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A nova ‘febre de Miami’, que atrai pessoas e negócios de outras regiões dos EUA e do mundo


Pandemia de covid-19 fez com que muitas pessoas e empresas se mudassem para cobiçada cidade do sul da Flórida, o que fez preço da moradia disparar. Miami está atraindo novos moradores, tanto de dentro quanto de fora dos Estados Unidos
Getty Images/BBC
Algo está acontecendo em Miami — e cada vez mais rápido.
A cidade do Sul da Flórida está atraindo pessoas e negócios de outras partes dos Estados Unidos e do mundo, se tornando também um dos novos centros de referência para muitos projetos de empreendedorismo na área de tecnologia.
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As comparações com o Vale do Silício, o grande centro tecnológico da Califórnia, se tornaram comuns em artigos de jornais e no discurso de alguns políticos locais.
“Nunca vimos nada parecido antes”, diz à BBC News Mundo, Rebecca Danta, da empresa Miami Angels, que se dedica a fazer a ponte entre sócios capitalistas interessados ​​em investir e empreendedores do setor de tecnologia em busca de financiamento para seus projetos.
Para ela, Miami está se beneficiando “da descentralização gerada pela pandemia”, que levou muitos profissionais que trabalham remotamente de estados americanos em que as restrições impostas pela pandemia de covid-19 eram mais severas a buscar um clima mais ameno, mais liberdade e menos impostos.
Em artigo publicado no jornal Miami Herald, Craig Studniky, diretor-executivo da agência imobiliária Related ISG Realty, disse que “durante anos, o sul da Flórida viu um aumento populacional de mais de 900 pessoas por dia”, mas a pandemia “agiu como o catalisador de um dos maiores aumentos na migração já vistos”.
O fenômeno se reflete no mercado imobiliário, com um aumento interanual de 39,8% nas vendas nos primeiros quatro meses de 2021, de acordo com dados da associação de corretores de imóveis da cidade.
Esse boom do mercado imobiliário é justamente o que preocupa muitos políticos e ativistas locais, que veem como isso dificulta o acesso à moradia para famílias de trabalhadores e de classe média, em uma das cidades mais desiguais dos Estados Unidos.
Muitos profissionais americanos que agora podem trabalhar à distância escolheram Miami para isso
Getty Images/BBC
O que está acontecendo
A cidade de Miami é um centro financeiro de referência para a América Latina e tradicionalmente recebe imigrantes procedentes dessa região — é ainda destino habitual de turistas de outras partes dos Estados Unidos, inclusive estudantes que costumam curtir Miami Beach nas férias de primavera, o chamado “spring break”.
No imaginário popular, Miami foi imortalizada na década de 1980 com a série de televisão Miami Vice, em que a dupla de policiais interpretada por Don Johnson e Philip Michael Thomas perseguia traficantes de drogas inescrupulosos a bordo de uma Ferrari conversível.
A trama da série refletia o papel da cidade como a grande lavanderia do narcotráfico continental, mas o tipo de capital econômico e humano que agora flui até aqui parece ser diferente.
“A demanda por moradia está perto de um nível recorde, à medida que mais compradores do nordeste e da costa oeste, assim como empresas financeiras e de tecnologia, se mudam para cá”, diz o relatório dos corretores de imóveis.
Delian Asparouhov é um dos empreendedores que se mudou para Miami
BBC
O jovem empreendedor Delian Asparouhov é uma das caras da nova migração para Miami.
Sócio da startup espacial Varda Space Industries e da Funders Fund, ele é um dos que trocou a Califórnia pela Flórida nos últimos tempos.
“Eu morava na baía de São Francisco desde 2013, mas em abril minha namorada e eu nos mudamos para cá.”
Eles compraram um apartamento em Wynwood, uma área que por décadas foi um bairro para imigrantes e trabalhadores de baixa renda e agora é o cobiçado distrito de arte e design de Miami.
“Tenho encontros mais produtivos pessoalmente, trabalho mais, sou mais feliz, tomo mais sol, estou mais em forma, como melhor e minha namorada está mais contente. Até agora, só vantagens.”
Uma das coisas que animaram Asparouhov foi a resposta inesperada que obteve antes de se mudar. “E se levássemos o Vale do Silício para Miami?”, se perguntou.
E Francis Suarez, prefeito da cidade de Miami, respondeu: “Como posso ajudar?”
Foi um dos marcos da campanha do prefeito para transformar Miami em um novo centro de empreendedorismo tecnológico, na qual está empenhado há vários anos.
“Queremos estar na próxima onda de inovação”, disse Suarez ao jornal New York Times. O prefeito é visto nas feiras de tecnologia que acontecem com cada vez mais frequência em Miami.
Prefeito de Miami, Francis Suarez, quer transformar a cidade em um grande polo de investimento tecnológico
Getty Images/BBC
Recentemente, ele propôs aceitar o bitcoin como pagamento de impostos e usá-lo para pagar funcionários públicos, uma ideia que lhe rendeu ainda mais fãs na comunidade de entusiastas da criptomoeda.
Os esforços do prefeito parecem ter começado a dar frutos nos últimos meses, quando figuras do mundo corporativo como Carl Icahn, um dos investidores mais bem-sucedidos de Wall Street segundo a revista Forbes, e Antonio Gracias, presidente do comitê de investimentos da Tesla, se estabeleceram em Miami.
Mas a iniciativa de Suarez não é o único incentivo oficial para a migração para Miami.
A cidade também se beneficia do fato de a Flórida ser um dos nove estados do país que não cobra imposto de renda estadual, o que é um grande incentivo para pessoas físicas e jurídicas que pensam em se instalar por ali.
Rebecca Danta afirma que “embora a pandemia tenha acelerado (o processo), o que está acontecendo em Miami é algo que se busca há muito tempo”.
Consequências
Delian Asparouhov acredita que, no geral, “haverá um aumento no padrão de vida aqui, visto que muitas empresas contratam engenheiros de universidades locais” e “empresas de tecnologia costumam trazer muita prosperidade aonde quer que vão”.
Mas o processo pode ter outros efeitos indesejados, além do desembarque temporário de profissionais que fugiram das restrições em seus locais de origem.
Enquanto restrições continuavam em outras partes dos EUA, os bares e restaurantes permaneceram abertos em Miami
Getty Images/BBC
Eileen Higgins, comissária do Distrito 5 do condado de Miami-Dade, que compreende o centro da cidade, diz à BBC News Mundo que “o que está acontecendo é muito preocupante”.
“A chegada das empresas de tecnologia é uma boa notícia, porque gera empregos, mas em Miami temos uma crise histórica de acesso à moradia e isso pode piorar ainda mais as coisas, dificultando muito para que famílias de trabalhadores e de classe média tenham um lugar para morar.”
A comissária propõe o uso de terras públicas para a construção de moradias sociais e destaca uma das peculiaridades do mercado imobiliário de Miami. “Muitas das casas aqui não são casas, mas contas bancárias”, diz ela, se referindo aos imóveis comprados por investidores de países latino-americanos para proteger suas economias da instabilidade em seus países de origem.
Higgins teme que Miami comece a ver o filme cujo final já é conhecido na Califórnia, onde “a revolução tecnológica levou a uma crise de moradia”, e lembra que a cidade da Flórida sofre com “altos níveis de desigualdade”, uma vez que “aqui há muita gente que vive de empregos mal remunerados”.
Afro-americanos são um dos grupo mais prejudicados por gentrificação em Miami
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A desigualdade também é um problema com conotações raciais. De acordo com um relatório da empresa Clever Real Estate e da ONG Dream Builders for Equality, a área de Miami e as regiões vizinhas de Fort Lauderdale e West Palm Beach ficaram em quarto lugar na lista de 15 concentrações urbanas americanas com a maior disparidade no valor das propriedades entre distritos com população majoritariamente negra e os demais.
Nos de maioria negra, o valor médio dos imóveis era 478% menor.
Segundo um corretor de imóveis que preferiu não se identificar, “o mercado está agora extremamente aquecido”. Há muita demanda para pouca oferta, o que incentiva os proprietários a dispensar seus inquilinos para vender os imóveis.
Foi isso que aconteceu com os moradores do estacionamento de trailers Paradise Park na área de Allapattah, que recentemente receberam um aviso de despejo porque o terreno foi vendido para uma empresa que planeja construir nele.
Davalyn Suárez, advogado que representa a associação de inquilinos, disse à rede NBC que “isso está acontecendo com muita frequência, e as moradias a preços acessíveis estão se tornando mais escassas”
“A tendência é que comprem o terreno onde estão esses trailers e construam prédios de apartamentos, que podem alugar para mais pessoas e por mais dinheiro.”
Preços subiram tanto que muitos apartamentos estão fora do alcance da maioria da classe média
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E muitos desses terrenos onde vivem pessoas com menos recursos estão em áreas que se tornaram mais cobiçadas ​​precisamente porque não estão no litoral e são menos vulneráveis ​​à elevação do nível do mar, um problema sério que Miami enfrentará nas próximas décadas.
Rebecca Danta, da Miami Angels, acredita que o fluxo de novos moradores com maior poder aquisitivo pode ser a solução para alguns dos problemas que esse fenômeno impõe.
“Sabemos que em lugares como Nova York e a Baía de São Francisco, que tiveram um boom na economia tecnológica, isso gerou grandes diferenças de renda, e já em 2013 Miami tinha uma das maiores diferenças entre o custo de vida e a renda média. Uma das maneiras de enfrentar esse problema é gerar empregos mais bem remunerados, e o setor que faz isso é o da tecnologia.”
Seja qual for o resultado, Danta não acredita que a “febre” de viver e investir em Miami vá diminuir no curto prazo: “Veio para ficar, e Miami será um lugar relevante por muitos anos.”

Fonte: G1 Mundo

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Como os cosmonautas russos conquistaram o espaço


Enquanto os rostos dos sete primeiros astronautas selecionados pela Nasa eram divulgados pela imprensa mundial, os cosmonautas russos treinavam em segredo. Enquanto os rostos dos sete primeiros astronautas selecionados pela Nasa eram divulgados pela imprensa mundial, os cosmonautas russos treinavam em segredo
Getty Images/BBC
Em 13 de abril de 1961, o correspondente especial do jornal soviético Izvestia, Georgi Ostroumov, se encontrava com o primeiro homem enviado ao espaço.
Um dia depois de retornar à Terra, o “piloto espacial” Yuri Gagarin estava, conforme relatou Ostroumov, “animado, forte e saudável… um sorriso maravilhoso ilumina seu rosto”.
“De vez em quando, covinhas aparecem em suas bochechas”, escreveu Ostroumov.
“Ele aprecia a curiosidade com que é pressionado pelos detalhes do que viu e vivenciou durante a uma hora e meia que passou fora da Terra.”
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Em um livreto publicado para comemorar a façanha, Soviet Man in Space, a entrevista com Gagarin continua por várias páginas.
O cosmonauta descreve a experiência: “O horizonte apresenta uma visão única e extraordinariamente bela.”
E enaltece a União Soviética: “Dedico meu voo a… todo o nosso povo que está marchando na vanguarda da humanidade e construindo uma nova sociedade”.
Em um sistema político em que o jornalismo tende à propaganda, no lugar de um retrato realista dos fatos, é fácil argumentar que as aspas de Gagarin são inventadas.
Mas, embora possam ter sido filtradas por censores, há uma boa chance de que sejam as palavras reais dele.
Piloto de combate que cresceu em um pequeno vilarejo russo, Gagarin era um homem de família benquisto.
Ele era bonito, agradável e, mais importante, um membro fiel de carteirinha do partido comunista.
Embora o passo a passo do primeiro programa espacial tripulado da Nasa, a agência espacial americana, tenha sido acompanhado pelo público, só recentemente veio à tona a história completa de como a União Soviética selecionou e treinou seus cosmonautas.
O império comunista fez questão de encorajar a visão de que a seleção estava aberta a todos, e que os primeiros homens enviados ao espaço — e a primeira mulher, Valentina Tereshkova — eram voluntários.
Mas isso não é bem verdade.
Depois de se qualificar como piloto de combate, Gagarin ficou baseado em um campo de pouso russo remoto na divisa com a Noruega, pilotando caças a jato MiG-15 na fronteira ocidental da Guerra Fria.
No fim do verão de 1959, dois médicos chegaram à base área para entrevistar um grupo pré-selecionado de aviadores.
Após começar com uma lista de cerca de 3,5 mil candidatos em potencial, os médicos restringiram sua busca a aproximadamente 300 pilotos em todo o oeste do país.
“Os caras que estão sendo entrevistados não têm ideia do por que realmente estão sendo entrevistados”, diz Stephen Walker, autor do livro Beyond, que passou anos vasculhando arquivos russos para contar a história completa da missão de Gagarin.
União Soviética investiu pesado no programa espacial, mas oficialmente ele não existia
Getty Images/BBC
A entrevista consistia em um bate-papo aparentemente casual sobre carreira, aspirações e família. Alguns dos homens eram convidados então a uma segunda conversa.
Embora os médicos insinuassem que estavam procurando candidatos para pilotar um novo tipo de máquina voadora, em nenhum momento eles revelavam sua verdadeira motivação.
“Eles estão procurando pilotos militares, pessoas que já aceitaram a possibilidade de morrer por seu país, que é realmente do que se trata, porque as chances de voltar com vida não são necessariamente muito grandes”, explica Walker.
Enquanto a Nasa recruta pilotos de teste militares como seus primeiros astronautas a pilotar a complexa espaçonave Mercury, a cápsula soviética Vostok foi projetada para ser controlada remotamente a partir do solo.
Exceto em caso de uma emergência, os pilotos não chegariam a pilotar muito.
“Eles não estão procurando pessoas com muita experiência”, afirma Walker.
“O que eles estão procurando basicamente é uma versão humana de um cão — alguém que possa sentar lá e aguentar a missão, lidar com as forças de aceleração e voltar vivo.”
E assim como os cães espaciais que os cientistas de foguetes soviéticos vinham lançando ao espaço há mais de uma década, os cosmonautas teriam que estar em forma, ser obedientes e pequenos o suficiente para caber na cápsula apertada.
Número de integrantes da primeira turma de cosmonautas em potencial caiu para 20, incluindo Yuri Gagarin, o segundo da esquerda
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Por fim, 134 indivíduos selecionados — todos jovens pilotos com menos de 1,68 m de altura — tiveram a oportunidade de se “voluntariar” para esta nova missão ultrassecreta.
Alguns foram informados que seriam treinados para pilotar uma espaçonave, outros acreditavam que se tratava de um novo modelo de helicóptero.
Nenhum dos pilotos tinha permissão para discutir a oferta com seus colegas ou consultar suas famílias.
Em paralelo, em abril de 1959, os Estados Unidos anunciavam os nomes dos primeiros sete astronautas da Mercury.
Os candidatos foram submetidos a uma série exaustiva de testes físicos, médicos e psicológicos — detalhados no livro Os Eleitos, de Tom Wolfe (assim como no filme subsequente e na série de TV de mesmo nome).
Quando questionados em uma entrevista coletiva para a imprensa sobre qual dos testes eles menos gostaram, o então candidato a astronauta John Glenn respondeu:
“É difícil escolher um porque se você souber quantas aberturas existem no corpo humano, e quão longe você pode ir em qualquer uma delas… você responde qual seria a mais difícil para você.”
Mas, com tantas questões em aberto sobre como os humanos vão lidar com o rigor de um voo espacial — as acelerações, a ausência de gravidade e o isolamento —, havia todos os motivos para escolher os mais aptos física e psicologicamente.
O homem encarregado de testar os candidatos espaciais soviéticos foi Vladimir Yazdovsky, professor do Instituto de Aviação e Medicina Espacial de Moscou.
Ele já havia supervisionado o programa de cães espaciais e era descrito por colegas (privadamente) como um homem severo e arrogante.
“Ele é tipo um daqueles personagens aterrorizantes de James Bond”, diz Walker. “E é brutal com esses caras.”
Treinamento soviético teve menos ênfase em técnicas de pilotagem do que o da Nasa
Getty Images/BBC
Em quase todos os casos, os testes soviéticos eram mais longos, mais difíceis e mais rigorosos do que os enfrentados pelos astronautas americanos.
Ao longo de um mês, os candidatos foram injetados, examinados e espetados.
Eles foram colocados em salas com temperaturas elevadas a 70 °C, câmaras onde ficavam progressivamente sem oxigênio e assentos vibratórios para simular o lançamento.
Alguns candidatos desmaiaram, outros simplesmente desistiram.
Durante todo o processo, eles eram proibidos de contar a seus familiares e amigos o que estavam fazendo.
Mesmo naquele mês de testes, alguns ainda não sabiam para o que estavam sendo testados.
Por fim, 20 desses jovens foram aprovados para serem treinados em um novo centro de cosmonautas.
Mais tarde, o centro receberia o nome de Cidade das Estrelas, mas inicialmente era formado apenas por algumas cabanas militares em uma floresta perto de Moscou.
Não houve entrevista coletiva para a imprensa ou qualquer anúncio. Oficialmente, o programa de voos espaciais tripulados por humanos da União Soviética não existia.
Cosmonautas russos tiveram que passar por muitos testes semelhantes aos dos astronautas da Nasa, como o treinamento de gravidade zero
Getty Images/BBC
“Se eles deixam a base, são orientados a não contar a ninguém o que estão fazendo, por que estão lá; se alguém perguntar, eles devem dizer que fazem parte de um time esportivo”, diz Walker. Tudo é controlado, tudo é segredo. Tudo acontece a portas fechadas.”
O programa de treinamento em si é semelhante ao dos americanos, mas com menos ênfase no controle da espaçonave.
Assim como os cães espaciais, os homens são girados em centrífugas com acelerações vertiginosas, lacrados em câmaras de isolamento à prova de som por dias a fio e submetidos a avaliações físicas e psicológicas quase constantes.
Uma diferença significativa em relação ao programa americano é a quantidade de treinamento de paraquedas que os russos receberam.
Por que os astronautas se chamam cosmonautas na Rússia?
É que eles precisariam se ejetar de suas espaçonaves à medida que se aproximassem do solo para evitar serem gravemente feridos pelo impacto.
O fato de a cápsula e seu piloto pousarem separadamente é outro segredo que só seria revelado anos depois.
Com vários outros candidatos reprovados, um grupo inicial de seis cosmonautas é selecionado para os primeiros voos.
Após a Nasa declarar publicamente que espera lançar seu primeiro homem ao espaço na primavera de 1961, o chefe do programa soviético, Sergei Korolev, sabe que tem uma janela estreita de oportunidade.
Em 5 de abril de 1961, os cosmonautas chegaram ao que hoje é conhecido como Cosmódromo de Baikonur, no deserto do Cazaquistão, onde o foguete R7 de Korolev estava sendo preparado.
Naquele momento, nenhum deles sabia quem seria o primeiro a ser enviado ao espaço. Finalmente, apenas alguns dias antes do lançamento, Gagarin recebeu o aval.
Só depois de uma transmissão oficial, quando Gagarin está na órbita da Terra, que as pessoas, exceto as mais próximas do programa espacial, viriam a saber seu nome.
De acordo com Ostroumov, correspondente especial do jornal Izvestia, na manhã de 12 de abril, Gagarin deu “um último aceno aos amigos e camaradas lá embaixo [do foguete] e entrou na espaçonave, alguns segundos depois o comando foi dado… a gigantesca espaçonave se ergueu de uma nuvem de fogo em direção às estrelas”.
Ele voltaria à Terra como o garoto-propaganda da União Soviética — o piloto espacial eleito da Rússia.

Fonte: G1 Mundo

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Quem foi ‘Madame Mao’, a temida esposa de Mao Tsé-Tung que se tornou a mulher mais poderosa da China comunista


Jiang Qing sonhava em ser uma atriz de sucesso do cinema, mas destino a tornaria a mulher mais poderosa — e também temida — da China… até cair em desgraça e virar bode expiatório do Partido Comunista. Quarta e última esposa de Mao, Jiang Qing, desempenhou papel fundamental na Revolução Cultural de 1966-76, que deixou feridas profundas na China
Getty Images/BBC
Ela nasceu pobre, filha ilegítima de um carpinteiro alcoólatra e violento e sua concubina, e seu sonho (fracassado) era ser estrela de cinema. No entanto, o destino a tornaria a mulher mais poderosa — e também a mais temida — da China.
Essa é a história de Jiang Qing, também conhecida como Chiang Ching, quem o Ocidente apelidou de “Madame Mao”. Jiang nasceu em 1914 com o nome de Li Shu-meng, mas ao longo de sua vida adotou uma série de pseudônimos.
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Quando criança, era conhecida como Li Yunhe (Guindaste nas Nuvens) e começou a se apresentar em um grupo de teatro comunitário.
Em sua adolescência, se casou com um comerciante, mas depois de alguns meses eles se divorciaram. Ela, então, começou um relacionamento com um ativista do Partido Comunista da China (PCC), do qual se tornaria membro.
O PCC, que acaba de celebrar seu centenário (veja no vídeo abaixo), foi perseguido pelo governante Partido Nacionalista Chinês (ou Kuomintang) e operava na clandestinidade.
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Aos 20 anos, a aspirante a atriz mudou-se para Xangai, o principal centro cosmopolita da época, conhecido como a “Pérola do Oriente”, onde funcionava a meca da indústria cinematográfica chinesa.
Logo após sua chegada, em 1934, foi presa por ser comunista e passou alguns meses atrás das grades, mas isso não a impediu de perseguir seu sonho. Após sua libertação, mudou seu nome artístico para Lan Ping (Maçã Azul) e se reinventou.
Jiang conseguiu um papel como protagonista em uma peça de teatro — Nora em “Casa de Bonecas” — do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), e alguns papeis menores no cinema, mas não convenceu os magnatas da indústria cinematográfica, uma rejeição que a marcaria por toda a vida.
Durante esse tempo, se apaixonou pelo ator e diretor Tang Na, com quem se casou. Depois de um relacionamento conturbado, eles acabariam se divorciando em 1937.
De acordo com a biografia do historiador australiano Ross Terrill, Madame Mao: The White-Boned Demon (Madame Mao, o demônio de ossos brancos, em tradução livre para o português), a futura esposa de Mao levou uma vida burguesa e decadente durante esse tempo em Xangai.
Ela também se tornou famosa, principalmente por seu relacionamento tempestuoso com Tang, uma fama que mais tarde tentaria apagar à força após uma nova transformação como Jiang Qing (Rio Verde), a recatada militante comunista que faria o líder do PCC, Mao Zedong, se apaixonar.
Mudança de vida
Jiang conheceu Mao na cidade de Yan’an, no norte da China, onde o quartel-general do PCC havia sido instalado após a chamada Grande Marcha da antiga base comunista no sul do país.
A atriz decidiu viajar para lá após a invasão japonesa de Xangai em 1937, com a intenção de participar de filmes de propaganda comunista.
No entanto, alguns dos mesmos produtores de filmes que a rejeitaram em Xangai viraram as costas para ela novamente.
Biografias dizem que Jiang conseguiu atrair a atenção de Mao durante as palestras públicas que o líder do PCC dava aos jovens.
Ela sentava-se na primeira fila e sempre fazia perguntas e comentários entusiasmados.
O relacionamento entre Jiang e Mao não era bem visto por outros líderes comunistas. Por um lado, porque a profissão de ator não era bem vista. Mas, acima de tudo, porque Mao — que tinha quase o dobro da idade de Jiang — era casado.
Sua esposa (a terceira, depois de um breve casamento arranjado e um casamento com uma ativista executada pelo Kuomintang) era mãe de seis filhos de Mao e morava temporariamente na vizinha União Soviética (URSS), onde recebia tratamento para uma doença.
Mao era 21 anos mais velho que Jiang Qing e casado quando se conheceram
Getty Images/BBC
No entanto, — e, de acordo com alguns relatos, antes do anúncio de que Jiang estava grávida — a liderança do partido concordou em permitir que Mao se divorciasse e se casasse novamente.
No entanto, a permissão foi concedida sob uma condição: que a quarta esposa de Mao não se envolvesse em assuntos políticos (alguns dizem que foi especificado que ela permaneceria fora do poder por pelo menos 20 anos).
De secretária a ‘censora’
Vários relatos da época mostram que o casal cumpriu o acordo, e Jiang limitou-se ao segundo plano, atuando como uma das secretárias do marido e criando sua filha, Li Na, enquanto o poder dele crescia.
Uma década depois, os comunistas finalmente venceram a guerra civil e, em 1º de outubro de 1949, fundaram a República Popular da China (RPC), liderada por Mao.
Ao contrário das esposas de outros líderes comunistas, Jiang não foi convidada a participar das celebrações, nem foi autorizada a ocupar um cargo no Comitê Central do partido, como o restante dessas mulheres.
“Ela ficou extremamente ressentida com isso e manteve seu ressentimento em segredo por anos”, disse o jornalista norte-americano Sidney Rittenberg, que era tradutor do líder chinês na época, ao programa Witness da BBC.
Enquanto Mao organizava brigadas de trabalho e fazendas coletivas para tentar industrializar a economia agrária tradicional chinesa a todo vapor, sua esposa passou grande parte da década de 1950 viajando para Moscou para receber tratamento médico para uma série de problemas de saúde.
Uma vez recuperada, passou a ocupar cargos menores em comitês governamentais dedicados ao controle das artes, especialmente teatro e cinema.
A ex-atriz estava especialmente interessada em uma das formas de arte mais populares e influentes da China: a ópera.
Ópera tradicional chinesa
Ela estudou mais de mil óperas tradicionais e apresentou um relatório bastante crítico, afirmando que todas versavam sobre imperadores, concubinas e monstros, e nada tinham a ver com a sociedade chinesa da época, composta principalmente por camponeses, ou com a luta comunista.
Mas suas queixas foram ignoradas e seus modos causaram rejeição generalizada.
Seus esforços para censurar essas obras, ou atores que ela considerava muito tradicionais ou pró-ocidentais, deram-lhe uma reputação de uma pessoa “agressiva” e “arrogante”, e seus críticos conseguiram removê-la do cargo.
Revolução cultural
Mas tudo mudou quando, ironicamente, o “Grande Salto Adiante” de seu marido fracassou.
O chamado processo de industrialização promovido por Mao falhou miseravelmente, levando milhões de pessoas à morte de fome entre 1958 e 1962.
Quando os outros líderes do PCC retiraram seu apoio a Mao, o “Grande Timoneiro” se voltou para um grupo próximo de aliados, incluindo sua esposa, para retomar o poder.
Em 1966, esse grupo de comunistas radicais lançou o que ficou conhecido como a “Revolução cultural”: uma convocatória para pessoas mais jovens se rebelarem contra as autoridades tradicionais, os “burgueses” e os capitalistas, que, de acordo com Mao, ameaçavam a revolução comunista.
A maioria dos analistas concorda que o objetivo principal dessa revolução era expurgar os inimigos de Mao do partido, incluindo Deng Xiaoping, que anos depois se tornaria presidente.
A verdade é que a Revolução cultural lançou Jiang Qing ao estrelato político, dando-lhe fama e poder que não havia conseguido em sua carreira como atriz.
Mao a nomeou como uma das principais autoridades do PCC e Jiang se tornou uma de suas principais e mais fervorosas porta-vozes.
Sua estreia na arena pública foi um discurso emocionado que proferiu aos alunos da Universidade de Pequim em 1966.
Kathy Yeng, uma das jovens presentes naquele dia, disse à BBC em 1977 como Jiang conseguiu emocioná-la.
“Ela falou sobre sua visão da arte proletária, como ela acreditava que a China tinha que desenvolver sua própria arte proletária, não seguir a do Ocidente ou a da URSS. Disse que as autoridades do Ministério da Cultura não lhe deram ouvidos e que estava sendo oprimida, assim como nós.”
Violência
O apelo de Mao, de Jiang Qing e de seus apoiadores para que os jovens se mobilizassem desencadeou um dos períodos mais trágicos da história recente da China.
Escolas e universidades foram fechadas e milhões de estudantes ingressaram na Guarda Vermelha, como se tornou conhecido o grupo de jovens militantes que aterrorizava educadores, intelectuais e qualquer autoridade considerada “contra-revolucionária”.
Muitas das pessoas humilhadas e atacadas acabaram cometendo suicídio.
Mao e seus apoiadores também fomentaram o culto à personalidade, publicando um livro com citações do líder – o famoso “O Pequeno Livro Vermelho” – que todos deveriam possuir e memorizar, para provar sua lealdade ao movimento.
Cartazes com a imagem de Jiang Qing segurando o livro foram exibidos em todo o país e a esposa de Mao se tornou a mulher mais poderosa da China.
Muitos se lembram de sua sede de vingança contra todos que a desprezavam, mesmo décadas antes.
“Havia um general, lembro que ela o tinha como alvo e o acusava de querer esmagar a Revolução Cultural nas escolas militares. E esse velho guerreiro, que certamente não era covarde, empalideceu completamente”, lembrou Rittenberg, que, da mesma forma que os outros estrangeiros, foi preso durante esse tempo.
Alguns testemunhos afirmam que Jiang também ordenou a prisão de pessoas com quem socializou durante seu tempo como atriz em Xangai, em uma tentativa de esconder seu passado infame.
Revolução artística
Uma das principais tarefas que Mao confiou à esposa foi revolucionar a arte.
Para Jiang, foi a ocasião perfeita para enterrar as óperas tradicionais que tanto criticava.
A ex-atriz promoveu a criação de um novo gênero artístico que se tornaria um dos pilares da propaganda comunista: as “óperas revolucionárias” (também chamadas de “óperas modelo” ou Yangbanxi).
Esses shows, que combinavam ópera chinesa tradicional com musicais ocidentais, mesclando música e balé, foram os únicos permitidos durante a década que durou a revolução (1966-76), e seus protagonistas eram bravos camponeses que lutavam contra proprietários malvados, invasores japoneses ou outros inimigos da revolução.
As oito óperas-modelo criadas a partir do incentivo de Jiang hoje fazem parte da cultura popular chinesa.
Mas a influência da “primeira-dama” foi muito além do mundo artístico.
Além de mobilizar os jovens com suas obras, seus discursos e seus cartazes, ele também tinha grande poder de decisão.
“Como um membro-chave do Grupo Central da Revolução Cultural, ela comandou grande parte da política à medida que o aparato formal do partido comunista foi desmontado”, diz o especialista em China Anthony Saich, professor de Assuntos Internacionais e diretor da Kennedy School of Government da Universidade Harvard (Estados Unidos), à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
Saich, autor de vários livros sobre a história política da China, acredita que Jiang “foi claramente uma figura-chave entre os líderes mais radicais do período”.
A ‘Gangue dos Quatro’
Mas a mulher mais poderosa da China estava perdendo influência em meados da década de 1970.
Primeiro, quando seu marido ordenou ao Exército que parasse com os abusos da Guarda Vermelha, e acabou desmantelando a militância radical.
E, finalmente, com a morte de Mao, que a deixou sem seu principal apoio político.
Um mês após a morte do “pai” da RPC, em setembro de 1976, os líderes do PCC ordenaram a prisão de Jiang, quem acusaram de ser a chefe da “Gangue dos Quatro”, como chamavam os principais aliados de Mao.
A nova direção do partido acusou Jiang e a suposta “gangue” de serem os verdadeiros responsáveis pela violência que a Revolução Cultural havia desencadeado, isentando de culpa o fundador do partido.
De acordo com essa versão, que muitos no PCC mantêm até hoje, Mao cometeu erros, mas havia defendido uma “luta pacífica”.
Saich, como outros especialistas, acredita que Jiang Qing foi usada como uma espécie de bode expiatório.
“É claro que os líderes pós-Mao tentaram proteger suas reputações. Para serem credíveis, tiveram que aceitar que Mao era parcialmente culpado, mas para proteger sua reputação (e na verdade a do partido), encontraram outros a quem pudessem atribuir a culpa pelos excessos ocorridos.”
“Jiang Qing e os outros membros da Gangue dos Quatro, junto com Lin Biao (o ex-líder militar, um aliado de Mao, que morreu em circunstâncias suspeitas em 1971), foram culpados por isso”, explica o acadêmico de Harvard.
Jiang, que alegou durante seu julgamento que era simplesmente o “cachorro” de Mao, seguindo suas ordens, foi condenada à morte em 1981, mas teve sua sentença comutada para prisão perpétua.
Depois de passar uma década na prisão, morreu em maio de 1991, aos 77 anos, sob fiança para receber tratamento médico para câncer na garganta.
A versão oficial indica que ela se suicidou, enforcando-se. Mas, como grande parte de sua vida, os detalhes do que aconteceu são mantidos em segredo.

Fonte: G1 Mundo

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Boris Johnson faz isolamento após contato com infectado por Covid


Premiê britânico havia anunciado anteriormente que manteria seus compromissos, realizando testes diários para a Covid-19, mas voltou atrás na decisão. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em entrevista coletiva em Londres em 12 de julho de 2021
Daniel Leal-Olivas/Pool/Reuters
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, está em isolamento após contato com infectado por Covid
Premiê britânico havia anunciado anteriormente que manteria seus compromissos, realizando testes diários para a Covid-19, mas voltou atrás na decisão.
Reportagem em atualização.

Fonte: G1 Mundo

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Sobe para 183 o nº de mortos após chuvas na Europa


Imensa quantidade de água tem causado inundações gigantescas, alagado cidades e derrubado casas na em países da Europa Central. Chuvas causam inundações gigantescas na cidade de Erftstadt, na Alemanha. Foto fornecida pelo governo do distrito de Colônia em 16 de julho de 2021.
Rhein-Erft-Kreis via AP
Ao menos 183 pessoas morreram e milhares estão desaparecidas devido às chuvas dos últimos dias na Europa, que estão fazendo os rios transbordarem e levarem tudo pelo caminho principalmente na Alemanha e na Bélgica, segundo as autoridades locais.
O país mais afetado é a Alemanha, onde 143 mortes foram confirmadas até o momento e 1,3 mil pessoas estão desaparecidas apenas em um distrito ao sul de Colônia, no oeste do país.
É o maior número de mortos em um desastre natural na Alemanha desde 1962 (quando uma enchente no Mar do Norte deixou cerca de 340 mortos) e a maior quantidade de chuva no país em um século.
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As inundações no rio Elba, que em 2002 foram anunciadas como “inundações que acontecem uma vez por século”, mataram 21 pessoas no leste da Alemanha e mais de 100 em toda a Europa.
As chuvas deste ano têm afetado também a Bélgica, onde 24 pessoas morreram e 20 estão desaparecidas, e Holanda, França e Luxemburgo em menor intensidade (veja mais abaixo).
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O número de vítimas pode aumentar consideravelmente após relatos de deslizamentos de terra e casas sendo arrastadas pelos rios ou desabando devido à força da água na sexta-feira (16).
Imagens áreas divulgadas pelas autoridades do distrito de Colônia, na Alemanha, mostram uma cratera formada por um deslizamento de terra imenso, que arrastou lama e destroços.
O que se sabe até o momento:
156 mortos na Alemanha (110 no estado da Renânia-Palatinado e 46 no estado da Renânia do Norte-Vestfália)
1,3 mil pessoas desaparecidas no distrito de Ahrweiler, na Renânia do Norte-Vestfália, a cerca de 40 km ao sul da cidade de Colônia
27 mortos e ao menos 20 desaparecidos na Bélgica
114 mil casas sem energia na Alemanha, segundo a maior empresa de distribuição do país
Mulher observa pilha de carros após enchentes em Bad Neuenahr-Ahrweiler, na Alemanha, em 16 de julho de 2021
Christof Stache/AFP
Na Alemanha, as cidades e vilas mais afetadas estão no curso do rio Ahr, que nasce quase na fronteira com a Bélgica e deságua no rio Reno. O vale do rio Ahr é famoso pela produção de vinho tinto, e a cidade mais importante da região é Bad Neuenahr-Ahrweiler.
Na Bélgica, a região mais afetada é a Valônia, cuja principal cidade é Liège. Os maiores estragos estão em cidades e vilas ao longo do rio Mosa, que nasce na França, passa pelo país e adentra a Holanda, e também do rio Vesdre, perto da fronteira com a Alemanha.
A ministra do Interior belga, Annelies Verlinden, disse a uma TV local nesta sexta que continua crítico o nível das águas do rio Mosa e vários diques correm o risco de ruir (veja mais abaixo).
Clare Nullis, porta-voz da Organização Meteorológica Mundial, afirmou que algumas partes da Europa Ocidental receberam até dois meses de chuva em apenas dois dias. “O que piorou é que os solos já estavam saturados pelas chuvas anteriores”.
Brasileiros entre os afetados
Alguns brasileiros que moram nas cidades afetadas deram seus relatos ao G1.
Marcela da Silva Amandio mora com o marido, Lucas, e a filha de 7 anos em Bad Neuenahr Ahrweiler. O bairro foi devastado pela água. O temporal destruiu carros, casas e até a estrutura da cidade.
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Já a enfermeira carioca Lívia Nogueira, de 30 anos, mora em Erfstadt, na Alemanha, há 9 meses. Com a rápida subida das águas ela precisou retirar seus pacientes com urgência do centro médico que terminou interditado.
“Eu estava sem força, cansada. Tinha que levantar a cama [do paciente] para conseguir que a roda andasse [no terreno irregular de fora do hospital]”, diz.
As cidades mais afetadas pelas chuvas:
V2 Chuvas e inundações na Europa: temporal deixa dezenas de mortos na Alemanha e na Bélgica e afeta cidades também na Holanda e na França
Editoria de Arte/G1
O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, pediu na sexta um firme comprometimento com a luta contra as mudanças climáticas e afirmou que esta é a única alternativa para frear fenômenos meteorológicos extremos, como as chuvas intensas que castigam o país.
“Apenas se nos comprometermos de forma resoluta com a luta contra as mudanças climáticas poderemos controlar condições meteorológicas extremas como as que vivemos atualmente”, afirmou Steinmeier em um pronunciamento, em que disse estar “profundamente arrasado” pela tragédia.
A chanceler Angela Merkel havia dito na quinta-feira (15) que os extremos climáticos estão se tornando mais frequentes, o que requer ações para conter o aquecimento global. “Pequenos rios se transformaram em torrentes inundadas e devastadoras”.
1,3 mil desaparecidos na Alemanha
Ponte sobre o rio Ahr destruída pela força da água em Schuld, na Alemanha, em 15 de julho de 2021
Michael Probst/AP
As fortes enchentes no oeste da Alemanha transformaram ruas em rios com correntezas violentas, que “varreram” carros, arrancaram árvores e derrubaram ou arrastaram algumas edificações.
Comunidades inteiras ficaram em ruínas após rios transbordarem e varreram cidades e vilas, nos estados alemães da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado.
Autoridades alemãs confirmam que 1,3 mil pessoas são consideradas “não reportadas” apenas no distrito de Ahrweiler, a cerca de 40 km o sul da cidade de Colônia.
Ainda não é possível saber quantas estão com problemas de comunicação e quantas podem ser vítimas ainda não localizadas.
Em Erftstadt, “as casas foram em grande parte destruídas e algumas desabaram”, disseram as autoridades locais em uma rede social. “Várias pessoas estão desaparecidas”.
As casas desabaram e equipes de resgate tentam chegar de barco ou helicóptero aos moradores, porque as estradas ao redor da cidade estão intransitáveis ​​após terem sido destruídas pela água.
VÍDEO: Imagens de drone mostram destruição causada por enchentes na Alemanha
Uma barragem perto da fronteira com a Bélgica transbordou, enquanto outra foi estabilizada.
Cerca de 4,5 mil pessoas foram evacuadas das comunidades a jusante e um trecho da rodovia A61 foi fechado em meio a temores de um possível colapso das estruturas.
Outras cerca de 700 pessoas foram evacuadas de parte da cidade alemã de Wassenberg, na fronteira com a Holanda, após a quebra de um dique no rio Rur.
Cidades e regiões mais afetadas
São 90 mortes no estado alemão de Renânia-Palatinado, entre elas 12 moradores de uma casa de repouso para pessoas com deficiência na cidade de Sinzig que foram surpreendidos pelo transbordamento do rio Ahr.
Na vizinha Renânia do Norte-Vestfália, as autoridades estaduais estimam em 43 o número de mortos, mas alertam que o número pode aumentar.
Casas desabaram e foram arrastadas pelas águas na aldeia de Schuld, onde muitos estão desaparecidos e quatro mortes já foram confirmadas.
Devastação causada pela enchente do rio Ahr, na aldeia Eifel de Schuld, no oeste da Alemanha. Foto tirada com um drone em 15 de julho de 2021.
Christoph Reichwein/DPA via AP
Outras duas pessoas morreram em porões inundados nas proximidades de Solingen e Unna.
A polícia relatou outra morte no município de Rheinbach, e dois bombeiros morreram durante os trabalhos de resgate nas cidades de Altena e Werdohl.
Infraestrutura danificada
As redes de telefonia móvel entraram em colapso em algumas das regiões atingidas pelas enchentes, e pessoas não estão conseguindo falar com familiares e amigos desaparecidos.
Ao menos 114 mil casas estão sem energia nos estados da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado nesta sexta, anunciou a Westnetz, maior empresa de distribuição do país.
A infraestrutura foi completamente destruída e a reconstrução custará muito tempo e dinheiro, disse a premiê da Renânia-Palatinado, Malu Dreyer, a uma televisão alemã. “O sofrimento continua aumentando”.
Casas submersas pelas águas de rio que transbordou em Erdorf, na Alemanha
Harald Tittel/DPA via AP
Carro coberto em Hagen, na Alemanha, com destroços arrastados pela enchente do rio Nahma em 15 de julho de 2021. Fortes chuvas transformaram o pequeno rio em uma torrente violenta.
Roberto Pfeil/DPA via AP
Inundações na Bélgica
Na Bélgica, 20 pessoas morreram e 20 estão desaparecidas e as chuvas constantes durante a noite pioraram as inundações no leste do país, principalmente na região da Valônia.
Em Liège, principal cidade da Valônia o rio Mosa transbordou e o prefeito pediu às pessoas que moram nas proximidades para que se refugiassem em locais mais altos. O município tem 200 mil habitantes.
Mais de 21 mil pessoas continuam sem eletricidade na região.
Linhas de trem e estradas permanecem bloqueadas em muitas áreas do leste do país. O serviço ferroviário nacional informou que o tráfego começará a voltar ao normal na segunda-feira.
VÍDEO: Drones mostram ruas alagadas na Bélgica
Carro flutua no rio Mosa durante forte enchente em Liège, na Bélgica, em 15 de julho de 2021
Valentin Bianchi/AP
Cerca de 10 casas desabaram em Pepinster, após o rio Vesdre inundar a cidade, e moradores foram evacuados de mais de mil casas.
Carros danificados em rua inundada em Mery, na província de Liège, na Bélgica, em 14 de julho de 2021
Valentin Bianchi/AP
Os destroços em um rio em Verviers, na Bélgica
Yves Herman/Reuters
Lojista observa enchente criar “rio” na principal rua do centro de Spa, na Bélgica, em 14 de julho de 2021
Valentin Bianchi/AP
E na Holanda, na França…
No sul da Holanda, perto das fronteiras com a Alemanha e a Bélgica, autoridades da cidade de Valkenburg evacuaram uma casa de repouso e um hospício durante a noite. A principal rua da cidade turística virou um rio.
Autoridades da cidade de Venlo, também no sul, evacuaram cerca de 200 pacientes do hospital devido à ameaça de inundação do rio Mosa, o mesmo que transbordou em Liège, na Bélgica.
O governo holandês enviou na noite de quarta-feira (14) cerca de 70 soldados à província de Limburg, onde ficam Valkenburg e Venlo. Não há relatos de feridos ou mortos relacionados a enchentes na Holanda até o momento.
VÍDEO: Imagens aéreas mostram enchente na Holanda
Chuvas excepcionalmente intensas também inundaram uma parte do nordeste da França nesta semana, derrubando árvores e forçando o fechamento de dezenas de estradas.
Uma rota de trem para Luxemburgo foi interrompida e os bombeiros evacuaram dezenas de pessoas de casas perto da fronteira com Luxemburgo e Alemanha e na região de Marne.
O equivalente a dois meses de chuva caiu em algumas áreas da França nos últimos dias, segundo o serviço nacional de meteorologia do país.

Fonte: G1 Mundo

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Vamos aprender a dar um tempo, diz Papa em 1ª aparição após cirurgia

Na primeira oração pública após passar por uma cirurgia, o Papa Francisco pediu, neste domingo (18), que os fieis aprendam a “dar um tempo”.
“Vamos dar uma pausa na correria frenética ditada por nossos compromissos. Vamos aprender a dar um tempo, a desligar o celular”, disse Francisco durante a cerimônia do Angelus, na Praça São Pedro, no Vaticano.
O pontífice também pediu paz, diálogo e solidariedade em Cuba – onde manifestantes foram às ruas contra o governo na última semana – e disse rezar pelos mortos nas enchentes na Europa.
Francisco, de 84 anos, passou por uma colectomia (cirurgia para retirar parte do cólon) no início do mês. Foi a primeira hospitalização do pontífice desde que assumiu a liderança da Igreja Católica, em 2013.
Ele teve alta no dia 14 e aparentava bom estado de saúde neste domingo.
Esta reportagem está em atualização.

Fonte: G1 Mundo

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Dois atletas testam positivo para Covid-19 na Vila Olímpica de Tóquio


Casos foram divulgados um dia depois de uma pessoa não identificada, que não é atleta, ter sido a primeira infectada pelo coronavírus. Anéis olímpicos flutuam na Baía de Tóquio, no Japão
Charlie Riedel/AP Photo
Dois atletas testaram positivo para Covid-19 pela primeira vez na Vila Olímpica de Tóquio, disseram autoridades neste domingo (18), em meio a crescentes preocupações sanitárias. A abertura dos Jogos acontece no dia 23.
Os casos foram divulgados um dia depois de uma pessoa não identificada, que não é atleta, ter sido a primeira infectada pelo coronavírus na cidade, que receberá milhares de atletas durante o evento.
A detecção de contágios aumentou a preocupação sobre os Jogos, que enfrentam críticas no Japão por temores de que eles tragam novos casos de covid-19 para um país que está lutando para conter um aumento nas infecções.
A Vila Olímpica, um complexo de apartamentos e áreas de alimentação, receberá 6.000 atletas em seu pico durante o evento, que foi adiado em um ano devido à pandemia.
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As Olimpíadas de Tóquio, que serão realizadas com portões fechados para evitar o contágio, têm pouco apoio do público japonês, de acordo com as últimas pesquisas.
O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, pediu no sábado aos torcedores japoneses que apoiassem os jogos, admitindo que está “bem ciente do ceticismo” que os cerca.

Fonte: G1 Mundo

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Quatro pessoas são baleadas do lado de fora de estádio de beisebol em Washington


Partida deve ser retomada neste domingo (18). Polícia disse que ‘não havia nenhuma ameaça’. Pessoas deixam estádio de beisebol após ouvirem tiros do lado de fora, em Washington, nos EUA
Julie Daniel/Reuters
Quatro pessoas foram baleadas neste sábado (17) do fora de um estádio lotado com milhares de torcedores na capital dos Estados Unidos. O jogo precisou ser interrompido abruptamente e as pessoas deixaram o local.
A polícia de Washington informou que quatro pessoas foram atingidas pelos tiros, mas que “não havia nenhuma ameaça”, sem dar detalhes sobre o estado das vítimas.
Os jornalistas da AFP que assistiram ao jogo contaram que alguns torcedores correram para a saída do estádio ao ouvir os disparos, enquanto outros permaneceram sentados diante da insistência inicial do locutor.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram barulhos de tiros de armas automáticas.
As luzes de vários carros da polícia piscaram na rua e sirenes soaram enquanto a multidão que assistia ao jogo Washington Nationals-San Diego Padres foi convidada a deixar o estádio.
A polícia local disse no Twitter que os policiais “responderam a um tiroteio … no qual duas pessoas foram baleadas do lado de fora do Nationals Park”, no bairro de Navy Yard, no sul de Washington, DC.
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“Está sendo investigado e não parece haver nenhuma ameaça no momento”, acrescentou a polícia.
Pouco depois, na mesma rede social, a polícia relatou que “duas vítimas adicionais associadas a este incidente deram entrada em hospitais da região para receber tratamento devido a ferimentos a bala”.
O “Washington Post” disse, citando a polícia, que um homem foi baleado na perna e uma mulher nas costas, e que suas vidas não corriam perigo. O estado de saúde dos outros dois feridos não foi revelado imediatamente.
Um cruzamento próximo ao Portão da Terceira Base, onde ocorreu o tiroteio, foi fechado pela polícia.
Minutos após o incidente, o relato oficial do Washington Nationals tuitou que “um tiroteio foi relatado fora do Portão da Terceira Base no Nationals Park” e incentivou os torcedores a deixarem o estádio.
Os jogadores haviam saído do campo quando os disparos foram ouvidas e o jogo foi interrompido no sexto tempo, com uma vitória parcial dos Padres por 8-4. A partida deve recomeçar neste domingo (18).

Fonte: G1 Mundo

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Síndrome de Havana? Doença misteriosa afeta diplomatas dos EUA em Viena


O governo Joe Biden está investigando casos de ‘síndrome de Havana’ entre autoridades americanas. Viena tem a reputação de ser um centro de diplomacia e espionagem
Reuters/BBC
O governo dos Estados Unidos está investigando uma série de incidentes de saúde na capital austríaca, Viena, envolvendo seus diplomatas e outros funcionários administrativos.
Mais de 20 funcionários relataram sintomas semelhantes à Síndrome de Havana – uma doença cerebral misteriosa – desde que o presidente Joe Biden assumiu o cargo em janeiro.
A síndrome não tem explicação, mas os cientistas americanos dizem que ela é provavelmente causada por radiação de microondas direcionada.
Ela foi relatada pela primeira vez em Cuba em 2016 e 2017.
Diplomatas americanos e canadenses em Havana reclamaram de sintomas que vão desde tontura, perda de equilíbrio, perda auditiva e ansiedade até algo que eles descreveram como “névoa cognitiva”.
Os Estados Unidos acusaram Cuba de realizar “ataques sônicos”, mas o país caribenho nega veementemente. O incidente aumentou a tensão entre as duas nações.
Um estudo acadêmico dos Estados Unidos de 2019 encontrou “anormalidades cerebrais” nos diplomatas que adoeceram, mas Cuba rejeitou o relatório.
Embaixada americana em Viena
Getty Images/BBC
“Para alguns pacientes, o caso começava com o repentino início de um barulho alto (…) acompanhando de dor em um ou nos dois ouvidos, ao redor de uma área ampla da cabeça, e, em alguns casos, sensação de pressão ou vibração na cabeça, tontura, tinido, problemas visuais, vertigem e dificuldades cognitivas”, explica o relatório produzido pela Academia Americana de Ciências após investigação encomendada pelo Departamento de Estado dos EUA.
Após a revisão dos casos, a academia concluiu que “energia de radiofrequência direta e pulsada” (um tipo de radiação que inclui micro-ondas) é a explicação mais plausível para a doença, embora outras causas não possam ser completamente descartadas.
O relatório não aponta culpados pela radiação, embora dê indicativos de que acha que ele pode ter sido intencional, por se tratar de exposição pulsada, e não contínua. A conclusão oficial, porém, é de que “nenhuma hipótese foi provada, e as circunstâncias permanecem não esclarecidas”.
Os casos de Viena vieram à tona pela primeira vez em uma reportagem da revista New Yorker na sexta-feira e depois foram confirmados pelo Departamento de Estado dos EUA, que disse estar “investigando vigorosamente”.
A agência de notícias Reuters citou um comunicado do Ministério das Relações Exteriores austríaco dizendo que estava “trabalhando com as autoridades dos EUA para, em conjunto, chegar ao fundo disso”.
Viena é há muito um centro de atividades diplomáticas e tem a reputação de ser também um centro de espionagem, principalmente durante a Guerra Fria.
Países como os Estados Unidos têm uma grande presença diplomática na cidade.
A cidade está atualmente hospedando negociações indiretas entre o Irã e os EUA sobre as tentativas de ressuscitar o acordo nuclear de 2015.
Casos da doença foram relatados em outras partes do mundo, mas as autoridades americanas dizem que os números em Viena são maiores do que em qualquer outra cidade além de Havana.
Em junho, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, anunciou uma ampla revisão das causas da doença.
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Fonte: G1 Mundo

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A brutal modernização do Japão que empurrou milhões de imigrantes para a América Latina


No final do século 19, um processo de modernização do Japão ajudou a criar um onda de imigração de japoneses à América Latina, principalmente para Brasil, Peru e México. Cerca de 245 mil japoneses imigraram para a América Latina entre o final do século 19 e o início da Segunda Guerra Mundial
Museu da Imigração Japonesa do Peru/BBC
Em 1639 o Japão adotou uma política conhecida como sakoku (país fechado), pela qual a nação asiática fechava suas portas para o resto do mundo, proibindo tanto a entrada quanto a saída de pessoas.
Quem entrasse ou saísse do país seria condenado à morte.
Esse isolamento durou mais de 200 anos, até que, em 1853, um oficial naval americano chamado Matthew Perry entrou no que hoje é a Baía de Tóquio com uma frota de combatentes.
Perry conseguiu forçar o Japão a se abrir ao comércio internacional, mas o país continuou a proibir seus cidadãos de deixar o território.
Foi somente com a chegada do imperador Meiji, 15 anos depois, que o Japão permitiu a imigração.
Ele não apenas permitiu, mas também a encorajou.
Meiji aplicou políticas estatais que representaram uma virada de 180 graus para o país asiático.
Ele acabou com o sistema feudal e começou a transformar o país de uma economia agrária em uma industrial e capitalista.
O processo de modernização realizado durante a chamada Era Meiji, entre 1868 e 1912, acabaria por tornar o Japão uma das potências mundiais.
Mas as reformas inspiradas no Ocidente foram tão rápidas que causaram transformações sociais quase instantâneas, levando milhares de pessoas das áreas rurais para as cidades.
Grandes centros urbanos, como Tóquio e Osaka, começaram a ter problemas de superlotação.
O imperador Meiji transformou o Japão em uma potência, mas o custo social foi enorme
Getty Images/BBC
Foi nesse contexto que começou a primeira grande onda de imigração japonesa.
Os imigrantes, que mais tarde seriam conhecidos como Nikkei, deixaram seu país em busca de melhores oportunidades, incentivados por um governo que buscava não só resolver o problema da superpopulação, mas também ampliar a influência política e econômica do Japão no mundo.
Primeiro destino
A primeira imigração japonesa para o exterior ocorreu em 1868 e o destino era o Havaí, que na época ainda não fazia parte dos Estados Unidos.
Era um pequeno contingente de 148 trabalhadores rurais.
Mais de 400 mil japoneses chegaram aos Estados Unidos antes que o país fechasse suas fronteiras para a imigração japonesa, forçando novos migrantes a buscar outros destinos
Getty Images/BBC
“O Havaí exigia mão de obra para a agricultura, principalmente em suas fazendas de açúcar, e foi firmado um acordo com o rei do arquipélago”, disse à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, a historiadora Cecilia Onaha, professora do Centro de Estudos Japoneses (CEJ) da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina.
De acordo com registros do Museu Nacional de História Americana, muitos desses primeiros imigrantes mais tarde se mudaram para os Estados Unidos, estabelecendo-se na Califórnia, Washington e Oregon.
Os Estados Unidos passaram a ser o principal foco dos imigrantes japoneses desde o comodoro Matthew Perry.
“Quase toda a migração daquela época foi para os Estados Unidos ou Canadá, porque eram os países que pagavam os melhores salários”, explica Onaha.
Estima-se que entre 1886 e 1911 mais de 400 mil japoneses foram para os Estados Unidos, de acordo com a Biblioteca do Congresso daquele país. A maioria se estabeleceu no Havaí ou na Costa Oeste.
A onda de imigração japonesa foi tão grande que no início do século 20 o governo dos Estados Unidos decidiu intervir, proibindo novas chegadas do Japão.
Foi essa limitação que levou muitos japoneses e o governo daquele país a se interessarem por um novo destino: a América Latina.
A colônia Enomoto
O primeiro projeto oficial de imigração para a América Latina foi organizado em 1897, quando cerca de 30 japoneses foram enviados a Chiapas, no sul do México.
Foi por iniciativa do ex-chanceler japonês Enomoto Takeaki, um dos maiores promotores da imigração japonesa.
Em 1891, quando chefiava o Ministério das Relações Exteriores, Enomoto estabeleceu um escritório dedicado a buscar novos territórios para os japoneses no exterior.
Depois de deixar o governo, em 1893, ele fundou a Associação para a Colonização e Emigração (Shokumin Kyokai).
Segundo o acadêmico Alberto Matsumoto, especialista em história da imigração japonesa, Enomoto se interessou pelo México porque este país assinou um Tratado de Amizade e Comércio com o Japão em 1888.
Em 1891, quando era chanceler, ele estabeleceu naquele país o primeiro consulado do Japão na América Latina.
O então presidente mexicano, Porfirio Díaz, “estava promovendo a entrada de capital estrangeiro para desenvolver infraestrutura e ficou feliz em receber imigrantes para povoar o país”, conta Matsumoto em uma série que escreveu para o site Descubra Nikkei.
O segundo maior destino latino-americano para migrantes japoneses foi o Peru. Em 1899, 790 homens desembarcaram do navio Sakura Maru no porto de Callao, próximo a Lima
Museu da Imigração Japonesa do Peru/BBC
“Estudos feitos pelo governo do Japão na época concluíam que eles poderiam lucrar muito com a agricultura, algo que depois se mostrou não ser uma aventura tão fácil”, afirma.
O pequeno grupo de colonos japoneses chegou ao Estado de Chiapas com a intenção de instalar uma plantação de café. Mas as dificuldades climáticas e a aquisição de usinas não adequadas para aquela região levaram ao fracasso do projeto em pouco tempo.
A chamada colônia Enomoto se desintegrou e, segundo Matsumoto, a grande maioria das pessoas foi para outras partes do México “em busca de horizontes mais promissores”.
Imigração por contrato
O fracasso do projeto não acabou com a imigração japonesa para o México, entretanto.
O governo de Porfirio Díaz outorgou novas concessões para a exploração de minas e construção de ferrovias, e as empresas responsáveis ​​exigiram mais mão de obra do que poderiam obter no México.
Os primeiros imigrantes japoneses trabalharam na terra, mas muitos eventualmente deixaram as áreas rurais e se estabeleceram nas cidades, onde abriram lojas e outros empreendimentos
Museu da Imigração Japonesa do Peru/BBC
Os primeiros imigrantes japoneses trabalharam na terra, mas muitos eventualmente deixaram as áreas rurais e se estabeleceram nas cidades, onde abriram lojas e outros empreendimentos
Museu da Imigração Japonesa do Peru/BBC
Os primeiros imigrantes japoneses trabalharam na terra, mas muitos eventualmente deixaram as áreas rurais e se estabeleceram nas cidades, onde abriram lojas e outros empreendimentos
Museu da Imigração Japonesa do Peru/BBC
A imigração por contrato atraiu milhares de trabalhadores estrangeiros ao país latino-americano.
No livro Destino México: um estudo das migrações asiáticas ao México, séculos 19 e 20, a autora María Elena Ota Mishima destaca que entre 1900 e 1910 chegaram 10 mil trabalhadores japoneses ao México.
A grande maioria acabou cruzando a fronteira com os Estados Unidos.
Ciente desse fenômeno, o governo dos Estados Unidos assinou acordos para limitar também a imigração japonesa para o México.
É por isso que a comunidade japonesa no México acabaria sendo consideravelmente menor que a do Brasil e do Peru, as duas nações sul-americanas que mais atraíram trabalhadores japoneses no início do século 20.
Peru e Brasil
Os primeiros japoneses a chegar ao Peru e ao Brasil eram imigrantes contratados.
No final do século 19, o Peru necessitava de mão de obra para sua crescente indústria açucareira e foi assim que chegaram os primeiros 790 nikkeis, em 1899, contratados para trabalhar em fazendas no litoral.
De acordo com o Museu da Imigração Japonesa no Peru, esse primeiro grupo era formado inteiramente por homens, mas foi seguido por outros 82 grupos – já formados por mulheres e crianças – até 1923, quando terminou a imigração por contrato.
No Brasil, a imigração japonesa só começou em 1908, com a chegada de 781 camponeses contratados para trabalhar na cafeicultura.
Mas uma década depois, o maior país da América Latina se tornaria o principal pólo de atração dos japoneses.
Dos quase 245 mil japoneses que imigraram para a América Latina na década de 1940, três quartos – 189 mil pessoas – foram para o Brasil, segundo registros da Agência Japonesa de Cooperação Internacional.
Em comparação, 33 mil japoneses chegaram ao Peru, 15 mil ao México e 5 mil à Argentina.
Impacto
Segundo Onaha, “muitos dos que vieram para a América Latina nas primeiras décadas do século 20 tinham a intenção de arrecadar dinheiro e voltar para o Japão, mas a derrota na guerra acabou com esse objetivo”, diz o historiador.
“A imigração em massa de japoneses termina nos anos 1970, quando não há mais imigrantes japoneses no exterior porque a economia do país já está desenvolvida”.
O poder econômico do Japão reverteu o fenômeno migratório nas últimas décadas, levando alguns nisseis (filhos dos nikkeis) ou sansei (netos dos nikkeis) a se mudarem para o país.
Onaha destaca a marca profunda deixada no Japão pelo fenômeno migratório latino-americano.
“A América Latina é tão importante para o Japão que hoje a maior comunidade japonesa no exterior é a do Brasil”, destaca.
“Enquanto isso, os brasileiros se tornaram a terceira maior minoria dentro do Japão na década de 1990, depois de coreanos e chineses.”
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Fonte: G1 Mundo