Presidente russo Vladimir Putin ordenou que armas nucleares do país fossem colocadas em posição de alerta de risco elevado neste domingo (27). Veja composição do armamento nuclear do país. Aeronave Blackjack (Tu-160), da força nuclear estratégica da Rússia
Reprodução/Tupolev
A Rússia começou a invasão do território ucraniano na última semana e, desde então, tem sido criticada por países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Em resposta, o presidente russo Vladimir Putin ordenou, neste domingo (27), que o Ministério de Defesa do país colocasse suas armas nucleares em posição de alerta de risco elevado.
Segundo a versão da política estatal russa de deterrência (ato de impedir um ataque provocando um dano ao agressor) nuclear aprovada por Putin em junho de 2020, o país pode utilizar armas nucleares:
como forma de retaliação contra ataques a “sedes militares ou governamentais importantes” por mísseis balísticos, armas nucleares ou outras armas de destruição em massa;
como retaliação contra uso de “armamentos convencionais, quando a existência do próprio Estado russo estiver ameaçada”;
Mas afinal, qual o tamanho do arsenal nuclear russo?
Arsenal nuclear global – quantidade de ogivas nucleares por país, em janeiro de 2021
Arte g1
Dona do maior arsenal nuclear do mundo, a Rússia tem cerca de 6.255 ogivas, ficando à frente dos Estados Unidos, que ocupa a segunda posição, com 5.550. Os dados são do relatório anual do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI), referentes a janeiro de 2021, com base nos dados disponibilizados pelos países que possuem armamento nuclear. O órgão criado em 1966, na Suécia, se classifica como independente e tem parte de sua renda anual atribuida pelo governo suéco.
De acordo com o relatório da SIPRI, em janeiro de 2021, a Rússia tinha uma reserva de aproximadamente 6.255 ogivas nucleares, sendo 2.585 de estratégia ofensiva, 1.910 não-estratégicas e 1.760 já antigas, que estão aguardando desmanche.
Na definição da Rússia, armamentos nucleares estratégicos são designados para atingir alvos em regiões remotas (a mais de 5.500 km de distância), com o objetivo de concluir missões. Estão nessa classificação aeronaves de bombardeio de longo alcance, mísseis balísticos intercontinentais baseados em terra e submarinos para lançamento de mísseis balísticos.
Já as chamadas “armas não-estratégicas” são para cumprir missões em um raio menor do que 5.500 km. Elas podem ser instaladas e lançadas de navios, submarinos, aeronaves, sistemas de defesa aéreo e antimísseis. A maior parte do armamento russo deste tipo é de dupla-capacidade, ou seja, pode ser utilizar tanto ogivas nucleares quanto não-nucleares.
Apesar do armamento nuclear russo ser uma herença da era soviética, no final da década de 1990, o país iniciou um programa de modernização para substituição de seus ‘mísseis balísticos intercontinentais baseados em terra’ por modelos novos. A estimativa do SIPRI é de 81% deste processo já tenha sido concluído.
Controle e limitação
Em 2010, Rússia e Estados Unidos, as duas maiores potências nucleares do mundo – juntas possuem cerca de 89,8% do arsenal global – assinaram um tratado sobre medidas para redução e limitação de seus armamentos nucleares estratégico-ofensivos, o New START. Ele entrou em vigor em fevereiro de 2011, a partir de quando os países tiveram sete anos para se adaptar e enquadrar nos limites estabelecidos e acordados.
De acordo com o Departamento de Estado norte-americano, as duas nações atingiram os níveis propostos em fevereiro de 2018 e têm permanecido com níveis de ogivas nucleares implantadas dentro da faixa determinada pelo tratado desde então.
No início de 2021, após Joe Biden assumir o controle da Casa Branca, os países concordaram em prorrogar a validade do tratado por mais cinco anos, se estendendo até 2026.
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Fonte: G1 Mundo