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Forte terremoto sacode o norte da Argentina

O USGS informou que o tremor atingiu magnitude 6.2. Um forte terremoto sacudiu a região de San Antonio de los Cobres, no norte da Argentina, na madrugada desta segunda-feira (13), informou o Instituto Geológico dos Estados Unidos (UGS, na sigla em inglês).
O USGS informou que o tremor atingiu magnitude 6.2. O Centro Sismológico Europeu do Mediterrâneo registrou sismo de 6.0.
Não há ainda informações sobre danos ou vítimas.

Fonte: G1 Mundo

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Coreia do Norte anuncia que testou mísseis de longo alcance com sucesso


Novo teste aconteceu neste fim de semana, segundo a agência oficial do regime, a KCNA. Kim Jong-un participa de desfile na Coreia do Norte na última semana
AFP/KCNA
A Coreia do Norte realizou testes bem-sucedidos de mísseis de longo alcance neste fim de semana, afirmou sua agência oficial, a KCNA, na segunda-feira (13), pela hora local.
Os mísseis voaram 1.500 km antes de atingir seus alvos e cair nas águas territoriais do país durante os testes realizados no sábado e domingo, disse a KCNA.
O desenvolvimento dos mísseis tem o “significado estratégico de deter outro meio de dissuasão eficaz para garantir de forma mais confiável a segurança do estado e conter fortemente as manobras militares das forças hostis”, divulgou a KCNA.
A Coreia do Norte há muito acusa Estados Unidos e Coréia do Sul de praticarem “política hostil”.
As negociações com o objetivo de desmantelar os programas nucleares e de mísseis balísticos do Norte em troca do alívio das sanções dos EUA estão paralisadas desde 2019.

Fonte: G1 Mundo

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O que a China quer com ofensiva contra gigantes de tecnologia do próprio país


Empresas do setor têm enfrentado uma série de restrições impostas pelo governo chinês nos últimos meses. Cofundador do conglomerado Alibaba, Jack Ma foi um dos primeiros a experimentar os efeitos das novas restrições
Getty Images
O magnata chinês Jack Ma estava com tudo preparado para a festa.
Em novembro de 2020, o Ant Group (“grupo formiga”, em tradução literal), braço financeiro do gigante de e-commerce Alibaba, faria sua estreia nas bolsas de Hong Kong e Xangai com uma expectativa de levantar US$ 34,4 bilhões, o maior IPO (sigla para “Initial Public Offering”, ou oferta inicial de ações) da história.
No último minuto, entretanto, autoridades do órgão regulador chinês suspenderam a operação por “preocupações em relação à concorrência”. Ou seja, cortaram a energia, desligaram a música e mandaram os convidados para casa.
Na sequência, exigiram que fosse feita uma reestruturação no que hoje é o maior conglomerado financeiro e comercial digital da China. Seu cofundador, Jack Ma, que já foi exaltado como símbolo do sucesso do país, saiu dos holofotes por meses.
LEIA MAIS: Jack Ma: Por que um dos homens mais ricos da China desapareceu por três meses
China quer intensificar supervisão das empresas de tecnologia na internet
A decisão inesperada teve grande repercussão internacional. Àquela altura, poucos imaginavam que ali tinha apenas início uma ofensiva do governo para definir limites aos gigantes da tecnologia chineses.
Mais recentemente, o presidente Xi Jinping defendeu sua campanha para impor maior controle sobre as empresas do setor de tecnologia em uma reunião do Comitê de Diretores do Partido Comunista Chinês, segundo informações veiculadas na imprensa oficial.
Governo Xi Jinping defende freio no que considera ‘expansão desordenada do capital’
Getty Images
O objetivo, conforme o argumento do líder chinês, é “prevenir a expansão irracional do capital” e “combater o crescimento selvagem” das empresas de tecnologia.
Xi Jinping disse ainda que redobraria o escrutínio sobre essas empresas.
“A implementação de todas essas regulamentações antimonopólio é absolutamente necessária para melhorar a economia de mercado socialista e promover a prosperidade comum”, declarou.
O conceito de “prosperidade comum” tornou-se o novo emblema do governo, sob a lógica de que é necessário redistribuir a riqueza na China e estimular uma maior competição entre as empresas.
Efeito cascata
Após a suspensão do IPO do Ant Group, o governo impôs uma série de restrições a outras empresas de tecnologia que atuam em áreas que vão do comércio eletrônico ao setor de transporte, videogames, educação online e as fintechs.
Entre elas estão o conglomerado de serviços na internet Tencent, a empresa de entrega de alimentos Meituan, o e-commerce Pinduoduo, a Didi (dona do app de transporte 99 no Brasil), o aplicativo de transporte de carga Full Truck Alliance, a plataforma de recrutamento Kanzhun e as empresas de educação à distância New Oriental Education e TAL Education.
O Alibaba recebeu uma multa de US$ 2,8 bilhões em abril, a maior multa antimonopólio da história do país, depois que uma investigação determinou que a empresa “abusou de sua posição dominante no mercado”.
Um dos últimos episódios envolveu a fabricante de carros elétricos BYD. A empresa planejava vender ações de sua companhia de fabricação de chips para veículos, mas a operação foi suspensa devido a uma “investigação regulatória”.
Embora cada caso seja diferente, os argumentos usados ​​pelo governo para justificar as decisões giram em torno de dois eixos: coibir monopólios e “proteger a segurança” das informações dos usuários.
Nesse contexto, o país aprovou recentemente uma lei que pode exigir a suspensão ou cancelamento de aplicativos que processem “ilegalmente” dados “sensíveis” dos usuários.
LEIA MAIS: China aprova lei sobre dados pessoais na internet
‘Manter o controle’
A chamada caça aos gigantes tecnológicos tem se desdobrado em pelo menos três vertentes: a ofensiva antimonopólio, uma revisão da segurança dos dados coletados pelas empresas e a contenção do que o governo tem chamado de “expansão desordenada do capital”, a restrição do “crescimento em detrimento do interesse público”.
Para alguns analistas, o que está em jogo é uma questão de controle.
É o que pensa Michael Witt, professor de estratégia e negócios Internacionais da Escola de Negócios Insead, em Cingapura.
À BBC News Mundo, serviço em língua espanhola da BBC, ele afirmou que o Partido Comunista Chinês “está colocando freio em um setor de tecnologia que recentemente deu sinais claros de que se esqueceu quem está no comando”.
Foi o que aconteceu com Jack Ma, ele avalia, que criticou o órgão regulador chinês antes do fracassado IPO do Ant Group.
Ou com a Didi, que não teria seguido as diretrizes estabelecidas pelo governo ao pé da letra. “Isso tampouco poderia ficar impune”, diz Witt, referindo-se à visão do governo.
Assim, ressalta ele, “o ponto crucial da questão é o controle”.
O mistério da ofensiva
Martin Chorzempa, pesquisador do Instituto Peterson de Economia Internacional, nos Estados Unidos, argumenta que, além do controle, o governo busca atingir certos objetivos específicos.
Alguns seriam inclusive “razoáveis”, ele pontua, como, por exemplo, a melhor proteção dos dados pessoais dos usuários ou a tentativa de neutralizar alguns dos efeitos negativos que o avanço da tecnologia acabou trazendo para o mundo.
Mas “se estivermos falando do uso dos dados pelo Estado, de uma maior imposição do regime de censura e menos espaço para as empresas privadas se desenvolverem”, diz Chorzempa, “então parece mais problemático”.
“O problema é que é difícil decifrar essa imagem dúbia, com o bom, o mau e o arriscado tão interligados.”
A partir de uma perspectiva histórica, Angela Zhang, diretora do Centro de Direito Chinês da Universidade de Hong Kong, argumenta que a principal razão por trás do aumento das restrições seria tentar resolver algumas das preocupações de longa data que o governo tem em relação à regulação do setor de tecnologia.
“As empresas chinesas de tecnologia costumavam operar em um ambiente regulatório muito frouxo, e agora estamos passando pelo estágio de regulamentação para essas empresas”, avalia.
Ela destaca ainda que, no contexto internacional, países como os Estados Unidos ou os membros da União Europeia “também estão aumentando o controle sobre o setor de tecnologia de forma semelhante”.
Mas ressalva que, no caso da China, a campanha oficial também dá ao governo uma abertura para pressionar as empresas de tecnologia a investir mais nas áreas que são de seu interesse.
‘Supremacia tecnológica’
Especialistas como Keyu Jin, economista da britânica London School of Economics, argumentam que o objetivo final seria atingir uma “supremacia tecnológica” e colocar o país em posição para definir os padrões globais nessa área e moldar o futuro em segmentos-chave.
Isso permitiria à China ter ainda mais influência sobre a economia global. Alguns analistas concordam com a visão de que a ofensiva de Pequim gira fundamentalmente em torno da ideia de alcançar essa superioridade tecnológica.
Nesse sentido, interessaria mais ao governo estimular o desenvolvimento tecnológico em áreas estratégicas, como computação quântica, de semicondutores e de satélites, em lugar de segmentos como comércio eletrônico ou tecnologias voltadas para serviços ao consumidor.
Outros especialistas acreditam que a cruzada do governo também vislumbra restringir o acesso de investidores externos às informações coletadas por empresas chinesas.
Drew Bernstein, copresidente da consultoria Marcum Bernstein & Pinchuk (MBP), especializada em assessorar empresas asiáticas, argumenta que a mudança nas regras reflete o esforço da China para se consolidar como uma potência tecnológica, depois de ser conhecida por muito tempo como um país que, nesse sentido, mais copiava do que criava.
Também reflete, acrescenta o analista, o “efeito dominó” a que as grandes empresas de tecnologia podem estar submetidas diante dos pilares do plano de governo voltado para 2025.
Qual é o plano de 2025?
O governo chinês divulgou um planejamento de cinco anos delineando uma regulamentação mais rígida em grande parte da economia.
O correspondente da BBC em Cingapura, Peter Hoskins, explica que as novas regras vão muito além do setor de tecnologia e incluem aspectos como segurança nacional e monopólios comerciais de forma mais abrangente.
O plano de dez pontos estabelece em um documento que as leis serão fortalecidas para “áreas importantes” como ciência, inovação tecnológica, cultura e educação, com atualização na regulamentação que atingirá segmentos como “finanças da Internet, inteligência artificial, big data, computação em nuvem”.
Essas ideias, que em outro país poderiam parecer uma declaração genérica de intenções, na China parecem avançar a passos largos, a julgar pelo que revelou a ofensiva contra os gigantes da tecnologia nos últimos meses.
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Fonte: G1 Mundo

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Talibã confirma que mulheres poderão estudar em universidades, mas separadas dos homens


O anúncio preocupa algumas universidades, que afirmam não ter meios materiais e financeiros para se adequar à separação por sexo e que isso pode estimular alunos a deixarem o Afeganistão para estudar no exterior. Talibã anuncia novas regras para estudantes mulheres
O Talibã permitirá que as mulheres estudem na universidade, desde que o façam separadamente dos homens, confirmou, neste domingo (12), o ministro do Ensino Superior do novo regime afegão.
“Nossos combatentes assumiram suas responsabilidades” ao reconquistar o poder, disse o ministro Abdul Baqui Haqqani, em um coletiva de imprensa na capital do Afeganistão, Cabul, na qual destacou a importância do sistema universitário.
O Ocidente acusa o regime Talibã de querer negligenciar a educação.
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“A partir de agora, a responsabilidade pela reconstrução do país cabe às universidades. E estamos esperançosos, porque o número de universidades aumentou consideravelmente”, em comparação com a época do primeiro regime talibã (1996-2001), disse ele.
Abdul Baqi Haqqani, ministro de Ensino Superior do novo governo do Talibã, fala em uma conferência de imprensa, em Cabul
Aarmi Qureshi/AFP
“Isso nos deixa otimistas para o futuro, para construir um Afeganistão próspero e autônomo. Devemos fazer bom uso dessas universidades”, acrescentou o ministro.
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Classes mistas proibidas
Ele também confirmou que o governo vai proibir as aulas mistas nas universidades, que eram permitidas pelo governo anterior – deposto em meados de agosto.
“Isso não representa nenhum problema para nós. São muçulmanos e vão aceitar isso. Decidimos separar (homens e mulheres) porque as classes mistas são contrárias aos princípios do Islã e às nossas tradições”, afirmou o ministro.
Segundo ele, a educação mista foi imposta pelo governo pró-Ocidente dos últimos 20 anos, apesar do fato das universidades solicitarem aulas separadas para mulheres e homens.
O novo governo Talibã anunciou na semana passada que permitiria que as mulheres estudassem na universidade, sob condições estritas: usar véu completo e em aulas separadas dos homens ou divididas por uma cortina se houver poucas meninas.
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Durante ato pró-talibã, em frente à Universidade Shaheed Rabbani, em Cabul, mulheres seguram cartazes e faixas – “nós não queremos coeducação”, diz um deles.
Aamir Qureshi
O anúncio preocupa algumas universidades, que afirmam não ter meios materiais e financeiros para se adequar à separação por sexo e que isso pode estimular os alunos (frequentadores de turmas mistas) a deixar o país para estudar no exterior.
Também preocupa a Unesco, que estimou na sexta-feira (10) que o “imenso” progresso feito desde 2001 na educação no Afeganistão está em “perigo” com os talibãs e alertou para os riscos de uma “catástrofe geracional” que poderia afetar o desenvolvimento do país “por anos”.
No sábado, porém, centenas de afegãs vestidas com o véu integral manifestaram apoio ao Talibã em uma universidade de Cabul.
Durante os anos em que esteve no poder (1996-2001), o Talibã suprimiu os direitos das mulheres afegãs e restringiu suas liberdades mais simples, como estudar, trabalhar ou sair sozinhas.
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Os afegãos e a comunidade internacional esperam para ver como o novo governo definirá os padrões que afetarão as mulheres e sua vida em sociedade.
A sharia, lei islâmica, foi aplicada com muito rigor entre 1996 e 2001.
Segundo os fundamentalistas islâmicos, agora as mulheres também poderão trabalhar, mas respeitando os “princípios do Islã”, algo que pode ser interpretado de várias maneiras.
O que esperar do futuro das mulheres no Afeganistão?

Fonte: G1 Mundo

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A ‘civilização perdida’ que construiu mega-assentamentos na Europa há 7 mil anos


Técnicas de construção do povo de Trypillia lhes permitiu erguer casas de até 700 m² em pleno período neolítico. Templos com baixo-relevo e outras estruturas trypillianas gravadas oferecem pistas sobre a antiga cultura
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“Você sabia que existe um livro de Júlio Verne chamado A Ilha Misteriosa, no qual as pessoas se encontram em uma ilha e começam a construir uma civilização?”, pergunta Mykhailo Videiko, arqueólogo da Universidade Borys Grinchenko Kyiv, na Ucrânia.
“Mas aqui não é uma história de ficção”, ele faz uma pausa.
“Esta é uma história real.”
Silenciada duas vezes, uma vez pelo tempo, e depois pela política, a antiga civilização Cucuteni-Trypillia está mais uma vez encontrando vozes para compartilhar sua história.
A história de Trypillia, como é comumente conhecida, começou há 7 mil anos onde hoje é a Europa Oriental.
A maioria dos assentamentos foi descoberta na Moldávia, Romênia e Ucrânia, todas ex-repúblicas soviéticas.
Os assentamentos escavados oferecem aos arqueólogos modernos um dos primeiros exemplos conhecidos de urbanização e sugerem a existência de uma população com mais de um milhão de habitantes.
O povo de Trypillia “conseguiu implementar quase todas as inovações tecnológicas de seu tempo”, diz Videiko.
Eles eram obcecados por cerâmica, e construíram os fornos mais avançados da época. As técnicas de construção permitiram erguer casas de até 700 m².
“Um assentamento pode se comparar à Londres medieval em tamanho”, diz Videiko.
“Muitos pesquisadores não podiam acreditar que um assentamento assim realmente existisse. Eles descobriram 1,5 mil construções lá. Uma casa tinha 700 m². É muito para uma construção europeia de 5,5 mil anos.”
E os objetos encontrados ali indicam uma cultura que adorava deusas femininas.
LEIA MAIS: O sedutor mito das ruínas das cidades perdidas
Incas: e se a Europa tivesse sido conquistada pelo império liderado por Atahualpa?
Um dos mistérios não desvendados sobre Trypillia era a destruição periódica dos assentamentos. Antes de deixar o local, eles queimavam as casas.
“O abandono e a queima das casas de Trypillia eram acompanhados pela destruição dos fornos. Os restos dos fornos eram removidos para o lado de fora da casa. Isso pode significar que eles ‘matavam’ a casa, tiravam o coração da casa e colocavam fogo em tudo”, afirma Vladyslav Chabaniuk, diretor da reserva Trypillia.
As pesquisas sobre Trypillia foram inicialmente abraçadas pela União Soviética. As autoridades comunistas estabeleceram paralelos entre a impressionante civilização antiga e a ideologia marxista, que promovia uma sociedade sem classes e sem propriedade privada.
Por isso, destinaram grandes fundos para financiar projetos de estudo arqueológico sobre a civilização.
“Trypillia era uma ilustração maravilhosa de uma sociedade pré-classe, sem classes ou do comunismo primitivo”, explica Videiko.
Mas quando surgiram indícios de que Trypillia pode não ter sido a utopia da sociedade sem classes que aparentava ser a princípio, as coisas mudaram rapidamente.
“À medida que os arqueólogos exploravam mais, eles começaram a descobrir mega sítios arqueológicos da civilização Trypillia. Começaram a encontrar todas essas construções enormes. E surge a pergunta: tudo isso poderia ser feito por uma sociedade sem classes?”, conta Videiko.
“Tecnicamente, todas as descobertas científicas estavam destruindo a teoria marxista-leninista.”
Nos anos que se seguiram, os pesquisadores que desafiaram a propaganda oficial foram considerados inimigos do Estado.
Alguns escavadores do sítio arqueológico de Trypillia foram condenados como membros de uma organização de espionagem terrorista.
“Sentença. 1937. Pelotão de fuzilamento.”
Livros que promoviam o estudo de Trypillia foram publicados fora do país, mas, segundo Videiko, “nunca chegaram à Ucrânia”.
“Estavam pesquisando algo, mas quase ninguém aqui sabia a respeito. Aqueles que sabiam, permaneceram em silêncio”.
Hoje, o legado de Trypillia está sendo revivido por meio da moda.
A estilista ucraniana Svitlana Bevza se inspirou na arte da antiga civilização centrada na figura feminina — “no simbolismo da mulher como deusa, como símbolo de terras férteis, como símbolo do nascimento”.
Ela usa sua linha de roupas e joias com influência Trypillia como uma forma de celebrar a cultura, a reverência pelas mulheres e a conexão com a natureza daquele povo.
Segundo ela, é injusto que “essa grande cultura não seja tão conhecida no mundo — como a egípcia, por exemplo”.
“Não havia voz que pudesse falar para o mundo sobre essa cultura”, completa.
Uma civilização avançada construída do nada não é apenas tema de romance de ficção, é também a verdadeira história de Cucuteni-Trypillia, sendo contada mais uma vez.
Descubra o Brasil: Ruínas de S. Miguel das Missões (RS) são Patrimônio Mundial

Fonte: G1 Mundo

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Irã permitirá que AIEA faça manutenção em câmeras de monitoramento nuclear


Agência nuclear da ONU poderá fazer manutenção em câmeras instaladas no Irã. Outros pontos de negociação com Teerão não avançaram. O argentino Mariano Grossi, chefe da AIEA, em foto de 2019
Joe Klamar/AFP
O Irã vai permitir que a agência nuclear da ONU faça manutenção em câmeras de monitoramento em instalações nucleares iranianas após conversas neste domingo (12) com o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, de acordo com o chefe do órgão de energia atômica do Irã e um comunicado conjunto.
As conversas com Grossi visavam aliviar o impasse entre Teerã e o Ocidente para reviver o acordo nuclear com o Irã.
A AIEA disse nessa semana que não houve progresso em duas questões principais: explicar vestígios de urânio encontrados em locais antigos não declarados e obter acesso urgente a equipamentos de monitoramento para que a agência possa continuar a acompanhar partes do programa nuclear do Irã.
“Acertamos a substituição dos cartões de memória das câmeras da agência”, disse Mohammad Eslami, que dirige a Organização de Energia Atômica do Irã (OEAI), segundo a mídia estatal.
“Os inspetores da AIEA estão autorizados a consertar o equipamento identificado e substituir seus meios de armazenamento, que serão mantidos sob os selos conjuntos da AIEA e da OEAI na República Islâmica do Irã”, disseram os órgãos nucleares em um comunicado conjunto.

Fonte: G1 Mundo

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Arco do Triunfo de Paris começa a ser embrulhado em obra póstuma do artista Christo


Mais de R$ 80 milhões serão gastos para embrulhar o arco em 25 mil m² de tecido. Arco do Triunfo começa a ser embalado com tecido em instalação póstuma do artista Christo
Thomas Samson/AFP
Centenas de metros quadrados de tecido de polipropileno reciclado de cor azul prateado começaram a ser desdobrados, neste domingo (12), em um dos lados do Arco do Triunfo, dando início à etapa final da operação de embrulho do monumento parisiense, uma obra póstuma do artista Christo.
De 18 de setembro a 3 de outubro, o sonho de juventude do artista plástico búlgaro e de sua esposa, Jeanne-Claude, vai se tornar realidade: o monumento de 50 metros de altura será inteiramente coberto com 25 mil m² de tecido, amarrados por 3 mil metros de corda vermelha, como num pacote de presente.
Os preparativos começaram no final de junho e continuam a todo vapor sob a direção de Vladimir Yavachev, sobrinho de Christo, com o apoio do Centro de Monumentos Nacionais da França.
“Será como um objeto vivo que ganhará vida com o vento e refletirá a luz”, explicou Christo ao apresentar seu projeto final, dois anos antes de sua morte.
Com um custo de 14 milhões de euros (R$ 86,7 milhões), o projeto é totalmente autofinanciado com a venda de obras originais de Christo: desenhos preparatórios, lembranças, maquetes e litografias.
Em 1985, Christo já havia empacotado a Pont-Neuf, uma das pontes parisienses que cruzam o rio Sena.
Desta vez, após semanas de preparação, uma equipe de 95 especialistas em cordas desenrolou, do alto do Arco do Triunfo, o primeiro pedaço de tecido, no lado voltado para a Avenida de Wagram.
O processo de embalagem seguirá dia e noite até ficar pronta no dia 18 de setembro, dia da inauguração.
“Hoje é um dos momentos mais espetaculares da instalação. O Arco do Triunfo embalado está começando a ganhar vida e se aproxima da visão do que foi o sonho de uma vida para Christo e Jeanne-Claude”, comentou Yavachev, ao supervisionar o projeto.
Para Bruno Cordeau, administrador do Arco do Triunfo, “acompanhar a instalação de uma obra como esta, nas atuais circunstâncias, é mágico”.
“A embalagem da Pont-Neuf foi um momento fora do comum. É isso que vamos vivenciar aqui mais uma vez. Cuidamos para que o Arco do Triunfo seja devidamente protegido, principalmente porque o monumento ainda está aberto ao público”, acrescentou Cordeau.
O artista Christo em frente ao projeto The London Mastaba, no Hyde Park, em Londres, em imagem feita em junho de 2018
REUTERS/Simon Dawson/Arquivo
“O Arco do Triunfo não é um monumento como os outros. É o da harmonia nacional. É também um lugar de cultura. A obra de Christo tem a elegância e a humildade de ser efêmera. Ao cabo de duas semanas, ela vai desaparecer”, sublinha o administrador do Arco, que associou ao projeto o Comitê da Chama e de ex-combatentes.
Além das consequências da pandemia, o projeto foi adiado por causa da presença de ninhos de aves que vivem há muito tempo no Arco.
Veja abaixo reportagem de 2020 sobre a vida e a obra do artista Christo
Morre, aos 84 anos, o artista plástico búlgaro Christo

Fonte: G1 Mundo

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Como negros estão resgatando suas raízes na ‘Suíça da América Latina’


Os descendentes de africanos são a ‘maior minoria’ do Uruguai e cada vez mais reivindicam uma identidade ancorada na cultura e religiosidade de seus antepassados. A religiosidade ajuda a dar visibilidade para os afrouruguaios.
Getty Images via BBC
Se tornou comum ouvir, hoje em dia, o som de batuques nos fundos de alguns quintais uruguaios.
Ele vem dos três tambores — conhecidos como “chico”, “repique” e “piano” — que integram o candombe, um ritmo de origem africana que se expandiu no Uruguai por intermédio dos descendentes africanos e que simboliza as raízes do continente africano no país.
O Uruguai é um país que tradicionalmente se orgulhou mais visivelmente de outra ascendência: a europeia – e já foi chamado de “Suíça da América Latina” por sua branquitude. Cerca de 90% da população se declara como branca, de acordo com o último censo nacional.
Mas as marcas da África estão presentes na fé nos orixás, como Iemanjá e Oxum, e em rituais familiares aos brasileiros, como lançar flores ao mar para divindades. E cada vez mais uruguaios têm reivindicado sua identidade de ascendência africana, segundo pesquisadores e ativistas entrevistados pela BBC News Brasil, principalmente os mais jovens, e hoje essa identidade está presente em várias partes do território uruguaio.
Para estudiosos e integrantes dos coletivos de afrodescendentes, os tambores e a religiosidade contribuem para dar visibilidade aos chamados “afrouruguaios” — uruguaios que se identificam com as raízes africanas.
Mas há entre eles os que se preocupam com que os simbolismos não sejam vistos apenas como “folclóricos” e “estereotipados”, já que a dimensão da cultura e da exclusão dos negros repetem princípios semelhantes aos registrados em outros países da América Latina, como o Brasil.
Como observa a professora Niki Johnson, da Universidade da República, em Montevidéu, ao olhar para a presença da ascendência africana no país, não podemos nos fixar só nos ritos. É preciso analisar também os indicadores sociais, que revelam uma desigualdade étnica e racial no país.
Porta de entrada para escravizados
Em séculos passados, o Uruguai chegou a ser uma importante porta de entrada de pessoas escravizadas na América do Sul, por meio do rio da Prata.
No censo de 1996, segundo dados oficiais, 165 mil uruguaios se diziam afrodescendentes — cerca de 5% da população do país na época. Dez anos mais tarde, no censo de 2006, o número quase dobrou, para 280 mil.
O desfile anual das comparsas arrasta multidões
Getty Images via BBC
Levantamentos mais recentes apontam que a população afrodescendente é de aproximadamente 10% nesse país de cerca de 3,5 milhões de habitantes, onde os primeiros desembarques de pessoas escravizadas datam dos anos 1600, junto com os portugueses, na cidade histórica de Colônia do Sacramento, de acordo com estudiosos do tema.
Pesquisas acadêmicas informam que, no passado, os negros eram chamados de “raça de cor” e de “raça negra”, antes de passarem a ser definidos, já no século 21, como afrouruguaios.
‘Negros em uma nação branca’
No livro Blackness in the White Nation (Negritude em uma Nação Branca, em tradução livre), o americano George Reid Andrews, especialista na história latino-americana e na presença africana na América Latina pela Universidade de Pittsburgh, que passou longos períodos no Uruguai no início dos anos 2000 para escrever a obra, cita comunicados oficiais que, nos séculos anteriores, ressaltam as peles brancas no país:
“O tipo nacional é ativo, nobre, franco, hospitaleiro, inteligente, forte e valente e é de raça branca em sua quase totalidade, o que significa a grande superioridade de nosso país sobre outros da América em que a maioria da população é composta por índios, mestiços, negros e mulatos”, dizia o escritor Horacio Araujo Villagran em 1929, conforme trecho reproduzido no livro.
Irmãs do DF estão entre os 100 afrodescendentes mais influentes do mundo
Enfatizar a cor branca ou raízes europeias foi tema de textos no século 19 e início do século 20 também no México, na Argentina e no Brasil, por exemplo.
Ao citar as llamadas (“chamadas”, em espanhol), desfile anual das comparsas (escolas de samba e blocos) que arrastam multidões e levam nomes como “Serenata Africana” e “Senegal”, Andrews diz que “os tambores e os ritmos são africanos”, mas existem grupos “completamente brancos” e “poucos que contam com integrantes predominantemente afrouruguaios”.
“Como se explica que um país que sempre se jactou de sua herança europeia, uma nação que historicamente se apresenta como ‘a Suíça da América do Sul’, tenha assumido formas culturais africanas como elemento de sua identidade nacional?”, observa na nota.
Hoje, os afrouruguaios formam a “maior minoria” do Uruguai, de acordo com o Atlas Socio-demográfico e da Desigualdade do Uruguai, produzido pelo Instituto Nacional de Estatísticas e entidades acadêmicas.
Candombe e desigualdade
Representantes dos coletivos afrouruguaios e pesquisadores apontam que o candombe, com seus tambores, letras e danças, está presente em todo o país.
“O candombe não está reunido num lugar só, mas em vários pontos do país, com menor ou maior concentração”, explica a ativista do movimento negro uruguaio Ana Karina Moreira Godoy, que é psicóloga e conta ter antepassados brasileiros e europeus.
Em Colonia do Sacramento, no sul do país, por exemplo, a presença de afrouruguaios é pequena se comparada com lugares na fronteira com o Brasil, como Rivera, Artigas e Cerro Largo, observa Godoy.
Um estudo da Unicef, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para a infância, sobre crianças e adolescentes afrodescendentes no Uruguai, que foi realizado entre 2006 e 2018, também confirma essa situação, ao citar que eles são 17% em Artigas, 19% em Rivera e um pouco menos – 12% – em Montevidéu.
Levantamentos acadêmicos, baseados em dados oficiais, apontam ainda que as maiores comunidades de afrouruguaios estão nas regiões menos pujantes economicamente.
Tanto Godoy como a professora Niki Johnson, responsável por levantamentos sobre a desigualdade racial no país, observam que os afrouruguaios vivem, geralmente, nos bairros menos prósperos do Uruguai, dedicando-se, muitas vezes, a trabalhos mais mal remunerados, como serviços domésticos e empregos informais, por exemplo.
O ritmo candombe é uma herança africana.
Getty Images via BBC
‘Direitos humanos’
A ativista Ana Karina Moreira Godoy se define como “afrofeminista” e integra o coletivo Coordinadora Nacional Afrouruguaya, fundado há dez anos.
“O Uruguai tem uma história importante em termos de direitos humanos, como a busca de desaparecidos da ditadura militar. Mas a agenda do movimento afro ainda não tem o espaço que deveria”, opina.
Godoy lembra que há décadas os negros do Uruguai buscam estar mais representados politicamente e, por isso, já nos anos 1930 foi fundado o Partido Autoctodo Negro (PAN).
No entanto, os afrouruguaios até hoje têm representatividade limitada na política, como observa ela.
“Somos afros criados em um paradigma da brancura. Na minha época, na escola não ensinavam nada (sobre a questão racial). Vamos descobrindo através da violência racial. E é muito recente a preocupação do sistema educativo com a discriminação”, diz.
Godoy defende políticas públicas para “desestruturar o racismo” e é professora de um curso, parte da plataforma educacional oficial do Uruguai, que forma professores e estudantes em “direitos humanos para a busca da maior igualdade racial na sala de aula”.
“O objetivo é que os professores tenham ferramentas para enfrentar o racismo dentro da sala. A ideia é também começar a questionar o paradigma racista na educação”, conta ela, que usa em sala de aula autores afrodescendentes e outros que estudaram a fundo a questão racial.
Segundo Godoy, existem outras ações em curso em alguns municípios uruguaios que buscam a valorização dos tambores e do candombe – declarado Patrimônio Não Material Cultural da Humanidade pela Unesco (braço da ONU para cultura e educação). Mas a especialista entende que ainda é preciso tornar as minorias – inclusive afrodescendentes – mais “visíveis” no Uruguai.
‘Vulnerabilidade’ e ‘pandemia’
A cientista política Niki Johnson é a responsável por um amplo estudo sobre as condições sociais dos afrodescendentes no país.
Ela diz que “ainda há estigma” sobre ser negro no Uruguai. E que, mesmo quando conseguem escapar da pobreza, os negros são mais socialmente vulneráveis que os não negros. Isso está ligado aos níveis educacionais, afirma a pesquisadora.
“As pessoas afro têm menos anos de educação do que o resto da população. Os dados mostraram que os afro têm menor possibilidade de chegar ao ensino secundário (médio) e mais ainda o terciário (universitário) completo. Somente 3% da população afro têm o terciário completo, enquanto os não afro chegam a 9%”, diz Johnson.
No Brasil, em 2017, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), considerando a população com 25 anos ou mais, apenas 9,3% dos negros tinham ensino superior completo, enquanto na população branca havia chegado a 22,9%.
“O Brasil registrou muitos avanços na frequência ao ensino superior, mas ainda estamos longe de um cenário de igualdade”, disse Tatiana Dias Silva, autora da pesquisa.
O levantamento da Unicef no Uruguai indicou que “as brechas raciais” na América Latina são mantidas e mostram que “nascer em uma casa de pais afrodescendentes aumenta claramente a possibilidade de serem apresentadas desigualdades ao longo da vida. A situação no Uruguai é similar”.
Em seu relatório, a Unicef observa que no início do período letivo do ensino médio, quase dois de cada cinco afrodescendentes uruguaios de 15 a 17 anos não frequentavam nenhuma instituição de ensino.
Entre os que frequentavam, um de cada três tinha repetido pelo menos dois anos letivos.
Os resultados são diferentes para os não afrodescendentes. Nesse caso, um de cada quatro não assistiu a nenhum centro educativo e um em cada seis, dos que assistiam, tinham repetido pelo menos dois anos letivos.
Para Niki Johnson, a maior vulnerabilidade social faz com que a pandemia “certamente” afete mais os afrodescendentes do que os demais no país.
A cientista política cita, por exemplo, a diferença entre os índices de desemprego entre a população afro (cerca de 11%) e não afro (7,5%) – dados de 2017 -, a menor presença no setor público e a maior presença em trabalhos de serviços.
Assim como no Brasil, “escravidão deixou como legado uma desigualdade sistêmica”, diz Johnson.
Para ela, a “visibilidade” dos afrodescendentes é resultado do trabalho dos coletivos, mas falta a “consolidação de políticas públicas” para reduzir a desigualdade.
‘Filhos da diáspora africana’
Formada em Relações Internacionais, a DJ e dançarina de candombe Tania Ramírez diz que, apesar da existência de uma lei que destina bolsas de estudo e cotas para empregos estatais, “falta uma política de combate ao racismo estrutural”.
A chamada lei de reparação à população afrodescendente do Uruguai foi assim definida ao ser aprovada em 2013. No texto afirma-se que a legislação “reconhece que a população afrodescendente, que habita o território nacional, foi, historicamente, vítima de racismo, de discriminação e da estigmatização desde os tempos do tráfico escravocrata”.
Essa lei determina que 8% dos postos de trabalho de todo o setor estatal devem ser ocupados, anualmente, por pessoas afrodescendentes por um prazo de quinze anos.
Ela também determina que estudantes afrodescendentes tenham bolsas de estudos, mas, no texto original da lei, não foi estipulado qual o percentual ou cota com este objetivo.
Aos 36 anos, Tania Ramírez faz parte do coletivo Mizangas de Mulheres Afrodescendentes, que trabalha pela elaboração de políticas públicas voltadas para as afrouruguaias.
“Somos filhos da diáspora africana. Montevidéu era a entrada da população escravizada, e sentimos o racismo estrutural, que são evidentes nos índices de pobreza, de exclusão na educação e na desigualdade dos indicadores quando vemos o nível educacional comparado com a população branca”, diz.
Para ela, as mulheres de raízes negras “continuam vivendo sob as regras dos séculos passados”, fazendo trabalhos de limpeza, por exemplo, e ainda há um longo caminho a se percorrer para reverter isso.
As ações do Mizangas de Mulheres Afrodescendentes incluem, por exemplo, aulas de dança e de espiritualidade, além de debates, exposições, como fotográficas, vinculadas à temática.
Ramírez e Godoy, que estudam a cultura negra, observam que a prática da religião da umbanda “por influência africana e brasileira”, é comum entre os afrodescendentes.
Também destacam que, como a abolição da escravatura aconteceu antes no Uruguai (1842) do que no Brasil (1888), muitos brasileiros escravizados buscaram a liberdade no Uruguai.
Pesquisadores dizem que esse é um dos motivos da presença de sobrenomes portugueses e brasileiros no país. E observam ainda que a miscigenação, pouco propagada quando se fala no Uruguai, inclui outra minoria: a indígena, que tem presença menor que a dos afrouruguaios, mas que também passou a ganhar relevância em debates em alguns setores da sociedade uruguaia.

Fonte: G1 Mundo

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FBI libera primeiro documento relacionado à investigação do 11 de Setembro

O FBI (Federal Bureau of Investigation) liberou neste sábado (11) o primeiro lote de documentos relacionados à investigação dos ataques terroristas de 11 de setembro, seguindo uma ordem executiva do presidente Joe Biden. O relatório revela suspeita de participação logística de um saudita no maior atentado em território norte-americano.
O documento liberado é de 2016 e detalha conexões e depoimentos de testemunhas que levaram o FBI a suspeitar de Omar al-Bayoumi, que supostamente era um estudante saudita em Los Angeles, mas que o FBI suspeitava ser um agente de inteligência saudita. O relatório descreve envolvimento dele em apoio logístico a pelo menos dois dos homens que sequestraram aviões em 11 de setembro, como fornecimento de “assistência em viagens, hospedagem e financiamento”.
A embaixada saudita em Washington informou na quarta-feira (8) que “qualquer alegação de que a Arábia Saudita é cúmplice dos ataques de 11 de setembro é categoricamente falsa”.
Ordem para quebrar sigilo
O presidente americano assinou no último dia 3 de setembro a ordem para que o Departamento de Justiça e outras agências federais avaliassem a retirada do sigilo.
O democrata vem sendo pressionado por familiares das vítimas para pôr fim ao sigilo que já dura quase duas décadas. Eles acreditam que os arquivos possam indicar se a Arábia Saudita teve alguma participação nos atentados terroristas.
Quinze dos 19 terroristas da al-Qaeda envolvidos no ataque eram de origem saudita, mas a Comissão do Congresso que investigou o mais trágico atentado em solo americano não achou indícios de que eles foram financiados pelo reino.
“Quando me candidatei à presidência, assumi o compromisso de garantir a transparência quanto à divulgação de documentos sobre os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001”, disse Biden em um comunicado.
A ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos prevê que, após essa avaliação, o Procurador-Geral divulgue publicamente todos os documentos que tiverem seu sigilo derrubado dentro de seis meses.
Prazos para liberação dos documentos
Segundo a ordem presidencial, as agências federais terão que apresentar os pareceres sobre o fim ou não do sigilo – e os próprios documentos – até março de 2022. Cada tipo de informação poderá vir a público em um prazo diferente:
Até 11 de setembro de 2021: relatório do FBI sobre os atentados de 11 de setembro feito por uma Comissão do Congresso.
Em até 2 meses: relatório sigiloso do FBI sobre as investigações – consideradas encerradas em 2021.
Em até 4 meses: todos os relatórios e entrevistas, análises e investigações iniciais do FBI sobre suspeitos e indivíduos que têm relação com o caso.
Em até 6 meses: todos os outros documentos que sejam relevantes para a investigação e que mostrem conexões de indivíduos a agências ou governos estrangeiros.
Caso algumas das informações tenham que seguir sigilosas por razões de segurança nacional, diz a ordem executiva, cabe ao Procurador-Geral ou ao chefe da agência responsável pelas informações definir o status da divulgação.

Fonte: G1 Mundo

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Protestos pelo 48º aniversário do golpe de Pinochet no Chile têm confronto entre manifestantes e polícia


Derrubada do socialista Salvador Allende em 1973 deu início a uma das ditaduras mais sanguinárias da América Latina. Polícia reprimiu manifestação em Santiago com jatos d’água
AFP/Martín Bernetti
Os protestos para marcar 48 anos do golpe militar do ditador Augusto Pinochet contra o governo do socialista Salvador Allende no Chile tiveram incidentes entre manifestantes e policiais.
Com bandeiras do Chile, do Partido Comunista e de outros grupos políticos de esquerda, centenas de pessoas marcharam perto do Palácio La Moneda -no centro de Santiago- para deixar flores no monumento a Allende, que se suicidou no meio do bombardeio militar que Pinochet ordenou contra a sede do governo chileno em 11 de setembro de 1973. O ataque encerrou o mandato do presidente socialista.
O golpe deu lugar a uma das ditaduras mais sangrentas da América Latina, liderada por Pinochet durante 17 anos, na qual mais de 3.200 pessoas morreram ou desapareceram enquanto cerca de 40.000 foram torturadas, segundo dados oficiais.
“É um 11 de setembro doloroso, porque vivemos novamente as violações dos direitos humanos, mas também esperançoso porque todo o Chile e o mundo são atormentados por comemorações para que essas violações nunca mais ocorram”, disse Lorena Pizarro, presidente da Associação de Detidos e Desaparecidos do Chile.
Manifestação em Santiago lembrou os 48 anos do golpe de Pinochet contra Salvador Allende
AFP/Martín Bernetti
Milhares de pessoas marcharam pela Alameda, a principal avenida de Santiago, causando alguma destruição e incêndios em pontos de transporte público, além de saques a lojas.
Os manifestantes foram até o Cemitério Geral da cidade, em uma peregrinação que acontece todos os anos, onde novamente houve confrontos com a polícia, que dispersou a multidão com lançadores de água e gás lacrimogêneo. Ao menos seis pessoas foram presas.
A comemoração do 11 de setembro deste ano acontece no contexto da eleição presidencial de 21 de novembro e também da elaboração de uma nova Constituição que deve substituir a atual – herdada da ditadura -, tarefa a cargo de 155 constituintes que têm um ano para redigi-la.
“A Convenção Constitucional deve se encarregar das garantias de não repetição (das violações dos direitos humanos) e das Forças Armadas e da Polícia”, acrescentou Pizarro.
Dezenas de militares e agentes da ditadura foram condenados no Chile por crimes ocorridos durante a ditadura, enquanto a justiça italiana solicitou em agosto a extradição de três ex-militares pelo assassinato de dois italianos durante o regime de Pinochet.

Fonte: G1 Mundo