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Com discurso ressentido dirigido aos russos, Putin revisita história ucraniana para justificar respaldo às províncias separatistas



Ao reconhecer a legitimidade de Donetsk e Luhansk, presidente sepulta acordos de Minsk e passa a ser parte direta no conflito. Putin assina decreto que reconhece independência de duas nações separatistas da Ucrânia nesta segunda-feira (21).
Sputnik/Alexey Nikolsky/Kremlin via REUTERS
Num discurso ressentido, praticamente uma aula tendenciosa sobre a história ucraniana, o presidente Vladimir Putin explicou aos russos, em última análise, suas razões para a possibilidade, agora mais concreta, de o país ser arrastado para uma guerra. Ao reconhecer Donetsk e Luhansk como repúblicas e enviar tropas russas com o intuito de protegê-las, ele sepultou de vez os acordos de Minsk, que, embora estivessem paralisados, eram vistos como a única saída diplomática para contornar a crise.
Putin revisitou, à sua maneira, as origens da Ucrânia como um país fictício, criado por Lênin e agora dominado como um fantoche pelo Ocidente. No espetáculo ensaiado e transmitido ao vivo, seus conselheiros de segurança não apenas apoiaram o reconhecimento das duas repúblicas. Um deles, o diretor do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia, Sergei Naryshkin, foi além, em favor de sua inclusão na Federação Russa.
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“Hoje não estamos discutindo isso”, interrompeu, brincando, o presidente.
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Com o respaldo à legitimidade das duas províncias separatistas, a Rússia abandona o papel a que se reservou, de suposta observadora de um conflito interno – apesar do apoio logístico sistemático dado aos rebeldes – e passa a ser parte direta dele.
Putin demonstra também a inflexibilidade em relação às suas demandas, contrárias à expansão da Otan para perto da fronteira russa, caso a Ucrânia integre a aliança. Na linha vermelha traçada por ele, o tom de ameaça claramente cresceu, mas foi conduzido pelo presidente como uma resposta à ação de nacionalistas ucranianos coordenados com a OTAN e os EUA.
Por enquanto, o conflito se encontra onde sempre esteve, desde 2014 – restrito à região de Donbass. O teatro da guerra está montado, com 190 mil militares russos cercando a Ucrânia e o Ocidente respondendo com novas sanções.
A mudança de discurso do presidente russo, no entanto, acirra os ânimos nacionalistas dos ucranianos, cada dia mais propensos a se resguardarem sob o guarda-chuva da aliança ocidental e não sob o russo. E, como expressou o premiê britânico, Boris Johnson, a invasão já começou.
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Fonte: G1 Mundo