Zabihullah Mujahid, um porta-voz do Talibã, deu a primeira entrevista coletiva desde que o grupo tomou o poder no Afeganistão. Combatentes do Talibã fazem guarda em uma via perto da Praça Zanbaq, em Cabul, nesta segunda (16)
Wakil Kohsar/AFP
Um porta-voz do Talibã afirmou nesta terça-feira (17) que o grupo se compromete a honrar os direitos das mulheres, desde que dentro das normas da lei islâmica.
Zabihullah Mujahid, o porta-voz, deu a primeira entrevista coletiva desde que o grupo extremista tomou o poder no Afeganistão, no domingo.
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Perguntaram a ele como serão os direitos das mulheres no país porque quando o Talibã esteve no poder na década de 1990, os direitos e liberdades das mulheres foram severamente restritos.
Ele afirmou que as mulheres poderão trabalhar. Um dos presentes perguntou se ias mulheres vão poder trabalhar como jornalistas. Mujahid não deu uma resposta definitiva: “Vamos esperar a formação do governo e os decretos de lei, e então podemos ver como serão as leis e regulamentações”.
O porta-voz afirmou que o Afeganistão é uma nação islâmica, como era há 20 anos, mas que há uma grande diferença entre o grupo hoje e o grupo como era há 20 anos.
Mujahid também disse que o Talibã quer que a mídia privada “continue independente”, mas ele salientou que os jornalistas “não devem trabalhar contra os valores internacionais”.
Mujahid disse que o Afeganistão não vai abrigar ninguém que tenha como alvos outros países. Essa foi uma das principais demandas do acordo feito entre o grupo extremista e o governo dos EUA durante a gestão de Donald Trump, que determinou a saída das tropas lideradas pelos EUA do Afeganistão neste ano.
O porta-voz do Talibã disse que o grupo vai garantir o domínio no país depois de ter tomado as capitais em um avanço muito rápido na semana passada.
Ele disse que os insurgentes não tentaram se vingar e insistiu que todos foram perdoados pelo Talibã, mesmo quem trabalhou para o antigo governo ou para forças estrangeiras.
“Nós garantimos que ninguém vai bater na porta das casas para perguntar quem os moradores ajudaram”, afirmou.
O governo ainda está sendo formado, e as leis serão decididas depois disso, ele afirmou.
O porta-voz também disse que o Afeganistão vai ser um país livre de narcóticos, e que ele espera que seja possível cultivar outras plantações, diferentes de papoula, que é usada como base para sintetizar drogas.
“Todas as fronteiras estão sob nosso controle. Não vai haver tráfico de armas. Todas as armas usadas nos confrontos serão registradas”, disse ele.
Fonte: G1 Mundo