votação entre maioria dos presentes; até então, cargo estava sendo exercido provisoriamente pelo primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph. Presidente Jovenel Moise foi morto a tiros em sua casa, na madrugada de quarta-feira (7). Foto da região do palácio presidencial de Porto Príncipe, no Haiti, em 7 de julho
Valerie Baeriswyl/Reuters
O Senado do Haiti declarou nesta sexta-feira (9) que seu presidente, Joseph Lambert, irá ocupar a presidência interina do país, após o assassinato do presidente Jovenel Moise, na quarta-feira. Seu nome foi apontado após uma votação vencida por maioria entre os presentes.
Até então, o cargo estava sendo exercido provisoriamente pelo primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph.
Há controvérsias sobre quem deve comandar o país após a morte de Moise, já que Joseph não chegou a ser oficializado no cargo de primeiro-ministro, e por isso ocupa o posto interinamente, e o presidente da Suprema Corte, que poderia assumir a Presidência, segundo a Constituição, morreu de Covid-19 no mês passado e ainda não foi substituído (leia mais sobre a sucessão abaixo).
Ajuda da ONU e dos EUA
Também nesta sexta-feira, o Haiti pediu aos Estados Unidos e à ONU que enviem tropas para proteger seus portos, aeroporto e outros locais estratégicos, afirmou um ministro do governo haitiano, segundo a agência France Presse.
Depois do assassinato de Moise, “pensamos que os mercenários [acusados do crime] poderiam destruir alguma infraestrutura para criar caos no país. Durante uma conversa com o secretário de Estado dos Estados Unidos e a ONU fizemos esta solicitação”, disse à AFP Mathias Pierre, ministro das Eleições.
Controle do país
Jovenel Moise durante uma entrevista em agosto de 2019
Dieu Nalio Chery/Reuters
Jovenel Moise dissolveu o Parlamento e governava por decreto há mais de um ano, após o país não conseguir realizar eleições legislativas, e queria promover uma polêmica reforma constitucional.
Ele dizia que ficaria no cargo até 7 de fevereiro de 2022, em uma interpretação da Constituição rejeitada pela oposição. Para eles, o mandato do presidente havia terminado em 7 de fevereiro deste ano.
A disputa sobre o fim do mandato era consequência da primeira eleição de Moise. Ele foi eleito em outubro de 2015 para um mandato de cinco anos, em um pleito cancelado por fraudes, venceu uma nova disputa no ano seguinte e tomou posse apenas em 2017.
Moise foi eleito com 600 mil votos em um país com 11,3 milhões de habitantes. Pouco conhecido antes das eleições, ele conseguiu vencer com o apoio do ex-presidente Michel Martelly.
Eleições legislativas e municipais estavam agendadas para ocorrer neste ano, mas foram adiadas para 2022. Com o vácuo de poder, Moise manteve a posição de continuar no cargo por mais um ano, apesar das críticas da oposição.
Acusados pelo assassinato
Metralhadoras, celulares e passaportes apreendidos com os suspeitos de assassinar o presidente do Haiti, Jovenel Moise, são mostrados à imprensa em Porto Príncipe em 8 de julho
Estailove St-Val/Reuters
O diretor da Polícia Nacional do Haiti disse na quinta-feira que ao menos 28 pessoas participaram do assassinato a tiros do presidente. Desses, dois seriam cidadãos dos Estados Unidos com origem haitiana e 26 têm cidadania na Colômbia.
Durante o ataque, a primeira-dama haitiana, Martine, ficou gravemente ferida, mas sobreviveu e foi levada aos Estados Unidos, onde está hospitalizada em estado estável.
A agência France Presse, citando o diretor de polícia, diz que das 28 pessoas envolvidas no crime, oito estão foragidas. Os outros 20 suspeitos estão presos ou já foram detidos pelas autoridades — não há muitos detalhes sobre essas prisões.
Autoridades disseram que a polícia e o exército cercaram o grupo desde quarta e conseguiram prendê-los após intensa troca de tiros. Ao todo, sete pessoas considerada suspeitas no complô e no assassinato foram mortas.
Haiti
Amanda Paes/G1
Initial plugin text

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Jogos Olímpicos: a ousada fuga de atleta iraquiano após troca de olhares ‘proibida’ com Bill Clinton


Nas Olimpíadas de Atlanta de 1996, o levantador de peso iraquiano Raed Ahmed tomou uma decisão arriscada, inspirado por gestos do presidente americano. Raed levou a bandeira de seu país na abertura da Olimpíada
Getty Images/BBC
“Não olhe para o presidente (Bill) Clinton.” Essas foram as instruções que Raed Ahmed recebeu antes da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta.
O levantador de peso iraquiano tinha ouvido que Bill Clinton e os Estados Unidos queriam destruir seu país e não deveriam ser respeitados. A mensagem veio de funcionários do Comitê Olímpico iraquiano, que seguiam ordens do filho mais velho de Saddam Hussein, Uday.
“Eles disseram para não olhar para a esquerda ou para a direita porque o presidente estaria lá. ‘Não olhe para ele'”, conta Raed. “Eu respondi: ‘sem problemas’.”
Raed sorria enquanto corria para o estádio, orgulhosamente segurando sua bandeira nacional. Ele tinha 29 anos quando foi escolhido para esta honraria.
Apesar de ser acompanhado pelos olhos atentos das autoridades iraquianas, o atleta acabou olhando para a direita. “Não pude acreditar”, diz ele. “Clinton olhou para nós. Vi que ele ficou muito feliz quando nos viu. Ele se levantou e batia palmas.”
Aquele instante mudou a vida de Raed para sempre.
Nascido em uma família muçulmana xiita na cidade iraquiana de Basra, em 1967, Raed é filho de um treinador de fisiculturismo. Começou a ficar conhecido pelo levantamento de peso no início dos anos 1980 e, em 1984, foi coroado campeão nacional na categoria de até 99 kg.
Mas seu sucesso esportivo decolava em um cenário de turbulência em sua terra natal.
Em 1991, o Iraque enfrentava rebeliões de árabes xiitas, no sul, e de curdos, no norte do país. As rebeliões começaram logo após a primeira Guerra do Golfo, quando forças iraquianas invadiram o Kuwait em 1990 e foram derrotadas por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.
Em fevereiro de 1991, dias antes do início do ataque terrestre da coalizão, o então presidente americano, George W. Bush, transmitiu uma mensagem dizendo aos iraquianos que havia uma maneira de evitar um derramamento de sangue no país.
“Se os militares iraquianos e o povo iraquiano usarem as próprias mãos para forçar o ditador Saddam Hussein a se afastar”, disse Bush no discurso. Os xiitas e os curdos acreditavam que isso significaria que os Estados Unidos apoiariam levantes contra Saddam. Eles começaram em março.
Em Basra e em outras cidades, centenas de civis desarmados saíram às ruas e assumiram o controle de prédios do governo, libertando prisioneiros de cadeias e confiscando estoques de armas de pequeno porte. No auge dos confrontos, eles haviam tirado o controle de 14 das 18 províncias do país das forças de Saddam e os combates aconteciam a quilômetros da capital, Bagdá.
Mas, à medida que o levante se espalhava pelo país, autoridades americanas insistiram que nunca foi sua política intervir nos assuntos internos do Iraque, nem remover Saddam do poder.
Com o fim da Guerra do Golfo e os rebeldes sem apoio dos Estados Unidos, Saddam deu início a um de seus atos mais brutais de repressão contra os xiitas e curdos, matando dezenas de milhares de pessoas em poucos meses.
Raed se lembra de testemunhar o primo de Saddam, Ali Hassan al-Majid, também conhecido como Chemical Ali, então encarregado de reprimir as rebeliões, alinhando estudantes da universidade em Basra e atirando neles.
As sanções econômicas da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Iraque também começaram a atingir duramente as pessoas comuns. Raed diz que a população lutava para comprar os alimentos mais básicos, como pão e arroz.
Ele já pensava em como sair do país.
Saddam Hussein foi executado em Bagdá em dezembro de 2006
Getty Images/BBC
Diferente da maioria dos iraquianos, Raed teve a oportunidade de viajar para o exterior para competir. Mas ser um esportista de elite no Iraque significava ficar cara a cara com Uday Hussein, o filho conhecidamente implacável de Saddam, que foi presidente do Comitê Olímpico Iraquiano e da Associação de Futebol do Iraque.
As punições de Uday por infrações como perder um pênalti, receber um cartão vermelho ou jogar mal incluíam torturas com cabos elétricos, banhos forçados em esgoto não tratado e até mesmo execuções. “Ele fazia o que quisesse, ele era filho de Saddam”, diz Raed.
Em um esforço para se proteger, Raed fazia o possível para diminuir as expectativas de Uday antes dos torneios internacionais. “Eu via as pessoas quando saíam da prisão. Os jogadores de futebol ou basquete nos diziam: ‘Cuidado quando for às competições’. Eles mataram muita gente”, conta.
“Quando ele me perguntou se eu conseguiria levar para casa uma medalha de ouro, eu disse que não. Para uma medalha de ouro, você tem que se exercitar por pelo menos quatro anos e era muito difícil fazer isso em Basra, com pouca comida e água. Para levantamento de peso, você precisa de muita comida e atividade física.”
Cada vez mais, Raed via as competições internacionais como a melhor maneira de sair do Iraque para sempre. Ele trainava mais duro do que nunca, com duas sessões exaustivas por dia, cinco dias por semana, para fazer seu melhor.
Em 1995, ele viajou para a China para o Campeonato Mundial de Halterofilismo, mas sentiu que a probabilidade de as autoridades chinesas o mandarem de volta era muito alta para ousar uma tentativa de fuga. Seu desempenho foi bom o suficiente para garantir uma vaga na equipe olímpica, no entanto.
Ele iria para Atlanta e ele sabia que os Jogos de 1996 nos Estados Unidos ofereceriam uma oportunidade melhor.
Presidente Clinton em discurso na vila olímpica de Atlanta, em 1996
Getty Images/BBC
Antes de viajar para as Olimpíadas, Raed entrou em contato com um amigo nos Estados Unidos. Ele tentava avaliar os riscos: e se o mandassem de volta ao Iraque? O que aconteceria com sua família? Como escapar dos olhos sempre vigilantes das autoridades iraquianas? Raed não tinha certeza se uma fuga era realista quando embarcou no avião para os Estados Unidos.
Ao chegar à Vila Olímpica, Raed se acomodou e tentou não levantar suspeitas. Ele tinha, afinal, a responsabilidade de carregar sua bandeira nacional no maior evento do planeta.
Antes da cerimônia de abertura, ele foi insistentemente instruído a não olhar para o presidente Clinton pelo ex-tradutor de Saddam, Anmar Mahmoud, que havia viajado com a equipe olímpica. “Eles queriam mostrar que os iraquianos não gostavam dos Estados Unidos e não gostavam do presidente”, disse Raed.
Mahmoud estava exatamente atrás de Raed enquanto eles marcharam pela pista olímpica, em 19 de julho de 1996. Raed conta que Mahmoud percebeu que ele estava olhando para Clinton, mas não disse nada. As autoridades iraquianas também pareciam genuinamente surpresas com os aplausos do presidente, diz ele.
Qualquer dúvida remanescente havia desaparecido: ele não voltaria para o Iraque. Mas agora vinha o problema de como ficar nos Estados Unidos.
Raed contatou outro amigo nos Estados Unidos, chamado Mohsen Fradi, e contou seu plano. Foi quando um graduado em engenharia da Universidade da Geórgia com o nome de Intifadh Qambar, que tinha acesso à Vila Olímpica, veio visitá-lo.
Ele pediu ajuda para tirá-lo de lá. Os dois se encontraram em segredo, mas colegas começaram a suspeitar. “As autoridades olímpicas iraquianas começaram a desconfiar que eu queria ficar e me disseram que eu não tinha permissão e que seria preso se o fizesse”, disse ele.
Raed não se intimidou. O plano estava traçado, mas antes de tudo ele ainda precisava competir. Incapaz de se preparar à altura de seus rivais, ele terminou em terceiro lugar em sua categoria.
Com a competição fora do caminho, era hora de sua fuga.
Raed fotografado na entrevista coletiva realizada após sua deserção
Getty Images/BBC
Na manhã de 28 de julho de 1996, a equipe olímpica iraquiana se preparava para visitar um zoológico próximo. Enquanto a equipe descia para tomar café da manhã, Raed fingiu que tinha esquecido algo em seu quarto. Ele rapidamente fez as malas e correu para a frente da Vila Olímpica. Esperando por ele em um carro estavam Qambar e Fradi. Raed entrou e eles foram embora.
“Meus pensamentos estavam com minha família o tempo todo”, lembra ele. “Fiquei preocupado com eles e com o que aconteceria com eles depois que as autoridades iraquianas descobrissem que eu estava fugindo. Não tinha medo por mim mesmo porque sabia que estava em boas mãos… e não corria nenhum perigo aqui. O medo e a preocupação que sentia eram por minha família.”
Raed — que saiu sem passaporte, já que as autoridades iraquianas guardavam toda a sua documentação — foi se encontrar com um advogado iraquiano-americano que havia viajado de Nova York e eles foram a uma agência de imigração para explicar o desejo de Raed de permanecer nos Estados Unidos.
Em seguida, uma entrevista coletiva foi organizada e ele encarou a imprensa mundial. “Todos os outros em nosso grupo desviaram o olhar do presidente Clinton. Eles não foram homens”, disse Raed, segundo o jornal “New York Times”. “Eu amo meu país. Só não gosto do regime.”
Após a coletiva, Raed disse que o escritório de Uday Hussein ligou para a rede CNN. Uday pediu que avisassem ao atleta que ele precisava voltar porque sua família inteira estava sendo mantida como refém. Os familiares acabaram sendo libertados depois que Raed se recusou a retornar ao Iraque, mas ele não pode falar com eles por mais de um ano.
“As coisas estavam muito difíceis para eles, as pessoas não queriam mais falar com eles. Minha mãe era diretora de uma escola e foi expulsa”, diz.
Depois de receber asilo, Raed diz que trabalhava sete dias por semana para poder pagar por um passaporte iraquiano falso para a esposa. Em 1998, ela conseguiu chegar à Jordânia, onde buscou ajuda de funcionários da ONU antes de viajar para os Estados Unidos.
Raed e a família, fotografados em 2019
Getty Images/BBC
Raed e sua esposa se estabeleceram em Dearborn, Michigan, onde vivem até hoje e criaram cinco filhos. Dearborn tem uma grande comunidade árabe e, desde 2003, quando a Guerra do Iraque começou, milhares de refugiados iraquianos se estabeleceram na área. “Dearborn é como Bagdá”, brinca Raed.
Ele montou uma concessionária de carros usados ​​e continuou treinando como levantador de peso. Também treinou times locais de futebol e basquete do Iraque.
Então, em 2004, após a queda de Saddam Hussein, ele voltou ao Iraque pela primeira vez. “Toda a minha família estava esperando por mim e queriam me ver porque não nos encontrávamos desde 1996. Eles só choravam quando me viram, não acreditavam que me veriam novamente”, lembra. Os pais de Raed ainda moram em Basra, mas visitaram os Estados Unidos todos os anos até o início da pandemia.
Olhando para o futuro, Raed acha que provavelmente ficará em Michigan, embora se mudar para algum lugar com as temperaturas de sua terra natal sempre tenha sido uma ideia atraente.
“Quero me mudar para a Flórida porque o clima é igual ao do Iraque”, ele ri. “Aqui, especialmente de dezembro a fevereiro, é muito difícil viver — há muita neve e muito frio. Eu nunca tinha visto neve antes. Eu pensava: ‘Como as pessoas vão lá fora com sete ou dez centímetros de neve?’.”
Ele diz que vai assistir à cerimônia de abertura das Olimpíadas em Tóquio em julho, como sempre faz. “É muito nostálgico para mim e me lembra de quão longe eu vim. Toda vez que assisto, eu tenho vontade de estar lá e participando de alguma forma”, diz Raed.
“Assistir realmente me levará de volta a 25 anos atrás e tenho certeza que vou reviver minha experiência.”
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Barreiras ao redor do Capitólio são retiradas seis meses após ataque de 6 de janeiro


Barreira com 2,4 metros de altura cercou vários quarteirões, interferindo com o tráfego de pedestres e veículos; trecho ainda de pé será removido em três dias. Mais de 535 pessoas foram acusadas de participarem dos ataques de 6 de janeiro, quando apoiadores de Trump quebraram janelas, enfrentaram a polícia e invadiram local; cinco pessoas morreram, incluindo um policial. Membro da polícia do Capitólio retira placa de cerca que será removida do local, em Washington DC, na sexta-feira (9)
AP Photo/Andrew Harnik
Trabalhadores começaram a remover as últimas barreiras de alta segurança em torno do Capitólio dos Estados Unidos, nesta sexta-feira (9), mais de seis meses depois de apoiadores do ex-presidente Donald Trump lançarem um ataque letal à casa do Congresso dos EUA.
A barreira preta com 2,4 metros de altura em certo momento cercou vários quarteirões em torno do Capitólio, interferindo com o tráfego de pedestres e veículos. As partes que ainda estão em pé, fechando apenas o complexo com cúpula branca do Capitólio, serão removidas em três dias, segundo Sargento de Armas da Câmara dos EUA, William Walker.
A decisão de retirar as barreiras restantes foi baseada na avaliação da polícia do Capítulo de quanta ameaça há no momento e uma coordenação melhor com agências de segurança locais e federais, disse Walker, em um comunicado.
Mais de 535 pessoas foram acusadas de participarem dos ataques de 6 de janeiro, quando apoiadores de Trump quebraram janelas, enfrentaram a polícia e obrigaram que parlamentares e o então vice-presidente Mike Pence tentassem encontrar um lugar seguro para se protegerem.
Cinco pessoas morreram durante a violência e no dia seguinte, incluindo um agente da Polícia do Capitólio. Dois policiais que participaram da defesa do Capitólio tiraram a própria vida posteriormente. Mais de uma centena de policiais ficou ferida.
Funcionários se preparam para iniciar retirada de cercas ao redor do Capitólio, em Washington DC, na sexta-feira (9)
Daniel Slim/AFP
Os agressores tentaram impedir que o Congresso certificasse a vitória eleitoral do presidente Joe Biden, que Trump havia dito, falsamente, que fora resultado de uma fraude generalizada. Vários tribunais, autoridades eleitorais e membros do próprio governo Trump rechaçaram as alegações sem fundamentos.
Cerca de 20 mil tropas da Guarda Nacional foram posteriormente chamadas a cidade para defender o prédio. O último contingente não sairá antes de maio.
Walker afirmou que as barreiras temporárias podem ser rapidamente reinstaladas, se necessário, e que outras restrições de acesso ao Capitólio continuam em vigor. Turistas e outros visitantes foram proibidos de entrar no Capitólio desde o ano passado por restrições sociais motivadas pela pandemia de Covid-19.
Em março, uma força-tarefa estudando falhas de segurança em 6 de janeiro recomendou a criação de uma força de rápida-reação em Washington e melhores às capacidades de inteligência e treinamento da Polícia do Capitólio.
Vídeos: Manifestantes pró-Trump invadem Congresso dos EUA

Fonte: G1 Mundo