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A desconhecida ‘rede de sorrisos’ entre mulheres negras


Se você já viu duas mulheres negras se cruzando nas ruas e sorrindo uma para a outra, na maioria das vezes não é porque elas se conhecem ou já se viram em algum lugar. Mulheres nas ruas de Londres conversaram com a BBC sobre a ‘rede de sorrisos’ entre mulheres negras
BBC
Se você já viu duas mulheres negras se cruzando nas ruas e sorrindo uma para a outra, na maioria das vezes não é porque elas se conhecem ou já se viram em algum lugar.
A socióloga Vilma Reis, socióloga baiana especializada em Estudos Étnicos e Africanos, essa é uma prática que remonta a séculos atrás: “A gente aprendeu quando não era possível falar absolutamente nada – na brutalidade do tráfico transatlântico, muitas vezes foi somente com olhar que a gente construiu revoluções”.
O mesmo vale para os homens negros, que nesse caso se referem a essa troca em inglês como “nod”, um aceno ou o que pode ser chamado nas periferias de ‘salve’.
Vilma tem uma forma mais abrasileirada de se referir à questão e usa um termo pelo qual pessoas escravizadas que tinham vindo na mesma embarcação se tratavam:
“Eu uso a palavra malungo para falar desse acordo nosso sem poder falar, é um acordo malungo. Provavelmente o “The Nod” é o nosso Jeito Malungo de resolver a questão”, diz. “É o jeito da gente se olhar, todos nós carregamos códigos que fazem com que a gente se traduza.”
Mas por que isso acontece?
Essa troca de sorrisos pode ser cumplicidade, admiração ou uma identificação com símbolos comuns, como o crescimento recente do uso do cabelo natural.
Nas ruas de Londres, eu abordei mulheres negras que sorriram pra mim em uma tarde fria de dezembro para saber por que elas acham que isso acontece.
“Acho que primeiro nós reconhecemos os nossos. Nós temos todas essas questões em comum, então tendemos a cumprimentar”, disse Cara Lloid de 37 anos.
“Há essa identificação imediata, a gente se olha e se vê”, complementa Vilma.
Ambientes em que se é minoritário
Apesar de acontecer em qualquer lugar, existem certos espaços onde essa cumplicidade se intensifica.
“Se for um espaço majoritariamente negro, é mais difícil (acontecer) porque você não vai sair acenando para todas as outras mulheres, mas um espaço que tenha a presença negra de uma forma minoritária é quando elas visualizam uma a outra e realizam esse aceno”, diz a antropóloga Elisa Hipólito.
Cara Lloid concorda e diz que experimenta isso na pele: “Eu costumava trabalhar em uma área de maioria branca e, quando encontrávamos um dos nossos – e, quando eu digo um dos nossos, me refiro a alguém com quem eu me identifico -, nós éramos mais amigáveis uns com os outros”, conta.
Essa facilidade maior desse aceno ocorrer em lugares de maioria branca faz muitas brasileiras experimentarem essa cumplicidade pela primeira vez quando saem do país.
Segundo Vilma Reis, isso já acontecia quando ela era uma estudante em Viena, na Áustria, em 1993, mas também não deixa de ocorrer até hoje em espaços mais elitistas de São Paulo.
A troca de sorrisos pode ser cumplicidade, admiração ou uma identificação com símbolos comuns, como o crescimento recente do uso do cabelo natural
BBC
“Em Viena, as mulheres nigerianas que lá vivem olhavam pra mim e a gente se identificava. Mas eu também sinto essa energia em São Paulo, que é uma cidade das congolesas, das angolanas, das moçambicanas. Nesses espaços onde nós não somos majoritárias, elas olham para mim com muita cumplicidade. Porque o corpo fala, corpo é texto”, diz.
Admiração estética
Um outro motivo muito citado nas ruas para motivar a troca de sorrisos é uma admiração estética – o que Patrícia Louisor diz que já estava na hora de acontecer:
“Acho ótimo porque, por anos, senão séculos, nós costumávamos lutar para sermos admiradas por pessoas brancas. E agora é uma época em que negros reconhecem negros, eu acho que é muito poderoso”, conta.
A antropóloga Elisa Hipólito concorda e diz que é comum uma mulher negra sorrir ao ver a outra usando seu cabelo na textura natural ou até mesmo trançado.
“Remonta a um pertencimento, a uma certa resistência. Principalmente se você almeja usar seu cabelo na textura natural e vê uma mulher com cabelo crespo; você sente um fortalecimento, um apoio pra fazer isso com você mesma”, explica.
Cumplicidade no olhar
Nem sempre, porém, a vivência compartilhada que gera essa troca de olhares e sorrisos nas ruas é positiva. Uma mulher negra sabe o que a outra passa. Elas recebem os menores salários, são as que mais sofrem violência doméstica e as que mais encontram dificuldades para se sair bem no mercado de trabalho.
No Brasil, por exemplo, são menos de 1% dos CEOs de empresas e no Reino Unido o número é ainda menor.
Para Elisa Hipólito, esse compartilhamento pela dor é igualmente potente:
“A Vilma Piedade, intelectual brasileira, fala do conceito de dororidade, que sobrepõe essa ideia da sororidade que a gente escuta tanto. É um termo para se pensar essa dor compartilhada entre mulheres negras, essa dor marcada pelo sistema patriarcal, mas também pelo racismo”, explica.
Mulheres nas ruas de Londres conversaram com a BBC sobre a ‘rede de sorrisos’
BBC
Acordo sem palavras
Para Vilma Reis, essa troca de olhares, sorrisos ou um salve tem a ver com a tentativa de resgate de uma união propositalmente desfeita séculos atrás.
“Eles separaram o nosso povo ao descermos na diáspora. Separaram quem era Fulani, Igbo, Hauçá e Iorubá. Mas o nosso povo se juntou. Diante de todas as impossibilidades a gente construiu uma linguagem no olhar e a possibilidade de empatia e acolhimento no olhar”, diz.
A socióloga afirma que algo tão simples como uma troca de sorrisos nas ruas aponta para um movimento de resgate da autoestima e de potência da população negra.
“É nós sabermos que estamos à margem, mas que a margem pode se juntar para criar uma nova centralidade.”
– Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-64335991

Fonte: G1 Mundo

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Nove palestinos morrem em ataque israelense na Cisjordânia


Governo de Israel alegou que fazia operação para cumprir mandado de prisão contra homem ligado à Jihad Islâmica. Confronto foi o mais mortal dos últimos anos. Multidão carrega corpos dos oito dos nove palestinos mortos durante operação do Exército de Israel em Jenin, na Cisjordânia
Majdi Mohammed/ AP
Nove palestinos, incluindo uma idosa de 60 anos, morreram nesta quinta-feira (26) durante uma operação do Exército de Israel em Jenin, na Cisjordânia ocupada, segundo o Ministério da Saúde palestino.
Foi um dos maiores números de mortos em um só dia em conflitos entre israelenses e palestinos dos últimos anos. Só em 2023, 29 palestinos morreram durante confrontos com as forças de Israel. No ano passado, foram mais de 200 mortos, um recorde.
A operação do Exército israelense ocorreu dentro de um campo de refugiados na cidade de Jenin, na Cisjordânia ocupada – território conquistado por Israel da Jordânia na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Tel Aviv alegou que cumpria um mandado de prisão a um homem acusado de ter ligações com a Jihad islâmica – grupo armado que prega a destruição do Estado judeu.
O Exército de Israel afirmou que suas forças dispararam contra “vários terroristas” ao entrar em um prédio com suspeitos. Houve confusão e tiros também na saída.
Homens enfrentam Exército de Israel durante confronto em Jenin, na Cisjordânia, em 26 de janeiro de 2023.
Majdi Mohammed/ AP
A ministra da Saúde palestina, Mai Al Kaila, afirmou que, ao fim da busca pelo suspeito, militares israelenses “jogaram deliberadamente granadas de gás lacrimogêneo” na ala pediátrica de um hospital de Jenin, “o que provocou a asfixia de algumas crianças”. Israel nega.
“Ninguém disparou gás lacrimogêneo deliberadamente contra um hospital (…), mas a operação ocorreu não muito longe de um hospital e é possível que o gás lacrimogêneo tenha entrado por uma janela aberta”, alegou um porta-voz do Exército israelense à agência de notícias AFP, rejeitando as acusações palestinas.
O porta-voz da Jihad Islâmica, Tariq Salmi, disse que o grupo “seguirá resistindo”.
“A resistência está por toda parte e está preparada para o próximo confronto caso o governo fascista (israelense) e seu Exército criminoso continuem atacando nosso povo, nossa terra e nossos lugares sagrados”, afirmou.
‘Suspeitos’
No final da manhã, os serviços de emergência trabalhavam entre os escombros, no campo de Jenin, onde as paredes de vários prédios estavam enegrecidas pelos incêndios, apurou um fotógrafo da AFP.
As instalações, criadas em 1953, são uma cidade dentro da cidade e abrigam cerca de 20 mil refugiados, segundo a UNRWA, agência da ONU encarregada dos refugiados palestinos.
Em maio de 2021, a jornalista palestina-americana Shireen Abu Akleh, estrela da televisão Al Jazeera, foi morta enquanto cobria um ataque israelense ao local.
O Exército israelense, que ocupa a Cisjordânia desde 1967, realiza operações quase diárias nesse território palestino, principalmente no norte, nos setores de Jenin e Nablus, redutos de grupos armados palestinos.
“O Exército israelense destrói tudo e atira em tudo que se move”, disse à AFP o vice-governador de Jenin, Kamal Abu Al Rub, acrescentando que os moradores vivem “em estado de guerra”.
Segundo a Cruz Vermelha, a retirada de muitos feridos foi difícil, disse a ministra Al Kaila.
‘Massacre’
Pessoas mortas durante operação do Exército israelense na Cisjordânia, em 26 de janeiro de 2023.
Raneen Sawafta/ Reuters
A ministra palestina convocou uma “reunião de emergência” com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
“O que está acontecendo em Jenin e em seu campo é um massacre perpetrado pelo governo de ocupação israelense”, disse Nabil Abu Rudeina, porta-voz do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.
“A ocupação pagará o preço por este massacre que cometeu em Jenin e em seu campo de refugiados”, prometeu em nota Saleh Al Aruri, autoridade do Hamas, o movimento islâmico palestino no poder na Faixa de Gaza.
O secretário-geral da Liga Árabe denunciou um “massacre sangrento” perpetrado “sob as ordens diretas do (primeiro-ministro israelense Benjamin) Netanyahu e seu Estado-Maior”.

Fonte: G1 Mundo

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Acordo Mercosul-União Europeia: Lula receberá chanceler alemão; Macron prepara vinda ao Brasil

O presidente Lula vai receber na próxima segunda-feira (30) o chanceler alemão Olaf Scholz, sob pressão para fazer andar o acordo do Mercosul com a União Europeia.
A atenção em avançar o acordo comercial acontece após as primeiras viagens internacionais de Lula, que deram indícios de que a unidade do bloco com os países vizinhos pode estar por um fio.
O protecionismo tem sido o maior obstáculo para o acordo com a União Europeia andar.
Durante ida à Argentina para a Celac, o presidente Lula enfatizou aos países do Mercosul que a prioridade será fechar, primeiro, um acordo comercial do bloco com a União Europeia.
Não à toa, sabendo da insistência do governo uruguaio em fechar com a China um acordo bilateral, o presidente brasileiro fez questão de, na volta, fazer uma parada no Uruguai e ter nova conversa com Luis Lacalle Pou.
Lula vai ao Uruguai para tentar preservar o Mercosul
O governo uruguaio tem avançado em negociações com a China por um acordo de livre comércio independente do Mercosul (formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), o que é visto pelos integrantes do bloco como um fator de preocupação, já que rompe com as regras dos países. Por isso, Lula tentou evitar a assinatura do acordo.
A avaliação de integrantes do Itamaraty, porém, é de um saldo positivo na viagem. Para fontes ouvidas, Lula “soube dialogar com grande habilidade” com o anfitrião uruguaio.
“Lula botou as prioridades no lugar: fechar primeiro com a União Europeia, diante do pleito uruguaio de abrir-se ao mundo”, disse um interlocutor.
As sinalizações, os recados e a agenda dos últimos dias marcam, portanto, uma forte pauta de trabalho para este início de governo nas Relações Exteriores: avançar com acordo União Europeia-Mercosul e evitar que o bloco sul-americano se enfraqueça.
Não à toa, uma das reuniões bilaterais de Lula em Buenos Aires foi com o Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que defendeu conclusão do acordo comercial. Enquanto no Brasil o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) recebia o vice-presidente Executivo da Comissão Europeia Frans Timmermans.
Portanto, Lula deve ter no cardápio do encontro com o Chanceler alemão Olaf Scholz a intenção de fechar o acordo, além de outros assuntos, como debater a proteção ambiental e o crescimento da extrema direita no mundo.
Macron e Sánchez se preparam para vir ao Brasil
Quem também se prepara para visitar o Brasil são os presidentes da França, Emmanuel Macron e espanhol Pedro Sánchez. Os dois líderes receberam Lula ainda como pré-candidato, durante um giro pela Europa, em novembro de 2021.
A viagem de Macron ao Brasil está mais adiantada. Segundo interlocutores do presidente Lula, “Macron está na cabeceira da pista”.
A avaliação é de que líderes europeus esperavam o resultado das eleições para decidir se incluíam o Brasil nas visitas à América do Sul.
“Com a confirmação da alternância de poder, decidiram vir. No outro cenário, de continuidade, não viriam”, contou uma fonte.
A União Europeia é o principal investidor na América Latina, e o terceiro maior cliente comercial. Apesar de já ter sido fechado há algum tempo, o acordo entre Mercosul e União Europeia ainda precisa ser ratificado.
Este acordo resultaria na eliminação progressiva de tarifas de produtos europeus nos setores de alimentação, do agro, de vestuário e calçados, além de setores automotivo, farmacêutico, de maquinário, entre outros.
VÍDEOS: notícias de política

Fonte: G1 Mundo

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Justiça espanhola amplia prazo para defesa de Dani Alves apresentar recurso

Advogados terão até terça-feira (31) para pedir que jogador brasileiro responda em liberdade à acusação por estupro em uma boate de Barcelona. Entenda prisão preventiva de Daniel Alves por suposta agressão sexual na Espanha
A defesa do jogador brasileiro Daniel Alves tem até terça-feira (31) para apresentar recurso pedindo que ele responda em liberdade à acusação por estupro na Justiça espanhola.
Alves foi preso preventivamente há seis dias quando prestava depoimento à polícia de Barcelona, onde, segundo acusação do Ministério Público, ele estuprou uma jovem de 23 anos em uma boate no fim de dezembro. O brasileiro nega.
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A Justiça catalã aceitou ampliar o prazo para o recurso por conta de mudanças na defesa de Alves. Na terça-feira (24), o brasileiro contratou um novo advogado, um dos especialistas em direito penal mais famosos do país e que já defendeu o argentino Lionel Messi em processo por suposta fraude fiscal na Espanha além do também o próprio clube Barcelona, no qual ambos jogaram juntos.
A nova defesa tenta traçar uma estratégia diante das diferentes acusações que a investigação do caso tem reunido desde a prisão de Alves.
Na mais recente delas, um dos gerentes da boate onde supostamente ocorreu a agressão, a Sutton, no centro de Barcelona, relatou em depoimento que, após o suposto estupro, o jogador brasileiro passou na frente da jovem e a viu chorando, segundo afirma o jornal catalão “La Vanguardia”. Ainda assim, Alves não esboçou nenhuma reação e seguiu andando.
Os funcionários da Sutton chamaram a polícia, mas o brasileiro deixou o local antes de que os policiais chegassem.
LEIA MAIS:
Daniel Alves divide cela com brasileiro em módulo para agressores sexuais em prisão na Espanha

Fonte: G1 Mundo

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Rússia lançou ‘mais de 30 mísseis’ contra Ucrânia, diz força aérea ucraniana


Uma pessoa morreu e duas ficaram feridas na capital da Ucrânia, disse o prefeito de Kiev. População civil de Kiev busca arbigo em estações de trem após bombardeio russo
Viacheslav Ratynskyi/REUTERS
A Ucrânia afirmou, nesta quinta-feira (26), que as forças russas lançaram mais de 30 mísseis contra vários alvos no país e que seus sistemas de defesa aérea derrubaram 24 drones russos durante a noite.
O porta-voz militar ucraniano, Yuri Ignat, disse à mídia local que, do norte da Rússia, vários caças TU-95 lançaram mísseis na direção da Ucrânia. A mídia relatou explosões em várias regiões.
“Mais de 30 mísseis (…) foram detectados. Os sistemas de defesa aérea estão funcionando”, disse Yuri Ignat.
Anteriormente, a força aérea ucraniana anunciou que, durante a noite, derrubou 24 drones de fabricação iraniana lançados por forças russas do Mar de Azov, no sul do país.
O ataque “foi lançado da costa leste do Mar de Azov. De acordo com informações preliminares, o inimigo usou 24 Shahed (drones). Todos os 24 foram destruídos”, disse a força aérea ucraniana em um comunicado publicado on-line.
População civil de Kiev busca arbigo em estações de trem após bombardeio russo
Viacheslav Ratynskyi/REUTERS
Segundo o prefeito de Kiev, uma pessoa morreu, e duas ficaram feridas na manhã desta quinta-feira no bairro de Golosiivsky, no sul da capital, no âmbito destes ataques.
Por sua vez, a administração militar da cidade afirmou que a morte foi causada pela queda de fragmentos de um míssil derrubado.
Após o ataque e como “medida de precaução”, cortes de energia de “emergência” foram realizados na capital, em sua região e nas regiões de Odessa (sul) e Dnipropetrovsk (centro-leste), disse a operadora privada de eletricidade DTEK.
População civil de Kiev busca arbigo em estações de trem após bombardeio russo
Viacheslav Ratynskyi/REUTERS
Com os cortes, o objetivo é “evitar danos significativos à infraestrutura elétrica, se os mísseis do inimigo atingirem seu alvo”, disse o grupo no Telegram.
Desde outubro, a Rússia lançou vários ataques aéreos contra a Ucrânia, principalmente contra a infraestrutura de energia. Esses bombardeios danificaram o sistema elétrico ucraniano e forçaram Kiev a fortalecer seus sistemas de defesa aérea com o apoio de seus aliados ocidentais.
O ataque desta quinta-feira ocorreu depois que vários países ocidentais, incluindo Alemanha e Estados Unidos, prometeram fornecer tanques pesados à Ucrânia.

Fonte: G1 Mundo

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Homem mata sacristão com machado dentro de igreja no sul da Espanha

Caso aconteceu em Algeciras, no extremo sul do país. Sacerdote também foi ferido. Promotoria investiga caso como terrorismo. Um sacristão morreu e um sacerdote ficou ferido em um ataque com arma branca, nesta quarta-feira (25), em duas igrejas de Algeciras, no sul da Espanha, informaram as autoridades.
“Pouco depois das 19h [15h em Brasília] desta tarde, um homem entrou na igreja de San Isidro de Algeciras, onde, armado com um facão, atacou o sacerdote, o deixando gravemente ferido”, explicou o Ministério do Interior em comunicado.
“Posteriormente, [o agressor] compareceu à igreja de Nossa Senhora de La Palma onde, depois de provocar bastante destruição, atacou o sacristão”, acrescentou.
“O sacristão conseguiu sair da igreja, mas foi alcançado pelo agressor do lado de fora, que lhe provocou ferimentos mortais”, prosseguiu o ministério. “Instantes depois, [o suspeito] foi neutralizado e detido, e se encontra nas dependências da Polícia Nacional”, concluiu.
Segundo uma fonte policial, o agressor usava uma jelaba – peça de roupa tradicional dos árabes da região do Magrebe, no Norte da África – e “gritou algo” no momento do ataque.
As notícias dos meios de comunicação locais, baseadas em relatos de testemunhas oculares, indicam que o agressor estava armado com um facão.
Em um vídeo difundido pelas autoridades, é possível ver o agressor, vestido com calças pretas e uma blusa cinza com capuz branco e preto, com as mãos algemadas atrás das costas caminhando escoltado por dois policiais.
“Estão investigando e analisando os fatos, sem que, por ora, seja possível determinar a natureza do ataque”, prosseguiu o ministério.
Uma porta-voz do serviço de emergência explicou à AFP que começou a receber muitas chamadas depois das 19h30 de pessoas que viram um homem armado com um facão atacar uma pessoa em frente a uma igreja, antes de atacar outra pessoa perto da igreja de La Palma.
Um comunicado da ordem religiosa dos salesianos falou de um terceiro ataque à “capela da Europa” e explicou que o religioso ferido “se encontra estável dentro de um estado de gravidade”.
Investigação por terrorismo
A Audiência Nacional, um tribunal superior responsável por julgar os casos de terrorismo na Espanha, está a cargo das investigações, explicou à AFP o Ministério Público da Espanha.
As reações de responsáveis políticos se sucederam após o atentado.
“Quero transferir minhas mais sinceras condolências aos familiares do sacristão falecido no terrível ataque de Algeciras”, escreveu nas redes sociais o presidente de governo da Espanha, Pedro Sánchez.
“Desejo pronta recuperação aos feridos. Todo o nosso apoio ao trabalho que estão realizando as Forças e os Corpos de Segurança do Estado”, acrescentou.
Estamos “consternados pelos ataques cometidos esta tarde em Algeciras. Meus pêsames à família do sacristão falecido e meus desejos de pronta recuperação aos feridos”, tuitou o líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, do Partido Popular (PP).
O presidente do governo regional da Andaluzia, Juan Manuel Moreno, descreveu o ataque como “terrível e devastador”.
“Assassinaram um sacristão e feriram, pelo menos, um sacerdote em um ataque que foi produzido em Algeciras”, explicou.
A Igreja Católica da Espanha, através do secretário-geral da Conferência Episcopal, Francisco César García Magán, lamentou os fatos.
“Com dor, recebi a notícia dos acontecimentos em Algeciras. Neste momento de tristeza, de sofrimento, nos juntamos às dores das famílias das vítimas e da diocese gaditana [relativo a Cádis] e pedimos ao Deus da vida e da paz a pronta recuperação dos feridos”, explicou García Magán.
Os últimos atentados jihadistas na Espanha ocorreram em 2017 em Barcelona e no balneário de Cambrils, ambos na Catalunha. Os ataques, reivindicados pelo grupo Estado Islâmico, deixaram 16 mortos e 140 feridos.
Os três sobreviventes da célula terrorista foram condenados a oito, 46 e 53 anos de prisão.

Fonte: G1 Mundo

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Museu espanhol devolve à Polônia pinturas roubadas pelos nazistas durante Segunda Guerra Mundial


Autoridades polonesas afirmam que 50 mil itens saqueados pelos alemães durante período permanecem desaparecidos. Duas pessoas retiram a obra ‘Ecce Homo’ após a assinatura do ato de restituição à Polônia no Museu de Pontevedra em Pontevedra, noroeste da Espanha, quarta-feira, 25 de janeiro de 2023.
Gustavo de la Paz/Europa Press via AP
O Museu de Pontevedra, na Espanha, devolveu duas pinturas do século 15 a autoridades da Polônia na quarta-feira (25), depois que foi determinado que as obras haviam sido roupadas pelas forças nazistas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial.
As pinturas “Mater Dolorosa” e “Ecce Homo” foram originalmente atribuídas ao holandês Dieric Bouts (1415 – 1475), mas agora são atribuídas a uma pessoa desconhecida que trabalhava com o pintor.
Os espanhóis disseram que, em 2020, autoridades polonesas informaram que as obras haviam sido saqueadas pelas forças nazistas. Após todas as autorizações oficiais para a transferência serem finalizadas, as obras foram devolvidas.
Os nazistas roubaram as obras da coleção Czartoryski em Gołuchów, no centro da Polônia, quando a cidade foi ocupada pelos militares alemães na Segunda Guerra Mundial. Em 1973, as peças apareceram na capital da Espanha, Madrid, e estavam no Museu de Pontevedra desde 1994, quando foram adquiridas com mais de 300 obras de um colecionador espanhol.
A Polônia viu grande parte de seu patrimônio cultural destruído ou saqueado durante a ocupação de guerra do país pela Alemanha nazista e pela União Soviética. Cerca de 500.000 itens continuam desaparecidos, afirmam as autoridades.
O país tem feito esforços para recuperar o máximo de peças possível. O Ministério da Cultura tem um banco de dados de objetos desaparecidos e vasculha coleções estrangeiras e leilões. Quando localizam uma pintura, livro ou outro objeto polonês saqueado, eles informam as autoridades daquele país.

Fonte: G1 Mundo

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Morgan Stanley aplica multas de até US$ 1 milhão a funcionários


Multas foram aplicadas a funcionários que utilizaram aplicativos de mensagens para tratar de assuntos oficiais. Fachada de banco Morgan Stanley
Reuters
O Morgan Stanley aplicou multas financeiras a funcionários que usaram plataformas de mensagens, como WhatsApp e outras semelhante, para negócios oficiais do banco, informou o Financial Times na quinta-feira (26).
As penalidades variaram entre alguns milhares de dólares e mais de US$ 1 milhão por funcionário. Os valores foram determinadas com base em fatores como o número de mensagens enviadas, antiguidade e se (os funcionários) já haviam recebido advertências, entre outros, informou o jornal citando pessoas de dentro sobre o caso.
O Morgan Stanley não respondeu a um pedido de comentário da Reuters.
As multas ocorrem depois que o banco concordou em pagar US$ 200 milhões à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) em 2021 para resolver investigações sobre comunicações de funcionários em plataformas de mensagens que não foram aprovadas pela empresa.
A SEC e o órgão auto-regulador de Wall Street – Financial Industry Regulatory Authority – exigem que os corretores mantenham registros de todas as comunicações relacionadas a negócios e a comissão está investigando se os credores estão acompanhando as comunicações digitais dos funcionários.
Em 2020, o Morgan Stanley havia demitido dois altos executivos devido ao uso não autorizado do WhatsApp para discutir assuntos trabalhistas.

Fonte: G1 Mundo

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Como Japão mudou de ‘terra do futuro’ para ‘preso ao passado’


A chamada década perdida já se estendeu para três. O que deu errado, questiona Rupert Wingfield-Hayes, correspondente da BBC em Tóquio. Economia japonesa é a terceira maior do mundo, mas está estagnada há anos
JIRO AKIBA/ BBC
No Japão, as casas são como carros.
Assim que você se muda, a sua nova casa começa a valer menos do que você pagou. E, quando você termina de pagar seu financiamento, depois de 40 anos, ela não vale quase nada.
Fiquei perplexo ao saber disso, quando me mudei para cá como correspondente da BBC, 10 anos atrás. E, agora que me preparo para sair, a situação ainda é a mesma.
O Japão é a terceira maior economia do mundo. É um país próspero e pacífico, com a maior expectativa de vida do mundo, a menor taxa de assassinatos, poucos conflitos políticos, um passaporte poderoso e o extraordinário Shinkansen — a melhor rede ferroviária de alta velocidade do mundo.
A Europa e a América do Norte já tiveram medo, um dia, do poderio econômico japonês, da mesma forma que temem hoje a crescente economia da China. Mas o Japão que o mundo esperava nunca chegou.
No final dos anos 1980, os japoneses eram mais ricos do que os americanos. Hoje, ele ganham menos que os britânicos.
O Japão vem lutando há décadas com uma economia morosa, contida por uma profunda resistência a mudanças e uma teimosa ligação ao seu passado. E, agora, sua população está envelhecendo e diminuindo.
O Japão ficou estagnado.
O futuro estava aqui
Quando cheguei ao Japão pela primeira vez, em 1993, o que me impressionou não foram as lâmpadas de neon dos distritos de Ginza e Shinjuku, nem a moda selvagem “Ganguro” das meninas de Harajuku.
O que me chamou a atenção foi como o Japão parecia muito mais rico do que qualquer outro lugar onde estive na Ásia — e como sua capital, Tóquio, é primorosamente limpa e organizada, em comparação com qualquer outra cidade asiática.
Hong Kong era um ataque aos sentidos, cheia de odores e ruídos — uma cidade de extremos, variando desde as extravagantes mansões de Victoria Peak até as lojas “sombrias e satânicas”, que exploram seus funcionários no norte de Kowloon.
Em Taipei (capital de Taiwan), onde estudei chinês, as ruas ficavam lotadas ao som das motocicletas de dois tempos que lançavam uma fumaça azeda que envolvia a cidade. O cobertor de neblina era tão espesso que, muitas vezes, mal se conseguia olhar a dois quarteirões de distância.
Enquanto Hong Kong e Taiwan eram os adolescentes da Ásia, o Japão já era adulto. Sim, Tóquio era uma selva de pedra, mas belissimamente maquiada.
Em frente ao Palácio Imperial de Tóquio, o horizonte era dominado pelas torres de vidro das imensas corporações do país — Mitsubishi, Mitsui, Hitachi e Sony.
De Nova York, nos Estados Unidos, até Sydney, na Austrália, pais ambiciosos imploravam aos seus filhos para que aprendessem japonês. Eu ficava imaginando se teria cometido um erro apostando no mandarim.
O Japão se reergueu da destruição da Segunda Guerra Mundial e conquistou a indústria global. O dinheiro voltou para o país, trazendo um boom imobiliário que fazia com que as pessoas comprassem qualquer propriedade que estivesse disponível — até terrenos florestais.
Em meados dos anos 1980, a piada era que o terreno do Palácio Imperial de Tóquio valia o mesmo que todo o Estado americano da Califórnia. Os japoneses chamam essa época de Baburu Jidai — a era da bolha.
Mas, em 1991, a bolha estourou. A bolsa de valores de Tóquio entrou em colapso. Os preços dos imóveis despencaram e não se recuperaram até hoje.
Um amigo estava recentemente negociando a compra de vários hectares de floresta. O proprietário queria US$ 20 (cerca de R$ 104) por metro quadrado.
“Eu disse a ele que a terra florestal só vale US$ 2 (cerca de R$ 10,40) por metro quadrado”, disse o meu amigo. “Mas ele insistiu que precisava de US$ 20 por metro quadrado, porque foi o que ele pagou nos anos 1970.”
Quando pensamos nos elegantes trens-bala do Japão ou na maravilhosa fabricação em linha de montagem da Toyota, podemos facilmente pensar que o Japão é o modelo da eficiência. Mas não é. A burocracia pode ser assustadora e enormes montantes de dinheiro público são gastos em atividades de utilidade duvidosa.
Em 2022, descobri a história por trás das deslumbrantes tampas de bueiro em uma pequena cidade nos Alpes Japoneses.
Em 1924, foram encontrados, em um lago próximo, os ossos fossilizados de uma antiga espécie de elefante, que se tornou símbolo da cidade. Até que, alguns anos atrás, alguém decidiu substituir todas as tampas de bueiro por tampas novas com a imagem do famoso elefante.
Isso vem sendo feito em todo o Japão. Existe agora uma Sociedade Japonesa das Tampas de Bueiro, que afirma que existem 6 mil desenhos de tampas diferentes no país.
Entendo que as pessoas adorem essas tampas. Elas são verdadeiras obras de arte. Mas cada uma delas custa até US$ 900 (cerca de R$ 4,7 mil).
Esta é uma indicação dos motivos que levaram o Japão a ter a maior dívida pública do mundo. E essa conta astronômica é agravada por uma população envelhecida que não consegue se aposentar devido à pressão sobre as pensões e a assistência médica.
Quando renovei minha carteira de motorista japonesa, os funcionários — extremamente educados — me encaminharam do teste de visão para a cabine de fotografia e o pagamento da taxa. Em seguida, eles me pediram para comparecer à “sala de palestras 28”. Estas palestras sobre “segurança” são obrigatórias para qualquer pessoa que tenha cometido uma infração de trânsito nos últimos cinco anos.
Dentro da sala, encontrei um grupo de almas com aparência desconsolada, esperando que nossa punição começasse. Um homem elegantemente trajado entrou e disse que nossa “palestra” começaria em 10 minutos e iria durar duas horas!
Você não precisa nem mesmo entender a palestra. Eu me perdi na maior parte dela.
Enquanto ela se arrastava pela segunda hora, diversos dos meus colegas adormeceram. O homem ao meu lado fez um desenho muito bom da Torre de Tóquio. E fiquei ali, ressentido e entediado, com o relógio na parede zombando da minha situação.
“Qual é o propósito daquilo?”, perguntei à minha colega japonesa quando voltei ao escritório. “É uma punição, certo?”
“Não”, respondeu ela, rindo. “É um esquema de criação de empregos para guardas de trânsito aposentados.”
O fator externo
Quando você vive aqui por mais tempo, até as frustrações se tornam algo familiar e mesmo curioso. Você começa a apreciar os hábitos peculiares — como os quatro funcionários do posto de gasolina que limpam todas as janelas do seu carro enquanto enchem o tanque e fazem uma reverência sincronizada quando você sai.
O Japão ainda parece muito o Japão e não uma cópia dos Estados Unidos. É por isso que o mundo é tão fascinado por tudo o que é japonês, da neve em pó até a moda.
Tóquio abriga restaurantes excepcionais. O Studio Ghibli produz — perdão, Disney! — as animações mais encantadoras do mundo. E é claro que o J-Pop é horrível, mas o Japão, sem dúvida, é uma superpotência do soft power.
Os geeks e pessoas excêntricas adoram o país e sua maravilhosa esquisitice. Mas o Japão também tem seus admiradores na extrema-direita, por rejeitar a imigração e manter o patriarcado.
Agricultores japoneses são os mais idosos do mundo
JIRO AKIBA/BBC
O país, muitas vezes, é descrito como uma nação que conseguiu se modernizar sem abandonar o passado. E há alguma verdade nisso, mas eu afirmaria que o moderno é mais uma fachada.
Quando veio a pandemia, o Japão fechou as fronteiras. Até os estrangeiros que eram moradores permanentes foram proibidos de voltar para o país.
Eu questionei o ministério do Exterior para saber por que os estrangeiros que passaram décadas no Japão, que tinham casas e empresas aqui, eram tratados como turistas. A resposta foi curta e direta: “todos eles são estrangeiros”.
O Japão foi forçado a abrir suas portas 150 anos atrás. E, até hoje, o país é cético e até temeroso sobre o mundo exterior.
Eu me lembro de estar sentado no salão de comunitário de uma aldeia na península de Boso, no outro lado da baía de Tóquio. Fui até lá porque o local estava na relação de 900 aldeias ameaçadas no Japão.
Os anciãos reunidos no salão estavam preocupados. Desde os anos 1970, eles vinham vendo os jovens saírem para trabalhar nas cidades grandes. Dos 60 habitantes que sobraram, havia apenas um adolescente e nenhuma criança.
“Quem vai cuidar dos nossos túmulos quando morrermos?”, lamentava um senhor idoso. Tomar conta dos espíritos é um trabalho sério no Japão.
Mas eu nasci no sudeste da Inglaterra e a morte daquela aldeia, para mim, parecia um absurdo. Ela era rodeada de campos de arroz e montanhas cobertas por densas florestas — cenas dignas de cartões-postais. E Tóquio estava a menos de duas horas de carro de distância.
“É um lugar tão bonito”, eu disse a eles. “Com certeza, muitas pessoas adorariam morar aqui. Como vocês se sentiriam se eu trouxesse minha família para morar aqui?”
O ar no salão ficou pesado. Os homens se entreolharam, embaraçados e em silêncio. Até que um deles pigarreou e disse, com um olhar preocupado no rosto: “bem, vocês precisariam aprender nosso modo de vida. Não seria fácil.”
A aldeia estava a caminho da extinção, mas a ideia de que ela pudesse ser invadida por “gente de fora” parecia ainda pior.
Um terço da população japonesa tem mais de 60 anos de idade. Por isso, o Japão abriga a segunda população mais idosa do mundo, perdendo apenas para o minúsculo principado de Mônaco. O país vem registrando cada vez menos nascimentos e pode perder um quinto da sua população atual até 2050.
Mesmo assim, a hostilidade à imigração não desapareceu. Apenas cerca de 3% dos moradores do Japão nasceram no exterior, em comparação com 15% no Reino Unido. Na Europa e na América do Norte, os movimentos de extrema-direita apontam para o país como um exemplo claro de pureza racial e harmonia social.
Mas o Japão não é tão etnicamente puro como os seus admiradores podem acreditar. Existem os ainus da ilha de Hokkaido, os nativos de Okinawa no sul, meio milhão de coreanos e perto de um milhão de chineses. E existem os filhos de casais japoneses em que um dos pais é estrangeiro, incluindo meus três filhos.
Essas crianças filhas de duas culturas são conhecidas como “hafu” — “metades”, um termo pejorativo que, aqui, é de uso normal. Elas incluem celebridades e ídolos do esporte, como a estrela do tênis Naomi Osaka.
A cultura popular os idolatra como “mais belos e talentosos”. Mas uma coisa é ser idolatrado e outra, bem diferente, é ser aceito.
Se você quiser saber o que acontece em um país que rejeita a imigração como solução para a queda da fertilidade, o Japão é um bom lugar para começar. Aqui, os salários reais não aumentam há 30 anos. A renda na Coreia do Sul e em Taiwan alcançou e até superou a do Japão.
Mas as mudanças ainda parecem distantes — em parte, devido à rígida hierarquia que determina quem mantém as cadeias de poder.
Os antigos ainda governam
“Veja, existe algo que você precisa entender sobre como funciona o Japão”, disse-me certa uma vez um eminente acadêmico do país.
“Em 1868, os samurais entregaram suas espadas, cortaram seus cabelos, passaram a usar roupas ocidentais, marcharam para os ministérios em Kasumigaseki [o distrito do governo, no centro de Tóquio] e estão por lá até hoje”, contou ele.
Em 1868, temendo a repetição do destino chinês nas mãos dos imperialistas ocidentais, os reformadores derrubaram a ditadura militar do xogunato Tokugawa e colocaram o Japão no caminho da industrialização a todo vapor.
Mas a restauração da era Meiji, como se sabe, não foi como a queda da Bastilha. Foi um golpe de Estado da elite. E, mesmo após uma segunda convulsão em 1945, as “grandes” famílias japonesas mantiveram seu poder.
Essa classe governante, predominantemente masculina, é definida pelo nacionalismo e pela convicção de que o Japão é especial. Eles não acreditam que o Japão tenha sido o agressor na guerra, mas sim sua vítima.
Por que mais de quatro em cada 10 jovens japoneses afirmam que ainda são virgens
GETTY IMAGES
Para citar um exemplo, o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, assassinado em julho de 2022, era filho de um ministro do Exterior e neto de outro primeiro-ministro, Nobusuke Kishi.
Kishi era membro do gabinete na época da Segunda Guerra Mundial e foi preso pelos americanos como suspeito de crimes de guerra. Mas ele escapou da forca e, em meados dos anos 1950, ajudou a fundar o Partido Liberal Democrata (PLD), que governa o Japão até hoje.
Algumas pessoas brincam que o Japão é um Estado de um partido só, o que não é o caso. Mas é razoável perguntar por que o Japão continua a reeleger um partido regido por uma elite poderosa, que deseja descartar o pacifismo imposto pelos Estados Unidos, mas não conseguiu melhorar as condições de vida em 30 anos.
Em uma recente eleição, viajei de carro por um vale estreito cortado nas montanhas a duas horas a oeste de Tóquio. Era uma região rural, dominada pelo PLD. A economia local depende da fabricação de cimento e da energia hidrelétrica.
Em uma cidade pequena, encontrei um casal de idosos caminhando para o posto de votação.
“Vou votar no PLD”, disse o marido. “Nós confiamos neles, eles irão cuidar de nós.” E sua esposa disse “concordo com meu marido”.
O casal apontou para o vale, onde havia um túnel e uma ponte recém-construídos. Eles esperam que a obra traga mais turistas de Tóquio para passar o fim de semana no local.
Costuma-se dizer que as bases de apoio do PLD são feitas de concreto. Esta forma de política clientelista é uma razão por que, em grande parte do litoral do Japão, existem tantos blocos de concreto protegendo os rios. É porque eles são essenciais para fortalecer essas bases de concreto.
Os redutos rurais são agora fundamentais devido à demografia do Japão. Eles deveriam ter se reduzido, à medida que milhões de jovens se mudavam para as cidades grandes em busca de trabalho, mas não foi o que aconteceu.
Para o PLD, isso é bom porque significa que os votos rurais dos idosos contam mais. Quando essa geração mais idosa passar, as mudanças serão inevitáveis. Mas não tenho certeza se isso significa que o Japão irá ficar mais aberto ou liberal.
Os jovens japoneses estão menos dispostos a se casar ou ter filhos. Mas eles também têm menos inclinação a aprender idiomas estrangeiros ou estudar no exterior do que seus pais ou avós. As mulheres ocupam apenas 13% dos cargos de gerência no Japão — e elas representam menos de 10% do total de parlamentares.
Quando entrevistei a primeira mulher governadora de Tóquio, Yuriko Koike, perguntei a ela como o seu governo planejava combater a discrepância de gênero.
“Tenho duas filhas que logo irão se formar na universidade”, eu disse a ela. “Elas são cidadãs japonesas bilíngues. O que a sra. diria a elas para incentivá-las a ficar e fazer suas carreiras aqui?”
“Eu diria a elas que, se eu posso ter sucesso aqui, elas também podem”, respondeu Koike. Eu pensei “é só isso que você tem a oferecer?”
E quanto ao futuro?
Vou sentir saudades do Japão, apesar de tudo. O país me inspira enorme afeição, ao lado dos — não muito raros — ataques de irritação.
Em um dos meus últimos dias em Tóquio, fui com um grupo de amigos a um mercado de rua de fim de ano. Em uma das bancas, revirei as caixas de belas ferramentas antigas de madeira. A pouca distância, um grupo de mulheres jovens vestidas com belos quimonos de seda estava conversando.
Ao meio-dia, nós entramos em um minúsculo restaurante para comer um “prato feito” de cavalinha grelhada, sashimi e sopa de missô. A comida, o ambiente acolhedor, o simpático casal de idosos nos servindo — tudo era tão familiar, tão confortável.
Depois de uma década morando aqui, eu me acostumei à forma como é o Japão e aceitei o fato de que o país não irá mudar tão cedo.
Sim, eu me preocupo com o futuro. E o futuro do Japão trará lições para todos nós. Na era da inteligência artificial, menos trabalhadores podem significar inovação. Os agricultores idosos podem ser substituídos por robôs inteligentes. Grande parte do país pode voltar a ser selvagem.
Irá o Japão gradualmente cair para a irrelevância ou conseguirá reinventar-se?
Minha cabeça diz que, para progredir novamente, o país precisa abraçar as mudanças. Mas meu coração dói com a perspectiva de perder tudo aquilo que faz o Japão tão especial.
Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-64388192

Fonte: G1 Mundo

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Grupo de parlamentares do Peru pedem impeachment da presidente Dina Boluarte


A moção foi assinada por mais de 20 parlamentares, mas precisa ser aprovada por pelo menos 52 para ser votada no Congresso. Nova presidente do Peru, Dina Boluarte, durante discurso para a população em 12 de dezembro.
REUTERS
Parlamentares do Peru apresentaram nesta quarta-feira (25) uma moção que pede o impeachment da presidente Dina Boluarte, de acordo com documento obtido pela Reuters.
A medida ocorre em meio a violentos protestos que tomaram as ruas do país após o impeachment e a prisão de seu antecessor, o ex-presidente Pedro Castillo, que deixaram dezenas de mortos.
‘Tomada de Lima’: quem está por trás e o que pedem nos protestos com dezenas de mortos no Peru
Dina Boluarte chegou ao poder depois que o Congresso aprovou o impeachment de Castillo. Ele foi destituído após uma tentativa de dissolver o Legislativo e decretar estado de exceção e toque de recolher no Peru, que não obteve o apoio do exército, Judiciário ou Legislativo.
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A medida do ex-presidente visava impedir a conclusão da votação do seu processo de impeachment no Congresso. Aquele foi o terceiro processo que Castillo enfrentou em um ano e meio de poder, além de ser investigado em vários processos.
A moção, que foi assinada por mais de 20 parlamentares de esquerda que apoiam Castillo, segundo a Reuters, deve ser aprovada por 52 votos antes de poder ser debatida no Congresso.
As manifestações
Os manifestantes querem a renúncia de Boluarte, o fechamento do Congresso, uma nova Constituição e a libertação de Castillo.
Também houve marchas que pedem o fim da agitação política.
Grupos de direitos humanos acusam as autoridades de usar armas de fogo contra os manifestantes e de usar helicópteros para jogar bombas de fumaça.
O exército afirma que os manifestantes usaram armas e explosivos caseiros.
Em 10 de janeiro, a Procuradoria do Peru afirmou que começou a investigar Boluarte e pessoas do governo dela por “genocídio, homicídio qualificado e ferimentos sérios” relacionados à reação aos protestos.

Fonte: G1 Mundo