‘Bolsonaro não é ruim apenas para o meio ambiente, para os direitos humanos e para a democracia, mas também para a economia do Brasil’, diz a revista ‘The Economist’, do Reino Unido. Imagem que ilustra artigo da Economist sobre o governo de Jair Bolsonaro, em 12 de novembro de 2021
Reprodução/The Economist
O ímpeto reformista do governo de Jair Bolsonaro acabou, e agora o presidente usa o dinheiro do orçamento para tentar ganhar apoio político e popularidade, afirma a revista “The Economist”, do Reino Unido, em um artigo publicado nesta sexta-feira (12).
“Bolsonaro não é ruim apenas para o meio ambiente, para os direitos humanos e para a democracia, mas também para a economia do Brasil”, diz a revista.
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O texto descreve as manobras fiscais do governo brasileiro, e começa lembrando que o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ao Congresso em, 2019 que ele faria história ao manter o orçamento sob controle e que a classe política não deveria ficar atrás de ministros para implorar dinheiro.
“Agora, Guedes apoia uma tentativa dissimulada do governo de contornar o limite constitucional para os gastos públicos estabelecido em 2016 (o teto de gastos), que foi um passo crucial para endireitar as finanças do país”, diz a revista.
A “Economist” lembra que durante a campanha Guedes prometeu reformas radicais para diminuir o tamanho do Estado, que a revista classifica como inchado.
O texto afirma que Guedes e Bolsonaro vão fazer o Brasil voltar à “incontinência fiscal” e que o país enfrenta inflação, altas taxas de juros e baixo crescimento.
“As travessuras orçamentárias aumentaram a incerteza sobre o futuro do programa social modelo do país (o Bolsa Família)”, diz a “Economist”.
O texto afirma que Bolsonaro se aliou ao Centrão, que é classificado como uma coalizão de legisladores conservadores para abrir dois buracos no orçamento: um para financiar o Auxílio Brasil e outro para “causas que não valem tanto”, incluindo cerca de R$ 18 bilhões para financiar emendas opacas do orçamento que iriam garantir contratos caros para legisladores em retorno pelo apoio deles a Bolsonaro”.
A “Economist” informa os leitores dela que quatro assessores de Guedes já pediram demissão.
“O objetivo do teto de gastos era travar o aumento de gastos públicos para satisfazer os aliados, que não são redistributivos e nem eficientes para superar os gargalos que atrapalham o crescimento”, diz a revista.
Fonte: G1 Mundo