Lista é composta por 37 chefes de Estado ou de governo que ‘impõem uma repressão em massa da liberdade de imprensa no mundo’. Entre eles estão Bashar al-Assad e Vladimir Putin. ONG Repórteres Sem Fronteias classifica Bolsonaro como ‘predador’ da liberdade de imprensa
A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou na segunda-feira (5) a edição 2021 do seu relatório “predadores da liberdade de imprensa”. O presidente Jair Bolsonaro integra pela primeira vez a lista, que é composta por 37 chefes de Estado ou de governo que “impõem uma repressão em massa da liberdade de imprensa no mundo”.
Além de “tiranos veteranos”, como Kim Jong-un, Bashar al-Assad e Vladimir Putin, a edição 2021 tem a particularidade de também citar pela primeira vez duas mulheres e um europeu (veja no vídeo acima e mais detalhes abaixo). O último relatório da ONG internacional foi publicado em 2016.
Todos os 37 chefes de Estado ou de governo citados restringem a liberdade do exercício do jornalismo com a “criação de estruturas de censura, a detenção arbitrária de profissionais da mídia e a incitação à violência contra os jornalistas”, afirma a ONG internacional.
Há inclusive “predadores” que estão diretamente ligados a assassinatos de profissionais da mídia, como o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, envolvido na morte atroz do jornalista saudita Jamal Khashoggi.
Entre os citados, 16 representam países que integram a pior posição do relatório anual da RSF sobre a liberdade de imprensa e 19 vêm de países que figuram na lista vermelha, onde o exercício do jornalismo é considerado difícil (caso do Brasil).
A média de idade dos chefes de governo é de 66 anos, e quase a metade dos citados (17 dos 37) entrou para a lista pela primeira vez. Mais de um terço deles (13) são da região Ásia-Pacífico.
“Cada um desses predadores tem um método particular. Alguns impõem o terror com ordens irracionais e paranoicas. Outros criam estratégias baseadas em leis restritivas”, afirmou o secretário-geral da organização, Christophe Deloire. “Temos de impedir que suas formas de impor a repressão se tornem o ‘novo normal’.”
Novos predadores
Para cada predador, a RSF publica um perfil, revelando seus métodos de repressão e censura. Sobre o Jair Bolsonaro, a organização diz que o presidente brasileiro alimenta um clima de ódio e desconfiança.
“Ameaças, agressões, assassinatos… O Brasil continua sendo um país particularmente violento para a imprensa, em que muitos jornalistas são mortos em conexão com seu trabalho”, principalmente em cidades de pequeno e médio porte, indica a RSF. Segundo a ONG, “o trabalho da imprensa brasileira se tornou especialmente complexo desde que Jair Bolsonaro foi eleito presidente, em 2018. Insultos, difamação, estigmatização e humilhação de jornalistas passaram a ser a marca registrada do presidente brasileiro”, afirma o texto.
A crise provocada pela Covid-19 piorou ainda mais a situação. “A pandemia de coronavírus expôs sérias dificuldades de acesso à informação no país e deu origem a novos ataques do presidente contra a imprensa, que ele rotula como responsável pela crise e que tenta transformar em verdadeiro bode expiatório.”
A RSF lembra que “a mídia brasileira ainda é bastante concentrada, principalmente nas mãos de grandes famílias, com frequência próximas da classe política. O sigilo das fontes é regularmente prejudicado e muitos jornalistas investigativos são alvo de processos judiciais abusivos”.
Velhos tiranos
Além de Bolsonaro e Mohammed bin Salman, também entraram na galeria dos tiranos da liberdade de imprensa o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, defensor autoproclamado da democracia “iliberal”. As duas mulheres que entraram para o rol são Carrie Lam, que dirige Hong Kong e reprime a mando de Pequim o movimento pró-democracia do território semiautônomo chinês, e a primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, que comanda o país desde 2009.
Entre os “predadores históricos”, que figuram na “sinistra lista” da RSF há mais de 20 anos, estão o presidente sírio, Bashar al-Assad, o guia supremo do Irã, Ali Khamenei, e os presidentes russo, Vladimir Putin, e bielorusso, Alexandre Lukashenko, sem esquecer os africanos Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, da Guiné Equatorial, Paul Kagamé, de Ruanda, e Issaias Afwerki, presidente da Eritreia.
A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou na segunda-feira (5) a edição 2021 do seu relatório “predadores da liberdade de imprensa”. O presidente Jair Bolsonaro integra pela primeira vez a lista, que é composta por 37 chefes de Estado ou de governo que “impõem uma repressão em massa da liberdade de imprensa no mundo”.
Além de “tiranos veteranos”, como Kim Jong-un, Bashar al-Assad e Vladimir Putin, a edição 2021 tem a particularidade de também citar pela primeira vez duas mulheres e um europeu (veja no vídeo acima e mais detalhes abaixo). O último relatório da ONG internacional foi publicado em 2016.
Todos os 37 chefes de Estado ou de governo citados restringem a liberdade do exercício do jornalismo com a “criação de estruturas de censura, a detenção arbitrária de profissionais da mídia e a incitação à violência contra os jornalistas”, afirma a ONG internacional.
Há inclusive “predadores” que estão diretamente ligados a assassinatos de profissionais da mídia, como o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, envolvido na morte atroz do jornalista saudita Jamal Khashoggi.
Entre os citados, 16 representam países que integram a pior posição do relatório anual da RSF sobre a liberdade de imprensa e 19 vêm de países que figuram na lista vermelha, onde o exercício do jornalismo é considerado difícil (caso do Brasil).
A média de idade dos chefes de governo é de 66 anos, e quase a metade dos citados (17 dos 37) entrou para a lista pela primeira vez. Mais de um terço deles (13) são da região Ásia-Pacífico.
“Cada um desses predadores tem um método particular. Alguns impõem o terror com ordens irracionais e paranoicas. Outros criam estratégias baseadas em leis restritivas”, afirmou o secretário-geral da organização, Christophe Deloire. “Temos de impedir que suas formas de impor a repressão se tornem o ‘novo normal’.”
Novos predadores
Para cada predador, a RSF publica um perfil, revelando seus métodos de repressão e censura. Sobre o Jair Bolsonaro, a organização diz que o presidente brasileiro alimenta um clima de ódio e desconfiança.
“Ameaças, agressões, assassinatos… O Brasil continua sendo um país particularmente violento para a imprensa, em que muitos jornalistas são mortos em conexão com seu trabalho”, principalmente em cidades de pequeno e médio porte, indica a RSF. Segundo a ONG, “o trabalho da imprensa brasileira se tornou especialmente complexo desde que Jair Bolsonaro foi eleito presidente, em 2018. Insultos, difamação, estigmatização e humilhação de jornalistas passaram a ser a marca registrada do presidente brasileiro”, afirma o texto.
A crise provocada pela Covid-19 piorou ainda mais a situação. “A pandemia de coronavírus expôs sérias dificuldades de acesso à informação no país e deu origem a novos ataques do presidente contra a imprensa, que ele rotula como responsável pela crise e que tenta transformar em verdadeiro bode expiatório.”
A RSF lembra que “a mídia brasileira ainda é bastante concentrada, principalmente nas mãos de grandes famílias, com frequência próximas da classe política. O sigilo das fontes é regularmente prejudicado e muitos jornalistas investigativos são alvo de processos judiciais abusivos”.
Velhos tiranos
Além de Bolsonaro e Mohammed bin Salman, também entraram na galeria dos tiranos da liberdade de imprensa o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, defensor autoproclamado da democracia “iliberal”. As duas mulheres que entraram para o rol são Carrie Lam, que dirige Hong Kong e reprime a mando de Pequim o movimento pró-democracia do território semiautônomo chinês, e a primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, que comanda o país desde 2009.
Entre os “predadores históricos”, que figuram na “sinistra lista” da RSF há mais de 20 anos, estão o presidente sírio, Bashar al-Assad, o guia supremo do Irã, Ali Khamenei, e os presidentes russo, Vladimir Putin, e bielorusso, Alexandre Lukashenko, sem esquecer os africanos Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, da Guiné Equatorial, Paul Kagamé, de Ruanda, e Issaias Afwerki, presidente da Eritreia.
Fonte: G1 Mundo