As meninas de 15 e 17 anos pertenciam à comunidade Dalit, o degrau mais baixo da rígida hierarquia de castas da Índia. Árvore onde duas irmãs foram encontradas enforcadas, na região de Uttar Pradesh, na Índia, em 15 de setembro de 2022. Suspeita é de estupro e assassinato
AP
Seis homens foram presos nesta quinta-feira (15) no norte da Índia acusados de estuprar e matar duas adolescentes cujos corpos foram encontrados pendurados em uma árvore um dia antes.
As meninas de 15 e 17 anos pertenciam à comunidade Dalit, o degrau mais baixo da rígida hierarquia de castas da Índia, e foram encontradas penduradas em uma árvore em um canavial perto de sua casa no distrito de Lakhimpur Kheri, no estado de Uttar Pradesh, disse a polícia.
Dalits – conhecidos como “intocáveis” – são vítimas de milhares de ataques todos os anos. De acordo com organizações de direitos humanos, as mulheres dalits são particularmente vulneráveis à discriminação baseada em casta e à violência sexual.
De acordo com uma investigação inicial, as irmãs deixaram a casa em que viviam na quarta-feira (14) e se encontraram com dois dos homens presos com os quais elas teriam tido um relacionamento, segundo o superintendente da polícia local, Sanjiv Suman.
Os dois homens confessaram ter estrangulado as irmãs depois de estuprá-las, e então chamaram outros dois para ajudar a se livrar dos corpos, disse ele.
Mais tarde, eles penduraram os corpos em uma árvore na tentativa de que as mortes parecessem suicídio, disse Suman. Outros dois homens também foram presos em conexão com o incidente, mas a polícia não especificou o tipo de envolvimento dos suspeitos.
A polícia apresentou contra os homens queixas de suspeita de assassinato, agressão, estupro e estupro de menor. Autópsias foram realizadas em um hospital, e os corpos foram entregues à família para os últimos ritos, disse o policial Prashant Kumar.
Na noite de quarta-feira (14), a mãe das vítimas foi à delegacia, onde disse que três homens não identificados e um vizinho do sexo masculino sequestraram suas filhas, informou a agência de notícias Press Trust of India.
O incidente provocou revolta na aldeia, e os moradores realizaram uma manifestação depois que os corpos foram encontrados. A polícia foi mobilizada em toda a vila para manter a lei e a ordem, segundo relatos da mídia local.
O incidente também provocou indignação nas mídias sociais, onde políticos da oposição atacaram o governo do Estado e o ministro-chefe, que pertence ao partido Bhartiya Janata do primeiro-ministro Narendra Modi.
Mulher protesta em manifestação em Nova Deli contra decisão do governo de relaxar a pena de homens acusados de estupro coletivo de uma muçulmana no país, em agosto de 2022.
Altaf Qadri/ AP
Relatos de estupro são assustadoramente familiares na Índia. Em 2020, o estupro coletivo e a morte de uma mulher Dalit provocaram revolta em todo o país, com manifestantes protestando nas ruas. Aconteceu um mês depois que uma menina dalit de 13 anos foi estuprada e morta em Uttar Pradesh.
Estupro e violência sexual estão sob os holofotes desde o estupro coletivo em 2012 e o assassinato brutal de uma estudante de 23 anos em um ônibus em Nova Délhi.
O ataque galvanizou protestos massivos e inspirou legisladores a ordenar a criação de tribunais acelerados dedicados a casos de estupro e penas mais duras para os condenados pelo crime.
Fonte: G1 Mundo