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Talibã no Afeganistão: o que diz quem conhece de perto a vida no país


Muhammad Ishaq, que vive no Brasil desde 2015, lembra que não era permitido tocar músicas em festas. No Brasil há oito anos, Sorb Kohkan está preocupado com a filha, escondida em uma casa no Afeganistão. G1 reuniu relatos. Riahana está com medo, principalmente porque a filha segue no Afeganistão. Medo também foi a palavra usada por Muhammad, mesmo depois de ter conseguido falar com o pai, que vive no país tomado, novamente, pelo Talibã após 20 anos. O G1 reuniu relatos de afegãos que hoje vivem no Brasil, mas não esquecem como é a vida sob o regime do grupo extremista Talibã. Leia a seguir:
“Se vissem alguém ouvindo músicas em carros, quebravam as fitas cassetes e puniam o motorista com tapa ou espancamento”. O relato de como era a vida sob o regime do Talibã no Afeganistão é de Muhammad Ishaq. O comerciante de 32 anos vive em Brasília desde 2017.
Muhammad lembra com detalhes das cobranças religiosas que o grupo extremista fazia. “Eles costumavam forçar as pessoas para praticar a religião. Por exemplo, todos deveriam manter a barba, pois eles diziam que manter a barba é a prática do profeta Maomé. Ninguém podia tocar música em carros, aniversários, festas e casamentos.”
“Quando você ia ao escritório de passaportes para obter seu documento, eles faziam perguntas sobre quantas páginas ou capítulos o Alcorão tem. Se você tivesse respondido errado a seus religiosos, então você não era elegível para obter seu passaporte ou outro documento.”
Leia a íntegra do relado de Muhammad aqui.
Sayed Abdul Rahman Hashimi está preocupado com a família que ficou no Afeganistão. Desde 2015, ele vive em Belo Horizonte com a mulher e um filho, que já nasceu no Brasil.
“Quando vi as imagens fiquei muito triste. Fiquei abalado. Eles [seus familiares] estão juntos, em casa, em segurança, mas contaram que nada funciona lá, tudo fechado, aeroporto com aglomeração e voos cancelados.”
“Não tem polícia, não tem governo, até nossa bandeira, eles [Talibã] tiraram e colocaram outra no lugar. Me preocupo com eles, apesar de saber que, por enquanto, estão bem.”
Leia a íntegra do relado de Sayed aqui.
Sayed na época em que morava no Afeganistão.
Sayed Abdul Rahman Hashimi/ Arquivo pessoal
Sorb Kohkan, de 65 anos, e sua mulher, Riahana Ibrahimi, de 47, pertencem à etnia hazara, um povo de origem mongol que reside principalmente na região central do Afeganistão conhecida como Hazarajat. Eles moram atualmente em São Paulo, mas estão preocupados com a filha, que está escondida em uma casa no Afeganistão.
“Minha filha e minhas irmãs estão lá, morrendo de medo, sem sair de casa. Estamos muito preocupados”, diz Riahana.
Riahana Ibrahimi está comandando o restaurante Koh I Baba, em SP, enquanto o marido tenta tirar a filha do Afeganistão
BBC Brasil
“As mulheres da minha família trabalham como professoras, mas ficou muito perigoso para elas, porque o Talibã proíbe que meninas estudem e persegue as mulheres. Minha filha e outras parentes estão escondidas em uma casa, sem poder sair. O Talibã segue uma lei de mil anos atrás. Com eles no poder, outros grupos extremistas vão aparecer também”, afrima Kohkan.
Leia a íntegra do relado de Sorb e Riahana aqui.

Fonte: G1 Mundo