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República mais antiga do mundo vai abolir prisão por aborto


Despenalização do aborto recebeu apoio clamoroso, com mais de 77% dos votos, colocando fim a um dos maiores tabus do pequeno Estado de San Marino, cujo território do tamanho da ilha de Manhattan está encravado no nordeste da Itália. San Marino era 1 dos 4 países da Europa que previam prisão para mulheres que faziam aborto, ao lado de Andorra, Malta e Vaticano
Getty Images via BBC
A terra da liberdade, como bradava um orgulhoso letreiro de boas-vindas na Sereníssima República de San Marino, conviveu por muitos anos com uma grande contradição. A república mais velha do planeta era um dos poucos países da Europa a ainda criminalizar o aborto com a prisão. A pena para as mulheres ou quem mais ajudasse a interromper a gravidez poderia chegar a três anos.
No domingo (26), o sim — pela despenalização do aborto — recebeu um apoio clamoroso, com mais de 77% dos votos, o que põe fim a um dos maiores tabus do pequeno Estado, cujo território (habitado por 33 mil pessoas) do tamanho da ilha de Manhattan (Nova York) está encravado no nordeste da Itália, seu único vizinho.
Agora, uma nova legislação deve ser aprovada pelo Parlamento em até seis meses. Segundo os termos da consulta popular, o aborto será permitido até a décima segunda semana de gestação. Em caso de malformação do feto ou se ele coloca em risco a saúde da mãe, o prazo para interromper a gravidez pode ser maior.
“Nós chegamos sempre depois nesse tema dos direitos das mulheres. É um problema histórico, que foi sendo empurrado ao longo de décadas”, afirmou à BBC Brasil Karen Pruccoli, uma empresária local e presidente da UDS, sigla em italiano da União das Mulheres Samarinenses, associação que promoveu o debate nas últimas semanas.
A lei em vigor remonta a uma outra, editada em 1865, e estabelece ainda uma pena mais leve para as mulheres que abortam por “motivo de honra”. Ou seja, se o filho fosse ilegítimo, fruto de uma relação extraconjugal, haveria uma redução da pena. Mais um exemplo escandaloso, segundo as mulheres samarinenses, de uma legislação de “outro mundo” vigente num país no coração da Europa.
Em San Marino, contudo, não se conhece nenhuma mulher presa por abortar. Como na Itália a prática é despenalizada há mais de 40 anos, casais ou mulheres que precisam recorrer à prática quase sempre se deslocam para o território italiano.
O resultado do referendo — votado por 41% dos eleitores inscritos, segundo dados oficiais — coloca o orgulhoso país de raízes republicanas numa posição parecida com outros países da Europa. Agora, apenas três Estados europeus continuam prevendo a prisão em seu ordenamento jurídico para quem interromper a gravidez: Andorra, Malta e a Cidade do Vaticano (Estado-sede da Igreja Católica).
Atrasada
Em comparação com seu único vizinho, a Itália, ainda hoje seu principal espelho, San Marino — que não faz parte da União Europeia — sempre chegou depois na questão dos direitos das mulheres. Enquanto as italianas puderam votar a partir de 1946, no pequeno Estado elas só foram às urnas em 1964. O divórcio só se tornou uma realidade legal para as samarinenses em 1986, dezesseis anos depois de entrar em vigor na Itália.
“É uma questão de mentalidade: não estamos no mesmo nível dos italianos. Copiamos deles as coisas erradas”, diz o historiador Verter Casali, especializado na história de San Marino.
O atraso da sereníssima república era evidente em outros aspectos. Por exemplo: as mulheres de San Marino que cassassem com um estrangeiro automaticamente perdiam a cidadania e os demais direitos, como o de herdar terras ou imóveis. Eram simbolicamente expatriadas por causa de um matrimônio. Os homens, ao contrário, não eram submetidos ao mesmo princípio: eles podiam se casar com as estrangeiras e mantinham todos os direitos.
Em 1982, houve um referendo nacional sobre o assunto, mas a maioria da população votou pela manutenção da legislação. Só dois anos depois, por pressões da Itália e da Europa, San Marino alterou a lei.
“Era como se o Estado tivesse a propriedade das mulheres, uma coisa meio tribal. Naquela época, a mudança veio de fora. Agora, sobre o direito de as mulheres interromperem a gravidez, a mudança veio de dentro. É impossível desassociar um referendo do outro”, diz Valentina Rossi, professora de história e filosofia e também integrante da UDS.
“Os países pequenos são tradicionalmente conservadores, são mais resistentes à mudança. Somos vistos como a terra da liberdade, mas temos uma liberdade relativa”.
Catolicismo conservador
Independente do Império Romano no ano de 301 D.C., a Sereníssima República de San Marino (instituída com tal em 1291) virou uma terra celebrada pelos amantes da liberdade como o francês Napoleão Bonaparte, o americano Abraham Lincoln e o italiano Giuseppe Garibaldi.
Mas, como esteve por muito tempo encravado num território que outrora era um Estado Pontifício, comandado pela Igreja Católica, a religião deixou marcas profundas.
“O catolicismo conservador ainda tem muita influência aqui”, afirma Verter Casali.
A religião explica, segundo Karen Pruccoli, a influência da Democracia Cristã — partido criado nos anos 1920 e ainda hoje sob orientação católica — na cena política local.
O debate sobre o aborto em San Marino começou em 2003, quando uma deputada apresentou um projeto de lei que descriminalizava a prática, mas o tema nunca foi analisado no Parlamento. As forças políticas tradicionais bloquearam o assunto.
“Três de cada quatro eleitores do país votaram pelo sim. É uma clara resposta à inércia da classe política ao longo de décadas”, completa Pruccoli.
Presente nos debates pelos direitos das mulheres em San Marino entre o início dos anos 1970 e o final dos 80, a UDS foi ressuscitada há dois anos exatamente para promover o debate sobre a igualdade de gênero. Foram as mulheres da UDS que recolheram as assinaturas necessárias para o referendo — a Constituição prevê pelo menos mil assinaturas e elas conseguiram mais de três mil.
San Marino tem desde 2018 uma lei que reconhece a união civil de pessoas do mesmo sexo.

Fonte: G1 Mundo

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Vulcão nas Canárias: autoridades pedem a moradores que selem portas e janelas devido a gases tóxicos


Moradores devem selar portas e janelas com fita adesiva e toalhas úmidas e proteger o nariz e a boca com um pano úmido. Todas as pessoas em um raio de 2 km foram evacuadas. Lava do vulcão atinge o mar na ilha espanhola de La Palma, nas Canárias, em 29 de setembro de 2021
Borja Suarez/Reuters
Autoridades das Ilhas Canárias, na Espanha, pediram aos moradores na costa oeste de La Palma que selem portas e janelas com fita adesiva e toalhas úmidas para evitar os gases tóxicos expelidos pela lava do vulcão Cumbre Vieja.
O serviço de emergência do arquipélago no Oceano Atlântico pediu a todos que estão ao ar livre a menos de 3,5 km da área que encontrem imediatamente um lugar seguro para se abrigar. As pessoas também foram aconselhaadas a protegerem a boca e o nariz com um pano úmido.
A lava incandescente chegou ao mar na noite de terça-feira (28), caindo de um penhasco na área de Playa Nueva, perto da cidade de Tazacorte, nove dias após o início da erupção do vulcão (veja no vídeo abaixo).
Especialistas alertam que o rápido resfriamento da lava ao entrar em contato com a água do Oceano Atlântico é preocupante, porque pode liberar gases tóxicos, carregados de ácido clorídrico.
Lava do vulcão Cumbre Vieja toca o mar nas Canárias
Não há, até o momento, o registro de mortos ou feridos por decorrência da atividade vulcânica na ilha.
Evacuação em um raio de 2 km
Todas as pessoas em um raio de 2 km foram evacuadas e uma área mais ampla está bloqueada, disse o prefeito de Tazacorte, Juan Miguel Rodriguez Acosta, a um canal de televisão local.
Ele disse que não foram necessárias evacuações adicionais porque a nuvem tóxica estava se movendo para o leste. Ele afirmou também que todas as estradas para a parte sul da ilha de Palma foram destruídas pela lava.
O governo da Espanha declarou na terça que a área do vulcão é uma “zona de catástrofe” e destinou uma ajuda emergencial de 10,5 milhões de euros (cerca de R$ 67 milhões) para os desalojados.
Rastro de destruição
Desde que o vulcão entrou em erupção, no dia 19, mais de 600 construções e cerca de 20 km de ruas e estradas já foram atingidas pela lava, além de plantações de banana.
Milhares de pessoas foram evacuadas de suas casas e três vilas costeiras foram fechadas na segunda-feira (27), antes de a lava atingir o oceano.
Veja todos os VÍDEOS do vulcão nas Canárias

Fonte: G1 Mundo

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Os super-ricos que decidiram não deixar fortuna para seus herdeiros


Declaração do apresentador Anderson Cooper sobre não deixar ‘pote de ouro’ para seu filho voltaram a agitar o debate a respeito de heranças milionárias e meritocracia. Apresentador americano Anderson Cooper disse que não deixará sua fortuna para seu filho
Reuters
Declarações do apresentador americano Anderson Cooper, âncora da emissora CNN, a respeito de não deixar sua fortuna para seu filho voltaram a agitar o debate a respeito de heranças milionárias e meritocracia.
Cooper, cuja fortuna é estimada em cerca de US$ 200 milhões (mais de R$ 1 bilhão na cotação atual) e que recebe anualmente em torno de US$ 12 milhões da CNN, declarou que não pretende deixar “um pote de ouro” para seu filho, que hoje tem um ano e meio de idade.
“Não acredito em passar adiante grandes quantidades de dinheiro”, disse Cooper em episódio que foi ao ar neste fim de semana no podcast Morning Meeting.
“Não estou tão interessado em dinheiro, mas não pretendo passar adiante algum tipo de pote de ouro para meu filho. Vou fazer o que meus pais me disseram: ‘Sua faculdade será paga, e em seguida você precisa seguir [por conta própria]’.”
Anderson Cooper, jornalista e apresentador da CNN, em foto com o filho Wyatt Morgan
Reprodução/Instagram
Cooper é descendente, por parte de mãe, dos Vanderbilts, que foram em seu tempo uma rica dinastia americana e que começou a definhar antes de o apresentador nascer — e sobre a qual ele escreveu um livro.
O apresentador afirmou ao podcast que “cresceu vendo dinheiro ser perdido” pelos Vanderbilts e sempre evitou ser associado à família de sua mãe. Segundo ele, a fortuna do magnata Cornerlius Vanderbilt, erguida ainda no século 19, “foi uma patologia que infectou as gerações seguintes”.
“[O dinheiro] não os levou a grandes atos de generosidade ou à criação de fundações duradouras que ajudassem outras pessoas, mas sim ao anseio de entrar para a alta sociedade [de Nova York]”, disse.
A fala de Cooper se insere em um debate maior entre uma parcela de milionários e bilionários internacionais a respeito da destinação de suas riquezas — e também em meio a críticas sobre responsabilidade social e impostos sobre fortunas em um momento de grande desigualdade e concentração de renda em todo o mundo.
Além disso, traz à tona também a lembrança de casos famosos de magnatas que ativamente evitaram deixar o dinheiro para seus herdeiros.
Andrew Carnegie
Quando vendeu sua Carnegie Steel Company, no início dos anos 1900, o magnata do aço escocês-americano Andrew Carnegie obteve uma soma que, à época, já era gigantesca: US$ 480 milhões. E fez dele o homem mais rico do mundo em seu tempo.
Esse dinheiro, porém, não foi para seus herdeiros. Carnegie foi autor de um hoje centenário manifesto chamado “O Evangelho da Riqueza”, que tem esta como uma de suas frases mais famosas: “o homem que morre rico morre em desgraça”.
A fortuna de Carnegie foi usada em sua maioria para financiar a construção de bibliotecas, institutos educacionais, fundos e fundações nos EUA e na Europa.
“É por esse motivo que o clã Carnegie não aparece na lista da Forbes de famílias mais ricas dos EUA”, aponta reportagem da própria revista de 2014.
Quando Andrew Carnegie morreu, em 1919, deixou para sua mulher alguns bens pessoais, como uma casa em Manhattan (Nova York) e uma residência de férias na Escócia — que acabaria sendo vendida por conta de seus altos custos de manutenção.
Sua única filha, Margaret, herdou um pequeno fundo, “o suficiente para ela [e o restante da família] viverem confortavelmente, mas nunca tanto dinheiro quanto [receberam] os filhos de outros magnatas, que viviam em enorme luxo”, disse à Forbes o biógrafo de Carnegie, David Nasaw.
Chuck Feeney
Fundador da Duty Free, Charles “Chuck” Feeney disse ter realizado o sonho de doar toda a sua fortuna em vida
Atlantic Philanthropies/Divulgação
A trajetória de Andrew Carnegie foi marcante para outro bilionário americano — este contemporâneo —, Charles “Chuck” Feeney.
Em 2020, o empresário, então com 89 anos, já havia doado para ações de filantropia os US$ 8 bilhões acumulados ao longo de sua carreira (ele foi cofundador, ainda nos anos 1960, da empresa de varejo em aeroportos Duty Free Shoppers, ou DFS).
Feeney defendeu em entrevistas que “com a riqueza vem a responsabilidade”.
“As pessoas devem se definir ou sentir a responsabilidade de usar parte de seus recursos para melhorar a vida de seus pares, ou então criarão problemas insolúveis ​​para as gerações futuras.”
Feeney leva uma vida frugal, sem casas ou carros de luxo, embora em 2012 tenha dito à “Forbes” que havia reservado cerca de US$ 2 milhões para a aposentadoria dele e de sua mulher.
Sobre sua filosofia de doar uma quantidade bilionária para causas ainda em vida, ele declarou à revista: “Vejo poucos motivos para adiar essa doação, quando tanto bem pode ser alcançado ao apoiar causas valiosas. Além disso, é muito mais divertido doar enquanto você está vivo do que quando já está morto.”
Kevin O’Leary
“Você amaldiçoa uma criança quando elimina todo o risco de suas vidas”, disse à emissora americana CNBC, em setembro deste ano, o empresário canadense Kevin O’Leary.
“Muitos de nós conhecemos crianças ricas e mimadas que não se importam em buscar uma carreira e não têm incentivo para tal porque sua vida foi totalmente desprovida de risco.”
O’Leary é um empreendedor que começou sua fortuna com softwares de informática e se tornou celebridade televisiva em seu país por aparecer em programas como Shark Thank (na versão brasileira, Negociando com Tubarões).
Por conta dessa filosofia, ele contou à CNBC que, quando ganhou dinheiro com seu primeiro IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês), estabeleceu um fundo para todas as crianças de sua família.
Esse fundo garante, até mesmo depois da morte de O’Leary, que todas elas tenham suas despesas pagas desde seu nascimento até sua universidade. “Depois disso, ninguém recebe nada.”
Yu Pengnian
Ainda em 2010, o empresário chinês Yu Pengnian, que teve uma vida humilde mas tornou-se bilionário dos ramos imobiliário e hoteleiro, anunciou que já havia doado cerca de US$ 1,2 bilhão a causas filantrópicas.
Quando Yu morreu, em 2015, aos 93 anos, não deixou nada para seus herdeiros: seu testamento, segundo a imprensa chinesa, previa que todo o dinheiro restante fosse destinado à filantropia.
“Se meus filhos são mais capazes do que eu, não é necessário que eu lhes deixe muito dinheiro. Se eles são incompetentes, muito dinheiro será prejudicial a eles”, disse Yu ainda em 2009, segundo o jornal China Daily.
Ele afirmou que seus filhos concordavam com sua decisão de doar sua fortuna.
Em seu testamento, ele também pediu que sua família mantivesse vivo seu legado de benfeitorias, que vão desde cirurgias de catarata para pessoas necessitadas a bolsas de estudo em universidades chinesas.
Doar dinheiro em vida
Warren Buffett, CEO do Berkshire Hathaway.
Rick Wilking/Reuters
Outros bilionários de diversos setores — desde mercado financeiro até tecnologia e indústria do entretenimento — têm ido a público dizer que pretendem doar parte substancial de sua fortuna ainda em vida.
Nomes como Richard Branson, Warren Buffet, Michael Bloomberg e Bill e Melinda Gates participam do The Giving Pledge (compromisso de dar, em tradução livre), autodescrito como “um compromisso dos indivíduos e famílias mais ricos do mundo em dedicar a maioria de sua fortuna a devolver [à sociedade]”.
No Brasil, um caso recente de adesão a esse pacto foi o de David Vélez (fundador do Nubank) e sua mulher, Mariel Reyes.
Em carta divulgada em agosto, o casal afirmou que vai doar seu dinheiro para projetos sociais na América Latina porque “qual o sentido de morrer com muitas posses materiais, quando um gesto pode radicalmente transformar a jornada de outra pessoa?”
“Depois de um certo ponto, riqueza adicional não traz felicidade ou utilidade adicionais. Mas a satisfação de criar uma vida de propósito, essa não tem fim”, diz carta. “Achamos que permitir que nossos filhos adquiram um senso de propósito, construindo seu próprio caminho e não andando sob o [caminho] de outros, vai ajudar a moldar sua autoconfiança e um caráter forte.”
David Velez, cofundador do Nubank, e Mariel Reyes, cofundadora da {reprograma}, assinaram carta ao The Giving Pledge, prometendo doar sua fortuna em vida
Arquivo pessoal
Isso, porém, não isenta grandes bilionários de críticas. Muitos questionam se o Giving Pledge tem de fato resultado em doações significativas e volumosas — em relação ao tamanho do patrimônio de seus signatários — com a velocidade necessária para resolver problemas sociais urgentes.
Em 2014, veio à tona uma mensagem do milionário Robert Wilson dizendo que não pretendia aderir ao pacto porque “esses ricaços adoram jogar alguns milhões [de dólares] por ano de forma a se manterem socialmente aceitáveis. Mas para por aí”.
Para outros críticos, o compromisso de doar fortunas não dispensa a necessidade de se discutir elevar a taxação dos indivíduos mais ricos da sociedade.
Em janeiro deste ano, relatório da organização Oxfam apontou que a fortuna somada dos dez homens mais ricos do mundo havia crescido em US$ 540 bilhões durante a pandemia, causando aumento da desigualdade social “durante a maior crise econômica no período de um século”.
A organização instou governos a aumentar os impostos sobre fortunas.
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Fonte: G1 Mundo

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Vale diz que todos os 39 funcionários foram resgatados de mina subterrânea no Canadá


Empregados da mineradora brasileira ficaram presos no domingo, após um acidente que danificou o elevador de transporte da mina subterrânea em Sudbury, Ontário, que produz níquel. Imagem área da mina de Totten, no Canadá
Vale/Divulgação
A Vale anunciou nesta quarta-feira (29) que todos os 39 funcionários que ficaram presos na mina subterrânea Totten, no Canadá, foram resgatados e estão em superfície.
Os 39 empregados ficaram presos no domingo (26), após um acidente que danificou o elevador que transporta os funcionários para dentro e para fora da mina subterrânea, que produz níquel.
No momento do acidente, os trabalhadores estavam a uma profundidade entre 900 e 1,2 mil metros e eles precisaram saíram da mina por meio de um sistema de escada de saída secundária.
Nenhum dos mineiros é brasileiro.
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Veja a localização da mina da Vale em Ontário, no Canadá
Editoria de Arte/g1
“Gostaria de parabenizar nossa equipe de resgate”, disse o presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, que foi a Sudbury, em Ontário, e encontrou com os empregados e a equipe de resgate.
O resgate foi concluído de forma segura e todos passam bem, segundo a mineradora brasileira.
“Trazer nossos 39 empregados seguros e saudáveis para casa era nossa principal prioridade e estamos felizes que nosso plano de emergência funcionou”, disse Bartolomeo. “Todos estão seguros agora”.
Interior da mina Totten, no Canadá, em imagem de 2014
Maestro Digital/Divulgação

Fonte: G1 Mundo

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Terremoto atinge o mar do Japão

Não há informações sobre danos ou feridos até o momento. Um forte terremoto de magnitude 6 atingiu o mar do Japão nesta quarta-feira (29).
Não há informações sobre danos ou feridos até o momento.

Fonte: G1 Mundo

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Fumio Kishida vence liderança do partido que controla parlamento do Japão e deve ser primeiro-ministro


Kishida, de 64 anos, obteve 257 votos, enquanto seu rival, Taro Kono, 58, conseguiu 170. Fumio Kishida, ao centro
AFP Photo
O ex-chanceler japonês Fumio Kishida venceu o segundo turno das eleições para a liderança de seu partido, que controla o parlamento do país, e que define o cargo de primeiro-ministro do Japão. Kishida, de 64 anos, obteve 257 votos, enquanto seu rival, Taro Kono, 58, conseguiu 170.
O novo líder deve ser indicado na próxima segunda-feira (4) para substituir o premiê Yoshihide Suga.
As ex-ministras de Assuntos Internos Sanae Takaichi e Seiko Noda, que também participaram da disputa, foram eliminadas no primeiro turno.
Suga deixará o cargo depois de apenas um ano no poder, com baixos níveis de popularidade devido ao descontentamento popular com sua resposta à pandemia de Covid-19.

Fonte: G1 Mundo

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Pandemia encontrou Brasil despreparado e deve agravar desigualdades sociais, afirma ONU

Pnud, Unicef, Unesco e Opas reuniram 94 indicadores em relatório sobre a situação do país logo antes da Covid. Dados apontam para impacto mais perverso em grupos mais vulneráveis. Relatório inédito divulgado nesta quarta-feira (29) pela Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que, embora a pandemia tenha atingido todos os países, as consequências devem ser piores para as nações com maior desigualdade social, como o Brasil.
O documento reconhece que o país acumula progressos nos índices de desenvolvimento humano, mas ressalva que a pandemia de Covid deve gerar retrocessos em conquistas sociais e econômicas históricas.
No estudo, pesquisadores selecionaram 94 indicadores com o objetivo de mostrar como estava o Brasil quando a pandemia chegou, no início de 2020. Os resultados apontam fragilidades estruturais e questões sensíveis para o enfrentamento da crise sanitária, econômica e social que atingiu o país nos meses seguintes.
O relatório foi elaborado por especialistas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
De acordo com o documento, a pandemia desencadeia uma crise com impactos em todas as dimensões do desenvolvimento humano:
na renda, com a maior retração da atividade econômica mundial registrada desde a Grande Depressão de 1929;
na saúde, com um número de mortes acima de 4,5 milhões até setembro de 2021;
e na educação, com estudantes fora da escola, sem acesso à internet e um contingente de jovens que não voltarão mais a estudar, ampliando desigualdades já existentes.
No Brasil, diz o relatório, os grupos em situação de vulnerabilidade são os mais afetados, tornando ainda mais evidentes as diferenças de acesso à proteção social, educação, emprego, renda e moradia.
“Os países serão afetados, mas não da mesma forma; e, para o Brasil (seus 26 estados e o Distrito Federal), a desigualdade desempenha nesse contexto um papel importante”, diz o texto.
Para exemplificar como a pandemia afetou de forma desigual a população brasileira, o documento cita dados divulgados em fevereiro pelo Núcleo de Saúde Pública da UFRJ. De acordo com esse levantamento, a letalidade entre pacientes internados com casos confirmados de Covid foi de 56% entre brancos e de 79% entre não brancos.
Ao classificar os óbitos pelo nível de escolaridade das vítimas, os números mostraram:
71% de óbitos entre os sem escolaridade;
59% entre os que cursaram até o 5º ano (ensino fundamental 1);
48% entre os que cursaram até o 9º ano (ensino fundamental 2);
35% entre os que cursaram até o ensino médio;
22% para os pacientes que tinham nível superior.
Segundo material divulgado pelo site das Nações Unidas, a alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, afirmou nesta terça-feira (28) que a crise relacionada à pandemia perpetuou desigualdades “verdadeiramente chocantes” e expôs grupos vulneráveis ao que ela classificou como um “choque médico, econômico e social”.
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Preparo para enfrentar a pandemia
O relatório constata que, embora seja considerado um país de alto Índice de Desenvolvimento Humano (0,778), o Brasil ainda não conseguiu sanar necessidades básicas da população – o que resulta na existência simultânea de vários “Brasis”.
“Notadamente, apesar dos ganhos substanciais em saúde, educação e no padrão de vida da população registrados nas últimas décadas, ainda há um conjunto de necessidades básicas diferentemente atendidas no Brasil e nos seus estados; e, paralelamente, uma nova geração de desigualdades se abre, alargando a lacuna entre aqueles que têm e aqueles que não têm”.
Antes da pandemia, o Brasil já tinha 6,5% de sua população – ou seja, 13,5 milhões de brasileiros – vivendo abaixo da linha de extrema pobreza. Em alguns estados, como Alagoas e Maranhão, o percentual de brasileiros com renda mensal per capita inferior a R$ 145 (ou US$ 1,90 por dia, como adota o Banco Mundial), era superior a 15%.
Antes do primeiro caso confirmado de coronavírus em terras brasileiras, mais de 40% dos trabalhadores já estavam na informalidade. A taxa variava de 31,8% no Distrito Federal a 67,5% no Pará.
Também naquele momento, 35,7% da população brasileira vivia em domicílios sem esgoto ou rede coletora – o percentual chegava a 90,6% em Rondônia.
Enquanto a taxa média de abandono escolar no ensino médio no Brasil era de 6,1%, Pernambuco registrava evasão de 1,2%, e o Pará, 12,8%.
Indicadores de saúde
A pandemia se deparou com um país onde 75,9% da população dependia do sistema público de saúde. No Acre, por exemplo, apenas 5,6% dos moradores do estado tinham plano privado. Já em São Paulo, esse percentual era de 40,7%.
À fragilidade no acesso aos planos de saúde, soma-se a baixa disponibilidade de leitos no Sistema Único de Saúde (SUS).
Antes da pandemia, o índice de leitos complementares (UTIs e unidades intermediárias) não passava de 1,5 para cada 10 mil habitantes. Segundo recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, a relação ideal é de 1 a 3 leitos para cada 10 mil habitantes.
A taxa de respiradores disponíveis para os brasileiros também era baixa, de apenas 3,1 equipamentos para cada 10 mil habitantes. O dispositivo – muito demandado durante os picos da pandemia – era escasso no sistema de saúde, e seis estados tinham menos de dois equipamentos para cada 10 mil moradores: Acre, Alagoas, Amapá, Maranhão, Pará e Piauí.
Os pesquisadores afirmam, no relatório divulgado nesta quarta, que essa desigualdade afeta, por um lado, a capacidade de responder à Covid e a seus impactos diretos na saúde. Por outro, o cenário coloca em risco a continuidade de outros serviços essenciais de saúde, como a vacinação de crianças, o acompanhamento pré-natal e o atendimento pós-parto.
Educação
Com a suspensão das aulas presenciais por causa da pandemia, as redes de ensino tiveram que buscar alternativas de educação remota em um cenário adverso. No Brasil, apenas 37,2% das escolas públicas tinham internet disponível para ensino e aprendizagem na educação fundamental.
No Maranhão, o índice era ainda mais dramático: só 6,3% das escolas tinham recursos virtuais. Pará (6,9%) e Acre (8,9%) também amargavam níveis abaixo dos 10%.
Educação a distância: pandemia deixa evidente desigualdade de acesso à internet no Brasil
A disparidade fica ainda mais explícita quando esses dados são comparados aos das redes particulares de educação. Quando a pandemia chegou, 93,1% dos colégios privados tinham internet como ferramenta auxiliar para o ensino fundamental.
A desigualdade regional, no entanto, também marca a educação privada. Paraíba, Alagoas e Pernambuco registravam 32,9%, 44,9% e 45% de colégios particulares com internet disponível, respectivamente.
Ensino remoto provocou desigualdade no ensino brasileiro

Fonte: G1 Mundo

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O que acontece depois da erupção de um vulcão


Seja por curiosidade científica, seja porque o Brasil tem a sorte de não ter vulcões ativos, há muitas dúvidas sobre o que acontece depois de uma erupção. Lava do vulcão destrói tudo pelo caminho na ilha de La Palma, na Espanha, em foto de 23 de setembro
Emilio Morenatti/Pool via Reuters
No imaginário popular está aquela ideia, aprendida na escola, de que solo de origem vulcânica é mais fértil. Por outro lado, cenas de lava destruindo tudo, como o que estamos vendo agora em La Palma, nas Ilhas Canárias, território espanhol na costa noroeste da África, deixam clara a potência dessa tragédia natural.
O primeiro ponto a ser analisado é quanto tempo leva uma erupção. “Há muitas variáveis, e a principal é saber quanto de magma tem embaixo do vulcão, pois é esse magma que alimenta a erupção. Ele fica armazenado em grandes bolsões subterrâneos”, explica a geóloga e vulcanóloga Carla Barreto, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) — ela coordena o perfil no Instagram @vulcoeseviagens, cujos posts são feitos em conjunto com seus estudantes.
Lava do vulcão Cumbre Vieja toca o mar nas Canárias; veja VÍDEO
Além da quantidade de magma, para uma erupção se manter é preciso ficar aberta a passagem para a saída da lava. Ou, como explica o pesquisador José Manuel Pacheco, diretor do Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos da Universidade dos Açores, em Portugal, é necessária “a preservação do sistema de alimentação do vulcão, de modo que o magma continue a ter acesso à superfície”.
Mas há outros fatores que também pesam nessa conta. Por exemplo, a localização do vulcão, ou seja, se está num limite de placa tectônica ou no meio de uma delas.
“Normalmente não influencia, mas há um impacto na imagem a forma do vulcão, ou seja, se é cônico, simétrico, causa um tipo de erupção; se é uma fissura no chão, a forma como o magma é expelido é diferente”, comenta Barreto. Ela faz uma analogia: quando a erupção começa, é como uma garrafa de refrigerante sendo aberta. “Causa uma pequena explosão e, depois, saem as lavas”, diz a pesquisadora.
“É muito difícil dizer isso [quanto tempo dura uma erupção]. Alguns ficam por anos, décadas, centenas de anos, até dois milênios…”, comenta a geóloga, astrônoma e vulcanóloga Rosaly Lopes-Gautier, cientista da Nasa, a agência espacial americana.
Lava do vulcão Cumbre Vieja toca o mar nas Canárias
“No caso das Ilhas Canárias, a probabilidade é que não seja uma erupção ativa por muito tempo. Deve durar questão de semanas, talvez meses. Não anos.” Ela explica que para estimar isso é preciso olhar para “erupções do passado” e comparar as características.
É o que faz o pesquisador Ben Ireland, vulcanólogo pela Universidade de Bristol, na Inglaterra, e autor do perfil @BensVolcanology no Twitter. Para estimar o tempo de duração da atual erupção, ele recorre a 1971.
“A última erupção em La Palma durou 20 dias. No entanto, a atual erupção já parece que será muito maior do que a anterior e, portanto, deve durar mais tempo. Normalmente, esse estilo de erupção se arrasta, em uma escala de tempo, por semanas a meses”, pontua.
O vulcanólogo Pacheco crava algo semelhante. “A maioria das erupções à superfície do planeta dura entre um e seis meses. No caso de La Palma, as últimas erupções tiveram durações entre três semanas e três meses. Nesta, é de se esperar comportamento semelhante”, diz.
Há outras nuances que precisam ser observadas, como salienta o geólogo Hugo Cássio Rocha, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Não é uma tarefa simples prever a erupção de um vulcão com grande antecedência e nem o tempo que durará. Em geral, isso é feito analisando o aumento de frequência das atividades sísmica, os tremores. À medida que ficam mais frequentes, indicam aumento de movimento e pressões em profundidade e movimentações de magma”, afirma ele.
“Depende também da composição do magma”, completa. Isso porque magmas mais ácidos ou graníticos, ou seja, com maior teor de silício, tendem a se comportar de forma que os eventos sejam mais rápidos e violentos — porque a lava flui menos. “Já vulcões de magma basáltico têm a lava mais fluida e esta corre com mais facilidade. São típicos de assoalho oceânico e menos violentos, a erupção tende a ser mais longa”, pontua Rocha.
A erupção pode durar vários meses, segundo autoridades
Desiree Martin/AFP
Terra devastada
Mas as imagens são de destruição nas Ilhas Canárias. Casas foram arrasadas e milhares de habitantes precisaram ser evacuados. E os tais rios de lava — que fluem a temperaturas na casa de 1 mil graus — avançam por toda parte.
“Quando ocorre uma erupção em uma região já habitada, é importante começar dizendo que as lavas sempre vão ter a tendência de ir para os locais mais baixos. Elas se deslocam como que seguindo o fluxo de um rio”, explica a vulcanóloga Barreto. E o que está no caminho, não tem jeito, acaba destruído. “A lava invade as casas, queima a vegetação, destrói tudo o que tem”, enumera a especialista.
“Após a erupção, a região afetada pela lava fica como rocha, como o ambiente ‘lunar’. Toda a vegetação é queimada, as estruturas, destruídas”, diz o professor Rocha. “A curto prazo, o local fica, sim, inutilizado. Com o passar do tempo, a rocha [de formação vulcânica], que é muito porosa, sofre intemperismo, ‘apodrece’ e vira solo. O tempo que isso ocorre depende da temperatura ambiente e da pluviosidade local.”
“A área coberta pela lava fica inutilizável para a agricultura ou pecuária, pois não há solo. Demorará muito até que se desenvolva um novo solo sobre a lava”, pontua Pacheco. Ele explica que, para a volta da ocupação humana, tudo depende da espessura das lavas. “No caso de lavas espessas como as da erupção do vulcão em La Palma, que têm de 10 a 12 metros, será muito difícil voltar a reconstruir sobre elas”, completa ele.
Drone mostra destruição após erupções de vulcão em La Palma
Haveria problemas de estabilidade nas construções, de funções do solo e até mesmo para a ligação a infraestruturas como água, luz e esgoto — enumera o especialista. “No entanto, é possível reconstruir infraestruturas como a rede viária, a partir do momento em que a escoada esteja já suficientemente fria para permitir uma intervenção”, diz.
O vulcanólogo Ireland frisa que esse resfriamento pode “levar meses, se os fluxos forem intensos”. “Muitas vezes, quando a erupção termina, as pessoas não têm como voltar para suas casas. Elas foram queimadas, arrasadas. Elas não têm para onde voltar”, acrescenta Barreto.
Nesses casos, o mais comum é que novos assentamentos sejam construídos em outros lugares, dadas as dificuldades de reocupar o mesmo espaço. “O solo [banhado pela lava] fica completamente arrasado e leva muito tempo para que novas habitações sejam construídas ali”, pontua Barreto. “O relevo fica todo irregular e aplainar não é fácil, pois é rocha.”
A erupção do vulcão Cumbre Vieja já destruiu centenas de casas
Emilio Morenatti/AP
Riscos
Mas além desses inconvenientes, digamos, estruturais, há outros fatores que dificultam a volta da população a uma região afetada por uma erupção vulcânica. Principalmente porque a área fica repleta de gases tóxicos.
“São toneladas de gases expelidos pelo vulcão, dentre eles dióxido de carbono e dióxido de enxofre”, explica Barreto. “Em quantidade acima do limite aceitável na atmosfera, eles se tornam nocivos às pessoas dessas regiões, causando efeitos físicos e mentais.” A pesquisadora conta que esses gases também contaminam a vegetação e, por cadeia alimentar, os animais que comem essas plantas. Segundo ela, essa alta concentração de gases pode durar anos.
Lopes-Gautier acrescenta que há outro fator de risco: muitas vezes, mesmo que o vulcão tenha cessado de expelir lava, ele continua soltando gases. E isso precisa ser monitorado, antes de uma reocupação segura da região. Uma vez cessada essa emissão de gases, eles tendem a se dissipar, principalmente pela ação das chuvas.
Amostra de rocha vulcânica faz água ferver instantaneamente
É preciso também aguardar a limpeza das cinzas. “As partículas mais finas poderão ficar em suspensão no ar”, lembra Pacheco. “Elas são irritantes para os olhos e mucosas do sistema respiratório e, se forem suficientemente pequenas, poderão ser inspiradas até aos brônquios ou aos alvéolos pulmonares, onde poderão desencadear problemas de saúde.”
Mas o maior perigo é que haja uma nova erupção. Por isso, uma autorização de retorno dos habitantes precisa ser dada depois de cuidadosas análises. “Antes da população voltar, é preciso ter a certeza de que realmente o vulcão não está mais em atividade”, ressalta Lopes-Gautier. “É necessário fazer muito monitoramento da atividade sísmica para saber se ele não está só dando uma soneca e vai começar [a expelir lava] de novo.”
Tremores de terra também não são raros, nos meses subsequentes à atividade vulcânica. E isso precisa ser acompanhado por pesquisadores e órgãos de defesa civil.
“O principal risco é outra erupção”, concorda Ireland. Mas ele mesmo lembra que embora as erupções “sejam muito destrutivas”, elas acabam sendo “rapidamente esquecidas pela população”. “Muitas casas em torno da área afetada costumam ser construídas anos após a erupção”. E isso é o que aconteceu nas próprias Ilhas Canárias, em outras ocasiões.
Barreto conta que, em regiões onde ocorreram erupções vulcânicas recentes, tem-se buscado orientar que sejam evitadas novas casas em regiões de relevo mais baixo, justamente para que as populações fiquem protegidas de futuros jorros de lava.
Cerca de 6 mil pessoas precisaram deixar suas casas por causa da erupção
Emilio Morenatti/AP
Fertilidade
Um solo de origem vulcânica costuma ser muito fértil. Isso porque o material expelido acaba trazendo uma farta riqueza de sais minerais, em um processo de “reabastecimento natural de nutrientes do solo”, como pontua a professora Barreto.
Mas se efeito colateral positivo dos vulcões pode ser resultado das cinzas e pequenas partículas que se espalham mesmo em regiões que não foram coberto por lava, a transformação das rochas decorrentes do ressecamento da lava em solo fértil é um processo que pode levar muito tempo.
É uma degradação que varia caso a caso. “Os solos nas regiões vulcânicas são ricos em minerais e, portanto, podem ser muito férteis”, comenta Ireland. “Leva milhares de anos para os fluxos de lava erodirem e formarem um solo fino. Para as cinzas, esse processo é muito mais rápido.”
“A taxa de conversão do solo é muito variável e depende do clima, da composição das cinzas e da espessura. Por exemplo, uma camada muito fina de cinzas sobre um solo existente [sem cobertura de lava] pode se tornar solo reconstruído em questão de anos”, exemplifica o pesquisador.
Essa fertilidade, contudo, é o principal motivo que faz com que muitas populações humanas estejam vivendo em regiões onde no passado houve atividade vulcânica.
“Os elementos químicos importantes para as plantas, nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, sódio, entre outros, são muito solúveis e vão sendo levados pela água da chuva. O vulcão renova o estoque deles no solo, trazendo-os das profundezas”, contextualiza o professor Rocha. “Exemplos são as grandes produções de oliva e pistache na Sicília [na Itália] e na explosão e renovação de vida que ocorrem em ilhas oceânicas do Pacífico [de origem vulcânica] que, pouco tempo após atividades vulcânicas, se recuperam rapidamente e com exuberância.”
Vídeos: Vulcão nas Ilhas Canárias

Fonte: G1 Mundo

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Lava do vulcão de Cumbre Vieja toca o mar nas Canárias


Preocupação é pela liberação de gases tóxicos com o rápido resfriamento da rocha derretida ao tocar a água. Erupção dura dez dias e deixou rastro de destruição pela ilha de La Palma, no arquipélago espanhol. Lava escorre de vulcão em La Palma, nas Ilhas Canárias, em foto de 27 de setembro de 2021
Jon Nazca/Reuters
A lava do vulcão de Cumbre Vieja tocou nesta terça-feira (28) o mar do Atlântico, informou o Instituto Vulcanológico das Canárias (Involcan) em um comunicado. O vulcão entrou em erupção no domingo (19) e desde então deixou um rastro de destruição no arquipélago espanhol.
Especialistas alertam que o rápido resfriamento da lava ao entrar em contato com a água do oceano é preocupante, porque pode liberar gases tóxicos, carregados de ácido clorídrico. Não há, até o momento, o registro de mortos ou feridos por decorrência da atividade vulcânica na ilha.
Segundo a Defesa Civil, mais de 6 mil pessoas precisaram deixar suas casas. Mais de 600 construções, além de cerca de 20km de ruas e estradas foram atingidos pela lava que escorre há dez dias. Imagens feitas com um drone revelam a destruição na ilha (veja no vídeo abaixo).
Drone mostra destruição após erupções de vulcão em La Palma
Mais cedo, o governo da Espanha declarou que a área do vulcão em erupção na ilha de La Palma, nas Canárias, é uma “zona de catástrofe”, com isso, o país vai destinar 10,5 milhões de euros (cerca de R$ 67 milhões) para medidas urgentes de moradia e ajuda aos desalojados.
O Instituto Geográfico Nacional (IGN) da Espanha voltou a emitir um alerta para novas explosões após o vulcão de Cumbre Vieja reduzir sua atividade nesta segunda-feira (27). Segundo o órgão do governo espanhol, a nuvem de cinzas alcançou os 7.000 metros.
“O IGN continua acompanhando a atividade e reforçou sua presença na ilha”, disse o instituto em nota.
Lava da erupção do vulcão Cumbre Viejo flui destruindo casas na ilha de La Palma nas Canárias, na Espanha, em 21 de setembro de 2021
Emilio Morenatti/AP
Ilhas Canárias
As Canárias são um território espanhol no Oceano Atlântico, um arquipélago formado por oito ilhas. La Palma é uma delas e tem cerca de 83 mil habitantes.
Veja onde está o vulcão
Arte G1
Veja mais vídeos da destruição
Drone flagra momento em que lava de vulcão atinge piscina em La Palma, na Espanha
Igreja desaba com lava de vulcão, em La Palma
Drone registra momento em que cone de vulcão em La Palma entra em colapso
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Fonte: G1 Mundo

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Coreia do Norte confirma teste e divulga foto de míssil Hwasong-8


Líder norte-coreano Kim Jong-un, aparentemente, não estava presente durante lançamento, que foi bem-sucedido, segundo representante de seu partido. Míssil Hwasong-8 lançado pela Coreia do Norte durante teste em 28 de setembro
Reprodução/Rodong Newspaper
Autoridades da Coreia do Norte divulgaram nesta terça-feira (28) uma foto do lançamento de um míssil Hwasong-8, durante um teste realizado nas primeiras horas do dia (ainda noite de segunda-feira, em Brasília).
O líder norte-coreano Kim Jong-un, aparentemente, não acompanhou o teste desta vez.
De acordo com o jornal oficial “Rodong”, Park Jeong-cheon, membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia e secretário do Comitê Central do Partido, observou o lançamento do teste com funcionários importantes do Departamento de Ciência e Defesa.
Neste primeiro lançamento de teste, os cientistas teriam avaliado a capacidade de manobra de voo e estabilidade do míssil, além de indicadores técnicos e novos sistemas de combustível a atuador.
Ainda segundo a publicação, o lançamento foi totalmente bem sucedido.
O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul (JCS), citado pela agência sul-coreana Yonhap, diz que o míssil foi disparado de Mupyong-ri do Norte, na província de Jagang, para o leste, por volta das 6h40, no horário local.
Pouco após a notificação do disparo, o embaixador norte-coreano defendeu na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o direito de seu país de testar sua tecnologia de defesa.
“Nós apenas estamos construindo nossa defesa nacional para nos proteger e salvaguardar de forma confiável a segurança e a paz do país”, disse Kim Song.
Resoluções da própria ONU proíbem que a Coreia do Norte exerça atividades com mísseis balísticos. Mas o país alega que pretende reforçar sua defesa contra ameaças feitas pela Coreia do Sul e os Estados Unidos.
A relação entre as duas Coreias é ambígua. Dois dias antes deste último lançamento, Kim Yo Jong, irmã e assessora influente de Kim Jong-un, evocou a possibilidade de uma cúpula intercoreana, mas só se garantir o “respeito mútuo” e a “imparcialidade”.
Ela chegou, inclusive, a sugerir que Pyongyang poderia declarar o fim formal da Guerra da Coreia, conforme sugerido pelo Sul. Porém, criticou a “dupla moral” da Coreia do Sul e dos EUA, que criticam os testes norte-coreanos enquanto desenvolvem suas próprias capacidades militares.
Vídeos: Os mais assistidos do g1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo