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Maduro viaja para Rússia onde terá uma “necessária” reunião com Putin

Caracas, 3 dez (EFE).- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, embarcou nesta segunda-feira para a Rússia, onde realizará uma “necessária” reunião de trabalho com o presidente Vladimir Putin para analisar a estreita cooperação mantida pelos dois países e em busca de melhorias “econômicas” do país venezuelano, que passa por uma grave crise.

“Estou indo para Moscou onde terei uma reunião de trabalho, necessária, com o presidente Vladimir Putin”, disse Maduro, no Aeroporto Internacional Simón Bolívar.

Maduro geralmente se refere à Rússia, que fornece armas, tecnologia e outros recursos para Venezuela, como “aliada estratégica” de sua política multilateral.

A viagem de Maduro acontece depois de receber também nesta segunda, em Caracas, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que lhe concedeu um respaldo político e econômico com a promessa de investimentos milionários que ajudem a Venezuela a aliviar a grave crise que atravessa.

Maduro não deu mais detalhes sobre sua agenda em Moscou, embora tenha indicado que a visita já estava planejada e permitirá que ele feche este ano de 2018 “com chave de ouro” em questões diplomáticas.

As relações entre a Venezuela e Rússia tiveram durante o mandato de Hugo Chávez uma relação em várias áreas como energia, militar e cooperação, que se manteve durante toda a gestão do ex-líder venezuelano.

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Venezuela e Turquia assinam acordos sobre assuntos econômicos e de defesa

Os governos da Venezuela e Turquia assinaram na segunda-feira uma série de acordos econômicos e de defesa que marcam uma “nova” era nas relações entre os dois países, afirmou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, durante uma cerimônia com o mandatário turco, Recep Tayyip Erdogan.

As alianças incluem acordos nos setores de petróleo, turismo e transporte marítimo, bem como a exploração mineira, indústria que a Venezuela espera desenvolver nos estados do sul do país.

Sobre esta questão, Maduro afirmou que a relação comercial entre os dois países é “sincera e próspera”, embora o intercâmbio seja recente e tem a projeção de aproximadamente US$ 800 milhões para este ano.

Também foi assinado um acordo de cooperação em defesa e assuntos militares.

Nenhum detalhe adicional foi divulgado sobre o conteúdo dos acordos ou como eles serão implementados.

Erdogan realizou na segunda-feira a primeira visita de Estado de um líder turco à Venezuela, desde que as duas nações estabeleceram relações diplomáticas em 1999, segundo o Ministério das Relações Exteriores venezuelano.

O presidente turco destacou as medidas “importantes” que os dois governos tomaram para aprofundar uma relação que apresenta uma clara “melhoria”.

Além disso, ele pediu para continuar “avançando no mecanismo de diálogo” e o aumento das “visitas e o trabalho” bilaterais.

Os acordos foram assinados no meio da grave crise econômica que atravessa a Venezuela, que se expressa em escassez generalizada e hiperinflação, um indicador de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima fechará em 2.500.000% este 2018 no país sul-americano.
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Guterres diz que integridade territorial da Ucrânia deve ser respeitada

Buenos Aires, 29 nov (EFE).- O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu nesta quinta-feira para evitar uma escalada no novo conflito entre Ucrânia e Rússia, mas ressaltou que a integridade territorial ucraniana deve ser respeitada.

Em entrevista coletiva em Buenos Aires, onde participará entre amanhã e sábado da cúpula de líderes do G20, Guterres disse que vê com “muita preocupação” as tensões entre russos e ucranianos.

A Ucrânia anunciou hoje que pedirá à comunidade internacional que feche o Estreito de Bósforo. A medida seria uma resposta à captura de três navios da Marinha do país pela Guarda Costeira da Rússia perto do Estreito de Kerch, no Mar Negro.

“Entendo o nível de tensão que há nesses momentos, mas esperemos que evitem aumentar a violência desta situação e que cheguemos a um ponto mais positivo que o atual”, disse Guterres.

O governo da Ucrânia considera que a Rússia bloqueou o Mar de Azov, compartilhado pelos dois países, desde que o Kremlin reforçou a inspeção de navios no Estreito de Kerch. As tensões começaram depois da inauguração em maio de uma ponte que une a península da Crimeia ao território russo continental.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, expressou confiança de que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) envie navios para a região, mas a Rússia alerta há vários meses que não permitirá que nenhuma embarcação da aliança cruze o Estreito de Kerch.

Além disso, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que participará da cúpula do G20 em Buenos Aires, defendeu ontem o uso da força contra os navios ucranianos. Segundo ele, eles se dirigiam diretamente contra a ponte na península da Crimeia.

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Presidente da China, Xi Jinping, chega a Buenos Aires para participar do G20

Buenos Aires, 29 nov (EFE).- O presidente da China, Xi Jiping, chegou na noite desta quinta-feira a Buenos Aires para participar da cúpula do G20, que será realizada entre amanhã e sexta.

Xi, um dos protagonistas do encontro, foi recebido pelo governador da província de Jujuy, Geraldo Morales, no Aeroparque Jorge Newbery, perto de onde ocorrerá a cúpula de líderes do G20

Como parte de sua agenda, Xi deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um encontro que deve atrair a maior parte dos olhares no G20.

Xi e Trump devem discutir um acordo para acabar com a guerra comercial entre os dois países.

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Especialistas alertam que Brexit sem acordo pode provocar falta de alimentos

Londres, 30 nov (EFE).- Uma saída abrupta do Reino Unido da União Europeia (UE) pode interromper o fornecimento de alimentos em algumas regiões do país e provocar “desordens sociais”, alertou nesta quinta-feira um grupo de especialistas britânicos.

Pesquisadores das universidades de Londres, de Sussex e do Instituto de Saúde Meio Ambiental indicaram, além disso, que o Brexit pode reduzir os padrões de qualidade da alimentação dos britânicos e provocar grandes variações no preço da comida.

Diante dos riscos, os especialistas informaram que enviaram uma carta às autoridades locais do Reino Unido, sugerindo a formação de equipes para analisar o possível impacto do Brexit em suas regiões.

Segundo o estudo, as prefeituras serão essenciais para prevenir os problemas que as interrupções no abastecimento de alimentos podem provocar nas cidades de todo o país.

“O impacto do Brexit na disponibilidade de alimentos dependerá de onde as pessoas vivem. As que estão mais longe dos portos do Canal da Mancha são as que correm mais riscos”, afirmou Erik Millstone, professor de Ciência Política da Universidade de Sussex.Os pesquisadores destacaram que a saída do Reino Unido da UE afetará o sistema alimentar britânico com ou sem acordo. No entanto, a opção de deixar o bloco abruptamente é a que mais riscos pode gerar.

“Seja qual for o resultado das negociações políticas, mudanças significativas estão no horizonte”, disse o diretor do Instituto de Saúde Meio Ambiental para a Irlanda do Norte, Gary McFarlane.

A carta enviada às prefeituras recomenda que os governos locais elaborem um mapa detalhado do funcionamento do abastecimento de cada região. Além disso, o texto sugere que as autoridades avaliem a possibilidade de aumentar a capacidade de armazenamento em caso de necessidade.

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Cultivo de coca no Peru se desloca para as fronteiras com o Brasil e a Bolívia

Mudança radical no mapa peruano da coca. O diretor do órgão antidrogas do país, Rubén Vargas, informou nesta terça-feira, 27, que houve ampliação da área cultivada nas regiões da Amazônia peruana que fazem fronteira com o Brasil e a Bolívia, como resultado do aumento do consumo de drogas no Brasil, Argentina e Chile, e também do envio da droga a mercados emergentes, especialmente na Ásia.

“O mercado de drogas no Brasil está alterando o mapa da droga no Peru”, frisou Vargas em uma reunião com a imprensa estrangeira. Ele preside a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Vida sem Drogas (conhecida pela sigla Devida). “Além disso, há uma reconfiguração do mercado em países do Mercosul, como Argentina e Chile, onde está sendo consumida uma grande quantidade de cocaína. Mas não são apenas os consumidores, são pontos de reembarque para outras partes do mundo.”

As cifras sobre a superfície ocupada pela coca para tráfico de drogas no Peru estão estancadas desde 2016, quando foi divulgado o último relatório anual sobre Peru do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). No entanto, sua distribuição mudou. “Fica claro para nós que há um aumento em áreas de fronteira: no Baixo Amazonas, em Caballococha – tríplice fronteira com a Colômbia e o Brasil –, na província de Sandía – região de Puno, fronteira com a Bolívia, embora bem conectada com o Brasil pela Rodovia Interoceânica Sul – e na região de Madre de Dios – fronteiriça com o Brasil e a Bolívia”, explicou Vargas nesta terça-feira.

O diretor disse a El Pais que não há estudos de rastreabilidade e, por isso, não é possível saber quanto da cocaína produzida no Peru permanece nos dois maiores países do Mercosul – Brasil e Argentina – e no Chile, e quanto é destinado a novos mercados na Ásia, sul da África e Oceania. Em 2017, autoridades locais de Caballococha, citadas pela agência EFE, contabilizaram de 10.000 a 15.000 hectares de cultivos de coca na região de Mariscal Castilla (da qual Caballococha é a capital), embora em 2016 o relatório do UNODC tenha registrado apenas 370 hectares nessa jurisdição.

As entidades envolvidas na luta contra as drogas no Peru, incluindo agências de cooperação internacional, não entram em acordo há anos sobre a fórmula para calcular a produção de cocaína. “Algumas dizem que são necessárias 300 folhas de coca para produzir um quilo de cocaína, outras falam em 250”, diz o diretor da Devida. Diante dessa falta de informação sobre a cocaína produzida no território peruano, o Executivo não reconhece se é o maior produtor de cocaína, em comparação com a Colômbia e a Bolívia. De acordo com o relatório anual sobre controle de drogas do Departamento de Estado dos Estados Unidos, publicado em março, o Peru é o segundo maior produtor de cocaína e o segundo maior cultivador da folha de coca no mundo, depois da Colômbia.

O vale dos rios Apurimac, Ene e Mantaro (na floresta centro-sul do país) permanece como o que concentra a maior produção. E somente em nove distritos está 41% da área nacional de cultivo de coca, segundo os dados divulgados nesta terça-feira. De acordo com o relatório do UNODC de 2016, a superfície ocupada pela planta da coca nesta área alcança 20.304 hectares. Desde 2009 a cifra cresce ao ritmo de 1.500 hectares por ano, com uma produção potencial total de 66.000 toneladas métricas de cocaína por ano (ou 308 toneladas de cocaína), 75% do que o Peru produz.

O plano da Devida para alterar essa situação é construir mais infraestrutura no vale para que os produtores de cacau, café, barbasco e amendoim possam levar seus produtos para os mercados, e entregar equipamentos para gerar valor agregado aos produtos alternativos à coca.

Em vários vales de plantio de coca, uma agência do Ministério do Interior destrói manualmente os arbustos, a fim de conter o avanço do narcotráfico, mas essa atividade não é realizada no vale dos rios Apurimac, Ene e Mantaro. Lá, um grupo armado de cerca de 250 homens sob o comando dos irmãos Quispe Palomino executa ações ligadas ao tráfico de drogas e também intimida bases do Exército e mata membros das forças de segurança em emboscadas. O clã é um remanescente do grupo terrorista Sendero Luminoso, que surgiu em 1980 na cidade de Ayacucho.

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Um terço dos europeus mal ouviu falar do Holocausto

O crescimento da extrema direita nas urnas europeias é acompanhado de lemas e símbolos que lembram, e não apenas aos olhos dos judeus, o clima que reinava no continente nos anos 1930. À medida que passa o tempo desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o Holocausto começa a cair no esquecimento de um passado distante, alertavam no primeiro semestre os autores do estudo anual da Universidade de Tel Aviv sobre o antissemitismo. Agora, uma pesquisa feita em sete países da Europa para a rede de TV CNN acaba de confirmar essa percepção. Um terço dos europeus não sabe nada ou mal ouvir falar do extermínio de mais de seis milhões de judeus pelo regime nazista. O Yad Vashem, museu e centro de pesquisa de Jerusalém sobre o Holocausto, alertou para “a persistência de atitudes antissemitas na civilização europeia 75 anos depois” da chamada solução final.

Estereótipos que pareciam abandonados ressurgem com o eco perturbador da expansão do fascismo. Mais de um quarto dos 7.000 cidadãos consultados pelo instituto ComRes na Alemanha, França, Reino Unido, Polônia, Áustria, Hungria e Suécia consideram que os judeus têm muita influência no mundo dos negócios, e 20% acham que eles dominam a política e os meios de comunicação. Porcentagens semelhantes consideram que os israelenses estão por trás da maioria das guerras e conflitos ativos, segundo a pesquisa − feita antes do ataque de 27 de outubro contra a sinagoga de Pittsburgh, que deixou 11 mortos.

O conceito de antissemitismo não está universalmente definido. A Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, integrada por 31 países ocidentais, entre eles Alemanha, Espanha e Reino Unido, adotou em 2016 a seguinte definição, sem força legal: “É uma determinada percepção sobre os judeus, que pode ser expressa como ódio em relação aos judeus. As manifestações verbais e físicas de antissemitismo são dirigidas a indivíduos judeus ou não judeus e ou suas propriedades, e a instituições e centros religiosos da comunidade judaica”.

O banco de dados do Centro Moshe Kantor para o estudo do antissemitismo e do racismo contemporâneos, ligado à Universidade de Tel Aviv, destaca que em 2017 houve uma queda de 9% no número de incidentes violentos contra os judeus. Na Espanha, esse observatório registrou apenas dois casos de antissemitismo agressivo, em comparação com 99 casos nos Estados Unidos, 55 no Reino Unido e 36 da Alemanha. “Mas essa redução dos ataques é ofuscada pelo aumento de outras manifestações antissemitas − como as que ocorrem nas redes sociais ou na forma de bullying nas escolas –, muitas das quais não são nem mesmo denunciadas”, advertiu o Centro Kantor.

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Banco da Inglaterra adverte que Brexit pode ser pior do que a crise de 2008

O Banco da Inglaterra (BoE na sigla em inglês) publicou um relatório demolidor na quarta-feira que pode ajudar Theresa May a conseguir que seu plano do Brexit seja aprovado pelo Parlamento em 11 de dezembro. A autoridade monetária do país afirma que uma saída desordenada da UE, se os deputados rejeitarem o acordo fechado com Bruxelas, poderia causar um prejuízo maior do que a recente crise financeira, com uma queda do PIB de até 8%. Os preços da moradia, segundo o documento da instituição, podem cair até 30% e a inflação disparar para 6,5%. Na recessão de 2008, a economia do Reino Unido despencou 6,5%. O BoE afirma, em uma tentativa de amenizar seu discurso, que já foram feitos os preparativos necessários para enfrentar um cenário tão negativo e que as instituições financeiras do país teriam força para resistir.

O relatório BoE foi publicado horas após de outro, elaborado pelo Governo de May, que considera os diferentes cenários posteriores à saída da UE para concluir que em nenhum deles é melhor para o Reino Unido do que a situação atual de permanência nas instituições comunitárias.
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O Reino Unido crescerá menos depois do Brexit, mesmo que Theresa May consiga levar adiante no Parlamento o plano acordado com a União Europeia e seja capaz de negociar a futura relação comercial que pretende. O ministro da Economia, Philip Hammond, admitiu que a proposta que May pretende levar à Câmara dos Comuns deixará o país em uma situação pior do que a atual. “Mas não muito pior”, tentou atenuar Hammond na rede BBC.

De acordo com o relatório, de 90 páginas, mesmo que o acordo alcançado por May com a UE siga adiante, o PIB cairia 3,9% ao longo dos próximos 15 anos.

“Se levarmos em consideração apenas as considerações econômicas”, explicou o ministro, “está claro que esta análise mostra que permanecer na UE é claramente um resultado melhor para a economia do Reino Unido, mas não por muito. Mas as pessoas olham apenas para a economia. Também contempla os benefícios políticos e constitucionais da saída

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Sem dinheiro e em forte recessão, argentinos comem pão amanhecido para manter carne 38

A quatro quadras da Casa Rosada, o palácio presidencial, no centro de Buenos Aires, um trabalhador da construção civil organiza o almoço de sua equipe de 25 pessoas.

Em vez de ir buscar sanduíches em algum lugar por perto, ele coloca dois enormes pedaços de carne e linguiças dentro da pá de uma escavadeira mecânica de 90 centímetros de altura que serve de churrasqueira improvisada.

“É um luxo do qual nós não estamos dispostos a abrir mão”, diz Carlos, um dos trabalhadores no intervalo, que pagará 135 pesos (US$ 3,80) pela refeição servida sem salada nem mesmo prato. “Sem o nosso churrasco de fim de semana, nós não sobreviveríamos.”

Os argentinos estão dispostos a sacrificar bastante em meio à recessão mais longa em 17 anos: desde comprar pão amanhecido até renunciar a massas de marcas de primeira linha. Mas não abrem mão da carne bovina.

Na Argentina, o sexto maior país produtor de gado, o churrasco está tão arraigado nos hábitos culinários e sociais que o consumo se mostra resiliente ao aperto do cinto. Os argentinos devoraram seus famosos cortes de carne grelhada a uma taxa anualizada de 57,7 quilos por pessoa nos dez primeiros meses do ano, nível um pouco superior ao dos últimos dois anos, segundo dados compilados pela câmara da indústria e comércio de carnes (a CICCRA). A queda registrada em setembro não durou muito, já que o consumo voltou a subir em outubro.

Os dados mostram que a Argentina ainda é muito mais carnívora do que países muito mais ricos em uma base per capita. A conclusão não surpreende, considerando a maciez e o sabor da carne do país, cujo gado é criado no pasto.

Mas isto acontece em um momento em que a projeção é de a economia ter uma contração de 2% neste ano, com uma inflação de cerca de 40%, um índice de desemprego perto de 10% e uma desvalorização de quase 50% do peso, a maior entre as moedas de mercados emergentes. Não surpreende, portanto, que a confiança do consumidor seja a menor desde a posse do presidente Mauricio Macri, no fim de 2015.

Outros itens básicos estão sendo duramente atingidos.

O consumo de pão caiu 40% em setembro em relação a agosto, segundo uma organização que representa 300 padarias, em parte devido ao aumento dos custos depois que Macri reduziu os subsídios à energia.

“Esta crise é a pior que já vi em meus 76 anos”, disse Daniel Insua, conselheiro e ex-presidente de uma associação de padeiros, por telefone. “Muitos dos nossos membros estão voltando a usar forno a lenha porque sai mais barato do que usar gás natural.”

O consumo de gasolina premium também caiu porque as pessoas estão optando pelo combustível comum, mais barato, e os consumidores estão escolhendo opções mais baratas de massas, arroz e refrigerantes. Mas não há muitos indícios de que estejam procurando proteínas mais baratas.

“Algumas pessoas, principalmente os aposentados, estão comprando menos carne, mas continuam comprando”, disse Delfina Porcel, que tem um açougue e uma mercearia no bairro de Constitución, em Buenos Aires. “A maioria parou de comprar tomate ou alface, mas não carne de vaca.”

* Com a colaboração de Aline Oyamada, Millie Munshi e Andres R. Martinez.

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Por que a civilidade ainda é importante na política Comente

Independentemente de sua afinidade partidária, é difícil negar que a política tenha se tornado menos civilizada nessa última década.

Talvez graças às redes sociais, que nos deram acesso mais direto aos pensamentos das pessoas no poder, nunca antes um presidente dos EUA foi tão regularmente descrito por oponentes como “desonesto”, “louco”, “psicótico” ou “mentiroso”.

Até que ponto essa onda de insultos prejudica a imagem de um político diante do público? Ou simplesmente fortalece sua base de apoio?

Tomemos como exemplo um episódio que intensificou as divisões políticas dos EUA: a audiência na qual o juiz Brett Kavanaugh, nomeado para a Suprema Corte, respondeu a acusações de agressão sexual.

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Na ocasião, Christine Blasey Ford acusou Kavanaugh de tentativa de estupro em um forte testemunho. Kavanaugh adotou um tom agressivo contra Ford. Após a audiência, ele defendeu seu discurso, classificando-o como “lúcido” e “muito emotivo”.

Posteriormente, pesquisas de opinião da consultoria Gallup mostraram que não houve mudança na percepção de americanos que eram a favor ou contra a confirmação de Kavanaugh na Suprema Corte americana. Mas houve uma forte queda no número de pessoas indecisas. Kavanaugh foi confirmado no cargo pouco mais de uma semana depois.

Ou seja, no clima de hostilidades atual, talvez não seja mais necessário puxar o freio no tom do discurso.

Jeremy Frimer, da Universidade de Winnipeg, e Linda Skitka, da Universidade de Illinois, em Chicago, exploraram se isso é verdade. Seus resultados, publicados recentemente no periódico Journal of Personality and Social Psychology, um dos mais importantes do meio, são surpreendentes.
Princípio de Montagu

Frimer e Skitka examinaram duas hipóteses. A primeira foi chamada de “Princípio de Montagu”, em homenagem à aristocrata inglesa do século 18, Lady Mary Wortley Montagu, que proferiu a famosa frase: “civilidade não custa nada e compra tudo”. Por esse princípio, a indelicadeza prejudica a percepção que se tem de um político.

A segunda é a “hipótese da carne vermelha”. O insulto pessoal seria como “jogar carne” – ou satisfazer – seus apoiadores. Por essa lógica, apoiadores perceberiam comentários incivilizados como críticas autênticas e honestas que representam seus próprios sentimentos. Na polarização política atual, essa estratégia apelaria para a falta de confiança que que os fãs obstinados de políticos têm sobre seus adversários.

Frimer e Skitka conduziram uma série de experimentos, incluindo análises da influência dos tuítes de Donald Trump em pesquisas de opinião pública e questionários online. Curiosamente, os pesquisadores concluíram que quanto mais agressiva era a linguagem de Trump, menor a aprovação dos participantes. E em casos em que ele demonstrava respeito, sua imagem melhorava.

Uma parte crucial do resultado mostrou que o “princípio de Montagu” – e não o da “Carne Vermelha” – se provou verdadeiro até mesmo entre os apoiadores de Trump.

E isso valia inclusive quando o político respondia a críticas contra sua imagem – uma situação em que teoricamente ele estaria mais justificado a reagir à altura. De forma geral, parece que o público prefere que políticos evitem uma linguagem rude e que não respondam a insultos.