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Viúva de presidente Jovenel Moise retorna ao Haiti após se recuperar em hospital nos EUA


Martine Moise emitiu uma declaração gravada em crioulo acusando os inimigos de seu marido de querer “matar seu sonho, sua visão, sua ideologia”. Ela ficou ferida durante ataque no qual presidente foi morto, em 7 de julho. O então presidente do Haiti, Jovenel Moise (ao centro), caminha junto à primeira-dama, Martine Moise; e o primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph (à direita), em foto de 18 de maio
Joseph Odelyn/AP
Martine Moise, esposa do presidente haitiano assassinado, Jovenel Moise, ferida no ataque que matou seu marido, voltou ao país caribenho neste sábado (17), disse uma autoridade.
O porta-voz do governo, Israel Cantave, disse à agência Associated Press que Martine chegou ao Haiti após sua alta de um hospital de Miami, nos Estados Unidos.
Mais cedo, do hospital, a primeira-dama haitiana emitiu uma declaração gravada em crioulo acusando os inimigos de seu marido de querer “matar seu sonho, sua visão, sua ideologia”.
Jovenel Moise foi morto em 7 de julho por homens armados que invadiram sua casa particular em um ataque que, segundo as autoridades, envolveu haitianos, haitianos-americanos e ex-soldados colombianos.
Jovenel Moïse tinha 53 anos e era presidente do Haiti desde 2017
Getty Images/BBC
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No mesmo dia em que o presidente foi morto e Martine ficou ferida, as autoridades haitianas iniciaram uma perseguição contra o grupo que supostamente perpetrou o assassinato.
A polícia informou que, após um confronto que durou até a noite, conseguiu prender 18 ex-militares colombianos, os quais acusou de cometer o assassinato de Moïse.
Jovenel Moïse: 4 incógnitas sobre o assassinato do presidente do Haiti
Três outros supostos mercenários colombianos foram mortos, enquanto cinco conseguiram escapar e ainda estão foragidos.
Metralhadoras, celulares e passaportes apreendidos com suspeitos de assassinar o presidente do Haiti, Jovenel Moise, são mostrados à imprensa em Porto Príncipe em 8 de julho
Estailove St-Val/Reuters
O chefe da Polícia Nacional do Haiti, Léon Charles, anunciou que o médico haitiano radicado na Flórida Christian Emmanuel Sanon também foi preso como suposto mentor da conspiração, na qual o senador John Joel Joseph, atualmente foragido, teria tido papel crucial.
O chefe de segurança de Moïse, Dimitri Herard, e outro haitiano-americano, James Solages, também foram presos.
Por sua vez, a Polícia colombiana identificou na sexta-feira um ex-funcionário do Ministério da Justiça do Haiti como a pessoa que deu a ordem para que os mercenários cometessem o assassinato.
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Fonte: G1 Mundo

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‘Meu marido era um anjo, até que me estuprou’: a luta das mulheres egípcias contra o estupro no casamento


Estupros de esposas foram tabu durante anos no Egito, mas cada vez mais vítimas estão levantando suas vozes. Estupros de esposas foram tabu durante anos no Egito, mas cada vez mais vítimas estão levantando suas vozes
Getty Images/BBC
As mulheres no Egito estão determinadas a quebrar o muro de silêncio que cerca o abuso sexual. Seu novo alvo é o estupro conjugal, um assunto que até recentemente era tabu no país.
Atenção: esta reportagem contém descrição de episódios de violência sexual
Safaa, 34, foi estuprada pelo marido na noite de núpcias. O ataque causou ferimentos em sua virilha, seu pulso e sua boca.
“Fiquei menstruada e não estava pronta para fazer sexo naquela noite”, diz ela. “Meu marido achou que estava tentando evitar uma relação íntima com ele. Ele me espancou, me algemou, cobriu minha boca e me estuprou”.
Apesar de tudo, ela não quis denunciar o marido à polícia por medo do estigma social que poderia se abater sobre ela. Na sociedade patriarcal egípcia prevalece uma cultura de culpar a vítima, especialmente quando se trata de uma mulher.
Safaa foi estuprada na noite de núpcias, mas ela não decidiu não prestar queixa
Getty Images/BBC
Mas uma reviravolta aconteceu quando, em abril, no meio do Ramadã, foi ao ar o episódio da série de televisão “Pêndulo de Newton”, que mostrava um homem estuprando sua esposa.
Para muitas mulheres, isso evocou lembranças ruins, mas encorajou várias delas a compartilhar suas experiências nas redes sociais.
Em apenas algumas semanas, os depoimentos se multiplicaram, incluindo mais de 700 publicações em uma página do Facebook chamada “Conte”.
Entre eles estava o de Sanaa, de 27 anos.
“Ele era um anjo. Um ano depois do nosso casamento, estava grávida e prestes a dar à luz. Tivemos uma discussão sobre um assunto trivial e ele decidiu me punir”, escreveu ela no Facebook.
“Ele me estuprou. E eu tive um aborto espontâneo.”
Sanaa travou uma batalha solitária para se divorciar e conseguiu se separar, mas ainda lamenta a perda de seu filho.
A violência sexual continua comum em grande parte do Egito, especialmente na noite de núpcias.
Há um debate crescente sobre o assunto, e a discussão esquentou depois que a ex-mulher de um cantor famoso disse no Instagram que foi estuprada várias vezes por ele enquanto os dois eram casados.
O cantor negou as acusações em outro vídeo no Instagram.
Mas sua ex-mulher pede mudanças nas leis para penalizar essas práticas.
Debate sobre estupro conjugal está cada vez mais acalorado no Egito
Getty Images/BBC
Em seu estudo mais recente, publicado em janeiro de 2015, o Conselho Nacional de Mulheres, órgão oficial egípcio, afirmou que a cada ano ocorrem 6,5 mil casos de violência doméstica com estupro conjugal, assédio sexual e práticas sexuais forçadas.
“O estupro marital é culpa de uma cultura comum no Egito, que um contrato marital implica que a mulher está disponível para sexo 24 horas por dia”, diz Reda Danbouki, advogada e diretora executiva do Centro de Aconselhamento e Informação Legal para Mulheres.
A crença geral no Egito, com base em algumas interpretações religiosas, é que uma mulher que se recusa a fazer sexo com seu marido é uma “pecadora” e “os anjos a amaldiçoam a noite toda”, acrescenta Danbouki.
Para resolver o debate, o Dar al Ifta, um órgão islâmico oficial que emite éditos religiosos, determinou que “se o marido usar de violência para forçar sua esposa a dormir com ele, ele é legalmente um pecador e a esposa tem o direito de protestar perante o tribunais para que ele seja punido.”
Mesmo assim, o centro dirigido por Danbouki documentou mais de 200 casos de violência conjugal nos últimos dois anos, a maioria deles consequência do que foi apelidado de “medo da primeira noite”.
A lei egípcia não pune o estupro dentro do casamento, apesar de ele ser classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma forma de violência sexual.
A maioria dos casos de estupro conjugal nunca vai a tribunal, e o Artigo 60 do Código Penal Egípcio geralmente impede que os processos prossigam.
“As disposições do Código Penal não se aplicam a qualquer ato cometido de boa fé na busca de um direito sob a sharia (lei islâmica) estabelece em seu artigo 60”.
Mas Danbouki diz que estupros conjugais podem ser comprovados por exames físicos que revelam escoriações e outras lesões externas. “Devem ser procuradas feridas na boca e nos pulsos”, diz a especialista.
O Egito conservador costuma resistir a mudanças e os valores tradicionais predominam, mas as vítimas de estupro conjugal começaram a se fazer ouvir.
Os nomes reais de Safaa e Sanaa foram alterados para proteger suas identidades.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

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Começa a segunda peregrinação a Meca em tempos de pandemia


Neste ano, poderão participar apenas 60 mil residentes da Arábia Saudita, nacionais e estrangeiros, que são escolhidos por sorteio. Um número acima dos 10 mil no ano passado, mas muito menor do que em tempos normais. s peregrinos realizam o ritual “Tawaf” ao redor da Kaaba na Grande Mesquita em Meca, na Arábia Saudita
Reuters/Ahmed Yosri
Centenas de peregrinos compareceram neste sábado (17) à Grande Mesquita de Meca (oeste da Arábia Saudita) para participar da grande peregrinação anual dos muçulmanos, a segunda após o surgimento da pandemia do coronavírus, que obrigou a medidas sanitárias e de capacidade rígidas.
Neste ano, poderão participar apenas 60 mil residentes da Arábia Saudita, nacionais e estrangeiros, que são escolhidos por sorteio. Um número acima dos 10 mil no ano passado, mas muito menor do que em tempos normais.
A Arábia Saudita está tentando repetir o sucesso do ano passado, em que não houve surtos de Covid-19 durante o ritual de cinco dias, apesar de despertar ressentimento entre os muçulmanos fora do país.
Na manhã deste sábado, centenas de fiéis divididos em pequenos grupos começaram a girar em torno da Kaaba, a estrutura cúbica preta localizada no coração da Grande Mesquita e para a qual as orações dos muçulmanos em todo o mundo são dirigidas.
Essa peregrinação, conhecida como “tawaf” em árabe, é essencial para completar a peregrinação a Meca e marca o início das festividades. Os ritos religiosos começarão no domingo.
Loteria
“Sinto que ganhei na loteria”, disse o farmacêutico egípcio Mohamed El Ether após ser escolhido. “Este é um momento especial e inesquecível na vida. Agradeço a Deus por me dar a oportunidade de ser aceito entre tantas pessoas que se inscreveram”, disse o homem de 31 anos.
Entre os sortudos está Ameen, um empreiteiro indiano de 58 anos baseado na cidade oriental de Dammam, que foi escolhido para participar do Hajj com sua esposa e três filhos adultos.
“Estamos muito satisfeitos”, disse Ameen, que se identificou apenas com o primeiro nome. “Muitos amigos e familiares nossos foram rejeitados.”
A Arábia Saudita é o lar de muitas pessoas do sul e do leste da Ásia, da África e do Oriente Médio.
Em 2019, cerca de 2,5 milhões de muçulmanos em todo o mundo participaram do Hajj, o feriado anual considerado um pilar do Islã que todos os muçulmanos devem comparecer pelo menos uma vez na vida.
Grupos de 20
O canal de notícias Al Ekhbariya mostrou imagens de trabalhadores desinfetando a área da Grande Mesquita ao redor da Kaaba, o ponto focal do Islã, em antecipação aos rituais.
Semanas atrás, o ministério responsável pelo partido disse que adotaria “os mais altos níveis de precauções sanitárias” em face das novas variantes da Covid-19.
Os escolhidos entre mais de 558 mil candidatos devem estar totalmente vacinados contra a Covid, ter entre 18 e 65 anos e não ter doenças crônicas, segundo o ministério responsável pela festa.
Os peregrinos serão divididos em grupos de 20 “para limitar qualquer exposição a esse grupo e evitar que a infecção se espalhe”, disse o subsecretário do ministério responsável pelo haxixe, Mohamed al Bijawi, à imprensa oficial.
A Arábia Saudita detectou mais de 507 mil infecções por coronavírus e mais de 8 mil mortes, entre uma população de 34 milhões de pessoas.
O Hajj foi celebrado no ano passado em sua menor versão da história moderna, com cerca de 10 mil participantes.
Nenhuma infecção foi registrada e as autoridades instalaram clínicas móveis e ambulâncias para cuidar dos peregrinos, que eram levados para locais religiosos em pequenos grupos.
Desafio 
“O principal desafio deste Hajj ​​será que ele seja realizado sem infecções por Covid-19”, disse um médico que trabalha em um hospital em Meca.
Organizar o Hajj é um assunto de prestígio para o governo saudita, cuja custódia dos locais mais sagrados do Islã é sua principal fonte de legitimidade política.
Mas a proibição da participação de peregrinos do exterior causou ressentimento e decepção entre os muçulmanos em todo o mundo, que muitas vezes economizam anos para comparecer.
Além das restrições sanitárias, o preço de participação no festival deste ano foi de US$ 3.200 (aproximadamente R$ 16.400)
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Fonte: G1 Mundo

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Sydney endurece confinamento devido a persistente surto de Covid na Austrália


Os comércios considerados não essenciais deverão fechar em toda a cidade e seus arredores, enquanto moradores dos subúrbios mais afetados enfrentarão um confinamento mais rigoroso. Foto de 26 de junho mostra arredores da Ópera de Sydney, na Austrália, vazios com o confinamento imposto por causa da pandemia
Saeed Khan/AFP
As autoridades australianas ordenaram neste sábado (17) o fechamento mais amplo do comércio, junto a uma série de novas restrições em Sydney, a maior cidade do país, depois que um confinamento de várias semanas não conseguiu conter um surto de Covid-19.
Os comércios considerados não essenciais deverão fechar em toda a cidade e seus arredores, enquanto moradores dos subúrbios mais afetados enfrentarão um confinamento mais rigoroso a partir de meia-noite deste sábado, informou à imprensa Gladys Berejiklian, chefe do governo do estado de Nova Gales do Sul.
“O que fizemos até agora não foi suficiente. Em alguma medida, conseguimos estabilizá-lo (o vírus), mas não conseguimos diminuir a curva”, disse Berejiklian.
As autoridades ordenaram aos habitantes do sudoeste da cidade que permaneçam em seus bairros, a menos que trabalhem em serviços de emergência ou de saúde.
O endurecimento das restrições, incluindo uma pausa nas construções na cidade, ocorre em um momento em que seus 6 milhões de habitantes completam sua terceira semana de confinamento.
Nova Gales do Sul registrou uma nova morte pelo vírus e o número de contágios se manteve acima dos 100 diários.
“Não me lembro de outro momento em que nosso estado enfrentou um desafio como esse”, acrescentou a chefe de governo.
Em Melbourne, segunda cidade da Austrália, os habitantes entraram neste sábado em seu segundo dia de confinamento e as autoridades endureceram os controles sobre as viagens de Sydney, depois que o vírus se propagou a partir dessa cidade.
“Agimos com dureza e cedo para garantir que este confinamento seja o mais breve possível”, explicou o ministro da Saúde do estado de Victoria, Martin Foley.
A lenta aplicação de vacinas e a rápida propagação da variante Delta do vírus ameaçam a até agora bem-sucedida estratégia australiana de “covid zero”, alcançada principalmente mediante o fechamento de suas fronteiras desde março de 2020.
Veja 5 pontos sobre a variante delta

Fonte: G1 Mundo

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Brasil completa 6 meses de vacinação com 15,7% da população completamente imunizada; compare a situação com EUA, Reino Unido, China e Israel


País aplicou a primeira dose da CoronaVac em uma enfermeira de São Paulo logo após a aprovação da Anvisa para uso emergencial da vacina. Mais de 120 milhões de doses desta e de outras vacinas contra a Covid-19 foram aplicadas nos braços dos brasileiros em meio ano de campanha. A enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, mostra seu cartão de vacinação após ser a primeira brasileira a receber a vacina no Brasil em 17 de janeiro de 2021
Carla Carniel/AP
O Brasil completa neste sábado (17), seis meses do início da vacinação contra a Covid-19 com 15,7% da sua população completamente imunizada com as duas doses da vacina ou com a dose única.
O país aplicou a primeira dose da CoronaVac em uma enfermeira de São Paulo logo após a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o uso emergencial da vacina em janeiro.
Desde então, mais de 120 milhões de doses desta e de outras vacinas contra a Covid-19 foram aplicadas nos braços dos brasileiros em meio ano de campanha nacional de imunização.
Nesta reportagem você vai ver como está a situação de países como os Estados Unidos, Reino Unido, China e Israel, e a relação das vacinas com as quedas nas mortes por Covid-19.
Comparação entre os países
Os países escolhidos para esta comparação foram os primeiros a iniciar uma campanha de vacinação em massa, todos dentro da mesma semana, entre 13 e 20 de dezembro de 2020. O Brasil começou cerca de um mês depois, em 17 de janeiro.
Controle em 6 meses
Entre os países analisados, apenas o Brasil manteve uma tendência de alta do número de mortes, proporcional à sua população, durante estes seis meses de campanha.
As curvas de mortes na China e em Israel, por exemplo, se mantiveram estáveis e baixas – no país asiático, ela ficou em zero durante todo o período.
A evolução das mortes no Reino Unido começa a desacelerar por volta do 100º dia de vacinação (veja no gráfico abaixo), já nos EUA, elas já vinham diminuindo, mas ainda com leve alta.
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Atrasos nas entregas para o Brasil
O Brasil ainda precisa aplicar 200 milhões de doses para imunizar toda a população com mais de 18 anos contra a Covid-19 – parcela que abrange cerca de 160 milhões de habitantes do país – segundo estimativa feita por pesquisadores da USP e UFRJ.
Segundo o Ministério da Saúde, esta meta poderá ser batida até o fim do ano – e para conseguir cumpri-la, os estados e municípios se baseiam na projeção de entrega de doses pelo governo federal, que nem sempre se confirma.
Em abril, o cronograma do Ministério da Saúde previa mais de 52 milhões de doses em junho. Entre maio e junho, essa projeção foi revisada cinco vezes. No final de maio a expectativa já tinha caído para 43 milhões de doses (veja no vídeo abaixo).
Brasil ainda precisa aplicar 200 milhões de doses para imunizar totalmente a população acima de 18 anos
No fim de junho, total repassado a estados e municípios foi de 39.967.810 – 12,2 milhões de doses a menos. A previsão de entregas para julho é de cerca de 40 milhões, segundo o Ministério da Saúde, que prometeu 662 milhões de doses até dezembro.
Só que nesta contagem estão cerca de 20 milhões de doses da Covaxin, que teve o contrato suspenso por suspeitas de irregularidades e 10 milhões da Sputnik V, que só pode ser usada – por decisão da Anvisa – para a vacinação de 1% da população de seis estados do Nordeste.
Israel: lockdown e vacinação recorde
Ao menos 60% da população israelense está completamente vacinada contra a Covid-19, segundo dados do Our World in Data, monitoramento ligado à Universidade de Oxford. O país aplica apenas a vacina da Pfizer.
Israel combinou os fatores lockdown + vacinação rápida quase simultaneamente:
Começou a campanha de vacinação em 20 de dezembro
No dia 27, decretou (o terceiro) lockdown, em meio a uma subida nos casos
No dia 1º de janeiro, 1 milhão dos cerca de 9 milhões de israelenses já haviam sido vacinados.
Na semana de 17 a 25 de janeiro, houve um pico de casos e mortes confirmados.
Entre março e junho, o país passou a registrar uma queda acentuada nos novos casos diários de Covid-19 – mas com a chegada da variante delta, eles voltaram a subir (em menor escala) nas últimas semanas.
A vacinação é capaz de conter casos médios e graves da infecção pela variante delta do coronavírus, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mas apenas quando as duas doses foram aplicadas.
EUA com queda acelerada
As mortes nos Estados Unidos estão em queda desde fevereiro, com uma forte campanha de vacinação puxada pelo governo de Joe Biden.
Em 1º de março, cerca de dois meses e meio após o início da vacinação, os EUA já tinham cerca de 7,6% de toda a sua população adulta vacinada, segundo o levantamento do Our World in Data. Aos seis meses de vacinação, esse número já chegava a 42% da população com as 2 doses da vacina.
Os casos e mortes nos EUA praticamente só diminuem até julho (veja no gráfico abaixo) – problema agora é convencer parte da população que se recusa a vacinar, o que fez com que os EUA não cumprissem a meta dos 70% vacinados até o dia da independência (em 4 de julho).
Reino Unido: controle mesmo com a delta
No Reino Unido, o país conseguiu – com a vacinação e a ajuda de seguidos lockdowns nacionais – controlar o avanço da pandemia, mesmo sob a ameaça da variante delta, dominante no país.
No começo deste ano, o país teve picos de mortes acima de 1,2 mil vítimas a cada 24 horas, mas mantém sua média abaixo dos 20 óbitos diários por Covid-19 desde o final de abril.
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A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, alertou no mês passado que a variante delta tem se tornado a cepa dominante em todo o mundo.
Segundo a OMS, o alto ritmo de transmissão desta variante identificada tinha um papel importante na sua predominância, mas que as vacinas continuavam eficazes no combate ao vírus.
China: controle mesmo sem vacina
Apesar da plataforma Our World in Data contabilizar a primeira dose aplicada na China apenas em 20 de dezembro de 2020, o país já vinha controlando o avanço da Covid-19 desde em meados do ano passado – quando ainda não tinha vacinas disponíveis. O país conseguiu isso com a imposição de medidas duras de isolamento e rastreio de contatos.
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Mesmo com o controle da pandemia, a China – que também é o maior fabricante e exportador de vacinas para todo o mundo – foi quem mais aplicou, em números absolutos, vacinas em sua população: foram mais de 1,4 bilhão de doses injetadas (o governo não divulga, especificamente, quantas pessoas foram completamente imunizadas com as duas doses necessárias).

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Fonte: G1 Mundo

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Ministro da Saúde britânico tem resultado positivo para Covid-19


Sajid Javid já está imunizado e afirma que seus sintomas são ‘muito leves’. Sajid Javid
Stefan Wermuth/Reuters
O ministro da Saúde britânico, Sajid Javid, anunciou neste sábado (17) que um teste de detecção de Covid-19 deu positivo, dois dias antes da flexibilização de quase todas as restrições na Inglaterra, um desconfinamento que preocupa devido ao surto de casos relacionados à variante Delta.
“Me senti um pouco mal nesta noite, então fiz um teste de antígeno hoje de manhã e o resultado foi positivo. Agora estou isolado em casa com a minha família até que consiga o resultado de um teste PCR”, explicou Sajid Javid em um vídeo publicado no Twitter.
Javid está completamente imunizado e afirma que seus sintomas são “muito leves”.
O país registrou 54,7 mil casos de Covid e 41 mortes neste sábado, segundo a Reuters.
Antecessor pediu demissão após flagrante
Sajid Javid, ex-ministro britânico das Finanças, assumiu após seu antecessor, Matt Hancock, pedir demissão em junho por quebrar regras de distanciamento social, depois que fotos dele beijando e abraçando uma assistente foram publicadas no tabloide britânico The Sun.
O jornal The Sun alegou que Hancock, que é casado, estaria em um caso extraconjugal com a assistente Gina Coladangelo, que ele mesmo indicou ao cargo.
Segundo a publicação, as imagens dos dois se beijando e abraçando foram tiradas dentro do Departamento de Saúde, em 6 maio de 2021, quando era proibido o contato íntimo entre as pessoas que não morassem na mesma casa.
Capa do jornal The Sun mostra Matt Hancock beijando assistente, na edição de 25 de junho de 2021
Reprodução/Reuters
O distanciamento social nos locais de trabalho não é uma exigência legal, mas é recomendado pelo governo britânico.
As pessoas são aconselhadas a manter 2 metros de distância, sempre que possível, ou 1 metro com mitigação de risco.

Fonte: G1 Mundo

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“O que o mundo está vendo de Cuba é uma mentira”, diz Díaz-Canel sobre protestos no país


Em comício em Havana, ao lado de Raúl Castro, presidente cubano disse que foram veículadas “imagens falsas” das manifestações contra o governo nas redes sociais O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, participou neste sábado (17), em Havana, de um comício ao lado do aliado e ex-presidente do país, Raúl Castro, e de milhares de apoiadores do regime cubano. Em discurso, Díaz-Canel acusou que as manifestações que tomaram as ruas do país foram alvo de desinformação.
Miguel Díaz-Canel participa de comício com apoiadores em Havana, capital do país
Alexandre Meneghini/Reuters
“O que o mundo está vendo é uma mentira”, afirmou o presidente, ao falar que imagens falsas foram atribuídas aos protestos contra o governo cubano. Díaz-Canel ainda criticou as redes sociais, por onde essas imagens estariam sendo veículadas. “Imagens falsas encorajam e glorificam o ultraje e a destruição de propriedade”.
Ex-presidente cubano Raúl Castro (à esq.) e Miguel Díaz-Canel, atual presidente, participam de comício de apoio ao governo em Havana
Alexandre Meneghini/Reuters
O discurso aconteceu poucos dias depois de manifestantes irem às ruas de 40 cidades cubanas protestar contra o governo de Díaz-Canel e a crise econômica que assola o país. Houve confronto entre policiais e manifestantes. Uma pessoa morreu e outras 100 ficaram feridas nos atos.

Fonte: G1 Mundo

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Bashar Al-Assad toma posse para quarto mandato na Síria após reeleição criticada


Presidente sírio está no poder desde 2000. Em maio, obteve 95% dos votos em um pleito marcado por boicotes e condenado por parte da comunidade internacional. Em uma foto de divulgação da presidência da Síria, Bashar Al-Assad discursa na cerimônia de posse para seu quarto mandato.
Página do Facebook da Presidência síria/AFP
O presidente sírio, Bashar al Assad, prestou juramento neste sábado (17) para um quarto mandato em uma cerimônia na capital Damasco, depois de obter 95,1% dos votos nas eleições de 26 de maio, criticadas pela oposição síria e por parte da comunidade internacional.
Assad, que está no poder desde 2000, jurou sobre a Constituição e o Corão na presença de 600 convidados, entre eles ministros, empresários, acadêmicos e jornalistas, segundo os organizadores.
A cerimônia coincidiu com os bombardeios que o governo promove na região de Idlib, no noroeste da Síria, que provocaram a morte de seis civis, três deles menores de idade, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.
Leia mais: 10 anos de guerra na Síria deixaram quase 500 mil mortos, afirma ONG
ENTENDA: Por que a Guerra da Síria continua após 10 anos?
As eleições presidenciais “mostraram a força da legitimidade popular dada ao Estado pelo povo e tiraram credibilidade das declarações dos líderes ocidentais sobre a legitimidade do Estado, da Constituição e da pátria”, declarou Assad, em seu discurso de posse.
O pleito foi marcado por boicotes e visto por opositores como ilegítimo. Havia apenas dois outros candidatos, que juntos não conseguiram nem 5% dos votos. França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Estados Unidos condenaram em maio as eleições, classificando-as como “nem livres nem justas”.
A vitória de Assad é a segunda desde o início da guerra, que explodiu em 2011, após a repressão das manifestações pró-democracia. O conflito, no qual se envolveram também interesses estrangeiros, já deixou mais de 500.000 mortos e provocou o exílio forçado de milhões de pessoas.
“Liberar o território”
Assad quer se apresentar como o homem da reconstrução, depois de acumular vitórias militares desde 2015 com o apoio de seus aliados, Rússia e Irã, pelas quais conseguiu tomar novamente o controle de dois terços do território.
“Durante mais de 10 anos de guerra, nossas preocupações foram muitas e a segurança e o medo dominavam tudo. Mas hoje se trata principalmente de libertar o restante do território e enfrentar as repercussões econômicas da guerra”, disse ele em seu discurso.
Uma parte da região de Idlib, dominada por grupos rebeldes, escapa ao controle do governo de Assad, assim como áreas sob o domínio curdo no norte e nordeste do país.
Biden defende ataque contra milícias pró-Irã na Síria e no Iraque: ‘EUA estão prontos para novas ações, se necessário’
Pouco antes do discurso, o governo lançou dois mísseis sobre o povo de Sarja, no sul de Idlib, causando a morte de seis civis e vários feridos, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.
A trégua imposta por Rússia e Turquia em Idlib e a presença dos EUA em áreas curdas e turcas do norte da Síria impediram até agora a opção militar por parte do governo de Assad.

Fonte: G1 Mundo

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Tribunal dos EUA declara ilegal o programa que protege os ‘Dreamers’


Biden disse que o Departamento de Justiça vai recorrer da decisão de juiz do Texas, e acrescentou que ‘somente o Congresso pode garantir uma solução permanente ao conceder um caminho para a cidadania aos Dreamers’, migrantes sem documentos que chegaram ao país quando eram crianças. Foto de arquivo de 18 de junho de 2020 mostra estudantes do programa Ação Diferida para Chegadas na Infância (Daca, na sigla em inglês) em frente à Suprema Corte dos EUA em Washington
Manuel Balce Ceneta/AP/Arquivo
Um juiz federal dos Estados Unidos declarou ilegal, na sexta-feira (16), o programa que protegia os migrantes sem documentos que chegaram ao país quando eram crianças, e bloqueou a inscrição de novos solicitantes.
O presidente Joe Biden considerou a decisão “profundamente decepcionante”. Em um comunicado da Casa Branca, Biden disse que o Departamento de Justiça vai recorrer da decisão do juiz Andrew Hannan do Texas, e acrescentou que “somente o Congresso pode garantir uma solução permanente ao conceder um caminho para a cidadania aos Dreamers”.
Implementado pelo ex-presidente Barack Obama em 2012, o programa de Ação Diferida para Chegadas na Infância (Daca) cobre cerca de 700.000 pessoas conhecidas como “Dreamers”. Para muitos, os Estados Unidos são o único país que conhecem.
“Por mais de nove anos, os Dreamers viram os tribunais e os políticos debaterem se permitiriam que eles permanecessem no único país que muitos deles conhecem. Já é hora do Congresso agir e dar a eles a proteção e a certeza que merecem”, disse Obama em sua conta do Twitter.
Em sua decisão, o juiz Andrew Hanen do Tribunal Federal de Distrito em Houston disse que Obama excedeu sua autoridade quando instituiu o Daca por meio de uma ordem executiva. Ele afirmou que o governo deve parar de aceitar pessoas no programa, embora ainda possa receber solicitações.
Hanen afirmou que sua decisão não exige que o Departamento de Segurança Nacional ou o Departamento de Justiça “tomem alguma ação de imigração, deportação ou criminal contra qualquer destinatário, solicitante ou qualquer outra pessoa do Daca que não tomaria de outra forma”.
A decisão também não afetou de imediato a situação das pessoas que já foram aprovadas no programa.
Para solicitar a proteção do Daca, que também permite o direito ao trabalho, os solicitantes devem ter chegado aos Estados Unidos antes dos 16 anos.
Além disso, devem frequentar a escola ou serem formados no ensino médio ou equivalente, ou terem sido dispensados com honra do exército e não ter antecedentes criminais.
Em 2017, o então presidente Donald Trump tentou desmantelar o Daca alegando que era inconstitucional, o que provocou uma longa batalha judicial.
Desde que assumiu o cargo, o presidente Joe Biden buscou fortalecer o programa, assim como iniciar uma reforma migratória mais ampla.
Depois da decisão de sexta-feira, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, disse: “Os democratas pedem aos republicanos no Congresso que se juntem a nós para respeitar a vontade do povo americano e a lei, para garantir que os Dreamers tenham um caminho permanente para a cidadania”.
Como funciona o programa
O Daca, que é a sigla em inglês do programa Ação Diferida para Chegadas na Infância (“Deferred Action for Childhood Arrivals”), evita a deportação temporariamente, mas não garante cidadania futura, nem residência permanente. Os vistos de estada e de trabalho são concedidos por dois anos e podem ser renovados.
O Daca protege cerca de 690 mil imigrantes da deportação. A estimativa é que 5.780 brasileiros estejam inscritos no programa.
Foi criado por decreto em 15 de junho de 2012 pelo então presidente democrata Barack Obama, diante da impossibilidade de aprovar – em um Congresso dominado pelos republicanos – a Lei DREAM (“Development, Relief and Education for Alien Minors Act”), ou Lei de Desenvolvimento, Alívio e Educação para Menores Estrangeiros.
Por isso, os imigrantes levados quando crianças para os Estados Unidos passaram a ser chamados de “Dreamers” (sonhadores), em referência à lei, mas também ao sonho de conseguir uma vida melhor nos EUA.
A maioria dos “Dreamers” nasceu no México e em países centro-americanos e vive na Califórnia e no Texas, mas também em Nova York, Illinois e Flórida.

Fonte: G1 Mundo

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Os espiões adolescentes recrutados pela polícia secreta alemã na Guerra Fria


Durante 40 anos, polícia secreta da Alemanha Oriental construiu rede de espionagem com 189 mil colaboradores informais, incluindo milhares de adolescentes. Torre de vigilância da Stasi: polícia secreta era temida na Alemanha Oriental
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O primeiro encontro oficial de Shenja, então uma estudante de 17 anos, com um agente da polícia secreta da Alemanha Oriental ocorreu em fevereiro de 1981.
Documentos do antigo Ministério para a Segurança do Estado (MfS), popularmente conhecido como Stasi, ilustram um evento planejado em detalhes e um lado pouco debatido da temida organização: o aliciamento de menores de idade como colaboradores informais.
Naquela reunião, a Stasi recrutou a adolescente. Vinda de uma família “disfuncional” na visão da ditadura do Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED), Shenja era um alvo interessante. Sua mãe, a senhora Beden, constava nos arquivos da Stasi desde 1961 como uma “fugitiva da República” por ter se mudado de Rostock para Hamburgo antes da construção do muro de Berlim.
Em 1981, as duas estavam separadas pelo regime havia cerca de oito anos. Esse desfecho começou quando Beden foi proibida de voltar a Hamburgo após uma viagem a Rostock. Ao longo de alguns anos, ela tentou deixar o país socialista novamente, inclusive pedindo um visto de saída. Seu comportamento, considerado um risco para ordem social, rendeu-lhe 10 meses na prisão, em 1973, e a perda da guarda da filha, enviada a um orfanato.
Beden foi deportada para a Alemanha Ocidental em 1975, sem Shenja e o filho nascido cerca de um ano antes. Do exterior, ela tentou resgatar as crianças, enquanto a Stasi reduziu ao máximo o seu contato com a garota. Até que, em 1980, o nome de Shenja apareceu em um panfleto sobre violações de direitos humanos em uma reunião da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) em Madri, o que levou a Stasi a contatar a estudante.
Shenja não era uma raridade na estrutura da Stasi. Pelo contrário, em seus 40 anos de existência, a polícia secreta aliciou informalmente milhares de adolescentes para se infiltrar em áreas hostis ao regime do SED, como grupos punks ou com religiosos oposicionistas. Esses jovens, por outro lado, só poderiam ser recrutados de forma oficial quando adultos. Logo, termos de compromisso assinados por menores não eram legais.
A maioria deles tinha por volta de 16 e 17 anos. Há poucos estudos específicos sobre a quantidade de menores aliciados, mas o historiador Helmut Müller-Enbergs compartilha a hipótese de que tratavam-se de 0,8% dos colaboradores não oficiais. Ou seja, cerca de 1,3 mil em 1989.
“Jovens de 17 anos eram frequentemente recrutados antes do serviço militar para obterem informações de soldados no quartel. Os de 15/16 anos costumavam estar em ambientes alternativos (góticos, punks, skinheads etc.), então a Stasi queria dados sobre essas redes”, explica à BBC News Brasil Müller-Enbergs, professor-adjunto do Departamento de História da Universidade do Sul da Dinamarca (SDU) em Odense, na Dinamarca.
Cidadãos ainda mais jovens chegaram a ser recrutados. Em alguns casos, a Stasi queria testá-los para carreiras oficiais na entidade. Primeiro, explica Jens Gieseke, chefe do departamento de Comunismo e Sociedade no Centro Leibniz para História Contemporânea, em Potsdam, a organização buscava estabelecer “uma base de confiança” entre o oficial de cada caso e os candidatos para “convencê-los (ou pressioná-los)” a cooperar e influenciá-los politicamente. “Mas não havia lavagem cerebral. Eles não usavam técnicas psicológicas tão avançadas.”
O caso de Shenja é uma das milhares de histórias preservadas pelo Arquivo de Registros da Stasi, agência que foi responsável durante 31 anos por manter os documentos da polícia secreta e abri-los ao público. Desde 21 de junho, o acervo passou a integrar os arquivos federais, mas os cidadãos continuam a ter acesso aos dados.
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Prática restrita
Dissolvida em janeiro de 1990 durante a reunificação da Alemanha, a Stasi foi construída sob orientação direta da União Soviética para controlar a vida dos alemães orientais, oprimir opositores e dar suporte ao SED. Na época de seu seu fechamento, tinha 189 mil informantes não oficiais (1 para cada 90 habitantes da Alemanha Oriental) e 91 mil funcionários em tempo integral.
O alto escalão da polícia secreta, segundo os especialistas, não apenas sabia do aliciamento de menores, como o promovia até certo ponto. Por outro lado, não parecia existir uma estratégia ampla ou, como afirma Gieseke, menores denunciando pais e parentes.
“Ao contrário dessa imagem de penetração total de famílias como unidades sociais básicas, alimentadas por fantasias orwellianas, as famílias eram portos intactos de relações de confiança na Alemanha Oriental, ao menos no período pós-década de 1950”, diz.
Apesar de não ser insignificante, o uso de menores pela Stasi nunca se tornou amplo. Entre os motivos estariam a falta de popularidade da prática entre os funcionários (muitos dos quais tinham filhos), a ilegalidade desse tipo de conduta, e o fato de que os informantes precisavam coletar informações políticas complexas, um tipo de compreensão sofisticada que adolescentes ainda não haviam desenvolvido por completo.
Não há, ao menos por hora, muitos detalhes sobre a percepção dos alemães orientais a respeito dessa prática. O cenário mais provável é que seriam limitadas as chances de a população saber sobre os aliciamentos. Segundo Gieseke, ainda que houvesse esse conhecimento, discussões sobre o tema ficariam restritas a ambientes privados.
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Espiões adolescentes
Ao infiltrar-se em uma demografia mais jovem, a polícia secreta queria uma porta a grupos aos quais teria dificuldade de acessar de outras formas. O foco, em geral, era obter dados sobre as atividades políticas de colegas de classe uma vez que colaboradores adolescentes teriam melhores condições de interagir com esses alvos do que professores ou adultos.
A Stasi utilizava diversas estratégias para abordar esses jovens, incluindo a manipulação de candidatos de “famílias instáveis” ou se estabeleciam como “amigos” mais velhos e “solidários”. Antes dos recrutamentos, a organização também avaliava os possíveis pontos fracos de informantes e considerava se os alvos estavam prontos para trabalhar com a polícia secreta. Eles ainda focavam em fãs de espionagem e jovens envolvidos em crimes, que poderiam ser forçados a colaborar para evitar punições.
Depois de recrutados, esses jovens não eram pressionados ao extremo. Os informantes geralmente se reuniam com seus oficiais em uma base regular para relatar e receber instruções. “Mas a cooperação era ‘bem frágil’. Em um grande número de casos, os agentes não conseguiram estabelecer um contato estável e os supostos informantes tentaram escapar da pressão ou compartilharam seu segredo com familiares ou amigos. Nesse caso, a Stasi geralmente precisava encerrar a cooperação e encerrar o processo”, diz Gieseke.
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Registros falhos
Hoje, é difícil identificar esses menores colaboradores com base nos arquivos da Stasi. Como a organização não definiu uma provisão especial para registrá-los, havia diferentes formas de fazê-lo internamente entre as burocracias locais. Alguns se referiram a esses indivíduos como “pessoas de contato”, outros como “menores precursores”.
Ambas as nomenclaturas borram as estáticas oficiais, pois esses registros não podem ser conclusivamente estabelecidos como de menores colaboradores. Para Gieseke, essa prática pode ter sido adotada para turvar os dados, mas “não há indícios de que o número ‘real’ de informantes menores seja significativamente maior”.
Na Alemanha reunificada, o acesso a esses casos depende da permissão do ex-informante. Por outro lado, os arquivos podem ser acessados se os colaboradores tiverem cooperado com a polícia secreta depois dos 18 anos.
Em alguns casos, ex-informantes menores de idade vieram a público com suas histórias. Angela Marquardt, uma ativista política de esquerda e punk na Alemanha unificada, escreveu um livro sobre como a Stasi a abordou ainda adolescente.
No caso de Shenja, a sua colaboração com a polícia secreta durou até 1987. Como estudante em Dresden e Jena, passou informações sobre colegas de universidade para a Stasi. Mas sua colaboração foi encerrada após seu marido tornar-se um funcionário em tempo integral do MfS.
Os documentos mostram que Shenja ficou surpresa e triste com seu o destino. No último encontro com a Stasi, ganhou apenas 200 marcos como agradecimento.

Fonte: G1 Mundo