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Bancos passam a aceitar boletos vencidos acima de R$ 400

São Paulo

Consumidores com boletos vencidos acima de R$ 400 podem realizar o pagamento em qualquer banco. Esta segunda-feira (27) é o primeiro dia útil em que o processo vai funcionar em toda a rede bancária do país para esses valores.

Desde março, a mesma regra já vale para boletos vencidos acima de R$ 800.

A mudança faz parte de um calendário organizado entre a Febraban (Federação Nacional dos Bancos) com instituições financeiras.

O objetivo é implementar aos poucos um novo sistema chamado de Nova Plataforma de Cobrança.
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Banco

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Justiça descobre dois apartamentos atribuídos à mulher de Cabral no Rio

Rio de Janeiro

Um ano e meio após determinar a indisponibilidade dos bens da advogada Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), a Justiça bloqueou em abril deste ano dois imóveis de propriedade da ex-primeira-dama do Rio de Janeiro.

Os dois apartamentos num prédio em Ipanema (zona sul), avaliados em R$ 6,3 milhões, não estão em nome de Ancelmo no registro de imóveis. Os documentos do cartório mostram até hoje como proprietário a Cyrela, responsável pela construção do edifício Wave Ipanema, concluído em 2014.

Os imóveis só foram bloqueados em abril após o condomínio apontar uma dívida de cerca de R$ 100 mil, indicando como real proprietária a ex-primeira-dama do Rio.
Ancelmo adquiriu os apartamentos em 2012 e 2014, ambos antes da conclusão da obra. Embora não fossem de conhecimento da Justiça, ela os declarou em seu Imposto de Renda, constam no relatório produzido pela Receita Federal e juntado na ação penal contra a advogada.

As duas transações com a Cyrela foram oficializadas em escrituras públicas, mas nunca comunicadas ao registro de imóveis.

Ao determinar o bloqueio de bens, é a esses cartórios que a Justiça Federal envia ofício a fim de impedir a venda do patrimônio em nome de investigados. Como eles não estavam em nome da ex-primeira-dama, a indisponibilidade não havia sido imposta até abril deste ano.

Ancelmo teve os bens bloqueados em janeiro de 2017, um mês após ser presa em razão dos desdobramentos da Operação Calicute, que prendeu seu marido, Sérgio Cabral (MDB), em novembro de 2016.

Ela já foi condenada em quatro ações penais pelo juiz federal Marcelo Bretas a, no total, 41 anos e cinco meses de prisão.

As investigações apontam que Cabral usou o escritório de advocacia da mulher para lavar dinheiro de propina. Ela também foi condenada por branquear at

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Governo pede propostas de longo prazo zerar emissões líquidas de gases

O Fórum Brasileiro de Mudança do Clima (FBMC) deverá apresentar, até novembro, uma proposta com medidas a serem tomadas para que o país consiga zerar as emissões líquidas de gases até 2060. O pedido de elaboração da proposta foi feito pelo governo federal no dia 10 deste mês, em ofício assinado pelo presidente Michel Temer. O documento estabelece prazo de 120 dias.

“As mudanças climática impactam a todos e, em particular, as futuras gerações. A preocupação é de toda a sociedade. E, pela primeira vez, o governo brasileiro indica um posicionamento em relação a uma estratégia de longo prazo”, disse o coordenador executivo do fórum, Alfredo Sirkis.

Segundo Sirkis, para zerar as emissões líquidas, é preciso garantir que, a cada ano, todo o gás emitido será compensado pelo que for absorvido. Ele disse que diversos países estão discutindo medidas para alcançar esse cenário e que alguns estão estabelecendo como limite uma data mais próxima, como 2050 e 2030.

Acordo de Paris

No ofício encaminhado ao Fórum, o presidente Temer destaca que “vários países já definiram estratégias de longo prazo” e pede que a proposta brasileira seja “baseada em estudos e debates entre os diversos setores da sociedade civil, do terceiro setor e da academia”.

O Brasil já assumiu alguns compromissos no âmbito do Acordo de Paris, no qual a redução da emissão de gases foi pactuada pelos países signatários. Esses países concordaram com a meta de manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais”. O acordo prevê ainda que os signatários se empenhem em limitar o crescimento dessa temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e que cada país entregasse a chamada Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), com medidas a serem tomadas.

O documento brasileiro foi entregue em setembro de 2015 e estabelece o compromisso do país de chegar em 2025 com níveis de emissão de gases de efeito estufa 37% abaixo do verificado em 2005. Em 2030, o percentual deverá ser de 43%. Para atingir essas metas, o Brasil deverá garantir que sua matriz energética seja composta por 18% de bioenergia sustentável e 45% de energias renováveis. Outro compromisso é o de restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas.

Parceria

“Mesmo se as NDCs de todos os países forem religiosamente cumpridas até 2030, do que não há a menor garantia, nós estaríamos ainda assim em uma trajetória de aumento de 3°C no final do século.’ Para Sirkis, trata-se de um crescimento “catastrófico”. Ele ressaltou que as NDCs não podem ser um ponto final de chegada, mas um marco para 2030, e que os países precisam de ir além disso. “Daí a importância da estratégia de longo prazo. O que nós vamos apresentar em novembro será apenas um primeiro esboço em relação a essa estratégia, porque trata-se de uma questão da maior complexidade. Não sabemos como será o mundo em 2060”, enfatizou.

Sirkis informou que existem diversos estudos que vão subsidiar a proposta. Em parceria com o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), o Fórum desenvolve o projeto IES Brasil 2030, focado na identificação das implicações econômicas e sociais decorrentes da emissão dos gases de efeito estufa. Tal pesquisa também serviu de base para a elaboração de uma proposta inicial de implementação da NDC, publicada em maio deste ano.

Fórum

O Fórum Brasileiro de Mudança do Clima foi criado em 2000, com o objetivo de conscientizar e mobilizar a sociedade para a discussão e tomada de posição sobre os problemas decorrentes da mudança do clima. Posteriormente, passou a integrar a Política Nacional de Mudanças Climáticas, instituída pela Lei Federal 12.187/2009. Atualmente, o Fórum é responsável pela produção de orientações estratégicas que permitam ao país lidar com as questões climáticas.

Dividido em nove câmaras temáticas, o Fórum é composto tanto por integrantes do governo como por pessoas da sociedade civil com notório conhecimento sobre o assunto, nomeadas pelo presidente da República. A composição deve garantir a

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Migração venezuelana gera tensão e muda perfil da pacata Pacaraima

Uma cidade pacata e de migrantes. É assim que muitos classificam Pacaraima, pequeno município do norte de Roraima, que se tornou nos últimos dias palco de tensão e conflito em torno da questão migratória. O pequeno município tem chamado a atenção para sérios problemas causados pelo abandono social e pela intolerância de alguns contra imigrantes venezuelanos.

A cidade ganhou visibilidade nacional e internacional quando começou a receber levas de venezuelanos fugindo da fome, da insegurança e das doenças causadas pela grave crise político- econômica que aflige o país de origem. O conflito ocorrido há uma semana retomou as atenções de todo o mundo para a cidade.

Não é a primeira vez que Pacaraima se torna o epicentro de uma tensão. Por estar situada inteiramente em área indígena (Reserva São Marcos), Pacaraima é o único município do Brasil que não tem seu perímetro urbano regularizado, característica que também atraiu para a cidade alguns contratempos.

Entre 2005 e 2009, o entorno de Pacaraima foi palco de protestos organizados por arrozeiros e outros moradores da região contrários à demarcação contínua da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, que alcança a área leste do município. A demarcação estabeleceu que os fazendeiros e não índios deixem as terras indígenas, determinação que gerou conflitos na área.

Muitos fazendeiros foram para outros estados, mas o assunto ainda divide opiniões no município, inclusive entre lideranças indígenas. A solução para delimitar a área do município e desmembrá-la das reservas indígenas ainda é acordada entre a prefeitura, integrantes do governo federal e representantes dos índios.

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Contra sarampo, SP irá buscar crianças não vacinadas casa por casa

Diante da dificuldade de atingir metas de vacinação, agentes de saúde irão fazer busca casa por casa de crianças não imunizadas contra o sarampo e a poliomielite na cidade de São Paulo.

A ação faz parte de uma série de medidas planejadas pela prefeitura, às quais a Folha teve acesso, que incluem ainda a vacinação em escolas municipais, a instalação de um posto volante de imunização na avenida Paulista e a realização de um novo Dia D neste sábado, com todas as unidades básicas de saúde abertas para isso.

As iniciativas são voltadas apenas às crianças de 1 a 5 anos, alvos da atual campanha nacional contra as duas doenças, que vai até o dia 31 de agosto.

A meta de vacinação é de 95% desse público, mas só foram imunizadas contra as duas doenças 59% das crianças dessa faixa etária na capital paulista.

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INSS diz que vai recorrer de adicional de 25% para aposentado com cuidador

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) afirmou nesta quinta-feira (23) que vai recorrer da decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de conceder acréscimo de 25% no benefício mensal pago pela Previdência Social a todos os aposentados que precisam de auxílio permanente de cuidadores.

O órgão informou que aguarda a publicação da decisão para análise do julgamento e, principalmente, para interposição dos recursos cabíveis.

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A decisão foi tomada na véspera, por cinco votos a quatro, pela Primeira Seção do STJ. Antes da decisão, o acréscimo era garantido somente para aposentados por invalidez que precisavam pagar um cuidador, conforme está previsto na Lei de Benefícios Previdenciários, norma que específica os benefícios aos quais os segurados têm direito.

Segundo o entendimento do STJ, o adicional será pago mesmo nos casos em que o aposentado recebe o teto do INSS, definido em R$ 5.645,80 para 2018.

A decisão da Corte deve servir de base para outros processos que estão em tramitação na Justiça Federal em todo o país.

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STF marca para 28/8 julgamento em que Bolsonaro pode virar réu por racismo

O julgamento da denúncia por racismo contra o deputado Jair Bolsonaro (PSL) no STF (Supremo Tribunal Federal) foi agendado para a próxima terça-feira (28), atendendo a pedido do próprio candidato à Presidência da República. A pauta entrou no calendário da 1ª Turma da Corte no início da noite desta quinta-feira (23).

O ministro Marco Aurélio Mello, relator da ação no tribunal, já havia acatado demanda de Bolsonaro e proposto que o julgamento do deputado federal fosse antecipado do dia 4 de setembro para o dia 28. Cabe ao ministro Alexandre de Moraes, presidente da Turma, pautar o calendário de julgamentos.

Além de Moraes e Marco Aurélio, compõem a 1ª Turma Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux. Os cinco ministros vão decidir se aceitam a denúncia oferecida pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e abrem um processo penal contra Bolsonaro, o que o transformaria em réu.

Bolsonaro foi denunciado em abril ao STF sob a acusação da prática de racismo contra quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).

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A denúncia da PGR refere-se à palestra realizada por Bolsonaro em abril de 2017 no Clube Hebraica do Rio de Janeiro. Segundo a Procuradoria, o deputado teria usado expressões de cunho discriminatório, incitando o ódio e atingindo diretamente vários grupos sociais.

Na ocasião, durante palestra, Bolsonaro disse que “afrodescendentes” quilombolas “não fazem nada e nem para procriador (sic) eles servem mais” e que as reservas indígenas e quilombos atrapalham a economia do país.

A denúncia cita frases proferidas por Bolsonaro durante o evento de 2017, como essa sobre os quilombolas: “Isso aqui é só reserva indígena, tá faltando quilombolas, que é outra brincadeira. Eu fui em um quilombola [sic] em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador eles servem mais. Mais de um bilhão de reais por ano gastado com eles.”
Outro lado

Em defesa prévia apresentada ao STF, os advogados de Bolsonaro dizem que o discurso no Clube Hebraica faz parte da atuação parlamentar do deputado e não pode ser criminalizado. A defesa de Bolsonaro diz que suas falas buscaram criticar as políticas de demarcação de terras.

“O contexto das falas apontadas como ofensivas aos povos indígenas e quilombolas, pois, era o de uma crítica ampla e genérica à política de demarcação de terras e os impedimentos que podem trazer à geração de riqueza e emprego”, diz o documento.

Para a defesa de Bolsonaro, o tom do discurso é justificado pelo estilo retórico do deputado.

“O uso da unidade de medida ‘arroba’ para se referir ao peso dos quilombolas, cumpre esclarecer, não foi feito para desumanizá-los ou equipará-los a animais, como sugeriram os representantes [a PGR], mas apenas e tão somente como uma hipérbole, a fim de enfatizar o discurso”, diz a manifestação ao STF assinada pelos advogados e pelo próprio deputado.
Candidato já é réu

Bolsonaro é réu em outro processo no STF no qual foi acusado de incitação ao crime de estupro. Essa denúncia foi motivada por declarações de Bolsonaro no plenário da Câmara e também durante entrevistas afirmando que só não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra de Direitos Humanos, porque ela “não merecia”.

Pelo mesmo episódio, o STF também abriu uma ação penal por injúria contra Bolsonaro, a partir de uma queixa-crime apresentada pela deputada.

Esses processos são relatados pelo ministro Luiz Fux e também serão julgados pela 1ª Turma do STF.

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PT convida e PSB deve ocupar coordenação da campanha de Lula/Haddad

São Paulo

Consumado o acordo que levou o PSB à neutralidade nas eleições, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), convidou o partido a integrar a coordenação geral da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência.

Apesar de uma tendência favorável à oferta, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, informou que ainda consultará outros integrantes do partido sobre a proposta antes da decisão.

“Fomos convidados para indicar um representante do PSB na coordenação da campanha do PT. Vamos decidir até o final do dia de amanhã [sexta-feira, 24]”, afirmou Siqueira.
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Mesmo preso, Lula é oficializado como candidato à PresiO desempenho eleitoral de Lula —que chegou a 39% no último Datafolha— tem atraído aliados de diferentes partidos, inclusive os apoiadores do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

No embalo das pesquisas e disposto a dar capilaridade à campanha, o PT montará comitês eleitorais em todas as capitais brasileiras, reativando uma rede criada em 2002.

A coordenação de cada comitê contará com um representante do PT, do PC do B e do PROS, partidos que formalmente integram a coligação petista. Um dos responsáveis por essa estrutura, o secretário-geral do PT, Romênio Pereira, explica que a composição dependerá do cenário em cada Estado e admite presença de partidos que apoiaram o impeachment, chamado de golpe pelo PT.

Romênio cita como exemplos o Estado de Alagoas, onde o partido é aliado ao MDB. Lá, o MDB deverá integrar o comitê. Estado de Roraima, o PTB deverá ser incorporado à campanha petista. No Piauí, o PP será convidado a participar. Esse também é o caso do PSB de Sergipe e do Amapá.

“A pessoa que quiser se incorporar ao projeto é bem-vinda. A bacia é grande”, diz Romênio.

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De ida a debates a saída da ONU, Jair Bolsonaro coleciona série de recuos

Brasília e Araçatuba

Com uma semana de campanha nas ruas, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) aumentou sua lista de idas e vindas. Confrontado com o repúdio de setores estratégicos da opinião pública e do meio político, o capitão reformado do Exército bateu em retirada em diversão declarações.

O mais recente recuo foi sobre sua participação em debates de TV. Inicialmente, ele havia prometido ir a todos, já que conta com apenas oito segundos para propaganda eleitoral gratuita na televisão.
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Este é Jair Bolsonaro (PSL)
Minha Folha

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Na quarta-feira (22), o presidente do PSL e braço direito do candidato, Gustavo Bebianno, afirmou que a campanha estava reavaliando a participação do deputado.

“Ele está de saco cheio desses debates inócuos, que não levam a nada. Não sabemos se ele vai aos outros. Tem 40%, 50% de chance de não ir.”

Ao UOL, Bebiano foi mais enfático, descartando a participação em todos os debates televisivos.

Já na quinta (23), em agenda de campanha em Araçatuba (SP), Bolsonaro disse que “a princípio” vai participar dos próximos debates, mas fez críticas ao formato dos programas. “Aqui, eu consegui te dar uma resposta de três minutos, razoável. Lá eu tenho 45 segundos para responder a mesma pergunta.”

Filho do presidenciável, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse à reportagem que o pai vai participar de todos os debates “de grande audiência”.

A mudança ocorre depois de um embate entre Bolsonaro e sua adversária da Rede, Marina Silva, no último debate, promovido pela RedeTV!.

Ele foi confrontando pela candidata por seus posicionamentos em relação aos direitos das mulheres e sobre a defesa de armas. Internamente, a campanha avalia que a discussão com uma mulher foi negativa para o deputado federal, que enfrenta forte resistência no eleitorado feminino por seus posicionamentos considerados misóginos.

Pesquisa Datafolha publicada nesta semana mostrou que a rejeição das mulheres ao nome de Bolsonaro cresceu nove pontos percentuais desde junho, de 34% para 43%, o que leva o candidato ao topo dos que não seriam votados “de jeito nenhum” pelo eleitorado feminino.

As mulheres representam 52% dos eleitores brasileiros.

Também nesta semana, o capitão reformado do Exército mudou de ideia sobre declaração dada no último sábado (18), de que o Brasil sairia da ONU caso seja eleito.

À Folha, ele disse ter cometido um ato falho e que se referia, na verdade, ao comitê de Direitos Humanos da ONU, que fez recentemente recomendação favorável à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre promessas não cumpridas estão ainda a de divulgação dos nomes dos futuros ministros de um eventual governo Bolsonaro.

Ele afirmou que anunciaria a lista de seus auxiliares antes mesmo do início da campanha. Voltou atrás e disse que todos que declaram apoio a ele são alvos de perseguição.

Em outro recuo, provocado pela reação à proposta, Bolsonaro reviu ainda a ideia de ampliar de 11 para 21 o número de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), medida que foi vista pelo meio jurídico como autoritária —ação do tipo foi colocada em prática pelo governo Castelo Branco, o primeiro da ditadura militar.

Durante as negociações dele com a advogada Janaína Paschoal para ser sua vice, ele mudou de ideia e disse que manteria o tribunal como está hoje.

O capitão reformado também gerou controvérsia entre seus eleitores após ter afirmado à Folha que “não compete ao outro lado”, o do homem, dizer se a mulher deve ou não interromper uma gravidez. Na entrevista, ele disse ainda que é contra o aborto e que a prisão da mulher que aborta compete ao Judiciário.

Depois de a reportagem ter sido publicada, Bolsonaro disse que a frase publicada era mentirosa: “Nunca falei isso! Mais uma covardia dessa imprensa suja”.

A própria escolha de seu vice, o general da reserva do Exército Hamilton Mourão, se deu depois de uma de idas e vindas.

Dias antes do prazo final, Bolsonaro disse que estava entre Janaína e o príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança, mas anunciou de última hora o nome do PRTB.
Candidato diz que filhos atiraram com balas a partir dos 5

Em visita a sua cidade natal, Glicério (SP), o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta quinta (23) que todos os seus filhos atiraram com munição de verdade a partir dos cinco anos de idade.

A prática é proibida por lei e o responsável pode ser punido com três a seis anos de prisão. O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) estabelece como crime “vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, arma, munição ou explosivo”.

Bolsonaro disse que “nós não podemos criar uma geração de covardes”. “A arma é inerente à defesa da sua vida e à liberdade de um país. Meus filhos todos atiraram com cinco anos de idade, real, não é de ficção nem de espoleta não, tá ok?”, declarou, em resposta a um jornalista.

Em giro pelo interior de São Paulo, o candidato foi recebido em Araçatuba por uma multidão de simpatizante, participou de uma carreata e discursou para o público em um caminhão de som.

À imprensa Bolsonaro disse que encoraja o ensino do uso de armas pelos pais e se irritou ao ser questionado sobre o tema. “Esse ECA tem que ser rasgado e jogado na latrina”, declarou. “Tem que diminuir [a maioridade penal] para 14 anos e, se não for possível, para 16 ou 17 anos.”

Sobre o fato de a prática ser proibida Bolsonaro disse defender “que o pai ensine ao filho o que é uma arma de fogo e para que serve”. Um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), interveio dizendo que tinha cinco anos de idade em 1989, e que o ECA foi aprovado no ano seguinte.

O presidenciável disse ainda que “não podemos ter uma geração de covardes, de ovelhas morrendo nas mãos de bandidos sem reagir”.

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Mortes em operação militar indicam “guinada preocupante” de interventores, dizem especialistas

Ao menos sete mortes em operações das Forças Armadas e das polícias nos complexos do Alemão, Penha e Maré e outras seis mortes em confronto entre PMs e suspeitos em um acesso à ponte Rio-Niterói marcaram a segunda-feira (20) do Rio de Janeiro. Entre as vítimas, dois militares do Exército –os primeiros assassinados desde o início da intervenção federal na segurança do estado em fevereiro. Especialistas em segurança criticaram o que chamam de estratégia de enfrentamento direto com o crime organizado adotada pelas forças de segurança. Para eles, caso isso seja mantido, há risco real de mais mortes violentas de moradores e agentes do estado.

O Exército, no entanto, nega a existência de uma estratégia de enfrentamento. “Quem busca o confronto são os bandidos”, diz o porta-voz do CML (Comando Militar do Leste), coronel Carlos Frederico Cinelli.

Os principais especialistas em segurança pública do país participam nesta terça-feira (21) em Brasília do 12º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ao UOL, dois integrantes do fórum, um ex-comandante da PM fluminense e uma socióloga que vive no Rio disseram ver com preocupação possível “precedente” a partir das ações militares de ontem, quando ao menos sete pessoas morreram.

A socióloga Silvia Ramos, do Cesec (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania) da Universidade Cândido Mendes e do Observatório da Intervenção, diz que “durante as 380 operações que nós monitoramos, as Forças Armadas estavam com uma preocupação precisa de que os soldados do Exército não deveriam entrar em confronto direto. Então, não havia baixas, nem de um lado, nem de outro. Ontem, foi uma guinada preocupante”, avaliou.

“Essa mudança de estratégia nos preocupa. Pode ser um precedente muito grave não só no Rio de Janeiro, mas em outros lugares do Brasil. Essas mortes significam o retrato mais brutal e cruel do resultado de um desastre de mudança de estratégia. Essa mudança de estratégia é um desastre”, finalizou.

O coronel da reserva da PM Ibis Pereira, que comandou a corporação fluminense por dois meses, afirmou que operações como as de ontem representam “risco para militares, policiais e população. É uma estratégia absolutamente equivocada. Ao invés de focarmos no varejo, temos de focar nos grandes traficantes”, disse.

Para o Ibis, o aumento das mortes violentas são resultado do que chamou de política de guerra às drogas.

“O enfrentamento ao problema das drogas não passa por operações militares ou policiais dentro de favela. Há 40 anos é feito isso no Rio de Janeiro e não adiantou nada. A gente tem feito da guerra o enfrentamento às drogas. Com fracasso absoluto. É óbvio que vai ter mais mortes”, disse.

O ex-comandante da PM defendeu que o êxito no combate ao tráfico está relacionado a investigação criminal. “Nós prendemos recentemente 60 fuzis. A maior apreensão da história do Rio. E não foi dentro de favela. Na sequência, nós prendemos a pessoa que trazia as armas ao Rio. As grandes apreensões de drogas também são fora da favela”, complementou.

A diretora do fórum, a pesquisadora Samira Bueno, compartilha de opinião semelhante. “Quando o próprio Exército passa a liderar esse tipo de operação, a tendência é que o resultado seja ainda pior. Se a gente for pensar em termos de doutrina, e para quê o Exército é formado, e pra quê ele serve dentro do contexto nacional, ele não é uma força treinada para fazer política de segurança. Não é uma força treinada para estar em território, lidando com a comunidade”, avaliou.

Ela admite que os territórios em que o Exército faz operações são dominados por facções criminosas, mas chama a atenção para o fato de que há moradores que não têm nada a ver com o crime. “Vão, sim, morrer mais. Não só suspeitos, mas também inocentes e os profissionais: membros do Exército e policiais. E o que isso resolve? Qual o balanço?”, questionou.

Para o presidente do fórum, Renato Sérgio de Lima, “a opção do comando da intervenção de, após seis meses de pífios resultados públicos, dobrar a sua aposta no confronto bélico e violento como receita para o drama da segurança pública no Rio de Janeiro, é a prova de que o Brasil perdeu completamente o controle e o respeito por si próprio e por princípios básicos de dignidade, cidadania e respeito”.

Já o coronel Cinelli defende que os agentes de estado reagem à violência de criminosos –que, por sua vez, colocam em risco a população.

“Não existe estratégia de confronto. O confronto lamentavelmente acontece porque os membros das forças de segurança, ao exercerem a sua tarefa de coibir e prevenir ilícitos, são frequentemente recebidos por criminosos irracionais armados com fuzis, uniformes camuflados e coletes, que optam, ao invés da rendição, pelo ataque aos agentes da lei, disparando a esmo, e colocando em risco a integridade física da população”, disse ele.