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Casa Branca divulga relatório sobre mudança climática que contraria políticas de Trump

A Casa Branca do presidente americano, Donald Trump, que se definiu por uma tendência a desdenhar conclusões científicas e apresentar seus próprios fatos, divulgou na sexta-feira (23) um relatório científico que contraria diretamente suas próprias políticas sobre a mudança climática.

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Sem dinheiro e em forte recessão, argentinos comem pão amanhecido para manter carne 37

A quatro quadras da Casa Rosada, o palácio presidencial, no centro de Buenos Aires, um trabalhador da construção civil organiza o almoço de sua equipe de 25 pessoas.

Em vez de ir buscar sanduíches em algum lugar por perto, ele coloca dois enormes pedaços de carne e linguiças dentro da pá de uma escavadeira mecânica de 90 centímetros de altura que serve de churrasqueira improvisada.

“É um luxo do qual nós não estamos dispostos a abrir mão”, diz Carlos, um dos trabalhadores no intervalo, que pagará 135 pesos (US$ 3,80) pela refeição servida sem salada nem mesmo prato. “Sem o nosso churrasco de fim de semana, nós não sobreviveríamos.”

Os argentinos estão dispostos a sacrificar bastante em meio à recessão mais longa em 17 anos: desde comprar pão amanhecido até renunciar a massas de marcas de primeira linha. Mas não abrem mão da carne bovina.

Na Argentina, o sexto maior país produtor de gado, o churrasco está tão arraigado nos hábitos culinários e sociais que o consumo se mostra resiliente ao aperto do cinto. Os argentinos devoraram seus famosos cortes de carne grelhada a uma taxa anualizada de 57,7 quilos por pessoa nos dez primeiros meses do ano, nível um pouco superior ao dos últimos dois anos, segundo dados compilados pela câmara da indústria e comércio de carnes (a CICCRA). A queda registrada em setembro não durou muito, já que o consumo voltou a subir em outubro.

Os dados mostram que a Argentina ainda é muito mais carnívora do que países muito mais ricos em uma base per capita. A conclusão não surpreende, considerando a maciez e o sabor da carne do país, cujo gado é criado no pasto.

Mas isto acontece em um momento em que a projeção é de a economia ter uma contração de 2% neste ano, com uma inflação de cerca de 40%, um índice de desemprego perto de 10% e uma desvalorização de quase 50% do peso, a maior entre as moedas de mercados emergentes. Não surpreende, portanto, que a confiança do consumidor seja a menor desde a posse do presidente Mauricio Macri, no fim de 2015.

Outros itens básicos estão sendo duramente atingidos.

O consumo de pão caiu 40% em setembro em relação a agosto, segundo uma organização que representa 300 padarias, em parte devido ao aumento dos custos depois que Macri reduziu os subsídios à energia.

“Esta crise é a pior que já vi em meus 76 anos”, disse Daniel Insua, conselheiro e ex-presidente de uma associação de padeiros, por telefone. “Muitos dos nossos membros estão voltando a usar forno a lenha porque sai mais barato do que usar gás natural.”

O consumo de gasolina premium também caiu porque as pessoas estão optando pelo combustível comum, mais barato, e os consumidores estão escolhendo opções mais baratas de massas, arroz e refrigerantes. Mas não há muitos indícios de que estejam procurando proteínas mais baratas.

“Algumas pessoas, principalmente os aposentados, estão comprando menos carne, mas continuam comprando”, disse Delfina Porcel, que tem um açougue e uma mercearia no bairro de Constitución, em Buenos Aires. “A maioria parou de comprar tomate ou alface, mas não carne de vaca.”

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Por que a civilidade ainda é importante na política

Independentemente de sua afinidade partidária, é difícil negar que a política tenha se tornado menos civilizada nessa última década.

Talvez graças às redes sociais, que nos deram acesso mais direto aos pensamentos das pessoas no poder, nunca antes um presidente dos EUA foi tão regularmente descrito por oponentes como “desonesto”, “louco”, “psicótico” ou “mentiroso”.

Até que ponto essa onda de insultos prejudica a imagem de um político diante do público? Ou simplesmente fortalece sua base de apoio?

Tomemos como exemplo um episódio que intensificou as divisões políticas dos EUA: a audiência na qual o juiz Brett Kavanaugh, nomeado para a Suprema Corte, respondeu a acusações de agressão sexual.

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Na ocasião, Christine Blasey Ford acusou Kavanaugh de tentativa de estupro em um forte testemunho. Kavanaugh adotou um tom agressivo contra Ford. Após a audiência, ele defendeu seu discurso, classificando-o como “lúcido” e “muito emotivo”.

Posteriormente, pesquisas de opinião da consultoria Gallup mostraram que não houve mudança na percepção de americanos que eram a favor ou contra a confirmação de Kavanaugh na Suprema Corte americana. Mas houve uma forte queda no número de pessoas indecisas. Kavanaugh foi confirmado no cargo pouco mais de uma semana depois.

Ou seja, no clima de hostilidades atual, talvez não seja mais necessário puxar o freio no tom do discurso.

Jeremy Frimer, da Universidade de Winnipeg, e Linda Skitka, da Universidade de Illinois, em Chicago, exploraram se isso é verdade. Seus resultados, publicados recentemente no periódico Journal of Personality and Social Psychology, um dos mais importantes do meio, são surpreendentes.
Princípio de Montagu

Frimer e Skitka examinaram duas hipóteses. A primeira foi chamada de “Princípio de Montagu”, em homenagem à aristocrata inglesa do século 18, Lady Mary Wortley Montagu, que proferiu a famosa frase: “civilidade não custa nada e compra tudo”. Por esse princípio, a indelicadeza prejudica a percepção que se tem de um político.

A segunda é a “hipótese da carne vermelha”. O insulto pessoal seria como “jogar carne” – ou satisfazer – seus apoiadores. Por essa lógica, apoiadores perceberiam comentários incivilizados como críticas autênticas e honestas que representam seus próprios sentimentos. Na polarização política atual, essa estratégia apelaria para a falta de confiança que que os fãs obstinados de políticos têm sobre seus adversários.

Frimer e Skitka conduziram uma série de experimentos, incluindo análises da influência dos tuítes de Donald Trump em pesquisas de opinião pública e questionários online. Curiosamente, os pesquisadores concluíram que quanto mais agressiva era a linguagem de Trump, menor a aprovação dos participantes. E em casos em que ele demonstrava respeito, sua imagem melhorava.

Uma parte crucial do resultado mostrou que o “princípio de Montagu” – e não o da “Carne Vermelha” – se provou verdadeiro até mesmo entre os apoiadores de Trump.

E isso valia inclusive quando o político respondia a críticas contra sua imagem – uma situação em que teoricamente ele estaria mais justificado a reagir à altura. De forma geral, parece que o público prefere que políticos evitem uma linguagem rude e que não respondam a insultos.

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Brasileira perde casa em incêndio na Califórnia: ‘É como se tivessem cortado minha raiz’ 19

A fuligem que caía do céu era um sinal claro: o fogo se aproximava. Era manhã de sexta-feira numa das regiões mais bonitas da Califórnia, numa casa na floresta de Malibu, bem perto da praia Zuma. A brasileira Luiza Florence Black, 35, acelerou o passo. Queria dar o fora dali o quanto antes para proteger a filha de oito meses do ar cada vez mais carregado de fumaça.

“Achava que ia ficar só uns dois ou três dias fora”, lembra Luiza, jornalista há 12 anos nos Estados Unidos. “Sabia o quão rápido o fogo pode se alastrar”, disse Luiza, que já havia feito cobertura sobre outros incêndios.

Enquanto fazia a mala com algumas roupinhas da bebê, a prefeitura de Malibu ligou no telefone fixo e mandou mensagem no celular avisando para a saída obrigatória da região. “Aí o bicho pegou, caiu a ficha que a casa podia pegar fogo. E que as estradas ficariam congestionadas. Tinha que me agilizar”, disse ao UOL.
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Ela conta que duas conhecidas que demoraram 40 minutos a mais para sair de casa acabaram quatro horas presas no trânsito, e os filhos foram parar no hospital com problemas respiratórios. “Agradeço todos os dias pelo instinto de sair dali o mais rápido possível”, disse, com a bebê Ella no colo, saudável.

Antes de sair, Luiza pegou documentos, duas mudas de roupa, objetos do marido, que estava viajando, além de comida e coleiras dos dois cachorros, Lola e Zé. Seus equipamentos de trabalho, como câmera e tripé, já estavam no carro. “Essa bota é a mesma que eu usava na hora”, diz a jornalista, que veio ao país como correspondente de uma revista e hoje trabalha para uma rede de televisão.

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Coreia do Sul condena líder de seita por estupro de 8 fiéis 5

O líder de uma seita sul-coreana foi condenado nesta quinta-feira (22) a 15 anos de prisão por estuprar oito mulheres. As vítimas do pastor Lee Jaerock “eram incapazes de opor resistência, pois estavam submetidas à autoridade religiosa absoluta do acusado”, afirmou o juiz Chung Moon-sung no tribunal do distrito central de Seul.

A devoção religiosa é muito intensa na Coreia do Sul, onde 44% dos habitantes se declaram fiéis.

A maioria dos fiéis está vinculada a Igrejas reconhecidas, com frequência ricas e poderosas, frequentadas por dezenas de milhares de fiéis que não hesitam em doar até 10% de seus salários.

Mas o país também possui muitas igrejas à margem, algumas delas envolvidas em casos de fraude, coação, “lavagem cerebral”, manipulação dos frequentadores e outras práticas sectárias.

Lee Jaerock fundou a igreja de Manmin, de inspiração protestante, em Guro, bairro pobre de Seul, em 1982. Começou com 12 fiéis, mas atualmente sua congregação afirma ter 130.000 fiéis.

A igreja tem uma grande sede, um auditório luxuoso, e o site oficial destaca o grande número de milagres em seu templo.

Após as revelações do movimento #MeToo, que também atingiu a Coreia do Sul, três fiéis denunciaram este ano o líder religioso, que as convocou para sua casa e as forçou a manter relações sexuais.

“Não fui capaz de resistir a ele. Era mais que um rei. Ele era Deus”, afirmou uma vítima, integrante da igreja desde a infância, em uma entrevista a um canal de TV.

O pastor disse a outra vítima que ela estava no paraíso e deveria ficar nua, como Adão e Eva no Jardim do Éden. “Chorei porque odiava fazer isto”, declarou.

Oito mulheres denunciaram o pastor, e o tribunal o declarou culpado por dezenas de estupros durante um longo período.

“Em seus sermões, o acusado sugeriu, direta ou indiretamente, que era o Espírito Santo”, destacou o juiz. E as vítimas pensavam que ele “era um ser divino com poderes divinos”, completou.

Lee Jaerock, que nega as acusações, escutou o veredicto com os olhos fechados e não mostrou qualquer emoção diante de mais de 100 fiéis que assistiram ao julgamento.

O advogado do pastor acusou as denunciantes de mentir como forma de vingança depois que foram expulsas por terem violado as regras da igreja.

“A igreja central de Manmin se concentra na adoração do pastor Lee Jaerock”, afirmou Kim Yu-sun, que foi membro da igreja por 20 anos.

“Agora que frequento uma igreja diferente, venero Jesus e rezo para Deus. Sou feliz”, completou.

A Coreia do Sul é um terreno fértil para os grupos religiosos com ideologias fortes, que oferecem esperança de salvação a pessoas pressionadas por uma sociedade ultracompetitiva, na qual o status é tudo.

De acordo com um estudo governamental de 2015, 28% dos sul-coreanos afirmam pertencer a uma igreja cristã, e 16% se apresentam como budistas.

Segundo o diretor do Instituto Coreano de Pesquisas sobre a Herança Cristã, Park Hyung-tak, dois milhões de pessoas pertencem a seitas.

“O país tem 60 líderes de seitas que alegam representar a segunda vinda de Cristo, ou inclusive o próprio Deus”, explica à AFP.

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Na Alemanha e na Espanha, funcionários da Amazon fazem greve durante Black Friday Comente

Funcionários dos centros logísticos da Amazon na Alemanha e na Espanha entraram em greve nesta sexta-feira, abandonando postos de trabalho durante a Black Friday, dia de descontos que inaugura a temporada de compras de Natal.

A Amazon Alemanha disse que cerca de 620 trabalhadores participam da greve em suas unidades de Bad Hersfeld e Rheinberg, mas que a maioria dos funcionários continuam trabalhando e não houve impacto aos pedidos de consumidores.

O sindicato alemão de serviços Verdi convocou trabalhadores da Amazon a entrarem em greve por 24 horas até a meia noite nesta sexta-feira, exigindo melhor pagamento e contratos trabalhistas que garantam condições salubres de trabalho.

“Estamos entrando no impulso do fim de ano, o período mais estressante para funcionários”, disse a representante da Verdi, Mechthild Middeke. “Especialmente em um dia como Black Friday, trabalhadores deveriam ser o foco principal.”

A Amazon Alemanha disse que suas vagas oferecem salários competitivos e benefícios amplos desde o primeiro dia de trabalho. No país, funcionários ganham um salário inicial de 10,78 euros (12,23 dólares) por hora e recebem em média um salário mensal de 2.397 euros após dois anos.

Funcionários da maior unidade da Amazon na Espanha, em San Fernando de Henares, abandonaram os postos de trabalho nesta sexta-feira e também estarão de greve no sábado. Sindicatos dizem que cerca de 85 a 90 por cento dos funcionários estão participando.

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Sangue de jornalista saudita foi despejado no esgoto do banheiro de consulado, diz jornal turco 1

O médico legista militar saudita Salah al Tubaigy utilizou seringas para extrair o sangue do corpo do jornalista Jamal Khashoggi depois que ele foi assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, informou nesta sexta-feira o jornal turco “Sabah”.

A publicação, que cita fontes não especificadas dos órgãos de segurança turcos, afirmou que Tubaigy trouxe em sua bagagem bisturis e seringas, uma informação que teria supostamente sido comprovada pelas imagens do escâner do aeroporto de Istambul.

Depois que a equipe de agentes sauditas asfixiou Khashoggi com uma sacola, o legista preparou o desmembramento do corpo, a fim de sumir com o mesmo, e para isso extraiu com uma seringa todo o sangue do corpo, despejando-o no sistema de esgoto do banheiro do consulado.

Essa versão contradiz outra veiculada na semana passada no jornal “Hürriyet”, segundo a qual a equipe injetou na vítima uma substância para fazer o sangue coagular e assim poder esquartejar o corpo com maior facilidade.

O Ministério Público da Turquia confirmou oficialmente que o corpo de Khashoggi, assassinado mediante asfixia, foi desmembrado para sumir com os vestígios do crime, mas não detalhou o procedimento, nem outras circunstâncias do homicídio.

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Como a demissão do procurador-geral dos EUA pode afetar a investigação sobre a Rússia Comente

A decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de demitir o procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, e indicar o ex-chefe de gabinete de Sessions, Matthew Whitaker, como chefe do Departamento de Justiça imediatamente levantou perguntas sobre o significado dessa medida para Robert Mueller, o procurador especial que lidera a investigação sobre a Rússia.
O que isso significa para a investigação de Mueller?

A mudança significa que Whitaker assume a supervisão do inquérito que era feita por Rod Rosenstein, o vice-procurador-geral.

Sessions se recusou a supervisionar casos derivados da eleição de 2016, citando seu papel como apoiador ativo de Trump, por isso Rosenstein tem servido como procurador-geral para investigar se algum aliado de Trump conspirou com a interferência russa na eleição e se o presidente obstruiu o inquérito. Ele indicou Mueller como procurador especial.

Como Whitaker não é impedido de conduzir casos decorrentes da eleição de 2016, como era Sessions, ele assume o caso. Rosenstein volta a seu trabalho normal de supervisor de operações do Departamento de Justiça.
Qual é a posição de Whitaker em relação à investigação de Mueller?

Em agosto de 2017, antes de entrar para o governo Trump, Whitaker escreveu em uma coluna de opinião que a investigação de Mueller foi longe demais ao examinar os registros financeiros da Trump Organization e verificar os aliados de Trump por crimes não relacionados à Rússia para incentivá-los a cooperar.

“Não é preciso ser um advogado ou um ex-promotor federal como eu para concluir que a investigação das finanças de Donald Trump ou de sua família caem completamente fora do escopo de sua campanha de 2016 e alegações de que a campanha foi coordenada com o governo russo ou qualquer outra pessoa”, escreveu ele, argumentando que Rosenstein precisava conter Mueller para que a investigação não se tornasse “uma expedição de pesca política”.

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Confronto entre Israel e Hamas em Gaza tem pior escalada desde guerra de 2014 Comente

Os confrontos entre palestinos e israelenses atingiram nesta terça-feira (13) sua pior escalada desde 2014, despertando o temor de uma nova guerra. Cerca de seis palestinos já morreram e 25 ficaram feridos em ataques israelenses. Médicos informaram que cerca de 20 israelenses também se feriram e ao menos um morreu.

O conflito se intensificou durante a madrugada, obrigando diversos civis a procurar abrigos subterrâneos do lado israelense. As escolas estão fechadas em várias localidades próximas da fronteira entre os dois territórios por medida de segurança.

A origem dessa escalada parece estar em uma incursão de soldados que terminou mal. O Exército israelense falou de uma operação de Inteligência e negou que se tratasse de uma tentativa de assassinar, ou de capturar palestinos, como alega o Hamas.

Segundo as brigadas Ezzedin al-Qassam, soldados israelenses à paisana avançavam no território de Gaza a bordo de um veículo civil, quando foram parados por uma patrulha no leste de Khan Yunis. Qualquer infiltração israelense no território submetido a um rigoroso bloqueio representa uma missão de alto risco.

O Hamas e outras facções armadas lançaram mais de 400 foguetes e morteiros através da fronteira depois de realizarem um ataque-surpresa de míssil teleguiado contra um ônibus na segunda-feira que feriu um soldado israelense, disseram os militares.

O grupo disse estar retaliando a operação israelense em Gaza que matou um de seus comandantes e seis outros atiradores. Um coronel israelense também morreu no incidente.

O acionamento de sirenes em cidades do sul israelense e no porto de Ashkelon fez os moradores correrem para abrigos antibomba. Várias casas foram atingidas, e os militares disseram que o sistema antifoguetes Domo de Ferro interceptou mais de 100 foguetes e morteiros.

Israel reagiu com dezenas de ataques aéreos contra edifícios de Gaza, incluindo um complexo de inteligência do Hamas e os estúdios da TV Al-Aqsa, cujos funcionários haviam sido alertados previamente pelos militares para se retirarem.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu convocou seu gabinete de segurança nesta terça-feira para debater as próximas ações de Israel, e os militares disseram ter enviado infantaria e reforços blindados para a fronteira de Gaza.

Um comunicado emitido por grupos militantes de Gaza disse que Ashdod, um grande porto israelense, e Beersheba, a maior cidade do sul de Israel, serão os próximos alvos se o Estado judeu não cessar-fogo.
Confronto maior

A escalada ameaça minar os esforços do Egito, do Qatar e da Organização das Nações Unidas (ONU) para mediar um cessar-fogo de longo prazo e impedir mais um conflito de grande escala no enclave empobrecido.

O premiê israelense declarou que “não recuará diante de uma guerra”, se ela for necessária, mas buscará evitá-la, “se não for indispensável”.

O enviado especial da ONU, Nickolay Mladenov, afirmou, por sua vez, que continua a trabalhar com o Egito para afastar Gaza da “beira do abismo”. “A escalada das últimas 24 horas é extremamente perigosa”, tuitou, acrescentando que “moderação deve ser demonstrada por todos”.

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Gaza acena para cessar-fogo com Israel após maior escalada de ataques em anos; saiba o histórico Comente

Mais uma vez a Faixa de Gaza esteve sob ataque nesta última semana. Bombardeios israelenses mataram sete palestinos, ao menos cinco deles militantes, desde segunda-feira (12). Ataques com mísseis e foguetes lançados de Gaza mataram um palestino em Israel e feriram um soldado israelense.

A origem dessa escalada parece estar em uma incursão de soldados que terminou mal. O Exército israelense falou de uma operação de Inteligência e negou que se tratasse de uma tentativa de assassinar, ou de capturar palestinos, como alega o Hamas. Nesta terça (13), grupos militantes em Gaza concordaram em suspender os ataques, caso Israel faça o mesmo.

Foram os piores ataques mútuos desde a guerra de 2014 e analistas temeram uma quarta guerra, em dez anos, entre o grupo Hamas e Israel. Os conflitos constantes e um severo bloqueio aplicado por Israel assolam o pequeno enclave palestino. Conheça o histórico:
Pequeno território

Limitada ao norte e a leste por território israelense, a oeste pelo Mediterrâneo e ao sul pelo Egito, a Faixa de Gaza é um pequeno território de 362 km². Nele convivem dois milhões de palestinos, uma das mais altas densidades populacionais do mundo.

Após a guerra de 1948-1949, que explodiu por conta da proclamação do Estado de Israel, Gaza permaneceu sob a administração do Egito sem jamais ser anexada. Em junho de 1967, Gaza foi ocupada por Israel.