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Bebê e irmãos são retirados de escombros após terremoto na Itália

Tremor de magnitude 4.0 atingiu a ilha de Ísquia, na segunda-feira (21). Duas pessoas morreram e ao menos 39 ficaram feridas.

Resgatistas retiraram bebê de escombros nesta terça-feira (22) na ilha de Isquia, na Itália   (Foto: Antonio Dilaurenzo/Reuters)Resgatistas retiraram bebê de escombros nesta terça-feira (22) na ilha de Isquia, na Itália   (Foto: Antonio Dilaurenzo/Reuters)

Resgatistas retiraram bebê de escombros nesta terça-feira (22) na ilha de Isquia, na Itália (Foto: Antonio Dilaurenzo/Reuters)

Os bombeiros retiraram nesta terça-feira (22) três crianças dos escombros provocados pelo terremoto que atingiu a ilha turística de Ísquia, na Itália. O primeiro a ser socorrido foi um bebê de sete meses, segundo a Associated Presse. Os outros dois irmãos também foram retirados dos destroços.

O pai das crianças disse à televisão RAI que os meninos estavam no quarto e mãe estava em outro cômodo no momento do tremor. Ela conseguiu escapar por uma janela, mas ele e as crianças ficaram soterrados. Após o pai ser retirado dos escombros, os socorristas conseguiram tirar o bebê, que parecia passar consciente. Os outros dois irmãos mais velhos foram retirados um pouco depois.

O terremoto de magnitude 4.0 atingiu a ilha meridional italiana na segunda-feira (21). Duas pessoas morreram e ao menos 39 ficaram feridas, de acordo com o jornal italiano “Corriere della Sera”.

Criança é resgatada dos escombros após tremor de terra na Itália

Criança é resgatada dos escombros após tremor de terra na Itália

Tremor

O Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) informou que o tremor aconteceu às 20h57 (hora local, 15h57 de Brasília) e seu epicentro foi a 10 km de profundidade.

Imagens divulgadas por meios de comunicação locais mostram danos em imóveis. Em Casamicciola, ao norte desta ilha, o fornecimento de energia elétrica foi interrompido em alguns pontos.

Criança retirada dos escombros de terremoto é socorrida na ilha de Ísquia, na Itália, nesta terça-feira (22)  (Foto: Ciro De Luca/ Reuters)Criança retirada dos escombros de terremoto é socorrida na ilha de Ísquia, na Itália, nesta terça-feira (22)  (Foto: Ciro De Luca/ Reuters)

Criança retirada dos escombros de terremoto é socorrida na ilha de Ísquia, na Itália, nesta terça-feira (22) (Foto: Ciro De Luca/ Reuters)

Como medida de precaução, foi esvaziado o hospital Rizzoli na cidade de Lacco Ameno, também ao norte da ilha, após serem detectadas fendas no edifício, segundo informou seu prefeito, citado pelo jornal “Corriere della Sera”.

A ilha de Ísquia tem origem vulcânica e é um dos destinos turísticos mais populares do Golfo de Nápoles. Ela conhecida pelos numerosos estabelecimentos termais que aproveitam suas águas e lamas de propriedades terapêuticas.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/bebe-e-irmao-sao-retirados-de-escombros-apos-terremoto-na-italia.ghtml

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Presidente da Colômbia critica a ‘ditadura’ de Maduro

Juan Manuel Santos pediu para que comunidade internacional pressione para restabelecer a democracia no país.

Por France Presse

Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, durante coletiva de imprensa em Cartagena, na Colômbia  (Foto: Colombian Presidency/ Reuters)Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, durante coletiva de imprensa em Cartagena, na Colômbia  (Foto: Colombian Presidency/ Reuters)

Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, durante coletiva de imprensa em Cartagena, na Colômbia (Foto: Colombian Presidency/ Reuters)

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, pediu à comunidade internacional que pressione “cada vez com mais força” para restabelecer a democracia na Venezuela, em um artigo publicado no jornal espanhol “El País” no qual critica a “ditadura” de Nicolás Maduro.

No texto, que tem como título “Choramos por ti, Venezuela”, Santos lamenta que no governo Maduro “ao lado da economia, a democracia também foi destruída (…), a corrupção se converteu em voz corrente do regime e o respeito pelos direitos humanos deixou de existir”.

Santos, que nos últimos dias intensificou as críticas a Maduro e não descarta a possibilidade de romper relações com a Venezuela, afirma que “não pode entronizar-se e perpetuar-se uma ditadura no centro da América Latina”.

“Os países da região e da comunidade internacional que defendem os valores da paz e da liberdade devem seguir pressionando, cada vez com mais força e com ações efetivas, por um rápido restabelecimento, oxalá pacífico, da democracia nesta grande nação”, escreve o presidente da Colômbia.

Santos destaca, no entanto, que a posição de Bogotá sempre “foi a de ajudar a buscar uma saída negociada” para a grave crise venezuelana, recordando que a “Colômbia é o país que mais tem a ganhar ou perder” com o que acontecer na nação com a qual compartilha 2.200 km de fronteira.

No texto, Santos recorda que advertiu há sete anos o antecessor e mentor de Maduro, Hugo Chávez, que o modelo que estimulava não teria êxito.

Ele pergunta sobre o fracasso e descreve a crise econômica venezuelana, com uma severa escassez de alimentos e remédios, além da maior inflação do mundo.

Mas Santos destaca que com “humor” manteve uma relação “cordial” com Chávez “até seu último dia, a pesar de nossas profundas divergências”, porque era “o que era conveniente aos dois povos” e era chave para alcançar a paz na Colômbia.

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Senadora vai ao parlamento australiano vestida com burca

Pauline Hanson faz sua campanha contra este tipo de vestimenta das mulheres muçulmanas.

Por Agencia EFE

Senadora Pauline Hanson vestiu burca durante sessão do parlamento da Austrália, nesta quinta-feira (17)  (Foto: Mick Tsikas/ Reuters)Senadora Pauline Hanson vestiu burca durante sessão do parlamento da Austrália, nesta quinta-feira (17)  (Foto: Mick Tsikas/ Reuters)

Senadora Pauline Hanson vestiu burca durante sessão do parlamento da Austrália, nesta quinta-feira (17) (Foto: Mick Tsikas/ Reuters)

A senadora australiana Pauline Hanson, líder do partido ultraconservador Uma Nação, compareceu nesta quinta-feira (17) a uma sessão do Parlamento da Austrália vestida com uma burca. A ação é uma parte de sua campanha contra este tipo de vestimenta das mulheres muçulmanas.

A senadora permaneceu em sua cadeira coberta com o véu de cor preta durante aproximadamente 20 minutos, antes de tomar a palavra e tirar a vestimenta. Ela pediu a proibição da burca por razões de segurança.

“Se uma pessoa deve tirar um gorro que cobre toda a cabeça ou um capacete antes de entrar em um banco ou em qualquer outro edifício, inclusive um tribunal, por que isto não acontece com alguém que tem o rosto coberto e não pode ser identificado?”, denunciou Pauline.

O procurador-geral da Austrália, George Brandis, repreendeu o “espetáculo” da senadora do Uma Nação, um partido que conta com outros três assentos na Câmara, quando tomou a palavra.

“Faço uma advertência e peço que tenham muito cuidado para não ofender as sensibilidades religiosas dos australianos”, em referência às leis contra discriminação racial e em favor da liberdade religiosa, disse Brandis, ao estimar em 500 mil o número de australianos de credo muçulmano, entre os aplausos dos outros integrantes do Legislativo.

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MUNDO

Donald Trump nega ter feito ‘equivalência moral’ entre extremistas e manifestantes nos EUA

Ao longo desta semana, o mandatário afirmou que ‘há culpa dos dois lados’ no episódio de violência ocorrido no último final de semana em Charlottesville.


Por G1

O presidente dos EUA, Donald Trump, negou nesta quinta-feira (17) que tenha defendido a “equivalência moral” entre os grupos supremacistas e os manifestantes anti-extremistas que participaram de protestos em Charlottesville.

Trump usou sua conta no Twitter para rebater as acusações do senador republicano Lindsey Graham, que chamou de “mentiras nocivas”.

Na quarta-feira (16), Graham disse que as declarações do presidente após o ataque – que matou uma mulher – sugeriam “equivalência moral” entre os dois lados, e pediu ainda que o líder usasse suas palavras para curar os americanos, e não para dividí-los.

Houve confrontos entre integrantes da supremacia branca e grupos antiextremistas. Um homem de 20 anos atropelou manifestantes contrários aos supremacistas, matando uma mulher e deixando pelo menos 19 feridos.

Na terça, Trump afirmou que “há culpa dos dois lados” no episódio de violência ocorrido no último final de semana. “Foi um dia horrível. Havia um grupo de um lado que era ruim e um grupo do outro lado que também era muito violento. Ninguém quer dizer isso, mas estou dizendo agora”, afirmou Trump. Em outro trecho da entrevista, ele chegou a dizer que “há ótimas pessoas dos dois lados”.

No sábado, Trump já tinha sido duramente criticado por ter culpado “todos os lados” pela violência. No domingo, depois que sites de grupos neonazistas chegaram a agradecer o tom de seu discurso, no qual eles não foram condenados, a Casa Branca divulgou um comunicado dizendo que os comentários do presidente sobre protestos “incluíam supremacistas brancos, Ku Klux Klan, neonazistas e todos os grupos extremistas”.

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Guerra de versões: as interpretações de governo e oposição para os fatos na Venezuela

Polarização leva os dois lados da disputa política no país a lerem a realidade de formas opostas; veja exemplos.


Por Carlo Cauti, G1

O que aconteceu com a Venezuela?

O que aconteceu com a Venezuela?

A extrema polarização política na Venezuela, com embate permanente entre apoiadores do presidente Nicolás Maduro e forças da oposição, fazem surgir versões muito diferentes, — muitas vezes totalmente opostas –, sobre os acontecimentos no país.

Veja abaixo cinco fatos relacionados à crise venezuelana e as versões dos dois lados:

Crise humanitária

Delcy Rodríguez  (Foto: Pedro Pardo/AFP)Delcy Rodríguez  (Foto: Pedro Pardo/AFP)

Delcy Rodríguez (Foto: Pedro Pardo/AFP)

“Na Venezuela não há fome, na Venezuela há força de vontade. Não há crise humanitária, aqui há amor”, afirmou a ex-chanceler e atual presidente da Assembleia Constituinte, Delcy Rodriguez, quando abriu os trabalhos da nova casa legislativa. Em uma ocasião anterior ela já tinha afirmado durante uma cúpula da Organização dos Estados Americanos (OEA), que “Não há crise humanitária na Venezuela”. “Digo isto com toda a responsabilidade”, acrescentou.

“Não há crise humanitária, aqui há amor”,
Delcy Rodríguez

A opinião dos opositores diverge totalmente da visão da chavista. Em janeiro de 2016, a Assembleia Nacional venezuelana – de maioria oposicionista — aprovou uma resolução em que explicita que o país se encontra em emergência humanitária, entre outras coisas, por causa de uma gravíssima crise sanitária ligada a falta de medicamentos e outros produtos básicos.

O documento exortou o Executivo de Maduro a abastecer as farmácias com medicamentos essenciais, publicar boletins epidemiológicos e permitir o envio sem fins lucrativos de remédios do exterior.

“Os venezuelanos hoje passam fome, morrem à míngua, são assassinados dentro de suas próprias casas”
Maria Corina Machado, oposicionista

“A crise humanitária chegou sim à Venezuela. Os venezuelanos hoje passam fome, morrem à míngua, são assassinados dentro de suas próprias casas. Sem luz, sem água, sem transporte, sem emprego”, afirmou a líder opositora venezuelana Maria Corina Machado.

Assembleia Constituinte

O presidente Nicolás Maduro fala na Assembleia Constituinte (Foto: RONALDO SCHEMIDT / AFP)O presidente Nicolás Maduro fala na Assembleia Constituinte (Foto: RONALDO SCHEMIDT / AFP)

O presidente Nicolás Maduro fala na Assembleia Constituinte (Foto: RONALDO SCHEMIDT / AFP)

Em maio de 2017, Maduro decidiu convocar uma Assembleia Constituinte para “vencer o golpe de Estado” que, segundo ele, seria a razão para a deteriorada situação econômica, política e social do país. De acordo com o anúncio, a Constituinte seria composta por “operários” e não por partidos políticos, sem, portanto, a intervenção do Poder Legislativo, controlado pela oposição ao chavismo.

“Convoco uma Constituinte cidadã. Não uma Constituinte de partidos políticos. Uma de trabalhadores, de camponeses”
Nicolás Maduro

“Assumo todas as consequências e chamo o povo para se preparar para uma grande vitória. Convoco uma Constituinte cidadã. Não uma Constituinte de partidos políticos. Uma de trabalhadores, de camponeses”, disse Maduro, ao invocar o artigo 347, que dá poderes ao chefe de Estado para tomar tais decisões. Segundo ele, a Constituinte seria integrada por 500 legisladores, dos quais 250 seriam eleitos por grupos setoriais como pensionistas, trabalhadores, camponeses, jovens e indígenas.

O presidente advertiu que legalmente os “poderes constituídos”, como a Assembleia Nacional, não poderiam se opor as decisões tomadas dentro da Assembleia Constituinte. “Querem diálogo? Poder Constituinte! Querem eleições? Poder Constituinte!”, provocou Maduro.

“Hoje temos a Assembleia Nacional Constituinte e venho a reconhecer os seus poderes plenipotenciários, soberanos, originários e magnos”, disse Maduro.

“Quando um país é governado com base numa enorme fraude eleitoral, tem uma Assembleia Constituinte que arrebata praticamente todos os poderes do Estado (…)não há, nesse país, nenhum vestígio de democracia”
Luis Almagro, secretário-geral da OEA

Para o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, que há tempos é duro crítico dos rumos tomados pelo governo venezuelano, a história é bem diferente: “Não há democracia na Venezuela. Quando um país é governado com base numa enorme fraude eleitoral, tem uma Assembleia Constituinte que arrebata praticamente todos os poderes do Estado, quando temos presos políticos, quando há políticos inabilitados, quando se suprimiu a independência dos poderes do Estado, quando nem Conselho Nacional Eleitoral e nem Tribunal Supremo de Justiça são poderes independentes e foram tirados todos os poderes da Assembleia Nacional, quando as pessoas saem para se manifestar e chegamos a 130 pessoas assassinadas durante manifestações, não há, nesse país, nenhum vestígio de democracia”, disparou numa entrevista recente.

Luis Almagro (Foto: Jacquelyn Martin/AP)Luis Almagro (Foto: Jacquelyn Martin/AP)

Luis Almagro (Foto: Jacquelyn Martin/AP)

Vitória oposicionista na Assembleia Nacional

As eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015 levaram a uma importante vitória da MUD e a uma derrota do partido governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Os opositores obtiveram 100 dos 167 assentos na Assembleia Nacional, enquanto a coalizão governista conquistou 46 assentos, perdendo quase a metade das cadeiras que tinha.

“Agora, teremos um Parlamento a serviço da burguesia. Da direita, não ouviremos nada que seja para favorecer o povo, pelo contrário”
Diosdado Cabello, líder chavista

Maduro atribuiu a responsabilidade da derrota à “guerra econômica” travada pela oposição apoiada pelos Estados Unidos contra o governo e a população da Venezuela. “A contrarrevolução triunfou, conseguiu impor seu próprio caminho, é uma guerra”, declarou no dia seguinte ao pleito o presidente venezuelano.

Diosdado Cabello (Foto: Reuters)Diosdado Cabello (Foto: Reuters)

Diosdado Cabello (Foto: Reuters)

“Perdemos uma batalha hoje, mas a luta para construir uma nova sociedade socialista está apenas começando”, concluiu Maduro, que nunca reconheceu a legitimidade da eleição, acusou a oposição de fraudes e de “compra de votos”, e tentou impedir as atividades da Assembleia Nacional de diferentes formas.

“O país quer mudança e essa mudança está começando hoje”
Jesús Torrealba, líder da MUD

Do lado da oposição, ao contrário, a nova composição da Assembleia Nacional foi festejada como “uma vitória de toda a Venezuela”, segundo quanto declarado pelo líder da oposição Henrique Capriles. “Os resultados são como esperávamos. A Venezuela venceu. É irreversível”, declarou Capriles. “O país quer mudança e essa mudança está começando hoje”, declarou o líder da MUD, Jesús Torrealba.

 Jesus Torrealba (Foto: Federico Parra/AFP) Jesus Torrealba (Foto: Federico Parra/AFP)

Jesus Torrealba (Foto: Federico Parra/AFP)

Entretanto, o governo não aceitou passivamente esse resultado eleitoral. No dia antes da posse da nova Assembleia Nacional com maioria opositora, o regime venezuelano criou uma “assembleia paralela”, chamada Parlamento Comunal. Uma forma de coibir os poderes da Assembleia Nacional a maioria opositora. “Eu vou dar todo o poder ao Parlamento Comunal, e esse Parlamento será uma instância legislativa do povo desde a sua base”, declarou Maduro.

“Agora, teremos um Parlamento a serviço da burguesia. Da direita, não ouviremos nada que seja para favorecer o povo, pelo contrário”, afirmou o ex-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello.

Crise econômica e desabastecimento

Venezuelanos fazem fila para comprar produtos em Caracas.  (Foto: Jorge Silva/Reuters)Venezuelanos fazem fila para comprar produtos em Caracas.  (Foto: Jorge Silva/Reuters)

Venezuelanos fazem fila para comprar produtos em Caracas. (Foto: Jorge Silva/Reuters)

Há anos a Venezuela sofre com uma crise econômica e de desabastecimento, que se agravou ainda mais a partir de meados de 2014, quando o preço do petróleo caiu. A inflação venezuelana foi estimada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 720% em 2016. Números que o governo venezuelano nega com veemência, alegando que a inflação está “sob controle” e estaria por volta de 274% em 2016, conforme informado pelo Banco Central da Venezuela (BCV) ao próprio FMI.

Cerca de 9,6 milhões de venezuelanos – quase um terço da população – ingerem duas ou menos refeições por dia, e a pobreza aumentou quase nove pontos entre 2015 e 2016, chegando a 81,8% dos lares, segundo a Pesquisa sobre Condições de Vida, realizada por um grupo de universidades.

No entanto, Maduro assegura que em 2016 a pobreza baixou de 19,7% para 18,3%, e a miséria, de 4,9% a 4,4%. O presidente considera os problemas enfrentados pelo seu país fruto de uma “guerra econômica” provocada por “setores da direita, cujas táticas são gerar escassez de comida e necessidades de aumentar os preços de forma desproporcional”.

A oposição venezuelana, por sua vez, denuncia as políticas econômicas do governo e a corrupção dos altos escalões, que seriam as responsáveis por essa grave crise econômica.

“A fraude constituinte madurista é igual a mais fome, mais escassez e mais crise”, declarou Capriles após uma manifestação em junho de 2017.

Prisão de Leopoldo López

A prisão do líder opositor Leopoldo López, em 2014, foi classificada pela oposição como “ilegal” e “arbitrária”. O governo atribuiu a ele a responsabilidade de incitar a população à violência durante a onda de protestos ocorrida no mesmo ano para exigir. Os confrontos deixaram 43 mortos e centenas de feridos.

Leopoldo López com bandeira da Venezuela  em sua casa em Caracas (Foto: JUAN BARRETO / AFP)Leopoldo López com bandeira da Venezuela  em sua casa em Caracas (Foto: JUAN BARRETO / AFP)

Leopoldo López com bandeira da Venezuela em sua casa em Caracas (Foto: JUAN BARRETO / AFP)

Preso desde fevereiro de 2014, López, líder do partido Vontade Popular, foi condenado no ano seguinte a 13 anos e nove meses de prisão.

A decisão do tribunal foi rejeitada pela aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD). “Rejeitamos a ratificação da condenação ilegal e injusta contra nosso irmão e reiteramos que será libertado pelo voto do povo”, declarou naquela ocasião o secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba, rejeitando a sentença, considerada como um “julgamento político”.

Maduro, por sua vez, disse que López tem que pagar pelos crimes cometidos. “Esse é um julgamento de um líder da extrema-direita da Venezuela, responsável por crimes, violências, destruições, e mortes. Ele planejou essa ação. É uma peça dos gringos na Venezuela. É responsável por esses crimes e deve pagar à Justiça, e vai pagar à justiça”, declarou.

Entidades internacionais como a Organização dos Estados Americanos, a União Europeia, e também ONGs como a Human Rights Watch (HRW) e Anistia Internacional (AI), condenaram a prisão de López. “As acusações contra Leopoldo López, líder de um partido da oposição venezuelana sugerem a existência de uma tentativa, politicamente motivada, de silenciar a dissidência no país”, informou a AI em um comunicado.

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Hotel suíço pede a judeus que tomem uma ducha antes de entrar na piscina

O Aparthaus Paradies, nos Alpes suíços, recebe há vários anos muitos clientes judeus, ultraortodoxos em particular. Governo israelense exigiu desculpas oficiais.


Por France Presse

Um hotel suíço fixou um cartaz que pedia aos clientes judeus que tomassem uma ducha antes de entrar na piscina, o que provocou uma grande polêmica em Israel, que exigiu desculpas oficiais.

O cartaz colocado na entrada da piscina do hotel Aparthaus Paradies (Foto: Reprodução/Twitter/@benjamincohen)O cartaz colocado na entrada da piscina do hotel Aparthaus Paradies (Foto: Reprodução/Twitter/@benjamincohen)

O cartaz colocado na entrada da piscina do hotel Aparthaus Paradies (Foto: Reprodução/Twitter/@benjamincohen)

O Aparthaus Paradies, na localidade de Arosa, nos Alpes suíços, recebe há vários anos muitos clientes, ultraortodoxos em particular, procedentes do Reino Unido, Estados Unidos e Israel, informou a imprensa suíça, que revelou o caso.

Mas a direção do estabelecimento, que ao que parece pretendia recordar as normas de higiene aos usuários da piscina, apontou especificamente contra os “clientes judeus” depois de receber reclamações a respeito de duas jovens judias que entraram na água sem passar pela ducha antes, informou o jornal The Times of Israel.

“A nossos clientes judeus, mulheres, homens e crianças, pedimos que tomem uma ducha antes de nadar. Caso não respeitem a norma, seremos obrigados a fechar a piscina par vocês. Obrigado por sua compreensão”, afirma o cartaz.

Outro cartaz colocado no freezer do hotel também se dirigia exclusivamente aos hóspedes judeus, autorizados pela gerência a armazenar alimentos kosher.

“Aos nossos clientes judeus: podem ter acesso ao freezer somente nos seguintes horários: 10H00-11H00 e 16H30-17H30. Espero que compreendam que nossa equipe não gosta de ser incomodada o tempo todo”.

Um cliente fotografou os cartazes e compartilhou as imagens nas redes sociais, o que provocou uma grande revolta em Israel. A vice-ministra das Relações Exteriores, Tzipi Hotovely, exigiu desculpas oficiais por este “ato antissemita do pior tipo”.

A gerente do hotel, Ruth Thomann, afirmou ao jornal suíço Blick que os cartazes foram retirados e negou qualquer motivação antissemita.

“Atualmente, temos muitos clientes judeus e percebi que alguns não tomam a ducha antes de nadar”, disse.

“Como outros clientes pediram que fizesse algo, escrevi o cartaz, um pouco ingenuamente”, admitiu.

“Teria sido melhor ter feito o pedido a todos os clientes do hotel”.

O ministério suíço das Relações Exteriores afirmou em um comunicado que destacou ao embaixador de Israel que a Suíça “condena o racismo, o antissemitismo e qualquer discriminação”.

O Centro Simon Wiesenthal, com sede em Los Angeles e que trabalha para preservar a memória do Holocausto, pediu à ministra suíça da Justiça, Simonetta Sommaruga, o “fechamento do hotel do ódio e sanções a sua administração”.

Também solicitou ao site de reservas Booking.com que retire o Aparthaus Paradies de sua relação e que a comunidade judaica inclua o estabelecimento em sua lista negra.

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Vídeo: queda de árvore mata 12 pessoas em festival religioso de Portugal Leia mais: https://oglobo.globo.com/mundo/video-queda-de-arvore-mata-12-pessoas-em-festival-religioso-de-portugal-

Segundo autoridades, pelo menos 52 pessoas ficaram feridas

FUNCHAL, Ilha da Madeira – A queda de uma árvore causou a morte de 12 pessoas em um festival religioso na ilha da Madeira, em Portugal, relatou a mídia local nesta terça-feira. A árvore caiu sobre vários fiéis que acendiam velas diante de uma imagem de Nossa Senhora do Monte, deixando também 52 feridos, nas colinas próximas à capital de Madeira, Funchal, segundo informou a emissora SIC Notícias.

 

Um vídeo amador mostra o momento em que o carvalho, de quase 200 anos, cai sobre a multidão, causando desespero durante um grande festival católico que marca a entrada no céu da Virgem Maria, a mãe de Jesus.

— Foi terrível, foi tão de repente — disse uma testemunha ao canal SIC, acrescentando que o acidente aconteceu quando os religiosos se preparavam para começar a procissão.

 

Imagens de televisão mostraram bombeiros e outras equipes de resgate trabalhando para ajudar as vítimas e para remover a árvore.

Entre os feridos, sete estão em estado grave, sendo um alemão, um húngaro e um francês, segundo o secretário nacional de saúde, Pedro Ramos.

Ambulância atende o local após árvore cair numa imensa multidão reunida para um tradicional festival religioso nos arredores de Funchal, capital da ilha da Madeira, em Portugal. – Catarina Nunes / AP

O primeiro-ministro de Portugal, Antonio Costa, expressou suas condolências pelas vítimas pelo Twitter. Ele disse que o governo central já fez contato com as autoridades locais da ilha para oferecer ajuda. Costa afirma que “o governo disponibilizou ajuda médica, dado o alto número de vítima.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/mundo/video-queda-de-arvore-mata-12-pessoas-em-festival-religioso-de-portugal-21708182#ixzz4pqhtRjjI
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Cabeleireira mora em Cangaíba, na Zona Leste, com o marido e três filhos. Ela deixou Luanda às pressas e não conseguiu se despedir da menina.


Por Letícia Macedo, G1

Angolana espera conseguir dinheiro com vaquinha virtual para trazer filha de Luanda para São Paulo (Foto: Marcelo Brandt/ G1)Angolana espera conseguir dinheiro com vaquinha virtual para trazer filha de Luanda para São Paulo (Foto: Marcelo Brandt/ G1)

Angolana espera conseguir dinheiro com vaquinha virtual para trazer filha de Luanda para São Paulo (Foto: Marcelo Brandt/ G1)

A cabeleireira angolana Nascimento* mora na Zona Leste de São Paulo, com o marido e três filhos, mas sua família ainda não está completa. Na fuga para o Brasil, ela deixou para trás sua menina mais velha, que está agora com 12 anos.

Marcos, de 7 anos, não esquece da irmã. “Quando ela vem morar com a gente?”, costuma perguntar para a mãe, de 28. E esses questionamentos atormentam ainda mais a cabelereira, que teve que deixar Luanda às pressas em setembro de 2014.

“A família tem que estar junta. Se tiver comida, come, mas tem que ficar sempre reunida”, diz com a voz embargada, de cabeça baixa. Mas apenas com o salário de R$ 900 do marido, que trabalha como faxineiro, fica difícil financiar o sonho de trazer a filha Diara, que atualmente mora com a tia. Só o aluguel do quarto e sala, em Cangaíba, consome mais da metade do dinheiro. O que sobra é para a alimentação das crianças.

Foi quando uma amiga brasileira, comovida com a dor da mãe, criou uma vaquinha virtual para pagar o passaporte e a documentação da menina, que atualmente mora com uma tia na capital de Angola.

Nascimento não conhecia esse recurso e chegou a pensar que funcionava como uma espécie de empréstimo. “Como eu vou devolver esse dinheiro?”, perguntou para a reportagem do G1.

Em dois meses, a iniciativa já conseguiu R$ 410, muito longe dos R$ 10 mil, que a família precisa.

Fuga de Luanda

Nascimento tinha um salão de beleza em Luanda e o marido, uma oficina. De uma hora para outra, o casal, que esperava o terceiro filho, viu a vida mudar. O irmão dela trabalhava em um supermercado e presenciou uma tentativa de furto. Duas mulheres se preparavam para deixar o supermercado com garrafas de vinho na bolsa quando seguranças começaram a agredir as supostas clientes.

Ele, que era caixa, denunciou que funcionários do próprio estabelecimento tinham colocado os produtos na bolsa delas.

Com medo, depois do incidente, ele procurou abrigo na casa da irmã. Funcionários do supermercado passaram a persegui-lo no mesmo dia e foram direto à casa dela por duas vezes. Na segunda vez, a mãe de Nascimento foi violentamente agredida na cabeça. A hemorragia no cérebro não foi contida e ela morreu.

Marcos (o mais velho) sempre pergunta para mãe quando a irmã vai morar com a família  (Foto: Marcelo Brandt/ G1)Marcos (o mais velho) sempre pergunta para mãe quando a irmã vai morar com a família  (Foto: Marcelo Brandt/ G1)

Marcos (o mais velho) sempre pergunta para mãe quando a irmã vai morar com a família (Foto: Marcelo Brandt/ G1)

O casal pediu ajuda na igreja local e foi morar na casa de uma amiga do padre, com os dois filhos, em uma cidade próxima. Depois de cerca de três meses, sem dinheiro para sustento da família, o marido dela voltou para Luanda. O combinado era que ele enviaria dinheiro para a mulher e as crianças com a ajuda do padre.

Poucos dias após chegar a Luanda, ele foi descoberto pelos funcionários do supermercado e acabou preso por vários meses — o motivo a própria Nascimento não sabe explicar muito bem. O padre começou a organizar a fuga do casal. Ele providenciou o passaporte e visto de turista para ela e Marcos, na época o filho mais novo.

Sem dizer adeus

A família vivia triste e sem perspectivas. Um dia, Diara pediu para a mãe para ir à igreja. “Eu não a acompanhei porque não tinha cabeça nem para rezar. Ela me disse que ia pedir para o pai ser solto. Eu deixei. Mas então o padre chegou, às pressas, trazia os documentos e me disse que iríamos para o aeroporto”

 (Foto: Arte/ G1) (Foto: Arte/ G1)

(Foto: Arte/ G1)

“Eles estão vindo te matar. Você precisa sair daqui agora”, disse o padre a ela, que tinha ficado sabendo por um amigo do marido que eles tinham descoberto onde a família estava escondida.

“Pedi para o padre deixar eles acabarem com a minha vida porque eu não aguentava mais viver assim. Mas ele disse que não ia deixar, que ia me proteger”, lembra.

E, assim, na fase final da gravidez, ela e o filho mais novo deixaram a casa sem se despedir de Diara, que ainda não tinha voltado da igreja.

No caminho para o aeroporto, ela viu os vistos de turista para o Brasil. “Eu chorava e perguntava para ele como eu ia viver no Brasil, porque eu não conhecia ninguém aqui”, conta.

Confiante, o padre disse para ela: “Deus vai aparecer por trás de uma pessoa. Ela vai ajudar você”.

Nascimento desceu do avião e, sem saber como recomeçar a vida, começou a chorar com o filho no colo.

Sensibilizada com a cena, foi uma nigeriana que estava no aeroporto de Guarulhos para buscar um grupo de compatriotas quem procurou ajudá-la. A nigeriana, que não falava português, usava o Google tradutor para compreendê-la e acabou levando-a para casa. Ela encaminhou a nova amiga grávida até a Caritas, entidade humanitária ligada à Igreja Católica.

Dez dias após chegar, Nascimento deixou o hotel onde estava em um carro da polícia direto para a maternidade, onde deu à luz Graciano, seu primeiro filho brasileiro. Sozinha, com as duas crianças, ela esperou por quase oito meses a chegada do marido dormindo em um abrigo para refugiados.

Após meses de cadeia, o marido veio sozinho — para a tristeza de Nascimento. Aos poucos, a família foi se organizando e alugou uma casa. A quarta integrante da família nasceu há quatro meses.

O contato com Diara seguiu muito complicado. A menina, que passou a viver com uma antiga vizinha, dizia para o padre que se sentia abandonada pelos pais. A menina adoeceu chegou a ficar internada e fazer um longo tratamento médico.

“A última vez que eu consegui falar com minha filha por telefone, ela disse apenas ‘mãe’ e não conseguiu mais falar de tanto chorar. É muito triste”, conta.

Há cerca de 15 dias o celular da tia, que cuida atualmente de Diara, foi roubado. Sem previsão de quando ela terá condições de comprar um novo, a cabelereira se conforma. “Vou ter que esperar. O que me preocupa é que ela está fora da escola, não sei direito se recuperou a saúde”, afirma. A tia está disposta a fazer os trâmites necessários para que venha para cá.

* Como até hoje Nascimento tem medo de ser reconhecida em seu país, ela pede para não ter o nome completo revelado pela reportagem. Os nomes das crianças foram alterados por questões de segurança.

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Acreditava-se que crânios que começaram a ser escavados sob Cidade do México em 2015 seriam de guerreiros capturados em batalha e decapitados.

Os crânios foram descobertos em 2015 (Foto: Reuters/Henry Romero)Os crânios foram descobertos em 2015 (Foto: Reuters/Henry Romero)

Os crânios foram descobertos em 2015 (Foto: Reuters/Henry Romero)

Ao longo dos últimos séculos, ela era conhecida no México, onde era passada de geração a geração: a história sobre uma “torre de crânios” que espalhava medo e pavor entre nos conquistadores espanhóis.

Relatos diziam que a estrutura era composta de milhares de cabeças de guerreiros decapitados.

Por 500 anos, os crânios ficaram intactos sob o solo daquela que um dia foi a capital asteca, Tenochtitlán, no local onde hoje fica a Cidade do México.

Até que, há dois anos, um grupo de arqueólogos descobriu os primeiros crânios – dando início à revelação de seus segredos.

Arqueólogos têm feito descobertas impressionantes ao explorar os crânios encontrados na região (Foto: Reuters/Henry Romero)Arqueólogos têm feito descobertas impressionantes ao explorar os crânios encontrados na região (Foto: Reuters/Henry Romero)

Arqueólogos têm feito descobertas impressionantes ao explorar os crânios encontrados na região (Foto: Reuters/Henry Romero)

Uma das descobertas mais recentes surpreendeu os pesquisadores: os crânios eram de homens jovens, mas também de mulheres e crianças – o que obriga historiadores a repensar seus conhecimentos sobre o assunto.

“Nós estávamos esperando encontrar apenas homens, homens jovens, como soldados costumam ser. Você nunca vai imaginar mulheres e crianças indo para a guerra”, afirmou à agência de notícias Reuters Rodrigo Bolanos, um dos antropólogos biológicos que participaram da pesquisa.

“Algo está acontecendo, algo sobre o que não temos nenhum registro. Isso é realmente novo, uma primeira descoberta.”

Até agora, foram encontrados mais de 650 crânios (Foto: Reuters/Henry Romero)Até agora, foram encontrados mais de 650 crânios (Foto: Reuters/Henry Romero)

Até agora, foram encontrados mais de 650 crânios (Foto: Reuters/Henry Romero)

Até agora, arqueólogos encontraram 676 crânios em uma região perto da Catedral Metropolitana da Cidade do México, que foi construída sobre o Templo Mayor, um dos mais importantes templos astecas de que se teve conhecimento.

A base dela ainda precisa ser encontrada e acredita-se que ainda serão achados vários outros crânios.

Para os pesquisadores, a estrutura teria sido uma grande prateleira de crânios chamada de Huey Tzompantli, de 60 metros de diâmetro, localizado no canto da capela de Huitzilopochtli, deus asteca do sol, da guerra e do sacrifício humano.

Os arqueólogos estão certos de que é uma das prateleiras, ou “tzompantli”, descritas pela primeira vez pelo soldado Andres de Tapia, que acompanhou Hernan Cortes em 1521 na conquista do México.

Prateleiras de crânios como essa eram comuns em culturas mesoamericanas antes da conquista espanhola. Os astecas e outros grupos realizavam sacrifícios humanos em oferenda ao Sol.

Cortes chegou a Veracruz, na costa leste do México, em 1519. Dois anos depois, aliando-se a outros grupos indígenas, os homens de Cortes conquistaram a capital asteca.

Por muito tempo, acreditou-se que os crânios seriam de guerreiros mortos em batalha (Foto: Reuters/Henry Romero)Por muito tempo, acreditou-se que os crânios seriam de guerreiros mortos em batalha (Foto: Reuters/Henry Romero)

Por muito tempo, acreditou-se que os crânios seriam de guerreiros mortos em batalha (Foto: Reuters/Henry Romero)

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Caso Charlie Gard: a polêmica sobre bebê britânico em estado terminal que envolveu Trump e o papa

Família perdeu em última instância na Justiça briga contra hospital, que quer desligar aparelhos que mantêm o menino vivo.

A síndrome rara de Charlie Gard impede que ele se mova (Foto: Family of Charlie Gard via AP)A síndrome rara de Charlie Gard impede que ele se mova (Foto: Family of Charlie Gard via AP)

A síndrome rara de Charlie Gard impede que ele se mova (Foto: Family of Charlie Gard via AP)

Uma comovente batalha judicial dos pais de um bebê britânico em estado terminal acabou envolvendo o presidente dos EUA, Donald Trump, e o papa Francisco.

Charlie sofre de síndrome de miopatia mitocondrial, uma síndrome genética raríssima e incurável que provoca a perda da força muscular e danos cerebrais. Ele nasceu em agosto de 2016 e, dois meses depois, precisou ser internado, onde permanece desde então, no Hospital Great Ormond Street, em Londres.

O serviço de saúde pública do Reino Unido (NHS) explicou que Charlie tem danos cerebrais irreversíveis, não se move, escuta ou enxerga, além de ter problemas no coração, fígado e rins. Seus pulmões apenas funcionam por aparelhos.

O NHS disse que os médicos chegaram a tentar um tratamento experimental trazido dos EUA, mas Charlie não apresentou melhora. Por isso, defende o desligamento dos aparelhos que o mantêm vivo.

Mas seus pais, Chris Gard e Connie Yates – e uma comunidade de apoiadores -, lutam contra a decisão do hospital e pedem permissão para levar o bebê aos Estados Unidos para receber o tratamento experimental diretamente.

Determinação da Justiça

No dia 27 de junho, entretanto, eles perderam a última instância do pedido na Justiça britânica, que avaliou que a busca pelo tratamento nos EUA apenas prolongaria o sofrimento do bebê sem oferecer possibilidade de cura. A Corte Europeia de Direitos Humanos também concluiu que o tratamento “causaria danos significativos a Charlie”, seguindo a opinião dos especialistas do hospital, e orientou pelo desligamento dos aparelhos.

Nesse mesmo dia, um grupo de britânicos se reuniu em protesto em frente ao Palácio de Buckingham, em Londres, em favor da família de Charlie.

No domingo, após a decisão, o papa Francisco pediu que os pais de Charlie possam “tratar de seu filho até o fim”. O Vaticano disse que o papa estava acompanhando o caso “com carinho e tristeza”.

O Vaticano disse que o Papa acompanhava o caso 'com carinho e tristeza' (Foto: Tony Gentile/Reuters)O Vaticano disse que o Papa acompanhava o caso 'com carinho e tristeza' (Foto: Tony Gentile/Reuters)

O Vaticano disse que o Papa acompanhava o caso ‘com carinho e tristeza’ (Foto: Tony Gentile/Reuters)

Num comunicado divulgado pela instituição, o papa expressou condolências aos pais de Charlie, dizendo que reza por eles, “na esperança de que seu desejo de acompanhar e cuidar de seu próprio filho até o fim não seja ignorado”.

O hospital pediátrico do Vaticano inclusive se ofereceu para assumir o tratamento do bebê, mas segundo o secretário de Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, razões legais impedem a transferência.

A presidente do hospital chegou a conversar por telefone com a mãe de Charlie e comentou que ela “é uma pessoa muito determinada e decidida e não quer ser parada por nada”.

Nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se manifestou sobre o caso pelo Twitter, dizendo que gostaria de ajudar Charlie a receber tratamento.

“Se pudermos ajudar o pequeno #CharlieGard, como nossos amigos no Reino Unido e o papa, ficaríamos felizes de fazê-lo”, escreveu Trump.

Uma porta-voz da Casa Branca disse que Trump não chegou a falar diretamente com a família, mas que membros da administração o fizeram. “O presidente está tentando ser prestativo se isto for possível”, ela afirmou. Não está claro, porém, que tipo de ajuda seria oferecida pelo governo dos EUA.

A repercussão internacional do caso fez com que a premiê britânica, Theresa May, se manifestasse nesta quarta-feira (5). Ela disse confiar que o hospital onde Charlie está internado “levará em consideração quaisquer ofertas ou novas informações” que possam beneficiar o bebê.

If we can help little , as per our friends in the U.K. and the Pope, we would be delighted to do so.

Sem autonomia

Já Chris Gard e Connie Yates se disseram “decepcionados” com o resultado da longa batalha judicial. Eles chegaram a arrecadar 1,3 milhão de libras (R$ 5,5 milhões) num site de financiamento coletivo para custear o tratamento nos Estados Unidos e disseram que iriam doar o dinheiro a uma ONG voltada para a síndrome de miopatia mitocondrial se Charlie não se beneficiar do dinheiro.

Em um vídeo publicado no YouTube, eles afirmaram: “Estamos com o coração totalmente partido, passando nossas últimas horas preciosas com nosso bebê”.

“Não podemos escolher se nosso filho vive e não podemos escolher quando ou onde ele morre”, continuaram, lembrando que foram negados os pedidos para que Charlie fosse levado para casa para morrer.

O tratamento experimental não seria capaz de curar o bebê, mas traria esperanças de amenizar os efeitos da doença. Os médicos americanos afirmaram, no entanto, não terem observado melhora em casos tão avançados como o de Charlie.

De acordo com o NHS, quando os pais não concordam com a condução do tratamento de seu filho, o hospital pode recorrer à Justiça para tomar uma decisão, como ocorreu nesse caso. O processo se estendeu por três instâncias até a Suprema Corte britânica, além da corte europeia, todas em favor da unidade de saúde.

Nesse caso, a Justiça baseia sua decisão, diz o NHS, no que é melhor para Charlie. Por isso, mesmo que os pais queiram custear a viagem aos Estados Unidos com o dinheiro arrecado, eles não têm autonomia para isso, uma vez que a Justiça determinou que o tratamento não trará benefícios ao bebê.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/caso-charlie-gard-a-polemica-sobre-bebe-britanico-em-estado-terminal-que-envolveu-trump-e-o-papa.ghtml