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Familiares e amigos de homens presos pela morte de PM defendem inocência

Amigos e familiares de Jamerson Gonçalves de Andrade, de 30 anos, e Lizien Franscisco da Silva, de 32, presos na madrugada de sábado acusados da morte do soldado da PM Samir da Silva Oliveira, de 37, defendem a inocência de ambos. Um terceiro homem, Hélio Rafael Alves de Souza, de 29 anos, também foi preso no mesmo dia pelo assasssinato do policial. Jamerson já trabalhou como vidraceiro e técnico em ar condicionado e hoje trabalha com montagem de adegas. Ele não tinha nenhuma passagem pela polícia até o dia do crime. Já Lizien é mototaxista e só tem uma passagem por porte de drogas para consumo próprio. Hélio tem diversas passagens pela polícia por tráfico de drogas e roubo de cargas. Quando foram detidos, Lizien e Jamerson estavam juntos. Hélio foi preso em outro ponto.

O crime aconteceu por volta das 18h30 da última sexta-feira, no Méier. Segundo o patrão de Jamerson, o projetista e montador de adegas Djalma Santos, de 60, o rapaz passou o dia todo com ele, inclusive foram juntos a Vista Alegre buscar no conserto a arma de paintball, com a qual o acusado foi preso.

As únicas provas que mantêm os dois presos são dois depoimentos de policiais militares. De acordo com o registro de ocorrência feito no momento da prisão de Jamerson e de Lizien, o vidraceiro e o mototaxista teriam sido levado para a 26ª DP (Todos os Santos) horas depois da morte do PM por policiais da UPP do Lins. Jameson estava na garupa da moto guiado por Lizien. Com o vidraceiro, os policiais apreenderam uma arma de paintball. Já na delegacia, dois policiais militares que estavam com o policial morto no momento do tiroteio, horas antes, reconheceram Jamerson e Lizien como ocupantes de um carro roubado que atiraram contra os policiais. Os dois foram autados por receptação do carro e pelo homicídio do policial.

Acusado trabalha como vidraceiro
Acusado trabalha como vidraceiro Foto: Reprodução

A Polícia Civil divulgou que as prisões foram feitas com base num “trabalho investigativo realizado pelos agentes da Divisão de Homicídios no local do crime e com base nos depoimentos de testemunhas identificadas”. A Justiça converteu as prisões em flagrante em preventivas, sem prazos para serem soltos.

O patrão do vidraceiro disse que deixou Jamerson no ponto de mototáxi na esquina da Rua Baronesa de Uruguaiana, no Lins, onde ambos moram, e foi para casa, pouco depois das 19h. A família já contratou um advogado e está reunindo provas para tentar soltar o rapaz.

Jamerson foi fichado na Polícia Civil
Jamerson foi fichado na Polícia Civil Foto: Divulgação / PCERJ

— Eu conheço o Jamerson desde os 7 anos. Estou disponível para falar com a polícia para confirmar que o Jamerson passou o dia comigo. Eu estava dormindo quando soube que ele tinha sido preso e foi uma surpresa. Achei impossível que aquilo estivesse acontecendo. Escolhi o Jamerson para trabalhar comigo justamente porque é uma pessoa de confiança. Tenho que entrar na casa dos clientes e não poderia fazer isso com qualquer pessoa — disse.

Marilene Gonçalves Pereira, de 50 anos, mãe de Jamerson, não consegue dormir desde que o filho foi preso e não foi trabalhar hoje. A auxiliar de serviços gerais diz que Jamerson é um bom filho, que parou de estudar quando concluiu o ensino fundamental e começou a trabalhar para ajudar em casa.

Djalma dos Santos, patrão de Jamerson
Djalma dos Santos, patrão de Jamerson Foto: Ana Branco / Agência O Globo

— Tenho confiança plena na inocência do meu filho. O que aconteceu com ele foi uma injustiça, uma pancada. Boto a mão no fogo por ele, sempre falei para todo mundo que ganhei na Mega Sena porque tenho três filhos maravilhosos que nunca me deram trabalho. Isso foi uma covardia, não encontraram o verdadeiro criminoso e acabaram levando ele como bucha.

A mulher de Jamerson, Juliana Rodrigues de Paula, de 23 anos, está reunindo provas para tentar provar a inocência do marido e tirá-lo da cadeia. Os dois se conhecem desde os 15 anos e estão juntos há seis. O casal não tem filhos.

— É muito tempo de convivência, confio plenamente na inocência do meu marido, coloco o corpo todo no fogo por ele. Tanto a família, como os amigos estamos todos confiantes de que ele é uma vítima disso tudo.

A mãe de Jamerson
A mãe de Jamerson Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Segundo amigos, Jamerson teria voltado ao local onde fez a manutenção da arma de peintbol, porque o conserto não teria ficado perfeito e ele tinha jogo no domingo. Nas duas outras vezes que foi parar na delegacia, Jamerson fez registros de ocorrência como vítima. Numa das vezes, em 2011, ele foi roubado quando se dirigia ao endereço de uma casa onde instalaria blindex. Na outra, ele perdeu sua carteira de trabalho. A mulher de Lizien, Mônica da Costa Gonçalves, de 31, também diz que o marido é inocente.

Segundo ela, ele trabalhava de carteira assinada como motoboy, até as 17h. A partir daí fazia bicos como mototaxista para complementar a renda. Inclusive, na sexta-feira feira teria dito a ela que ia fazer o extra para bancar o churrasco do dia dos pais. Os dois têm um casal de filhos, sendo que a menina de 10 anos sofre de paralisia cerebral.

— Ele voltou a trabalhar como mototaxista porque depois de cerca de três anos afastado, porque estou desempregada. Ainda não tive contato com ele após a prisão, o que sei é pelos colegas dele, mas estou procurando provas, inclusive imagens das câmeras de segurança do comércio local para provar a inocência dele.

Juliana Rodrigues de Paula, mulher de Jamerson

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