Enquanto os russos defendem ser uma operação especial, os ucranianos condenam o ataque e o chamam de genocídio. Assembleia Geral da ONU sobre invasão da Ucrânia
Reuters/Carlo Allegri
A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou, nesta quarta-feira (2), por ampla maioria uma resolução contra a invasão russa da Ucrânia após três dias de discursos de mais de cem países.
Durante as falas foi possível ver a forma como cada país enxerga os acontecimentos no leste europeu. Enquanto a Ucrânia denuncia a ação militar como um genocídio, os russos chamam a atitude de operação especial.
Posição da Ucrânia: ‘genocídio’
O embaixador da Ucrânia na ONU, Sergei Kislitsia, denunciou nesta quarta-feira um “genocídio” em andamento em seu país, perpetrado pela Rússia, durante o discurso na tribuna da Assembleia Geral.
‘A votação é uma mensagem poderosa para a Federação Russa’, diz embaixador da Ucrânia na ONU
“É fácil assinar a Carta das Nações Unidas em tempos de paz. Venha assiná-la em tempos de guerra” após a esperada votação da Assembleia Geral, lançou, brandindo o pequeno livreto azul, na intenção dos 193 países membros da Organização presentes ao seu discurso, pontuado por fortes aplausos.
Kislitsia ainda comparou o presidente russo Vladimir Putin com Hitler. Falando na ONU, ele disse que a invasão russa da Ucrânia tem como objetivo “privar a Ucrânia do próprio direito de existir”.
“Eles vieram para resolver a questão ucraniana”, Kislitsia. “Há mais de 80 anos, outro ditador tentou resolver a questão de outro povo. Ele falhou, e foi o mundo que respondeu de forma resoluta e unida.”
Posição da Rússia: ‘operação militar especial’
O representante russo na Assembleia Geral da ONU, Vassily Nebenzia, apresentou outra visão sobre o conflito armado.
Vassily Nebenzia, embaixador da Rússia na ONU, em foto de 27 de fevereiro de 2022
David ‘Dee’ Delgado/Reuters
Para ele, as ações russas estão sendo distorcidas, uma vez que a mídia estaria divulgando informações falsas.
“O objetivo da operação militar especial é proteger as pessoas em Luhansk e Donetsk, duas regiões do leste da Ucrânia, que por oito anos foram submetidas a tormentos e genocídios pelo regime de Kiev”, disse ele durante o discurso.
“Para esse fim, é necessário desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia”, completou ele.
Posição da Assembleia da ONU
Durante a votação, que aconteceu nesta terça,141 países votaram a favor da condenação ao ataque russo, 5 países foram contra e 35 se abstiveram de votar.
Votação da ONU sobre a invasão russa da Ucrânia em 2 de março de 2022
Reprodução/ONU
O Brasil se alinhou à ampla maioria e também votou a favor. Os países que votaram contra foram Rússia, Belarus, Síria, Coreia do Norte e Eritreia. A China se absteve.
O texto “deplora nos mais fortes termos a agressão da Rússia contra a Ucrânia”. Ela é não vinculante, o que significa que, a partir dela, os países não são obrigados a fazer nada. Sua importância, portanto, é política: mostra como a maioria dos países vê a invasão promovida por Moscou.
Fonte: G1 Mundo