Cerca de 113,5 mil pessoas foram retiradas do Afeganistão pelos Estados Unidos e aliados nas últimas duas semanas. As tropas americanas deixarão o Afeganistão em 31 de agosto. Otan e União Europeia pedem prorrogação do prazo para conseguir finalizar a operação de ‘resgate’ no país. Imagem de satélite fornecida pela Maxar Technologies mostra multidão reunida no portão nordeste do Aeroporto Internacional de Cabul, capital do Afeganistão, em 27 de agosto de 2021, um dia após um atentado terrorista no portão Abadia, em outro local do aeroporto
Maxar Technologies via AP
As Forças Armadas dos Estados Unidos estão na fase final da retirada de Cabul, no Afeganistão. Neste domingo (29), há cerca de 1.000 civis no aeroporto Hamid Karzaida. Depois da saída dessas pessoas, os próprios militares vão deixar o país e, então, o Talibã vai passar a dominar o aeroporto.
Um dirigente militar norte-americano que está no aeroporto afirmou que o plano é garantir que todos os civis estrangeiros e aqueles que correm risco sejam retirados ainda neste domingo. Os membros das forças vão começar a voar quando esse processo terminar.
Cerca de 113,5 mil pessoas foram retiradas do Afeganistão pelos Estados Unidos e aliados nas últimas duas semanas. No entanto, estima-se que dezenas de milhares que também poderiam ter viajado ficaram para trás.
Além disso, os talibãs bloquearam as estradas que levam ao aeroporto e permitem apenas a passagem de ônibus autorizados.
O presidente Joe Biden tem afirmado que vai manter o calendário de retirada, que prevê o fim da operação na terça-feira (31). Há cerca de 4.000 soldados em Cabul.
Imagens de satélites mostram uma multidão de pessoas concentradas na fronteira do Afeganistão com o Paquistão. O vídeo registra o aumento da movimentação na região sul do país — uma das várias tentativas da população de fugir do grupo extremista Talibã (assista abaixo).
VÍDEO: Imagens de satélite mostram multidão em fronteira do Afeganistão
Essa é uma das maiores operações de retirada de pessoas por aviões na história. A ação marca o fim da missão de 20 anos dos Estados Unidos, que invadiram o país para derrubar o Talibã após os ataques de 11 de setembro de 2001 — os terroristas usavam o Afeganistão como um centro de treinamento.
Crise econômica e fome
O colapso do governo do Afeganistão deixou um vazio administrativo e pode ser que haja uma crise econômica e fome no país.
Preços de trigo, óleo e arroz estão aumentando rapidamente, e a moeda afegão, o afghani está caindo — na fronteira com o Paquistão, as casas de câmbio se recusam a aceitar o afghani.
No sábado (28), os bancos foram obrigados a abrir, mas havia limite de saque de até 20 mil afghanis (cerca de R$ 1.040). Formaram-se longas filas nos bancos.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, disse que as dificuldades vão terminar quando a nova gestão do país assumir de fato. Nos próximos dias serão anunciados os nomes que vão formar o governo, segundo ele.
‘Zona segura’
A Otan e União Europeia solicitaram uma prorrogação de alguns dias para conseguir retirar todos os afegãos aptos a receber proteção ocidental.
França e Reino Unido defenderão na segunda-feira (30), em um encontro no Conselho de Segurança da ONU, a criação de uma “zona segura” em Cabul para permitir a continuidade das operações humanitárias após 31 de agosto, afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Isto estabeleceria um marco às Nações Unidas para atuar em caráter de urgência e permitiria, sobretudo, a cada um assumir suas responsabilidades e à comunidade internacional manter a pressão sobre os talibãs”, disse Macron.
Muitos países, incluindo, França, Itália, Espanha, Alemanha, Canadá e Austrália, já concluíram suas operações de retirada. Algumas nações admitiram que deixaram civis afegãos que correm perigo no país.
A Turquia negocia com os talibãs para uma possível cooperação na administração do aeroporto.
Com o retorno ao poder, os talibãs tentam apresentar uma imagem mais aberta e moderada. Muitos afegãos, no entanto, temem a repetição do regime fundamentalista e brutal imposto entre 1996 e 2001, quando o Talibã foi derrubado por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.
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Fonte: G1 Mundo