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Por que a China está reprimindo fãs de K-pop


Nos últimos meses, autoridades chinesas tomaram uma série de medidas para reprimir a atuação de ‘fãs obsessivos’, que já tramaram até um plano para tirar um ídolo do K-pop da prisão. Kris Wu, ex-membro da banda EXO, perdeu contratos com marcas chinesas após ser acusado de estupro
Reprodução/Instagram
Quando Kris Wu, cantor sino-canadense e estrela do K-pop, foi preso sob suspeita de estupro no mês passado, alguns de seus fãs imediatamente se uniram na internet para bolar planos de tirá-lo da prisão.
“Meninas, os números têm força, vamos voar para Pequim e resgatá-lo”, postou uma fã na plataforma de microblog Weibo.
Outros disseram que estavam preparados com pás para cavar túneis e alicates para cortar cercas de arame da prisão.
Mas não demorou muito para que essas discussões – bem como as contas que as compartilhavam – fossem excluídas.
Como os fãs de celebridades na China, cada vez mais apaixonados por seus ídolos pop, continuam a figurar em reportagens por motivos negativos, as autoridades do país deixaram claro que tal comportamento não será mais tolerado.
“O caos em fãs-clubes de celebridades, exposto pelo ‘incidente de Kris Wu’, mostra que a má cultura de fãs atingiu um momento crítico que deve ser corrigido”, disse o principal órgão disciplinar do país em um publicação na internet, acrescentando que milhares de “comentários tóxicos” e grupos de fãs já foram excluídos da rede.
Duas semanas atrás, o órgão fiscalizador da internet da China publicou um plano de 10 pontos que impediria a disseminação de informações “prejudiciais” em grupos de fãs de celebridades, incluindo fofoca e abuso verbal.
Qualquer plataforma que não agir para remover rapidamente esse tipo de conteúdo também pode ser penalizada pelo governo.
“É preciso haver uma limitação para a perseguição irracional de estrelas pop”, disse o documento.
Durante meses, Pequim intensificou os esforços para controlar o que chama de “cultura caótica dos fãs”, um movimento considerado “bem-vindo” até mesmo entre alguns fãs de celebridades.
Um usuário do Weibo que regularmente posta atualizações sobre notícias de entretenimento, afirmou o seguinte: “Fãs malucos realmente nos deram má fama. Até eu fico irritado quando vejo aqueles grandes grupos de fãs lotando o aeroporto para ver seus ídolos.”
Muitos membros desses grupos não são apenas pessoas torcendo inofensivamente por suas estrelas favoritas. Em muitos casos o comportamento deles se tornou tóxico.
Grupos de fãs organizados têm cada vez mais levado seu “amor” ao extremo: de perseguição a cyberbullying, além da publicação desenfreada de boatos, são comuns nas redes sociais chinesas.
No ano passado,um fã-clube do popular ator e cantor Xiao Zhan conseguiu fechar um site de fanfiction por causa de uma peça que retratava o artista como uma adolescente travesti apaixonada por outro ídolo masculino.
Temendo que a história “manchasse” a imagem de Zhan, o grupo denunciou o site às autoridades como “pornografia infantil” – o que rapidamente fez com que o site fosse retirado do ar.
A censura, por sua vez, enfureceu leitores leais do site, e um exército de “anti-fãs” nasceu. Esse novo grupo iniciou uma campanha para boicotar as muitas marcas das quais Zhan era garoto-propaganda.
Ambos os lados se envolveram em uma terrível guerra cibernética: imagens e até endereços de rivais foram postados na internet sem autorização.
E não para por aí.
Na China, muitos fãs têm virado notícia por causa de gastos extravagantes com seus ídolos: alguns estudantes estão até se endividando.
No último domingo, o Weibo suspendeu um fã-clube do cantor Jimin – um membro da boyband de K-pop BTS – sob alegações de que o grupo havia levantado fundos ilegalmente.
Jimin, integrante do BTS
Reprodução/Instagram
A conta, que teve mais de 1,1 milhão de seguidores, arrecadou em um financiamento coletivo a quantia recorde de 1 milhão de yuans (cerca de R$ 813 mil) em apenas três minutos. O dinheiro foi usado para personalizar a parte externa de um avião em homenagem ao 26º aniversário de Jimin.
As passagens aéreas e até os copos usados ​​a bordo do avião também foram personalizados apenas para dizer “Feliz Dia de Jimin”.
O plano dos fãs também incluía a publicação de anúncios de página inteira nos jornais New York Times, nos Estados Unidos, e The Times, no Reino Unido, para marcar o aniversário do ídolo do K-pop.
Em maio, fãs do reality show Youth With You enfureceram o público por causa de uma polêmica envolvendo desperdício de alimentos.
Como parte da estratégia de marketing do programa – que colocava cantores em treinamento uns contra os outros -, os fãs podiam votar mais vezes em seus ídolos se usassem QR codes presentes em tampas de garrafas de leite.
A promoção levou os fãs a comprarem leite a granel sem intenção de consumi-lo. Logo surgiram imagens de pessoas derramando grandes quantidades de leite pelo ralo após a votação.
Fãs engajados
Embora a cultura de fãs obsessivos não seja exclusiva da China, os especialistas dizem que a escala é maior no país graças a uma enorme população jovem na internet que também é altamente engajada.
“Participar da cultura de fandom chinesa não é mais simplesmente um hobby, mas uma forma de trabalho de dados”, disse Bai Meijiadai, analista da Universidade de Liaoning.
De listas de classificação de celebridades com base em seguidores e engajamento a concursos de canto na TV que permitem votação do público, os fãs se tornaram participantes ativos na alimentação da máquina de adoração de ídolos como nunca antes visto no país.
Em 2018, Kris Wu ganhou as manchetes nos Estados Unidos quando varreu as paradas musicais do iTunes, conquistando não apenas o primeiro lugar, mas também sete das 10 músicas mais populares. Para um cantor praticamente desconhecido na América do Norte, foi uma grande conquista.
Embora os críticos imediatamente pensassem que o fanatismo por Wu fosse trabalho de robôs, as investigações descobriram que o barulho nas redes sociais era de fato impulsionado por uma legião de fãs, que trabalhavam juntos para comprar os álbuns e aumentar as vendas do cantor.
É precisamente esse tipo de campanha organizada que preocupa as autoridades chinesas, dizem os especialistas.
Semana Pop: Fãs de k-pop contribuem com movimento antirracista com doações e vídeos
“Há uma preocupação crescente de que os fãs-clubes possam se mobilizar, pessoalmente ou online, protestos por suas estrelas favoritas”, diz Kerry Allen, analista de mídia da BBC na China.
Mas também parece haver um aspecto moral nessa repressão.
A atriz Zheng Shuang, por exemplo, causou indignação depois que foi acusada de ter abandonado duas crianças nascidas de mães substitutas no exterior. Em seguida, surgiram notícias de que ela estava sonegando impostos.
Desde então, Shuang foi “apagada” da internet chinesa.
“Se se espera que as celebridades sejam modelos, então é natural que os grupos de fãs na internet também precisem ser regulamentados para promover uma cultura saudável”, diz Jian Xu, da Universidade Deakin, que pesquisa a cultura da mídia chinesa. “É uma tentativa de proteger os jovens de serem impactados negativamente.”
Fim da linha?
Enquanto Pequim pressiona a cultura dos fãs, alguns grupos online podem estar se sentindo perdidos: seu mundo de fanatismo obsessivo mudou aparentemente da noite para o dia.
Todas as principais plataformas de mídia social já responderam ao apelo do governo chinês, removendo listas de classificação de celebridades e fechando algumas contas de fãs. Os reality shows de competição de ídolos, muitos dos quais contam com a participação de fãs, também foram proibidos nesta semana.
“A repressão pode tornar os fandoms ‘enfadonhos’ para alguns indivíduos que estavam ansiosos para colocar seu ídolo no topo das listas”, afirma Allison Malmsten, analista de mercado da Daxue Consulting, na China.
Mas ela observa que o movimento do governo dificilmente sinaliza o fim do caminho para essa cultura – eles apenas serão menos visíveis online.
“A repressão não é o fim da adoração às celebridades, mas sim uma forma de reduzir o comportamento não civilizado resultante da adoração a essas celebridades”, diz.

Fonte: G1 Mundo

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Como o 11 de setembro mudou a aviação civil


Cabine dos pilotos passou a receber mais segurança, e vistoria para acesso a sala de embarque se tornou mais rigorosa. Cabine de avião de voos comerciais
Reprodução / EPTV
Pela forma como os ataques ocorreram, o 11 de setembro de 2001 foi também um marco na aviação.
Naquele dia, quatro voos foram sequestrados —havia um sequestrador piloto em cada um dos aviões e ainda uma equipe de terroristas em cada um deles para garantir que iriam conseguir dominar os tripulantes.
Veja abaixo como os fatos daquele dia mudaram a aviação civil:
Durante o voo
Até 2001, era possível para um passageiro entrar na cabine de comando dos aviões durante o voo —não era raro que crianças fossem chamadas para conhecer os pilotos no meio do voo. Isso mudou.
Não só a presença de passageiros nas cabines foi proibida como aumentou a segurança da área de acesso às cabines.
Instalaram-se novas barreiras até mesmo para momentos em que os pilotos vão ao banheiro ou recebem as refeições.
Segundo o piloto de linha aérea Mateus Ghisleni, que já foi do Sindicato Nacional dos Aeronautas, a tendência é que essas restrições se mantenham.
Na sala de embarque
Além disso, ocorreram mudanças no acesso às salas de embarque —não que antes não houvesse controle, mas ele passou a ser bem mais rigoroso.
Pessoas na sala de embarque do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, enquanto um aviao da TAM (LATAM) decola ao fundo
Marcelo Brandt/G1
Antes, era possível entrar com lixa de unha metálica na cabine. Hoje, qualquer objeto que possa, de alguma forma, ser usado como arma é proibido. Líquidos também não passam (com a pandemia, houve alguma flexibilização por causa do álcool em gel).
As restrições são maiores em voos internacionais.
Mesmo o acesso dos profissionais a áreas restritas passou a ser mais controlado, diz Ghisleni.
“Nos Estados Unidos há algumas empresas que contam com seguranças armados dentro dos voos, disfarçados, nem mesmo a tripulação sabe quem são. Isso é proibido no Brasil”, ele conta.
No Brasil, diz ele, a tripulação recebe treinamento para imobilizar pessoas que provoquem alterações nos voos. Quando a aeronave pousar, elas serão retiradas por agentes da Polícia Federal.
11 de Setembro: minuto a minuto do atentado que completou 20 anos
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Fonte: G1 Mundo

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Ataques de 11 de setembro: por que muitos americanos estão insatisfeitos com o resultado da ‘guerra ao terror’?

Foram poucos os resultados positivos do imenso esforço feito pelos EUA para intervir em países mundo afora na tentativa de reduzir a ameaça terrorista. Muitos mortos e trilhões de dólares depois, os americanos se perguntam o que deu errado. Por que muitos americanos estão insatisfeitos com o resultado da ‘guerra ao terror’?
Os ataques de 11 de setembro completam 20 anos neste sábado e, apesar de o principal articulador, Osama bin Laden, já ter sido morto há anos, há um sentimento de frustração neste dia para muitos americanos.
Veja os motivos que eu separei em destaque nos jornais dos EUA nos últimos dias:
O americano olha para trás e vê que foi feito um gasto de US$ 6 trilhōes de dólares – dinheiro do contribuinte – no combate ao terrorismo desde 11 de setembro de 2001.
Nesta política de mandar tropas ou apoiar intervenções em lugares como o Afeganistão, Iraque e Líbia, 900 mil pessoas morreram em conflitos, segundo levantamento da Universidade Brown — para não ter quase nenhum resultado positivo além da morte de Bin Laden em si. A Al-Qaeda não acabou totalmente, e os países em que os EUA intervieram estão hoje mais pobres e menos seguros.
Se falarmos especificamente da ocupação do Iraque, apesar de ela ter acabado com a ditadura de Saddam Hussein, a ocupação desestabilizou tanto o país que facilitou o surgimento do grupo terrorista Estado Islâmico.
As intervenções em nome da “guerra ao terror” tiveram nuances de que muitos americanos não se orgulham: os EUA abriram prisões secretas, houve denúncias de tortura de suspeitos, milhares de soldados americanos perderam a vida.
A taxa de suicídio anual entre militares nos EUA é proporcionalmente maior do que entre a população comum.
O título de país mais poderoso do mundo está sendo questionado pelos próprios americanos. Claro, isso não se deve só à saída traumática do Afeganistão. No entanto, no primeiro 11 de setembro sem tropas americanas naquele país, quem agora domina é o mesmo Talibã de 20 anos atrás. E pior: a China, maior rival americana, está presente e ensaia uma possível amizade com os talibãs.
Por esses e por outros motivos, muitos americanos se perguntam: o que é que deu errado?
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Fonte: G1 Mundo

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Tonado na Itália deixa duas pessoas mortas e outras 9 feridas

Um bombeiro, que não estava em serviço, está entre os mortos. Duas pessoas morreram após a passagem de um tornado na pequena ilha italiana de Pantelária, entre a Sicília e a costa da Tunísia, na sexta-feira (10). Outras nove pessoas ficaram feridas, informou a defesa civil italiana.
O tornado provocou o capotamento de seis veículos e outro veículo que caiu amassado no meio de um campo, de acordo com a imprensa italiana.
Um bombeiro, que não estava em serviço, está entre os mortos, segundo a France Presse.
“Foi um espetáculo apocalíptico”, afirmou um motorista de ambulância que estava no local à agência italiana ANSA.
Pantelária, conhecida como a “pérola negra do Mediterrâneo”, destaca-se por suas falésias de pedra vulcânica e suas fontes de águas termais. Além dela, as fortes rajadas de vento também causaram danos à costa de outra ilha muito turística que se localiza entre o norte de África e a Sicília.

Fonte: G1 Mundo

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Morre Abimael Guzmán, líder do Sendero Luminoso


Peruano tinha 86 anos e cumpria prisão perpétua. Foto feita através de janela mostra Abimael Guzmán, fundador e líder do grupo Sendero Luminoso, chegando a uma corte na base militar de Callao, no Peru, em 2018.
AP Foto/Martin Mejia
O líder histórico do grupo guerrilheiro peruano Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, de 86 anos, morreu neste sábado (11). Ele estava internado desde agosto e cumpria pena de prisão perpétua por terrorismo desde a década de 90.
A informação foi confirmada pela rádio RPP Noticias, mas não foi divulgado a causa da morte.
Em agosto, Guzmán foi transferido da penitenciárias de segurança máxima, a prisão da Base Naval de Callao, onde cumpria pena, para um hospital por problemas de saúde.
Sendero Luminoso
Gúzman foi capturado em 1992. Ele foi condenado à prisão perpétua como mentor intelectual de um dos conflitos mais violentos da América Latina, que deixou quase 70 mil mortos entre as décadas de 1980 e 2000.
No momento da captura, Gúzman estava escondido em uma residência de três andaras do distrito de Surquillo, em Lima, onde uma funcionava uma academia de balé como fachada. Após sua captura e outras operações das forças de segurança, o Sendero entrou em declínio, mas um grupo remanescente ainda opera de forma autônoma no Peru.
Também foi detida Elena Iparraguirre, outra integrante da cúpula do Sendero, com quem se casaria em 2010 na prisão. Ela tem 73 anos.

Fonte: G1 Mundo

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Os atentados de 11 de setembro por quem contou a história


‘Segue o fio’ conversa com quem ajudou a relatar ao Brasil tudo o que aconteceu naquele dia trágico nos EUA. Há duas décadas, o mundo era abalado pelo pior ataque terrorista da história. O Matheus Rodrigues foi ouvir os jornalistas que ajudaram a relatar ao Brasil tudo o que aconteceu naquele 11 de setembro nos Estados Unidos. Veja o vídeo!
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11 de setembro – Segue o fio
G1

Fonte: G1 Mundo

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Familiares das vítimas do 11 de setembro fazem homenagens no Marco Zero


Cerimônias nos EUA marcam 20 anos dos atentados. Cantor Bruce Springsteen cantou em memória às vítimas. 20 anos dos atentados: começa cerimônia em homenagem às vítimas no Marco Zero
A manhã deste sábado (11), data de 20 anos dos atentados terroristas contra as Torres Gêmeas em Nova York, nos Estados Unidos, familiares e autoridades americanas realizam uma cerimônia em homenagem às vítimas no Marco Zero.
AO VIVO: acompanhe a cerimônia no Marco Zero, em NY
VÍDEO que mostra minuto a minuto como foram os atentados em 11 de setembro
Durante a cerimônia é realizada uma leitura com o nome de cada pessoa que morreu nos atentados. Alguns familiares também leem depoimentos, emocionados, em lembrança à vítima.
Às 8h46, quando um dos aviões atingiu a primeira torre do World Trade Center em 2001, os familiares fizeram um minuto de silêncio. Outros minutos de silêncio ocorreram às 9h03, quando o vôo 175 se chocou contra os andares 77 e 85 da Torre Sul e às 10h28, quando a Torre Norte desabou.
Logo após o segundo minuto de silêncio, o cantor Bruce Springsteen se apresentou na cerimônia no Marco Zero. (veja abaixo)
11/09: comovente minuto de silêncio pelo atentado à torre sul do World Trade Center
Além dos dois aviões que avançaram contra o World Trade Center, membros da rede Al-Qaeda arremessaram um terceiro avião contra o Pentágono. Por isso, além do Marco Zero, uma cerimônia também ocorrerá na capital Washington DC.
11/09: Brasileira moradora de NY relembra o dia do atentado
No final deste sábado, Nova York terá um show de luzes em homenagem às vítimas.
Pessoas de 77 países morreram nos atentados de 11 de setembro.
Imagem do local conhecido como ‘Marco Zero’ de 26 de setembro de 2001, 15 dias depois da destruição do World Trade Center em Nova York nos atentados terroristas que marcaram o mundo
U.S. Customs Service/Handout via REUTERS/Arquivo

Fonte: G1 Mundo

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11 de Setembro: ’20 anos depois, é provável que EUA e Talebã se aliem no combate ao terror’, diz ex-analista do FBI


Especialista em contraterrorismo dos EUA afirma que cenário inimaginável em 2001 de aliança entre grupo extremista e americanos se tornou necessária em nome da segurança doméstica do Ocidente. Soldados americanos em Herati, no Afeganistão, em 2009; especialista em contra-terrorismo dos EUA afirma que aliança com Talebã se tornou necessária em nome da segurança doméstica do Ocidente.
Getty Images via BBC
Vinte anos atrás, quando duas aeronaves atingiram os prédios do World Trade Center, em Nova York, os Estados Unidos juraram “caçar” os responsáveis pela morte de quase 3.000 cidadãos em seu próprio território. Naquele momento, os alvos eram o grupo extremista Al Qaeda, comandado por Osama Bin Laden, que operara os aviões usados no episódio e o governo do Talebã, no Afeganistão, que dera guarida para os combatentes da Al Qaeda. Era o início da guerra mais longa da história americana.
Em 2021, depois da retirada caótica das tropas americanas do país e da ascensão meteórica do mesmo Talebã de volta ao poder no país do sul asiático, a história parece prestes a produzir mais uma reviravolta: EUA e Talebã se tornariam aliados no combate a grupos extremistas como a Al Qaeda e o Estado Islâmico.
Conheça a história de Osama bin Laden e da Al-Qaeda antes e depois do 11 de setembro
FOTOS: os ataques de 11 de Setembro em 20
Um cenário inimaginável há 20 anos, quando o Exército americano lançava sua mais pesada artilharia para abater o governo Talebã. Para o especialista em contra-terrorismo dos EUA Javed Ali, esse é um desfecho “muito provável”. Atualmente professor na Faculdade de Políticas Públicas da Universidade de Michigan, Ali tem mais de 20 anos de experiência como analista de segurança para o governo dos EUA. Nesse período, ele trabalhou na Agência de Inteligência de Defesa, no Departamento de Segurança Doméstica e no FBI. Passou ainda pelo Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, durante a Presidência de Donald Trump.
Ali esteve entre os analistas que desaconselharam a guerra do Iraque, por exemplo. Sua posição foi vencida pelos interesses políticos da gestão do então presidente George W. Bush. À BBC News Brasil ele deslinda uma série de erros táticos cometidos pelos americanos nos últimos 20 anos que levaram ao surgimento do Estado Islâmico e à dramática evacuação dos EUA de solo afegão nas últimas semanas.
Para o analista, há risco de que inimigos de 20 anos atrás, como a Al Qaeda, se fortaleçam novamente. E a segurança do território americano contra tais grupos dependerá da vontade e da capacidade do Talebã de garanti-la.
Javed Ali, um dos conselheiros de defesa nacional no primeiro ano do governo de Donald Trump, em foto na Casa Branca
Arquivo pessoal via BBC
Mas a maior ameaça de ataques aos EUA hoje, na visão de Ali, já está dentro do país. Nas palavras dele, os americanos vivem uma “onda de terrorismo doméstico” intensa, na qual se inserem episódios como a tentativa de sequestro da a governadora democrata Gretchen Whitmer, do Michigan, em outubro de 2020, e a já histórica invasão do Capitólio por apoiadores de Trump, em 6 de janeiro de 2021.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista de Javed Ali à BBC News Brasil, editada por concisão e clareza.
BBC News Brasil – Vinte anos depois dos ataques de 11 de setembro, qual o balanço possível à chamada guerra ao terror lançada pelos Estados Unidos logo depois do incidente?
Javed Ali – O 11 de Setembro foi um momento tão profundo na história que eu diria que suas implicações vão muito além dos EUA. Os ataques mudaram o curso da história do planeta, talvez de um modo sem precedentes. E duas décadas mais tarde, o país ainda está lutando para compreender o que deu certo e o que foi errado no período. Porque se olharmos para estes últimos 20 anos, objetivamente, pode-se argumentar que existem coisas que estão no lado positivo dos resultados, mas há outras coisas que claramente não estão e não tenho certeza se era isso o que os líderes do país esperavam que aconteceria 20 anos depois. Por isso acho que 20 anos ainda são pouco. Vamos levar provavelmente mais 20, 40 ou 60 nessa elaboração.
Como os ataques de 11 de setembro mudaram o mundo
As guerras no Iraque e no Afeganistão são claros exemplos de eventos que não saíram da maneira que as lideranças políticas em Washington e talvez em outros países do Ocidente, que participaram dessas campanhas militares, planejaram. Em uma perspectiva política, muitos erros foram cometidos por eles, e outros tantos aconteceram em solo iraquiano e afegão, e que tiveram impacto no mundo real e causaram enorme sofrimento humano. Daqui a 20 anos, quando os livros de história contarem sobre as campanhas militares no Iraque e no Afeganistão, não acho que a história será gentil com as decisões que foram tomadas.
Um agravante é que dentro do próprio governo, enquanto essas decisões eram tomadas, momentos antes de o serem, já havia muita gente alertando que elas não eram as melhores. Mas muitos desses conselhos foram ignorados ou marginalizados, e posso dizer isso porque vivenciei como analista momentos em que as análises eram simplesmente ignoradas pelos formuladores de políticas.
11 de Setembro: minuto a minuto do atentado que completou 20 anos
BBC News Brasil – Você poderia citar algum exemplo específico em que análises tenham sido ignoradas com maus resultados pelos políticos?
Ali – Não posso entrar em muitos detalhes, mas tive um pequeno papel no período em que os EUA estavam prestes a lançar a guerra do Iraque. Na minha perspectiva, e na de meus colegas de equipe, tentamos alertar os congressistas, o Pentágono e outros políticos que, se seguíssemos pelo caminho de uma campanha militar contra o Iraque, o melhor resultado ou aquele cenário que as pessoas desejavam poderia jamais se concretizar. E acho que nossos instintos estavam corretos. Era muito mais provável que o pior cenário ocorresse do que o mais otimista, que justificava a guerra. Mas, novamente, não cabia a nós a tomada de decisão, éramos apenas os analistas que traziam subsídio à tomada de decisão. E não necessariamente os políticos eleitos para isso eram influenciados pelas análises ou, no limite, não importava quanta análise fizéssemos, eles seguiriam pelo mesmo caminho que tomaram.
Mas esse é o tipo de tensão que pode existir nesses sistemas de segurança nacional (como o dos EUA) em que você elege líderes ou tem pessoas que são politicamente nomeadas tomando decisões. Mesmo que estejam recebendo conselhos profissionais sólidos de pessoas que não têm qualquer apetite político ou visão partidária, as decisões delas serão políticas e eu sabia disso.
BBC News Brasil – E na sua perspectiva, as ações americanas no Iraque contribuíram para criar um ambiente para o surgimento do Estado Islâmico?
Ali – Parte do objetivo que motivou a guerra contra o Iraque era livrar-se de Saddam Hussein e – sem entrar no mérito se a decisão foi certa ou errada – isso criou um vácuo de poder no país e imediatamente na sequência começamos a ver o crescimento de uma insurgência multifacetada no Iraque que tentava resistir à campanha ocidental.
Um braço dessa insurgência era jihadista, comandada por um indivíduo chamado Abu Musab al-Zarqawi, que era um veterano do Afeganistão e tinha conexões com pessoas da Al Qaeda. No início, ele operava de forma mais independente, mas entre 2004 e 2005 mudou o nome de sua rede para Al Qaeda no Iraque, e desencadeou uma escalada inacreditável de carnificinas dentro do país para tentar reforçar divisões sectárias entre sunitas e xiitas e árabes e curdos e desintegrar o país, o que obviamente faria com que fosse muito difícil para os Estados Unidos permanecerem em solo iraquiano.
Esse era o plano sombrio de Zarqawi e ele foi morto pela coalizão militar em 2006. Seu grupo também sofreu uma significativa pressão militar, tanto da coalizão quanto de outros grupos do Iraque que mudaram de lado para apoiar os EUA e lutar contra a então Al Qaeda no Iraque. Mas o rescaldo do grupo de Zarqawi, a retirada dos EUA do Iraque no final dos anos 2000 e o estabelecimento de um novo governo iraquiano lançaram as sementes para o que então se tornou o Estado Islâmico alguns anos depois, entre 2012 e 2013. Então certamente se pode traçar algumas linhas, embora não tão retas, entre a invasão inicial do Iraque pelos EUA e, uma década depois, o surgimento de algo muito diferente e novo, e ainda mais temível do que a Al Qaeda no Iraque, porque a Al Qaeda no Iraque não estava tentando governar um território, como queria o Estado Islâmico.
Foi mais uma notável reviravolta dos acontecimentos que forçou os EUA e os aliados a voltarem para o Iraque e, em seguida, entrarem na Síria para pressionar o Estado Islâmico, para que eles não pudessem realizar mais ataques dentro de ambos os países, não conseguissem governar sob esta forma brutal de lei islâmica, nem lançassem ataques contra o Ocidente.
O Estado Islâmico foi responsável por ataques na Europa, e inspiração para uma série de extremistas nos Estados Unidos. Havia uma célula do Estado Islâmico que foi neutralizada antes das Olimpíadas de 2016, na primeira grande operação de contraterrorismo envolvendo jihadistas no Brasil. Então percebe-se o quão significativa era a influência do grupo mesmo entre pessoas que jamais pisariam no Iraque ou na Síria. E isso começou da semente que os EUA plantaram anos antes com a decisão de invadir o Iraque, quando os políticos em Washington pensaram que nos livraríamos de Saddam Hussein, teríamos um novo governo iraquiano no poder que seria aceito pelo povo e o Iraque acabaria se tornando uma democracia ocidental.
Esse objetivo era completamente ilusório já que o Iraque praticamente nunca operou como uma democracia, ou pelo menos uma democracia ocidental, e sua composição étnica e religiosa era diversa, e a maioria das pessoas se filiava mais fortemente com essas divisões do que com o Estado do Iraque em si.
E os mesmos erros foram cometidos pelos EUA com o Afeganistão. Os EUA não entenderam que o Afeganistão é um país com composição complexa de diferentes religiões e etnias e os elementos tribais e a forma como essas lealdades funcionam localmente, nos vilarejos, pode mudar muito rapidamente, e que a identidade nacional é quase a última coisa em que essas pessoas estão pensando. Então, acho que essa é uma daquelas lições dos últimos 20 anos que da próxima vez que alguém no Ocidente decidir pensar em lançar algum desses campanha militares no Oriente Médio ou no sul da Ásia, é melhor saber melhor que estamos nos metendo nessa sociedade complexa, ou, como mostram os resultados, não vamos atingir os objetivos a que nos propusemos.
Soldados armados do Talebã e civis em foto de 2020.
Getty Images via BBC
BBC News Brasil – É como se os EUA tivessem ignorado completamente os aspectos humanos da área nessa ânsia de construir nações como se fosse construir uma estrada?
Ali – Sim, e de uma forma que mostra uma ambiguidade entre força e fragilidade não apenas política, mas da própria identidade americana, de quem somos, como um país que tem essa noção de que, de alguma forma, temos mais capacidade de mudar o curso da história porque somos a potência militar mais forte do mundo ou a economia mais forte do mundo.
As pessoas parecem gostar dos valores e da cultura americana, e há um pensamento de que se pudermos exportar isso para outros países no exterior, ao longo do tempo, eles iriam simplesmente se voltar em nossa direção. É claro que há exemplos em que os EUA foram uma força positiva no mundo, mas existem certos países que meramente por sua história mostram que eles resistiram à ocupação estrangeira várias vezes no passado. Ou a composição do país é tão única e diferente que mesmo com as melhores intenções e, com o melhor dos objetivos em mente, o esforço jamais teria valido a pena.
O Afeganistão, provavelmente mais do que qualquer outro país, é esse caso. E isso remonta a milênios. Alexandre, o Grande, tentou conquistar o Afeganistão há quase 2.000 anos, e esse foi um projeto fracassado. O Império Britânico, no auge de seu poderio, em meados de 1800, tentou duas vezes, sem sucesso, e há quem argumente que isso pode ter sido o início do fim do Império Britânico no Sul da Ásia. Em seguida, 100 anos mais tarde, a União Soviética, no auge do poder e rivalidade contra os EUA, achou que poderia atingir objetivos semelhantes. E ainda assim eles partiram depois de oito anos, tendo falhado e sofrido muitas perdas econômicas. Muitos historiadores argumentaram que esse também foi o começo do fim da União Soviética.
Então, o Afeganistão ao longo do tempo e da história levou ao fim desses impérios globais, e espero que isso não signifique o fim da hegemonia global americana, mas depois de alguns trilhões de dólares gastos e das terríveis baixas que as tropas dos EUA sofreram, além de obviamente, o impacto para os afegãos, os historiadores vão olhar para trás a partir da perspectiva dos EUA e dizer que de alguma forma nos perdemos quando seguimos na direção da construção de uma nação que nenhum poder estrangeiro foi capaz de fazer antes.
Conheça histórias de pessoas que tiveram suas vidas transformadas após os ataques de 11 de setembro
BBC News Brasil – O 11 de Setembro gerou essas guerras sem fim no Iraque e no Afeganistão e a partida dos americanos do solo afegão era popular nos EUA. O modo como a partida aconteceu, no entanto, gerou críticas. Como avalia os últimos momentos do país no Afeganistão, quando os EUA tiveram que negociar com o Talibã, o grupo que tiraram do poder?
Ali – Voltando aos primeiros dias após o 11 de Setembro, nosso foco inicial era apenas perseguir a Al Qaeda, porque a Al Qaeda foi a responsável pelos ataques. Pouco depois, ampliamos o foco para o Talebã, mas não apenas. Incluímos na sequência a ideia de construção de nação. É aí que vejo erros estratégicos importantes, de uma perspectiva política. Mas nenhum presidente até Trump, e agora Biden, decidiu mudar isso.
Podemos ter um debate interessante sobre se a retirada total foi a melhor decisão, mas a forma como foi realizada pareceu precipitada, desconsiderou as complicações dessas evacuações, partimos da base da força aérea de Bagram, onde estava a maioria dos meios aéreos e, literalmente, apenas dois meses depois colocamos quase o dobro do número de tropas no solo de novo e tivemos que mover um número igualmente grande de aeronaves de volta ao país para tirar dezenas de milhares de pessoas do Afeganistão em um período de tempo realmente curto.
E, como consequência, isso levou à morte de afegãos e àquelas imagens terríveis de pessoas desesperadas agarradas em um avião militar, e, pior ainda, ao ataque ao aeroporto de Cabul. O governo Biden não previu que ao reunir tantas pessoas relativamente desprotegidas e claramente desesperadas para sair, colocando tropas dos EUA e outras tropas ocidentais de volta em perigo para acelerar a partida de todas essas pessoas, que essa seria a oportunidade ideal para o ISIS-K (braço paquistanês-afegão do Estado Islâmico) e, infelizmente, eles se aproveitaram disso.
Mas agora essa parte foi concluída e teremos que ver o que será do Afeganistão sob o Talebã, que se vende como mais gentil e aberto, mesmo que ainda queiram governar sob a lei islâmica. É preciso ver se conseguirão passar essa ideia e ter acesso a financiamento internacional, ou se vão operar como um Estado pária do século sétimo e cometer os mesmos erros de 25 anos atrás que os levaram a perder o poder.
E depois, no lado do terrorismo, com a evacuação dos EUA e outras forças militares ocidentais, veremos o ressurgimento de grupos como a Al Qaeda, que foi duramente castigada por 20 anos e teve sua capacidade de ataques ao Ocidente praticamente anulada. Dado o que restou da Al Qaeda, seus recursos, equipamentos, pessoas e dinheiro, não acho que eles tenham abandonado o foco do ataque ao Ocidente, e dado seu histórico relacionamento com o Talibã, que lhes deu guarida para lançar o ataque de 11 de setembro, o que vai acontecer agora? O Talibã vai fazer vistas grossas ou vai reprimir a Al Qaeda? E quanto ao ISIS-K?
O ISIS-K conduziu dezenas, senão centenas, de ataques nos últimos cinco anos, desde que entrou em cena. Agora, eles são uma ameaça ao Talebã e à segurança do Afeganistão. Como o Talebã reagirá ao lutar contra eles agora que os EUA não estão mais lá? E isso levanta outro cenário realmente interessante: os EUA entrarão em uma parceria de contraterrorismo com o Talebã para combater ameaças como ISIS-K ou a Al Qaeda ou outros grupos que tentem ameaçar o Ocidente? É um cenário quase inimaginável 20 anos atrás, quando estávamos jogando bombas sobre o Taleban e conduzindo operações terrestres para arrancá-los do poder.
BBC News Brasil – E quão provável é essa aliança entre EUA e Talebã agora?
Ali – Muito provável, porque já não estamos mais lá, não temos a infraestrutura de contraterrorismo que estava disponível para colocar pressão sobre esses grupos por contra própria ou em parceria com o governo afegão, que sequer existe mais. Agora, o ônus recai sobre o Talebã de ser o fiador da segurança para o país e, teoricamente, também para o Ocidente. E esses países terão que entrar em acordo com o Talebã, não porque gostemos politicamente deles, mas apenas porque nossos interesses básicos de segurança nacional dependem disso.
Então, eu realmente acho que é muito provável que os EUA desenvolvam esse tipo de relacionamento, de parceria, como já fizemos com outros grupos nos últimos anos, quando não queríamos colocar tropas terrestres, como no Iraque, na Síria, no Norte da África. Os EUA devem apoiar os Talebã direta ou indiretamente, para que eles possam fazer o necessário não apenas para manter o Afeganistão seguro, mas também para manter os EUA seguros.
BBC News Brasil – Não é uma posição muito frágil para os EUA depender do Talebã para garantir a segurança de seu próprio território?
Ali – Espero que estes riscos tenham sido pensados ​​pelos líderes em Washington, em Londres e nos demais países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que tomaram a decisão de retirar as tropas e toda a infraestrutura da área ao mesmo tempo em que sabiam não ter um parceiro viável, como o governo afegão, que foi extirpado. Esta é a realidade da situação. Tendo trabalhado na Casa Branca antes, eu assumo que essas questões foram cuidadosamente estudadas e, novamente, esses riscos foram considerados e que haja um plano de contingência, como uma parceria com o Talibã.
Biden tem dito que manteremos a capacidade de conduzir operações de contraterrorismo remotamente, mas não há muitos detalhes sobre o que isso significa. Nas últimas semanas, vimos demonstrações dessa capacidade, com ataques a alvos do ISIS-K após o episódio do aeroporto de Cabul (em um dos casos, o ataque aéreo matou civis e investigações apontam que não havia explosivos no alvo inicial americano). Não é o mesmo que ter essa presença em solo, mas ao menos mostra que temos alguma capacidade de identificar alvos e atacar quando precisarmos, ainda que de modo impreciso. Então o peso de garantia da segurança recai realmente muito mais sobre o Talebã. Agora, se eles querem ou conseguem fazer isso, é uma outra questão.
BBC News Brasil – Ao partirem, os americanos deixaram para trás uma grande quantidade de armamento militar de ponta. Eles poderiam ter armado grupos, não apenas o próprio Taleban, mas a Al Qaeda e o ISIS-K, e ajudado assim a gerar novas ameaças ao seu próprio território?
Ali – Isso é algo que vimos no Iraque, quando o Estado Islâmico avançou pelo leste da Síria e o oeste do Iraque no verão de 2014 e capturou enormes quantidades de recursos fornecidos pelos EUA, principalmente armas, nos campos de batalha contra as forças de segurança iraquianas, que naquele momento específico, em sua maioria não resistiram e nem lutaram.
O Talebã fez exatamente a mesma campanha agora sem encontrar praticamente nenhuma resistência. E parece que com isso tomaram uma quantidade significativa de armas e equipamentos americanos. Agora, se o Talebã vai manter a posse disso pra si ou transferir silenciosamente para outros grupos que apoia, não acho que alguém saiba a resposta. Outra possibilidade é simplesmente que ao usar essas armas contra o ISIS-K e outros grupos, o Talebã as perca. O modelo do Iraque mostra que “ao vencedor os despojos”, então esses grupos provavelmente assumirão o controle dessas armas. Estamos apenas começando a entender a extensão de como muitos desses recursos estão agora nas mãos de adversários nossos em potencial.
BBC News Brasil – Diferentemente de 20 anos atrás, há hoje uma percepção do governo e da população americana de que as ameaças de ataques domésticos são muito maiores do que as estrangeiras. O que explica essa mudança?
Ali – Nos EUA, passamos por diferentes ondas de terrorismo doméstico, então essa ameaça tem estado no país há mais de 100 anos, mas se manifesta de forma diferente ao longo dos diferentes capítulos da história. Acredito que estamos no meio do que eu chamaria de quinta onda de terrorismo doméstico, que parece diferente, mais intensa. Desde o final dos anos 2000, temos visto mais e mais pessoas aderindo diferentes crenças no que eu batizei de espaço amplo da extrema-direita. Não é um bloco monolítico, não há um único grupo, são diferentes vertentes ideológicas, sejam elas de supremacia branca, neonazista, anti-governo, teorias da conspiração.
Mas eu diria que esse grupo de pessoas é hoje muito grande e provavelmente maior do que até mesmo o contingente de extremistas jihadistas com os quais estávamos preocupados logo após o 11 de Setembro.
E além de ataques de atiradores em grande escala, vimos coisas como uma tentativa de sequestro da governadora de Michigan, pela primeira vez na história dos EUA. Eram ao menos 13 pessoas envolvidas na conspiração, que fizeram tudo que você veria num plano de terrorismo internacional e, felizmente, todos eles foram presos e estão sendo julgados. E apenas alguns meses depois, as divisões políticas em nosso país e as campanhas de desinformação sobre os resultados das eleições levaram a uma insurreição no Capitólio. Algo que não víamos em Washington D.C. havia 200 anos, desde que os britânicos tomaram o Congresso, em uma outra era. Eu diria que a ameaça é alta e permanecerá alta por um longo período de tempo, porque normalmente essas ondas tendem a durar entre 20 e 40 anos.
BBC News Brasil – É razoável imaginar que alguma dessas ameaças possa resultar em um ataque da escala do que vimos em 11 de setembro de 2001 novamente?
Ali – Acho que não, até porque a invasão do Capitólio não foi um ataque organizado por uma célula, foi um movimento muito mais orgânico. A esmagadora maioria de quase 600 pessoas acusadas de participar do ato se enquadram em uma categoria de ação individual, enquanto que apenas cerca de 10% ou 20% ali estavam agindo de forma mais coordenada. Então, por um lado, a partir desse terrorismo doméstico, ver um ataque como o 11 de Setembro é muito remoto, não digo impossível, mas de probabilidade muito baixa.
Já os pequenos ataques cometidos por um único indivíduo com uma arma ou um carro-bomba, esses têm sido muito frequentes nos últimos quatro ou cinco anos, e alguns desses ataques podem matar dezenas de pessoas. Acho que é mais realista pensar em uma ameaça de longo prazo de ataques de menor escala. Mas esses são os mais difíceis de prever, porque indivíduos isolados ou pequenos grupos são mais difíceis de entrar no radar das forças de segurança e precisam apenas de uma oportunidade para realizar seu plano.
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Fonte: G1 Mundo

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Você viu? Discursos em tom golpista no 7 de setembro, recuo de Bolsonaro, confusão em Brasil x Argentina, despedida de Tiago Leifert, casamento com troca de noivo


Uma seleção de reportagens publicadas no G1 com as notícias de 6 a 10 de setembro. Feriado de Independência com protestos. Bloqueio de estradas por caminhoneiros. Recuo de Bolsonaro com ‘declaração à nação’. Mudança no Marco Civil da internet. Revelações no caso dos meninos de Belford Roxo. 20 anos do atentado às Torres Gêmeas. Documentário sobre o assassinato do ex-prefeito de Campinas Toninho do PT. “Dragão azul” em praia de SP. Casamento com troca de noivo. Confusão em clássico Brasil x Argentina. Despedida de Tiago Leifert.
7 de setembro de 2021
199 anos após a Independência do Brasil, a celebração em 2021 foi marcada por atos com pautas inconstitucionais e antidemocráticas. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro foram às ruas ignorando a pandemia de Covid e pedindo a saída de ministros do STF, o fechamento do Congresso e uma intervenção militar. Bolsonaro discursou com mais ameaças golpistas ao STF e, em especial, ao ministro Alexandre de Moraes. Após os atos de 7 de Setembro, Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, fez declaração em vídeo para criticar “arroubos antidemocráticos”.
Bolsonaro discursa como se apoiadores de atos antidemocráticos fossem o povo brasileiro
Pois bem, no dia seguinte, caminhoneiros chegaram a bloquear rodovias com as mesmas reinvindicações. A possibilidade de um caos ainda maior, com risco para desabastecimento, fez o presidente ensaiar um recuo no tom ao divulgar um áudio pedindo que caminhoneiros, seus apoiadores, liberassem as vias (ouça aqui).
O recuo mesmo veio pouco depois, com uma “declaração à nação” na qual Bolsonaro afirmou que nunca teve “intenção de agredir quaisquer dos poderes” e que agiu “no calor do momento”. Bolsonaro chegou, inclusive, a falar com Moraes por telefone, numa ligação intermediada pelo ex-presidente Michel Temer, que viajou para Brasília e agiu como uma espécie de gestor de crise (tema que foi pauta do podcast Papo de Política; ouça aqui).
🔍 Fique de olho nisso: PF localiza Zé Trovão, caminhoneiro foragido, no México
RELEMBRE o que Bolsonaro disse sobre Moraes
OUTRA MUDANÇA DE TOM: Bolsonaro diz que parceria com China é ‘essencial’
Independência da 👑
Falando em Independência do Brasil… Luiz Fux, presidente do STF, mandou retirar a bandeira do Brasil Império hasteada na sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. O hasteamento havia sido determinado pelo presidente do TJ-MS, desembargador Carlos Eduardo Contar, que, mesmo com a decisão de Fux, não sossegou: no dia da Independência, a página da repartição em uma rede social publicou mensagem exaltando período da monarquia.
Publicação do TJ-MS na manhã desta terça-feira (7) exalta “promissor período de estabilidade” da monarquia
Redes Sociais/Reprodução
Marco Civil
Na véspera do protestos antidemocráticos, Bolsonaro editou uma medida provisória que estabelece regras para uso e moderação de redes sociais e limita a remoção de conteúdos. A MP altera o Marco Civil da Internet, lei que funciona quase como uma Constituição para o uso da rede no Brasil. Nesse contexto, é importante lembrar que grandes empresas de tecnologia, como YouTube, Facebook e Twitter, têm atuado na remoção de contas – em grande parte, bolsonaristas – que disseminam fake news.
Para Ronaldo Lemos, advogado especialista em direito digital, a MP é “retrocesso” e “não tem precedente em outros países”. Assista:
Advogado comenta MP que altera Marco Civil da Internet
Anvisa em campo ⚽
“O que tem origem na mentira não pode ter final bom.”
As palavras acima foram ditas por Antônio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa, após o (não) jogo entre Brasil e Argentina pelas eliminatórias da Copa de 2022. Agentes da Polícia Federal e da Anvisa entraram no campo da Neo Química Arena, em São Paulo, para retirar 4 jogadores argentinos que descumpriram a quarentena contra a disseminação da Covid-19. Segundo a Anvisa, Emiliano Martínez, Buendía, Cristian Romero e Giovani Lo Celso, que vivem na Inglaterra, fizeram declarações sanitárias falsas no formulário ao entrar no Brasil.
E detalhe: o jogo já havia começado e estava no minuto 6. Como diz um meme por aí: “feliz deve ter ficado o Lineuzinho de ‘A Grande Família'”. É que no seriado da Globo, Marco Nanini deu vida a um rígido auditor sanitário.
Presidente da Anvisa explica por que jogo entre Brasil e Argentina foi interrompido
O blog do Octavio Guedes teve acesso ao documento oficial da Anvisa sobre a confusão. Ele mostra que um membro da delegação argentina, Fernando Ariel Batista, falsificou informações dos jogadores.
Saúde do rei 👑⚽
Por falar em futebol… Pelé passou por uma cirurgia para remover um tumor no cólon direito. O material retirado foi encaminhado para análise que vai identificar se ele é maligno ou benigno. O Rei do Futebol, que continua internado, disse estar se “sentindo muito bem”. “Vou encarar mais essa partida com um sorriso no rosto, muito otimismo e alegria por viver cercado de amor dos meus familiares e amigos.”
Pelé anuncia que está com tumor no aparelho digestivo em rede social
Linfoma de Hodgkin
“Estou forte, com a cabeça boa”, disse Caio Ribeiro ao revelar que está com câncer. O comentarista esportivo e ex-jogador de futebol foi diagnosticado com um linfoma de Hodgkin. Formado por vasos e gânglios, ele é o responsável por produzir e amadurecer as células de defesa do organismo, além de drenar e filtrar o excesso de líquido do corpo (saiba mais sobre esse tipo de câncer aqui).
VÍDEO: Caio Ribeiro revela que está fazendo tratamento contra o câncer
👋 Despedida de Leifert 📺
Ele apresentou edições históricas do BBB, reformulou o formato do jornal “Globo Esporte” e até substituiu o apresentador Fausto Silva. Mas, depois de duas décadas na Globo, Tiago Leifert decidiu que é hora de se despedir.
“A ideia de parar surgiu no meio do ano passado e venho conversando com calma com a Globo desde então, esperando o momento ideal. […] Saio com a absoluta certeza de que posso me dar esse tempo e de que vou continuar sendo bem-vindo aqui a qualquer momento.”
Tiago Leifert se despede da Globo no ‘The Voice Brasil’
Para Boninho, “esse até breve tem que ser breve” mesmo.
😭 Tatá Wernek, Iza, Ivete Sangalo… Veja mensagens de famosos após o anúncio
Ele disse sim 👨‍❤️‍💋‍👨
Era um casamento com pompas: bebida cara, salmão e camarão no cardápio, decoração fina, socialites entre os presentes e um orçamento de mais de R$ 250 mil. Mas o que fez os convidados arregalarem os olhos foi a aparição repentina do ex, o chefe de cozinha Hugo Oliveira. É que, na véspera da festança, o arquiteto Eder Meneghine rompeu com Dyl Reis, cujo nome estampava o convite. O susto foi tanto que até desmaio rolou na festa. Mas, Eder garante, foi tudo “10 vezes melhor”.
“Na verdade, não é que ele seja o grande amor da minha vida, mas eu descobri naquele momento de dificuldade que eu tinha na figura do Hugo Oliveira o maior amigo e parceiro de toda minha vida. E eu nunca dei pra ele a oportunidade que ele merecia”, disse Eder.
👀 Clique aqui para saber mais detalhes da festança
No vídeo abaixo, veja momento em que o arquiteto anunciou, no altar, a troca de noivo:
Arquiteto do Rio troca de noivo na véspera do casamento e surpreende os convidados
Arrastão de aviões 🛩️🛩️🛩️
O cantor Almir Sater está entre as vítimas de um, digamos, “arrastão” em um aeroporto em Aquidauana (MS). É que sua aeronave estava entre as três roubadas por um grupo de ao menos 18 criminosos, que rendeu um vigia do local e o obrigou a abastecer os veículos. Uma testemunha disse que chegou a escutar barulhos, mas achou que fosse alguma emergência médica e, por isso, não foi verificar.
Aeronaves levadas por bandidos em MS durante a madrugada (6)
Polícia Civil/Divulgação
Cuidado com o 🐊
Olha Aquidauana de novo no noticiário! A ex-BBB Fernanda Keulla quase foi atacada por um jacaré enquanto participava de um “food safary”, tipo de turismo que mistura passeios a lugares exóticos com gastronomia local, na cidade sul-mato-grossense. Apesar do susto, ela garante que está bem.
Vídeo mostra momento em que ex-BBB Fernanda Keulla é atacada por jacaré
🎤 Do gospel ao pop
Após 12 anos e cinco álbuns dedicados ao gospel, Pricilla Alcantara é, agora, uma cantora pop. “Nos últimos quatro anos, eu vim conversando sobre esse assunto com meu público. Desmistificando alguns tabus que a gente da igreja sempre carregou, por conta da religião.” A paulista de 25 anos conversou com o G1 sobre essa nova fase. Dê o play:
Priscilla Alcântara fala sobre sua ‘transição’ da música gospel para o pop
‘Luz do apocalipse’ no México
Os comentários foram em tom de brincadeira, mas a realidade foi de susto. Em Acapulco, no México, durante a passagem de um terremoto, flashes de luz foram vistos no céu. Uma hipótese para explicar o fenômeno é que há atividade elétrica causada pela fricção entre rochas. Neste caso, o flash é resultado do movimento de rochas em camadas do solo, que geram cargas elétricas quando acontecem perto de falhas geológicas da Terra. Assista ao vídeo abaixo para entender:
Luzes surgem durante terremoto no México
‘Dragão Azul’ 🏖️
Conhecido como dragão azul, o molusco Glaucus atlanticus surpreendeu banhistas ao, digamos, dar “as caras” em uma praia de Bertioga (SP). Tímido, o dragão azul não é muito de aparecer mesmo e só foi visto porque encalhou. Apesar de não ser venenoso, ele é capaz de soltar uma toxina que pode queimar a pele de quem tocá-lo.
‘Dragão Azul’ comedor de ‘caravelas portuguesas’ faz aparição rara em praia de SP
Novo Código Eleitoral
A Câmara aprovou o texto-base do novo Código Eleitoral, que propõe uma ampla mudança nas regras para partidos e para as eleições, mas ainda faltam ser votados destaques do texto (sugestões de alteração no projeto). Depois, para virar lei, precisa ser aprovado também no Senado. As mudanças só valerão para as eleições do ano que vem se passar pelo Congresso e for sancionada até um ano antes do pleito. Clique aqui para entender 15 pontos da proposta.
Câmara aprova texto-base do novo Código Eleitoral
TikTok x YouTube
Nessa disputa, pelo menos por ora, a rede social chinesa queridinha dos mais novos está na frente. Segundo relatório da consultoria AppAnnie, americanos e britânicos que usam o TikTok no Android passam mais tempo assistindo vídeos do aplicativo na comparação com aqueles que usam o YouTube. E ai, qual você prefere?
Adeus a Dudu Braga
“Ele é meu ídolo”, disse Roberto Carlos em entrevista ao “Fantástico” em 2013. O cantor se referia ao filho Dudu Braga, publicitário, jornalista, radialista e produtor musical. Dudu, que nasceu com glaucoma e perdeu a visão aos 23 anos, morreu ao 52, vítima de câncer no peritônio, membrana que envolve a parede abdominal.
📸 Veja fotos de Dudu com a família
Relembre momento de Roberto Carlos com o filho Dudu Braga
11 de setembro de 2001
Duas décadas após o ataque terrorista ao World Trade Center, nos EUA, é comum as pessoas se lembrarem sobre o que faziam quando souberam do acontecido. Vale ressaltar: em 11 de setembro de 2001, a internet ainda engatinhava e as redes sociais não eram populares. O então presidente do país, George W. Bush, estava numa escola infantil quando foi avisado do atentado por um secretário. A imagem de Andrew Card falando no ouvido de Bush se tornou icônica.
Registro do momento exato em que o então presidente George W. Bush foi informado do segudno avião que atingiu o WTC
Doug Mills/AP
“A América está sendo atacada. E eu estou olhando uma criança lendo. […] E eu conseguia ver o horror na cara dos jornalistas que acabavam de receber a mesma notícia”, disse Bush.
Clique aqui para ler sobre como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o diplomata Celso Lafer, os jornalistas Jorge Pontual e Sandra Cohen, e a atriz Luiza Brunet souberam dos ataques.
Veja imagens do ‘Marco Zero’ em Nova York antes, durante e após ataque às torres gêmeas
Assassinato do Toninho do PT
Exatamente na véspera do ataque nos EUA, o então prefeito de Campinas, Antonio da Costa Santos, conhecido como Toninho do PT, foi assassinado quando saía de um shopping. Um crime até hoje nunca esclarecido. Produzido pelo G1, o documentário “Toninho 20 anos: a verdade é demais para nós?” traz à tona documentos sob sigilo que contradizem versões oficiais e revelam a falta de estrutura da polícia para investigações. Assista:
Toninho 20 anos: a verdade é demais para nós?
Crise em alto mar 🌊
O retorno das atividades comerciais após meses de paralisação devido à pandemia da Covid-19 veio mais forte do que o translado de mercadorias por contêineres e navios estava preparado para suprir. O resultado? Aumento no preço dos fretes e nos prazos para a exportação e importação de produtos. No infográfico abaixo, veja como tempo de espera subiu:
Veja o tempo de espera nos portos mais movimentados do mundo
Kayan Albertin / G1 Arte
Setembro Amarelo 🟡
O nono mês do ano é dedicado à prevenção ao suicídio (e a cor que representa essa iniciativa é o amarelo). Apesar dos mitos envolvendo o tema, a prevenção tem avançado. Abaixo, veja mitos comuns sobre o suicídio:
❌ ‘Quem fala não faz’ – Não é verdade. Muitas vezes, a pessoa que diz isso não tem o intuito de “chamar a atenção”, mas apenas dar um último sinal para pedir ajuda. E aviso deve ser levado a sério.
❌ ‘Não se deve perguntar se a pessoa vai se matar’ – É importante, caso a pessoa esteja com sintomas da depressão, ter uma conversa para entender o que se passa e ajudar. Não tocar no assunto só piora a situação.
❌ ‘Só os depressivos clássicos se matam’ – Não. Existe, sim, o depressivo mais conhecido, que não consegue levantar nem da cama. Mas outras reações podem ser previsões de um comportamento suicida, como alta agressividade e nível extremo de impulsividade.
❌ ‘Quando a pessoa tenta uma vez, tenta sempre’ – A maior parte dos pacientes que levam a sério o tratamento com medicamentos e terapia não chegam a tentar se matar uma segunda vez. O importante é buscar ajuda.
A redação nota mil vem
Não é fácil, mas também não é impossível. Tirar nota mil na redação do Enem exige estudo, preparação, leitura e muito treino. Nesse preparo, também é importante ouvir quem conseguiu. Por isso, o G1 convidou dois jovens que conseguiram o feito para uma live no YouTube. O programa também teve participação de Marcelle Pimentel, professora de linguagens do SAS Educação. Dê o play no vídeo abaixo para assistir à gravação:
🔔 E não perca: na próxima quinta-feira, às 14 horas, a repórter Luiza Tenente estará de volta para uma nova live. Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nada.
Meninos de Belford Roxo
Os três meninos que desapareceram em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, foram assassinados por traficantes da favela Castelar por causa do furto de passarinhos. Essa foi a conclusão da Polícia Civil após quase nove meses de investigação. Até hoje, os corpos não foram encontrados. O secretário de Polícia Civil, Allan Turnowski, disse que o chefe do tráfico foi executado como queima de arquivo após a polícia avançar na investigação. Os autores do crime teriam pedido autorização a ele para matar quem roubou os passarinhos, mas não teriam dito que eram crianças.
Meninos desaparecidos em Belford Roxo foram mortos por traficantes
Revolta de mãe
“Tu tá satisfeito agora? O que te falta em casa? Agora tu vai sentir na tua pele. Tu vai aprender o que é sofrimento. […] Eu fico me matando de trabalhar para não te faltar nada e tu envergonha a gente desse jeito.”
As duras palavras foram ditas pela mãe de um jovem preso em flagrante com um simulacro de arma de fogo em um posto de combustíveis de Teresina (PI). A mulher, que trabalha como diarista, já teve um filho assassinado por engano.
Mãe se revolta ao ver filho preso e algemado: ‘tá satisfeito agora? O que te falta em casa
Inflação
A inflação acumulada este ano até agosto chegou a 5,67% – a maior taxa para o mês desde 2015, segundo dados do IBGE. Alguns itens, no entanto, subiram muito acima dessa taxa. Entre eles, os combustíveis e alguns alimentos. Veja os 10 itens que mais subiram no acumulado do ano (e clique aqui para ver a lista completa):
Pepino: 78,51%
Abobrinha: 72,90%
Pimentão: 58,18%
Etanol: 40,75%
Revista: 34,72%
Gasolina: 31,09%
Gás veicular: 30,12%
Óleo diesel: 28,02%
Açúcar refinado: 27,11%
Fubá de milho: 25,05%
Saúde e aquecimento global
Cientistas de várias partes do mundo alertaram, em um editorial publicado em mais de 200 revistas científicas, que o fracasso de líderes mundiais em limitar o aquecimento do planeta é “a maior ameaça à saúde global” existente hoje. Os pesquisadores listam os seguintes problemas de saúde como alguns dos que tendem a piorar com o aquecimento da Terra:
mortalidade relacionada ao calor entre pessoas com mais de 65 anos
desidratação
perda da função renal
doenças dermatológicas
infecções tropicais
resultados adversos para a saúde mental
complicações na gravidez
alergias
morbidade e mortalidade cardiovascular e pulmonar
Complicações após cirurgia
Josy Oliveira, que participou do BBB 9, morreu aos 43 anos após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) durante uma cirurgia para tratar de um aneurisma diagnosticado no final de 2020.
Ex-BBB 9, Josy Oliveira morre aos 43 anos em São Paulo
Injustiça
Formado pela PUC-Rio, com especialização no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, o cientista de dados Raoni Lázaro Barbosa conquistou um emprego dos sonhos, na multinacional IBM, há cerca de um ano. No fim de agosto, sua vida virou do avesso: baseado num reconhecimento feito por foto por testemunha, prática que não é prevista em lei brasileira, Raony foi preso por engano confundido com o miliciano Raony Ferreira dos Santos, o Gago. Preso por 23 dias, Raony diz que em nenhum momento algum foi ouvido pela polícia.
“Achei que fosse um sequestro ou alguma coisa do tipo”, disse.
Raoni Lázaro Barbosa
Reprodução/TV Globo
Violência doméstica
Bruna Quirino tinha 37 anos, 25,4 mil seguidores no Instagram e produzia conteúdos de moda e beleza. Jovem, bonita e com uma carreira promissora, foi assassinada pelo marido a facadas, em Valinhos (SP). A filho do casal também foi agredida, mas conseguiu escapar. O homem se matou após o crime.
Influenciadora digital é morta a facadas pelo marido em SP
Fóssil contrabandeado
O museu onde o fóssil do Ubirajara jubatus está depositado, na Alemanha, se negou a devolver o fóssil originado da Bacia do Araripe, no Sul do Ceará, e de onde foi contrabandeado. Quem diz isso é a Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP). Já um representante do museu alemão afirma que o fóssil é parte legal da coleção científica da instituição, não devendo ser devolvido ao Brasil.
Material fóssil do Ubirajara jubatus foi originado da Bacia do Araripe, no Sul do Ceará
Divulgação
Vacina salva
Diagnostica com Covid, a cantora Marília Mendonça está tranquila quanto ao seu processo de recuperação. E inclusive reforçou a importância da vacina, já que está sentido sintomas leves. “Graças a Deus, já tinha tomado a primeira dose e eu tenho certeza absoluta que isso influenciou muito pra meu caso passar praticamente despercebido.”
Marília Mendonça testa positivo para Covid-19 e fala sobre importância de vacinação
Assalto em Araçatuba
Paulo César Gabrir, suspeito de financiar o mega-assalto em Araçatuba (SP) no fim de agosto, tem passagens pela polícia por tráfico de drogas e homicídio em Sorocaba (SP). Inclusive, segundo a polícia, ele participou do assassinato de um policial militar em 2014. O homem chegou a ser preso após dizer, informalmente, que a logística do ataque a bancos custou R$ 600 mil, mas foi solto pouco depois após passar por audiência de custódia. De acordo com o Tribunal de Justiça, não havia nenhum indício que o vinculasse ao caso de Araçatuba.
Terror em Araçatuba: saiba como foi o mega-assalto a agências bancárias

Fonte: G1 Mundo

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Conheça a história de Osama bin Laden e da Al-Qaeda antes e depois do 11 de setembro


Filho do maior empreiteiro da Arábia Saudita se tornou um grande arrecadador de dinheiro para financiar a luta dos afegãos contra os soviéticos. Lá, em 1988, ele fundou a ‘Al Qaeda’ (a base, em árabe), a organização terrorista que mudou a história. Imagem de 2016 em que egípcios mostram pôster com foto de Osama bin Laden na Praça Tahrir, no Cairo. Os escritos dizem: ‘Que Deus tenha piedade da alma do sheik Osama bin Laden. Esperem por mais reações nocivas de nós’
Asmaa Waguih/Reuters
Osama bin Laden passou os últimos cinco anos de sua vida no imóvel onde foi morto, em Abbottabad, no Paquistão, com sua família.
Os militares americanos que invadiram o local e mataram o terrorista encontraram documentos e cartas escritas pelo próprio bin Laden e por seus familiares.
Esses textos ajudam a entender como foi o período final de sua vida.
Logo após os ataques do 11 de setembro de 2001 suspeitou-se que Osama bin Laden e a organização que ele havia fundado no fim dos anos 1980, a Al-Qaeda, estavam por trás dos atentados.
No dia 12 de setembro de 2001, havia evidências de que os sequestradores eram ligados a bin Laden. Encontrar o terrorista virou uma prioridade para os Estados Unidos.
Torres Gêmeas em ataque de 11 de Setembro de 2001
(Foto: AP)
Mesmo antes dos ataques, os americanos já procuravam o líder da Al-Qaeda, pois a organização havia feito outros atentados contra os americanos: em 2000, bombardeou um navio americano no Iêmen, e em 1998, atacou duas embaixadas dos EUA na África (no Quênia e na Tanzânia).
Os militares americanos tentaram matar bin Laden em agosto de 1998, quando bombardearam, com mais de 70 mísseis, os campos de treinamento da Al-Qaeda no Afeganistão. O líder terrorista conseguiu fugir —não era a primeira vez que ele escapava de um ataque de uma superpotência e não seria a última.
Morte de Osama Bin Laden (vídeo de 2011)
Bin Laden antes do 11 de setembro
O pai de Osama bin Laden, Mohammed bin Awahd bin Laden, nasceu no Iêmen. No começo da década de 1930, ele deixou o país e foi morar na Arábia Saudita.
Nessa época, o reino saudita era um país pobre, que vivia do turismo de muçulmanos que visitavam as cidades sagradas de Meca e Medina. Isso mudou a partir de 1931, quando foi encontrado petróleo no país.
Na década de 1950, a Arábia Saudita era um outro país, vivia da riqueza do petróleo explorado por companhias estrangeiras.
O rei saudita pressionou essas empresas estrangeiras a contratar construtoras locais. Mohammed bin Laden foi um dos que conseguiram trabalhar para as empresas petrolíferas e, assim, tornou-se o maior empreiteiro da Arábia Saudita.
Foto de 2017 mostra grafite com bandeira da Al-Qaeda em muro de escola convertida em centro religioso no Iêmen
Arquivo/AP Photo
Osama nasceu em Riad, em 1958. Acredita-se que seu pai teve outros 54 filhos. Mohammed morreu em um acidente de avião em 1967. O curador que ficou responsável pelos filhos de Mohammed mandou vários deles estudarem no Líbano, menos Osama, que era tido como o mais provinciano de todos os irmãos.
Ele estudou em uma escola em Jidá e, no ginásio, entrou para a Irmandade Muçulmana. Em 1976, entrou na faculdade de economia, mas, na prática, ele se preocupava com assuntos da irmandade.
Bin Laden conseguiu um emprego na empresa da família e começou a trabalhar na construção de estradas.
Quando estava na faculdade, Bin Laden começou a se aproximar dos livros de um muçulmano radical, Sayyid Qutb, que havia vivido nos Estados Unidos e começou a defender uma jihad violenta.
Apesar de a tradução de jihad ser algo como “a luta”, a palavra é empregada para se referir ao esforço para viver de acordo com as regras do Islã, e não é um sinônimo de violência.
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No fim da década de 1970, a União Soviética invadiu o Afeganistão.
Bin Laden foi um dos muçulmanos que resolveram ir ao país que ele mal conhecia para ajudar na luta contra os soviéticos. Há registros de que ele passou pelo Afeganistão em 1984.
Como ele conhecia a família real saudita e era de um clã rico do Oriente Médio, começou a arrecadar dinheiro para os afegãos que lutavam contra os soviéticos.
Ele passava muito tempo nas cidades do Paquistão onde exilados afegãos se organizavam.
Com o dinheiro que arrecadava, ele mantinha um contingente de árabes que, como ele, queriam se envolver com a luta no Afeganistão.
Tropa soviética durante a Guerra do Afeganistão, em foto de 1988
Andrew/Sputnik via AFP/Arquivo
Em 1986, ele levou sua família para Peshawar, uma cidade paquistanesa perto do Afeganistão.
Bin Laden passou a viver em acampamentos em uma região de Tora Bora, nas montanhas do Afeganistão. Lá, ele construiu um local que chamava de Maasada (o nome Osama significa leão, e Maasada é a cova do leão).
Maasada, ao longo dos anos, foi transformada em um centro de treinamento sofisticado.
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Os soviéticos chegaram a atacar o complexo, mas bin Laden e os estrangeiros que lutavam na região conseguiram afastar os soldados da União Soviética, que eram mais numerosos (isso contribuiu para a fama de bin Laden entre os jihadistas).
No fim dos anos 1980, ainda envolvido em batalhas contra os soviéticos, bin Laden deixou de querer apenas apoiar o Afeganistão e começou a pensar em uma força de árabes que iriam defender causas muçulmanas pelo mundo.
No Paquistão, ele conheceu o médico egípcio Ayman al Zawahiri.
Zawahiri também tinha sido influenciado por Sayyid Qutb e também coordenava uma rede de muçulmanos radicalizados. Os recrutas de Zawahiri eram mais sofisticados do que os guerrilheiros que bin Laden mantinha no Afeganistão.
Para os dois, o Ocidente havia cometido crimes contra o Islã.
Em agosto de 1988, quando a União Soviética já estava deixando o Afeganistão, a Al-Qaeda (“A Base”, em árabe) foi fundada.
Os EUA como inimigos
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Nos anos seguintes, a Al-Qaeda começou a recrutar pessoas, inicialmente no Afeganistão. Os novos membros recebiam dinheiro e eram instruídos a se despedir de suas famílias.
Eles recebiam até um plano de seguro saúde, segundo diz o autor Lawrence Wright, no livro O Vulto das Torres.
Aos 31, bin Laden estava à frente de um exército de muçulmanos. Em 1989, ele voltou à Arábia Saudita e ao trabalho na empreiteira da família.
Na Arábia Saudita, começou a atacar os países do Ocidente e os Estados Unidos —ele afirmava que os árabes haviam sido derrotados e humilhados pelos ocidentais. Inicialmente, ele pregava um boicote econômico aos EUA.
Nessa época, a Al-Qaeda chegou a fazer ataques no Iêmen —os alvos eram principalmente líderes socialistas. Bin Laden também se propôs a atacar o Iraque, que tinha um poderoso exército na época. Ele tentava influenciar a política da Arábia Saudita na região, mas era repelido pela família real, que não se interessava pelas possíveis contribuições de Osama.
Bin Laden começou a se desentender cada vez mais com os líderes sauditas e, em 1992, voltou ao Paquistão.
De lá, ele foi morar no Sudão, onde, como seu pai, construiu estradas.
Foi em 1992, quando bin Laden estava no Sudão, que a organização decidiu que não iria mais combater exércitos, mas, sim, ter civis como alvos. Como os americanos eram os membros da única superpotência que poderia evitar a restauração de um califado islâmico, como desejavam os dirigentes, do grupo, o também decidiu atacar os EUA.
Ainda havia soldados americanos na Arábia Saudita por causa da primeira guerra dos EUA contra o Iraque, e bin Laden intensificou suas críticas contra Washington.
As pessoas que chegavam ao Sudão para se filiarem ao grupo era tratadas como uma espécie de “trainees de terrorismo”. Ele oferecia armas e treinamento (bin Laden tinha conseguido trazer armas de Tora Bora, no Afeganistão).
Os funcionários das empresas de bin Laden que pertenciam à Al-Qaeda também ganhavam bônus. No entanto, a partir de 1994, ele começou a ter problemas no negócio, especialmente com a inflação no Sudão.
Os EUA enxergavam bin Laden como um milionário incômodo. Os americanos pressionaram o governo do Sudão para expulsá-lo do país.
Bin Laden voltou ao Afeganistão, que estava prestes a ser tomado pelo Talibã.
A Al-Qaeda e o Talibã não se conheciam. O líder do Talibã, o mulá Omar, mandou uma comitiva para saudar bin Laden nas cavernas de Tora Bora. Os talibãs aceitaram proteger o líder terrorista e a Al-Qaeda.
Em fevereiro de 1998, Osama bin Laden e Ayman al Zawahiri endossaram uma fatwa publicada em um jornal árabe que afirmava que os muçulmanos deveriam matar americanos – incluindo civis – em qualquer lugar onde pudessem ser encontrados.
Muçulmanos do mundo inteiro foram ao Afeganistão para se tornarem recrutas da Al-Qaeda.
Em agosto daquele ano, em uma ação coordenada, houve uma explosão nas embaixadas americanas em Dar es Salaam, na Tanzânia, e em Nairobi, no Quênia.
Bin Laden virou um dos terroristas mais procurados pelos EUA.
Antes dos atentados em 2001, Osama bin Laden já estava na lista dos 10 criminosos mais procurados pelos Estados Unidos. Em cartaz do FBI, líder da al-Qaeda é procurado por envolvimento em atentados contra embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia
AP
O 11 de setembro e a fuga do Afeganistão
Osama bin Laden dizia que os EUA eram fracos, um país que parecia ser ameaçador, mas era ineficiente em suas guerras. Foi com essa premissa que ele atacou os americanos.
Os atentados de 11 de setembro foram planejados por Khalid Sheikh Mohammed, um membro da Al-Qaeda.
Em poucos dias, os EUA decretaram a guerra contra o terror e invadiram o Afeganistão.
Em outubro de 2001, um vídeo de bin Laden foi divulgado pela Al Jazeera. Ele dizia que os ataques dividiram o mundo entre dois lados, o dos crentes e o dos infiéis. Em conversas após os ataques, ele chegou a dizer que por ter trabalhado com construção civil, imaginava que a explosão causada pelo impacto dos aviões iria esquentar o aço dos prédios a uma temperatura que faria os edifícios desmoronar.
Khalid Sheikh Mohammed em foto de arquivo
Reuters
Os militares dos EUA ainda estavam nas cidades do Afeganistão quando a Al-Qaeda começou a se preparar em Tora Bora.
Os EUA começaram a bombardear a região.
De cerca de 1.900 membros da organização na época, cerca de 1.600 foram mortos.
Bin Laden chegou a escrever um testamento nessa época. No texto, dizia que os ataques aos EUA marcavam o início da eliminação dos EUA e do Ocidente infiel.
Segundo avião atinge a torre sul do WTC nos ataques coordenados
The New York Times
No entanto, em dezembro de 2001, ele conseguiu fugir de Tora Bora e do Afeganistão.
A Al-Qaeda após a resposta dos americanos
Durante alguns anos após o 11 de setembro, a organização exercia um poder de atração em muçulmanos radicais que odiavam o Ocidente, diz Andre Luis Woloszyn, autor do livro “Guerra nas Sombras”.
A organização foi responsável por ataques terroristas em Istambul (2003), Madri (2004) e Londres (2005).
Imagem exibida pela emissora de TV Al-Jazeera em 5 de outubro de 2001 mostra Osama Bin Laden ao lado do egípcio Ayman al-Zawahri
Al-Jazeera via APTN
A organização começou a afiliar grupos por outros países. Só que, diferentemente do primeiro momento, quando ela tinha uma base, contratava pessoas a quem dava treinamento, ela começou a atuar em uma “guerra híbrida”, diz João Fiuza, pesquisador da USP que fez um mestrado sobre os conflitos no Oriente Médio e o surgimento do Estado Islâmico do Iraque e da Síria.
“A Al-Qaeda passou a se tornar uma insurgência, pessoas que não têm quartéis ou unidades formadas, mas sim, pequenas unidades pulverizadas —não só no Afeganistão, mas em diversos países”, diz ele.
O próprio Estado Islâmico começou como o braço da Al-Qaeda no Iraque, mas há outras organizações que, ao menos em algum momento, tiveram alguma filiação com o grupo de bin Laden, como o Al Shabaab e o Boko Haram.
No entanto, a entidade que passou a exercer mais atração em radicais que odeiam o Ocidente passou a ser o Estado Islâmico, afirma Woloszyn.
“Os mecanismos de doutrinação são outros, eles usam mais a internet. E os militantes não estão muito preocupados em estarem bem treinados: são atentados de baixa intensidade, executados com o que eles têm à mão, seja uma faca, um caminhão” diz ele.
Bin Laden continuou a dar as cartas na Al-Qaeda mesmo após os EUA ocuparem o Afeganistão, diz Peter Bergen em seu livro “The Rise and Fall of Osama bin Laden”.
Por exemplo, a Al-Qaeda na Península Arábica quis nomear um clérigo como o líder, mas bin Laden vetou; a Al-Qaeda no Iêmen quis declarar um estado islâmico no país, mas o fundador do grupo afirmou que ainda não era o momento; o Al Shabaab, do leste da África, se identificava como parte da Al-Qaeda, mas bin Laden mandou eles pararem (e assim aconteceu).
Vida no Paquistão
A casa onde ele foi morto fica perto de um centro de treinamento da elite militar do Paquistão.
Nos textos encontrados na casa dele após sua morte, não há nada que confirme que ele tenha recebido proteção dos paquistaneses.
Havia até mesmo planos para atacar os militares paquistaneses. Os líderes da Al-Qaeda chegaram a conversar sobre um possível acordo com os serviços de inteligência do país, mas isso não foi para a frente.
Segundo Bergen, ainda havia relações com o Talibã no Afeganistão. Em 2010, a Al-Qaeda chegou a sequestrar um diplomata afegão no Paquistão e conseguiu um resgate de US$ 5 milhões —uma parte desse dinheiro foi para o Talibã.
Uma dupla de seguranças fazia as compras da casa e era responsável por levar os recados do líder para o mundo.
Ele foi morto por militares americanos em 2 de maio de 2011.
Al-Qaeda após Osama bin Laden
Zawahiri é visto em outro vídeo divulgado pela al-Qaeda no início de outubro de 2016
AFP
O líder do grupo hoje é Aiman al-Zawahiri, o médico egípcio que bin Laden conheceu no Paquistão no fim dos anos 1980.
Em um relatório recente da Organização das Nações Unidas afirma-se que ele deve estar em algum lugar na região de fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão. Houve relatos de que Zawahiri teria morrido de causas naturais, mas isso não foi confirmado.
O relatório da ONU afirma que, apesar de o Talibã ter dito que não vai dar proteção para a Al-Qaeda, o grupo terrorista ainda está presente no Afeganistão, que foi recentemente retomado pelos talibãs.
A Al-Qaeda está presente em ao menos 15 províncias afegãs, no leste, sul e sudeste do país, diz o relatório.
A retomada do Afeganistão pelo Talibã é o maior incentivo para a Al-Qaeda desde o 11 de setembro, disse à revista “New Yorker” Rita Katz, diretora-executiva do Site Intelligence Group, organização que monitora extremistas.
O consenso, segundo ela, é que a organização terrorista, agora, pode voltar a investir no país como um local seguro. Para Katz, a retomada foi uma bênção para a Al-Qaeda e suas franquias. Militantes islâmicos jihadistas de todo o mundo vão pensar em ir para lá, afirma ela.
INFOGRAFIA — ‘Marco Zero’ do 11 de Setembro antes, durante e depois dos ataques
Juan Silva/G1
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Fonte: G1 Mundo