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Voz do grupo Premê, Wandi Doratiotto faz ‘passeio paulista’ em álbum autoral


Wandi Doratiotto faz crônica da cidade de São Paulo nas 15 músicas do álbum solo ‘Um passeio paulista’, programado para 27 de março
Tarita de Souza / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Integrante fundamental do Premeditando o Breque, grupo criado em 1976 por estudantes da Universidade de São Paulo e popularmente conhecido como Premê, Wandi Doratiotto lança álbum solo autoral 50 anos após a entrada em cena desse grupo que se tornou referência de humor na Vanguarda Paulista pela irreverência com que abordava gêneros brasileiros como samba e choro com sonoridade experimental.
Aos 72 anos, Wandi Doratiotto apresentará em 27 de março, em edição do selo Borandá, o álbum “Um passeio paulista”, gravado entre março de 2025 e janeiro deste ano de 2026 com produção musical orquestrada por Swami Jr. com Danilo Moraes.
Através de 15 músicas autorais, o cantor, compositor e violonista paulistano – nascido e criado no bairro da Lapa – faz a crônica da cidade de São Paulo (SP), retratando a metrópole com todas as belezas, contradições, graças e tensões sociais.
“Esse disco é a minha prosa com São Paulo, essa cidade de tantas nuances, tantos encantos e ecos de diferentes regiões do país”, situa Wandi Doratiotto.
Ao longo do passeio paulista, o artista se encontra com Arrigo Barnabé, Cida Moreira, Fabiana Cozza, Mario Manga, Marisa Orth e Zeca Baleiro.
Expoente da Vanguarda Paulista, Arrigo Barnabé divide com Wandi o canto de “Idalina”, música também gravada com a adesão vocal de Cida Moreira. Voz já referencial do samba de São Paulo, Fabiana Cozza é a convidada de “Lazinho”. Companheiro de Wandi no Premê, Mario Manga toca guitarra e canta em “Sentido da vida”. Marisa Orth participa das faixas “A humanidade”, “Cinco horas”, “Era uma vez” e “Nóis podia tá roubando”. Já Zeca Baleiro divide a interpretação de “Cachaça” com Wandi Doratiotto.
Capa do álbum ‘Um passeio paulista’, de Wandi Doratiotto
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Harry Styles acerta em disco meio ‘diferentão’ e mostra que ‘sumiço’ faz bem para um popstar


Harry Styles mostra lado mais ‘experimental’ e dançante em disco novo
Título: “Kiss All The Time. Disco, Occasionally”
Artista: Harry Styles
Nota: 8/10
Harry Styles andava sumido, mas está de volta. Ele lança o álbum “Kiss All The Time. Disco, Occasionally” nesta sexta (6) e dá para dizer que o disco é experimental — para os padrões dele, pelo menos.
O ex-One Direction não lançava álbuns solo desde “Harry’s House”, de 2022. Aquela foi uma fase frutífera para ele, mas também um tanto polêmica.
Foi a época do controverso “Não Se Preocupe, Querida”, em que o bafafá dos bastidores foi mais assunto que o próprio filme. Também foi quando ele levou o Grammy de Álbum do Ano, superando o aclamado “Renaissance”, de Beyoncé. E ainda que isso não seja culpa dele necessariamente, o discurso que o cantor fez não ajudou.
Em suma, o clima não estava bom para seguir na ativa. Então, Harry fez uma coisa que todo artista grande devia fazer: deu um respiro na imagem e foi viver a vida.
“Kiss All The Time. Disco, Occasionally” é inspirado por esse tempo em que ele foi mais gente como a gente (ou o mais próximo disso, já que ainda era um ricaço na Europa). Ele foi avistado fazendo maratonas, passeando pelas ruas de Roma e até acompanhando o anúncio do novo Papa em 2025.
Além disso, Harry diz que andou indo muito em shows e baladas, vendo tudo de um lugar que ele nunca esteve: do meio da multidão.
Isso se reflete na produção e na mixagem de “Kissco” (apelido que o álbum ganhou dos fãs porque, convenhamos, que título enorme). Nesse disco, a voz de Harry aparece quase sempre processada, mergulhada em efeitos e dobras, e raramente é a protagonista das músicas. É como se ele estivesse com você no meio da galera, cantando enquanto uma batida eletrônica ecoa no fundo.
Isso já é uma dica de como esse álbum vai por um lado pouco óbvio para Harry. Afinal, ele se fez como cantor de pop rock nostálgico, uma espécie de membro do Fleetwood Mac com roupas estampadas de coração. Mas “Kissco” mostra um lado moderninho do músico, que não ganhou a fama de descolado à toa.
Harry Styles no clipe de ‘Aperture’, lead single de ‘Kiss All The Time. Disco, Occasionally.’
Divulgação/Stella Blackmon
Apesar de ter “disco” no nome, o álbum não segue a modinha disco pop que cansamos de ouvir nos últimos anos. Ele resvala em influências da música disco oitentona, sim, mas as faixas são menos redondinhas que se esperaria.
O conjunto está mais para um dance pop indie, na linha de Metronomy e Bloc Party, digno do line-up do Lollapalooza nos anos 2010.
Em faixas como “Aperture” e “Are You Listening Yet”, não restam dúvidas que Harry andou ouvindo LCD Soundsystem.
Um destaque é “Season 2 Weight Loss”, uma faixa com beat meio desencaixado, em que ele canta quase como se estivesse falando. Essa é a mais “estranha” do disco e, por isso, uma das mais interessantes.
De modo geral, Harry abandona aquela estrutura típica de canção pop com refrão chiclete. Muitas músicas crescem e se revelam aos poucos, com loops, sintetizadores e trechos instrumentais dançantes.
Harry Styles em foto para o disco ‘Kiss All The Time Disco Occasionally’
Divulgação
No meio dos sons eletrônicos, ainda estão os instrumentos orgânicos — dos quais Styles nunca abriu mão — como piano, coros, cordas e uma bateria caprichada.
E linhas de baixo, destaque na funky “Dance No More”. É a música com mais potencial de hit, que bebe da água do lado mais mainstream do Prince. Sem tanto molho, claro, mas não deixa de ser uma ótima música pop.
O que impede esse álbum de ser tudo o que promete são as baladas, especialmente a penúltima faixa, “Paint by Numbers”. É uma música ancorada no violão, até bonita, mas que entra quase repentinamente em um momento-chave do disco. Quebra o clima que vinha sendo construído.
Parece que ele ficou com medo de arriscar demais, o que é uma pena. Se Harry tivesse mergulhado de vez na pista, fosse para curtir ou para chorar, esse seria um excelente álbum.
Mas não deixa de ser um trabalho que traz um frescor à discografia dele. Harry nitidamente ganhou inspiração e fôlego ao fugir um pouco dos holofotes. Afinal, até estrelas pop precisam viver.
E sempre é animador ver um artista desse porte tentar novos caminhos, sem medo de desagradar os fãs das antigas. No fim das contas, é isso que separa os hitmakers de hoje dos popstars que seguem relevantes ao longo do tempo.

Fonte: G1 Entretenimento

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Premiação de Sindicato dos Atores bagunça corrida ao Oscar e ajuda Wagner Moura, dizem especialistas


As chances de ‘O agente secreto’ no Oscar, segundo especialistas de Hollywood
A vitória de Michael B. Jordan (“Pecadores”) no Actor Awards, premiação do Sindicato dos Atores americano realizada no domingo (1º), bagunçou a corrida ao Oscar 2026 de melhor ator — e isso é uma boa notícia para o brasileiro Wagner Moura (“O agente secreto”).
Para especialistas de Hollywood, que o g1 monitora desde o final de janeiro, o resultado dá um ar de imprevisibilidade a uma disputa que parecia quase definida para Timothée Chalamet (“Marty Supreme”).
Veja nos gráficos abaixo as chances que os representantes brasileiros (o filme “O agente secreto”, o ator Wagner Moura e o diretor de fotografia Adolpho Veloso, de “Sonhos de trem”) têm nas cinco categorias em que foram indicados, de acordo com uma média entre as previsões de cinco veículos especializados em premiações — e como elas variaram desde o começo de 2026.
Eles acertaram 34 de 35 prováveis indicados no final de janeiro. Veja a lista completa de indicações.
A edição deste ano é a mais brasileira de todos os tempos. Afinal, o país bateu o próprio recorde de indicações em um só ano, com cinco no total.
“O agente secreto” conseguiu quatro. A obra de Kleber Mendonça Filho concorre a melhor filme, ator (Wagner Moura), filme internacional e seleção de elenco.
Já o diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso é um dos favoritos de sua categoria, com seu trabalho no americano “Sonhos de trem”.
As revistas e sites monitorados são:
“Variety”
“The Hollywood Reporter”
Next Best Picture
Gold Derby
Awards Watch
Veja abaixo:

As chances na categoria principal ainda são pequenas, mas, com menos de duas semanas até o Oscar, “O agente secreto” conseguiu subir uma posição e agora está em sexto, empatado com “Sonhos de trem” (que saltou da nona colocação).
No topo da tabela, “Uma batalha após a outra” se segura no primeiro lugar após vencer como produção do ano no prêmio do Sindicato dos Produtores da América, no sábado (28).
A conquista dá um respiro ao filme de Paul Thomas Anderson, que vinha pressionado por “Pecadores”, recordista de maior número de indicações da história do Oscar, que ganhou como o melhor elenco no Actor Awards.

Wagner Moura tem uma posição muito mais confortável que a de Fernanda Torres em 2025.
Para a maioria dos especialistas, Chalamet ainda é o favorito, mas derrotas no Actor e no britânico Bafta (que não foi para nenhum dos indicados ao Oscar. Inclusive, foi para um ator que nunca nem esteve no debate), tiraram o efeito “já ganhou” do jovem.
O maior favorecido, por incrível que pareça, é Moura, que sequer concorria ao Actor. Como o Sindicato dos Atores não indicou nenhum trabalho de um filme “internacional”, entre elas favoritas como Renate Reinsve e Inga Ibsdotter Lilleaas (“Valor sentimental”), muita gente acha que o brasileiro ganha força.
Notável mesmo é a queda de Leonardo DiCaprio, que começou a temporada como o grande favorito e agora é considerado praticamente uma zebra.

Nenhuma mudança desde as indicações, que estabeleceram a categoria de melhor filme internacional como uma corrida de dois cavalos, já que apenas “Valor sentimental” e “O agente secreto” também foram indicados a melhor filme.
Com nove indicações no total, o norueguês continua como favorito,

Outra que parece bem solidificada. É preciso lembrar, no entanto, que essa categoria é inédita e até os próprio especialistas parecem confusos em relação a o que os membros da Academia irão avaliar.

,
Junto de melhor filme internacional, fotografia é aquela na qual o Brasil mais tem chances. O trabalho de Adolpho Veloso é muito elogiado pela crítica e ele ainda aparece como favorito da revista “Hollywood Reporter”.
Uma vitória no Bafta, no entanto, levou “Uma batalha após a outra” ao empate com “Pecadores”.
O prêmio do Sindicato dos Diretores de Fotografia, que acontece neste domingo (8), pode esclarecer melhor as chances de cada um — ou então bagunçar tudo de vez.

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Lanternas’: Série com heróis da DC ganha 1º trailer após vazamento; ASSISTA

Assista ao trailer de ‘Lanternas’
A série “Lanternas”, baseada nos super-heróis dos quadrinhos da DC, ganhou seu primeiro trailer nesta quarta-feira (4). O vídeo era prometido para esta quinta (5), mas foi divulgado pela Warner após vazamento nas redes sociais. Assista acima.

Fonte: G1 Entretenimento

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Da violência armada ao acesso ao aborto, documentários no Oscar dissecam problemas sociais


Cena do documentário ‘A Vizinha Perfeita’
Divulgação
Da violência armada ao acesso ao aborto,Das tensões raciais ao vazio deixado pelas vítimas de ataques a tiros nas escolas, passando pelo acesso ao aborto e pelos desafios do sistema carcerário, os documentários indicados ao Oscar tocam em temas sensíveis da sociedade americana.
Vários diretores, tanto de longas quanto de curta-metragens, destacaram o poder do audiovisual para abrir o debate, assim como a influência de uma indicação da Academia para dar visibilidade a produções muitas vezes independentes.
“Toda arte é política, e a arte é a vanguarda da revolução”, disse à agência France Presse Geeta Gandbhir O filme, “A Vizinha Perfeita”, disputa o Oscar de melhor documentário de longa-metragem.
O filme, disponível na Netflix, aborda a violência armada e o racismo através de uma disputa em um bairro da Flórida que escala de forma letal.
“As produções indicadas são profundamente políticas. Todas têm algo a dizer sobre assuntos urgentes”, acrescentou. Gandhbhir também está indicada a um Oscar por seu curta documental “O Diabo Não Tem Descanso”.
Oscar 2026: os desafios do Brasil na disputa pela estatueta dourada
Rodado em Atlanta, o filme trata do acesso ao aborto nos Estados Unidos, que ficou sem amparo constitucional após a sentença da Suprema Corte em 2022.
Sua codiretora, Christalyn Hampton, disse que o objetivo foi “humanizar um tema quente”.
O curta tem como protagonista uma mulher religiosa que, encarregada da segurança de uma clínica de saúde reprodutiva, se vê obrigada tanto a proteger as pacientes quanto a enfrentar manifestantes religiosos contrários ao procedimento.
“Sentimos que era uma guinada muito interessante e irônica”, comentou à AFP Hampton, que espera que o filme impulsione as mulheres a defenderem sua saúde para além das pressões políticas.
‘Um assunto humano’
Com uma abordagem mais intimista, o diretor Joshua Seftel e o jornalista Steve Hartman apresentam seu curta documental, “All the Empty Rooms” (Todos os quartos vazios, em tradução livre), que mostra os quartos vazios de crianças e jovens mortos em ataques a tiros em escolas dos Estados Unidos.
“Não é um assunto político, é humano”, disse Seftel à AFP. “Isto é algo em que todos estamos de acordo, todos queremos que nossos filhos estejam seguros na escola”, acrescentou.
Para Hartman, entrar nestes espaços pessoais ajuda a que o país “sinta essa perda” e libere o debate de matizes políticos.
Com uma abordagem similar, Andrew Jarecki e Charlotte Kaufman abriram uma janela ao sistema carcerário dos Estados Unidos em seu filme documental “Alabama: Presos do Sistema”.
“Temos cerca de duas milhões de pessoas encarceradas, portanto é algo que não se pode realmente evitar”, disse Jarecki à agência France Presse.
“Mas as prisões fazem tudo o que podem para manter a imprensa e os cineastas distanciados”, acrescentou.
Para os cineastas, é crucial enfrentar este bloqueio. “Entender e ver o que realmente acontece ali é o primeiro passo para melhorar as coisas”, comentou.
‘Agressões’
O papel do jornalismo e os riscos crescentes que seus profissionais enfrentam são o eixo de “Armed Only with a Camera: The Life and Death of Brent Renaud” (Armado apenas com uma câmera: vida e morte de Brent Renaud, em tradução livre), sobre o repórter americano assassinado em 2022, enquanto cobria a invasão russa da Ucrânia.
“Tristemente, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, este é o período mais mortal de que se tem registro para exercer o jornalismo”, disse seu irmão e diretor, Craig Renaud.
O produtor Juan Arredondo acrescentou que a proposta do projeto foi sensibilizar as audiências sobre os riscos do ofício, não apenas em conflitos armados internacionais.
“Chegamos a uma época em que aquilo que vínhamos cobrindo durante muitos anos no exterior está chegando aos Estados Unidos, e estamos começando a ver mais ataques, detenções e agressões contra jornalistas.”
“Portanto, espero que qualquer pessoa que vir este documentário se dê conta da importância do jornalismo”, acrescentou. A 98ª cerimônia de entrega do Oscar será realizada em 15 de março em Hollywood.

Fonte: G1 Entretenimento

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Gilsons refinam o som, entre a leveza e o lirismo, no segundo álbum de estúdio


O grupo Gilsons alinha dez canções no álbum ‘Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão’
Marina Zabenzi / Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão
Artista: Gilsons
Cotação: ★ ★ ★ ★ ★
♬ “A gente quis dar um passo à frente sem perder a nossa gênese”, contextualiza José Gil, produtor musical do segundo álbum de estúdio do trio Gilsons, “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão”, posto no mundo às 15h de ontem, 3 de março.
A audição do álbum mostra que a fala de José não soa como mera retórica ou marketing. De fato, é nítida a evolução do grupo formado no Rio de Janeiro (RJ) em 2018 por Francisco Gil, João Gil e José Gil.
A influência natural do som de Gilberto Gil – patriarca da família de origem baiana – é percebida já no violão que insinua o toque de ijexá que conduz “Visão” (Francisco Gil), música que abre o disco, embutindo na letra o verso que intitula o álbum “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão”.
É curioso como os Gilsons se conectam bem com o público jovem sem abrir mão das referências da MPB de Gilberto Gil, também perceptíveis em “Semeia” (Gus Levy) e “Zumbido” (João Gil), faixas valorizadas pelos arranjos de sopros orquestrados por Diogo Gomes e Thiago Queiroz, respectivamente.
O trio Gilsons faz feats com Arnaldo Antunes, Caetano Veloso e Julia Mestre no álbum gravado com produção musical de José Gil
Marina Zabenzi / Divulgação
Talvez nem seja exagero apontar uma maturidade precoce dos Gilsons, potencializada pelas dissonâncias que pautaram a vida da família Gil entre este segundo álbum de estúdio e o antecessor “Pra gente acordar” (2022). Entre um e outro disco, o clã enfrentou a doença e a morte de Preta Gil (1974 – 2025) – mãe de Fran, tia de João e irmã de José – em julho do ano passado.
O repertório do álbum inevitavelmente reflete o impacto dessa perda, mas nas letras do que na sonoridade. Tem uma baianidade no balanço de “Desejo” (Francisco Gil, João Gil e José Gil), por exemplo, mas há também uma maior densidade nas letras que contrasta com a frivolidade banal e por vezes vulgar do pop consumido em larga escala pelo público jovem no mainstream musical do Brasil.
As duas faixas adiantadas pelo trio em single editado em 19 de janeiro, “Bem me quer” (Narcizinho Santos e Jocimar Lopes Cunha) e “Minha flor” (João Gil e Arnaldo Antunes), já indicaram que os Gilsons celebram o passado (ainda curto, mas já glorioso diante da grande repercussão do álbum de estreia e da turnê “Pra gente acordar”) enquanto apontam o futuro no álbum “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão”.
“Bem me quer” celebra o passado do grupo com mix de tambores (percutidos por Kainã do Jeje) e beats (gerados pelas programações pilotadas por José Gil).
Canção de tom lírico, “Minha flor” desabrocha rumo ao futuro, quase em feitio de oração, com a letra escrita por Arnaldo Antunes em sincronia com a melodia de João. Ao mesmo tempo, a união das vozes dos Gilsons com as de Caetano Veloso, Moreno Veloso e Tom Veloso (este também no violão) carrega tradições por reunir as famílias Gil e Veloso, afinadas na música e na vida.
João Gil (à esquerda), José Gil (ao centro) e Francisco Gil mostram progresso no segundo álbum de estúdio do trio Gilsons
Marina Zabenzi / Divulgação
O lirismo de “Minha flor” se afina com o tom poético de “Vai chover”, bonita parceria de João Gil com o recorrente Arnaldo Antunes, que faz feat com os Gilsons na faixa.
Já “Beijo na boca” (Fran Gil) injeta leveza e juventude condizentes com a imagem do trio, ecoando a efervescência do som de Carlinhos Brown. A adesão de Iuri Rio Branco na produção da faixa – dividida com José Gil – turbina a porção de eletrônica.
A presença de Julia Mestre como coautora e intérprete convidada de “Nó na cuca” – outra música mais leve, assinada por José Gil e Zé Ibarra com Julia – também reforça o elo do álbum com a história dos Gilsons, até porque Julia é habitual colaboradora do trio.
No arremate do álbum, os tambores introduzem “Se a vida pede”, parceria de José Gil com Sona Jobarteh – cantora, compositora e multi-instrumentista inglesa de ascendência gambiana – que fecha lindamente “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão” como breve manifesto de aceitação do curso da vida em versos como “Se a vida pede, eu vou tocando / Se o mundo gira, eu vou dançando / … / Na corda do tempo, deslizo sem pressa”.
A vida pediu resiliência a Francisco Gil (baixo, guitarra, violão e voz), João Gil (baixo, guitarra, guitarra baiana, violão e voz) e José Gil (baixo, percussão, programações, violão e voz). O trio encarou o luto e resistiu. A bela resposta ao tempo é este coeso álbum em que os Gilsons, em nítido progresso, refinam o som entre a leveza e o lirismo.
Capa do álbum ‘Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão’, do grupo Gilsons
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Annabel Schofield, atriz e modelo dos anos 80, morre aos 62 anos


Annabel Schofield, atriz e modelo dos anos 80, morre aos 62 anos
Reprodução/Instagram/Divulgação
Annabel Schofield, modelo que ganhou destaque nos anos 80, morreu aos 62 anos após ser diagnosticada com câncer no cérebro, segundo informações da revista “People”.
Schofield começou sua carreira como modelo em Londres, na década de 1980, e estampou capas de revistas como a Vogue alemã e italiana. Paralelamente à carreira na moda, ela passou a se dedicar à interpretação. A atriz viveu a personagem Laurel Ellis ao lado de Larry Hagman na popular novela americana “Dallas”.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
O pai da atriz, John D. Schofield, era executivo de produção e trabalhou em diversos filmes, incluindo “Jerry Maguire” e “Melhor é Impossível”. Annabel também atuou nos bastidores de produções como “Os Irmãos Grimm”, “Doom: A Porta do Inferno” e “Cidade das Sombras”.
Nas redes sociais, ela chegou a organizar uma vaquinha virtual para ajudar nos custos médicos. “Estou realmente cansada de pedir ajuda, mas não tenho escolha até poder voltar a trabalhar. Muito amor a todos que ajudaram até agora”, escreveu.

Fonte: G1 Entretenimento

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Antes de viver Helga em ‘Três Graças’, Kelzy Ecard enfrentou câncer agressivo que a fez perder 40 kg


Antes de viver ‘Helga’ em Três Graças, Kelzy Ecard enfrentou câncer agressivo
A alemã Helga é dura, fria, com comportamentos que beiram a psicopatia. Matou três maridos, desenvolvendo o que considera, hoje, sua maior habilidade: sumir com corpos. Do outro lado, Martha, uma mulher beirando os setenta anos, tenta encontrar na presença da filha lembranças perdidas pelo declínio cognitivo motivado pelo Alzheimer.
Essas duas mulheres são, hoje, as personalidades com quem a atriz Kelzy Ecard divide suas horas diárias. Helga, vilã da novela Três Graças (TV Globo), é um alívio cômico, enquanto, no teatro, Martha conecta a artista a um lugar mais profundo.
Kelzy descobriu um câncer de mama enquanto tomava banho no quarto de hospital onde o filho, Pedro, estava internado. Ao se ensaboar, sentiu um nódulo na mama que nunca havia percebido. O médico de Pedro, com quem Kelzy também costumava se consultar, apareceu no quarto pouco tempo depois.
“Doutor, estou com câncer e, provavelmente, com metástase”, ela disse.
Kelzy Ecard, a Helga de ‘Três Graças’
Cláudia Brandão/Arquivo Pessoal
O médico acompanha a família há anos. Relativizou a fala, já que Kelzy parecia bem, apesar da assombrosa pandemia de coronavírus que desbloqueava medos escondidos. Talvez, a hipérbole tivesse causa e razão, uma doença grave acometendo o filho enquanto o mundo se enfiava dentro de casa. Faria sentido.
Mas, como manda o protocolo, recomendou a investigação para descartar suspeitas. Kelzy se consultou com um mastologista renomado –quiçá um dos melhores do país, segundo ela. Ao examiná-la, apenas apalpando o nódulo, ele já tinha suspeitas que restringiam as possibilidades de diagnóstico.
“Kelzy, são 50 anos de profissão. Espero estar errado, mas me parece maligno. Há duas possibilidades. Vamos torcer para que seja uma delas; nosso caminho será menos atribulado.”
As desconfianças eram os subtipos HER2 positivo ou triplo negativo, dois perfis biológicos considerados mais agressivos no câncer de mama. No primeiro, as células tumorais produzem em excesso a proteína HER2, um receptor que estimula o crescimento celular e acelera a multiplicação do tumor.
No segundo, chamado triplo negativo, o câncer não apresenta receptores de estrogênio, progesterona nem HER2, o que o torna menos responsivo às terapias hormonais e às drogas-alvo tradicionais.
Começou, então, a insegurança da incerteza. Sem saber o que havia ali, embora soubesse que ali havia algo, não era possível montar uma estratégia de tratamento.

Cláudia Brandão/Arquivo Pessoal
Os exames que confirmaram o diagnóstico foram dolorosíssimos, porque uma inflamação local rodeava todo o nódulo. Biópsia, mamografia, ultrassom. Todos os toques na mama, por mais delicados e leves que fossem, pareciam facas perfurando a pele.
O laudo confirmou a suspeita do médico. Kelzy Ecard tinha câncer de mama do subtipo HER2 positivo.
Durante décadas, esse perfil esteve associado a tumores de crescimento rápido e maior risco de disseminação. Hoje, é também um dos subtipos com terapias mais específicas disponíveis. O excesso da proteína HER2, que acelera a multiplicação das células tumorais, se tornou alvo direto de medicamentos capazes de bloqueá-la, reduzindo a chance de progressão e aumentando as taxas de resposta completa ao tratamento.
O câncer estava em estágio três, com linfonodo axilar comprometido —sinal de que as células já haviam ultrapassado a mama e alcançado a primeira estação de drenagem linfática. Ainda assim, havia um protocolo claro: quimioterapia antes da cirurgia para reduzir a doença, avaliar a resposta e, depois, operar.
Como malabarista, Kelzy Ecard equilibrava os cuidados com o filho e as novas formas de trabalho em isolamento social —e, dali em diante, mais um prato giraria: um tratamento longo e agressivo.
Começou com quatro ciclos da chamada quimioterapia vermelha, mais intensa e potencialmente cardiotóxica. Vieram depois doze sessões da branca, associadas à imunoterapia anti-HER2. A meta era alcançar o que os oncologistas chamam de resposta patológica completa, quando, ao retirar o tumor, quase não restam células malignas viáveis.
Enquanto esses pratos cambaleavam, a atriz enfrentava outro dilema: contar ou não à mãe sobre o diagnóstico. A internação do neto já havia sido um baque suficientemente grande, e talvez fazê-la lidar com um segundo caso grave de doença no núcleo familiar não fosse uma boa ideia.
Marly tem noventa e cinco anos e mora no interior do Rio de Janeiro. Desde sempre e até hoje –embora hoje menos que antes–, pinta quadros belíssimos, tendo pendurado alguns deles pelas paredes de casa ao passar das décadas.
A distância –Kelzy mora na capital– espaça os encontros. Só que forçar o espaçamento até o fim de um tratamento longo e denso parecia inviável. Marly queria ver a filha, queria visitar o neto, por quem morre de amores. Não tinha mais como adiar, nem fingir que nada acontecia.
Kelzy conseguiu preservar os cabelos com uma touca que congela os fios durante as sessões de quimioterapia, mas os milhares de demais folículos pelo corpo caíram: cílios, sobrancelhas, pelos do púbis. Marly perceberia que algo não corria bem.
Faltava uma sessão de quimioterapia para que Kelzy terminasse o tratamento neo-adjuvante e passasse pela cirurgia para retirar o que sobrou do tumor. Marly foi visitá-la.
“O que você fez no cabelo?“, surpreendeu a mãe. Kelzy sabia que viria uma pergunta. Só não imaginava que seria essa.
“Mãe, está tudo bem agora. É a última aplicação do remédio, já passou, mas eu tive um câncer. Tratei, está tudo bem.”
Kelzy Ecard e a mãe, Marly
Arquivo Pessoal
Marly não dramatizou. E ela costumava ser boa em dramatizar –como quando o filho mais novo cortou a sola do pé durante uma brincadeira. Foi um escândalo, à época. Ela tem o hábito de reagir mal a coisas pequenas e muito firmemente a coisas sérias, segundo Kelzy, que se assegura ter herdado essa característica da mãe. Além do humor ácido, é claro.
Marly não se desesperou, mas também não se aquietou. Fez várias perguntas. Queria saber de tudo. E, depois das respostas, passou um tempo aérea administrando os pensamentos.
A cirurgia de Kelzy aconteceu dias depois. Foi um sucesso. Conservadora, retirou uma parte muito pequena da mama, já que o tumor havia respondido muito bem aos tratamentos neo-adjuvantes. O marcador tumoral já era pífio.
Veio, então, um protocolo final, uma combinação de imunoterapia e quimioterapia. A estratégia terapêutica, entretanto, atacou violentamente o fígado de Kelzy e precisou ser interrompida na quarta dose.
Os médicos mantiveram apenas a imunoterapia, à qual o corpo reagiu muito bem, apesar dos efeitos colaterais intensos: infecções cutâneas por fungo, bolhas e feridas. Antes mesmo da última sessão do tratamento, ela já estava de volta ao set de filmagem. Começaria a gravação da novela “Todas as Flores”, da TV Globo.
Os exames estavam ótimos. Kelzy, nessa reta final de tratamento, mudou seus hábitos. Uma dieta rigorosa excluiu ultraprocessados e transformou o hábito de beber álcool socialmente em não beber álcool nunca mais. Aos poucos, foi retomando as atividades físicas para recuperar a massa magra perdida entre os quarenta quilos que se foram durante os quase dois anos de tratamento.
Ainda hoje, Kelzy faz exames periódicos para antecipar uma possível recidiva. Até agora, todos zerados. São cinco anos de remissão completa para que os médicos a considerem curada. Já se passaram dois.
De lá para cá, o filho se recuperou totalmente. A mãe, lá no interior, seguiu pintando.
Um de seus quadros, um hibisco rosa emoldurado sobre a televisão, foi protagonista de uma bonita coincidência: a mesma flor, na mesma cor e posição, estampa a abertura da novela Três Graças no momento em que o nome de Kelzy Ecard aparece. Quem percebeu foi Marly.
“Olha, filha, a flor que aparece junto com o seu nome. Parece a flor do quadro.”
Quadro pintado por Marly (acima) e abertura de ‘Três Graças’ com o nome de Kelzy Ecard
Arquivo Pessoal
A atriz, que não havia percebido o detalhe observado pela mãe, retardou a transmissão em dez segundos. As duas gargalharam. Não era apenas a mesma flor –estava na mesma posição, com a mesma tonalidade.
Sobre a televisão, Marly tem um pedaço da filha Kelzy. Na tela, Helga continua sumindo com corpos como quem resolve pendências domésticas. No palco, Martha tenta segurar memórias que escapam pelas frestas do tempo.
Todos esses papéis se fundem no íntimo de Kelzy Ecard e na subjetividade que permeia sua vida. Vida essa que, apesar das dores, ela festeja todos os dias.
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Fonte: G1 Entretenimento

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Cho Chang, de ‘Harry Potter’, foi a origem da vilã de ‘Bridgerton’, brinca atriz


Cho Chang foi a história de origem da vilã de ‘Bridgerton’, brinca atriz
Na 4ª temporada de “Bridgerton”, a escocesa Katie Leung chama a atenção como Lady Araminta Gun, uma espécie de releitura da “madrasta má” da “Cinderela”. Em alguns momentos, ela é tão fria que é difícil associar a atriz ao papel pelo qual ficou conhecida: Katie foi Cho Chang, a primeira namoradinha de Harry Potter.
Ao g1, a atriz contou que essa transição de um papel conhecido para outro tem sido bem divertida. Na verdade, é quase como se uma personagem explicasse a outra.
“Eu acho que a Cho Chang foi tipo a história de origem da vilã dela. Sabe, o Cedric morre, o Harry deu um fora nela”, brinca.
“É uma transição para algo que eu nunca realmente fiz antes na minha carreira e é tão divertido. Sim, eu simplesmente amei cada minuto disso, mas sem ter nenhuma expectativa de onde isso chegaria. Eu não estava pensando no resultado final”.
Katie Leung como Cho Chang na franquia ‘Harry Potter’ e Lady Araminta Gun em ‘Bridgerton’
Divulgação
Apesar da maldade de Araminta Gun, Katie conta que sempre enxergou a personagem como uma sobrevivente às circunstâncias e que foi colocada.
“Eu pensava sobre as motivações dela, e era sempre sobre proteger os filhos dela. Então, veio de um lugar de amor, mesmo que tenha se manifestado de uma forma muito cruel”.
Quem sabe não é o primeiro passo para novas vilãs? “Eu adoraria”, diz a atriz.
Rostinho jovem
Aos 38 anos, Katie comemora poder finalmente interpretar a matriarca de uma família. É que, desde Cho Chang, ela realmente não envelheceu muito.
“Eu realmente me vejo vista como uma atriz ao poder interpretar uma mãe. Porque eu acho que por muito tempo, fiz testes para personagens muito mais jovens. Fomos paradas para mostrar identidade ontem! Eu disse: ‘Com licença, eu poderia ser sua mãe'”.
Para Katie, esse tipo de papel tem mais possibilidades como atriz. “Papéis de mãe são muito mais interessantes. E eu amo que não foram atrás de uma mulher muito mais velha. Que bom que foram abertos para essa escalação”.
Posy Li (Isabella Wei), Lady Araminta Gun (Katie Leung) e Rosamund Li (Michelle Mao) na 4ª temporada de ‘Bridgerton’
Divulgação/Netflix

Fonte: G1 Entretenimento

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ENTRETERIMENTO

O delírio coletivo de quando Wagner Moura virou vocalista do Legião Urbana por duas noites


Poucas turnês comemorativas trouxeram um debate tão polarizado entre a técnica e a emoção quanto os dois shows com Wagner Moura nos vocais da Legião Urbana. Para os músicos remanescentes, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, foi uma catarse coletiva e uma homenagem à memória de Renato Russo.
Para a crítica e para uma parte mais exigente dos fãs de Legião, aquele foi o pior papel interpretado por Moura, que concorre ao Oscar de Melhor Ator por “O Agente Secreto”.
A decisão de convidar Moura para liderar o tributo nos 30 anos de criação da banda não foi por acaso. O convite partiu de Dado e Bonfá. Eles nunca viram no ator um substituto técnico, mas alguém com uma “energia legionária”.
O “teste” para o papel veio em trilhas sonoras: em “O Homem do Futuro” (2011), ele cantou “Tempo Perdido”; e em VIPS (2010), deu voz a “Será”. As duas performances deixavam bem claro: o que unia Wagner e Renato era a teatralidade.
Wagner Moura no Tributo a Legião Urbana em 2012
Caio Kenji/g1
A experiência de Moura como cantor não vinha só do cinema. Em 1992, em Salvador, ele fundou a banda Sua Mãe com amigos da faculdade de jornalismo. O som misturava o pós-punk de grupos como The Cure e Smiths com o brega de Waldick Soriano e Odair José.
Quando o convite para o tributo chegou, Moura estava filmando “Praia do Futuro” na Alemanha. Aceitou por ser fã e pelo desejo de cantar com seus ídolos. Evitar um imitador de Renato Russo era vital para que o projeto fosse visto como um tributo, e não uma substituição.
A vida foi curta: duas noites no Espaço das Américas, em São Paulo, em maio de 2012. O objetivo era a gravação de um especial da MTV, com direção de Felipe Hirsch. O evento contou ainda com Andy Gill, do Gang of Four, banda que Renato Russo amava, e Bi Ribeiro (baixista dos Paralamas do Sucesso).
Nem tudo foi celebração. Um conflito jurídico ameaçou o evento. Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo e detentor da marca “Legião Urbana”, mantinha uma relação tensa com os músicos. Impedidos de usar o nome original, Dado e Bonfá tomaram todo o cuidado para não correrem riscos. Mesmo assim, Manfredini questionou o preço dos ingressos e a escolha de Moura. A disputa quase fez o projeto ser cancelado.
Na estreia, no dia 29 de maio de 2012, o som foi prejudicado por microfonias e outras falhas técnicas. Foram errinhos aqui e ali, como a vez em que Bonfá interrompeu a introdução de “Pais e Filhos” para recomeçar a música após um erro. Quem gostou disse que parecia um ensaio aberto, uma coisa íntima.
Wagner Moura no Tributo a Legião Urbana em 2012
Caio Kenji/g1
Wagner Moura, super emocionado, enfrentou dificuldades para se manter afinado. Ganhou a plateia mais na garra e na devoção. O ponto alto foi a inclusão improvisada de “Faroeste Caboclo”. A música não havia sido ensaiada, mas ao ver sete mil pessoas cantando a letra quilométrica, o ator decidiu se jogar. Deu certo. O fato de a letra ser mais falada do que cantada, claro, ajudou.
O que disse Wagner Moura?
Wagner Moura no Tributo a Legião Urbana em 2012
Caio Kenji/g1
Apesar das críticas e da sensação de que o show parecia um “karaokê” de luxo, muitos fãs se sentiram representados pelo suor de Moura. O ator defendeu sua performance contra o que chamou de “idiotice” dos críticos que esperavam uma imitação perfeita.
Em 2021, no podcast “Mano a Mano”, ele falou do tributo com bom humor. Admitiu a baixa qualidade técnica, mas reafirmou o valor sentimental, descrevendo-se como “um fã que eles cataram na plateia”.
“Eu nunca fui tão esculachado em toda a minha vida. Nem por ‘Tropa de Elite’ eu tive tanto hate”, ele comparou, citando seu papel como Capitão Nascimento. “Foi emocionante pra cacete. Eu desafinei? Desafinei. Estava ruim? Estava. Mas eu faria tudo de novo, foi um dos momentos mais incríveis da minha trajetória.”
Uma trajetória que segue com momentos igualmente incríveis, incluindo prêmios de Melhor Ator no Globo de Ouro e no Festival de Berlim.

Fonte: G1 Entretenimento