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Diretor da OMS pede desculpas por abusos sexuais cometidos por funcionários na República do Congo


Abusos foram cometidos por funcionários, recrutados localmente e membros internacionais de equipes de luta contra o surto de Ebola na RDC entre 2018 e 2020, apontam os investigadores. Moradores se reúnem ao redor de funcionários do Médicos Sem Fronteiras em Goma, na República Democrática do Congo, para segunda rodada de vacinação contra o ebola em novembro de 2019.
Fiston Mahamba/Reuters
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu desculpas pelo comportamento dos funcionários da instituição que abusaram sexualmente de dezenas de pessoas na República Democrática do Congo (RDC) e prometeu punir os culpados.
“A primeira coisa que quero dizer às vítimas e sobreviventes é que sinto muito. Eu sinto muito, sinto muito pelo que foi imposto a vocês por pessoas que foram contratadas pela OMS para servir e proteger”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma entrevista coletiva sobre as conclusões de uma comissão de investigação independente.
Além disso, prometeu “graves consequências” para os culpados.
A comissão independente que investiga a violência e os abusos sexuais cometidos por funcionários da OMS na República Democrática do Congo encontrou “falhas estruturais” e “negligência individual” por parte da organização.
Os abusos foram cometidos por funcionários, recrutados localmente e membros internacionais de equipes de luta contra o surto de Ebola na RDC entre 2018 e 2020, dizem os investigadores, que entrevistaram dezenas de mulheres que receberam ofertas de trabalho em troca de sexo ou que foram estupradas.
Em suas observações iniciais, a comissão de inquérito – lançada em outubro de 2020 pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus – mostra um quadro desolador.
Ele destaca “a magnitude dos incidentes de exploração e abuso sexual na resposta ao 10º surto de Ebola, todos os quais contribuíram para aumentar a vulnerabilidade das vítimas, que não receberam a ajuda necessária e a assistência que exigiam essas experiências degradantes”.
“É uma leitura comovente”, disse Tedros, no início da entrevista coletiva.
O chefe da OMS para a África, Matshidiso Moeti, disse que “como chefe da OMS” pedia “desculpas pelo que essas pessoas, essas mulheres, essas meninas sofreram” e prometeu levar em consideração as recomendações da comissão.
A comissão constatou também, após a realização de dezenas de entrevistas, “a percepção de impunidade dos funcionários da instituição por parte das supostas vítimas”, assim como o fato de que diante das dezenas de vítimas que se manifestaram, houve “uma ausência total de notificação de casos” a nível institucional.
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Fonte: G1 Mundo

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Quais são as novas regras para a entrada de brasileiros na Europa?


O turista vindo do Brasil virou “persona non grata” em vários países devido à alta incidência do coronavírus e à circulação de variantes. Mas algumas nações europeias já reabriram suas fronteiras. O turista proveniente do Brasil teve sua entrada vetada em grande parte dos países do mundo devido à alta incidência do coronavírus, à vacinação lenta contra a Covid-19 e à circulação de novas variantes.
Mas a boa notícia é que alguns países da Europa já reabriram suas fronteiras para turistas vindos do Brasil que estão ou não totalmente vacinados, mesmo que eles não possuam passaporte europeu, visto ou autorização de residência de algum país da União Europeia (UE) ou do Espaço Schengen.
Novo passaporte comum eletrônico brasileiro. O documento passou a ser emitido desde a última segunda -feira (6) pela Polícia Federal e Casa da Moeda, e terá prazo de validade de 10 anos (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Espanha, Finlândia, Portugal e Suíça são algumas das nações que aceitam a entrada de turistas do Brasil totalmente vacinados. Alemanha e França também aceitam, mas fazem restrições à Coronavac.
Outros – como Reino Unido e Itália – aceitam atualmente somente a entrada de pessoas que se encaixam em certas exceções, como cidadãos do país ou de outro membro da União Europeia.
Ainda que um turista vindo do Brasil totalmente vacinado consiga desembarcar em alguma das nações que reabriram suas fronteiras, não é garantido que ele conseguirá transitar por outros países da União Europeia ou do Espaço Schengen.
Isso porque cada nação tem suas regras específicas para quem esteve nos últimos dias em um país de alto risco, como o Brasil. Se for o caso, o viajante brasileiro deverá ainda observar as regras da nação europeia onde realizará escala para chegar ao seu destino final.
Veja abaixo os requisitos de entrada em dez países europeus selecionados pela DW Brasil: Alemanha, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália, Portugal, Reino Unido e Suíça.
Alemanha
A Alemanha deixou de considerar o Brasil como área de alto risco a partir de 19 de setembro. No entanto, as restrições de entrada da União Europeia ainda se aplicam quando passageiros do Brasil entram na Alemanha.
Portão de Brandenburgo, em Berlim, em 16 de abril de 2020
Christian Mang/Reuters
De acordo com o site da Embaixada da Alemanha no Brasil, as exceções às restrições de entrada se aplicam aos seguintes grupos de pessoas:
Cidadãos alemães e seus familiares do chamado “núcleo familiar” (cônjuge, filhos menores não casados, pais de filhos menores)
Cidadãos da UE e cidadãos do Liechtenstein, Suíça, Noruega e Islândia e seus familiares do chamado “núcleo familiar” (cônjuge, filhos menores não casados, pais de filhos menores)
Nacionais de países terceiros com um direito de residência de longa duração em um Estado da UE ou de Schengen e membros da sua família do chamado “núcleo familiar”
Pessoas totalmente vacinadas com um imunizante aprovado pela União Europeia. As seguintes vacinas são aceitas: Pfizer-Biontech, Janssen (Johnson&Johnson), Moderna e AstraZeneca.
O país aceita também a chamada vacinação cruzada, em que a pessoa toma a AstraZeneca na primeira dose, e a Pfizer-Biontech ou Moderna (ainda não aplicada no Brasil) na segunda dose. A imunização é considerada completa somente 14 dias depois da segunda dose ou da dose única da Janssen.
Para a entrada deve ser apresentado um certificado digital Covid da UE ou um comprovante de vacinação comparável, digital ou em papel, em idioma alemão, inglês, francês, italiano ou espanhol. A Embaixada da Alemanha lembra em seu site que a vacina Coronavac ainda não é reconhecida na Alemanha.
Pessoas que têm um motivo importante para viajar, em específico:
a) com uma razão imprescindível para a entrada
b) determinados viajantes de negócios, visitantes ou expositores de feiras e participantes de congressos; parceiros não casados em determinados casos.
Desde que tenha direito a entrar na Alemanha, mas não tenha uma vacinação com um imunizante reconhecido na Alemanha, deve apresentar uma das seguintes comprovações:
Comprovação via teste negativo: se você não for vacinado ou tiver sido vacinado com um imunizante não reconhecido na Alemanha, como por exemplo, a Coronavac, deverá apresentar, ao entrar, um teste de Covid-19 negativo. Este pode ser um teste PCR (a coleta do material deverá ter ocorrido no máximo há 72 horas) ou um teste de antígeno (coletado no máximo há 48 horas).
Menores de 12 anos estão isentos da obrigação de apresentar comprovantes. Devido à situação especial de vacinação dos jovens, as pessoas com menos de 12 anos de idade – que estejam acompanhadas por pelo menos um genitor com vacinação completa – podem entrar na Alemanha mesmo que ainda não tenham sido vacinadas. Além disso, não há mais obrigatoriedade de quarentena.
Mais informações sobre as regras de entrada na Alemanha podem ser encontradas no site da Embaixada da Alemanha no Brasil.
Espanha
Pessoas desembarcam no aeroporto de Barcelona, ​​na Espanha, em 7 de junho de 2021. Países da União Europeia estão adotando medidas para impulsionar a chegada de turistas estrangeiros antes do verão europeu.
Emilio Morenatti/AP
A partir de 24 de agosto de 2021, passageiros totalmente vacinados vindos do Brasil poderão entrar na Espanha sem necessidade de realizar quarentena. As pessoas que podem entrar na Espanha e os controles de saúde são detalhados a seguir:
VIAJANTES PERMITIDOS:
Pessoas vacinadas:
Qualquer pessoa completamente vacinada 14 dias antes da viagem pode entrar na Espanha simplesmente apresentando o certificado de vacinação correspondente. Para obter mais informações sobre o certificado de vacinação, consulte a seção CONTROLES SANITÁRIOS abaixo.
Pessoas não vacinadas (devem cumprir um dos requisitos abaixo mencionados):
As seguintes pessoas podem entrar na Espanha, mesmo que não sejam vacinadas, desde que apresentem um certificado de teste diagnóstico, como PCR em espanhol ou inglês (ver CONTROLES SANITÁRIOS abaixo):
a) Espanhóis e outros nacionais da União Europeia e do Espaço Econômico Europeu, documentado com o respectivo passaporte válido
b) Cônjuges ou parceiros com uniões estáveis de cidadãos espanhóis e nacionais da União Europeia e do Espaço Econômico Europeu que viajem ou se reúnam com o cidadão espanhol ou europeu, documentados com certidão de casamento ou união estável. Todos os certificados brasileiros devem ser apostilados em cartório, sem necessidade de tradução. Os documentos de um país da UE não precisam da apostila de Haia
c) Filhos menores de 21 anos de cidadãos espanhóis ou nacionais da União Europeia e do Espaço Econômico Europeu que viajem ou se encontrem com cidadão espanhol ou europeu, comprovados com livro de família espanhol ou certidão de nascimento e cópia do passaporte do cidadão europeu. Todos os certificados brasileiros devem ser apostilados em cartório, sem necessidade de tradução. Os documentos de um país da UE não precisam de apostila de Haia
d) Residentes ordinários em Espanha, outros países da União Europeia, Estados associados Schengen, Andorra, Mônaco, Vaticano (Santa Sé) ou San Marinho que se desloquem a esse país, comprovando-o com o correspondente cartão de residência válido
e) Os titulares de um visto de longa duração válido emitido por um Estado-Membro ou Estado Schengen Associado que se dirijam a esse país
f) Transporte pessoal, marítimo e pessoal aeronáutico necessário ao exercício das atividades de transporte aéreo devidamente credenciado
g) Pessoal diplomático e consular, de organizações internacionais, militares, da proteção civil e membros de organizações humanitárias, no exercício das suas funções. Eles devem obter uma autorização por meio de seu Consulado
h) Estudantes que realizem os seus estudos num país da União Europeia ou Estado Schengen associado e que possuam a correspondente autorização ou visto de estadia de longa duração, desde que se dirijam ao país onde estudam, e que a entrada ocorra durante o ano letivo ou nos 15 dias anteriores. Se o destino for a Espanha e a duração da estada for de até 90 dias, deve ser comprovado que os estudos são realizados em um centro de ensino autorizado na Espanha, inscrito no registro administrativo correspondente, seguindo um programa de tempo integral durante este fase e pessoalmente, o que leva à obtenção de um diploma ou certificado de estudos
i) Trabalhadores altamente qualificados cujo trabalho é necessário e não pode ser adiado ou executado à distância, incluindo participantes em eventos desportivos de alto nível que se realizem em Espanha. Essas circunstâncias devem ser justificadas por evidências documentais
j) Pessoas que viajem por motivos imperativos, humanitários ou de força maior devidamente comprovado. Devem obter uma autorização prévia com base na documentação que enviam ao Consulado
As categorias g (pessoal diplomático), i (trabalhadores altamente qualificados e atletas) e j (força maior) devem contatar a repartição consular correspondente de acordo com o local de residência pelo menos uma semana antes da viagem.
O site da Embaixada da Espanha no Brasil informa, ainda, que casais de europeus não registrados e parentes de brasileiros com autorização de residência na Espanha ainda não podem entrar na Espanha.
Conexões para países de fora do Espaço Schengen são permitidos para todos os viajantes, desde que permaneçam na área internacional do aeroporto. Já os trânsitos para outro país do Espaço Schengen só são permitidos aos vacinados ou às pessoas incluídas nas categorias acima descritas.
CONTROLES SANITÁRIOS:
Todos os passageiros que chegam à Espanha devem passar por um exame de saúde no aeroporto de entrada que incluirá, no mínimo, uma medição de temperatura, uma verificação documental e uma verificação visual de seu estado. As autoridades de saúde podem realizar um teste de antígeno. Qualquer pessoa pode ter sua entrada negada por motivos de saúde pública.
Todos os passageiros que chegam à Espanha devem preencher, antes de iniciar a viagem, um formulário de controle de saúde. Quem o faz por via aérea pode fazê-lo através deste site. Depois de preenchido, obtém-se um código QR que deverá ser apresentado, tanto no momento do embarque como na chegada à Espanha. Os passageiros em trânsito internacional estão isentos de passar pelo controle de saúde, mas também devem obter um código QR.
A partir de 24 de agosto não é mais necessário submeter-se a quarentena.
Todos os passageiros do Brasil com mais de 12 anos devem ter um dos seguintes certificados:
a) Certificado de vacinação
Os passageiros que foram vacinados com um regime completo de Pfizer, AstraZeneca (incluindo CoviShield), Johnson&Johnson (Janssen) ou Coronavac, pelo menos 14 dias antes de sua chegada à Espanha, não precisarão fornecer nenhum teste diagnóstico adicional.
No entanto, é possível que lhes possam fazer um teste de diagnóstico na chegada, se a autoridade de saúde considerar necessário. O certificado deve ser traduzido ao espanhol, inglês, francês ou alemão. Para vacinas feitas no Brasil, você deve obter o certificado digital do Ministério da Saúde do Brasil na versão em espanhol. Para vacinas feitas na Espanha ou em outro país da União Europeia, você deve obter o certificado digital COVID da UE.
b) Certificado de recuperação de covid-19
Passageiros não vacinados que tiveram a doença podem apresentar certificado de recuperação desde que tenham passado mais de 11 dias desde a realização do primeiro teste NAAT positivo. Este certificado terá validade de 180 dias a partir de então. O certificado deve ser traduzido ao espanhol, inglês, francês ou alemão.
c) Certificado de teste de diagnóstico
Os passageiros não vacinados e que não tenham tido covid-19 devem fazer um teste de diagnóstico para entrar na Espanha. Os testes admitidos serão:
Testes de amplificação de ácido nucléico (NAAT), que detectam o material genético do vírus (por exemplo, PCR, TMA, LAMP, NEAR, etc.). A amostra deve ser colhida no máximo 72 horas antes do desembarque na Espanha.
Testes de detecção rápida de antígenos (RAT), que detectam a presença de antígenos de vírus. A amostra deve ser colhida no máximo 48 horas antes do desembarque na Espanha. Os testes admitidos são os autorizados pela Comissão Europeia.
Mais detalhes sobre as regras de entrada na Espanha podem ser encontrados no site da Embaixada da Espanha no Brasil.
Finlândia
O país nórdico reabriu suas fronteiras em 26 de julho para turistas com vacinação completa, inclusive do Brasil. Já cidadãos brasileiros não vacinados podem entrar no país somente se configurarem algum dos casos de exceção.
Vista de Helsinque, capital da Finlândia; país tem um dos mais altos PIBs per capita e é o ‘mais feliz do mundo’
Ints Kalnins/Reuters
Além de turistas com vacinação completa, é permitida a entrada no país europeu de: cidadãos finlandeses e familiares do núcleo familiar (cônjuges, filhos menores, pais de filhos menores); cidadãos da União Europeia com residência na Finlândia e familiares do núcleo familiar; cidadãos de países terceiros com autorização de residência na Finlândia; estrangeiro de qualquer nacionalidade que esteja em um relacionamento com um cidadão finlandês ou estrangeiro residente na Finlândia; e estrangeiros com outras razões essenciais, incluído laços familiares.
As autoridades finlandesas reconhecem as seguintes vacinas: Pfizer-Biontech, Moderna, AstraZeneca, Janssen (Johnson&Johnson), Sinopharm, Covishield e Sinovac/Coronavac. A imunização é considerada completa somente após 14 dias da segunda dose da vacina ou da dose única da Janssen. Os turistas totalmente vacinados não precisam realizar quarentena no país europeu.
Todos os passageiros de países de alto risco que chegam à Finlândia (inclusive os vacinados) serão direcionados após o desembarque a um ponto de atendimento para a realização de um exame de saúde obrigatório.
Todos os passageiros acima de 16 anos devem apresentar um dos seguintes documentos no aeroporto de Helsinque: comprovante de vacinação completa; comprovante da primeira dose; teste PCR negativo ou antígeno realizado nas 72 horas que antecedem a entrada na Finlândia; ou laudo com diagnóstico de ovid-19 nos últimos seis meses. Os documentos listados que estiverem redigidos em português devem ser traduzidos para o inglês com tradutor juramentado.
Caso o passageiro que se configurar em um dos casos de exceção e não possuir nenhum dos documentos listados acima, as autoridades no aeroporto irão solicitar que o passageiro realize dois testes PCR na Finlândia (serviço gratuito). O primeiro teste será realizado ao chegar no aeroporto de Helsinque, e o segundo teste entre três e cinco dias após a chegada no país europeu.
Uma vez que não existem voos diretos entre Brasil e Finlândia, os passageiros deverão observar as restrições do país onde farão escala.
Mais detalhes sobre as regras de entrada na Finlândia podem ser encontrados em português e inglês no site da Embaixada da Finlândia no Brasil.
França
A França liberou a entrada de brasileiros com imunizantes reconhecidos pela Agência Europeia de Medicamentos (Biontech-Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen/Johnson&Johnson), além da Covishield e da Fiocruz, e que já tenham o esquema vacinal completo: para vacinas da Janssen, de dose única, o esquema vacinal será considerado completo apenas 28 dias após a administração do imunizante; para as outras vacinas, o período mínimo exigido é de sete dias após a segunda dose. Os viajantes vacinados não deverão cumprir quarentena ao desembarcar na França.
Pedestres caminham perto do Arco do Triunfo, embrulhado como parte de uma instalação de arte chamada “L’Arc de Triomphe, Wrapped”, concebida pelo artista falecido Christo, na avenida Champs Elysees, no dia sem carro em Paris
Benoit Tessier/Reuters
Além do comprovante de vacinação, os passageiros provenientes do Brasil devem apresentar uma declaração na qual garantem não apresentar nenhum sintoma de infecção pela covid-19 e não terem tido contato com pessoas que testaram positivo para Covid-19.
Para os vacinados com Coronavac, é possível obter o passe sanitário, que dá direito a ingressar no país, com uma terceira dose de uma vacina de mRNA. A alteração entrou em vigor no dia 23 de setembro.
Já aqueles passageiros que não foram vacinados – ou que foram imunizados com uma vacina que não seja as reconhecidas pela França, a Coronavac ou a Sinopharm – deverão apresentar às autoridades um documento que comprove um motivo importante para a viagem, bem como um teste PCR ou de antígeno com resultado negativo e realizado 48 horas antes do embarque. Os viajantes não vacinados deverão ainda fazer uma quarentena após desembarcar no território continental francês. A medida durará dez dias e será acompanhada de restrições horárias para a saída do local de isolamento (exceto em caso de trânsito em zona internacional).
Mais informações sobre as regras de entrada na França podem ser encontradas no site da Embaixada da França no Brasil.
Holanda
A Holanda alterou a classificação do Brasil a partir de 4 de setembro de “área de risco muito alto e de preocupação com variantes” para “área de muito alto risco”. Assim, passageiros provenientes do Brasil totalmente vacinados podem entrar no país europeu, mas terão que realizar uma quarentena obrigatória de dez dias, com algumas exceções.
A partir de 22 de setembro, porém, passageiros totalmente vacinados que chegarem ao país europeu vindos de “áreas de risco muito”, como o Brasil, não precisarão mais fazer a quarentena obrigatória.
A Holanda aceita as vacinas aprovadas pela Agência Europeia de Medicamentos e pela Organização Mundial da Saúde (OMS): Pfizer-BioNTech (Comirnaty); AstraZeneca (Vaxzevria); Serum Institute of India (Covishield); Janssen (Johnson&Johnson); Moderna (Spikevax); Sinovac; e Sinopharma BIBP.
A imunização é considerada completa após os seguintes prazos: 14 dias após a segunda dose ou 28 dias após a dose única da Janssen. O país europeu aceita o comprovante de vacinação (físico ou digital) emitido pelo Ministério da Saúde do Brasil em português.
Os passageiros (de 12 anos ou mais) que desembarcam na Holanda devem apresentar um teste negativo de covid-19. Eles têm duas opções: um teste PCR negativo realizado até 48 horas antes da partida; ou um teste rápido de antígeno negativo realizado 24 horas antes do embarque para a Holanda. Os passageiros deverão ainda ter consigo a “declaração de quarentena” e a declaração de saúde preenchidas e assinadas.
Em relação a conexões em Amsterdã, o passageiro que estiver viajando para um país que não pertence à União Europeia deve provar que tem um voo de conexão para a nação que não faz parte do Espaço Schengen; o voo de conexão deve partir dentro de 48 horas após a chegada do viajante a Amsterdã; e o viajante não deve deixar a zona de trânsito internacional do aeroporto enquanto aguarda o voo de conexão.
Se estiver viajando para um país da União Europeia ou Espaço Schengen através da Holanda, o viajante deve mostrar que tem permissão para entrar no destino final em questão. O governo holandês frisa ainda que, quem estiver viajando para outro país com conexão na Holanda precisa mostrar o resultado negativo do teste de covid-19.
Mais detalhes sobre as regras de entrada na Holanda podem ser encontrados em inglês no site do governo da Holanda.
Irlanda
O país reabriu suas fronteiras para turistas brasileiros. Os passageiros que estão totalmente vacinados contra a covid-19 devem apresentar um resultado negativo de teste PCR realizado menos de 72 horas antes da chegada ao país e fazer quarentena. O viajante ficará livre do isolamento se apresentar um teste PCR negativo realizado no quinto dia de isolamento.
A Irlanda aceita as vacinas aprovadas pela Agência Europeia de Medicamentos: Pfizer-Biontech, Moderna, AstraZeneca e Janssen (Johnson&Johnson). A imunização é considerada completa após os seguintes prazos: 15 dias após a segunda dose da AstraZeneca; sete dias após a segunda dose da Pfizer-Biontech; e 14 dias após a segunda dose da Moderna ou da dose única da Janssen.
O passageiro que não foi totalmente vacinado deve apresentar um teste PCR negativo realizado menos de 72 horas antes da chegada ao país. Além disso, deverá reservar e pagar para fazer 14 dias de quarentena em um dos hotéis autorizados pelo governo irlandês. Se o viajante apresentar um teste PCR negativo no décimo dia de isolamento, a quarentena pode ser encerrada.
Mais detalhes sobre as regras de entrada na Irlanda podem ser encontrados em inglês no site do governo da Irlanda.
Itália
A Itália proibiu a entrada e o trânsito de pessoas que tenham permanecido ou transitado no Brasil nos 14 dias anteriores à viagem. A Embaixada da Itália no Brasil afirma que a entrada e o tráfego aéreo somente são permitidos desde que o passageiro não tenha nenhum sintoma da covid-19 e para as seguintes categorias: pessoas com residência oficialmente fixada e registrada na Itália anterior a 13 de fevereiro de 2021 (com autodeclaração); pessoas que devem alcançar domicílio, residência ou habitação de filhos menores, cônjuge ou parte de união civil (com autodeclaração); e pessoas em condições de absoluta necessidade autorizados pelo Ministério da Saúde.
Esses passageiros têm a obrigação de mostrar um certificado de teste PCR ou antígeno negativo realizado nas 72 horas anteriores à viagem; e de realizar um teste molecular ou de antígeno na chegada ao aeroporto ou, no caso de chegada em portos ou locais de fronteira, no prazo de 48 horas, junto à autoridade sanitária local competente.
Independentemente do resultado do teste de covid-19, os viajantes deverão cumprir uma quarentena de dez dias. Após esse período, eles deverão realizar mais um teste de covid-19. As atuais restrições estão válidas até 30 de agosto.
Mais detalhes sobre as regras de entrada na Itália podem ser encontrados no site da Embaixada da Itália no Brasil.
Portugal
A partir desta quarta-feira (1°/09), o governo português liberou a entrada de turistas brasileiros no país europeu. A decisão tem validade até 16 de setembro e poderá ser revista de acordo com a situação epidemiológica em Portugal.
Com a flexibilização, passageiros oriundos do Brasil não precisam fazer quarentena ao desembarcarem em Portugal.
O despacho do governo português não faz referência a uma eventual obrigatoriedade de vacinação para os viajantes, que devem apresentar um teste negativo de PCR realizado nas 72 horas antes do embarque ou um teste rápido de antígeno feito nas 24 horas anteriores à viagem, à exceção das crianças que não tenham completado 12 anos de idade.
Quem foi vacinado na União Europeia e possui o certificado digital aceito pelos países do bloco não precisa realizar nenhum teste para embarcar.
Mais detalhes sobre as regras de entrada em Portugal podem ser encontrados nosite da Embaixada de Portugal no Brasil.
Reino Unido
O passageiro que esteve nos últimos dez dias em algum país ou território da chamada “lista vermelha” – como o Brasil – só pode entrar no Reino Unido se for cidadão britânico ou irlandês, ou se tiver direito de residência no Reino Unido.
Antes de viajar para o Reino Unido, o viajante (a partir de 11 anos de idade) deve fazer um teste de covid-19 nas 72 horas anteriores ao embarque; reservar um dos hotéis autorizados pelo governo britânico para ficar dez dias em quarentena; e preencher o formulário “Passenger Locator”. O passageiro deverá realizar ainda mais dois testes de covid-19: até o segundo dia de isolamento; e no oitavo dia ou após a quarentena.
A pessoa que quebrar as regras de quarentena poderá pagar uma multa de até 10 mil libras (cerca de 71 mil reais).
Mais detalhes sobre as regras de entrada no Reino Unido podem ser encontrados em inglês no site do governo britânico.
Suíça
A entrada na Suíça é possível para cidadãos suíços, da União Europeia/Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA, em inglês), assim como para pessoas que têm autorização de residência suíça válida e viajantes totalmente vacinados de países terceiros, como os cidadãos brasileiros.
Os imunizantes aceitos atualmente são aqueles aprovados pela Organização Mundial da Saúde (OMS): Pfizer-Biontech, Moderna, Janssen (Johnson&Johnson), AstraZeneca, Sinovac (Coronavac), Sinopharm e do Serum Institute of India.
A entrada é permitida 11 dias após a aplicação da segunda dose das vacinas aceitas. Já os imunizados com o imunizante de dose única da Janssen devem aguardar 22 dias após a data de vacinação para embarcar. Os viajantes podem apresentar o comprovante de vacinação em papel que foi fornecido pelo posto de vacinação brasileiro.
Os passageiros (exceto os que estão em trânsito) devem preencher um formulário eletrônico antes de entrar na Suíça. O viajante que tem a intenção de seguir da Suíça para outros países, como da União Europeia, devem observar as regras do país de destino.
De acordo com o site da Embaixada da Suíça no Brasil, as restrições de entrada permanecem em vigor para estrangeiros não vacinados que não têm direito à livre circulação e que desejam entrar em estados e regiões de risco e não pertencem a uma categoria de exceção.
O governo suíço criou ainda uma ferramenta online que indica por meio de perguntas e respostas se o viajante tem a permissão ou não de entrar na Suíça.
Mais detalhes sobre as regras de entrada na Suíça podem ser encontrados em português e inglês no site da embaixada suíça no Brasil.

Fonte: G1 Mundo

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Haiti: primeiro-ministro suspende eleições e não define data para realizá-las

Eleições estavam programadas para ocorrer em novembro. O primeiro-ministro foi nomeado dois dias antes da morte do presidente Jovenel Moise. Enviado especial dos EUA ao Haiti pede demissão após deportação de refugiados
As eleições que estavam marcadas para ocorrer em novembro no Haiti foram suspensas nesta terça-feira (28), e não têm data para serem realizadas.
O primeiro-ministro do país, Ariel Henry, demitiu todas as pessoas que trabalhavam no órgão responsável por eleições no país na segunda-feira.
A medida saiu em uma publicação oficial do governo.
As eleições serviriam para escolher o sucessor de Jovenel Moise, o presidente que foi assassinado no país.
Henry, o atual primeiro-ministro, foi nomeado por Moise dois dias antes do assassinato.
Em uma entrevista à rede CNN, Moise disse que as eleições vão acontecer no ano que vem, depois de uma revisão da Constituição do Haiti.
A comissão eleitoral do Haiti (CEP) tem um papel semelhante ao da Justiça Eleitoral no Brasil.
Em julho de 2020, todos os membros do órgão pediram demissão em protesto a um ato do presidente assassinado, Moise. Ele alterou a Constituição do país para tirar poderes do Legislativo e fortalecer a presidência.
Moise, então, nomeou outros membros para o CEP.

Qual era o calendário?
Havia diversas eleições programadas para os próximos meses. O primeiro dia de votações aconteceria no dia 7 de novembro. Seriam votados:
Um referendo nacional;
Eleições legislativas;
Primeiro turno de eleições presidenciais.
No dia 23 de janeiro haveria outra votação:
Segundo turno das eleições presidenciais;
Eleições municipais;
Eleições locais.
Primeiro-ministro foi acusado e demitiu procurador
Há algumas semanas, surgiram indícios de que o atual primeiro-ministro teve contato por telefone com um dos principais suspeitos do assassinato de Moise.
Procuradores dizem que registros telefônicos mostram que os dois conversaram duas vezes perto das 4h do dia 7 de julho, pouco antes de Moise ser morto a tiros por assassinos que invadiram sua residência.
Henry nega qualquer envolvimento no assassinato.
Ele substituiu o procurador-chefe que pretendia acusá-lo como suspeito e impedi-lo de deixar o país. Em seguida, o ministro de Justiça do país renunciou.
Haitianos nos EUA
Henry, na entrevista à rede CNN, afirmou que entende por que os Estados Unidos estão deportando milhares de imigrantes do Haiti que chegaram aos EUA atravessando a fronteira desse país com o México.
Estima-se que cerca de 15 mil haitianos tenham ido à cidade texana de Del Rio, na fronteira com o México, nos últimos dias.
Estados Unidos começam a deportar centenas de imigrantes haitianos
Desde que a crise estourou, cerca de 3,5 mil pessoas já foram embarcadas em voos americanos para Porto Príncipe, a capital haitiana. Ao descobrir para onde tinham sido levados, alguns haitianos reagiram com indignação e revolta e tentaram voltar à aeronave dos EUA.
Entre esses deportados há cerca de 30 crianças brasileiras, filhas de pais haitianos.
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Fonte: G1 Mundo

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Partido Social-Democrata alemão diz que quer começar a negociar coalizão nesta semana

Partido Social-Democrata vai tentar formar uma aliança com o Partido Verde e com o Partido Liberal. Partido mais votado na Alemanha não obtém margem suficiente para governar sozinho
O Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), que derrotou os conservadores da chanceler Angela Merkel por uma margem pequena na eleição nacional de domingo, disse nesta terça-feira (28) que espera começar a conversar com os Verdes e o Partido Liberal Democrático (FDP, na sigla em alemão) ainda nesta semana a respeito da formação de um governo de coalizão.
Os Verdes e o FDP, muito distantes em diversos temas, dizem que conversarão um com o outro para buscar áreas de consenso antes de iniciarem negociações com o SPD ou com os conservadores.
Entenda como funciona o sistema de coalizão que vai definir o próximo chanceler na Alemanha
Rolf Muetzenich, líder parlamentar do SPD, disse que saúda a iniciativa dos dois partidos menores de aparar as arestas, mas que ainda quer conversar com os parceiros em potencial a respeito de uma coalizão de três partes nesta semana.
“Seria bom se os Verdes e o FDP também se concentrassem em se reunir conosco nesta semana para conversas exploratórias”, disse Muetzenich à rádio alemã.
Olaf Scholz, que pode se tornar o primeiro chanceler do SPD desde que Merkel assumiu o cargo em 2005, disse que tem esperança em um progresso.
“Estou otimista. Conseguiremos formar uma coalizão com pragmatismo e prontidão para cooperar”, disse Scholz em uma rede social.
Seu rival conservador Armin Laschet, de 60 anos, disse que ainda pode tentar formar um governo, apesar de ter dado ao bloco conservador formado por União Democrata-Cristã (CDU) e União Social-Cristã (CSU) o pior resultado eleitoral de sua história.
Mas os alemães não são a favor de outro governo de inclinação conservadora: 71% rejeitam Laschet por tentar se tornar chanceler apesar de seus resultados ruins, de acordo com uma pesquisa de opinião do instituto Civey para o diário “Augsburger Allgemeine”.
Merkel, que não buscou um quinto mandato como chanceler, continuará no cargo interinamente durante as negociações de uma coalizão que determinará o caminho futuro da maior economia da Europa.
O SPD, que é o partido mais antigo da Alemanha, obteve 25,7% dos votos, cinco pontos percentuais a mais do que na eleição federal de 2017 e mais do que os 24,1% do bloco conservador. Os Verdes ficaram com 14,8%, e o FDP com 11,5% dos votos.
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Fonte: G1 Mundo

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Resgate de trabalhadores da Vale em mina no Canadá: o que se sabe


39 funcionários da mineradora ficaram presos a cerca de 1.000 metros de profundidade, quando um dano no elevador impediu o retorno à superfície. Vale resgate trabalhadores presos em mina da empresa no Canadá
A Vale realiza uma operação de resgate de trabalhadores presos em uma mina subterrânea no Canadá após um acidente na tarde de domingo (26), que danificou o elevador que carrega os funcionários para dentro e para fora da mina.
Até o momento, 19 trabalhadores já foram resgatados da mina que produz níquel em Sudbury, em Ontário. Outros 20 funcionários continuam presos.
Veja imagens da mina da Vale onde os trabalhadores ficaram presos
Veja abaixo o que já se sabe:
Interior da mina de Totten, da Vale
Vale/Divulgação
O que aconteceu?
Os trabalhadores ficaram presos após um acidente danificar o elevador que os carrega para dentro e para fora da mina.
Segundo a Vale, uma pá escavadeira que estava sendo transportada no acesso à mina se desprendeu, bloqueando um acesso e indisponibilizando o meio de transporte dos empregados.
“Há um sistema de transporte, ou o que é comumente conhecido como gaiola, que carrega os funcionários em um nível”, disse a porta-voz da Vale, Danica Pagnutti. “Muitas vezes abaixo desse elevador ou sistema de transporte, colocamos equipamentos e materiais embaixo dele, e tínhamos um grande equipamento pendurado sob o sistema de transporte e ele saiu do lugar, causando danos ao eixo e tornando o sistema de transporte inoperante”.
Porta-voz da Vale fala sobre acidente em mina no Canadá
Quantos estão no local?
No momento do acidente, na tarde de domingo, 39 trabalhadores estavam a uma profundidade entre 900 e 1200 metros, segundo a Vale.
Na manhã desta terça-feira, 19 foram resgatados. A previsão da mineradora é que os demais 20 empregados que ainda estão presos devem chegar à superfície “ainda nesta manhã”.
Nenhum dos mineiros é brasileiro. Segundo a Vale, todos são residentes de Sudbury.
Acidente em mina subterrânea da Vale deixa 39 trabalhadores presos no Canadá
Como está sendo feito o resgate
A retirada dos empregados está sendo apoiada pela equipe de resgate de minas da Vale e pela Ontario Mine Rescue. Não há relato de feridos.
A empresa informou que imediatamente após o incidente os funcionários seguiram para os postos de refúgio subterrâneos como parte dos procedimentos padrão da empresa.
No domingo à noite, eles começaram a chegar próximo à superfície por meio de um sistema de escada de saída secundária.
Segundo a empresa, os que já voltaram à superfície “estão saudáveis e estão ansiosos para voltar para casa”.
Imagem área da mina de Totten, no Canadá
Vale/Divulgação
O que a mina produz?
A mina Totten entrou em operação em fevereiro de 2014. O projeto prevê a a produção de cobre, níquel e metais preciosos ao longo de 20 anos.
Nos primeiros seis meses de 2021, a mina produziu 3.600 toneladas de níquel no local.
A produção na mina está temporariamente suspensa.
A Vale possui 6 minas na região da bacia de Sudbury. A companhia tem cerca de 4 mil funcionários na área, sendo cerca de 200 na mina Totten.
Interior da mina de Totten, em imagem de 2014
Megan Thomas CBC-CA

Fonte: G1 Mundo

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Crise migratória: ‘Andei por 2 meses e atravessei um continente para chegar aos EUA’


Na segunda semana de setembro, de acordo com estimativas oficiais, cerca de 14 mil pessoas estavam acampadas sob a ponte internacional que liga os EUA ao México. A maioria delas é haitiana. Del Rio ficou conhecida devido à chegada em massa de imigrantes cruzando a fronteira através do Rio Grande
Iván Reyes/BBC
“Mãe, estou livre agora, estou bem”, diz um jovem imigrante haitiano por telefone após conseguir obter uma entrada legal nos Estados Unidos.
Ele aguarda em um abrigo em Del Rio, uma pequena cidade na fronteira do México com os Estados Unidos que ficou superlotada com a chegada de imigrantes haitianos nas últimas semanas.
Com sua mão esquerda, o jovem segura seu telefone celular para falar com a mãe. Com a mão direita, amarra os cadarços de seus sapatos que acabaram de ser devolvidos pela polícia agora que ele é um homem livre.
São 8h30 de 21 de setembro de 2021, uma terça-feira. Três viaturas estacionam em frente à entrada do abrigo. Um oficial da Patrulha de Fronteira dos EUA sai de uma delas, abre a porta do carro e dele saem imigrantes que estavam em diversos centros de detenção da cidade. Homens, mulheres e crianças.
“Sejam bem-vindos. Por favor, formem uma fila à direita”, diz um dos voluntários do abrigo Centro da Coalizão Humanitária de Fronteira de Val Verde.
Eles se sentem sortudos. Seus pedidos de asilo nos EUA começaram a ser analisados ​​e, ao longo do processo, eles têm permissão para permanecer no país. Eles tiveram muito mais sorte do que centenas de outros haitianos que foram presos e deportados para o Haiti.
Até recentemente, Del Rio era mais conhecida por sua barragem La Amistad (A Amizade). E também por ter sido uma das locações do filme “Onde os Fracos Não Têm Vez” (2007), dos irmãos Coen. Em junho de 2021, Del Rio, considerada entediante por alguns moradores, testemunhou outro acontecimento: a filmagem de um episódio do reality show drag queen “We’re Here”, da HBO.
Dois meses e meio depois, a cidade ficou conhecida ao redor do mundo com a chegada em massa de imigrantes cruzando a fronteira através do rio Grande, e a repressão violenta de autoridades americanas (veja no vídeo abaixo).
Enviado especial dos EUA ao Haiti pede demissão após deportação de refugiados
Na segunda semana de setembro, de acordo com estimativas oficiais, cerca de 14 mil pessoas estavam acampadas sob a ponte internacional que liga os EUA ao México. A maioria delas é haitiana.
Esse volume de pessoas representa 40% dos residentes de Del Rio, que tem pouco menos de 35 mil habitantes (sendo 85% hispânicos), segundo o Censo de 2020.
O número de haitianos entrando em Del Rio atingiu seu pico entre 16 e 18 de setembro, quando mais de 12 mil pessoas chegaram à cidade.
O Centro da Coalizão Humanitária de Fronteira de Val Verde é um abrigo para imigrantes que costumava abrir suas portas três vezes por semana e atendia pouco mais de 100 pessoas por mês entre janeiro e março. Agora, recebe mais de 300 migrantes por dia.
Imigrantes haitianos se aglomeram embaixo de ponte no estado do Texas, perto da fronteira dos Estados Unidos com o México, em mais uma crise migratória do governo Joe Biden
Reprodução/TV Globo
Por volta das 9h30, outras três viaturas chegam, acompanhadas de um ônibus com mais cinco dezenas de migrantes, a maioria haitianos.
Assim que chegam, eles podem entrar em contato com seus parentes pela primeira vez desde que pisaram em solo americano. Podem tomar banho e comer.
Um dos pontos altos do dia é poder amarrar os sapatos pela primeira vez em muito tempo.
Imigrantes recebem seus pertences de volta assim que o processo de concessão de asilo tem início; a maioria, no entanto, é deportada antes disso
Iván Reyes/BBC
Quando os imigrantes são detidos pela Patrulha de Fronteira, eles recebem três ordens: tirem a roupa, tirem os cadarços e guardem o celular.
“Você só pode ter em mãos seus documentos e o endereço de seu familiar”, grita um dos policiais em espanhol aos recém-chegados.
Depois de passarem vários dias detidos e serem interrogados pelas autoridades, os imigrantes que são admitidos nos EUA podem iniciar seu pedido de asilo. Em seguida, eles são encaminhados para o abrigo Val Verde e começam a dar os primeiros passos de sua nova vida.
Sua situação contrasta com a daqueles que foram mandados de volta e dos presos pela patrulha da fronteira a cavalo.
Na semana passada, depois que imagens chocantes de agentes de patrulha de fronteira montados cercando migrantes vieram à tona, o enviado especial de Joe Biden ao Haiti renunciou, criticando o que ele considerou um tratamento “desumano”.
Um agente da patrulha de fronteira dos EUA tenta impedir um imigrante de chegar ao território do país, em 19 de setembro de 2021
Paul Ratje/AFP
Depois de chegarem ao abrigo, os imigrantes precisam entrar em contato com seus parentes nos EUA e pedir que comprem as passagens necessárias para chegar ao destino.
A rota geralmente envolve um ônibus para San Antonio, ainda no Estado do Texas, e depois um voo para onde quer que eles estejam indo. A grande maioria dos haitianos vai para a Flórida. Alguns vão para a Califórnia, Houston (Texas) e Nova Jersey.
O trabalho dos voluntários do abrigo, acolhendo e ajudando os imigrantes, não para. Os viajantes passam apenas algumas horas lá e não têm permissão para passar a noite.
Imigrantes com o processo de asilo em andamento formam fila em um dos abrigos da região antes de seguirem para as cidades onde vão morar
Iván Reyes/BBC
Vida sob a ponte
Fafane Bien Aime é uma mulher de 24 anos, alta e negra do Haiti. Veste uma camisa branca e exibe uma barriga protuberante que mostra o quão avançada está sua gravidez. Ela cobre o rosto quando alguém quer tirar uma foto dela, dizendo que não gosta de ser vista rindo com o cabelo despenteado.
Fafane caminhou por quase dois meses do Chile até a fronteira com os EUA. Ao chegar ao rio Grande, na fronteira entre o México e os EUA, em vez de se alegrar, percebeu que havia milhares de pessoas como ela presas entre o rio e a cerca que marca a entrada para os EUA.
A jovem havia chegado à fronteira em 16/09 e permaneceu sob a Ponte Internacional Acuña-Del Rio Texas por cinco dias. Ao ser liberada, foi conduzida por agentes da Patrulha da Fronteira dos EUA ao abrigo de Val Verde.
“Foi muito difícil e desconfortável morar embaixo da ponte. Ainda mais com essa barriga”, disse Fafane à BBC.
Como a maioria dos haitianos que chegam aos EUA, ela morou em mais de um país. Seu primeiro destino foi o Chile, em 2019, mas logo depois decidiu seguir para o norte. “Fui para o Chile porque não via minha mãe havia muitos anos, mas na realidade quando você troca seu país por outro está em busca de uma vida melhor.”
“Quando você chega a um país e não encontra o que procura, é preciso olhar mais longe. Até que realmente encontre”, afirma Fafane, enquanto espera o ônibus para San Antonio.
A partir dali, começou a planejar viver com outros familiares na Califórnia.
Cruzando um continente
A jornada para os migrantes haitianos pode ser extremamente longa. A maioria das pessoas aqui começou sua jornada no Chile, levando quase três meses para chegar aos EUA.
Do Chile, passaram por Peru, Equador e Colômbia antes de chegar à América Central depois de cruzar a temida região de selva do Darien, entre a Colômbia e o Panamá.
“A parte mais complicada é o Panamá”, conta Frantz Schiber Luberisse, de 28 anos, ao ser perguntado sobre a rota que levou quase um mês e meio para ser concluída.
“No Panamá, os agentes são cruéis. Os bandidos iriam nos machucar e os agentes não fizeram nada. Eu vi com meus próprios olhos como eles estupraram mulheres, meninas e homens. Eles até revistaram meu ânus para tirar dinheiro de mim. Há pessoas muito más ali”, diz Frantz. Ele passou por Chile, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua…
Luberisse também teve dias difíceis sob a ponte, que se tornou um símbolo da atual crise migratória. Ele não sabia se entraria nos EUA ou se seria deportado. Nos três dias que passou lá, ele e sua esposa grávida de oito meses comeram apenas pão.
“Minha mulher estava grávida e não tínhamos nada para comer. Achei que ia ser deportado. Debaixo da ponte tudo estava sujo, tudo estava ruim, mas agora estou melhor. Estou bem melhor”, diz, com um sorriso no rosto. O casal seguiria para West Palm Beach, na Flórida.
Wideline Saint Fleur tem 35 anos e ri quando tenta articular algumas palavras em espanhol. Ela usa um boné do time mexicano de futebol Club America e uma camisa longa. Está grávida de sete meses e deixou o Chile em direção aos EUA ao lado do marido há dois meses.
Ela se lembra dos dias que passou sob a ponte da fronteira. “Um dia só tomei sopa. Outro dia não comi nada. Outro dia só caminhei muito. Foi muito difícil.” Apenas Wideline e seu marido foram autorizados a entrar nos EUA. Dois outros membros da família que viajaram com eles foram deportados para o Haiti.
Wideline ainda não sabe se vai ter um menino ou uma menina. O que importa para ela é que o bebê esteja bem de saúde. “Quando saí do Chile, ele estava bem, mas agora, depois da viagem, não sei mais dizer.”

Fonte: G1 Mundo

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Jovem é internado em clínica psiquiátrica após jogar ovo em Macron

O Ministério Público solicitou um exame psiquiátrico. O homem que jogou um ovo em Macron tem problemas de discernimento. Emmanuel Macron leva ovada em feira de gastronomia
O estudante de 19 anos suspeito de atirar um ovo no presidente Emmanuel Macron, da França, na segunda-feira (27), foi internado em um centro psiquiátrico, anunciou a Promotoria de Lyon nesta terça-feira (28).
O Ministério Público solicitou um exame psiquiátrico. De acordo com um comunicado, as conclusões indicam uma falta de discernimento. Ele foi internado em um centro psiquiátrico de Lyon.
O incidente aconteceu durante a visita de Macron ao Salão Internacional da Restauração, da Hotelaria e da Alimentação. O jovem que jogou o ovo no presidente foi detido rapidamente e algemado em uma sala do local.
Tapa e ovo
Homem que bateu em Macron recebe pena de quatro meses de prisão
Em 8 de junho, Macron levou um tapa no rosto de um homem, durante uma visita a uma localidade ao sul de Lyon.
O homem, desempregado e que contava com benefícios sociais, foi julgado dois dias depois e condenado a quatro meses de prisão. Foi solto em 21 de setembro.
Na campanha à presidência em 2017, Macron recebeu um ovo na cabeça durante uma visita ao Salão de Agricultura em Paris. Ele ainda não confirmou se disputará a reeleição em abril de 2022.
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Fonte: G1 Mundo

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19 funcionários da Vale são resgatados de mina no Canadá

Grupo de 39 trabalhadores estava preso desde de domingo na mina Totten em Sudbury, em Ontário. A Vale informou nesta terça-feira (28) que 19 trabalhadores já foram resgatados da mina subterrânea Totten, no Canadá, após um acidente com uma pá escavadeira na tarde de domingo (26).
Trinta e nove trabalhadores da mineradora brasileira ficaram presos na mina.
Segundo a Vale, a previsão é que os demais empregados que ainda estão presos na mina devem chegar à superfície “ainda nesta manhã” por meio de um sistema de escada de saída secundária.
A Vale produz níquel na mina em Sudbury, em Ontário.
Acidente em mina subterrânea da Vale deixa 39 trabalhadores presos no Canadá
Confira a íntegra do novo comunicado da Vale:
A Vale informa que o retorno dos empregados à superfície na mina Totten em Sudbury, Ontário, Canadá continua nesta manhã após a subida bem sucedida de muitos deles durante a noite. Dezenove pessoas já voltaram à superfície no início desta manhã e o restante está a caminho.
No domingo, 39 empregados não puderam sair da mina devido a danos no eixo que abriga o meio de transporte (espécie de elevador) entre a superfície e o subsolo. Enquanto as condições no eixo eram avaliadas, os empregados se dirigiam a estações de refúgio subterrâneas como parte dos procedimentos padrão da empresa.
No domingo à noite, eles começaram a chegar à superfície por meio de um sistema de escada de saída secundária.
“Agradecemos aos empregados afetados por sua paciência e perseverança e às equipes de resgate de minas por sua dedicação e apoio incansáveis”, disse Gord Gilpin, Chefe de Operações de Mineração das Operações da Vale em Ontário. “Este tem sido um esforço de equipe incrível.”
Os demais empregados devem chegar à superfície ainda nesta manhã. Os que já voltaram à superfície estão saudáveis e estão ansiosos para voltar para casa.
A saída dos empregados está sendo apoiada pela equipe de resgate de minas da Vale e pela Ontario Mine Rescue.
Porta-voz da Vale fala sobre acidente em mina no Canadá

Fonte: G1 Mundo

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Reitor nomeado pelo Talibã para a Universidade de Cabul, no Afeganistão, proíbe mulheres na instituição

Mohammad Ashraf Ghairat, o reitor, tem 34 anos, e faz parte do Talibã. O grupo tem nomeado religiosos fervorosos como líderes de instituições de ensino. O que esperar do futuro das mulheres no Afeganistão?
O reitor da Universidade de Cabul, no Afeganistão, Mohammad Ashraf Ghaira, anunciou na segunda-feira (27) que mulheres e professoras serão proibidas nos cursos da instituição.
Ghairat, o reitor, tem 34 anos, e faz parte do Talibã. O grupo tem nomeado religiosos fervorosos como líderes de instituições de ensino.
“Eu dou a vocês minha palavra como reitor da Universidade de Cabul, enquanto não houver um ambiente realmente islâmico para todos, não será permitido às mulheres vir à universidade ou trabalhar. Islã primeiro”, escreveu Ghairat em uma rede social.
O Talibã voltou ao poder no Afeganistão em agosto. Os líderes do regime haviam dito que as mulheres poderiam estudar, mas desde que não fosse na mesma sala dos homens.
Afeganistão sob o Talibã: estudante que abandonou estudo escreve poema a outras mulheres
O grupo extremista já esteve no poder uma vez antes, entre 1996 e 2001, e nesses anos as mulheres não podiam estudar —elas não podiam nem mesmo andar em público se não estivessem acompanhadas de um parente homem.
Segundo o jornal “The New York Times”, as funcionárias da Universidade de Cabul reclamaram da nova regra. Elas dizem que o Talibã não tem o monopólio da interpretação da fé islâmica.
Há milhares de alunos que pararam de ir às aulas porque as escolas fecharam. Professores deixaram o Afeganistão quando o Talibã voltou ao poder.
O novo governo composto é inteiramente por homens, e as mulheres foram proibidas de voltarem ao trabalho —o grupo afirmou que se trata de uma proibição temporária, por motivos de segurança.
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Fonte: G1 Mundo

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Crise migratória: EUA deportam 30 crianças brasileiras para o Haiti


Dados obtidos pela BBC News Brasil foram consolidados pela Organização Internacional para as Migrações. Mais de 3,5 mil pessoas já foram deportadas para o país caribenho nos últimos dias. Mais de 3,5 mil pessoas já foram deportadas para o país caribenho nos últimos dias
AFP
Trinta crianças brasileiras já foram deportadas pelos Estados Unidos para o Haiti em meio à grave crise de migração que levou cerca de 15 mil haitianos à cidade texana de Del Rio, na fronteira com o México, nos últimos dias.
A informação foi dada à BBC News Brasil pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), braço da Organização das Nações Unidas (ONU) dedicada ao monitoramento do fluxo migratório ao redor do mundo.
As crianças brasileiras têm, em sua maioria, até três anos de idade e estavam acompanhadas pelos pais haitianos, com quem fizeram a jornada para sair do Brasil e atravessar as Américas do Sul e Central até chegar à divisa entre México e Estados Unidos há pouco mais de uma semana.
Desde que a crise estourou, cerca de 3,5 mil pessoas já foram embarcadas em voos americanos para Porto Príncipe, a capital haitiana. Ao descobrir para onde tinham sido levados, alguns haitianos reagiram com indignação e revolta e tentaram voltar à aeronave dos EUA.
Além dos 30 menores de idade brasileiros deportados, 182 crianças chilenas estão na mesma condição.
“As crianças brasileiras não apresentavam qualquer problema maior, caso contrário, seriam encaminhadas para assistência específica”, afirmou à BBC News Brasil Giuseppe Loprete, chefe da missão da OIM em território haitiano, que acompanha a situação dos deportados.
Segundo Loprete, por terem pais haitianos, as crianças são também consideradas haitianas segundo as leis do país caribenho, embora não tivessem documentos para comprovar essa nacionalidade.
“Eles podem obter documentos haitianos aqui, certidão de nascimento e carteira de identidade. As autoridades locais já informaram que irão facilitar isso. Mas enquanto eles estão fora do país, é difícil que consigam essa documentação”, explicou Loprete.
Segundo a Constituição Federal, por terem nascido em território do Brasil, mesmo que de pais estrangeiros, os filhos dos haitianos são também considerados brasileiros natos. E por isso eles detinham apenas documentação brasileira ao serem encontrados e deportados pelos americanos.
De partida do Brasil
A partir de 2010, quando um terremoto devastou o Haiti e matou centenas de milhares de pessoas, o Brasil passou a ser destino de migração de haitianos. Entre 2010 e 2018, os dados da Polícia Federal apontam que em torno de 130 mil haitianos vieram ao Brasil, onde se estabeleceram e formaram família. O governo brasileiro criou um visto humanitário para atender às necessidades desses migrantes – mais tarde também estendido a sírios e afegãos.
Nos últimos anos, porém, a recessão brasileira e a desvalorização do câmbio, que achatou a renda remetida pelos haitianos aos familiares no país de origem, levaram muitos a migrarem para o Chile ou outros países da região.
No ano passado, em um novo capítulo nessa jornada migratória, muitos grupos passaram a se destinar aos EUA, onde tentavam chegar atravessando mais de uma dezena de países a pé. Em março, a BBC News Brasil mostrou que o fluxo já se formava e vitimava pessoas como a haitiana Manite Dorlean, que, grávida de gêmeos, morreu afogada nas águas do Rio Grande em janeiro de 2021 depois de partir do Brasil ainda em 2019.
Esse ano, com dados ainda incompletos, o número de haitianos localizados por agentes americanos na fronteira (29,6 mil) já é 6,5 vezes maior do que o total de 2020.
“Eles dizem que foram instruídos por outros haitianos que já passaram para os Estados Unidos e por isso também foram pra lá. Infelizmente, é assim que funciona”, afirmou Loprete.
Em 2021, o Haiti enfrentou o assassinato do presidente do país, Jovenel Moïse, que aprofundou a instabilidade política, e um novo e potente terremoto, que deixou mais de duas mil pessoas mortas. Nesse contexto, a diáspora haitiana, tanto do próprio país quanto de outros na América Latina, se moveu para os EUA. Contribuiu para o fluxo a percepção de que a nova gestão democrata, de Joe Biden, teria uma abordagem mais simpática a migrantes.
Crise política nos EUA
A chegada em massa de haitianos, no entanto, detonou uma crise política nos EUA depois que o governo Biden, que prometia uma abordagem “humana” aos migrantes, recorreu aos mesmos instrumentos utilizados pelo ex-presidente Donald Trump para deportar rapidamente o maior contingente possível, sem dar a eles a chance de pedir por asilo ou refúgio em território americano.
O enviado especial dos EUA para o Haiti, Daniel Foote, renunciou ao cargo em protesto contra o tratamento dispensado aos haitianos. Em uma carta pública à Casa Branca, ele disse que “não se associaria à decisão desumana e contraproducente dos Estados Unidos de deportar milhares de refugiados haitianos”, citando as sucessivas crises humanitárias no país caribenho.
Além disso, imagens de guardas de fronteira ameaçando avançar com cavalos sobre migrantes haitianos correram o mundo e alimentaram ainda mais críticas ao governo americano. Biden afirmou que se responsabilizava pessoalmente pelo ocorrido e determinou o fim do uso da cavalaria entre agentes de migração.
Em meio ao turbilhão, o secretário de Estado dos EUA Antony Blinken chegou a pedir ao chanceler brasileiro Carlos França, em reunião em Nova York, na semana passada, que o Brasil acolhesse parte dos haitianos que estavam na fronteira americana. O governo brasileiro, segundo um integrante do Itamaraty que esteve no encontro, recusou o pedido. “Cada um que cuide do seu Haiti”, descreveu esse diplomata à reportagem, sobre o teor da resposta do Brasil aos americanos.
Segundo a lei brasileira, migrantes que tenham recebido visto humanitário e ainda assim tenham deixado o país, perdem o direito a requerer novamente esse status especial.
A embaixada brasileira em Porto Príncipe já foi avisada pela OIM sobre a presença de crianças brasileiras deportadas no país, mas por enquanto não foi diretamente contatada por suas famílias.
À CNN americana, o ministro de relações exteriores do Haiti, Claude Joseph, afirmou: “pedimos solidariedade na região. Falei com minha embaixadora no Brasil e ela disse que os brasileiros estão dispostos a aceitá-los de volta com suas famílias”. A BBC tentou contato com a embaixada haitiana em Brasília nesta segunda (27/9), mas não localizou um porta-voz.
Por lei, o Brasil é obrigado a repatriar – inclusive cobrindo os custos de viagem – cidadãos que estejam em risco no exterior e sem recursos para chegar ao Brasil. Reservadamente, dada a sensibilidade do tema, um embaixador brasileiro afirmou à BBC News Brasil que se as famílias dessas 30 crianças brasileiras expressarem o desejo para que isso aconteça, poderão deixar o Haiti e retornar ao Brasil.
É possível que o número de menores brasileiros nessa situação aumente nos próximos dias, conforme mais aviões americanos com centenas de deportados aterrissem em Porto Príncipe.
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Fonte: G1 Mundo