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Polícia de Hong Kong faz buscas em museu sobre o massacre da Praça da Paz Celestial


Massacre da Praça da Paz Celestial (Tiananmen) deixou centenas de mortos em Pequim, capital da China, em 1989. Operação ocorre um dia após a prisão de 4 pessoas que administram o local. Policiais do Departamento de Segurança Nacional levam itens apreendidos após operação no museu de 4 de junho na cidade de Hong Kong em 9 de setembro de 2021. Museu, que estava fechado, é dedicado ao massacre da Praça da Paz Celestial de Pequim (Tiananmen), de 1989, que deixou centenas de mortos.
Isaac Lawrence/AFP
A polícia de Hong Kong fez buscas e apreensões nesta quinta-feira (9) em um museu que relembra o massacre da Praça da Paz Celestial (Tiananmen), que deixou centenas de mortos em Pequim, capital da China, em 1989.
A repressão sangrenta do governo chinês a manifestantes ocorreu no dia 4 de junho, data que dá o nome do museu e é comemorada todos os anos em Hong Kong. Mas a China tem ampliado cada vez mais a repressão à cidade semiautônoma.
Policiais retiraram documentos e materiais do Museu 4 de Junho, que atualmente está fechado, em uma operação que ocorre um dia após a detenção de quatro membros da Aliança de Hong Kong, grupo que administra o local.
Relembre, no vídeo abaixo, o que foi o massacre da Praça da Paz Celestial, assunto que ainda é proibido na China após mais de três décadas:
Após 30 anos do Massacre da Praça da Paz Celestial, assunto ainda é proibido na China
Entre os objetos apreendidos estão uma grande insígnia do museu, uma maquete de papel da deusa da Democracia (um símbolo do movimento estudantil de 1989 em Pequim) e imagens das vigílias anuais organizadas pela associação que administra o museu.
As buscas e apreensões tiveram como base a Lei de Segurança Nacional, que foi imposta pela China a Hong Kong em 2020, para eliminar qualquer tipo de oposição ao regime chinês e reprimir os grupos pró-democracia que promoveram manifestações gigantescas em 2019 (veja mais abaixo).
Advogada e vice-presidente da associação, Chow Hang-tung e mais três associados foram presos por não fornecer informações relacionadas à lei.
Em agosto, a polícia ordenou à Aliança que entregasse informações financeiras e operacionais do grupo, acusando-o de ser “um agente estrangeiro”, mas a solicitação foi ignorada.
Policial do Departamento de Segurança Nacional tira placa do museu de 4 de junho, dedicado ao massacre da Praça da Paz Celestial de Pequim de 1989, na cidade de Hong Kong, em 9 de setembro de 2021
Isaac Lawrence/AFP
Lei de Segurança Nacional
Hong Kong foi um território britânico até 1997, quando o Reino Unido assinou um acordo para devolvê-lo à China. Ele previa, no entanto, a preservação da autonomia da região.
Mas isso tem sido cada vez mais desrespeitado pelo governo comunista chinês, sobretudo após os protestos de 2018 por mais liberdade política e menos intervenção chinesa em Hong Kong.
A lei de segurança nacional foi aprovada em 2020, sem passar pelo parlamento de Hong Kong, e foi incorporada à “Lei Fundamental” do território, que serve desde 1997 como uma “mini-Constituição”.
Ela criminaliza grande parte da oposição ao regime chinês e dá às autoridades locais amplos poderes de investigação, além de permitir que as pessoas possam ser condenadas à prisão perpétua.
A lei visa reprimir o “separatismo”, o “terrorismo”, a “subversão” e o “conluio com forças externas e estrangeiras”, e dezenas de pessoas já foram detidas, inclusive alguns dos ativistas pró-democracia mais conhecidos da cidade. Alguns fugiram para o exterior.
A China afirma que a lei é necessária para devolver a estabilidade a Hong Kong, mas os críticos — incluindo vários países ocidentais — dizem que ela enterrou a promessa chinesa de que a cidade permaneceria com certas liberdades e autonomia após a sua devolução em 1997.
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Fonte: G1 Mundo

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Elizabeth Holmes: como jovem bilionária apelidada de ‘novo Steve Jobs’ caiu em desgraça


Em 2014, empreendedora americana, então com 30 anos, ocupava as manchetes por ter fundado startup avaliada em US$ 9 bilhões com promessa de revolucionar diagnóstico de doenças — mas tudo não passava de uma farsa. Em 2014, Holmes ocupava as manchetes por ter fundado startup avaliada em US$ 9 bilhões com promessa de revolucionar diagnóstico de doenças
Getty Images via BBC
“A mais jovem bilionária self-made do mundo”, estampou a revista americana Forbes em sua capa. A próxima “Steve Jobs”, descreveu outra publicação do ramo de negócios.
Em 2014, Elizabeth Holmes, então com 30 anos, ocupava as manchetes da imprensa americana.
Após abandonar a Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, ela fundou uma empresa avaliada em US$ 9 bilhões, supostamente revolucionando o diagnóstico de doenças.
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Empresa que ‘revolucionaria’ exames de sangue é acusada de fraude
Forbes reduz fortuna de bilionária para praticamente nada
Com apenas algumas gotas de sangue, o teste Edison da empresa Theranos prometia detectar rapidamente doenças como câncer e diabetes, sem a necessidade de agulhas.
Figurões do mercado como Henry Kissinger e Rupert Murdoch foram alguns dos que investiram na startup.
Mas em 2015 os primeiros sinais de que algo estava errado começaram a aparecer e, um ano depois, descobriu-se que a ideia de Holmes era falsa. A tecnologia que ela promovia não funcionava como esperado.
Em 2018, a empresa fundada por Holmes decretou falência.
Hoje, Holmes, aos 37 anos, pode pegar até 20 anos de prisão se condenada por todas as 12 acusações de fraude que enfrenta. Ela nunca antes contou seu lado da história.
Magnata da mídia Rupert Murdoch perdeu US$ 165 milhões ao investir na Theranos
Reuters
Seu julgamento, que começa este mês — EUA vs. Elizabeth Holmes, et al — será acompanhado de perto. A expectativa é que ela se declare inocente.
E em uma reviravolta no caso, seus advogados devem argumentar que seu ex-namorado e parceiro de negócios, Ramesh “Sunny” Balwani, abusou sexualmente dela e a controlou emocionalmente na hora dos supostos crimes, minando seu estado mental, segundo informou a imprensa americana.
Balwani, de 56 anos, que enfrenta as mesmas acusações de fraude, classificou as acusações de “ultrajantes”.
Caberá ao júri decidir como julgar uma pessoa que enganou de estadistas a grandes investidores.
Pressão desde o início
Apesar de ser o assunto de um livro, um documentário da HBO e uma série de TV e filme, ainda não está claro por que Holmes se arriscou tanto com uma tecnologia que sabia que não funcionava.
Ela cresceu em uma família rica em Washington D.C., capital dos EUA, e foi uma criança educada, mas introvertida, de acordo com pessoas próximas.
O empresário Richard Fuisz, de 81 anos, especula que deve ter havido uma pressão imensa sobre ela para ter sucesso.
Sua família morou ao lado da casa de Holmes por anos, mas eles se desentenderam quando Theranos o processou por causa de uma disputa de patente em 2011 (que foi resolvida na Justiça mais tarde).
Os pais de Holmes foram, em grande parte da carreira, funcionários no Capitólio (centro legislativo dos EUA), mas sempre “se interessaram por status” e “viviam para fazer networking”, disse Fuisz à BBC.
Seu trisavô paterno fundou a Fleischmann’s Yeast, que revolucionou a indústria de pão nos Estados Unidos, e a família era muito consciente de suas origens, acrescentou.
Aos nove anos, a jovem Elizabeth escreveu uma carta ao pai declarando que “o que ela realmente queria da vida era descobrir algo novo, algo que a humanidade não sabia que era possível fazer”.
Quando foi estudar Engenharia Química na Universidade de Stanford, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos, em 2002, Holmes teve a ideia de criar um adesivo que pudesse fazer uma varredura do paciente em busca de infecções e, com isso, liberar antibióticos conforme necessário.
Aos 18, já mostrava uma intransigência que, aparentemente, continuaria impulsionando a empresa que fundou no ano seguinte.
Phyllis Gardner, professora de Farmacologia Clínica na Universidade de Stanford, lembra-se de ter conversado com Holmes sobre sua ideia e de ter-lhe dito que ela “não funcionaria”.
“Ela apenas olhou para mim, mas era como se não me visse”, disse Gardner à BBC. “Elizabeth parecia absolutamente certa de seu próprio brilho. Ela não estava interessada em minha experiência e foi uma situação desconcertante.”
Ascensão meteórica
Meses depois, aos 19 anos, Holmes abandonou Stanford e fundou a Theranos, com a promessa aparentemente revolucionária de testar sangue com uma simples picada no dedo.
Muitas pessoas poderosas foram cativadas pela ideia e investiram na empresa sem se preocupar em observar seu balanço.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, George Schultz, o general condecorado dos fuzileiros navais James Mattis (que mais tarde serviu na administração Trump), e a família mais rica da América, os Waltons (donos da rede de supermercados Walmart) foram alguns dos nomes que lhe deram apoio.
Isso ajudou a consolidar a reputação de Holmes. Mas a maneira como ela se comportava também teve papel importante nesse contexto.
“Sabia que ela tinha essa ideia brilhante e que havia conseguido convencer todos esses investidores e cientistas”, disse Jeffrey Flier, ex-reitor da Escola de Medicina da Universidade de Harvard, que se encontrou com Holmes para um almoço em 2015.
“Ela estava segura de si mesma, mas quando lhe fiz várias perguntas sobre sua tecnologia, parecia não entender”, acrescenta Flier, que nunca avaliou formalmente o invento de Holmes.
“Pareceu-me um pouco estranho, mas não saí pensando que se tratava de uma fraude.”
Flier acabou convidando-a para ingressar no Conselho de Acadêmicos da Faculdade de Medicina, algo que lamenta, embora Holmes tenha sido afastada do cargo quando o escândalo estourou.
Resultados não confiáveis
Tudo começou a desmoronar em 2015, quando um informante levantou preocupações sobre o carro-chefe da Theranos, o dispositivo de teste Edison.
Em uma série de reportagens, o jornal americano Wall Street Journal mostrou que os resultados não eram confiáveis ​​e que a empresa vinha usando máquinas disponíveis comercialmente, produzidas por outros fabricantes, para viabilizar a maioria de seus testes.
Os processos se acumularam, os parceiros cortaram relações e, em 2016, os reguladores dos EUA proibiram Holmes de operar um serviço de exames de sangue por dois anos.
Em 2018, a Theranos decretou falência.
Abusiva ou abusada?
Em março daquele ano, Holmes fez um acordo com a Justiça americana – ela foi acusada de levantar US$ 700 milhões (R$ 3,6 bilhões, em valores atuais) junto a investidores de forma fraudulenta.
Três meses depois, no entanto, acabou presa junto com Balwani, sob acusações criminais de fraude eletrônica e conspiração.
Os promotores dizem que Holmes enganou intencionalmente os pacientes sobre os testes e mentiu exageradamente sobre os ganhos da empresa para investidores.
Forma como se comportou e o apoio que recebeu deram credibilidade a Holmes
Mike Blake/Reuters/Arquivo
Holmes foi libertada sob fiança e em 2019 se casou com William “Billy” Evans, de 27 anos, herdeiro da rede de hotéis Evans Hotel Group. Eles tiveram um filho em julho deste ano.
“Não acho que o fato de Holmes ser agora uma mãe influencie o julgamento, mas o juiz provavelmente levará isso em consideração se ela for considerada culpada”, disse Emily Baker, ex-promotora distrital de Los Angeles.
O júri
À medida que se aproxima o julgamento do escândalo da Theranos, analistas que acompanham o caso dizem ser notável como Holmes mantém firme sua versão da história — pessoas próximas duvidam que ela vai mudá-la durante a audiência.
Segundo a juntada de documentos, a defesa de Holmes está disposta a argumentar que ela acreditava comandar um “negócio legítimo que gerava valor para os investidores”.
Seus advogados também podem alegar que o suposto comportamento controlador de Balwani “apagou sua capacidade de tomar decisões”, incluindo “enganar suas vítimas”.
Eles dizem que o ex-chefe de operações da Theranos, que será julgado separadamente no próximo ano, monitorou como Holmes se vestia, o que comia e com quem conversava por mais de uma década.
A defesa também deve chamar um psicólogo especializado em abuso sexual como testemunha.
Não está claro se Holmes vai falar durante o julgamento.
“O mais difícil em qualquer caso de fraude é mostrar que a pessoa tentou fraudar”, explica Baker. “Portanto, os promotores terão de usar suas mensagens de texto e e-mails e argumentar que ela sabia que a tecnologia não funcionava, mas disse que sim.”

Fonte: G1 Mundo

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Talibã adota redes sociais em campanha para ‘limpar imagem’


Conhecido inicialmente por rejeitar todo tipo de tecnologia e mídia, grupo radical agora usa a presença online para se comunicar com o mundo e amplificar sua mensagem. Membros do Talibã no aeroporto internacional de Cabul após a partida dos norte-americanos, em 31 de agosto de 2021
Reuters
No início de maio, enquanto as tropas dos Estados Unidos e da Otan (a aliança militar ocidental) começavam sua retirada definitiva do Afeganistão, o grupo radical Talibã avançava em sua ofensiva pelo país – culminando na tomada do poder central afegão, em meados de agosto.
Mas o Talibã tomou também outra iniciativa, esta mais incomum na história do grupo: seus membros lançaram uma ampla campanha de redes sociais.
Uma rede de contas em redes sociais destacava supostos fracassos do então governo pró-Ocidente em Cabul, ao mesmo tempo em que exaltava feitos do Talibã.
Tuítes relatavam as vitórias mais recentes do grupo – às vezes prematuramente – e promoviam diferentes hashtags, como (na tradução ao português) #crimesdoregimedeCabul (associados a tuítes que acusavam o governo afegão de crimes de guerra, e que ficou entre os “trends” na época em que foi usada); #EstamosComTaliba (em tentativa de angariar apoio) e outra que dizia “Deus ajude que a vitória esteja próxima”.
Em resposta, o então vice-presidente do Afeganistão, Amrullah Saleh, advertiu suas tropas e o público para que não se deixassem levar por falsas alegações de vitória do Talibã descritas nas redes sociais. Ele também pediu que as pessoas não compartilhassem tal conteúdo, que supostamente comprometeria ações militares.
A coordenação das postagens do Talibã sugere que o grupo está se distanciando da firme oposição à tecnologia de disseminação de informação e está construindo um aparato de redes sociais para amplificar sua mensagem.
Quando o Talibã ocupou o poder pela primeira vez, em 1996, baniu a internet e confiscou (ou destruiu) aparelhos de TV, câmeras e gravações de vídeo. Em 2005, o site oficial do Emirado Islâmico do Talibã, “Al-Emarah”, foi lançado e hoje publica conteúdo em cinco idiomas – inglês, árabe, pachto, dari e urdu. O conteúdo de áudio, vídeo e textos é supervisionado pela comissão cultural do Emirado Islâmico do Afeganistão (EIA), chefiado por seu porta-voz, Zabihullah Mujahid.
A primeira conta de Twitter de Zabihullah Mujahid foi suspensa pela empresa, mas sua nova conta – ativa desde 2017 – tem mais de 371 mil seguidores. Abaixo dele trabalha uma dedicada equipe de voluntários disposta a promover online a ideologia do Talibã.
A Qari Saeed Khosty é atribuído o cargo, que, na prática, consiste em gerenciar as redes sociais.
Khosty disse à BBC que a equipe se divide entre os que focam no Twitter – na tentativa de fazer que hashtags do grupo entrem entre as mais compartilhadas -, no WhatsApp e no Facebook.
“Nossos inimigos têm TV, rádio, contas verificadas nas redes sociais e nós não temos nada, e mesmo assim nós lutamos contra eles no Twitter e no Facebook e os derrotamos”, declarou Khosty.
Seu trabalho, diz ele, consiste em levar os afiliados do Talibã – que se juntaram ao grupo por acreditarem em sua ideologia – “às redes sociais para amplificar nossa mensagem”.
Há apenas 8,6 milhões de usuários de internet no Afeganistão, e a ausência de cobertura de telefonia e de oferta de dados móveis a um preço acessível continua sendo um desafio crucial. A equipe de redes sociais do EIA, por sua vez, paga o equivalente a cerca de US$ 11 (cerca de R$ 60 na cotação atual) por pacotes de dados para suas equipes que “lutam a guerra online”, segundo Khosty.
Ele exaltou que o EIA dispõe de “quatro estúdios multimídia totalmente equipados, usados para gerar conteúdo de áudio, digital e ‘branding’ digital”.
O resultado são peças de propaganda de alta qualidade, glorificando os combatentes do Talibã e suas batalhas contra forças nacionais e estrangeiras – agora disponíveis nos canais de YouTube do grupo e no site do Al-Emarah.
O grupo publica livremente no Twitter e no YouTube, mas o Facebook classifica o Talibã como “organização perigosa” e frequentemente remove contas e páginas associadas ao grupo. O Facebook afirmou que continuará a banir conteúdo do grupo de suas plataformas.
Khosty disse à BBC que, ante as dificuldades de manter sua presença no Facebook, o grupo radical está focando no Twitter.
Embora o Departamento de Estado tenha designado a Rede Haqqani – grupo militante insurgente aliado do Talibã – como grupo terrorista internacional, seu líder, Anas Haqqani, e muitos membros do grupo têm contas no Twitter com milhares de seguidores.
Falando sob condição de anonimato, um membro da equipe de redes sociais do Talibã disse à BBC que ele e seus colegas decidiram usar o Twitter a sério a partir de fevereiro de 2020, inicialmente para promover um artigo de opinião de Sirajuddin Haqqani, vice-líder do Talibã, publicado pelo The New York Times. A maioria das contas do grupo nessa rede social foram criadas a partir daí.
“A maioria dos afegãos não fala inglês, mas os líderes do regime de Cabul se comunicavam ativamente em inglês no Twitter – porque seu público não eram os afegãos, mas a comunidade interacional”, ele afirmou. “O Talibã queria contrabalancear a propaganda desses líderes e é por isso que também focamos no Twitter.”
Ele agregou que a equipe – que tem membros com algumas dezenas de milhares de seguidores no Twitter – receberam orientações específicas do Talibã, como “Não comentar em política externa de países vizinhos de modo a não restringir nossas relações com eles”.
No passado, o Talibã era conhecido por manter em segredo a identidade de muitos de seus líderes e combatentes, tanto que há poucas fotos disponíveis do fundador do grupo, o Mulá Omar.
Hoje, porém, em um esforço de ganhar legitimidade internacional, a atual liderança não apenas faz aparições na mídia como as promove amplamente nas redes sociais. Quando o porta-voz Zabihullah Mujahid (antes raramente visto) deu uma entrevista coletiva, pouco depois da queda do regime de Cabul, o perfil de muitas contas do Talibã foi ilustrado com a imagem dele.
Em contrate, muitos cidadãos afegãos que trabalhavam para as tropas, organizações e imprensa internacionais, além de cidadãos que criticavam o Talibã em redes sociais, estão agora desativando suas contas, temendo que a informação publicada online os transforme em alvos.
As organizações de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional e Human Rights Watch afirmam já ter recebido relatos de combatentes talibãs que estariam perseguindo – e matando – pessoas em represália.
O Facebook lançou uma ferramenta de um clique para que pessoas no Afeganistão consigam rapidamente bloquear suas contas, impedindo que pessoas não conectadas possam ver suas informações. A rede social também anunciou que removeu temporariamente a ferramenta de busca de amigos de contatos nas contas afegãs.
A questão é se o Talibã mudou e abandonou as práticas brutais. Muitos afegãos ao redor do mundo não acreditam em suas promessas de mudança. Mas o grupo radical parece ter percebido que a tecnologia que ele antes desprezava pode ajudá-lo em sua busca por moldar opiniões no ambiente global.
“As redes sociais são poderosas em mudar a percepção do público”, diz o integrante da equipe de redes sociais. “Queremos mudar a percepção sobre o Talibã.”

Fonte: G1 Mundo

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Nxivm: cofundadora de seita sexual que marcava mulheres a ferro é condenada nos EUA


Nancy Salzman, 66 anos, afirmou em tribunal nesta quarta-feira (8) estar ‘horrorizada e envergonhada’ por ter apoiado líder da seita, condenado a 120 anos de prisão. Nancy Salzman disse estar ‘horrorizada e envergonhada’ por ter apoiado líder da seita Nxivm
Reuters
A cofundadora da seita Nxivm Nancy Salzman, de 66 anos, foi condenada nos Estados Unidos a mais de três anos de prisão por sua participação em cultos sexuais.
Ela já havia se confessado culpada de crimes de extorsão em 2019, admitindo ter roubado endereços de e-mail e senhas de críticos do Nxivm.
Agora, ela deverá se entregar para ser presa em janeiro de 2022 — a demora de alguns meses se deve à necessidade de recuperação de um procedimento médico não especificado.
Em outubro de 2020, o líder oa Nxivm, Keith Raniere, foi condenado a 120 anos de prisão pelos crimes de extorsão, tráfico sexual, pornografia infantil, entre outros.
O Nxivm (a pronúncia é nexium) foi fundado em 1998, tem sede em Albany, no Estado de Nova York, e se define como uma “comunidade guiada por princípios humanitários que busca empoderar as pessoas”. O grupo diz ter trabalhado com 16 mil pessoas em centros nos Estados Unidos, Canadá e México. Há antigos membros conhecidos, como a atriz Allison Mack, que atuou na série Smallville.
Para investigadores, trata-se de uma operação de tráfico sexual disfarçada de grupo com princípios humanitários.
Para fora, o Nxivm parecia oferecer programas inofensivos de autoajuda, mas no núcleo do grupo Raniere exercia níveis extremos de controle, culminando em abuso sexual, violência e até a marcação a ferro de suas iniciais nos corpos de mulheres.
Nesta quarta-feira (8/9), Salzman afirmou em um tribunal federal no Brooklyn que estava “horrorizada e envergonhada” por ter apoiado Raniere.
Os advogados da mulher dizem que ela agora reconhece “todo o peso de seus erros enquanto serviu como colaboradora e facilitadora de Keith Raniere” no culto.
O juiz federal Nicholas Garaufis, por sua vez, afirmou que ela gerou “trauma e destruição” às vítimas do Nxivm.
Em um documento anexado ao processo em agosto, a procuradora-assistente Tanya Hajjar disse que Salzman “menosprezou e humilhou as mulheres e culpou as vítimas de abuso”.
“Você nunca refutou [Raniere]. A porta estava sempre aberta, mas você nunca saiu”, afirmou o juiz, segundo o jornal New York Daily News.
Salzman também admitiu ter adulterado vídeos que seriam usados em um processo contra o “desprogramador” de cultos Rick Alan Ross.
Antes do veredito, o tribunal ouviu depoimentos em áudio e vídeo de vários ex-membros do Nxivm que detalharam o papel de Salzman na organização.
A filha de Nancy Salzman, Lauren, também era parte do alto escalão do Nxivm. Ela podia ter sido condenada a até sete anos de prisão, mas em julho recebeu cinco anos de liberdade condicional depois de ajudar os promotores a derrubar Raniere.

Fonte: G1 Mundo

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Desfile de aniversário da Coreia do Norte exibiu máquinas, e não armas; veja fotos


No último desfile, em janeiro deste ano, os norte-coreanos mostraram seus mísseis balísticos para submarinos. Desta vez, foram carros, tratores e cavalos. Imagem de desfile do dia 9 de setembro em Pyongyang, na Coreia do Norte
Stringer/ KCNA Via KNS / Via AFP
No desfile para celebrar o aniversário da fundação do país nesta quinta-feira (9), a Coreia do Norte exibiu tratores e caminhões de bombeiros, e não os habituais tanques e mísseis.
O governo norte-coreano tem programas de armas nucleares e mísseis balísticos e enfrenta sanções internacionais por isso. Geralmente, o regime utiliza os desfiles para exibir seus projetos mais recentes.
Relatório anual da ONU diz que a Coreia do Norte parece ter reiniciado um reator nuclear que produz plutônio para armas nucleares
Em um desfile em janeiro, celebrado uma noite antes da posse de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos, os militares norte-coreanos mostraram seus mísseis balísticos para submarinos na Praça Kim Il Sung. Kim Jong-un, o líder do país, estava presente nessa ocasião.
Imagem de desfile na Coreia do Norte em 9 de setembro de 2021
Stringer/KCNA Via KNS/Via AFP
Na ocasião, a agência de notícias oficial, a KCNA, descreveu um dos mísseis como a “arma mais poderosa do mundo”.
Mas nesta quinta-feira, o “evento de forças paramilitares e de segurança pública” incluiu destacamentos do ministério das Ferrovias e do Complexo de Fertilizantes Hungman, de acordo com a KCNA.
Imagem de desfile em Pyongyang em 9 de setembro de 2021
Stringer/KCNA Via KNS/Via AFP
Estudantes com fuzis, funcionários com máscaras de gás e trajes de proteção de cor laranja e unidades paramilitares mecanizadas desfilaram na capital. Os participantes e o público compareceram ao evento sem máscaras contra a Covid, segundo imagens divulgadas pela agência.
Imagem de desfile na Coreia do Norte, em 9 de setembro de 2021
Stringer/KCNA via KNS/Via AFP
As maiores armas exibidas eram pequenas peças de artilharia puxadas por tratores, que segundo a KCNA foram conduzidos por trabalhadores de cooperativas agrícolas “para atacar os agressores e suas forças vassalas com poder de fogo aniquilador em uma emergência”.
Kim Jong-un antes de desfile na Coreia do Norte, em 9 de setembro de 2021
Stringer/KCNA Via KNS/Via AFP
O dirigente do país, Kim Jong-un, vestido com um terno cinza de estilo ocidental, compareceu ao evento, marcado pelos gritos da multidão durante os fogos de artifício.
Aniversário de 73 anos
Nesta quinta-feira, República Popular Democrática da Coreia, nome oficial da Coreia do Norte, comemora 73 anos de sua fundação.
O país comunista não executa testes nucleares ou lançamento de mísseis balísticos intercontinentais desde 2017.
O regime utiliza os desfiles para enviar uma “mensagem à comunidade internacional” sem ficar exposto a represálias, explica Hong Min, pesquisador do Instituto Coreia para a Unificação Nacional, em Seul.
“A única outra forma de mostrar suas armas estratégicas é lançá-las, o que os expõe a um protesto e a mais sanções internacionais”, disse Hong Min.
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Fonte: G1 Mundo

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Eleições no Marrocos: partido islamita, atualmente no poder com 125 cadeiras, consegue eleger apenas 12 parlamentares


O Marrocos é uma monarquia parlamentarista. A partir de 2011, o Parlamento e o governo ganharam mais poder e, desde então, os islamitas conseguiam maioria nas votações. Dessa vez, perderam para os liberais. Eles afirmam que perderam pois houve irregularidades no processo eleitoral. Mulher coloca seu voto em urna em Casablanca, no Marrocos, em 8 de setembro de 2021
Abdelhak Balhaki/Reuters
O partido islamita que governa Marrocos há uma década sofreu uma contundente derrota para os partidos liberais nas eleições legislativas de quarta-feira (8), de acordo com os resultados preliminares divulgados na manhã desta quinta-feira.
O Partido da Justiça e do Desenvolvimento (PJD, islamita moderado) passou de 125 cadeiras para 12, do total de 395 deputados, segundo dados divulgados pelo ministro do Interior, Abdelouafi Laftit.
Marrocos e Israel normalizam relações diplomáticas
Com isso, o PJD ficou longe de seus principais rivais, o Grupo Nacional Independente (RNI), o Partido Autenticidade e Modernidade (PAM), ambos liberais, e o Partido do Istiqlal, de centro-direita.
O RNI ganhou 97 assentos, seguido pelo PAM com 82 e o Istiqlal com 78.
O RNI, que hoje faz parte da coalizão governamental, é liderado pelo rico empresário Aziz Akhannouch, identificado como um homem próximo ao palácio (o Marrocos é uma monarquia parlamentarista).
Já o PAM, principal partido da oposição, foi fundado em 2008 pelo atual conselheiro real, Fouad Ali El Himma.
O Istiqlal (Independência) é o partido mais antigo de Marrocos.
A magnitude da derrota dos islamitas é inesperada no país. Apesar da ausência de pesquisas, a imprensa e vários analistas esperavam que o PJD conseguiria permanecer entre os primeiros lugares.
De fato, o partido almejava um terceiro mandato consecutivo à frente do governo marroquino.
O rei Mohamed VI terá que nomear um chefe de governo do partido que vencer o escrutínio legislativo, que comandará o Executivo por um período de cinco anos em substituição de Saad-Eddine El Othmani.
Os resultados definitivos devem ser conhecidos ainda nesta quinta-feira.
A taxa de participação na eleição atingiu 50,35%, segundo o ministro do Interior, superior ao índice de 43% das eleições de 2016.
Esta foi a primeira vez que cerca de 18 milhões de eleitores escolhem seus 395 deputados ao mesmo tempo que seus representantes comunitários e regionais, o que ajudou a reduzir a taxa de abstenção.
Os islamitas denunciaram “graves irregularidades” no processo, incluindo a “distribuição obscena de dinheiro” perto das seções eleitorais e “confusão” em algumas listas eleitorais onde as pessoas não conseguiram encontrar seus nomes.
No entanto, Laftit disse que as eleições aconteceram “em circunstâncias normais”, apesar de alguns “casos isolados”.
Em 2011, o Marrocos adotou uma nova Constituição que deu grandes prerrogativas ao Parlamento e ao governo.
Ainda assim, as decisões e orientações em setores-chave continuam a emanar das iniciativas do rei Mohamed VI.
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

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O Assunto #534: Um repórter pelo mundo pós-11 de Setembro


O atentado terrorista que fundou o século 21 provocou efeitos mais duradouros bem longe dos Estados Unidos. Nos últimos 20 anos, os americanos entraram em guerra contra o Afeganistão e o Iraque, e a primavera árabe mudou definitivamente o panorama político do mundo islâmico. Você pode ouvir O Assunto no G1, no GloboPlay, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, no Deezer, na Amazon Music, no Hello You ou no sua plataforma de áudio preferida. Assine ou siga O Assunto, para ser avisado sempre que tiver novo episódio.
Os atentados fundadores do século 21 produziram alguns de seus efeitos mais duradouros bem longe dos Estados Unidos, onde aconteceram. Para discuti-los, Renata Lo Prete recebe neste episódio o jornalista da TV Globo Marcos Uchôa, que ao longo dessas duas décadas visitou 22 países do mundo islâmico. O primeiro foi aquele em que a chamada guerra ao terror começou e do qual os americanos só agora se retiraram. Ele conta que nunca, em sua trajetória profissional, sentiu tanto medo quanto no Afeganistão. E que, ao mesmo tempo, se lembra de saraus vespertinos “para conversar sobre poemas de 800 anos com idosos, mulheres e crianças”. A alternância de análise política e memórias do cotidiano das pessoas que encontrou dá o tom do depoimento de Uchôa sobre suas passagens por lugares como Iraque, Tunísia e Síria. Prestes a lançar uma série no GloboPlay com esse rico material, ele conclui que, duas décadas depois, a questão do terrorismo está longe de ser resolvida. “A vitória do Talibã traz a mensagem de que a violência funciona”, diz.
O que você precisa saber:
Entenda: do 11 de setembro à volta do Talibã
11 de setembro: Biden pede retirada de sigilo de investigações
Guerra ao terror: EUA e a guerra ao terror pós ataques
Bin Laden: líder da Al Qaeda foi morto em operação dos EUA
VÍDEO: bastidores da cobertura dos atentados de 11 de setembro
O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Isabel Seta, Arthur Stabile, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski e Giovanni Reginato. Neste episódio colaboraram também: Gabriel de Campos e Ana Flávia Paula. Apresentação: Renata Lo Prete.

Comunicação/Globo
O que são podcasts?
Um podcast é como se fosse um programa de rádio, mas não é: em vez de ter uma hora certa para ir ao ar, pode ser ouvido quando e onde a gente quiser. E em vez de sintonizar numa estação de rádio, a gente acha na internet. De graça.
Dá para escutar num site, numa plataforma de música ou num aplicativo só de podcast no celular, para ir ouvindo quando a gente preferir: no trânsito, lavando louça, na praia, na academia…
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Fonte: G1 Mundo

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Como ‘mentor’ dos ataques do 11 de Setembro escapou por 8 anos do FBI


Será que o homem acusado de tramar o complô para levar aviões até marcos dos EUA há 20 anos podia ter sido detido? Mohammed em um tribunal em 2012
Reuters via BBC
O homem acusado de arquitetar a conspiração com aviões de passageiros sequestrados atingindo locais icônicos dos Estados Unidos há 20 anos está preso aguardando julgamento. Uma pergunta que ainda não foi respondida é: ele poderia ter sido detido antes dos ataques?
“Ele era meu cara.”
Frank Pellegrino estava sentado em um quarto de hotel na Malásia quando viu as imagens na televisão dos aviões colidindo com as Torres Gêmeas. A primeira coisa que ele pensou foi: “Meu Deus, deve ser Khalid Sheikh Mohammed”.
O alvo e as ambições fechavam com o que Pellegrino sabia de Mohammed — e só ele poderia saber isso.
O ex-agente especial do FBI passou três décadas no rastro de Mohammed. Mesmo assim, o suposto mentor do 11 de Setembro ainda não foi julgado.
Um advogado de Mohammed disse à BBC que pode levar mais 20 anos até que o caso seja concluído.
O presidente Bush com bombeiros nos escombros dias após o ataque
Getty Images via BBC
Osama Bin Laden, na época líder da Al-Qaeda, é geralmente o homem mais associado aos ataques de 11 de setembro. Mas a realidade é que Mohammed, ou “KSM” como ficou conhecido, foi o “arquiteto principal”, de acordo com a Comissão do 11 de Setembro que investigou os ataques. Ele foi o homem que teve a ideia e a levou à Al-Qaeda.
Nascido no Kuwait, ele estudou nos EUA antes de lutar no Afeganistão na década de 1980. Anos antes do ataque de 11 de setembro, o agente do FBI Frank Pellegrino estava no rastro do jihadista.
Veja bastidores da cobertura dos atentados de 11 de setembro
Pellegrino havia sido designado pelo FBI para investigar o atentado ao World Trade Center em 1993, oito anos antes do 11 de Setembro. Foi nessa ocasião que o nome de Mohammed chamou a atenção das autoridades dos EUA, porque ele havia feito uma transferência de dinheiro para um dos envolvidos.
O agente do FBI logo percebeu o tamanho da ambição de Mohammed em 1995, quando KSM foi ligado a uma conspiração para explodir vários aviões internacionais sobre o Pacífico. Em meados da década de 1990, Pellegrino esteve perto de prendê-lo, tendo o localizado no Catar.
Ele e uma equipe foram para Omã, de onde planejavam cruzar para o Catar e prender Mohammed. Um avião estava pronto para trazer o suspeito de volta. Mas houve resistência por parte dos diplomatas americanos no local.
Pellegrino foi ao Catar e disse ao embaixador e a outros funcionários da embaixada que tinha uma acusação formal contra Mohammed por conspiração envolvendo aviões. Mas ele diz que os diplomatas não queriam causar problemas no país.
“Acho que eles pensaram que talvez isso fosse trazer incômodos para eles”, lembra Pellegrino.
Pellegrino em 1987 e em 2020
Pellegrino em 1987 e em 2020
Por fim, o embaixador informou a Pellegrino que as autoridades do Catar alegaram ter perdido Mohammed. “Havia angústia, raiva e frustração”, diz ele. “Sabíamos que era uma oportunidade perdida.”
Mas ele reconhece que já em meados dos anos 90 Mohammed não era mais visto como um alvo de alta prioridade. Pellegrino não conseguiu sequer listá-lo na lista dos dez criminosos mais procurados dos EUA.
“Me disseram que já havia muitos terroristas lá dentro.”
Mohammed parece ter sido avisado sobre o interesse dos EUA e fugiu do Catar para o Afeganistão.
Mais suspeitas
O atentado ao World Trade Center de 1993 matou seis e feriu mais de mil
Getty Images via BBC
Nos anos seguintes, o nome de KSM continuou aparecendo, muitas vezes em listas telefônicas de suspeitos de terrorismo presos em todo o mundo, deixando claro que ele estava bem conectado. Foi durante esses anos que ele foi a Bin Laden com a ideia de treinar pilotos para jogar aviões contra edifícios nos EUA.
E então o 11 de Setembro aconteceu. As suspeitas de Pellegrino sobre o papel de KSM foram comprovadas quando uma figura-chave da Al-Qaeda sob custódia o identificou. “Todo mundo percebeu que foi o cara de Frank que cometeu [o atentado]”, lembra Pellegrino. “Quando descobriram que ele era o cara, não havia ninguém mais arrasado do que eu.”
Em 2003, Mohammed foi localizado e preso no Paquistão. Pellegrino esperava que ele fosse julgado como consequência de seu trabalho ao longo dos anos. Mas Mohammed “desapareceu”. A CIA o levou a um lugar desconhecido onde “técnicas aprimoradas de interrogatório” foram usadas.
“Quero saber o que ele sabe e quero saber rápido”, disse um alto funcionário da CIA na época.
Informações reveladas por Mohammed levaram a uma busca por Bin Laden na fronteira com o Paquistão
Getty Images via BBC
Mohammed foi submetido a uma técnica chamada waterboarding pelo menos 183 vezes, uma espécie de “quase afogamento”, considerado tortura. Ele foi submetido a reidratação retal, posições de estresse, privação de sono, nudez forçada e ouviu que seus filhos seriam mortos.
Ele confessou várias conspirações durante esse tempo. Mas um relatório do Senado descobriu posteriormente que grande parte da inteligência supostamente produzida havia sido inventada pelo detido.
Depois que detalhes do programa de detenção da CIA foram revelados, “presos de alto valor” como Mohammed foram transferidos para Guantánamo em 2006. O FBI finalmente teve acesso permitido aos presos.
Em janeiro de 2007, Frank Pellegrino ficou cara a cara com o homem que ele havia perseguido por tanto tempo.
Os dois sentaram-se frente a frente um do outro.
“Eu queria que ele soubesse que estive envolvido em indiciá-lo nos anos 90”, diz ele, na esperança de abrir a conversa para extrair informações sobre o 11 de setembro.
O ex-agente do FBI não quis revelar os detalhes do que foi dito, mas admitiu que “ele é um cara muito envolvente com senso de humor, acredite ou não”.
KSM sempre foi visto como “arrogante” em audiências em Guantánamo. Pellegrino diz que Mohammed é uma espécie de “Kardashian”, dado seu desejo por atenção, mas que o preso não demonstra nenhum remorso.
“Eu tenho certeza que ele está contente com o que fez, mas ele gosta desse show todo”, diz ele.
Depois de seis dias de conversa, Mohammed finalmente disse que não aguentava mais. “E foi isso”, lembra Pellegrino.
Tentativas subsequentes de se julgá-lo fracassaram. Um plano para realizar um julgamento em Nova York recebeu oposição do público e de políticos. “Todo mundo gritava ‘Não quero esse cara no meu quintal. Mantenha-o em Guantánamo'”, disse Pellegrino, ele próprio um nova-iorquino.
Em seguida, veio um tribunal militar em Guantánamo. Mas os atrasos nos procedimentos, agravados pela pandemia de covid, que fechou a base, tornaram o processo demorado. Mais audiências ainda estão ocorrendo esta semana, mas o fim do caso parece muito distante.
O advogado de Mohammed acredita que as últimas audiências foram programadas apenas para mostrar à imprensa que algo está acontecendo no 20º aniversário do 11 de Setembro. David Nevin disse à BBC que ainda espera “algo na ordem de 20 anos para uma resolução completa do processo”.
Informações reveladas por Mohammed levaram a uma busca por Bin Laden na fronteira com o Paquistão
Getty Images via BBC
O advogado de defesa está no caso desde o início em 2008. O plano original era começar os julgamentos quase imediatamente. Mas eles ainda não estão nem perto de começar, diz ele, observando que um juiz recém-nomeado é “o oitavo ou nono juiz que tivemos”.
Cada juiz precisa se familiarizar com cerca de 35 mil páginas de transcrições de audiências anteriores e milhares de moções no que Nevin descreve como “o maior julgamento criminal da história dos EUA”.
E também o mais polêmico.
Isso ocorre principalmente porque os cinco réus foram todos mantidos em detenção secreta pela CIA e submetidos a “técnicas avançadas de interrogatório”.
Isso levou a discussões sobre provas contaminadas pelo que aconteceu nos sites secretos da CIA.
Camp Justice, em Guantánamo, onde algumas das primeiras audiências ocorreram
Getty Images via BBC
Os EUA “organizaram e implementaram um programa claramente definido para torturar esses homens”, disse Nevin. Esses métodos abrem espaço para recursos judiciais contra quaisquer condenações, e isso se arrasta por anos.
Nevin não revelou detalhes de como é representar um dos réus mais notórios do mundo. Ele diz que inicialmente seu cliente estava “profundamente cético” em ser representado por um advogado americano, então houve um longo processo para eles se conhecerem.
Quando Mohammed ficou detido em uma parte ultrassecreta da base naval, os advogados foram colocados em uma van com as janelas fechadas e andaram de carro por 45 minutos apenas para despistá-los, diz ele. Mas agora seu cliente está detido em um local normal.
A equipe jurídica está atenta às sensibilidades das famílias das vítimas do 11 de setembro, que foram levadas de avião para comparecer às audiências do tribunal. Nas reuniões, alguns familiares criticam advogados como Nevin por representarem os réus. Mas outros fazem perguntas sobre como funciona o processo.
“Trabalhamos muito duro para não fazer nada que exacerbe a dor e o sofrimento que eles experimentaram ao longo dos anos”, disse Nevin.
Outra razão pela qual ele acredita que o tribunal se arrastou é porque se trata de um caso de pena de morte e isso aumenta o rigor. “Teria acabado há muito tempo se o governo não estivesse tentando executar esses homens.”
Pellegrino adiou sua aposentadoria do FBI em três anos, na esperança de que o julgamento militar em Guantánamo, no qual ele espera testemunhar, seja concluído. “Teria sido bom ver isso passar enquanto eu ainda tinha o distintivo.”
Mas o veterano agente especial atingiu a idade de aposentadoria e acaba de deixar o bureau.
Depois de cruzar o mundo em busca de pistas sobre Mohammed, ele agora sente uma forte sensação de fracasso, imaginando se capturá-lo na década de 1990 poderia ter evitado o 11 de setembro.
“O nome dele surge na minha cabeça todos os dias e não é um pensamento agradável”, diz ele.
“O tempo ajuda a curar as coisas. Mas é o que é.”

Fonte: G1 Mundo

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Incêndio em hospital na Macedônia do Norte deixa mortos; unidade atendia pacientes com Covid-19


Causas do fogo estão sob investigação, segundo o Ministério da Saúde macedônio. Pessoas acompanham resgate em hospital que sofreu incêndio em Tetovo, na Macedônia do Norte, nesta quarta (8)
Ognen Teofilovski/Reuters
Um incêndio em um hospital para pacientes de Covid-19 na Macedônia do Norte deixou 10 mortos nesta quarta-feira (8), informou o Ministério da Saúde local.
O fogo começou em uma clínica para a Covid-19 em Tetovo, noroeste do país, escreveu no Twitter o ministro da Saúde, Venko Filipice. Por enquanto são desconhecidas as causas do incêndio.
“Um terrível acidente ocorreu em Tetovo, que custou muitas vidas”, informou ministro. “Até o momento, dez pessoas foram confirmadas como mortas, mas o número poder subir”, acrescentou.
RELEMBRE OUTROS CASOS:
Fogo em hospital que trata pacientes de coronavírus no Iraque deixou mortos em julho
Na Índia, 18 morreram em incêndio que atingiu em maio ala para Covid-19
Rússia também sofreu com fogo em hospital para pacientes da pandemia; relembre
O incêndio foi reportado por volta das 16h (de Brasília) aos bombeiros, que disseram ter conseguido controlá-lo em 45 minutos.
Fogo em hospital na Macedônia do Norte – MAPA
G1 Mundo
Coronavírus na Macedônia do Norte
A Macedônia do Norte, com dois milhões de habitantes e frágeis serviços de saúde, registrou recentemente um aumento no número de contágios pelo coronavírus, com cerca de 30 mortes diárias. No total, a pandemia deixou mais de 6.100 mortos no país.

Fonte: G1 Mundo

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COI diz que ajudou atletas do Afeganistão a deixarem o país após Talibã tomar poder


Autoridade olímpica internacional diz que atletas afegãos que competiram em Tóquio estão em segurança, fora do território tomado pelos extremistas. Além dos competidores, cerca de 100 pessoas ligadas ao esporte conseguiram vistos humanitários. Presidente do COI, Thomas Bach, durante reunião em Lausanne nesta quarta (8)
Philippe Woods/IOC/Handout via Reuters
O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, anunciou nesta quarta-feira (8) que cerca de 100 pessoas envolvidas com as Olimpíadas no Afeganistão foram retiradas do país com vistos humanitários após o grupo extremista Talibã tomar o controle do território.
Entre essas pessoas que o COI ajudou a retirar do solo afegão, estão atletas que disputaram os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio. Também integram a lista dois competidores que tentam uma vaga nas Olimpíadas de Inverno de 2022, que será disputada em Pequim.
Segundo Bach, houve uma atenção especial a meninas e a mulheres — nesta semana, um líder do Talibã disse que proibiria a prática esportiva feminina no Afeganistão (leia mais no fim da reportagem).
Representante da Acnur desfila com bandeira do Afeganistão na abertura dos Jogos Paralímpicos de Tóquio
Reuters/Marko Djurica
O Talibã tomou a capital do Afeganistão, Cabul, na semana seguinte ao encerramento dos Jogos Olímpicos e às vésperas dos Paralímpicos. Assim, os atletas do país não participariam das Paralimpíadas — na abertura, um representante do Alto Comissariado da ONU para Refugiados levou a bandeira afegã.
Porém, o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês), conseguiu retirar com segurança os competidores que estavam classificados, garantindo, assim, a presença de afegãos em Tóquio.
Mulheres afegãs fora do esporte
O que esperar do futuro das mulheres no Afeganistão?
As mulheres serão proibidas de praticar esportes no Afeganistão, afirmou um dos líderes culturais do Talibã, Ahmadullah Wasiq, em uma entrevista a uma rede de TV da Austrália, a SBS.
Segundo Wasiq, esporte feminino é algo inapropriado e desnecessário. Ele falou especificamente sobre o críquete, que é muito praticado naquela região da Ásia.
“Eu não acho que não será permitido às mulheres jogar críquete, porque não é necessário que as mulheres joguem críquete. No críquete, elas podem estar em situações em que o rosto e o corpo delas não estejam cobertos, e o Islã não permite que elas sejam vistas dessa forma”, afirmou ele.
“Essa é a era da mídia, haverá fotos e vídeos [de mulheres praticando esportes], e as pessoas poderão assistir. O Islã e o Emirado Islâmico (a forma como o Talibã se refere ao próprio regime) não permitem que as mulheres joguem críquete ou os esportes em que elas ficam expostas”, afirmou ele, segundo o jornal “The Guardian”.
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Fonte: G1 Mundo