Categorias
ENTRETERIMENTO

Taylor Swift faz história no VMA e dedica prêmio a Dolly Parton; Madonna domina premiação

Taylor Swift no MTV Video Music Awards 2026 em Los Angeles, California
REUTERS/Caroline Brehman
O clipe “The Fate of Ophelia”, de Taylor Swift, inspirado no estilo das dançarinas de show, conquistou o troféu de maior prestígio na cerimônia anual do Video Music Awards da MTV no domingo (27), e a cantora dedicou a honraria à falecida lenda da música country Dolly Parton.
Swift levou para casa três prêmios no VMA deste ano, elevando o total de sua carreira para 33, um recorde. Anteriormente, ela estava empatada com Beyoncé, com 30 prêmios cada uma.
“Ophelia”, o primeiro single do álbum recordista de 2025, “The Life of a Showgirl”, foi eleito o vídeo do ano.
Enquanto segurava seu mais recente troféu “Moon Person”, Swift elogiou Parton como “a showgirl definitiva”, que contava histórias “tão vívidas e tão ricas”.
Taylor Swift lança ‘The Life of a Showgirl’ em retorno ao pop com as letras mais honestas
“Acho que todos nós tivemos muita sorte de compartilhar este planeta com Dolly Parton por um tempo”, disse Swift.
Parton, premiada cantora country, compositora e empresária, faleceu em agosto aos 80 anos.
No início da cerimônia, Swift recebeu o prêmio inaugural MTV VMA Artist Director Honors. A cantora de 36 anos escreveu e dirigiu 18 dos cerca de 60 videoclipes de sua carreira. O mais recente, para seu novo single “Patient Zero”, estreou durante a cerimônia. O videoclipe contou com Dakota Johnson e Colin Farrell no papel de um casal em um relacionamento doentio.
“A principal razão pela qual adoro tanto escrever e dirigir videoclipes é porque vocês, os fãs, tornam isso muito, muito divertido”, declarou Swift. “Vocês realmente se importam com o que estamos criando.”
Ela também ganhou o prêmio de melhor direção pelo videoclipe de “Opalite”.
O VMA foi transmitido ao vivo pela CBS e pela MTV e disponibilizado para streaming no Paramount+, com apresentação de Snoop Dogg. Os vencedores nas principais categorias foram escolhidos por votos dos fãs.
Madonna lidera vencedores
A lenda da música pop Madonna liderou a lista de vencedores deste ano com sete prêmios, incluindo artista do ano e melhor vídeo de dança por “Confessions II — The Film”. Ela relembrou sua apresentação de 1984 de “Like a Virgin” no primeiro VMA, que, segundo ela, foi considerada provocativa demais para a TV a cabo na época.
“Acho que a maioria de vocês provavelmente ainda nem tinha nascido”, disse a cantora de 68 anos ao público, antes de explicar que precisou se recuperar rapidamente durante aquela apresentação após um contratempo com o sapato.
“Eu me joguei no palco para tentar parecer fofa e sexy”, afirmou ela. “Minha bunda estava aparecendo. Naquela época, bundas não ficavam à mostra… meu empresário me disse que minha carreira tinha acabado.”
Ao falar sobre o álbum “Confessions II”, Madonna disse que passou os últimos 18 meses “me descobrindo, acreditando em mim mesma e realmente fazendo a música que eu queria fazer”.
“Para mim, essa é realmente a definição de ser uma artista”, declarou ela.
Madonna deu início ao show com uma apresentação cheia de energia de duas de suas colaborações recentes. Sabrina Carpenter se juntou a ela para “Bring Your Love” — uma música que mais tarde foi eleita a melhor colaboração — e Charli XCX subiu ao palco para “Danceteria Afterhours”, cercada por dançarinos em um cenário que parecia o banheiro de uma boate.
Em um momento mais tranquilo, Kacey Musgraves prestou homenagem a Parton cantando a clássica “I Will Always Love You”.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Ed Motta volta a cantar em português, mas sem seguir à risca o manual pop na arquitetura sólida do álbum ‘Toc-Toc’

Ed Motta usa synth bass e programações de bateria eletrônica no álbum ‘Toc-Toc’, primeiro disco em português do artista em 13 anos
Jorge Bispo / Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Toc-Toc
Artista: Ed Motta
Cotação: ★ ★ ★ 1/2
♬ “Toc-Toc” – o álbum em português lançado por Ed Motta na sexta-feira, 25 de setembro – não deve ser entendido como se o disco fosse “As terceiras intenções do manual prático para festas, bailes e afins”, espécie de volume 3 do álbum de 1997 que abriu uma janela pop na discografia do artista com hits como “Fora da lei”, composto por Ed com Rita Lee (1947 – 2023).
Em “Toc-Toc”, 15º quinto álbum de estúdio do cantor, compositor e músico carioca, Ed Motta volta a cantar em português após 13 anos – e após três álbuns em inglês, dirigidos mais ao público europeu do que ao brasileiro – e se permite o uso imoderado de synth bass e/ou bateria eletrônica nas 11 faixas do disco.
A questão é que Manuel foi definitivamente pro céu e a Colombina já saiu do baile. Gravado e arranjado com produção musical orquestrada pelo próprio Ed Motta com Michel Limma, também coprodutor do requintado álbum anterior do cantor, “Behind the tea chronicles” (2023), “Toc-Toc” soa, sim, mais acessível ao chamado grande público por conta da retomada do idioma natal do artista. Mas somente até um certo ponto.
É que, embora a sonoridade tenha resultado menos intrincada do que a dos discos em inglês do cantor, como “Perpetual gateways” (2016), álbum em que Ed cruzou de forma majestosa a ponte que liga o soul ao jazz, “Toc-Toc” se recusa a acenar para o pop fácil, extremamente fácil, tão ao gosto do mercado. Sob esse prisma, o já longínquo “Piquenique” reunia acepipes um pouco mais digeríveis.
Agora no g1
Como o single inicial “Eu quero ser feliz” já sinalizara em 17 de julho, Ed Motta flerta bastante com o electro-funk da década de 1980 ao longo das 11 faixas do álbum “Toc-Toc”.
Dez das 11 músicas do repertório inteiramente autoral e inédito do álbum “Toc-Toc” são assinadas por Ed com Edna Lopes, parceira do artista na música e na vida. A exceção é “Glamour hotel”, parceria do cantor com Leoni, compositor que domina o idioma do pop nacional. O que não impediu que “Glamour hotel” tenha sido construído com a arquitetura habitualmente sofisticada da música de Ed Motta.
Essa é a questão de “Toc-Toc”. Ed Motta procurou apresentar um álbum mais descomplicado, e em certa medida foi bem-sucedido na comparação com os discos anteriores em inglês, mas Ed Motta não é Liminha, produtor musical do já citado “Manual prático para festas, bailes e afins”, o álbum de 1997 que se tornou a referência pop mercadológica na obra fonográfica do cantor.
Ed Motta assina 10 das 11 músicas do álbum ‘Toc-Toc’ em parceria com Edna Lopes, com quem o artista é casado
Jorge Bispo / Divulgação
Se goza de total liberdade criativa, Ed Motta é pop até a página 2. E nisso reside o maior trunfo do cantor, como já mostraram álbuns como “AOR” (2013), até então o último disco em português de Ed, pautado pela influência do som de grupos como Steely Dan, banda que mistura o rock com harmonias complexas de jazz e levadas de funk e R&B.
Entre baladas como “Não tem contradição” e “ Voltei pra mim”, o álbum “Toc-Toc” amalgama referências fundamentais do funk e do próprio Ed Motta em mix de soul, R&B e electro-funk.
A pulsação da música-título “Toc-Toc” evoca intencionalmente o som do cantor e compositor norte-americano James Brown (1933 – 2006), pai do funk. “O desejo está nu” é puro suco de Robson Jorge (1954 – 1992) e Lincoln Olivetti (1954 – 2015). Já “A Marina acende” ecoa influências do balanço de João Donato (1934 – 2023) e de Marcos Valle.
Sobrinho de Tim Maia (1942 – 1998), Ed Motta nasceu musicalmente em berço funk, em 1988, em álbum com a banda Conexão Japeri. Mas se espraiou por outros sons ao longo desses 48 anos de carreira. Tanto que a grande música do álbum “Toc-Toc” – cujo repertório, diga-se, soa mais atraente no lado A do que no lado B do LP que será editado em outubro pelo selo alemão MPS – é “Casa de frente pro mar”, erguida por Ed na praia da bossa nova.
Essa composição mostra que, por mais que volte ao berço do funk e do soul brasileiro, Ed Motta já é um artista com outras ambições musicais que se recusa a seguir à risca o manual pop. Cantando em português ou em inglês, a praia de Ed Motta é a da sofisticação harmônica.
Capa do álbum ‘Toc-Toc’, de Ed Motta
Jorge Bispo / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Como banda emo serviu de ‘escola’ para produtores indicados ao Grammy Latino com Anitta e Marina Sena

Pedro Dash, Dan Valbusa e Marcelinho Ferraz, do trio Los Brasileiros
Reprodução
Com a divulgação da lista de indicados ao Grammy Latino, o nome do “Los Brasileiros” apareceu junto das principais indicações do pop brasileiro.
Neste ano, o trio de produtores está concorrendo ao Grammy Latino como um dos produtores do álbum “EQUILIBRIVM”, da Anitta, e “Marinada – Vol I”, de Marina Sena, dois dos maiores nomes do pop brasileiro.
Formado por Pedro Dash, Dan Valbusa e Marcelinho Ferraz, o conjunto vem se destacando em sucessos recentes do gênero. E tudo começou com o Cine, banda de rock emo que fez sucesso entre os anos 2000 e 2010.
Agora no g1
Pedro e Dan eram tecladista e guitarrista da banda, enquanto Marcelinho produziu o grupo nos seus primórdios.
“Quem atua no mercado musical sabe a dedicação necessária na produção e mixagem daqueles discos do Cine. Fizemos um trabalho com rigor técnico e pioneirismo”, explica Pedro.
O discurso do tecladista é quase um desabafo por conta do preconceito envolvido nas críticas à banda nas décadas passadas.
Para além da homofobia relacionada ao jeito de se vestir dos integrantes (calças coloridas, camisetas justas, óculos grandes e quadrados), o som era classificado como “sem qualidade”, além da taxação de que não era rock.
O primeiro álbum de estúdio da banda, “Flashback”, foi lançado em 2009 e teve como grandes singles as músicas “Garota Radical” e “Usurpadora”.
O uso de sintetizadores e autotune chamou a atenção e, no álbum seguinte, “Boombox Arcade” (2011), a receita foi repetida com doses ainda maiores, mesmo sem um grande hit.
“A galera dizia: ‘Ah, Cine não é rock’. A gente respondia: ‘Não é rock mesmo’. Nos considerávamos uma banda pop com muita influência de rock, mas ao mesmo tempo com muita influência de música pop, de sintetizadores dos anos 80 e do pop dos anos 90.”
“O segundo álbum do Cine trouxe muito do que fazemos até hoje com artistas pop: na sonoridade, nos timbres, nos arranjos. No Los Brasileiros, um dos nossos diferenciais é termos uma produção sintetizada, com timbres eletrônicos e samples, mas sempre tocando um violão, um baixo, uma guitarra ou uma percussão orgânica. Essa mistura funciona muito bem. O Cine foi o nosso grande aprendizado, a nossa escola.”
Neste ano, o trio está concorrendo ao Grammy Latino como um dos produtores do álbum “EQUILIBRIVM”, da Anitta, e “Marinada – Vol I”, de Marina Sena, dois dos maiores nomes do pop brasileiro.
Los Brasileiros bem latinos
Após o fim do Cine, em 2016, Pedro Dash e Marcelinho Ferraz começaram a trabalhar em produções de vários artistas – o primeiro deles, de maneira “formalizada”, foi o rapper Projota. Segundo eles, Dan, o terceiro integrante, trabalhava meio que de forma pontual.
O nome (e a consolidação pra valer) veio em 2017. O trio foi convidado para participar de um camp nos Estados Unidos, onde trabalharia na produção de duas artistas.
Mesmo com a dúvida de quem seriam as cantoras, eles viajaram. Chegando lá, descobriram que se tratava de Shakira e Rihanna.
“Tinha muita gente de peso e todos os grupos de produtores que estavam lá tinham nome e nós não. Uma representante da [gravadora] Universal nos identificou como ‘Los Brasileiros’ e acabou ficando”, explica Marcelinho.
Uma dessas pessoas de peso que estava nesse camping era o cantor, produtor e compositor colombiano Feid, destaque do reggaeton. À época, ele namorava a também estrela colombiana Karol G.
Karol G durante show no Metlife Stadium, em Nova York, no dia 17 de setembro
Divulgação/Henry Hwu
Desde aquela época, os brasileiros mantiveram contato com os colombianos, trocando figurinhas e referências. Até que…
“O Feid nos pediu uns beats para projetos dele e acabou mostrando o material para a Karol G. Só soubemos do resultado num Grammy, quando descobrimos que ela havia adorado a produção e ouvimos a demo com a voz dela gravada”, explica Dash.
A faixa em questão é “MERCURIO”, que integrou o álbum “MAÑANA SERÁ BONITO”. Com o trabalho, a cantora (e o Los Brasileiros, por consequência) venceram o Grammy Latino em 2024.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Rick: do menino que vendia picolés ao ícone sertanejo

Rick: do menino que vendia Picolé ao compositor de grandes sucessos do sertanejo
Uma cena que o público se acostumou a ver: Rick e Renner no palco e a plateia cantando junto. O show em São Paulo, no Villa Country, em 11 de setembro, foi uma das últimas apresentações da dupla, dez dias antes do acidente de helicóptero que matou Rick, aos 59 anos.
Mas, para contar a história de Rick, é preciso começar pelo Geraldo Antônio de Carvalho.
“Eu nasci em Monte do Carmo, interior do Tocantins, mas quando eu nasci ainda era Goiás”, lembrou o cantor em arquivo do programa Bem Sertanejo, do Fantástico. O trabalho começou cedo. “Quando criança, já vendia picolé, vendia jornal, vendia um bocado de coisa”, recordou em participação no Domingão do Faustão. A música também começou cedo, primeiro em família. “A minha irmã, nós fizemos inclusive a dupla chamada Sereno e Serenata, né?”. Faustão questionou se ele era o Sereno. Depois veio Brasília. “Tanto eu quanto o Renner, a gente cantava na noite. Eu tinha outra dupla, Rick e Rei, e eu cantava numa casa bem pertinho. O que dividia as duas casas era uma parede. No intervalo eu ia ouvir o Renner e ele vinha me ouvir. Começou o namoro ali”, relatou.
O sucesso levou mais tempo. “Chegou uma época que eu e a minha mulher, a gente ficava sem almoçar pras crianças poderem comer. Que é uma situação realmente complicada”, desabafou sobre o início nos anos 1980. Eles insistiram e o jogo virou.
No DFTV de 1997, o público ouvia o hit: “Tira a roupa, tira a roupa / Que eu vou ajudar você / Tira a roupa, tira a roupa / Do varal que vai chover”. No Altas Horas de 2000, Serginho Groisman apresentava a dupla cantando: “Nosso amor tem momentos ruins mas é cara de pau… cara de pau, esse amor cara de pau, mas é gostoso, esse amor é bom demais…”.
No Domingão, Faustão profetizava: “Essa dupla ia atingir a elite da música sertaneja”.
A trajetória seguiu com canções marcantes, como os versos de “Muleca”. Uma coleção de músicas que fez de Rick & Renner referência para quem ainda tentava chegar lá.
Em depoimento, a dupla César Menotti & Fabiano recordou o início da carreira e o apoio recebido: “A única dupla que falou assim: ‘Não, os meninos que cantam a música, chama que eu quero conhecer eles’, foi o Rick & Renner, lá na cidade de Betim. Abriu os palcos pra gente”. “E a gente não esquece disso não, viu?”.
Na última sexta-feira, 25 de setembro, no Villa Country em São Paulo, César Menotti e Fabiano homenagearam a dupla que lhes estendeu a mão. No palco, César declarou emocionado: “Há 15 dias, ele tava cantando aqui, onde eu estou. Mas só morremos quando somos esquecidos. E o Rick vai viver pra sempre. Através das canções, do legado que ele deixou”.
No camarim, Fabiano ressaltou a relação com o ídolo: “Fãs do cara, nos tornamos amigos do cara, conseguimos ir de palco com o cara, gravamos música dele, né? Então, um pleno prazer que a gente teve na vida foi chamar o nosso ícone musical de amigo”.
Rick era um compositor incansável. “Eu não paro não, Fausto. Eu componho direto, o tempo todo tô sempre fazendo música. Eu sou aquele cara que gosta muito de fuçar a questão da música”, afirmou. No Ecad, escritório responsável por arrecadar e distribuir direitos autorais, constam 661 obras cadastradas em seu nome. “Não existe um repertório no Brasil hoje sendo tocado que não tenha a caneta do Rick”, apontou César.
Entre suas criações gravadas por outros artistas estão clássicos como “Página de Amigos”, com Chitãozinho & Xororó (“Como é que eu posso ser amigo de alguém que eu tanto amei”), e “Só Dá Você na Minha Vida”, interpretada por Rick, Michel Teló e Daniel (“Eu tentei, eu lutei, fiz o possível / Mas viver sem você é impossível”).
“Eu acho que uma das músicas em que eu mais gosto do Rick é a Poeira da Estrada, que era do saudoso João Paulo e hoje do saudoso Rick”, citou Fabiano, lembrando a letra: “Estrada que era vermelha de terra… que o progresso trouxe o asfalto encobriu”.
E não importava o tamanho da plateia. “O Rick não brincava com a música. O cantar, a interpretação dele, o carinho dele ali com meia dúzia de pessoas que estavam nos assistindo, era a intensidade que você tivesse em um palco como nós vimos com 30 mil pessoas assistindo”, destacou César. Fabiano completou: “A música vinha muito antes da fama, muito antes do dinheiro”.
Com Renner, formou uma parceria marcante. “Eram dois caras diferentes demais um do outro. O Rick um pouco mais cowboy assim, o Renner um pouco mais playboy assim. Que dupla diferente!”, observou César. Ao longo dos anos, vieram rupturas e recomeços, celebrados em retornos aos palcos:
Fora do palco, sua companheira de vida esteve sempre presente: Geralda. “ A Gê foi uma parceirona, amiga, parceira, esposa dele da vida toda, né? Eu acho bonita a história deles como casal”, recordou César. Rick deixa dois filhos, Mônica e Victor, e quatro netos — família que inspirou suas obras. Para Mônica, compôs “Filha”, clássico das festas de 15 anos. E foi justamente para a debutante Maria Clara, em 19 de setembro, na cidade de Sorriso, em Mato Grosso, que Rick realizou a última apresentação de sua vida, ao lado de Renner: “Não é que eu vá te vigiar / Não é que eu queira ser seu dono / Isso é só um cuidado de pai / Filha, eu te amo”.
A rotina de shows permanecia intensa após quatro décadas de carreira, e Rick já considerava desacelerar. “Pô, chegou a hora de desacelerar, né? … Não deu tempo”, emocionou-se César.
Na segunda-feira seguinte, dois dias após a última apresentação, o helicóptero em que Rick viajava caiu na Serra Catarinense. Entre as cinco vítimas estava o empresário Bruno Avelar, amigo de longa data de Rick e da dupla César Menotti & Fabiano.
Ao serem questionados sobre o amigo Bruno, César desabafou entre lágrimas: “Eu queria que você me perdoasse. Seguramente vai ter um tempo em que a gente vai conseguir falar com naturalidade, lembrando certos momentos de alegria […] mas hoje ainda não consigo. Perdoa”. Fabiano completou: “Foram muitos anos de amizade, quase 30 anos. ”
Rick havia cantado seu maior hit no casamento de Bruno, em agosto deste ano. A canção entoada foi “Ela É Demais”: ”
Em mensagem aos fãs pelas redes sociais, Renner declarou: “A saudade vai ficar”. E concluiu: “Então, é isso. Eu passei aqui pra dizer que amo vocês, que o show não pode parar, né? A gente vai continuar cantando e é isso”. Como traduzem os versos: “Sei, não me questão de aceitar / Se não há nada que eu possa fazer / A gente não pode impedir / Se a vida cansou de ensinar / Sei que o amor nos dá asa, mas volta pra casa / Mas volta pra casa”.
GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico
Ouça os podcasts do Fantástico
ISSO É FANTÁSTICO
O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Fantástico refaz trajeto até local onde caiu helicóptero em que estava cantor Rick

Fantástico refaz trajeto até local onde caiu helicóptero em que estava cantor Rick
Reprodução
Equipes do Fantástico refizeram o trajeto do resgate até o ponto do acidente que matou o cantor Rick e outras quatro pessoas. Imagens exclusivas revelam a busca por indícios que ajudem a desvendar os últimos momentos do voo.
Cada peça espalhada pela mata pode ajudar a esclarecer uma pergunta ainda sem resposta: como um voo de menos de uma hora terminou com a morte de cinco pessoas na Serra Catarinense? Novas imagens mostram os destroços retorcidos da aeronave na mata fechada.
Com o auxílio de drones e de um scanner tridimensional, a Polícia Científica reconstrói a cena da colisão do Bell 430, prefixo PP-MGR. É como se os peritos pudessem voltar virtualmente ao local da tragédia, com os vestígios preservados.
“Nós vamos conseguir testar e simular, por exemplo, como se deu a entrada da aeronave na área de mata fechada. Com as medidas da aeronave, diâmetro de rotor, comprimento de fuselagem a gente consegue fazer uma análise muito detalhada e chegar a conclusões importantes”, explicou o perito criminal Fernando Henrique Ponzetti.
As imagens revelam a violência do impacto. Dos mais de quinze metros de comprimento do helicóptero, sobraram pouco mais de três. Cada fragmento agora pode ajudar a reconstruir os últimos momentos do voo.
“A aeronave após atingir ali o terreno, acabou se fragmentando. Nesse cenário, claro, pela posição até que os destroços foram encontrados, a chance de encontrar sobreviventes era muito baixa”, destacou Ponzetti.
Para entender a dimensão dessa tragédia, é preciso subir a serra. São duas horas e meia de caminhada por um terreno íngreme, com mata fechada e a 1.700 metros de altitude. Dois dias depois do acidente aéreo, na quinta-feira, a equipe refez o caminho até o ponto da colisão.
Um tenente dos bombeiros descreveu os desafios do terreno enfrentados pelas equipes de busca: ” No decorrer das buscas, eles encontraram o terreno acidentado, relevo íngreme, com declividade, aclividade, muita lama, banhados, muita pedra no caminho”.
Como as equipes de resgate chegaram a este trecho isolado da serra e quais pistas levaram a força-tarefa até o local da queda?
“Nós recebemos a informação de uma possível aeronave desaparecida entre Urubici e São Joaquim às 16h25”, relatou o comandante dos bombeiros.
O comandante explicou a complexidade do início dos trabalhos: “Até aquele momento nós não tínhamos certeza se tivemos um pouso forçado; se a aeronave desviou a rota. Era tudo muito incerto. E por todo esse cenário, de visibilidade reduzida, a dificuldade foi muito grande. Começamos a mobilização já de noite. E já no clarear do dia seguinte, nós estávamos com uma força muito maior”.
Na terça-feira, as buscas se concentraram em dois pontos-chave: o último registro do celular, em Vacas Gordas, no interior de Urubici; e o último sinal emitido pelo helicóptero antes de desaparecer, na localidade de Santa Bárbara, uma das áreas mais altas da serra, a cerca de 50 km de São Joaquim.
Drones com câmeras térmicas ajudaram a vasculhar a vegetação. A força-tarefa mobilizou bombeiros, militares, agentes da Defesa Civil e voluntários por mais de 20 horas.
Às 11h32, câmeras de segurança de fazendas registraram o som da colisão. No local da queda, os socorristas buscavam por sinais de vida: “Alguém com vida? Ô, tá com vida?”. Ao se aproximar, um resgatista afirmou: “Chegamos nos destroços aqui, ó. Muito difícil o acesso”.
O comandante dos bombeiros confirmou o desfecho das buscas: “Equipes que já estavam próximas àquele ponto então conseguiram acessar e confirmar, infelizmente, as cinco vítimas fatais”.
A bordo da aeronave estavam:
O cantor Rick, da dupla sertaneja Rick e Renner;
O empresário Bruno Avelar;
O produtor de vídeos Paulo Soares;
O piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo;
E o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
Fabricado em 2001, o Bell 430 tinha capacidade para até sete passageiros. Segundo a ANAC, a aeronave estava com a documentação em dia e possuía autorização para voos noturnos e por instrumentos.
O engenheiro aeronáutico e professor da Poli-USP, Jorge Eduardo Leal Medeiros, analisou as condições do voo: “Era um helicóptero de muito boa qualidade, tinha duas turbinas a jato etc. Então não parece ter sido falha mecânica. Você numa região de Serra, a visibilidade pode ser ruim, mas você pode ter ventos também”.
Especialistas explicam que pode ter ocorrido o fenômeno chamado de downdraft — em português, corrente descendente —, que acontece quando o ar desce pela encosta da montanha e pode empurrar a aeronave para baixo. “O importante é saber: Esse piloto sabia exatamente onde ele estava? Ele tinha o GPS que dava a posição dele?”, questionou Medeiros.
Na cabine estavam dois pilotos habilitados para operar o Bell 430. O comandante Antônio Roberto Nóbrega de Araújo tinha quase seis mil horas de voo, e atuava ao lado do copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Horas antes da decolagem, uma troca de mensagens mostra que as condições do tempo preocupavam a tripulação.
Às 6h59 da manhã, o copiloto Leopoldo Teixeira enviou uma mensagem para Juliano Luft, operador do aeroporto em Lages, onde a aeronave faria uma parada para reabastecimento.
Juliano Luft detalhou o contato: “Aí às 7:52 eu mandei uma foto do tempo em Lages, que estava em condições boas visuais, né”. Juliano acrescentou na mensagem enviada à tripulação: “Mais tarde chove. Quanto antes vir, melhor”.
Minutos depois, o próprio comandante entrou em contato. “Ele me ligou falando que estava ciente que o tempo estava ruim onde eles queriam ir, no destino, e perguntando se eu podia mandar umas fotos e um vídeo aqui das condições do tempo em Lages”.
Naquela manhã, a Defesa Civil já havia emitido um alerta de tempestade severa para a região de São Joaquim, com previsão de granizo, vendaval e raios. “Eles sabiam dessa frente fria, de alerta vermelho, que estava se aproximando. Inclusive já tinha chegado em Criciúma, né”.
Pouco antes da decolagem, o empresário Bruno Avelar enviou a um amigo uma foto gravada na cabine, na qual o comandante Antônio Nóbrega de Araújo aparece diante do painel de controle. Às 11h, o Bell 430 decolou de Porto Belo, no litoral catarinense, com destino a São Joaquim.
Juliano Luft relatou que tentou novo contato após a decolagem: “Às 11:17 eu mandei uma mensagem pedindo se eles já tinham o estimado, se eles viriam a Lages abastecer. Aí ele já não me respondeu mais e não recebeu a mensagem”.
Momentos antes da decolagem, o produtor de vídeos Paulo Soares, uma das vítimas do acidente, fez uma foto do helicóptero no heliponto em Porto Belo e, posteriormente, publicou imagens da viagem nas redes sociais durante o voo.
Moradores da região filmaram a passagem da aeronave sem saber da tragédia iminente. “Ele saiu daquele morro que fica aqui pra trás, então ele já saiu meio que na altura mais baixo do que o normal’, diz o o morador Rodrigo Afonso.
A menos de três quilômetros do local da queda, o artesão Israel Rosa também gravou a passagem do helicóptero: “Não percebi nada de pane. Não tinha fumaça, o barulho constante, normal, a velocidade também.”
Analisando a cena, o professor Jorge Eduardo Leal Medeiros destacou a hipótese de falha humana ligada ao mau tempo: “O que pode ter acontecido é falha humana, causada por condições meteorológicas ruins. Uma especulação muito preliminar é que o helicóptero estava com a cauda pra cima. Então, não me parece que ele tenha tentado pousar, absolutamente. A impressão que dá é que ele bateu voando, vamos dizer”.
A proprietária do helicóptero, JTA Empreendimentos, iniciou estudos técnicos para a retirada dos destroços. Os investigadores agora buscam respostas na caixa-preta do Bell 430, enquanto a Polícia Científica tenta reconstruir passo a passo a dinâmica do acidente.
O perito criminal Fernando Henrique Ponzetti comentou o andamento dos exames: “O nosso compromisso aqui é com a qualidade do resultado. É isso que a gente deve às famílias das cinco pessoas que foram encontradas a bordo”.
Um tenente dos bombeiros desabafou sobre o impacto emocional do resgate: “A gente tá aqui, a gente tenta que o sentimento não tome conta da gente. Esse sentimento, né, de ver outra pessoa que perdeu a vida. A gente tem que ser frio na hora, né? Mas quando a gente visualiza a dimensão e como foi, não tem como não sentir um pouco.”
GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico
Ouça os podcasts do Fantástico
ISSO É FANTÁSTICO
O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Sespa abre PSS com 150 vagas para contratação temporária no Hospital Regional de Cametá

Sede da Sespa, em Belém.
Reprodução / Agência Pará
A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) abriu um Processo Seletivo Simplificado (PSS) com 150 vagas para contratação temporária de profissionais que vão atuar no Hospital Regional de Cametá, no nordeste do Pará. As inscrições serão realizadas nos dias 29 e 30 de setembro, exclusivamente pela internet, no site do Sistema Integrado de Processo Seletivo Simplificado (Sipros).
O extrato do edital foi publicado na sexta-feira (25) no Diário Oficial do Estado (DOE). As oportunidades são destinadas a cargos e funções dos níveis fundamental, médio, técnico e superior.
Das 150 vagas, 102 estão previstas no Edital nº 4.1/2026, destinadas à ampla concorrência e a pessoas com deficiência (PcD). Outras 48 constam no Edital nº 4.2/2026 e são reservadas a pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas (PPIQ).
Segundo a Sespa, as vagas foram autorizadas excepcionalmente por causa da ampliação de um serviço hospitalar considerado essencial e de funcionamento inadiável. As contratações serão feitas de acordo com a Lei Complementar nº 07/1991 e alterações posteriores.
Vagas para diferentes áreas
Segundo informações divulgadas pelo prefeito de Cametá, Victor Cassiano, as contratações estão relacionadas à ampliação da estrutura do Hospital Regional e à implantação de novas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).
Entre as funções previstas estão médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, farmacêuticos, biomédicos, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, técnicos em radiologia, técnicos de patologia clínica, agentes administrativos, agentes de artes práticas e físico.
Ainda segundo o prefeito, o processo seletivo terá análise documental e curricular, além de entrevistas. O cronograma divulgado por Cassiano prevê resultado final em 19 de outubro. A entrega da documentação e a assinatura dos contratos estão previstas para os dias 20 e 21 de outubro, e o início das atividades para 22 de outubro.
Inscrições
As inscrições serão feitas exclusivamente pela internet, das 0h de 29 de setembro até as 23h59 de 30 de setembro, por meio do site do Sipros.
O edital completo deve reunir informações sobre cargos, requisitos, remuneração, distribuição das vagas e demais regras da seleção.
✅ Clique e siga o canal do g1 Pará no WhatsApp
Veja mais notícias do g1 Pará
Leia todas as notícias do estado no g1 Pará

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Netinho de Paula revela diagnóstico de câncer, anuncia pausa nos shows e diz estar tranquilo: ‘Vai dar tudo certo’

Cantor revelado como vocalista do grupo Negritude Junior, Netinho de Paula dá ótimos depoimentos na série
Reprodução / Vídeo
Netinho de Paula, de 56 anos, revelou que foi diagnosticado com câncer e anunciou uma pausa na agenda de shows para fazer uma cirurgia. Em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, o cantor afirmou que está tranquilo e disse que ficará cerca de 30 dias afastado dos palcos.
“Claro que não é normal você receber uma informação que você está com câncer. Isso não é uma coisa que é normal. Mas esse câncer é um câncer fraquinho”, afirmou.
Netinho disse que decidiu falar sobre o diagnóstico depois que informações sobre sua doença foram publicadas na imprensa. Segundo o cantor, ele preferia não comentar o assunto anteriormente.
“ por isso que eu não quis sair falando para não estragar o sonho nem a alegria de ninguém. Mas hoje vazou na imprensa, então eu sou obrigado a comentar”, disse.
Initial plugin text
Netinho também disputa uma vaga de deputado federal por São Paulo nas eleições deste ano. Esta não é a primeira vez que o cantor entra na disputa eleitoral: ele já foi eleito vereador de São Paulo em 2008 e 2012. Também concorreu ao Senado em 2010 e à Câmara dos Deputados em 2014, mas não foi eleito.
Cantor afirma que fará cirurgia
Na publicação, Netinho afirmou que vai suspender a agenda de shows no próximo mês para realizar o procedimento.
“Estou muito tranquilo, vou suspender minha agenda de shows no próximo mês, vou ter que ficar longe de vocês, vou sentir falta disso. Vai ser durante só 30 dias, mas eu vou fazer a cirurgia”, afirmou.
O cantor não informou, na fala, detalhes sobre o tipo específico de câncer, o estágio da doença ou o procedimento que será realizado. Ele também não deu outras informações sobre o tratamento.
Netinho disse que espera voltar aos palcos até o fim do ano. Durante o relato, mencionou um possível retorno a Manaus.
“E eu acho que até o final do ano eu já estou aqui de novo em Manaus fazendo pagode aqui para vocês. Eu estou aqui, vai dar tudo certo”, afirmou.
Ao final do vídeo, o cantor reforçou uma mensagem de tranquilidade para os fãs.
“É isso que o Brasil merece, alegria, nada de tristeza. Vai dar tudo certo.”
Artistas e amigos de Netinho de Paula deixaram mensagens de apoio ao cantor. Entre eles estão Belo, Tiaguinho e outros nomes ligados ao pagode, que desejaram força ao artista neste momento.
Netinho de Paula, Chrigor e Marcio Art cantam o hit ‘Me Apaixonei pela Pessoa Errada’

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

‘Agudo grave’ de Zélia Duncan se abre na pulsação transformadora de show com direção musical de Maria Beraldo

Zélia Duncan reconstrói hits como ‘Catedral’ e ‘Nos lençóis desse reggae’ com a renovadora textura sonora do show ‘Agudo grave’
Rodrigo Goffredo
♫ CRÍTICA DE SHOW
Título: Agudo grave
Artista: Zélia Duncan
Data e local: 25 de setembro de 2026 na casa Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2
♬ Zélia Duncan deu passo à frente no álbum “Agudo grave”, 15º disco de estúdio da cantora, compositora e instrumentista fluminense em 45 anos de carreira iniciada em Brasília (DF) em 1981. O movimento foi articulado em conexão com Maria Beraldo, produtora musical e arranjadora do álbum “Agudo grave”.
No show homônimo que estreou em 4 de setembro em São Paulo (SP) e que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) na noite de sexta-feira, 25 de setembro, Zélia expande esse movimento sob direção musical da mesma Maria Beraldo. Em cena, o “Agudo grave” de Zélia Duncan se abre e se amplifica no sopro transformador de arranjos que renovam as músicas do repertório pregresso da cantora.
Terceira música na disposição de roteiro, “Me revelar” (Christiaan Oyens e Zélia Duncan, 2001), por exemplo, ganha outra pulsação. Até “Catedral” (“Cathedral song” – Tanita Tikaran, 1988, em versão em português de Christiaan Oyens, 1994), música que catapultou a cantora ao estrelato em 1994, é reconstruída na cena leve e inventiva do show “Agudo grave”, com direito ao sopro do clarone de Maria Beraldo na estreia carioca do show na casa Vivo Rio.
Zélia Duncan assina a direção do show ‘Agudo grave’ em parceria com a cenógrafa Simone Mina
Rodrigo Goffredo
Moldada pela banda formada por Aline Gonçalves (flautas e clarinete), Amanda Camargo (piano), Antonio Loureiro (bateria), Ciro Bellucci (violões) e Fabio Sá (baixo), todos músicos que são multi-instrumentistas, a textura sonora dos arranjos de Maria Beraldo se situa no território da experimentação, mas no limite da acessibilidade pelo público que segue Zélia desde 1994, ano da projeção nacional da cantora.
Maleável, essa textura sonora serve bem tanto à concretude urbana de “Olhos de cimento” (Pedro Luís e Zélia Duncan, 2026), número de pressão quase roqueira, quanto à delicadeza da paisagem solar em que se ambienta “Meu plano” (2026), parceria de Zélia com Ná Ozzetti.
Ficou evidente no álbum “Agudo grave” que nem todas as músicas do repertório autoral estavam à altura da sonoridade arrojada do disco. Essa sensação ainda permanece no show, em uma ou outra música, como “Importante” (Alberto Continentino e Zélia Duncan, 2026), mas em menor grau.
O repertório do álbum cresce no show dirigido pela própria Zélia Duncan em parceria com Simone Mina, criadora do cenário que traduz em imagens – móbiles que parecem cristais aos olhos do público – a fluidez e a leveza do show, ainda que haja certo peso na batida quase marcial da bateria de Antonio Loureiro em “Sentidos” (Christiaan Oyens e Zélia Duncan, 1994), uma das músicas antigas que dão a sensação de que tudo soa novo de novo na voz da cantora.
“Pontes no ar” (Zélia Duncan e Alberto Continentino, 2016), da safra nova, é música erguida no show com arranjo que parece fazer volitar a canção evocativa da atmosfera do Clube da Esquina, sobretudo do cancioneiro pop folk de Lô Borges (1952 – 2025).
Na cena, o gestual teatral da cantora – que já atuou como atriz, cabe lembrar – realça o sentido dos versos de músicas como “E aí, IA?” (2026), outra das três parcerias de Zélia Duncan com Alberto Continentino que fazem parte do repertório do álbum “Agudo grave”.
Zélia Duncan apresenta o show ‘Agudo grave’ ao público carioca na casa Vivo Rio, na noite de sábado, 25 de setembro
Rodrigo Goffredo
Outro parceiro de Zélia no álbum “Agudo grave”, Lenine injetou vitalidade no show ao entrar em cena para cantar com a anfitriã “Maravilha disforme” (2026) e uma canção de lavra solitária, “Meu xamego” (2025), antes de voltar para o bis para se juntar a Zélia e a Maria Beraldo na viagem refrescante pelo reggae “Nos lençóis desse reggae” (Christiaan Oyens e Zélia Duncan, 1994).
Novas ou antigas, como a sempre aliciante “Enquanto durmo” (Christiaan Oyens e Zélia Duncan, 1996), as músicas se harmonizam na cena do show “Agudo grave”, quebrando a barreira do tempo e sinalizando que o tempo de Zélia Duncan é hoje.
“Calmo” (2026), parceria da artista com Zeca Baleiro, é cantada em clima de intimidade, com Zélia sentada na beira do palco, próxima da plateia. “Capitu” (Luiz Tatit, 1999) – música que Ná Ozzetti lançou no álbum “Estopim” (1999) e que Zélia Duncan tomou para si em gravação feita para o álbum “Eu me transformo em outras” (2004) – navegou poderosa pela ressaca dos mares do novo arranjo.
“Matagal” (2024), canção em inglês composta por Maria Beraldo e lançada pela autora há dois anos em feat com Zélia, se afinou com o tom inusual dos arranjos e, nesse clima, é claro que caberia música de Itamar Assumpção (1949 – 2023), compositor de obra vanguardista abordada por Zélia Duncan com assiduidade e devoção há 30 anos. “Tua boca” (Itamar Assumpção, 1993) é sugada pela cantora no show “Agudo grave” de forma sedutora.
Zélia Duncan (à esquerda) canta com Maria Beraldo, diretora musical do show ‘Agudo grave’, na apresentação da casa Vivo Rio
Rodrigo Goffredo
A propósito, as incursões feitas por Zélia Duncan em território alheio são todas frutíferas. Pérola do aclamado álbum “Blue” (1971), obra-prima da discografia da cantora e compositora canadense Joni Mitchell, norte da estrada folk percorrida por Zélia, a canção “All I want” refaz o convite à dança, à liberdade e ao risco de amar.
“Pan y leche” (1995), canção em português (com um ou outro verso em espanhol) de Maurício Pereira, reforçou a busca da artista por felicidade e por seguir em frente em movimento progressista afinado com a estética do show, no qual a militante Zélia também marca posição política.
E, se a vida é sonho, a lembrança sagaz de “Sonho impossível” (“The impossible dream” – Joe Darion e Mitch Leigh, 1965, em versão em português de Chico Buarque e Ruy Guerra, 1972) – acoplada em medley com “Que tal o impossível?” (1988), música de Itamar Assumpção – arrebata no arremate do show.
E o fato é que, sim, sob a revigorante direção musical de Maria Beraldo, Zélia Duncan faz brotar uma flor do impossível chão do show “Agudo grave”.
Zélia Duncan (à direita) canta ‘Nos lençóis desse reggae’ com Maria Beraldo e Lenine em número feito no bis da estreia carioca do show ‘Agudo grave’
Rodrigo Goffredo
♪ Eis as 24 músicas do roteiro seguido por Zélia Duncan em 25 de setembro de 2026 na estreia carioca do show “Agudo grave” na casa Vivo Rio, na cidade do Rio de Janeiro (RJ):
1. “Agudo grave” (Lucina e Zélia Duncan, 2026)
2. “Meu plano” (Ná Ozzetti e Zélia Duncan, 2026)
3. “Me revelar” (Christiaan Oyens e Zélia Duncan, 2001)
4. “Pontes no ar” (Alberto Continentino e Zélia Duncan, 2026)
5. “Importante” (Alberto Continentino e Zélia Duncan, 2026)
6. “E aí, IA” (Alberto Continentino e Zélia Duncan, 2026)
7. “Sentidos” (Christiaan Oyens e Zélia Duncan, 1994)
8. “Capitu” (Luiz Tatit, 1999)
9. “Calmo” (Zeca Baleiro e Zélia Duncan, 2026)
10. “Resolvidinho” (Juliano Holanda e Zélia Duncan, 2026)
11. “Voz” (Maria Beraldo e Zélia Duncan, 2026) – com Maria Beraldo
12. “Matagal” (Maria Beraldo, 2024) – com Maria Beraldo
13. “Tua boca” (Itamar Assumpção, 1993) – com Maria Beraldo
14. “Maravilha disforme” (Lenine e Zélia Duncan, 2026) – com Lenine
15. “Meu xamego” (Lenine, 2025) – com Lenine
16. “All I want” (Joni Mitchell, 1971)
17. “Enquanto durmo” (Christiaan Oyens e Zélia Duncan, 1996)
18. “Catedral” (“Cathedral song” – Tanita Tikaran, 1988, em versão em português de Christiaan Oyens, 1994) – com Maria Beraldo no clarone
19. “Olhos de cimento” (Pedro Luís e Zélia Duncan, 2026)
20. “Pan y leche” (Maurício Pereira, 1995)
21. “Não vá ainda” (Christiaan Oyens e Zélia Duncan, 1994)
22. “Sonho impossível” (“The impossible dream” – Joe Darion e Mitch Leigh, 1965, em versão em português de Chico Buarque e Ruy Guerra, 1972) /
23. “Que tal o impossível?” (Itamar Assumpção, 1988)
Bis:
24. “Nos lençóis desse reggae” (Christiaan Oyens e Zélia Duncan, 1994)
Zélia Duncan alinha 24 músicas de diferentes épocas e parceiros no roteiro predominantemente autoral do show ‘Agudo grave’
Rodrigo Goffredo

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Péricles camufla o potencial vocal em álbum com feats com Ana Castela, Ney Matogrosso, Jota.Pê e Zeca Pagodinho

Péricles lança o álbum ‘Camuflagem’ com 12 músicas, entre composições inéditas e regravações de canções como ‘Faz parte do meu show’
Rodolfo Magalhães / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Péricles lança o álbum “Camuflagem” no rastro do sucesso do show em que cantou o repertório de artistas da gravadora Motown no Rock in Rio 2026. Com 12 músicas, o álbum “Camuflagem” destaca feats do cantor com Ana Castela, Jota.Pê, Ney Matogrosso e Zeca Pagodinho.
Com a boiadeira, Péricles entra no território do pagonejo na gravação da música “Simplesmente acontece” (Guga Capanema, Guilherme Grins e Rayan Felipe). Com Jota.Pê, o dueto acontece na faixa “Até quando” (Daniel Lemos e Leonardo Ferreira), samba-canção que evolui para xote romântico no refrão. A gravação de Péricles com Jota.Pê harmoniza bem os estilos dos dois artistas, sobressaindo no álbum.
Já o encontro de Péricles com Ney Matogrosso rebobina um dos maiores sucessos da discografia solo de Cazuza (1958 – 1990), “Faz parte do meu show” (1988), canção de aura bossa-novista composta por Cazuza em parceria com Renato Ladeira (1952 – 2015).
Em feat fluente com Zeca Pagodinho, o cantor revive “Não quero mais amar a ninguém” (Cartola, Carlos Cachaça e Zé da Zilda, 1936), samba lançado há 90 anos na voz da cantora Aracy de Almeida (1914 – 1988). O dueto é o ponto alto do álbum.
Gravado por Péricles em estúdio com produção musical de Izaías Marcelo e lançado na última sexta-feira, 25 de setembro, o álbum “Camuflagem” também traz no repertório músicas como “Deixei ir” (Prateado e Thiaguinho), “Marcando território” (Elizeu Henrique e Cleitinho Persona), “My love” (Edu Camargo, Fabinho Cézar e Yan Coutinho) e “Tá tudo errado” (Cauíque, Cátia Gonzaga, Filipe Toca e Fábio Braza),
“Tá tudo errado” é o pagode que abre álbum cujo repertório, em muitos momentos, parece camuflar parte das imensas possibilidades de Péricles como cantor porque a maioria das músicas não está à altura da grande voz que seduziu o público do Rock in Rio 2026 ao mergulhar com estilo e propriedade no catálogo da gravadora Motown.
Capa do álbum ‘Camuflagem’, de Péricles
Rodolfo Magalhães / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Representante do Brasil no Oscar, ‘Feito Pipa’ amplia imaginário do cinema com Sertão colorido, diz roteirista

Pesquisadora Eliana Guerra fala sobre o sertão nordestino no cinema brasileiro
Representante brasileiro para eventual vaga no Oscar de melhor filme internacional, “Feito Pipa” propõe um olhar diferente sobre o interior do Nordeste. Em vez de imagens associadas à seca e à pobreza, o longa-metragem dirigido pelo cearense Allan Deberton aposta em afeto, cores, memória e música para contar a história de Gugu, menino de 11 anos criado pela avó materna.
Em entrevista ao g1, o roteirista André Araújo afirmou que uma das preocupações durante a escrita foi revisitar a forma como o cinema historicamente retrata o Nordeste.
“Quando estou escrevendo, sempre me preocupo em atualizar as imagens e os imaginários que o cinema produz sobre o Sertão. No ‘Feito Pipa’, esse Sertão colorido surge como uma forma de se distanciar daquele Sertão que a gente costuma ver da fotografia alaranjada ou da luz estourada, o Sertão da miséria, o Sertão da seca”, disse.
Para Araújo, o filme apresenta outras formas de enxergar esse território: “É o colorido que se manifesta através das pessoas, dos personagens, que se manifesta na própria fotografia, na identidade de Gugu, de Dilma, que se apropriam desse universo lúdico para se projetarem no mundo, para serem quem são”.
Yuri Gomes, de 11 anos, viveu Gugu no filme “Feito Pipa” (2026)
Jamille Queiroz
Sertão reinventado
Poucos territórios foram tão revisitados pelo cinema brasileiro quanto o interior nordestino. Ao longo do século XX, a região foi palco de diferentes movimentos e estéticas, desde a fase inaugural, representada por produções como “O Cangaceiro” (1953), de Lima Barreto, até os filmes do Cinema Novo, que transformaram a paisagem sertaneja em símbolo das desigualdades sociais brasileiras, sobretudo através da obra do cineasta baiano Glauber Rocha, com destaque para “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964).
Para a pesquisadora paulista Eliana Guerra, que faz doutorado em História da Arte na Universidade de Salamanca, na Espanha, o Sertão ocupa uma posição singular na cinematografia brasileira por ser um território que ela considera simbólico.
“Ao longo da história do nosso cinema, ele foi construído e representado a partir de questões muito profundas da sociedade brasileira, como a desigualdade, os conflitos pela terra, a religiosidade, a violência e as migrações, mas também os afetos, os modos de vida e diferentes formas de existência”, afirma.
Segundo ela, o próprio cinema participa da construção do imaginário sobre a região: “Durante muito tempo, determinadas representações acabaram associando esse território principalmente à seca, à pobreza, à violência e ao cangaço. Mas o cinema brasileiro também foi transformando essas imagens e mostrando que existem muitos sertões, com diferentes paisagens, sujeitos, experiências e modos de vida.”
A partir dessa pesquisa, Guerra define o Sertão como um “dispositivo estético e político” do cinema brasileiro.
“Ele não funciona apenas como cenário. A paisagem, a luz, os sons, os corpos, os modos de falar e de viver participam da construção dos sentidos da obra. E ele também é político porque escolher como representar o Sertão significa escolher quais sujeitos, histórias e experiências serão vistos e ouvidos”, define.
Filme “Feito Pipa”, escolhido para representar o Brasil na busca pelo Oscar 2027, tem como cenário o município de Quixadá
Divulgação
Nas últimas décadas, cineastas passaram a apresentar novas leituras desse território. Obras como “O Céu de Suely” (2006), de Karim Aïnouz; “Bacurau” (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles; e “Paloma” (2022), de Marcelo Gomes, ajudaram a ampliar o repertório de experiências, paisagens e personagens associadas ao interior nordestino, como são os casos dos protagonistas interpretados por Hermila Guedes, Silvério Pereira e Kika Sena, respectivamente.
É nesse contexto de multiplicação dos olhares sobre o interior do Nordeste que “Feito Pipa” pode ser inserido. “São filmes que, cada um à sua maneira, ajudaram a ampliar o imaginário sobre o Sertão e a romper com uma representação muito cristalizada desse lugar no cinema brasileiro”, afirma o roteirista do filme, André Araújo.
Entre as referências mais próximas, ele cita especialmente a obra de Aïnouz gravada em Iguatu e “Pacarrete” (2019), obra estrelada pela atriz Marcélia Cartaxo, um longa-metragem rodado em Russas, no Vale do Jaguaribe, que, assim como “Feito Pipa”, tem colaboração de Araújo no roteiro e a direção assinada por Deberton.
“O que me interessava era imaginar o Sertão pelo olhar de Gugu: um lugar que pode ser duro e atravessado por contradições, mas que também é colorido, afetivo, fantasioso e cheio de possibilidades. O Sertão do filme não é apenas o cenário onde Gugu vive. É parte da maneira como ele inventa o mundo” , pontua o roteirista.
André Araújo é roteirista de Feito Pipa
Cedida
Quixadá e a cidade que emergiu
As filmagens de “Feito Pipa” foram realizadas em Quixadá, no Sertão Central cearense. A escolha, segundo o roteirista, foi resultado de um estudo de viabilidade.
“Fizemos uma pesquisa de locação em todo o Ceará até chegar a esse município, que conseguia suprir todas as demandas do roteiro em termos de paisagens e questões logísticas”, explica.
Mas a origem da história nasceu fora, num estado vizinho, que também compartilha o clima semiárido. Em 2012, Araújo conheceu São Rafael, no interior do Rio Grande do Norte, município conhecido por ter sido parcialmente inundado pelas águas da barragem Armando Ribeiro Gonçalves. Em períodos de estiagem, estruturas da cidade velha emergem, entre elas a torre da igreja, experiência que foi ponto de partida para o roteiro.
“Na época, eu estava fazendo uma pesquisa sobre a cidade antiga que havia reaparecido após 30 anos submersa pela barragem. Aquela imagem da igreja me inspirou a pensar essa história. A cidade que reaparece e as memórias que se apagam. Em ‘Feito Pipa’, a memória é sobrevivência”, afirma André Araújo.
É a mesma cidade que aparece num clássico do cinema realizado no interior do Nordeste: “Cabra Marcado para Morrer” (1984). Em São Rafael, o cineasta Eduardo Coutinho reencontrou Elizabeth Teixeira durante as filmagens do documentário que aborda a luta pela reforma agrária na ditadura militar no Brasil.
Embora com temas distintos, as duas obras demonstram como o Sertão tem sido ressignificado pelo cinema brasileiro. Essa aproximação ganha força com a memória ocupando papel central nas narrativas: se Coutinho documenta uma história interrompida pela repressão política, Araújo e Deberton partem da imagem de uma cidade submersa para construir uma trama em que recordar é uma forma de permanecer.
O amor entre avó e neto
Filme cearense “Feito pipa” é pré-selecionado para representar o Brasil no Oscar
Divulgação/Paris Filmes
Em inglês, o filme ganhou o nome de “Gugu’s World” (“O Mundo de Gugu”, em tradução livre), como forma de sintetizar a jornada do protagonista: um menino criado pela avó materna que, após descobrir que ela está perdendo a memória, luta para não ir morar com o pai homofóbico, interpretado por Lázara Ramos.
Para o roteirista André Araújo, esse vínculo entre avó e neto é um dos elementos que mais têm emocionado espectadores em diferentes festivais, como Berlim e Gramado.
Eu também fui um menino criado por vó, assim como Gugu. Nas sessões que a gente tem feito pelo mundo, a relação de Gugu e Dilma tem tocado e emocionado os mais diferentes públicos.”
Segundo ele, a força emocional da história está na universalidade desse afeto: “O amor que une avó e neto é tão verdadeiro, tão íntimo, mas também tão autêntico, divertido, que nem mesmo o Alzheimer consegue apagar. É o fio que permanece para além da memória e do esquecimento. E é o fio que conecta o público com a história”.
Livre para ser quem é
Outro aspecto central da narrativa é a construção de Gugu como uma criança queer. O roteirista afirma que desejava retratar um personagem marcado não apenas pelos conflitos provocados pela intolerância, mas também pela liberdade característica da infância.
“Quando idealizei Gugu, eu queria que ele fosse radiante, livre, performático, mas, sobretudo, uma criança. Uma criança que ainda não precisa nomear quem é, que experimenta o mundo com liberdade e encontra prazer em ser exatamente como é”, comentou.
Para Araújo, a trama desafia a ideia de um Sertão exclusivamente conservador: “Eu queria imaginar outras possibilidades. Um Sertão onde esse menino também pudesse ser livre, amado e feliz, não apesar de quem ele é, mas simplesmente sendo quem é.”
Embora ainda não tenha assistido ao longa, a pesquisadora Eliana Guerra afirma acompanhar com interesse a trajetória da produção: “O fato de ter sido filmado em Quixadá e de estabelecer uma relação tão próxima entre os personagens e o território já desperta bastante o meu interesse como pesquisadora.”
Para ela, filmes produzidos em diferentes épocas demonstram que não existe uma única imagem da região no audiovisual brasileiro.
“Não existe uma única imagem do Sertão, mas muitos Sertões possíveis no cinema brasileiro”, concluiu a pesquisadora.
Representante brasileiro na corrida por uma vaga entre os cinco indicados ao Oscar de Filme Internacional, “Feito Pipa” tem o desafio de repetir a melhor fase do cinema brasileiro, com duas indicações seguidas ao prêmio de melhor filme internacional, “Ainda Estou Aqui” (2024) e “Agente Secreto” (2025), tendo o primeiro conquistado para o Brasil a então inédita estatueta dourada.
Em cartaz em Juazeiro do Norte durante uma semana, o longa teve sessões lotadas. O professor Ribamar Bringel Filho conseguiu assistir ao filme e destaca a canção que é uma das cenas que sintetizam o afeto entre a vó Dilma e neto Gugu.
“A música “Time After Time”, de Cyndi Lauper, transmite justamente essa ideia de estar presente, de permanecer ao lado de alguém, mesmo quando tudo está mudando. No filme, a música reforça a sensação de que o afeto da avó é um porto seguro para o neto. Acho que é isso que torna o filme tão delicado: mostrar que acolher uma criança também é permitir que ela seja livre para descobrir quem é. E que amar é estar por perto, sem impedir que o outro siga seu próprio caminho”, destaca.
Feito Pipa, filme estrelado por Lázaro Ramos, Yuri Gomes e Teca Pereira.
Jamille Queiroz/Divulgação
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

Fonte: G1 Entretenimento