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Tribunal chinês confirma pena de morte para canadense por tráfico de drogas


O canadense Robert Lloyd Schellenberg durante julgamento por tráfico de drogas no tribunal de Dalian, na província de Liaoning, no nordeste da China, em 14 de janeiro de 2019. Pena de morte foi mantida em caso que desencadeou grave crise nas relações entre Ottawa e Pequim
Tribunal Popular Intermediário de Dalian via AFP
Um tribunal chinês confirmou em segunda instância nesta terça-feira (10) a pena de morte do canadense Robert Lloyd Schellenberg por tráfico de drogas, com a grave crise diplomática entre Pequim e Ottawa como pano de fundo.
A decisão foi anunciada um dia antes de a justiça chinesa divulgar o veredicto sobre o caso de outro cidadão canadense, Michael Spavor, acusado de espionagem.
Sua detenção na China, assim como a do ex-diplomata Michael Kovrig, também canadense, aumentou a tensão no fim de 2018 das relações bilaterais já complicadas pela detenção poucos dias antes no Canadá de Meng Wanzhou, executiva do grupo chinês de telecomunicações Huawei, a pedido de Washington.
Robert Lloyd Schellenberg foi condenado em janeiro de 2019 à pena de morte. O tribunal o acusou de ter introduzido, junto com outros acusados, mais de 220 quilos de metanfetaminas na China.
Considerado culpado no passado por tráfico de drogas no Canadá, Schellenberg se declarou inocente e afirmou que viajou à China por turismo. Ele apresentou recurso contra a condenação.
O Tribunal Popular Supremo da província de Liaoning (nordeste), a província onde o canadense foi julgado, “decidiu rejeitar a apelação e confirmar a decisão inicial”, afirma um comunicado.
O tribunal “considerou que os fatos constatados em primeira instância eram claros, as provas confiáveis e suficientes” e que l pena de morte é “apropriada”, completa a nota.
“Condenamos o veredicto nos termos mais fortes e apelamos à clemência da China”, declarou Dominic Barton, embaixador do Canadá no país.
“Transmitimos em várias ocasiões à China a nossa firme oposição a esta pena cruel e desumana e continuaremos fazendo isto”, completou.
A decisão coincide com o comparecimento de Meng Wanzhou, diretora financeira da Huawei, a um tribunal canadense para a última série de audiências que devem definir sua eventual extradição aos Estados Unidos.
O processo de apelação de Robert Lloyd Schellenberg aconteceu em maio de 2019, o que significa que a justiça chinesa demorou mais de dois anos para pronunciar seu veredicto.
Detido em 2014, ele foi condenado a 15 anos de prisão em primeira instância.
Mas pouco depois da detenção da executiva da Huawei, a justiça considerou o veredicto “muito indulgente” e anunciou a abertura de um novo processo.
Meng Wanzhou, de 49 anos, foi detida em 1º de dezembro de 2018 no aeroporto de Vancouver a pedido da justiça dos Estados Unidos, que deseja julgá-la por fraude bancária.
Poucos dias depois da detenção de Meng, a China prendeu dois canadenses: o ex-diplomata Michael Kovrig e o empresário Michael Spavor. Detenções que o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau considera represálias, o que Pequim nega.
Os dois homens foram julgados por “espionagem” em um processo a portas fechadas.
Em 2015, a China reduziu de 55 para 46 o número de crimes que podem ser punidos com a pena de morte. O número de execuções no país é um segredo de Estado.
A mais recente de um ocidental foi a de Akmal Shaikh, um britânico executado em 2009 por tráfico de heroína, segundo a agência oficial Xinhua.
ehl/bar/ybl/af/dga/dbh/zm/fp

Fonte: G1 Mundo