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Centrais sindicais descartam greve geral nesta semana 33

A CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a UGT (União Geral dos Trabalhadores) descartam a possibilidade de realização de uma greve geral no país nesta semana. “A ideia não é agravar com mais ingredientes de paralisação. A UGT não vai participar de greve geral. Não é caminho, não. Queremos ser protagonistas de uma solução”, afirmou o presidente Ricardo Patah.

Ele espera participar de um encontro com o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, nesta semana para ajudar a negociar uma solução para o movimento dos caminhoneiros.

Em boatos que circulam no WhatsApp e nas redes sociais, a greve de 72 horas que os petroleiros realizarão a partir de quarta-feira (30) foi lida como uma convocatória para uma suposta paralisação geral. A CUT, central à qual a FUP (Federação Única dos Petroleiros) é filiada, lembra, porém, que os petroleiros vêm fazendo atos de protesto desde abril, que a greve já estava planejada e não teria ligação com a paralisação dos caminhoneiros.

A FUP convocou para esta segunda-feira (28) um dia de mobilização em todas as unidades da Petrobras no país. A ideia é que os petroleiros não assumam seus postos no turno da manhã, informou o coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel. De acordo com ele, mobilizações do tipo já foram feitas neste domingo (27) em seis refinarias e duas fábricas de fertilizantes.

Segundo o líder sindical, essas mobilizações funcionam como um “esquenta” da paralisação que começará na quarta. A federação reivindica a demissão do presidente da companhia, Pedro Parente, a redução dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha, a manutenção de empregos e retomada da produção interna de combustíveis, o fim da importação de derivados de petróleo e a desmobilização do programa de venda de ativos promovido pela atual gestão da estatal.

A paralisação dos caminhoneiros entrará no oitavo dia nesta segunda-feira (28).

Na cidade de São Paulo, está prevista para esta segunda uma paralisação de motoristas de vans escolares. A previsão dos organizadores é que mil veículos participem do protesto. (Com Estadão Conteúdo)

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Caminhoneiros voltam ao Planalto com pauta mais extensa e cobram promessas no papel

Brasília

Representantes de caminhoneiros autônomos que não assinaram o acordo com o governo na semana passada voltaram ao Palácio do Planalto neste domingo (27) para negociar uma pauta mais extensa e para avisar que a desmobilização só terá início quando as promessas forem publicadas no DOU (Diário Oficial da União).

“O setor vive de promessas há 19 anos, desde a greve de 1999 e, de fato, o setor nunca foi atendido como deveria. Nenhum acordo que firmarmos hoje terá validade sem antes isso se tornar público nos meios oficiais do governo”, disse Gilson Baitaca, presidente do MTG (Movimento dos Transportadores de Grãos).

“Não há desmobilização agora sem ter o que a categoria diz na rua. Estamos cansados de promessa e nenhuma efetividade. [Queremos] todos os itens da reunião de quinta-feira [24], os 10% de desconto da Petrobras [no preço do diesel, como prometido], permanecem mais a pauta que nós iremos apresentar hoje. Todos deverão estar publicados no Diário Oficial”, reforçou Carlos Alberto Dahmer, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Ijuí (RS).

Além de quererem ver no papel os 12 itens prometidos pelo Planalto na semana passada, os caminhoneiros querem que o governo zere as alíquotas de PIS e Cofins e Cide do óleo diesel, edite uma medida provisória (que tem aplicação imediata, em vez do projeto que está no Senado) para regular os preços de fretes rodoviários, volte ao preço do diesel de julho de 2017 e o congele durante 90 dias.

No acordo firmado na quinta-feira (24), o governo federal se comprometeu em reservar 30% do frete da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para os caminhoneiros. No ano passado, a estatal gastou R$ 107 milhões com o frete.

Os caminhoneiros também pediram ao governo a reserva de cerca de um terço do transporte da Petrobras e dos Correios. Como são empresas de capital misto, o governo não poderia fazer a reserva imediatamente, mas pode ajudar a adotar a cota, segundo os grevistas.
1 31aminhoneiros bloqueiam rodovias em semana de protesto

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Caminhoneiros mantêm pressão por redução no diesel e não encerram greve

A reunião entre o governo federal, de São Paulo e representantes dos caminhoneiros neste domingo (27) não levou ao fim da paralisação porque os grevistas consideraram insuficiente o tempo de redução nos preços do diesel oferecido. Eles queriam 60 dias e o presidente da República, Michel Temer (MDB), não se comprometeu com este prazo, defendendo os reajustes mensais. Não foi fixado um prazo para término da paralisação.

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse que o desconto no diesel até aumentaria dos anunciados 41 para 46 centavos. A proposta nem chegou a ser repassada para os caminhoneiros que já haviam deixado o Palácio dos Bandeirantes. Mas a ideia não agrada e 10% da categoria continua mobilizada no estado de São Paulo. Até ontem, eram 13 mil trabalhadores parados e hoje são 1,3 mil. Há 30 pontos de manifestação ao longo das principais rodovias que passam pelo estado.

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O governador Márcio França (PSB) disse, em entrevista após a reunião, que as outras duas reivindicações foram atendidas: não cobrar o eixo levantado e fazer o desconto nas refinarias chegar às bombas. Ocorre que o preço do combustível é a principal demanda dos grevistas.

A continuação da greve coloca pressão sobre o Congresso Nacional. Senado e Câmara Federal têm na pauta projetos que podem reduzir o preço dos combustíveis seja via redução de impostos e outro cria um preço mínimo para o frete. O governador Márcio França sugeriu que a aprovação colocaria fim aos movimentos. Ele declarou que torce para que haja um acordo entre os parlamentares e a greve se encerre nos próximos dias.

No entanto, como a paralisação persiste, o fim da cobrança do pedágio por eixo suspenso só entrará em vigor na quinta-feira (31) em São Paulo. O governo federal informou que vai editar uma medida provisória para federalizar o desconto.
França transfere continuação da greve ao governo federal

O governador afirmou que acredita estar próximo a um acordo e disse que faltou somente garantir o desconto no preço do diesel por 60 dias. “Vou tentar falar (domingo) com o presidente e saber por que não é possível 60 dias. Mas compreendo que às vezes querem fazer e não é possível.”

França também negou que sua intermediação na greve esteja desagradando o governo federal. Argumentou que todos os envolvidos nas negociações são “políticos experientes” e entendem que a manutenção da situação prejudica a todos.

As negociações continuam nos próximos dias e não há expectativa de término neste domingo. O governador chegou a dar uma declaração de apoio aos caminhoneiros, ao dizer que, na ponta do lápis, os profissionais não conseguem, hoje, ter o mínimo de lucro. “Nenhuma manifestação dura tanto tempo se não houver um fundamento muito forte”, disse.

Esta é a segunda tentativa de acordo do governo de São Paulo com os grevistas. No sábado, França anunciou uma série de medidas para tentar agradar aos caminhoneiros e encerrar a paralisação, que já está em seu sétimo dia. No entanto, as condições do governo de SP não foram aceitas e as manifestações continuaram nas rodovias do estado, principalmente na Régis Bittencourt.

Em várias cidades pelo país, aeroportos continuam sem querosene e os problemas de abastecimento de insumos persistem.
No WhatsApp, greve continua

Segundo reportagem do Estadão Conteúdo, nos grupos de WhatsApp de caminhoneiros, a ordem é manter a paralisação, pelo menos, até terça-feira (29). Por ora, a maioria concordou em liberar as estradas e continuarem estacionados em pontos estratégicos.

Mas, nas últimas postagens, lideranças dos caminhoneiros começam a organizar novas paralisações a partir de amanhã, às 8 horas. Num vídeo que está circulando nos grupos de WhatsApp, representantes chamam, além dos caminhoneiros, veículos de passeio para parar as BRs. Além disso, uma manifestação em pontos estratégicos das principais capitais também está sendo organizada.

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Justiça determina prisão, e João Cláudio Genu se entrega à polícia; ex-tesoureiro do PP está na Papuda

A juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba, determinou a prisão do ex-tesoureiro do PP João Claudio Genu. A TV Globo confirmou que ele se entregou a polícia nesta segunda-feira (21) e está no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, para cumprir a pena de 9 anos e 4 meses.

Também condenado no processo do mensalão, Genu foi condenado em outubro do ano passado pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4), responsável pelos processos da Lava Jato em segunda instância.

Inicialmente, o juiz federal Sérgio Moro havia condenado Genu a 8 anos e 8 meses de prisão por corrupção passiva e associação criminosa. O ex-assessor do PP recorreu ao TRF-4, que aumentou a pena.

Genu recorreu, novamente ao TRF-4, mas teve o pedido negado. Com isso, foi decretada a prisão dele. Desde 2016 o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que a pena pode começar a ser cumprida após condenação na segunda instância da Justiça.

Suspeitas

Ao condenar o ex-tesoureiro do PP, Sérgio Moro escreveu na sentença que “a propina paga a João Cláudio de Carvalho Genu foi de pelo menos R$ 3.120.000,00”.

A vantagem indevida, acrescentou o juiz, foi acertada em contratos da Petrobras com a diretoria de Abastecimento da Petrobras.

Crimes ‘graves’

Na decisão, a juíza Gabriela Hardt afirma: “Tratando-se de crimes de gravidade, inclusive corrupção e lavagem de dinheiro, com produto do crime não recuperado, a execução após a condenação em segundo grau impõe-se sob pena de dar causa a processos sem fim e a, na prática, impunidade de sérias condutas criminais”.

Em outro trecho da decisão, ela acrescentou que, “como se não bastasse, um dos condenados, recebeu vantagem indevida, com enriquecimento pessoal, enquanto estava sendo julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470, em afronta aquela Corte Suprema e a ilustar a necessidade de iniciar o cumprimento da pena por seu efeito dissuasório”.

Gabriela Hardt conclui a decisão informando que a defesa de Genu já apresentou recursos ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal, o que não têm efeito suspensivo, ou seja, não impede a prisão do ex-tesoureiro do PP.

Na decisão, a magistrada pede que Genu seja transferido para Curitiba.

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Com acordo em risco, Joesley pede ao STF para começar a pagar multa de R$ 110 mi 24

O empresário Joesley Batista, dono da J&F, pediu nesta segunda-feira (21) para que o STF (Supremo Tribunal Federal) indique a abertura de uma conta bancária judicial para que ele possa iniciar o pagamento dos R$ 110 milhões estipulados como multa em seu acordo de delação premiada.

Em documento enviado ao ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo, a defesa de Joesley argumenta que a abertura da conta é necessária pois se aproxima o vencimento da primeira parcela do pagamento, previsto para o próximo dia 1º de junho. O pedido ainda não foi analisado por Fachin.

“Diante do exposto, visando ao cumprimento integral do acordo de colaboração, como tem feito em relação a todas as demais obrigações assumidas, requer-se a Vossa Excelência que seja determinada a abertura de conta bancária para depósito judicial da multa acordada”, diz um trecho do documento.

O acordo de delação premiada de Joesley foi firmado no ano passado pelo então Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Uma das cláusulas prevê que 80% do valor da multa seja destinado à União e que outros 20% sejam encaminhados para ressarcimento dos cofres públicos pelo crime de lavagem de dinheiro. O pagamento pode ser realizado em, no máximo, dez anos, por meio de prestações anuais.

Em setembro do ano passado, no entanto, o próprio Janot se manifestou a favor da rescisão dos acordos de Joesley e Ricardo Saud, ex-diretor da J&F. Na semana passada, foi a vez da atual Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, reforçar um pedido feito por ela ao STF em dezembro do ano passado para que os termos da delação de Joesley e outros executivos da JBS fossem rescindidos.

Entre suas justificativas, Dodge aponta o pagamento de “vantagem indevida” a Marcelo Miller, que teria atuado por interesses da JBS nas negociações do acordo quando ainda ocupava o cargo de procurador da República.

A Procuradoria já suspendeu os acordos de colaboração, mas a rescisão depende de homologação de Fachin, que ainda não se manifestou em relação ao pedido.

Procurado pelo UOL, o advogado André Callegari, que integra a defesa de Joesley, disse que a petição foi feita ao STF apenas em razão da data do vencimento da multa. “A defesa entende que a PGR não decide sobre a rescisão, apenas se manifesta quanto a ela. A decisão cabe única e exclusivamente ao STF. A colaboração está válida por enquanto”, afirmou.

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Por aliança, MDB aceita esconder Temer durante campanha eleitoral

Com dificuldade de encontrar um nome com viabilidade eleitoral que aceite o rótulo de “candidato do governo”, o MDB discute com partidos aliados esconder o presidente Michel Temer durante a campanha presidencial.

A proposta na mesa é que o candidato apoiado pela sigla terá de pregar as reformas e iniciativas da atual gestão, mas não precisará defender diretamente o presidente ou colocá-lo em palanques eleitorais e propagandas televisivas.

Segundo relatos de amigos e aliados, o emedebista já se conscientizou que seu apoio é tóxico, ou seja, mais prejudica do que ajuda na disputa presidencial. Com governo considerado ruim ou péssimo por 70% dos brasileiros, segundo o Datafolha, Temer anunciará a sua desistência de concorrer à reeleição.

Embora insista publicamente em uma candidatura própria ou do ex-ministro Henrique Meirelles, o partido reconhece em conversas reservadas que o caminho mais natural é que apoie um nome de outra legenda da chamada —mais para organização do espectro político do que expressão ideológica— de centro-direita.

Nas conversas com partidos da base aliada, o MDB tem aceitado a possibilidade de que pré-candidatos presidenciais evitem defender ou citar o emedebista em discursos. Nas palavras de um dirigente do partido, o papel do presidente no processo eleitoral será “permanecer no Palácio do Planalto”.

A postura representa uma mudança no discurso do MDB, que antes cobrava uma defesa pessoal ao presidente dos partidos aliados que reivindicavam uma aliança com a legenda. A alteração deveu-se principalmente ao receio de um desgaste ainda maior de imagem.

A avaliação negativa do governo é um dos principais fatores para que legendas como PSDB e DEM, por exemplo, venham mantendo certo distanciamento do Palácio do Planalto.

Com o novo tom do MDB, os prováveis aliados já não se sentem mais obrigados a utilizar a imagem ou citar o nome do presidente durante a campanha presidencial, o que deve facilitar uma composição com os partidos de centro, entre eles, o PSDB.

Em negociação com o MDB, o pré-candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin, tem sentimentos dúbios sobre uma aliança com o partido do presidente.

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Um terço das crianças de 0 a 3 anos mais pobres do Brasil está fora da creche por falta de vaga, diz IBGE

Existe uma correlação entre a renda das famílias e a oferta de vagas em creches no Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) divulgados nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre as crianças de 0 a 3 anos que pertencem aos 20% com a renda domiciliar per capita mais baixa do país, 33,9% estão fora da escola porque não existe vaga ou creche perto delas. Já entre no grupo de 20% com a renda mais alta, esse problema só atinge 6,9% das crianças.

De acordo com Marina Aguas, coordenadora da pesquisa, existe “uma associação muito forte” entre a renda e a escolaridade da população que começa inclusive na idade pré-escolar.

“É uma associação de mão dupla: você não sabe se a renda explica o acesso à escola, ou se o acesso à escola explica a renda”, explicou ela, em entrevista ao G1.

Marina diz que os dados oferecem detalhes sobre a demanda e a oferta do serviço e podem servir de base para o desenho de políticas públicas adequadas. Ela ressalta, ainda, a importância do acesso à educação na primeira infância. “Existe todo um debate enorme sobre o desenvolvimento cognitivo, da primeira infância, mostrando que o aprendizado nessa idade é muito importante para o futuro.”

Pnad 2017 Educação: Cresce o nº de jovens que não estudam nem trabalham
Pnad 2017 Educação: Brasil ainda não atingiu meta de alfabetização de 2015

Crianças mais pobres têm menos acesso à creche
Cada faixa de renda representa 20% da população, em ordem crescente de renda domiciliar per capita
Porcentagem da população nessa faixa de renda, segundo a situação33,933,923,723,727,527,528,728,721,821,836,136,115,415,444,144,16,96,952,852,8Faixa 1 (SEM VAGA)Faixa 1 (NA CRECHE)Faixa 2 (SEM VAGA)Faixa 2 (NA CRECHE)Faixa 3 (SEM VAGA)Faixa 3 (NA CRECHE)Faixa 4 (SEM VAGA)Faixa 4 (NA CRECHE)Faixa 5 (SEM VAGA)Faixa 5 (NA CRECHE)0102030405060
Fonte: Pnad 2017 Educação/IBGE

Oferecer vaga em creche para todas as crianças não é obrigatório para o governo brasileiro e, segundo os dados, a maior parte dos pais com filhos de 0 a 3 anos afirmaram que seus filhos não estão matriculados por decisão da própria família – entre os bebês de 0 a 1 ano, dois terços dos pais dizem que preferem que eles não frequentem a escola nessa idade.

Porém, até 2024, segundo o Plano Nacional de Educação (PNE), o Brasil precisa garantir que 50% da população de 0 a 3 anos esteja matriculada em creches. Em 2017, segundo a Pnad, essa taxa aumentou 2,3 pontos percentuais, com cerca de 210 mil novas matrículas, e chegou a 32,7% considerando a média nacional. Porém, essa meta já foi batida, considerando apenas o grupo de 20% das crianças com a renda familiar per capita mais alta do país.

Essa previsão faz parte da meta 1 do PNE. O plano foi aprovado em 2014 e tem duração prevista de dez anos. Ele instituiu uma série de indicadores que o país precisa atingir dentro de períodos determinados.

Para especialistas, famílias mais pobres devem ser prioridade

Especialistas em educação ouvidos pelo G1 dizem que os resultados do Pnad mostram como as políticas públicas ainda não são eficazes para reduzir a desigualdade entre as classes brasileiras.

“A creche é hoje uma das etapas mais desiguais da educação, o que ajuda a demonstrar que a injustiça social começa desde os primeiros meses de vida”, afirma Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação (CNDE).

“Há uma desigualdade gritante na matrícula, mas, mesmo para as crianças de famílias com menor renda matriculadas, há um problema grave da qualidade do equipamento. O Brasil tem permitido creches com profissionais despreparados, que mais se parecem depósitos de crianças. E isso preciso mudar.”

Priscila Cruz, diretora executiva do Todos Pela Educação, concorda.

“Toda pesquisa de acompanhamento do desenvolvimento mostra que é melhor se houver condições a criança ficar próxima da família, ainda mais se a creche tiver péssimas condições, que é o caso da maior parte do Brasil”, diz ela.

“Em geral as crianças ficam presas numa casinha olhando para o teto branco o tempo inteiro.” Priscila lembra que vários estudos já demonstraram que, se as crianças não forem estimuladas nesse período de vida, elas podem ter o seu desenvolvimento físico, cognitivo e emocional afetados e isso pode prejudicar o potencial de aprendizagem no futuro.

Os recursos do governo federal para auxiliar os municípios a cumprir a meta, porém, têm caído. Levantamento feito pelo G1 em dezembro mostrou que, entre 2015 e 2017, os repasses para o Brasil Carinhoso, programa para manter crianças pobres de 0 a 48 meses em creches, sofreram queda de 90%. Na época, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) confirmou a redução, mas afirmou que o programa tem ajudado no aumento no aumento das vagas em creches (leia mais).

Daniel Cara destaca que, também nessa faixa etária há desigualdades de renda, étnico-raciais e regionais. “A pergunta é: como resolver? É preciso construir creches e pré-escolas para ampliar as matrículas, mas é preciso também mantê-las. O custo de manutenção de uma creche é equivalente ao de construção e quem tem recursos para isso é o governo federal, que tem a obrigação constitucional de apoiar os municípios, o que jamais fez a contento. Isso pode ser resolvido com o novo Fundeb”, diz ele, citando o debate sobre as alterações que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) deve passar neste ano no Congresso Nacional, quando pode se tornar permanente.

Priscila Cruz ressalta que os critérios socioeconômicos ajudam a explicar a desigualdade entre estudantes pobres e ricos, mas não pode servir como justificativa, e sim como embasamento para políticas públicas.

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Falta de vagas em abrigos faz casais venezuelanos viverem separados em RR

Uma venezuelana de 34 anos anos e o companheiro de 40 estão separados há quase 10 dias. Ela mora no abrigo temporário Latife Salomão, no bairro Mecejana, zona Oeste da cidade, e ele está em situação de rua, porque não conseguiu se mudar junto com ela.

Os dois não são casados no papel, mas moravam juntos há anos na Venezuela. Ao chegarem a Boa Vista, não conseguiram trabalho e acamparam na praça Simón Bolívar por dois meses.

Eles viveram lá até o o último dia 6, quando o local, que tinha sido cercado com tapumes, foi desocupado pelo Exército. No dia, 846 imigrantes foram tirados de lá e levados a abrigos da capital. Foi nessa data que o casal foi separado.

O venezuelano conta que estava trabalhando em uma fazenda no interior do estado, e não ficou sabendo da transferência. Ao chegar à cidade, depois da praça ter sido desocupada, não conseguiu entrar no abrigo.

Na capital há oito abrigos públicos para imigrantes. Juntos, eles têm capacidade para 3,1 mil pessoas, mas já têm 3,4 mil moradores, a maioria recém-chegados da Venezuela.

“Quando eu estava vivendo na praça, fui cadastrado para ser levado ao abrigo. Tiraram foto minha, anotaram meu nome. Mas como não estava aqui no momento da transferência não consegui mais ir pra lá. Tentei, mas me disseram que não tem mais vagas”, explica.

Agora, ele está vivendo debaixo das marquises de lojas no entorno da praça Simón Bolívar junto com outras dezenas de imigrantes desabrigados na capital.

A mulher conta que é ruim viver separada do marido, mas que vai vê-lo todos os dias na praça.

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‘Prévia’ do PIB do Banco Central indica que economia brasileira recuou 0,13% no 1º trimestre

A economia brasileira registrou retração de 0,13% no primeiro trimestre de 2018, indica o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), uma espécie de “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado pelo Banco Central nesta quarta-feira (16).

O recuo de 0,13% entre janeiro e março deste ano foi verificado na comparação com o quarto trimestre de 2017 (outubro a dezembro). O número foi calculado após ajuste sazonal, uma espécie de “compensação” para comparar períodos diferentes de um ano.

Quando a comparação é feita com o resultado do primeiro trimestre de 2017, porém, o IBC-Br do primeiro trimestre de 2018 indica alta de 0,86% (sem ajuste sazonal).

A retração registrada no primeiro trimestre de 2018 é a primeira desde o quarto trimestre de 2016, quando o IBC-Br apontou recuo de 0,78% na economia.

O IBC-BR é um indicador criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), que é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números oficiais do PIB do primeiro trimestre serão divulgados no dia 30 de maio.

O cálculo do IBC-Br é um pouco diferente do usado no PIB. O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais divulgados pelo IBGE.

Além disso, o IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. O crescimento ou desaceleração da economia influenciam na inflação, que o Banco Central busca controlar por meio da taxa Selic.

Ano de 2017 e expectativas

O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Em 2017, o PIB teve uma alta de 1%, após dois anos consecutivos de retração.

Os indicadores do primeiro trimestre de 2018, porém, indicaram um desempenho da economia pior que o esperado. Por conta disso, economistas baixaram suas projeções para o desempenho do PIB no período.

Para todo este ano, o governo ainda mantém a estimativa de alta de 3% para o PIB, mas pode revisar para baixo este número na próxima semana, quando será divulgado o relatório de receitas e despesas do Orçamento.

Devido à piora nos indicadores, o mercado já tem baixado sistematicamente sua previsão para o crescimento da economia em 2018. Na mais recente consulta feita pelo Banco Central, os economistas de instituições financeiras revisaram de 2,70% para 2,51% a estimativa de alta do PIB neste ano.
Março e resultado em 12 meses

Os dados do BC mostram que, somente em março, o IBC-Br registrou queda de 0,74%, contra fevereiro. Neste caso, a comparação foi feita após ajuste sazonal, considerada mais apropriada por analistas.

Quando a comparação é feita com março do ano passado (sem ajuste sazonal, pois são períodos iguais), houve uma queda de 0,66%, de acordo com o Banco Central.

Na parcial de 12 meses até março, a prévia do PIB do Banco Central registrou crescimento de 1,05%. O Banco Central divulga esse indicador somente sem ajuste sazonal.

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Em 24 h, tentativa de fuga de presos e assassinatos deixam ao menos 32 mortos no Pará

Pelo menos 31 pessoas foram mortas em Belém nas últimas 24 horas. Nesta terça-feira (10), ao menos 21 pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas após uma tentativa de fuga em massa de presos do CRP III (Centro de Recuperação Penitenciário do Pará III), no Complexo Prisional de Santa Izabel, localizado na região metropolitana da capital paraense.

Horas antes, na tarde de segunda (9), 11 pessoas foram assassinadas na região metropolitana de Belém, segundo a nota divulgada pela Segup (Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social). Os assassinatos de ontem foram registrados após a morte de dois policiais militares –um na noite de domingo (8) e outro na manhã de segunda.

A Segup, no entanto, não confirma nenhuma relação entre os eventos.

No centro penitenciário, segundo a Secretaria, houve uma tentativa de resgate de detentos por um grupo externo “fortemente armado”, que utilizou explosivos contra um dos muros da penitenciária. A ação ocorreu por volta das 13h. Houve troca de tiros entre o grupo que efetuava a tentativa de resgate, parte dos detentos e a equipe do batalhão penitenciário.

Ainda de acordo com a Secretaria, um dos mortos é agente penitenciário. São também agentes os cinco feridos –um deles está em estado grave e deve ser submetido a cirurgia no Hospital Metropolitano, em Ananindeua, região metropolitana de Belém. Outros três feridos estão no mesmo hospital e um outro agente está em um hospital particular. O estado de saúde deles é considerado estável.

Os outros 20 são presos e integrantes do grupo de resgate. A identificação e contagem –que está sendo realizada neste momento, por volta das 20h– poderá identificar quantos eram custodiados do sistema penal e quantos pertenciam ao grupo criminoso que tentou realizar o resgate.

Um vídeo obtido pelo UOL mostra diversos corpos no pátio externo da penitenciária. Ao fundo, é possível ouvir barulhos que se assemelham a tiros.