Autoridades informaram que não resistiram em Jalalabad para evitar mortes de civis. Na capital do país, homens já deixam barbas crescer e mulheres temem perda de direitos. VÍDEO: O avanço do Talibã no Afeganistão
O Talibã assumiu na manhã deste domingo (15) – noite de sábado (14) no Brasil – o controle da cidade de Jalalabad, no leste do Afeganistão. Assim, a capital Cabul é a única das grandes cidades afegãs ainda sob controle do governo.
As autoridades informaram que a tomada de Jalalabad ocorreu sem confrontos e que a segurança das estradas que ligam o país ao vizinho Paquistão está garantida.
“Não há confrontos ocorrendo agora em Jalalabad porque o governo local se rendeu ao Talibã”, disse uma autoridade afegã em Jalalabad à agência de notícias Reuters. “Permitir a passagem para o Talibã era a única maneira de salvar vidas de civis.”
Neste sábado, o Talibã tomou Mazar-i-Sharif, principal cidade do norte afegão; e Pul-e-Alam, capital da província de Logar, a 70 quilômetros de Cabul. Na quinta-feira, já havia assumido o controle de Kandahar e Herat, segunda e terceira maiores cidades do país.
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Os insurgentes estão a apenas 50 km da capital e não dão sinais de que vão diminuir o passo. Neste sábado, também tomaram a província de Kunar, no leste do país, e logo poderão se aproximar da capital pelo norte, sul e leste.
Mas também neste sábado, o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, garantiu que o combate contra o Talibã continuava.
“A remobilização de nossas forças de segurança e defesa é nossa prioridade número um e medidas sérias estão sendo tomadas para esse fim”, disse Ghani, em um discurso à Nação.
Ele não fez alusão, porém, a uma possível renúncia, exigida por alguns, mas especificou que tinha iniciado “consultas” dentro do governo, com dirigentes políticos e parceiros internacionais, para encontrar “uma solução política em que a paz e a estabilidade” sejam preservadas.
Horas depois, o governo declarou que irá formar uma delegação que “estará pronta para negociar”.
Paralelamente, o governo do Catar, emirado que tem sido sede de negociações infrutíferas entre talibãs e autoridades afegãs há meses, pediu aos insurgentes “um cessar-fogo, o que contribuiria para acelerar os esforços para alcançar um acordo político integral que garanta um futuro próspero ao governo e ao povo afegão”.
Crescer a barba por precaução
As ruas da capital se mostraram movimentadas neste sábado, mas longas filas se formam do lado de fora dos bancos, e alguns homens disseram à agência France Presse que começaram a deixar a barba crescer, em antecipação à chegada iminente do Talibã na cidade.
Muitos afegãos – mulheres em particular -, acostumados com a liberdade de que desfrutaram nos últimos 20 anos, temem um retorno ao poder do Talibã.
Quando governou o país entre 1996 e 2001, antes de ser expulso do poder por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, o Talibã impôs sua versão ultraconservadora da lei islâmica.
As mulheres eram proibidas de sair sem um acompanhante masculino e de trabalhar, e as meninas de ir à escola. Mulheres acusadas de crimes como adultério eram açoitadas e apedrejadas até a morte.
“É particularmente horrível e doloroso ver os direitos duramente conquistados de meninas e mulheres afegãs sendo retirados delas”, disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, na sexta-feira.
Tropas extras dos EUA e retirada de estrangeiros
Neste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, autorizou o enviou de mais tropas para auxiliar na retirada emergencial dos norte-americanos que ainda estão no país e também de aliados estrangeiros.
No total serão 5 mil soldados: mil que já estão lá, mil que serão deslocados do Kwait para o Afeganistão e 3 mil que já estão a caminho, segundo o Pentágono.
O Reino Unido anunciou também a redistribuição de 600 soldados para ajudar os britânicos a partir.
Vários países – Holanda, Finlândia, Suécia, Itália e Espanha – também anunciaram na sexta-feira a redução ao mínimo de sua presença no país, bem como programas de repatriação para seus funcionários afegãos.
Outros, incluindo Noruega e Dinamarca, preferiram fechar temporariamente suas embaixadas.
Neste sábado, o governo alemão informou que o exército ajudará a evacuar a embaixada da Alemanha em Cabul e seus funcionários “que precisam de proteção da Alemanha”. A sede diplomática será reduzida ao mínimo necessário, segundo essas fontes.
O Talibã assumiu na manhã deste domingo (15) – noite de sábado (14) no Brasil – o controle da cidade de Jalalabad, no leste do Afeganistão. Assim, a capital Cabul é a única das grandes cidades afegãs ainda sob controle do governo.
As autoridades informaram que a tomada de Jalalabad ocorreu sem confrontos e que a segurança das estradas que ligam o país ao vizinho Paquistão está garantida.
“Não há confrontos ocorrendo agora em Jalalabad porque o governo local se rendeu ao Talibã”, disse uma autoridade afegã em Jalalabad à agência de notícias Reuters. “Permitir a passagem para o Talibã era a única maneira de salvar vidas de civis.”
Neste sábado, o Talibã tomou Mazar-i-Sharif, principal cidade do norte afegão; e Pul-e-Alam, capital da província de Logar, a 70 quilômetros de Cabul. Na quinta-feira, já havia assumido o controle de Kandahar e Herat, segunda e terceira maiores cidades do país.
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Os insurgentes estão a apenas 50 km da capital e não dão sinais de que vão diminuir o passo. Neste sábado, também tomaram a província de Kunar, no leste do país, e logo poderão se aproximar da capital pelo norte, sul e leste.
Mas também neste sábado, o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, garantiu que o combate contra o Talibã continuava.
“A remobilização de nossas forças de segurança e defesa é nossa prioridade número um e medidas sérias estão sendo tomadas para esse fim”, disse Ghani, em um discurso à Nação.
Ele não fez alusão, porém, a uma possível renúncia, exigida por alguns, mas especificou que tinha iniciado “consultas” dentro do governo, com dirigentes políticos e parceiros internacionais, para encontrar “uma solução política em que a paz e a estabilidade” sejam preservadas.
Horas depois, o governo declarou que irá formar uma delegação que “estará pronta para negociar”.
Paralelamente, o governo do Catar, emirado que tem sido sede de negociações infrutíferas entre talibãs e autoridades afegãs há meses, pediu aos insurgentes “um cessar-fogo, o que contribuiria para acelerar os esforços para alcançar um acordo político integral que garanta um futuro próspero ao governo e ao povo afegão”.
Crescer a barba por precaução
As ruas da capital se mostraram movimentadas neste sábado, mas longas filas se formam do lado de fora dos bancos, e alguns homens disseram à agência France Presse que começaram a deixar a barba crescer, em antecipação à chegada iminente do Talibã na cidade.
Muitos afegãos – mulheres em particular -, acostumados com a liberdade de que desfrutaram nos últimos 20 anos, temem um retorno ao poder do Talibã.
Quando governou o país entre 1996 e 2001, antes de ser expulso do poder por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, o Talibã impôs sua versão ultraconservadora da lei islâmica.
As mulheres eram proibidas de sair sem um acompanhante masculino e de trabalhar, e as meninas de ir à escola. Mulheres acusadas de crimes como adultério eram açoitadas e apedrejadas até a morte.
“É particularmente horrível e doloroso ver os direitos duramente conquistados de meninas e mulheres afegãs sendo retirados delas”, disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, na sexta-feira.
Tropas extras dos EUA e retirada de estrangeiros
Neste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, autorizou o enviou de mais tropas para auxiliar na retirada emergencial dos norte-americanos que ainda estão no país e também de aliados estrangeiros.
No total serão 5 mil soldados: mil que já estão lá, mil que serão deslocados do Kwait para o Afeganistão e 3 mil que já estão a caminho, segundo o Pentágono.
O Reino Unido anunciou também a redistribuição de 600 soldados para ajudar os britânicos a partir.
Vários países – Holanda, Finlândia, Suécia, Itália e Espanha – também anunciaram na sexta-feira a redução ao mínimo de sua presença no país, bem como programas de repatriação para seus funcionários afegãos.
Outros, incluindo Noruega e Dinamarca, preferiram fechar temporariamente suas embaixadas.
Neste sábado, o governo alemão informou que o exército ajudará a evacuar a embaixada da Alemanha em Cabul e seus funcionários “que precisam de proteção da Alemanha”. A sede diplomática será reduzida ao mínimo necessário, segundo essas fontes.
Fonte: G1 Mundo