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Olimpíadas de Tóquio: Por que os Jogos deixaram ‘rombo’ na economia do Japão


O custo do evento foi muito maior do que as projeções iniciais. Vários economistas consideram os Jogos um ‘mau negócio’. Para analistas, perdas podem chegar a R$ 78 bilhões. Dois terços da população japonesa se opõem à Olimpíada de Tóquio
Reuters
Estádios, hotéis e restaurantes vazios sem turistas estrangeiros, e a maioria dos negócios com poucos clientes.
A decepção daqueles que investiram pesadamente no Japão na expectativa de um boom de negócios desencadeado pela Olimpíada foi brutal.
É que o evento de Tóquio, que foi adiado no ano passado devido à pandemia de Covid-19, está ocorrendo sem torcedores e em uma região em estado de emergência devido à crise de saúde.
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Apesar dos protestos persistentes contra a realização dos Jogos e do fato de que dois terços da população japonesa se opõem a eles, as competições continuam.
Mas não sem polêmica. Uma das grandes patrocinadoras do evento, a montadora Toyota, anunciou que não usará propagandas relacionadas à Olimpíada de Tóquio devido à preocupação que existe no país em relação à pandemia.
E alguns líderes empresariais no Japão, como Takeshi Niinami, CEO da empresa Suntory, declararam que os Jogos Olímpicos estão perdendo valor comercial como marca. Sua empresa decidiu não fazer parte dos patrocinadores.
Especialistas do mundo financeiro como Takahide Kiuchi, economista do Nomura Research Institute, já haviam alertado para o problema. Em um relatório, Kiuchi disse que “muito do benefício econômico esperado dos Jogos de Tóquio havia desaparecido em março, quando foi decidido proibir espectadores estrangeiros de viajarem ao Japão “.
“Teria sido melhor não realizá-los”, disse Suehiro Toru, do banco de investimentos Daiwa Securities, apesar do alto custo envolvido no cancelamento.
As perspectivas de negócios são sombrias, e não apenas por causa da devastação que a pandemia causou.
Para analistas, as perdas podem chegar a R$ 78 bilhões.
Um ‘mau negócio’
De pequenos negócios a grandes redes hoteleiras, todos têm sofrido o impacto dos Jogos sem torcedores
Getty Images via BBC
Durante anos, vários economistas publicaram pesquisas para mostrar que as Olimpíadas são um “mau negócio” para qualquer cidade ou país-sede.
Os argumentos mais repetidos são que, em vez de consumo, turismo e prestígio, o evento deixa uma dívida milionária e obras de infraestrutura que acabam sendo “elefantes brancos” inúteis.
“As perdas serão enormes”, diz Robert Baade, professor de economia da Lake Forest University nos EUA e ex-presidente da Associação Internacional de Economistas do Esporte.
Embora seja difícil quantificar exatamente a magnitude das perdas econômicas para o Japão, pois os cálculos operam com base em valores estimados em relação ao que teriam sido os ganhos gerados pelo evento em outras circunstâncias, o economista diz que é possível fazer uma projeção.
De sua perspectiva, as perdas podem chegar a US$ 15 bilhões.
O que se sabe com certeza é que cerca de US$ 800 milhões da venda de ingressos foram perdidos. Mas a questão se torna mais complexa quando se estima quanto o setor de turismo e todos os negócios a ele associados perderam.
O que o governo diz
O evento tornou-se um desafio para a nação do sol nascente, que “esperava que esta oportunidade servisse para demonstrar o seu renascimento após a tripla crise de 2011 e a sua volta à linha da frente mundial, de olho em Pequim, que receberá a olimpíada seguinte, a de inverno de 2022”, diz Tamara Gil, enviada especial da BBC Mundo a Tóquio.
O governo do Japão vem tentando botar panos quentes na questão.
O primeiro-ministro, Yoshihide Suga, disse estar confiante que as medidas para manter o público longe do evento evitarão uma escalada da pandemia, e que o país ainda se beneficiará de uma enorme audiência televisiva global.
“Decidi que as Olimpíadas podem ir em frente sem comprometer a segurança do povo japonês”, disse Suga. “A coisa mais simples e fácil seria cancelar os Jogos. Mas o trabalho do governo é enfrentar os desafios.”
Suga não está em uma posição confortável, considerando que seu índice de aprovação caiu e que ele enfrentará eleições no final deste ano.
Por outro lado, a candidatura para se tornar o país-sede do evento foi feita há quase uma década por seu antecessor, Shinzo Abe, um aliado político de Suga, que herdou este grande desafio.
O problema é que de agora em diante há cada vez menos interesse dos governos em sediar o evento, justamente porque os benefícios que ele gera têm sido questionados.
Os únicos interessados em organizar os Jogos depois de Tóquio foram Pequim e Almaty, no Cazaquistão. A disputa foi ganha pela China.
Quão caras foram essas Olimpíadas?
O orçamento planejado para o evento acabou extrapolando as previsões iniciais.
Em 2013, o custo do evento foi estimado oficialmente em US$ 7,3 bilhões. Ao final de 2019 passou para US$ 12,6 bilhões e, posteriormente, para US$ 15,4 bilhões.
O Conselho Fiscal Nacional do Japão informou que o custo final está próximo a US$ 22 bilhões. A imprensa local fez suas próprias pesquisas, estimando o número em US$ 28 bilhões.
Ao final, qualquer que seja o cálculo considerado mais preciso, não há dúvida de que as projeções iniciais foram amplamente superadas, algo que tem sido uma constante dos Jogos nos últimos anos.
“A história mostra que os Jogos Olímpicos acabam gerando prejuízos para os países que se tornam anfitriões”, explica Baade. “O que está acontecendo no Japão veio muito antes da pandemia.”
As patrocinadoras japonesas que contribuíram com cerca de US$ 3,3 bilhões estão preocupadas. E as perdas, dizem os especialistas, podem aumentar se os Jogos acabarem sendo o “evento de superpropagação” de covid que alguns temem.
“Isso seria um desastre que aumentaria as perdas atuais”, diz Baade. “Vamos cruzar os dedos para que isso não aconteça.”
Quem perde mais?
Segundo Victor Matheson, professor de economia da Universidade de Santa Cruz de Massachusetts, nos EUA, o custo — não oficial dos Jogos Olímpicos pode ter chegado a US$ 25 bilhões, antes mesmo dos gastos adicionais que a pandemia provocou.
Em contrapartida, a receita milionária de ingressos, patrocinadores ou turismo para o Japão caiu drasticamente, Matheson disse à BBC Mundo.
Mas quem não sofreu grande impacto financeiro, defende, são os organizadores do Comitê Olímpico Internacional (COI).
“A receita do COI permanece intacta enquanto os Jogos continuarem a ser televisionados”, diz ele.
“Ainda há uma oportunidade importante”
Várias das mais de 60 empresas que patrocinaram o evento expressaram preocupação com a rentabilidade de seus investimentos.
“Esta não é uma situação ideal”, reconheceu Michael Payne, ex-chefe de marketing do Comitê Olímpico Internacional, em uma entrevista.
No entanto, sua previsão ainda mantém um certo nível de esperança.
As empresas ainda podem ser “agradavelmente surpreendidas com a recompensa potencial do legado desses Jogos difíceis”.
“Ainda há uma oportunidade significativa”, acrescentou.
Uma solução radical
Andrew Zimbalist, que publicou três livros sobre a economia das Olimpíadas, criticou os benefícios que o evento deixa nas cidades que o sedia.
E no caso de Tóquio, ele argumenta que o governo gastou cerca de US$ 35 bilhões, o valor mais alto já colocado em uma Olimpíada.
Sua opinião é que os gigantescos investimentos em infraestrutura que são feitos para receber o evento, como construção de estádios, vilas olímpicas ou reforma de instalações existentes, tendem a beneficiar as construtoras, mais do que a economia local.
Em entrevista ao jornal americano The New York Times, Zimbalist propôs que, se vivêssemos em um mundo racional, “teríamos a mesma cidade-sede dos Jogos a cada dois anos”. Não há motivo para reconstruir as obras a cada quatro anos, observou. “Não faz sentido para as cidades.”
“Quando os Jogos Olímpicos modernos foram criados em 1896, não tínhamos telecomunicações internacionais ou viagens internacionais de avião. Então, para o mundo participar e desfrutar dos Jogos Olímpicos, era preciso se deslocar.”
Essa proposta que até agora não parece ter conquistado adeptos, pelo menos no debate público, mas que depois dos Jogos de Tóquio e com os efeitos que a pandemia covid-19 tem causado no mundo, talvez ela possa começar a ser debatida.

Fonte: G1 Mundo

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Ativista bielorrusso desaparecido é achado enforcado na Ucrânia


Área onde Vitaly Shishov, que liderava uma ON bielorrussa com sede na Ucrânia, é encontrado morto em Kiev em 3 de agosto de 2021
Gleb Garanich/Reuters
Vitali Shishov, diretor de uma ONG bielorrussa que estava desaparecido desde segunda-feira na Ucrânia, foi encontrado enforcado em Kiev, anunciou nesta terça-feira (3) a polícia, que iniciou uma investigação por “assassinato”.
“O cidadão bielorrusso Vitali Shishov, desaparecido ontem em Kiev, foi encontrado enforcado hoje em um dos parques de Kiev, perto do local em que residia”, afirmou a polícia ucraniana em um comunicado.
De acordo com uma das hipóteses investigadas, o caso poderia ser um “assassinato camuflado como suicídio”, indicou a polícia.
Shishov, de 26 anos e que dirigia a organização “Casa Bielorrussa na Ucrânia”, uma ONG de ajuda aos cidadãos de Belarus que fugiram do país, saiu para correr na segunda-feira de manhã em Kiev e não retornou para casa.
A ONG de Shishov denunciou o regime do presidente bielorrusso Alexander Lukashenko de estar por trás do assassinato.
“Não há nenhuma dúvida de que é uma operação planejada pelos ‘chekistas’ (termo para designar as forças de segurança bielorrussas) para liquidar um bielorrusso que representavam um verdadeiro perigo para o regime”, afirmou a organização “Casa Bielorrussa na Ucrânia” em sua conta no Telegram.
“Vitali era vigiado e a polícia (ucraniana) havia sido informada a respeito. Fomos advertidos em várias ocasiões, tanto por fontes locais como por pessoas em Belarus, sobre (a possibilidade de) todo tipo de provocações, que poderiam chegar ao sequestro e morte”, completou a ONG.
A ONG bielorrussa de defesa dos direitos humanos Viasna informou no Telegram que, segundo amigos de Shishov, ele já havia sido seguido por “desconhecidos” durante suas corridas.
Segundo a “Casa Bielorrussa”, Shishov foi obrigado a fugir para a Ucrânia em 2020, depois de participar no mês de agosto de protestos contra o governo em Gomel, sul de Belarus, e de ter “expressado oposição ativa” às autoridades.
Vários bielorrussos fugiram do país e seguiram especialmente para Ucrânia, Polônia e Lituânia, em um período de intensa repressão da oposição ao regime de Lukashenko, que governa desde 1994 a ex-república soviética que fica no meio do caminho entre a UE e a Rússia.
O caso de Vitali Shishov aconteceu um dia depois do incidente nos Jogos Olímpicos de Tóquio com a atleta bielorrussa Kristina Tsimanuskaya, que afirmou ter sido obrigada a abandonar a competição e foi ameaçada de ser enviada de volta ao país depois que criticou a federação de atletismo de Belarus nas redes sociais.
A velocista de 24 anos se refugiou na embaixada da Polônia, país que concedeu visto humanitário na segunda-feira.
O histórico movimento de protesto após as eleições em Belarus no ano passado foi reprimido com várias detenções, exílios forçados de opositores e o desmantelamento de muitas ONGs e meios de comunicação independentes.

Fonte: G1 Mundo

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COI apura uso de broches com rosto de Mao Tsé-Tung em atletas da China durante entrega de medalha


Manifestações políticas durante cerimônias de pódio são proibidas. Incidente ocorre um dia depois de atleta dos EUA fazer um protesto ao receber a medalha de prata. Shanju Bao e Tianshi Zhong, da China, recebem medalha de ouro no ciclismo nas Olimpíadas de Tóquio na segunda-feira (2). Elas usam broches com o rosto de Mao Tsé-Tung, ex-ditador chinês
Christophe Ena/AP Photo
O Comitê Olímpico Internacional (COI) afirmou nesta terça-feira (3) que está avaliando o uso de broches com a foto de Mao Tsé-Tung — ex-ditador da China morto em 1976 que liderou a revolução comunista no país asiático — por atletas chinesas durante as cerimônias de pódio nos Jogos Olímpicos de Tóquio.
Isso porque a regra 50 da Carta Olímpica — uma espécie de constituição das Olimpíadas — proíbe manifestações políticas. Para os Jogos de Tóquio, o COI admitiu determinados protestos desde que não ocorressem nas cerimônias de entrega de medalhas.
“Nós entramos em contato com o Comitê Olímpico Chinês e pedimos um relatório sobre a situação”, disse Mark Adams, porta-voz do COI, segundo a Associated Press.
Paramilitares chineses fazem guarda em frente a um retrato gigante do líder póstumo chinês Mao Tsé-Tung no Portão de Tiananmen, em Pequim, em foto de 2016
Jason Lee/Reuters
O assunto voltou à tona porque as ciclistas chinesas Bao Shanju e Zhing Tianshi, campeãs olímpicas, subiram ao pódio nesta terça usando broches com a figura de Mao — personagem ainda reverenciado por Pequim, apesar dos massacres na Revolução Cultural nos anos 1960. Atualmente, o presidente Xi Jinping tem evocado a imagem do ex-líder em pronunciamentos políticos.
Protestos no pódio
Raven Saunders, dos Estados Unidos, protesta em pódio dos Jogos de Tóquio
Hannah Mckay/Reuters
O incidente ocorre um dia depois de a americana Raven Saunders cruzar os punhos sobre a cabeça ao receber a medalha de prata no arremesso de peso nas Olimpíadas — a primeira manifestação em pódio, o que o COI veda.
Não se sabe se os broches com o rosto de Mao têm relação com o protesto da americana, mas a atleta dos Estados Unidos recebeu a prata e fez o gesto ao lado da atleta chinesa que conquistou a medalha de ouro. China e EUA disputam medalha a medalha a liderança no quadro, tanto no cômputo geral quanto na contagem de ouros, que é a mais adotada.
Segundo Raven, conhecida como “Mulher Hulk” e lésbica, o gesto foi em prol dos oprimidos que lidam com fardos muito maiores dentro e fora do esporte. O “X” representaria o destino comum onde os oprimidos se encontram.
A edição de Tóquio dos Jogos Olímpicos já é marcada por manifestações: em jogos de futebol, atletas se ajoelharam como um símbolo dos protestos contra o racismo. O gesto foi repetido também por uma ginasta da Costa Rica após se apresentar no solo.
VÍDEOS: os protestos antirracismo nos EUA
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Fonte: G1 Mundo

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Modelo transgênero de 24 anos é finalista no Miss África do Sul

Lehlogonolo Machaba quer usar sua exposição no concurso – e uma possível vitória – para promover uma maior aceitação da comunidade LGBTQIA+. Lista pequena, mas crescente, de países aceitam competidoras trans, incluindo EUA, Espanha, Canadá, Nepal e Panamá. VÍDEO: Modelo de 24 anos é primeira candidata transgênero no Miss África do Sul
Como a primeira transgênero finalista no Miss África do Sul, a modelo Lehlogonolo Machaba quer usar a plataforma para promover uma maior aceitação da comunidade LGBTQIA+.
Machaba, de 24 anos, está competindo pelo título depois que o país se juntou a um número pequeno, mas crescente de países, incluindo EUA, Espanha, Canadá, Nepal e Panamá, que aceitam competidoras trans em seus concursos de beleza.
“Ser a primeira mulher trans na África do Sul a entrar no concurso foi realmente impressionante, mas ao mesmo tempo sou grata por ter tido a oportunidade de tentar defender minha comunidade. Vi nos últimos meses como pessoas queer foram mortas. Você tem tópicos nas redes sociais sobre crimes de ódio contra a comunidade. Portanto, ser a primeira é um pouco opressor e também estou ansiosa com a questão de que as pessoas agora saibam que sou uma mulher trans”, disse Machaba à agência Reuters.
Concurso de ‘Miss África do Sul’ será aberto a transexuais
Mulher trans concorrerá a Miss EUA pela 1ª vez na história
O casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal na África do Sul e pessoas trans podem mudar de identidade no registro nacional de nascimento, mas a violência contra lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e pessoas queer aumentaram.
Relações entre pessoas do mesmo sexo são consideradas tabu e sexo gay é crime na maior parte da África.
A ansiedade de Machaba vem de saber que ela será estigmatizada por colocar um holofote nas questões que as pessoas transgênero enfrentam. Mas ela diz que a morte de um amigo próximo devido a um crime de ódio lhe deu forças para lutar.
“Significaria muito para mim, como mulher trans, ganhar o Miss África do Sul, mas também acredito que significaria muito para a comunidade queer, mais especialmente na África do Sul. Isso mostraria que o país está quebrando fronteiras, que há uma mudança de muitas maneiras, mais especialmente em relação à comunidade LGBTQIA+. Vimos como o mundo realmente trata a comunidade queer, mas na África do Sul isso pode mostrar que pelo menos um dos países africanos está avançando para a comunidade LGBTQIA+”, disse ela.
Em maio, a CEO da Miss South Africa Organization, Stephanie Weil, disse que desde que a organização assumiu a competição em 2019, seu objetivo tem sido ser mais inclusiva e abranger todos os membros da sociedade.
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Fonte: G1 Mundo

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Com Covid-19 em alta, hospitais do Japão vão internar apenas casos mais graves da doença


País registra recordes de novos casos de coronavírus, e médicos estão preocupados com as internações de jovens ainda não vacinados. Entre pessoas envolvidas com as Olimpíadas, casos confirmados da doença passam de 280 no acumulado desde 1º de julho. Pessoas usam máscara em frente ao Estádio Nacional em Tóquio, no Japão, nesta terça-feira (3)
Kim Kyung-Hoon/Reuters
Os hospitais do Japão vão internar apenas pacientes de Covid-19 que estejam em estado grave ou com risco de desenvolverem a pior forma da doença, informaram autoridades médicas à agência Reuters nesta terça-feira (3).
O Japão tem alcançado recordes de novos casos diários do coronavírus. Na segunda, a média móvel de novos diagnósticos no país se aproximava de 10 mil. Quase um terço, apenas na capital Tóquio.
Veja 5 pontos sobre a variante delta
De acordo com o diretor do Hospital da Universidade Showa, Hironori Sagara, os hospitais de Tóquio já estão sentindo o aumento na demanda — em plena semana final dos Jogos Olímpicos (leia mais no fim da reportagem).
“Alguns nós estamos mandando de volta para casa. Em meio à empolgação das Olimpíadas, a situação dos profissionais de saúde está bem grave”, apontou o médico.
Médicos também afirmaram que muitos dos internados são os mais jovens, que ainda não se vacinaram. A vacinação contra a Covid-19 demorou a começar no Japão, apenas em meados em fevereiro.
Segundo dados do Our World In Data, iniciativa que compila dados com apoio da Universidade de Oxford, apenas cerca de 40% da população tomaram uma das doses, e nem 30% estão completamente imunizados.
Por causa do aumento de casos, na semana passada o governo do Japão estendeu o estado de emergência a outras regiões do país — Tóquio já estava dentro desse parâmetro, que estabelece medidas como restrições de horário nos funcionamentos de restaurantes, mas não impõe lockdown ou confinamento. Relembre no VÍDEO abaixo.
Japão amplia estado de emergência em Tóquio e mais 4 regiões por causa do avanço da Covid
Mais de 280 casos na ‘bolha’ olímpica
Rua de lojas em Tóquio, no Japão, nesta sexta-feira (30)
Kantaro Komiya/AP Photo
As Olimpíadas ocorrem dentro de uma bolha com controle diário dos atletas, técnicos e funcionários para evitar um espalhamento do coronavírus por causa do evento. As autoridades do governo e dos Jogos Olímpicos têm insistindo que os protocolos estão dando certo e que as competições não estão por trás do aumento nos casos.
Balanço mais recente do Comitê Olímpico Internacional (COI) e dos organizadores contam 281 casos de Covid-19 em pessoas relacionadas ao evento desde 1º de julho. Desses, 32 eram atletas ou integrantes da comissão técnica.
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Fonte: G1 Mundo

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Entenda alguns termos usados na vela, modalidade que deu medalha de ouro ao Brasil nas Olimpíadas


Cambar, adernar, bombordo, estibordo, barlavento e outros nomes bastante usados no esporte olímpico também servem para a navegação em geral com veleiros e outros tipos de embarcação. Conheça alguns deles. Martine Grael e Kahena Kunze, bicampeãs olímpicas na vela
Carlos Barria / Reuters
Martine Grael e Kahena Kunze conquistaram nesta terça-feira (3) o bicampeonato olímpico na classe 49er FX da vela — a terceira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio.
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A vela é a modalidade que mais deu medalhas de ouro para os brasileiros na história das Olimpíadas — foram 8, desde os Jogos de 1980. Mesmo assim, muita gente não está habituada às regras das competições e aos jargões dos velejadores.
Por exemplo, campeonatos de vela consistem em várias regatas — “corridas” — que, ao fim, chegam a uma regata final, a regata da medalha. É uma competição por pontos. Ou seja, nem sempre quem termina em primeiro nessa regata da medalha fica com o ouro. Martine e Kahena chegaram em terceiro nessa última corrida, mas obtiveram a melhor pontuação.
Alguns termos da modalidade, porém, vão além das disputas esportivas e são usados na navegação em geral com veleiros ou outros tipos de embarcações. O G1 consultou a Confederação Brasileira de Vela (CBVela) e o dicionário Michaelis para entender melhor alguns termos.
Veja abaixo um pequeno glossário náutico
Mathew Belcher e Will Ryan, da Austrália, competem na classe 470 da vela nos Jogos Olímpicos de Tóquio nesta terça (3)
Ivan Alvarado/Reuters
Adernar
É o ato de inclinar a embarcação para algum dos lados. Pode acontecer tanto por manobra do velejador quanto involuntariamente por causa do peso dentro do barco.
Barlavento e sotavento
Barlavento é o lado de onde vem o vento ou mesmo o lado da embarcação por onde o vento sopra favoravelmente para a navegação. Sotavento é o oposto: é o lado para onde vai o vento.
Bombordo e estibordo
Bombordo é o lado esquerdo da embarcação, quando se olha no mesmo sentido da navegação. Estibordo, ao contrário, é o lado direito.
Cabo
São as cordas usadas para manobrar as velas e, assim, movimentar os veleiros. “Caçar o cabo” significa puxar essas cordas, que podem ser feitas a partir de diversos materiais — de algodão ou mesmo fibras metálicas.
Cambar
Significa mudar o rumo de uma embarcação, passando de um lado (bordo) para o outro. Em veleiros, o velejador faz isso mudando as velas de um lado para o outro.
Veleiro Regina Maris usado por jovens ambientalistas para chegar até a COP25 em 2019.
Divulgação/Sail to the COP
Carta náutica
É uma espécie de mapa usada por navegadores que fornece informações sobre profundidades, o desenho da costa, presença de faróis, dados de altitude, das marés, das correntes e até de obstáculos à navegação, como pedras ou mesmo navios afundados. A carta também apresenta dados de magnetismo, para ajudar quem navega com bússola.
Casco
Casco é o nome dado à estrutura física da embarcação, em geral. Mas algumas embarcações, os catamarãs, são bicascos — ou seja, são como se fossem dois barcos unidos em um só.
Genoa
É uma vela em formato triangular, colocada à proa — ou seja, na frente dos barcos, no sentido da navegação. Ajuda a controlar melhor o barco, dependendo da condição do vento: quando ele sopra de lado ou quando está pouco previsível, por exemplo.
Mastro
Barra vertical que sustenta as velas. Também pode ser de madeira ou de metal, dependendo da embarcação.
Milha náutica
Unidade de distância utilizada na navegação. 1 milha náutica vale 1,852 quilômetros.
Barcos a vela navegam durante o a parada que marca o início do festival náutico Sail Amsterdam 2015, realizada a cada cinco anos em Amsterdã, na Holanda
Cris Toala Olivares/Reuters
Nó
Unidade de medida para velocidade utilizada na navegação. 1 nó equivale a 1 milha náutica por hora. Ou seja, 1 nó equivale a 1,852 km/h.
Popa e proa
Popa é a parte de trás do barco. Proa, a parte da frente.
Quilha
Nome da parte de baixo do casco, total ou parcialmente submersa, desenhada para dar estabilidade à embarcação — ou seja, para evitar que o barco vire. O design também ajuda o barco a “rasgar” a água.
Retranca
De metal ou de madeira, é a barra que segura horizontalmente as velas da embarcação. Pode se mover de acordo com a movimentação das velas.
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Fonte: G1 Mundo

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Polônia concede visto humanitário a atleta olímpica e alimenta tensões com Belarus


Krystsina Tsimanuskaya afirma que estava sendo obrigada a deixar o Japão após ter criticado sua equipe e temia represálias se retornasse a seu país. A decisão polonesa confirma o apoio que Varsóvia vem dando à oposição de Belarus desde a reeleição de Alexander Lukashenko. A Polônia concedeu um visto humanitário para a atleta olímpica bielorrussa Krystsina Tsimanuskaya
Reuters/Issei Kato
A Polônia concedeu nesta segunda-feira (2) um visto humanitário para a atleta olímpica bielorrussa Krystsina Tsimanuskaya.
A jovem afirma que estava sendo obrigada a deixar o Japão após ter criticado sua equipe e temia represálias se retornasse a seu país. A decisão polonesa confirma o apoio que Varsóvia vem dando à oposição de Belarus desde a reeleição de Alexander Lukashenko.
Tsimanuskaya “já está em contato direto com diplomatas poloneses em Tóquio. [Ela] recebeu um visto humanitário. A Polônia fará o que for necessário para ajudá-la a continuar sua carreira esportiva”, anunciou o vice-ministro polonês dos Assuntos Exteriores, Marcin Przydacz na redes sociais.
Segundo ele, a atleta entrou em contato com a Polônia em busca de ajuda, diante de sua situação “bastante difícil”, mas agora ela está “segura em território da nossa embaixada” em Tóquio. República Tcheca e Eslováquia também haviam se oferecido para acolher Tsimanuskaya.
Excelência esportiva em Belarus está atrelada à obediência ao regime de Lukashenko
A atleta denunciou no domingo (1°) que foi forçada a suspender sua participação nas Olimpíadas de Tóquio e deixar o Japão, após criticar sua federação nas redes sociais. “Peço ajuda ao Comitê Olímpico Internacional, fui pressionada e eles estão tentando me tirar do país sem meu consentimento”, revelou a atleta de 24 anos em um vídeo no Instagram. 
Tsimanuskaya foi em seguida levada para o aeroporto de Tóquio, mas se recusou a entrar no avião, temendo ser presa pelas autoridades ao desembarcar em seu país.
“A Polônia oferece apoio aos cidadãos bielorrussos que, por razões políticas, queiram partir de Belarus, ou que não queiram voltar para Belarus”, explicou Przydacz em entrevista ao canal TVN24. Tsimanuskaya está refugiada na embaixada da Polônia em Tóquio.
A imprensa polonesa afirma que ela deve viajar para Varsóvia ainda esta semana. A informação foi confirmada pela ONG da federação bielorussa de solidariedade esportiva.
A ajuda de Varsóvia à atleta confirma a política polonesa de apoio à oposição bielorrussa, que vem se manifestando desde a reeleição contestada do presidente Alexander Lukashenko. A Polônia já acolheu milhares de pessoas oriundas de Belarus que fugiram a repressão do país.
Desde que Lukashenko foi reeleito, em agosto de 2020, o governo polonês facilitou a concessão de vistos para os bielorrussos e multiplicou os programas de ajuda visando estudantes e empresários. O número de pedidos de asilo vindos de Belarus não para de crescer, e já ultrapassou 700 desde o início deste ano.
Ao conceder um visto humanitário para a atleta olímpica, Varsóvia aumenta as tensões já latentes com o regime de Minsk. A minoria polonesa em Belarus vem sendo alvo de ataques e Lukashenko chegou a acusar a Polônia de ingerência, e de tentativa de desestabilizar seu país.
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Fonte: G1 Mundo

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VÍDEO: Fumaça de incêndio florestal expulsa banhistas de praia na Itália


Fogo perto de praia na cidade de Pescara, no sul italiano, forçou centenas de moradores da região também a serem retirados de suas casas. VÍDEO: Fumaça de incêndio florestal expulsa banhistas de praia na Itália
Uma espessa nuvem de fumaça, resultado de um forte incêndio florestal, expulsou banhistas de uma praia no sul da Itália. O fogo na região de Pescara foi controlado nesta segunda-feira (2), segundo as autoridades locais.
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Imagens feitas na véspera mostram que a fumaça chegou a cobrir parte da orla (veja no vídeo acima). Centenas de moradores foram retirados de suas casas pelos serviços italianos de emergência, que informaram ao menos 30 hospitalizações por conta da fumaça.
Fumaça invade praia no sul da Itália em 1º de agosto de 2021
Patrizia Bordonaro/Reuters
A região sul da Itália é o que mais sofre com as queimadas nesta temporada de verão no hemisfério norte, onde as temperaturas têm chegado facilmente aos 40°C, como foram registrados nestes últimos dias.
O Corpo de Bombeiros informou em um comunicado que, no fim de semana, foram mais de 800 intervenções: 250 na Sicília, 130 em Apúlia e Calábria, 90 no Lázio e 70 na Campania. Na Catânia, Palermo e em Siracusa os trabalhos seguiram nesta segunda-feira.
Incêndios florestais na Itália
G1 Mundo
A falta de chuvas intensifica os riscos. No fim de semana passado, mais de 200 hectares de florestas viraram cinzas na região de Oristano, no oeste da Sardenha.
Não houve relatos de mortes ou ferimentos graves, mas a agência de notícias italiana Ansa disse que 400 pessoas foram retiradas de suas casas, depois que um número semelhante também foi removido durante a noite.

Fonte: G1 Mundo

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VÍDEO: orca encalhada no Alasca é salva após voluntários jogarem água sobre ela por seis horas

A ação de moradores, velejadores e demais voluntários foi essencial para manter o animal hidratado e vivo. VÍDEO: Orca encalhada é salva após voluntários jogarem água sobre ela por seis horas
Um grupo formado por guardas costeiros, moradores e velejadores se uniu para salvar uma orca de seis metros de comprimento encalhada nas pedras costeiras do Alasca. Por seis horas, eles jogaram água no animal para mantê-lo hidratado até conseguir voltar ao oceano.
A orca, que ficou totalmente encalhada no rochedo, foi vista pela primeira vez na ilha de Príncipe de Gales por velejadores, que alertaram a guarda costeira dos Estados Unidos.
Enquanto aguardavam as autoridades costeiras, os velejadores desembarcaram e, com a ajuda de moradores, ficaram horas despejando baldes de água do mar na orca e afugentando os pássaros marinhos que pairavam o local.
Americana bate recorde com a maior boca do mundo; veja vídeo
Por volta das 14h, quando a maré subiu, a orca conseguiu se movimentar lentamente até flutuar e nadar em direção ao oceano novamente.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, em inglês), a orca de seis metros é uma jovem pertencente a uma população transitória de baleias assassinas da costa oeste do Alasca. Após o resgate, o animal conseguiu se juntar à sua família.
Segundo o jornal The Guardian, os funcionários da NOAA não sabem o que motivou o acidente, mas acreditam que a explicação pode ser que a jovem baleia perseguia uma presa no momento em que encalhou. As baleias são conhecidas por perseguir focas e leões marinhos em direção à costa e não é raro ficarem presas em águas rasas.
Vídeos: notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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O choque do estudante de Medicina que encontrou o corpo do amigo na aula de anatomia


A associação de anatomistas da Nigéria está agora fazendo um lobby por uma mudança na lei que garanta que os necrotérios obtenham registros históricos completos dos corpos doados às escolas, além do consentimento da família. Enya Egbe (na foto) ainda está lidando com a perda do seu amigo após encontrar o corpo dele na aula de anatomia
Arquivo pessoal/BBC
O estudante de medicina Enya Egbe, de 26 anos. saiu da aula de anatomia chorando depois de ficar perturbado pelo cadáver que teve de analisar.
Não foi a reação de um jovem inexperiente. Ele se lembra vividamente daquela tarde, sete anos atrás, na Universidade de Calabar, na Nigéria, quando estava com outros alunos em torno de três mesas com um corpo em cada uma delas.
Minutos depois de se aproximar, ele gritou e correu. O cadáver que ele estava prestes a dissecar era de Divine, seu amigo. “Costumávamos ir a clubes juntos”, ele me contou. “Tinha dois buracos de bala no lado direito do peito dele.”
Oyifo Ana foi um dos muitos alunos que correram atrás de Egbe e o encontraram chorando do lado de fora. “A maioria dos cadáveres que usamos na escola tinham marcas de balas. Eu me senti muito mal quando percebi que algumas daquelas pessoas poderiam não ser criminosos de verdade”, disse Ana.
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Ela lembrou que, numa manhã, viu uma van da polícia carregada com corpos ensanguentados chegando à escola de Medicina, que tinha um necrotério anexo.
Egbe enviou uma mensagem para a família de Divine que, ao que parece, tinha ido a diferentes delegacias depois que ele e três amigos foram presos por agentes de segurança no caminho de volta de uma noitada. A família finalmente conseguiu recuperar o corpo dele.
Em depoimento por escrito apresentado ao painel judicial no Estado de Enugu, o comerciante Cheta Nnamani, de 36 anos, disse que ajudou agentes de segurança a se livrarem dos corpos de pessoas que eles torturaram ou executaram.
Ele disse que, certa noite, ele foi convidado a carregar três cadáveres em uma van — tarefa conhecida na linguagem da cadeia como “serviço de ambulância”. A polícia, então, o algemou dentro do veículo e dirigiu até o Hospital Universitário da Universidade da Nigéria (UNTH), onde Nnamani descarregou os corpos. Eles foram levados por um atendente do necrotério.
Nnamani me disse que mais tarde foi ameaçado a ter o mesmo destino.
Associação de anatomistas da Nigéria faz lobby por mudança na lei que garanta que os necrotérios obtenham registros históricos completos dos corpos doados às escolas
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Na cidade de Owerri, no sudeste do país, o necrotério do hospital particular Aladinma diz que parou de aceitar corpos de supostos criminosos, porque a polícia raramente fornecia identificação ou notificava parentes do falecido.
Isso costumava deixar o necrotério cheio, com os custos de manutenção dos corpos não procurados até que, a cada alguns anos, o governo concedia uma permissão para enterros em massa.
“Às vezes, a polícia tenta nos forçar a aceitar os corpos, mas insistimos para que os levassem a um hospital do governo”, disse Ugonna Amamasi, administrador do necrotério. “Necrotérios privados não estão autorizados a doar corpos para escolas de medicina, mas os do governo podem”, acrescentou.
Parentes deixados no escuro
Um advogado experiente, Fred Onuobia diz que parentes tinham o direito de recolher os corpos de criminosos executados legalmente. “Se ninguém aparece depois de um certo tempo, os corpos são enviados para hospitais universitários”, disse o advogado.
Mas a situação é pior com as execuções extrajudiciais, já que os parentes nunca ficam sabendo das mortes ou não conseguem localizar os corpos, disse ele. Afinal, foi apenas por acaso que a família do amigo de Egbe conseguiu fazer um enterro adequado.
A associação de anatomistas da Nigéria está agora fazendo um lobby por uma mudança na lei que garanta que os necrotérios obtenham registros históricos completos dos corpos doados às escolas, além do consentimento da família. Também estabelecerá incentivos as pessoas a doarem seus corpos para a Medicina.
Quanto a Egbe, ele ficou tão traumatizado ao ver o corpo do amigo que abandonou os estudos por semanas, imaginando Divine em pé ao lado da porta, sempre que tentava entrar na sala de anatomia. Ele se formou um ano depois de seus colegas de classe e agora trabalha em um laboratório.
A família de Divine conseguiu fazer com que alguns dos oficiais envolvidos no assassinato fossem demitidos — justiça que muitos consideram ser insuficiente, mas melhor do que a vivida por muitos outros nigerianos cujos entes queridos foram vítimas de violência policial e também podem ter acabado em escolas de Medicina em todo o país.
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Fonte: G1 Mundo