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Liga dos Campeões, Fórmula 1 e Eurovision: o que são sanções colaterais e como elas afetam a Rússia


Efeitos colaterais incluem cancelamento de eventos e boicotes a companhias russas, entre outras medidas adotadas por indivíduos, empresas ou associações. Além das sanções oficiais, impostas por países como Estados Unidos e França, a Rússia também enfrenta sanções colaterais desde que iniciou a invasão à Ucrânia, na quinta-feira (24).
A mudança da final da Liga dos Campeões, que deveria ocorrer em maio em São Petersburgo, por exemplo, é um desses efeitos colaterais. Diante dos ataques russos à Ucrânia, o comitê executivo da Uefa decidiu transferir o jogo para a França.
Os efeitos colaterais incluem o cancelamento de eventos e boicotes a companhias russas, entre outras medidas adotadas por indivíduos, empresas ou associações, sem relação direta com as sanções oficiais.
Há ainda as sanções oficiais tomadas por chefes de Estado ou de blocos econômicos, como a União Europeia, que podem incluir bloqueios comerciais, suspensão de vistos, restrições do espaço aéreo, entre outras medidas.
Veja abaixo as principais sanções colaterais sofridas pela Rússia:
Final da Liga dos Campeões
Taça da Liga dos Campeões 2021/22
AFP
Nesta sexta-feira (25), a Uefa decidiu mudar a sede da final da Liga dos Campeões nesta temporada. O jogo não vai mais ocorrer no Estádio Krestovsky, em São Petersburgo, no dia 28 de maio, como estava previsto. A motivação da mudança, segundo o comitê executivo da Uefa, é a invasão da Rússia à Ucrânia. A final foi transferida para o Stade de France, em Paris, na mesma data.
“Junto com o governo francês, a Uefa vai dar suporte a vários envolvidos para garantir o resgate de jogadores de futebol e suas famílias na Ucrânia, que enfrentam terríveis sofrimentos humanos, destruição e deslocamento”, disse a Uefa, em nota.
Também ficou decidido, na reunião desta sexta-feira da entidade, que clubes da Rússia e da Ucrânia, assim como as duas seleções, em competições do continente europeu, terão de mandar seus jogos em estádios neutros, “até segunda ordem”.
Repescagem da Copa do Mundo
As federações de futebol da Polônia, Suécia e República Tcheca, envolvidas na fase de repescagem das Eliminatórias Europeias para Copa do Mundo, anunciaram nesta quinta-feira (24) que se recusam a jogar em território russo.
As três equipes têm chances de jogar contra a Rússia nos próximos dias. Os jogos decisivos estão marcados para 24 (semifinal) e 29 (repescagem final) de março deste ano. A Polônia tem jogo semifinal marcado em Moscou contra a Rússia. O vencedor da semi entre Suécia e República Tcheca enfrenta os russos, caso estes cheguem à final.
Apesar disso, a Fifa não publicou nenhum tipo de sanção à Rússia, e não há definição a respeito desses jogos: a entidade diz que está monitorando a situação e que novas atualizações serão divulgadas oportunamente. Em nota, a entidade procurou expressar esperança por um rápido cessar-fogo.
“A Fifa condena o uso da força pela Rússia na Ucrânia e qualquer tipo de violência para resolver conflitos. Violência nunca é uma solução, e a Fifa pede para todos os envolvidos restabelecerem a paz através do diálogo construtivo”, disse a Fifa, em nota.
Eurovision
Banda Maneskin, da Itália, vence o Eurovision 2021, organizado neste sábado (22) em Roterdã (Holanda)
Peter Dejong/AP Photo
Mais popular competição de música do continente europeu, o Eurovision anunciou nesta sexta-feira (25) o banimento da Rússia na edição de 2022 do concurso. Na competição, cada país apresenta uma música inédita, interpretada por um artista que deve se apresentar ao vivo. Depois das seletivas, um país é escolhido campeão por voto popular.
A exclusão da Rússia neste ano ocorreu após o programa ser alvo de diversas críticas nas redes sociais por manter o país no páreo. Representantes de Estônia e Finlândia, por exemplo, disseram que se retirariam do concurso caso a Rússia permanecesse na disputa. No começo da semana, a organização chegou a dizer que o país poderia participar porque o Eurovision é um “evento cultural, não político”.
Agora, a organização admitiu, em nota, a exclusão da candidatura russa.
“A decisão reflete a preocupação de que, à luz da crise sem precedentes na Ucrânia, a inclusão de uma entrada russa no concurso deste ano traria descrédito à competição”, disse, em nota oficial.
Neste ano, o festival vai acontecer em Turim, na Itália, entre os dias 10 e 14 de maio.
Fórmula 1
O piloto finlandês da Mercedes, Valtteri Bottas, durante o GP da Rússia de Fórmula 1, em Sochi, em 2020
Maxim Shemetov/Pool via AP
A invasão russa também pode motivar mudanças no calendário da Fórmula 1. A cidade de Sochi, que abriga o GP da Rússia, marcado para 25 de setembro, pode não receber a competição neste ano.
Em nota publicada nesta sexta, a Fórmula 1 disse que é “impossível realizar o GP da Rússia nas atuais circunstâncias”. O texto, no entanto, não é claro sobre o cancelamento da prova, e não informa se a etapa vai ser transferida para outro país.
“O Campeonato Mundial da Fórmula 1 visita países ao redor de todo o mundo com uma visão positiva de unir pessoas e unificar nações. Estamos observando os acontecimentos na Ucrânia com tristeza e choque, e esperamos por uma resolução sadia e pacífica para a situação atual. Na quinta-feira de tarde a Fórmula 1, a FIA e as equipes discutiram a posição do nosso esporte e a conclusão foi que, incluindo a visão de todas as partes interessadas, será impossível realizar o GP da Rússia nas atuais circunstâncias”, diz o comunicado.

Fonte: G1 Mundo