Categorias
MUNDO

EUA poderão exigir que funcionários públicos se vacinem contra a Covid


País vem encontrando dificuldades em atingir a imunidade coletiva e tem experimentado uma ‘pandemia de não-vacinados’. Funcionário dos transportes em Nova York (EUA) recebe vacina contra a Covid-19 em 10 de março
Shannon Stapleton/Arquivo/Reuters
Com a situação da pandemia da Covid-19 se agravando nos Estados Unidos devido à variante delta e uma queda nos índices de vacinação, o presidente Joe Biden vai anunciar nesta quinta (29) que todos os funcionários públicos do governo federal terão de ser vacinados.
A exigência afetará um grande número de pessoas em Washington. Dos 2 milhões de funcionários públicos federais, cerca de 400 mil vivem na capital americana. Aproximadamente 60% dos adultos – e mais de 80% dos idosos – que vivem na região metropolitana de Washington já estão plenamente vacinados.
A Casa Branca, entretanto, somente forçará aqueles funcionários que trabalham diretamente com pacientes em hospitais do departamento de Assuntos de Veteranos a serem vacinados.
LEIA TAMBÉM:
‘Pandemia dos não-vacinados’: como EUA podem estar perdendo de novo controle sobre o coronavírus
PODCAST: A pandemia dos não-vacinados
Os outros funcionários do governo que optarem por não fazer a vacinação não serão demitidos, mas terão de ser testados frequentemente – possivelmente semanalmente – e somente poderão participar de viagens de trabalho essenciais.
Em dezembro passado, Biden havia dito que a vacinação não seria obrigatória. A maior parte das críticas à obrigatoriedade da vacinação vem da oposição, que diz que a exigência é autoritária e inconstitucional.
Porém, o departamento de Justiça diz que empregadores podem, de fato, impor vacinações como uma condição para o vínculo empregatício. No entanto, alguns médicos, apesar de serem, de modo geral, a favor da imunização, também questionam a medida.
Eles dizem que é preciso levar em conta que, em alguns casos, como pessoas com determinadas doenças ou que talvez já tenham anticorpos contra a Covid-19, a vacinação pode não ser recomendada.
Prefeitura de Nova York oferecerá US$ 100 para quem se vacinar
Americanos aguardam aprovação pelo FDA
Até o momento, as vacinas que estão sendo distribuídas nos Estados Unidos – Pfizer, Moderna e Janssen –somente são aprovadas para uso de emergência pela Food and Drug Administration (FDA), a agência encarregada da regulamentação de medicamentos.
Isso contribui com a hesitação que algumas pessoas têm em relação à imunização, especialmente no caso de vacinação de menores de idade. Muitos pais preferem aguardar a aprovação das vacinas pela FDA antes que seus filhos sejam vacinados.
Até meados de julho, apenas 35% dos jovens americanos de 12 a 24 anos haviam sido totalmente imunizados contra a Covid-19.
Segundo uma pesquisa da Kaiser Permanente Foundation, cerca de 16% dos americanos não imunizados contra o coronavírus acham que a vacina ainda é muito nova para se saber se é realmente segura.
Recentemente, Biden disse que acredita que as vacinas que estão sendo distribuídas nos EUA – Pfizer, Moderna e Janssen – serão aprovadas pela FDA no fim de agosto ou poucas semanas depois disso.
Apesar de Biden poder impor a medida também a militares, ele provavelmente quer evitar uma controvérsia dentro do seu próprio governo.
Joe Biden, presidente dos EUA, recebeu 1ª dose de vacina contra a Covid-19 no Hospital Christiana Care em Newark, no Delawere, em 21 de dezembro de 2020
Joshua Roberts/Getty Images North America/Getty Images via AFP/Arquivo
O secretário de defesa, Lloyd Austin III, já disse que não quer obrigar a vacinação de militares enquanto a vacina não for aprovada pela FDA. Isso serve para despertar ainda mais desconfiança entre os americanos não vacinados.
Esta semana, o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (Centers for Disease Control and Prevention, CDC) divulgou novas diretrizes, especialmente para combater a disseminação da variante Delta.
As novas diretrizes incluem a volta da recomendação de uso de máscaras, mesmo para as pessoas vacinadas, dentro de lugares fechados em áreas onde o índice de infecção seja alto.
Além disso a agência recomenda o uso de máscara para professores, alunos e pessoal de administração de escolas, desde o jardim de infância até o ensino médio, independentemente de serem vacinados ou não.
Muitos veem as novas medidas do governo federal como uma forma de punição e até coerção para que sejam imunizadas. A maioria dos americanos, no entanto, aceita que as medidas de saúde pública precisam reagir aos dados mais atuais.
E a variante delta tem se manifestado com força, especialmente em estados como a Flórida e a Carolina do Sul. No entanto, não há dúvida de que as novas diretrizes e medidas causaram um desânimo geral em uma população que queria acreditar que a pandemia já tinha chegado ao fim.
Nova York oferece recompensa
A cidade de Nova York vai oferecer um incentivo financeiro de US$ 100 dólares (R$ 512) para aqueles que se vacinarem contra a Covid-19. O anuncio foi feito nesta quarta-feira (28) prefeito, Bill de Blasio.
A medida tem por objetivo dar um novo impulso à campanha de vacinação. As autoridades sanitárias já aplicaram cerca de 10 milhões de doses em Nova York, mas observam uma queda no índice de aceitação das vacinas.

Fonte: G1 Mundo