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Ameaçado de morte pelo Irã, autor Salman Rushdie é atacado por homem em Nova York

Salman Rushdie, autor cujos escritos levaram a ameaças de morte do Irã na década de 1980, foi atacado na sexta-feira quando estava prestes a dar uma palestra em Nova York.
Um repórter da Associated Press testemunhou um homem invadir o palco da Chautauqua Institution e começar a socar ou esfaquear Rushdie enquanto ele estava sendo apresentado. O autor caiu no chão, e o homem foi contido.
O livro de Rushdie “The Satanic Verses” foi proibido no Irã em1988, pois muitos muçulmanos o consideram uma blasfêmia. Um ano depois, o falecido líder do Irã, o aiatolá Ruhollah Khomeini, emitiu uma fatwa, ou edito, pedindo a morte de Rushdie.
O Irã também ofereceu mais de US$ 3 milhões em recompensa para quem matar Rushdie.

Fonte: G1 Entretenimento

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Os 80 anos de Clara Nunes são festejados com discrição injusta diante do legado da cantora


Homenagens estão concentradas em Caetanópolis, cidade natal da artista mineira projetada na década de 1970 como luminosa voz do samba após titubeante início de carreira. Clara Nunes (1942 – 1983), vista em foto de 1975, faria 80 anos nesta sexta-feira, 12 de agosto
Divulgação
♪ ANÁLISE – Se não tivesse saído precocemente de cena aos 40 anos, vítima fatal de complicações de aparentemente simples cirurgia de varizes, Clara Francisca Gonçalves (12 de agosto de 1942 – 2 de abril de 1983) poderia estar festejando hoje o 80º aniversário de vida.
Clara Francisca Gonçalves foi a luminosa cantora mineira imortalizada com o nome de Clara Nunes em discografia que, a partir de 1971, ganhou impulso e relevância.
Clara veio ao mundo no mesmo ano de 1942 que legou ao Brasil Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Nara Leão (1942 – 1989), Nei Lopes, Paulinho da Viola e Tim Maia (1942 – 1998). Diferentemente destes grandes nomes, o 80º aniversário da cantora está sendo celebrado com injusta discrição pelo Brasil.
As únicas comemorações se concentram em Caetanópolis (MG), cidade natal da mineira – município que há 80 anos se chamava Cedro (MG) e era distrito de Paraopeba (MG).
Haverá a reabertura do museu Memorial Clara Nunes – com a inauguração da exposição Quando vim de Minas, batizada com o nome do samba do compositor Xangô da Mangueira (1923 – 2009) lançado por Clara em álbum de 1973 – e a realização da 17ª edição do Festival Cultural Clara Nunes, com programação que destaca show de Diogo Nogueira, filho de João Nogueira (1941 – 2000), parceiro de Paulo César Pinheiro na composição de vários sambas popularizados na voz de Clara.
Tais festejos são significativos, mas era preciso uma comemoração de âmbito nacional para fazer jus à dimensão do legado de Clara Nunes.
Mesmo sem ter nascido no mundo do samba, a cantora se converteu ao gênero com sinceridade a partir da bem-sucedida estratégia de marketing criada em 1971 pelo radialista e produtor musical Adelzon Alves para tentar dar a Clara a popularidade e o prestígio que a cantora vinha perseguindo em vão desde a segunda metade dos anos 1960, década em que a artista estreou na gravadora Odeon com o esquecível álbum A voz adorável de Clara Nunes (1966).
Houve lampejo de sucesso no segundo álbum, Você passa eu acho graça (1968), mas Clara somente encontrou um rumo e uma turma a partir do quarto álbum, Clara Nunes (1971), arquitetado por Adelzon.
A partir de então, a discografia da artista resultou impecável, com destaque para álbuns consagradores como Alvorecer (1974), Claridade (1975), Canto das três raças (1976), As forças da natureza (1977) e Guerreira (1978). Todos esses álbuns – assim como os posteriores Esperança (1979), Brasil mestiço (1980), Clara (1981) e o derradeiro Nação (1982) – resistem muito bem ao tempo.
E, se estes discos conservam em 2022 o viço da época dos respectivos lançamentos, é porque Clara aliou a luminosidade da voz a um repertório de qualidade atemporal, selecionado conjuntamente com Adelzon Alves e – a partir de 1976 – com Paulo César Pinheiro, produtor dos sete últimos álbuns da cantora.
Em que pese o titubeante início de carreira, Clara Nunes marcou época na música brasileira ao longo dos anos 1970, atingindo vendas expressivas para o mercado fonográfico brasileiro a partir do álbum Alvorecer (1974), disco em que aparece na capa com a imagem estilizada de baiana que sublinhou a afro-brasilidade entranhada no repertório da cantora.
Mais lembrada nos 70 anos do que nos 80, Clara Nunes reluz na música do Brasil como uma voz de ouro do ABC do samba sem ter se restringido ao gênero. Outros ritmos do Brasil mestiço – sobretudo gêneros musicais de Minas Gerais e do nordeste – também aparecem na discografia áurea da cantora, voz de uma nação em época musicalmente feliz.
Clara Nunes, na imagem cristalizada na memória de quem viveu no Brasil entre 1971 e 1983
Reprodução / Capa de disco

Fonte: G1 Entretenimento

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Quem é Anne Heche? Atriz fez dezenas de longas e séries, namorou Ellen DeGeneres e acusou Harvey Weinstein por assédio


Heche sofreu lesão cerebral após grave acidente de carro na sexta-feira (5) e está em coma em ‘condição extremamente crítica’. Anne Heche chega para a estreia de ‘The Best of Enemies’ no AMC Loews Lincoln Square, em Nova York, em abril de 2019
Angela Weiss/AFP/Arquivo
Atriz, diretora e roteirista, Anne Heche tem dezenas de obras em seu currículo, incluindo os longas “Seis dias, sete noites”, “Donnie Brasco” e “Geração Prozac”, e a série “Chicago P.D.: Distrito 21”.
Nascida em Aurora, Ohio, nos Estados Unidos, a atriz de 53 anos sofreu uma lesão cerebral em 5 de agosto após um grave acidente de carro. Ela dirigia o veículo que bateu uma casa e pegou fogo.
Segundo a revista “Variety”, pouco antes de bater o carro ela já havia se envolvido em outro acidente na região.
No início da semana, uma representante da atriz informou que ela está em “condição extremamente crítica”.
Atriz Anne Heche bate carro e é hospitalizada em Los Angeles
Carreira
Heche ficou conhecida na década de 1980 por interpretar as gêmeas Vicky Hudson e Marley Love na novela “Another World” (1987-1991), trabalho pelo qual recebeu o Prêmio Emmy Daytime.
Ao longo de quase três décadas, atuou em filmes como “Disposto a Tudo”, “As Aparências Enganam”, “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado”, “Psicose”, entre outros.
Entre as séries que Heche atuou estão “Homens às Pencas”, “Masters of Science Fiction” e “Hung”.
A atriz estava no elenco de algumas obras que devem ser lançadas em breve, como “What Remains” (já finalizado, mas sem previsão de lançamento), e “Supercell”, “Chasing Nightmares” e “Wake” (todos em fase de pós-produção).
Dois deles devem ser lançados entre 2022 e 2023: “Wildfire” e “Full Ride”.
Anne Heche chega ao 74º prêmio anual do ‘Directors Guild of America’ no The Beverly Hilton, em Beverly Hills, Califórnia, em março de 2022
Jordan Strauss/Invision/AP/Arquivo
Vida pessoal
Em 1998, Heche foi eleita pela revista People como uma das pessoas mais bonitas no mundo.
Anne namorou a apresentadora Ellen DeGeneres por três anos na década (entre 1997 e 2000). Em 1999, a atriz anunciou o desejo de se casar com Ellen, mas o romance acabou no ano seguinte.
Em 2001, Heche se casou com o cameraman Coleman ‘Coley’ Laffoon, com quem teve seu primeiro filho, Homer Heche Laffoon, nascido em 2002.
Em 2009, Heche deu à luz Atlas Heche Tupper, de sua relação com James Tupper. O casal ficou 11 anos juntos, se separando em 2018.
A atriz voltou ao trabalho apenas 8 dias após o nascimento da filha, para gravar episódios da série “Hung”.
Em setembro de 2001, a atriz lançou sua autobiografia “Call Me Crazy”, livro que escreveu em 6 semanas.
Nele, ela conta que foi abusada sexualmente e fala sobre as lembranças dolorosas da época.
“Se eu não tivesse sido abusada sexualmente quando criança, não sei se teria tido a força para enfrentar Harvey e muitos outros”, afirmou a atriz em 2018, quando relatou que foi descartada de filme por se recusar a fazer sexo oral em Harvey Weinstein.
Na época, ela contou que o produtor mostrou o pênis a ela, mas a atriz conseguiu escapar da sala antes de ele tocá-la.
Anne Heche e Ellen DeGeneres em imagem de junho de 1997
Chris Pizzello/AP/Arquivo

Fonte: G1 Entretenimento

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Jean-Jacques Sempé, criador de ‘O pequeno Nicolau’, morre aos 89 anos


Entre suas obras também está uma série de ilustrações para as capas da revista ‘The New Yorker’. Jean-Jacques Sempé
Joël Saget/AFP
O cartunista francês Jean-Jacques Sempé morreu aos 89 anos. A informação foi confirmada pelo biógrafo do artista para a agência de notícias AFP, nesta quinta-feira (11).
O artista é o criador da série infantil “O pequeno Nicolau”, ao lado de René Goscinny, cocriador de “Asterix”, e que foi transformada em filme em 2009. Ele também é o autor da graphic novel “Monsieur Lambert”, em que narra o cotidiano de um bistrô em Paris e seus frequentadores.
Nascido em Pessac, na França, Sempé ficou conhecido mundialmente por uma série de mais de 100 ilustrações para as capas da revista “The New Yorker”. Seus desenhos de linhas delicadas frequentemente mostravam pequenas figuras em paisagens urbanas, que rendiam comentários sobre a sociedade e a vida moderna.
O presidente francês, Emmanuel Macron, fez uma homenagem ao artista em seu Twitter. “Jean-Jacques Sempé teve a elegância de permanecer sempre leve sem que nada lhe escapasse”, escreveu.
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Fonte: G1 Entretenimento

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Anne Heche sofreu lesão cerebral, diz porta-voz a site


Atriz dirigia veículo que bateu em uma casa e pegou fogo. Informação sobre o estado de saúde da atriz foram dadas por um representante ao site ‘TMZ’. Anne Heche chega ao 74º prêmio anual do ‘Directors Guild of America’ no The Beverly Hilton, em Beverly Hills, Califórnia, em março de 2022
Jordan Strauss/Invision/AP/Arquivo
Anne Heche sofreu uma lesão cerebral, segundo informou um porta-voz da atriz ao site TMZ. O representante também acrescentou que “ela não deve sobreviver”. “Infelizmente, devido ao acidente, Anne Heche sofreu uma grave lesão cerebral e permanece em coma, em estado crítico. Ela não deve sobreviver”.
A mesma pessoa também disse que, provavelmente, a família deve optar pela doação de órgãos. “Há muito tempo é sua escolha doar seus órgãos e ela está sendo mantida em suporte de vida para determinar se algum é viável.”
Heche, conhecida por filmes como “Seis dias, sete noites” (1998) e a série “Chicago P.D.: Distrito 21”, dirigia o carro que bateu em uma casa e pegou fogo na sexta-feira (5). De acordo com a investigação, ela estava em alta velocidade quando saiu da estrada e atingiu a residência.
Atriz Anne Heche bate carro e é hospitalizada em Los Angeles
Desde então, ela está em coma, com queimaduras que exigem cirurgia e respira com a ajuda de aparelhos.
Segundo a revista “Variety”, pouco antes de bater o carro ela já havia se envolvido em outro acidente na região.
A mulher que teve a casa destruída com o acidente está recebendo ajuda dos vizinhos para recuperar seus pertences. Pela internet, já conseguiram arrecadar pouco mais de US$ 112 mil.
Casa de Lynne Mishele foi destruída em acidente de carro da atriz Anne Heche
Divulgação/Go Fund Me/Lynne Mishele

Fonte: G1 Entretenimento

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Músicas dos personagens de ‘Renga Hits!’ viram álbum real; saiba como foi criação


Série de ficção do Globoplay se passa no universo do ‘feminejo’ em Goiânia tem dez músicas originais cantadas pelos atores, que viraram álbum em streaming. Podcast explica criação. Alice Wegmann no papel de Raíssa Medeiros em cena de ‘Rensga Hits’
Reprodução
Os maiores artistas de duas produtoras concorrentes de música sertaneja se uniram em um álbum. As empresas são fictícias e os cantores são, na verdade, atores da série “Rensga Hits!”. Mas o álbum é real, com dez faixas inéditas lançadas em streaming.
A série do Globoplay se passa em Goiânia, no mercado do feminejo. O podcast g1 ouviu conversou com a protagonista, Alice Wegmann, e com a compositora Bibi, que participou da criação de todas as canções originais da série. Ouça abaixo e leia mais a seguir:

Alice Wegmann interpreta Raíssa Medeiros, uma jovem do interior traída pelo noivo. Ela abandona o altar e segue o sonho de virar compositora e cantora em Goiânia.
O termo “rensga” é uma gíria goiana que demonstra espanto. O título da série é também o nome da produtora de Marlene (Deborah Secco). A concorrente da Rensga Hits é a Joia Maravilha Records, de Helena (Fabiana Karla).
No meio da disputa, Raíssa tem a música “Desatola bandida”, feita após a fuga do altar, roubada por Gláucia Figueira (Lorena Comparato).
Os outros astros sertanejos da série – e do álbum – são Enzzo Gabriel (Maurício Destri), David Cafajeste (Alejandro Claveaoux), e a dupla mais famosa da cena: Téo e Tamires (Sidney Santiago e a Jennifer Dias).
Série Rensga Hits, da Globoplay, se passa em Goiânia, Goiás
Reprodução/Globoplay
Alice já viveu uma cantora em seu primeiro papel como protagonista na TV, a Lia de “Malhação: Intensa como a Vida”, entre 2012 e 2013. “Mas foi bem ‘basiquinho’. Naquela época eu nem tocava muito. Tive que aprender uma coisa ou outra, mas acabou que deixei de lado o violão depois”, ela conta.
Ela só foi se reaproximar das seis cordas durante a quarentena. “Meu melhor amigo, o Francisco Gil [neto de Gilberto Gil] me deu um violão de aniversário”, ela conta.
Parece que o amigo adivinhou, pois logo depois ela recebeu o convite para atuar na série no universo do feminejo. Logo de cara, foram duas semanas só de aula de canto e violão.
Para criar uma estrela de feminejo mais realista, ela foi estudar a grande referência do estilo – ainda no primeiro semestre de 2021, antes da morte de Marília Mendonça.
Lorena Comparato, Alice Wegmann, Rafa Kalimann, Deborah Secco e Maíra Azevedo, a Tia Má, durante evento de estreia de Rensga Hits
Stephanie Rodrigues/g1
“Não é uma série sobre a Marília”, ela ressalta, “mas a personagem é muito inspirada nela. Ela foi meu maior ponto de referência. Eu ficava ali estudando a Marília em todos os stories. Ficava observando o jeito dela falar, onde estava, o que estava comendo, onde estava andando, tudo”, conta Alice.
A cantora foi referência até na hora de incorporar o sotaque goiano. “Ela tinha um jeito de falar com uma musicalidade muito afetiva, acolhedora e maternal. Assim, gostoso de ouvir, com um carinho na voz”, descreve a atriz.
Eles estavam terminando uma maratona de gravações no dia 5 de novembro de 2021, quando viram a notícia da morte de Marília Mendonça. “Foi um momento muito difícil, eu lembro que desabei ali mesmo. Eu chorava aquele choro de nem conseguir respirar direito, sabe?”.
“Muita gente da equipe é de Goiânia, e todos se conectaram muito com esse universo. Foi uma dor coletiva que a gente sentiu ali.”
Conexão sertaneja
‘Rensga Hits’: série com Alice Wegmann, Deborah Secco e Fabiana Karla vai homenagear Marília Mendonça e feminejo
Montagem/g1
As histórias de amor da música sertaneja deram origem a um romance real. Alice Wegmann e o produtor musical Dudu Borges, dono do projeto Analaga, do hit “Lençol dobrado”, começaram a namorar durante as filmagens de “Rensga Hits!”.
Dudu Borges foi um dos compositores das músicas da série e ajudou a orientar as atrizes. “Ele conseguiu transformar a gente e cantoras. Nem a gente acreditava”, elogia a namorada.
“Ele já viveu muita coisa no sertanejo. Já trabalhou com Michel Teló, Luan Santana, Bruno Marrone, Paula Fernandes, e a própria Marília. Ele me ajudou muito a entender o que eu estava fazendo na série”, diz Alice.
A compositora real
A cantora e compositora Bibi
Divulgação
Dudu Borges ajudou os atores a soarem como cantores de verdade. Mas o esforço seria em vão se o repertório também não soasse como o de astros sertanejos. A líder dessa tarefa é coautora das dez músicas originais da série.
Bibi é o nome artístico de a cantora e compositora Gabriele Oliveira Felipe, mineira de 26 anos. Ela começou a carreira trabalhando por cinco anos no estúdio de Dudu Borges.
Ela já escreveu músicas para Anitta (“Desce Pro Play” e “Não Perco Meu Tempo”) Pabllo Vittar (“Number one”), Luisa Sonza (““Pior Que Possa Imaginar”), entre outros.
Trabalho afinado
Os compositores tiveram que fazer um trabalho afinado com os roteiristas da série – Renata Corrêa, Bia Crespo, Nathalia Cruz, Victor Rodrigues e Otavio Chamorro.
“Se há fluidez na música é porque houve fluidez no texto”, elogia Bibi. O trabalho era imaginar como seriam as canções reais dos músicos fictícios.
“Depois de um mergulho no roteiro eu alinhei com o Dudu [Borges] e a gente montou um time de compositores para convidar”. Cada parceiro de Bibi era pensado para a característica dos personagens.
A trilha não tem só feminejo sofrência. Para as músicas mais de “pegação”, do personagem David Cafajeste, eles chamaram Gabriel Agra, autor de hits como “10%”, “Alô Ambev” e Bebi Liguei”.
Para as mais emotivas, uma das parceiras foi Paula Mattos, que já escreveu para muitos cantores homens antes de emplacar sua própria carreira no feminejo.
Uma tarefa específica foi escrever a faixa “Nota 100”, um sertanejo com dancinha que faz piada com a impotência sexual masculina. O toque de irreverência teve ajuda de Day, da dupla Day e Lara.
E a principal inspiração para as músicas da personagem principal, a compsitora Raíssa, foi a vida da própria Bibi.
Assim como a personagem, ela era sonhadora e obstinada em viver de compor desde cedo – aos 5 anos de idade, Bibi anunciou o plano aos pais e ainda pediu para entrar na aula de inglês para ajudar na carreira de compositora.
“Eu lembrei muito da criança que fui em Goiânia. Eu tenho essa paixão pela música que me move, e vi isso na Raíssa. Ela está ali seguindo essa necessidade de escrever. Eu lia o roteiro e falava: ‘Cara, eu sei o que que é isso'”.
Vamos, galera, mulheres
Deborah Secco com o prêmio Berrante de Ouro, disputado na série, em festa de ‘Rensga Hits!’
Stephanie Rodrigues/g1
“Rensga Hits!”, o álbum, tem uma ficha técnica rara no sertanejo: uma maioria de compositoras mulheres. São quatro autoras (Bibi, Paula Mattos, Day e Lara) e três homens (Gabriel Agra, Cesar Lemos e Davi Ávila, da dupla com Bruninho).
Na vida real, até o repertório de cantoras do feminejo costuma ter maioria de compositores homens.
Essa equipe de maioria feminina na produção “ocorreu naturalmente, mas acho que colabora muito para para essa força feminina da série”, comemora Bibi.
“Há poucas mulheres escrevendo e produzindo, e isso não acontece só no sertanejo, mas em vários segmentos do país: pop, funk, MPB… Mais ou menos 17% dos compositores do Brasil são mulheres – entre os que são filiados a sociedades de arrecadação de direitos”, ela lamenta.
“Eu acho muito importante a gente ter essa esse balanço das energias do feminino e do masculino, sabe? E eu acho que muitas vezes ‘Rensga’ é sobre isso”, diz a compositora.

Fonte: G1 Entretenimento

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Gustavo Mioto mantém rotina intensa para festejar 10 anos com 10 projetos e relembra início: ‘Achavam que só estava ali pelo meu pai’


Cantor ainda prepara ‘fábrica de novidades’ até o fim do ano e vai desembarcar no Rodeio de Jaguariúna em setembro. Em entrevista exclusiva ao g1, artista detalhou as comemorações. Gustavo Mioto
Gustavo Mioto/Arquivo pessoal
Gustavo Mioto reservou 2022 para as comemorações de dez anos de carreira. Em janeiro, o cantor havia anunciado que colocaria, até dezembro, nada menos que dez projetos no mercado para festejar o aniversário. A promessa está sendo cumprida à risca, o que fez esta fase do artista, que está entre os grandes nomes da música sertaneja atual, ser a mais intensa de todas. Antes do fim do ano, o músico ainda promete uma “fábrica de novidades”, que vai desembarcar no Jaguariúna Rodeo Festival no dia 24 de setembro.
Em entrevista exclusiva ao g1, Mioto falou dos planejamentos para encerrar as comemorações de dez anos, detalhou as novidades que pretende apresentar no Rodeio de Jaguariúna, e relembrou o início da carreira, quando ainda era bombardeado de desconfiança por carregar um dos sobrenomes mais conhecidos do Brasil no ramo de shows.
“Nos primeiros anos tinha muito aquela coisa de achar que eu só estava ali por causa do meu pai. Mas aos poucos o trabalho que eu estava desenvolvendo foi se impondo. Acho que demorou uns quatro anos para as coisas deslancharem. Mas é evidente que meu pai é muito importante. Não é todo mundo que tem dentro de casa alguém que conhece tanto os erros e os acertos de uma carreira”, revela.
Gustavo Mioto no show de abertura da arena UZNA em Sorocaba
Talissa Medeiros/g1
Filho do empresário Marcos Mioto, maior contratante do país, o cantor sempre respirou o meio artístico desde que nasceu. Neste ano, já com dez anos de carreira “nas costas”, ele lançou um álbum e um EP, que trouxe “Sofrimento Antecipado”, canção que tocou muito no primeiro semestre, além de singles com participações de outros artistas, entre eles Luan Santana, na música “Envolvidão”.
Neste mês, o músico se apresenta no Rodeio de Barretos, onde vai mostrar uma música inédita, além de outras surpresas ainda mantidas em segredo. O projeto “Sem Cortes”, gravado na Festa do Peão de Americana no último mês de junho, também deve ser disponibilizado para os fãs na internet. Uma gravação de DVD deve acontecer em outubro.
“Tem sido o ano mais intenso da minha vida. Teve projeto pensado lá no início que caiu e colocamos outro no lugar, outros tiveram datas alteradas. Criamos uma fábrica de novidades. Mas tudo anda tendo um retorno muito legal do público”, analisa.
No Rodeio de Jaguariúna, Mioto também pretende apresentar novidades, como por exemplo um eventual “feat” com o “xará” Gusttavo Lima, que também sobe ao palco na mesma noite.
“Para ser sincero ainda não sei o que vamos fazer, mas com certeza vamos preparar algo. Como Barretos e Americana, Jaguariúna é muito importante no calendário do sertanejo, então é preciso ter algo especial. Algo que com certeza vou fazer é procurar o Gusttavo Lima. Seria legal dividirmos o palco em algum momento”, adianta.
Gustavo Mioto na Festa do Peão de Americana
Júlio César Costa/g1
Filho de peixe
Nascido e criado em Votuporanga (SP), Gustavo Mioto tem hoje 25 anos e desde criança mostrou inclinação para a música, como ele mesmo gosta de lembrar. Incentivo não faltou, já que cresceu rodeado por grandes estrelas do sertanejo, que iam visitar o pai.
“Lembro de uma cena que me marcou muito: eu, com uns 7 anos, aprendendo a fazer mágica e mostrando os truques que tinha treinado para Zezé Di Camargo nos bastidores do Rodeio de Jaguariúna”, relembra.
Apesar da grande estrutura que tem por trás, o artista não abre mão da escolha do próprio repertório. Neste momento, por acaso, ele passa várias horas do dia ouvindo canções inéditas enviadas por compositores para dois projetos ainda em desenvolvimento: as gravações de um show que deve reunir regravações e inéditas, e um acústico, registrado de forma mais intimista.
“Nessas horas quem fala mais alto é o meu feeling. Quando pinta uma dúvida converso com os músicos e com o meu pai. Mas na maior parte das vezes, sou eu que ouço e sinto que quero cantar aquilo”, pontua.
No entanto, a parte prática destas ações futuras será para depois do “turbilhão Barretos/Jaguariúna”. Eventos que formam, junto à Festa do Peão de Americana, o que o próprio Mioto chama de “tríplice coroa” dos eventos do segmento.
“É uma honra estar no palco principal dessas três festas. Cada uma delas tem suas particularidades, então temos que pensar caso a caso os shows que vamos mostrar ao público. Jaguariúna está com uma vibe muito jovem, ligada às redes sociais. É um perfil com o qual eu me dou muito bem, me sinto feliz lá”, confessa.
Gustavo Mioto no São João 2022 de Campina Grande, PB
Iara Alves/g1
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Fonte: G1 Entretenimento

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Djavan soa déjà vu no álbum ‘D’


Com 11 músicas inéditas em 12 faixas, disco é pautado pelo habitual requinte harmônico e poético da obra do artista sem resistir às comparações com as antigas safras autorais do compositor. Capa do álbum ‘D’, de Djavan
Arte de Giovanni Bianco
Resenha de álbum
Título: D
Artista: Djavan
Edição: Luanda Records / ony Music
Cotação: ★ ★ ★
♪ Djavan soa déjà vu em D, 26º álbum do artista em discografia iniciada como intérprete em 1973. E soar déjà vu – no caso do cantor, compositor e músico alagoano – está longe de ser sentença desabonadora sobre o disco lançado na noite de hoje, 11 de agosto.
Há mais de 40 anos, Djavan vem seguindo requintados padrões de qualidade na construção da obra, sem se preocupar em parecer moderno. Talvez porque há décadas já se saiba eterno no panteão da MPB.
Para seguidores que entendem e até esperam a continuidade deste modelo a cada álbum do artista, D oferece iguarias. Nenhuma soa tão sedutora às primeiras audições como Num mundo de paz, música embalada em batida funkeada que anunciou, no single editado em 30 de junho, o sopro de esperança bafejado por D, disco idealizado para desanuviar o clima pesado do Brasil em 2022.
Contudo, há algumas joias. Basta seguir os belos caminhos da balada Primeira estrada – cuja letra versa sobre “navios ávidos” ancorados no porto inseguro das paixões – para se deixar enredar no quase cinco minutos da faixa que abre merecidamente o álbum D.
Gravado com produção musical e arranjos orquestrados pelo próprio Djavan, com assistência do tecladista Paulo Calasans na produção, D alinha doze músicas autorais formatadas no tempo do artista. Faixas como a valsa Nada mais sou – de ambiência jazzística e compasso 6/8 – e a intrincada canção Ao menos um porto duram em torno de cinco minutos, uma eternidade para o jeito TikTok de consumir música.
Leia mais: Djavan lança ‘D’ como luz contra o obscurantismo: ‘A gente precisa acreditar na felicidade’
Só que o Djavan déjà vu de D se desvia de qualquer pretensão de soar atual. Tanto que arregimentou time de músicos com quem já tocou ao longo de carreira fonográfica que alcançou picos de popularidade e vendas na primeira metade da década de 1980 e no fim dos anos 1990.
A única novidade, no time de instrumentistas, é a presença de Rafael Rocha, músico recrutado para tocar trombone no naipe de metais completado com Marcelo Martins no saxofone e Jessé Sadoc no trompete e flugelhorn.
O maior traço de modernidade do disco reside na arte criada por Giovanni para a estilosa capa de D – imagem à altura da expressiva capa do anterior álbum de estúdio do cantor, Vesúvio (2018).
Tanto requinte, na arte, no som e na construção das imagens poéticas das letras, jamais disfarça o fato de que Djavan já apresentou safras autorais mais inspiradas em discos anteriores.
Contudo, exceto pelos versos pueris de Beleza destruída, canção em defesa da natureza que já nasceu histórica pelo fato de apresentar o primeiro dueto de Djavan e Milton Nascimento, o disco evolui em bom nível poético e harmônico.
Djavan e Milton Nascimento defendem a natureza com os versos pueris de ‘Beleza destruída’, música valorizada pelo dueto histórico dos artistas
Leo Aversa / Divulgação
Basta ouvir Cabeça vazia para se deparar com o suingue singular e sinuoso do cancioneiro do compositor. Já Sevilhando – faixa que exemplifica o peso dos sopros na equação dos arranjos de D – ergue ponte entre Alagoas e Espanha, evocando Andaluz (1992), música apresentada há 30 anos pelo autor no álbum Coisa de acender (1992).
As músicas se sucedem em D sem arrebatar, mas tampouco sem frustrar quem já ouviu os discos mais recentes do cantor. Se a canção Você pode ser atriz se veste de bolero chique sem arrastar o ouvinte para o salão, Ridículo esboça bom flerte com o blues e Quase fantasia se descortina com o idioma pop funkeado do qual Djavan tem completo domínio.
Única música já gravada pelo cantor, tendo sido composta pelo artista em inusitada parceria com Zeca Pagodinho, o samba Êh! Êh foi lançado há nove anos por Alcione no álbum Eterna alegria (2013) e regravado pela Marrom com os dois autores no DVD Eterna alegria ao vivo (2014). Em D, o samba entra na discografia de Djavan e surge na cadência do violão do artista, o que basta para fazer a diferença.
No arremate do álbum, Djavan reúne filhos – Flavia Virginia, Inácio, João Viana, Max Viana e Sofia – na cadência folk de Iluminado em momento de fato luminoso do disco.
Enfim, D pode não ser o grande álbum que seguidores mais antigos de Djavan esperam já há alguns anos, mas oferece munição certeira para deleitar quem quer tão somente se deliciar com (algumas) boas novas do compositor – sobretudo Num mundo de paz e Primeira estrada – sem confrontar as músicas inéditas com a obra apresentada pelo artista em tempos idos.
Djavan lança o 26º álbum, ‘D’, com repertório autoral que destaca a balada ‘Primeira estrada’ e ‘Num mundo de paz’
Gabriela Schmidt / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Lívia Mattos aposta em ‘excessos e suspensões’ no som de ‘Apneia’, álbum que traz Ceumar e Ná Ozzetti


Lívia Mattos
Divulgação
♪ Ao debutar no mercado fonográfico com a edição do primeiro álbum, Vinha da ida (2017), Lívia Mattos apareceu vestida de sanfona na capa do disco.
Decorridos cinco anos, a imagem da sanfona e da artista baiana está distorcida em efeito visual que sinaliza a vinda iminente do segundo álbum de Lívia Mattos, Apneia, disco que chega ao mundo digital no fim deste mês de agosto, pautado por sonoridade caracterizada por Mattos como cheia de “excessos, faltas de ar, suspensões e suspiros”.
Cantora, compositora e instrumentista habituada a fazer música a partir do acordeom, Lívia Mattos apresenta no álbum Apneia uma safra autoral composta por 11 composições distribuídas em 13 faixas. Algumas são canções com letras. Outras são temas instrumentais.
Coração é um músculo e Galego são músicas alocadas duplamente no disco, aparecendo também como vinhetas na disposição do repertório no álbum Apneia.
A musicista Yasmine El Baramawy, do Egito, é parceira e convidada de Lívia Mattos na criação e gravação da composição Fag’a. Alessandra Leão e Ceumar são parceiras na música Amor, meu bem.
Com músicas como Insular, La clavícula, Tuk tuk e Vai sucumbir, o álbum Apneia foi formatado com as participações de cantores e músicos como Armandinho, Carlos Malta (parceiro de Lívia Mattos em Átimo de respiro, música de autoria também creditada a Aline Gonçalves e Johana Amaya), Lívia Nestrovski, Marcos Suzano e Ná Ozzetti.
Além dos convidados brasileiros, o disco traz o cantor africano Mu Mbana, da Guiné Bissau, e a cantora e compositora espanhola Irene Atienza.
O single Apneia entra em rotação a partir de amanhã, 12 de agosto, com a música-título do álbum, gravada com arranjo que propõe diálogos do acordeom com sopros e com percussões de acento afro-baiano. O clipe da faixa será lançado juntamente com o single.
Lívia Mattos no clipe de ‘Apneia’, música que batiza o segundo álbum da artista
Luiz Corrêa / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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ENTRETERIMENTO

‘Dirty Dancing’: como plástica no nariz arruinou carreira da protagonista do filme


O sucesso de ‘Dirty Dancing’ lançou ao estrelato Patrick Swayze. Mas aos poucos Jennifer Grey desapareceu dos holofotes e do olhar público. O sucesso do filme lançou Patrick Swayze ao estrelato, o mesmo não ocorreu com Jennifer Grey
Getty Images via BBC
Mais de três décadas após seu lançamento, Dirty Dancing é considerado um clássico dos anos 1980 e um dos filmes de maior sucesso em todos os tempos.
Situado em 1963, conta a história de Frances “Baby” Houseman (interpretada por Jennifer Grey), que tem um caso com o instrutor de dança Johnny Castle, interpretado por Patrick Swayze.
Dirty Dancing arrecadou mais de US$ 214 milhões em todo o mundo e ganhou um Oscar pela música (I’ve Had) The Time of My Life.
O público se apaixonou pelos personagens, a música e as rotinas de dança icônicas, incluindo o famoso “levantamento”.
O sucesso do filme lançou Swayze ao estrelato — o ator que morreu de câncer em 2009, aos 57 anos.
Jennifer Grey, no entanto, em poucos anos desapareceu dos holofotes.
Em 2022, Grey publicou seu livro de memórias, em que apresenta uma razão para sua carreira cinematográfica não ter decolado: uma operação no nariz a deixou irreconhecível para os espectadores e fez com que os grandes estúdios de cinema parassem de oferecer papéis.
Cena de ‘Dirty Dancing’
Getty Images via BBC
O dilema da operação
Em Out Of The Corner (Fora do Canto, em tradução livre), Grey – que hoje tem 62 anos – conta como no início de sua carreira, enquanto lutava para conseguir papéis, sua mãe, a também atriz Jo Wilder, sugeriu a ela que a falta de trabalho poderia ter algo a ver com seu nariz “judeu”.
A atriz também achava que isso poderia ser verdade, mas sempre se recusou a fazer uma rinoplastia.
“Eu tinha quase 30 anos e passei grande parte da minha vida adulta tentando me amar e me aceitar como era”, conta a atriz. “Então, passar pelas mãos de um cirurgião parecia perigosamente quase admitir uma derrota.”
Após o enorme sucesso de Dirty Dancing, ela decidiu arriscar e disse ao renomado cirurgião plástico que iria operá-la para “afinar” o nariz, mas deixar a característica “protuberância” no septo.
O procedimento foi um sucesso, e Grey começou a conseguir mais papéis e a ganhar dinheiro pela primeira vez em sua vida.
Em 1992, enquanto filmava Wind – A Força dos Ventos, o diretor de fotografia do filme notou um pedaço de cartilagem saindo da ponta de seu nariz.
A atriz conversou com seu cirurgião e foi marcada uma operação de reparação. Mas o resultado dessa segunda cirurgia mudaria sua vida para sempre.
Assim que conseguiu remover as bandagens, Grey ficou chocada com o que viu no espelho. “Eu não conseguia entender o que estava vendo. Eu sabia que algo ruim tinha acontecido.”
O procedimento mudou tanto sua aparência que o público em geral não a reconheceu mais.
“Parecia que eu tinha cometido um crime imperdoável: deliberadamente tirar a única coisa que me tornava especial”, diz Grey. Ela sabia que seu nariz originalmente era uma conexão física com sua identidade judaica.
Jennifer Grey com seus pais na estreia de ‘Dirty Dancing’
Getty Images via BBC
‘Fundo do poço’
Em uma entrevista com a jornalista Katie Couric em maio passado, Grey refletiu sobre o que havia acontecido.
Ela contou que as famílias de seus pais eram formadas por judeus originários da Europa Oriental e, quando chegaram aos EUA, mudaram de sobrenome. E para os judeus que trabalhavam no show business (seu pai é o ator Joel Grey, vencedor do Oscar por Cabaret), mudar o nariz “era normal e considerado inteligente”.
“Minha mãe sabia como funcionava a indústria do entretenimento e achava que seria mais fácil conseguir papéis, porque não havia muitos papéis para meninas que se parecessem comigo e fossem judias. Não havia muitas oportunidades e ela queria que eu tivesse mais oportunidades, ela queria que eu tivesse a carreira que ela não tinha.”
Segundo a atriz, após a primeira operação “ela não parou de trabalhar” e percebeu que sua mãe “tinha razão”.
Quando teve que se submeter à segunda operação, ela disse explicitamente ao cirurgião que gostava de seu nariz e “queria um nariz forte”.
“Depois da segunda operação [o cirurgião] tirou minhas bandagens e algo estava errado. Ele olhou para mim e disse: ‘Acho que nunca vi uma mudança tão drástica’.”
“Eu não sei o que ele fez, mas ele mudou a proporção do meu rosto (…) ele parecia diferente de uma forma que não fazia sentido”, disse a atriz na entrevista com Katie Couric.
“Foi o momento mais difícil, solitário e confuso da minha vida. Foi muito devastador. E ser tão incompreendida em todo o mundo por décadas… A falta de generosidade e humanidade me machucou muito.”
De acordo com Grey, após a operação “ela não conseguia encontrar um emprego” ou sobreviver.
“Decidi jogar a toalha. Nunca mais pedi a ninguém para me dar sua aprovação ou gostar de mim.”
A atriz em imagem de 2019
Getty Images via BBC
A partir de então, teve que descobrir quem ela era “sem esse personagem, sem ‘Dirty Dancing'”.
“E nessa solidão cheguei ao fundo do poço. E entendi quem eu era e quanto eu valia de uma forma que ninguém poderia tirar isso de mim novamente.”
De acordo com Grey, foi “muito difícil” para as pessoas próximas que testemunharam essa fase difícil.
A atriz – que agora está trabalhando na produção de uma sequência de Dirty Dancing – passou anos tentando entender por que o público virou as costas para ela após sua mudança de aparência.
“Em algum momento pensei que talvez eles tenham se identificado muito com [a personagem] Baby, se viram nela, porque são poucos os filmes em que a protagonista se parece com eles, não é perfeita ou é mais humana. E doeu neles que (com a operação) eu estivesse dizendo algo, que eles não eram suficientes.”
“Passei muitos anos pensando nisso e não encontrei uma resposta. Só percebi que ninguém ia me resgatar (…) Foi um drama e percebi que era uma pessoa muito forte”, contou Grey.
“Todas as coisas difíceis que aconteceram comigo me mudaram e eu não gostaria de ser outra pessoa (…) Agora estou mais feliz do que nunca e me sinto muito grata por ter sobrevivido. E não penso em mim ou no meu nariz. Penso no que contribuí nesta vida, como mãe, como amiga…”

Fonte: G1 Entretenimento