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‘Frase de Keith Richards me revelou que sobreviveria’, diz brasileiro sobre atentado que vai a julgamento em Paris


Vários números tornam esse julgamento um dos maiores já realizados na França. Além das 1,8 mil partes interessadas e seus mais de 300 advogados, o dossiê com relatórios de investigações, testemunhos e perícias possui 542 volumes, totalizando cerca de 1 milhão de páginas. Arquiteto brasileiro Gabriel Sepe Camargo sobreviveu ao ataque terrorista em 2015, em Paris
Gabriel Sepe Camargo/Acervo pessoal
Depois de levar um tiro no pulmão que por muito pouco não o deixou paraplégico e outro na perna que “estraçalhou” a tíbia, no restaurante Le Petit Cambodge, em Paris, um dos alvos da onda de atentados na capital da França em 13 de novembro de 2015, o arquiteto brasileiro Gabriel Sepe Camargo achou que iria morrer.
Deitado no asfalto, ele conta que pensou na avó e na mãe e depois se lembrou de uma frase do livro “Vida”, do guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, sobre o corpo continuar a funcionar independentemente do que sua mente acha. Ele conta que foi aí que disse a si mesmo que iria sobreviver e se tranquilizou.
Quase seis anos após a tragédia que matou 130 pessoas e deixou centenas de feridos (nos atentados na casa de shows Bataclan, em bares e restaurantes da capital francesa e no Stade France), Sepe é uma das cerca de 1,8 mil partes interessadas (entre vítimas e parentes) no julgamento.
Com 20 acusados pelos ataques, o julgamento que começou nesta quarta-feira (8) é considerado “histórico” na França e deve durar cerca de nove meses (veja no vídeo abaixo).
França reforça segurança para julgamento dos acusados pelos atentados de Paris de 2015
A inclusão de Sepe no processo foi feita de forma automática por um fundo de assistência às vítimas de atentados terroristas na França.
Na primeira entrevista à imprensa desde os atentados, o arquiteto disse à BBC News Brasil que não espera uma compensação individual nesse julgamento. Ele avalia que o processo judicial é importante para as pessoas que perderam familiares e amigos obterem um encerramento de todo esse período.
Para ele, o que está em jogo no julgamento é o “ato último” que leva uma pessoa envolvida em extremismos na internet a pegar armas e sair atirando. As investigações revelaram que autores dos ataques assistiam regularmente a vídeos do Estado Islâmico e integraram a organização, fazendo inclusive viagens à Síria.
Entre os 20 acusados, há o único sobrevivente dos grupos que atacaram diversos locais em Paris e o Stade de France: o franco-belga Salah Abdeslam, que abandonou seu cinturão de explosivos na periferia da capital e conseguiu fugir para Bruxelas, onde foi detido em 2016 e entregue às autoridades francesas.
Os demais são acusados de cumplicidade. Eles participaram da logística (esconderijos, transporte, armas, fabricação de bombas) ou do financiamento dos ataques. Seis deles serão julgados à revelia, sendo que cinco são tidos como mortos. As penas vão de seis anos de detenção à prisão perpétua, como no caso de Abdeslam e dez outros acusados.
Não há expectativa de que Abdeslam, que completará 32 anos na próxima semana, responda algo durante o julgamento. Nos últimos anos, ele tem se mantido calado sobre sua implicação nos atentados. Detido em 2016 na periferia de Paris, ele é vigiado por câmeras 24 horas por dia para evitar um eventual suicídio.
“Falar seria uma concessão à sociedade que ele quer destruir”, avalia Sepe.
O fato de considerar que foi vítima de uma violência aleatória, em que ele não era um alvo premeditado, garante ao arquiteto paulista de 35 anos mais tranquilidade em relação ao drama.
Na época do atentado, aos 29 anos, ele tinha feito poucas viagens internacionais e estava apenas de passagem por Paris. Seu destino era Valência, na Espanha, onde apresentaria um projeto de arquitetura na Fundação Le Corbusier.
Sepe estava à mesa no Le Petit Cambodge – no 10° distrito de Paris, uma área popular e de imigrantes repleta de bares e restaurantes – com sete outras pessoas (seis brasileiros e um francês).
Ele conta que o que mais o impressionou foi descobrir a dimensão de seus ferimentos após as cirurgias na perna e para a retirada de um dos lóbulos do pulmão direito.
“Foi aí que entendi o que aconteceu e me emocionei. A enfermeira me levantou para cuidar do ferimento nas costas e vi um corte em diagonal sobre a coluna. Foi por pouco que não fiquei paraplégico.”
O arquiteto avalia que, em meio à tragédia, teve sucessivas “sortes”: o pulmão direito baleado tem três lóbulos, enquanto o esquerdo tem apenas dois, e a bala não pegou a coluna por uma curta distância.
Muito ferido, ele quase foi deixado de lado na triagem feita pelas equipes de socorro no local, que estavam dando prioridade para levar ao hospital às pessoas que tinham mais chances de sobreviver. “Um médico disse que tinham de me levar porque ainda dava (para salvar)”, diz Sepe, se baseando em relatos que ouviu de amigos presentes.
O arquiteto conta que entendeu imediatamente que se tratava de um atentado terrorista e não de um ato de violência urbana, como um assalto. “O grau de violência, o som das metralhadoras, não era algo normal”, afirma.
Ele ouviu os tiros, saiu correndo e caiu baleado, consciente. Ele teve a impressão de ficar ali 15 minutos, mas segundo pessoas presentes foram mais de 40. Ele se lembra de sua chegada ao hospital e até dos azulejos nas paredes.
Processo de recuperação
Sepe ficou 40 dias hospitalizado na França, sendo cerca de duas semanas em um serviço de pneumologia. Depois foi transferido para um asilo de idosos. “Foi uma experiência curiosa. Eu me senti como no filme Um Estranho no Ninho.”
Seu progressivo processo de recuperação levou um ano, o que acabou provocando uma interrupção temporária de suas atividades profissionais e acadêmicas. Na época, ele havia acabado de abrir seu próprio escritório de arquitetura e diz que fez questão de continuar morando sozinho, sendo monitorado pela família. “Estava independente e de repente regredi.”
Sepe afirma que não tem sequelas e que leva uma vida normal. Ele diz que não tem dificuldades para caminhar nem respirar, mas ressalta que às vezes sente cansaço.
O arquiteto diz ainda não ter visto a dimensão da violência do ataque que matou 12 pessoas no restaurante asiático, situado na área do Canal Saint-Martin, a poucos metros de um hospital. Apesar de saber que tinha sido baleado e estar consciente, sua percepção, atenuada com o passar do tempo, estava concentrada nele mesmo e não no que ocorria ao seu redor. “Não vi o que aconteceu depois dos tiros. Quem não ficou ferido viu cenas piores, pessoas sangrando, casais mortos”, afirma.
É o caso da brasileira Amanda Antunes, que também estava no Le Petit Cambodge – a única do grupo que reside em Paris. Na época recém-chegada à capital francesa, ela conta que durante um tempo viveu com medo de descobrir as coisas na cidade. Ela também afirma ter tido pesadelos durante meses.
“Parecia que eu estava em um filme de ficção. Nada fazia sentido. Não podia ser real. São cenas que nunca imaginamos”, conta, acrescentando que depois as situações de medo foram passando, apesar de alguns sobressaltos quando ouvia barulhos diferentes.
Amanda, que realiza cenografias de exposições, também é uma das partes interessadas no julgamento dos atentados que começa nesta quarta. Segundo ela, essa participação faz sentido por conta da dimensão coletiva do processo. “Nada consegue substituir o fato de ter vivido isso. Mas é uma maneira de dar voz às vítimas, de permitir que elas sejam ouvidas”.
Ela diz estar vivendo o início do julgamento de maneira distante. Mas como mora na França, ouve diariamente notícias a respeito, o que traz de volta algumas cenas e provoca emoções, que ela diz conseguir “filtrar”.
Diferentemente de Sepe, Amanda afirma não ter entendido na hora que se tratava de um ataque terrorista. “Achei que era um acerto de contas entre criminosos”, diz ela.
Isso não a impediu de reagir rapidamente aos disparos. “Derrubei a mesa, me joguei no chão e me arrastei para dentro do restaurante. Protegi minha cabeça com as mãos logo que começaram os disparos. Eu ouvia pessoas se perguntando o que estava acontecendo, mas eu já estava deitada”, relembra. Seu grande temor no momento era que os três atiradores entrassem no restaurante, o que não ocorreu.
Sala especial
Vários números tornam esse julgamento um dos maiores já realizados na França. Além das 1,8 mil partes interessadas (vítimas ou parentes de pessoas mortas) e seus mais de 300 advogados – cujos honorários são pagos pelo Estado francês em casos de terrorismo -, o dossiê com relatórios de investigações, testemunhos e perícias possui 542 volumes, totalizando cerca de 1 milhão de páginas.
O julgamento é considerado “histórico” também em razão da organização das audiências. Uma sala dentro do Tribunal de Justiça foi construída especialmente para a ocasião, com capacidade para 550 lugares. Ela custou 8 milhões de euros.
Um canal de radio pela internet, com sistema de segurança, foi criado para permitir às vítimas que não podem comparecer assistir aos debates à distância. A medida custou 250 mil euros.
A duração de nove meses do julgamento, que será integralmente filmado, também é considerada excepcional.
Ele ocorrerá sob forte esquema de segurança. Os acusados serão escoltados em furgões blindados com o apoio de um helicóptero. Eles não serão julgados por um júri popular, e sim por juízes.

Fonte: G1 Mundo

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Vídeo: o que é a ‘luz do apocalipse’ que apareceu durante o terremoto do México?


Hipótese mais aceita é a de que fricção entre rochas cause uma atividade elétrica. Luzes surgem durante terremoto no México
Um fenômeno de luz natural raro foi observado no México durante o terremoto que atingiu o país na noite de terça-feira (7): ocorrem flashes de luz durante a noite.
Usuários de redes sociais publicaram vídeos do fenômeno, e falou-se, de maneira lúdica, da possibilidade de apocalipse.
Em Acapulco, que foi atingida fortemente pelo terremoto, os flashes começam pouco depois do tremor de terra. Em um momento, a luz parece iluminar os prédios da orla da cidade.
Pessoas com medo após terremoto na Cidade do México
Luis Cortes / Reuters
É comum que luzes estranhas surjam durante terremotos. Não há muito consenso científico sobre o que causa os flashes —aliás, nem mesmo se, de fato, é algo que ocorre sempre em terremotos.
Uma hipótese é que há atividade elétrica causada pela fricção entre rochas. E há quem diga que são luzes mais comuns, do cotidiano.
Terremoto no México causa prejuízos
A luz de descarga elétrica não é muito diferente dos raios no céu —esses são resultado de acumulação de carga elétrica nas nuvens.
No caso da luz de terremotos, o flash é resultado do movimento de rochas em camadas do solo, que geram cargas elétricas quando acontecem perto de falhas geológicas da Terra.
Há documentação desse fenômeno desde os anos 1600, de acordo com um comunicado da Associação Sismológica dos Estados Unidos.
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Fonte: G1 Mundo

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11 de setembro: as 2 causas científicas para queda das torres do World Trade Center


A colisão de dois aviões contra os edifícios mais altos de Nova York foi o início de uma sequência de horror que reduziu os icônicos prédios a escombros. Imagem captura momento em que um dos aviões Boeing 767 colidiu com as Torres Gêmeas em 11 de setembro
Getty Images via BBC
Em 11 de setembro de 2001, dois aviões Boeing 767 colidiram com as Torres Gêmeas, que com seus 110 andares eram os edifícios mais altos de Nova York.
O primeiro avião atingiu a Torre Norte às 8:45 da manhã. O prédio pegou fogo durante 102 minutos e depois, às 10:28 da manhã, ele entrou em colapso, desabando em apenas 11 segundos.
Dezoito minutos após o primeiro acidente, às 9h03, o segundo avião atingiu a Torre Sul. O arranha-céu resistiu às chamas por 56 minutos, e depois, às 9h59, desabou em 9 segundos.
“Depois do incrível barulho do prédio desabando, em poucos segundos tudo ficou mais escuro que a noite, sem som, e eu não conseguia respirar”, lembra Bruno Dellinger, sobrevivente que trabalhava no 47º andar da Torre Norte.
“Eu estava convencido de que tinha morrido, porque o cérebro não pode processar algo assim”, disse Dellinger em seu depoimento compartilhado pelo Memorial e Museu do 11 de Setembro em Nova York.
O saldo foi de 2.606 mortos.
Por que as torres caíram?
Imediatamente após os ataques, o engenheiro civil Eduardo Kausel, professor emérito do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), liderou uma série de estudos e publicações em que especialistas do MIT analisaram as causas dos colapsos de um ponto de vista estrutural, de engenharia e arquitetônico.
A resposta de Kausel contém uma série de fenômenos físicos e químicos que desencadearam uma catástrofe que ninguém, naquela época, era capaz de imaginar.
Cenas inéditas mostram o 11 de setembro sob o olhar de pessoas comuns
Combinação fatal
Os estudos do MIT, publicados em 2002, coincidem amplamente com as conclusões do relatório de que o governo dos EUA encomendou ao Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (Nist) para descobrir por que as torres caíram, e cuja versão final foi publicada em 2008.
Tanto o MIT quanto o Nist concluem que as torres entraram em colapso principalmente devido a uma combinação de dois fatores: os graves danos estruturais causados ​​pelas colisões de aeronaves em cada edifício e a cadeia de incêndios que se espalhou por vários andares.
“Se não houvesse fogo, os prédios não teriam desabado”, diz Kausel. “E se tivesse havido apenas um incêndio, sem os danos estruturais, eles também não teriam desabado.”
“As torres demonstraram muita resistência”, diz o engenheiro.
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O relatório do Nist, por sua vez, afirma que há documentos oficiais que indicam que as torres foram projetadas para suportar o impacto de um Boeing 707, que era o maior avião comercial existente à época de seu projeto.
Os pesquisadores, no entanto, alertam que não encontraram nenhuma informação sobre os critérios e métodos usados ​​para chegar a essa conclusão.
O que está claro é que, juntos, o impacto e o incêndio produziram um resultado devastador: o colapso das duas torres.
Como as torres foram construídas
As Torres Gêmeas tiveram um projeto que era o padrão na década de 1960, quando começaram a ser construídas.
Cada edifício tinha um núcleo vertical de aço e concreto no centro que abrigava os elevadores e as escadas.
Cada andar era formado por uma série de vigas de aço (horizontais) que partiam desse núcleo e se conectavam com colunas de aço (verticais) para formar as paredes externas do edifício.
Estudo aponta que o ataque terrorista às Torres Gêmeas em setembro de 2001 teve a cobertura televisiva mais marcante dos últimos 50 anos.
Marty Lederhandler/AP (arquivo)
O entremeado de vigas distribuía o peso de cada piso em direção aos pilares, enquanto cada piso, por sua vez, servia como suporte lateral que evitava a torção dos pilares, o que na engenharia civil é conhecido como flambagem.
Toda a estrutura metálica era coberta por concreto, que funcionava como protetor de vigas e pilares em caso de incêndio.
As vigas e colunas também eram cobertas por uma fina camada isolante à prova de fogo.
Impacto, fogo e ar
Ambas as torres foram atingidas por diferentes modelos de aeronaves Boeing 767, maiores que um Boeing 707.
O impacto, de acordo com o relatório do Nist, “danificou severamente” as colunas e desalojou o isolamento contra incêndio que cobria a estrutura de vigas e colunas de aço.
“A vibração do choque causou a fratura do revestimento antifogo do aço, deixando as vigas mais expostas ao fogo”, explica Kausel.
Assim, os danos estruturais abriram caminho para as chamas, que por sua vez causaram mais danos estruturais.
Enquanto isso, as temperaturas, que chegavam a 1.000° C, faziam com que os vidros das janelas se dilatassem e se quebrassem, o que aumentava o fluxo de ar, alimentando o fogo.
“O fogo se alimentou de ar e por isso se espalhou”, diz Kausel.
“Bombas voadoras”
Dados oficiais estimam que cada avião carregava cerca de 37.850 litros de combustível.
“Eram bombas voadoras”, diz Kausel.
Muito desse combustível foi queimado durante a bola de fogo que se formou com o impacto, mas parte dele foi derramado nos andares inferiores das torres.
Isso fez com que o fogo se expandisse, encontrando vários objetos inflamáveis ​​em seu caminho que lhe permitiam continuar avançando.
Esse incêndio teve dois efeitos principais, explica o engenheiro do MIT.
Primeiro, o calor intenso fez com que as vigas e lajes de cada andar se expandissem. Isso fez com que as lajes se separassem de suas vigas.
Além disso, a expansão das vigas também empurrou as colunas para fora.
Mas então houve um segundo efeito. As chamas começaram a amolecer o aço das vigas, tornando-as maleáveis.
Isso fez com que o que antes eram estruturas rígidas, agora se parecessem com cordas que, quando arqueadas, começaram a empurrar para dentro as colunas às quais estavam presas.
“Isso foi fatal para as torres”, diz Kausel.
Colapso
Naquele momento, todos os ingredientes se juntaram para desencadear o colapso.
As colunas não estavam mais totalmente verticais, pois as vigas primeiro as empurraram para fora e depois as puxaram para dentro, de modo que começaram a ceder.
Assim, de acordo com o relatório do Nist, as colunas começaram a entrar em colapso arqueando, enquanto as vigas às quais estavam conectadas as puxavam para dentro.
A análise de Kausel, por outro lado, acrescenta que, em alguns casos, as vigas puxaram com tanta força as colunas que destruíram os parafusos que as prendiam às colunas, o que fez com que esses pisos desabassem. Os escombros causaram sobrepeso na parte inferior pisos.
Isso colocou pressão adicional sobre a capacidade das colunas já enfraquecidas.
O resultado foi uma queda em efeito cascata.
Depois que o prédio entrou em queda livre, explica Kausel, o colapso empurrou progressivamente o ar entre os andares, causando um vento forte.
Isso fez com que o colapso fosse envolvido por uma nuvem de poeira e as paredes externas desabassem para fora, “como quem descasca uma banana”, diz o especialista.
Ambos os edifícios desapareceram em segundos, mas o fogo nos escombros continuou a arder por 100 dias.
Vinte anos depois, o horror e a dor causados ​​pelos ataques ainda assustam.
VÍDEOS: notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Ministro russo morre durante treinamento no Ártico


O ministro teria tentado salvar a vida de uma pessoa durante um treinamento, mas não há detalhes sobre como foi a morte. Imagem de agosto de 2021 de Yevgeny Zinichev, ministro russo que morreu em um treinamento no Ártico
Alexei Nikolsky/Sputnik/Via Reuters
O ministro de Emergências da Rússia, Yevgeny Zinichev, morreu durante um treinamento no Ártico nesta quarta-feira (8), comunicou o ministério, segundo relatou a agência de notícias RIA.
Zinichev, que tinha 55 anos e comandava o destacado Ministério de Emergências desde 2018, morreu tentando salvar a vida de outra pessoa, disse a RIA, sem dar maiores detalhes.
“Zinichev morreu tragicamente enquanto desempenhava suas tarefas oficiais durante exercícios interdepartamentais para evitar situações de crise no Ártico, salvando a vida de alguém”, disse o ministério, segundo a agência.
Margarita Simonyan, editora-chefe do canal de televisão russo RT, disse que Zinichev estava em um parapeito com um operador câmera que escorregou e caiu na água.
“Havia um bom número de testemunhas, ninguém nem teve tempo de pensar no que aconteceu quando Zinichev se atirou na água pela pessoa caída e se chocou com uma rocha protuberante”, tuitou ela, acrescentando que o câmera também morreu.
Zinichev estava no Ártico para supervisionar manobras de larga escala e visitou o canteiro de obras de uma nova estação de bombeiros em Norilsk, além da equipe de busca e resgate da área, havia dito o ministério em um comunicado mais cedo nesta quarta-feira.
Antes de se tornar ministro, Zinichev teve uma série de empregos, entre eles o de vice-diretor do Serviço Federal de Segurança e o de governador interino de Kaliningrado por um período curto.
Veja abaixo um vídeo de agosto de 2021 de um resgate de um cachorro no Ártico.
Marinheiros russos salvam cão preso em gelo no Ártico
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Fonte: G1 Mundo

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México aprova criação de referendo que pode tirar presidentes do poder


‘Lei de Revogação do Mandato’ tem o apoio do atual presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e do seu partido, que é maioria no Parlamento. Oposição considera lei uma ‘armadilha’. O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, durante celebração dos 500 anos da tomada de Tenochtitlan pelos espanhóis
Alfredo Estrella/AFP
O Congresso do México aprovou na terça-feira (7) uma lei que cria mecanismos para a realização de uma consulta popular sobre a continuidade de mandatos presidenciais.
A “Lei de Revogação do Mandato” tem o apoio do atual presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e do seu partido, o Morena, que é maioria no Parlamento.
A medida, que já tinha sido aprovada na sexta-feira (3) pelo Senado, passou também na Câmara. Foram 491 votos a favor, um contra e uma abstenção na casa.
Apesar da votação expressiva, o Partido Ação Nacional (PAN) considerou a lei uma “armadilha” que pode levar López Obrador a tentar se reeleger — o que não é permitido pela Constituição.
O temor se mantém apesar de o presidente, um populista de esquerda, já ter dito em diferentes ocasiões que não pretende tentar um novo mandato.
O que muda
Segundo a Câmara dos Deputados, o objetivo do projeto é “regular e garantir o exercício do direito político” dos mexicanos “de solicitar, participar, serem consultados e votarem pela revogação do mandato da pessoa eleita popularmente como chefe da Presidência”.
Caso a medida seja convocada, a pergunta ser feita será: “Você está de acordo que [nome], Presidente dos Estados Unidos Mexicanos, tenha o mandato revogado por perda de confiança ou deve permanecer na Presidência da República até o fim do mandato?”.
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Fonte: G1 Mundo

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França inicia julgamento sobre atentados de Paris de 2015

França reforça segurança para julgamento dos acusados pelos atentados de Paris de 2015
A França iniciou nesta quarta-feira (8) o julgamento de um dos ataques terroristas mais violentos da história do país, seis anos após a noite de horror que terminou com 130 mortos em Paris. Um dos agressores está vivo.
O julgamento do megaprocesso, que tem quase 1,8 mil partes civis envolvidas e 20 réus, começou às 13h17 (horário local, 8h17 de Brasília) no imponente Palácio da Justiça de Paris.
Seis réus serão julgados à revelia, e 12 podem ser condenados à prisão perpétua. O processo é tratado como o “julgamento do século” pela imprensa francesa e deve durar nove meses.
Presente no tribunal, o franco-marroquino Salah Abdeslam, de 31 anos, é o principal acusado pelos massacres perpetrados no dia 13 de novembro de 2015 no Stade de France, no norte de Paris, nos cafés da zona leste da capital e na casa de espetáculos Bataclan.
Risco de ataque
Usando máscara, o único terrorista vivo sentou-se no banco dos réus cercado por policiais. O esquema de segurança foi reforçado também do lado de fora do tribunal, devido ao risco de uma ameaça terrorista.
A preocupação das forças de segurança ocorre porque atentados foram registrados no país durante o julgamento do ataque à revista satírica Charlie Hebdo, em 2020.
Arthur Dénouveaux, sobrevivente do Bataclan e presidente da associação de vítimas “Life for Paris” (Vida para Paris), diz que o julgamento “é um salto para o desconhecido”.
Os atentados
Naquele momento, um homem-bomba detonou seus explosivos perto do Stade de France, onde acontecia um jogo amistoso entre França e Alemanha, com milhares de torcedores nas arquibancadas, incluindo o então presidente François Hollande.
Outros dois terroristas continuaram a ação, matando um motorista de ônibus. Abdeslam também deveria ter atacado, mas acabou fugindo para a Bélgica porque, segundo os investigadores, seu cinto de explosivos estava com defeito.
Então, no centro de Paris, dois comandos de três homens dispararam contra as pessoas que estavam em bares e restaurantes e no Bataclan, onde as forças de segurança lançaram um assalto depois da meia-noite.
O balanço do pior ataque em Paris desde a Segunda Guerra Mundial foi de 130 mortos e mais de 350 feridos, em um momento em que uma coalizão internacional lutava contra o EI na Síria e no Iraque e milhares de sírios tentavam chegar à Europa fugindo da guerra.
Quatro anos de investigação permitiram reconstituir grande parte da logística dos ataques e do percurso que os comandos tomaram: por uma rota migratória da Síria até os seus esconderijos alugados na Bélgica e perto de Paris.
Os investigadores descobriram uma célula terrorista muito maior e também responsável pelos atentados que deixaram 32 mortos em 22 de março de 2016 no metrô e no aeroporto de Bruxelas, outro ataque violento do período na Europa.
– “Até que eu morra” -“Os sobreviventes dos ataques de 13 de novembro têm uma necessidade urgente de explicação sobre o que aconteceu, o que sofreram”, disse a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, ao jornal Le Parisien, para quem este julgamento os ajudará em “seu processo de reconstrução”.
Para François Molins, ex-procurador de Paris, é necessário construir “uma memória coletiva que reafirme os valores da humanidade e da dignidade” e permitir que “as famílias das vítimas compreendam o que aconteceu”, disse à rádio RTL.
“A dor que tenho não vai ser reparada pela sentença proferida pelo tribunal. Sentirei dor até morrer e a falta de Juan Alberto terei até morrer”, assegurou à AFP Cristina Garrido, cujo filho foi assassinado no Bataclan.
O primeiro momento importante do julgamento terá início no final de setembro com os depoimentos dos sobreviventes e familiares das vítimas, durante cinco semanas, e suas associações já alertaram para a emotividade.
O interrogatório dos acusados – seis dos quais são julgados à revelia – acontecerá em 2022 e a principal questão será se Abdeslam vai abandonar o silêncio que tomou desde sua prisão na Bélgica em 2016, além de suas referências ao Islã.

Fonte: G1 Mundo

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Trudeau antecipa eleições e enfrenta aperto nas pesquisas


Entenda por que o primeiro-ministro do Canadá se arriscou em aposta para recuperar maioria no Parlamento. Justin Trudeau durante campanha, em 6 de setembro de 2021
Carlos Osorio/Reuters
Insatisfeito com a minoria parlamentar que o tornava dependente de outros partidos, o premiê Justin Trudeau, do Canadá, convocou novas eleições dois anos antes do previsto, valendo-se dos cinco pontos de diferença em relação a seus adversários e de uma eficiente gestão na pandemia do novo coronavírus. O plano era assegurar novas cadeiras, no próximo dia 20, e recuperar, assim, a maioria perdida em 2019.
A aposta do primeiro-ministro em consolidar um novo mandato rapidamente revelou-se arriscada. Trudeau viu a vantagem de seu Partido Libera se esvair nas pesquisas e corta um dobrado diante dos eleitores, empatado tecnicamente com o principal rival, o novato líder conservador Erin O’Toole.
Foi atropelado pelo fiasco da retirada das tropas do Afeganistão, pela quarta onda de infecções por coronavírus e, sobretudo, pela apatia dos canadenses ao terem de enfrentar uma eleição fora de hora. Recebeu a fúria de militantes anti-vacinas, que o perseguiram durante a curta campanha e o forçaram a desviar rotas ou cancelar atos. Um deles atingiu o premiê com um punhado de terra no premiê nesta segunda-feira na província de Ontário.
Vacinação contra a Covid-19 começa no Canadá
O Canadá tem uma das taxas mais altas de imunização do mundo — as duas doses já foram aplicadas em 68% da população. Sob a batuta de Trudeau, o governo determinou a obrigatoriedade da vacina para funcionários públicos federais e passageiros em trânsito, e desagradou a uma minoria barulhenta.

Na disputa pelo terceiro mandato, o primeiro-ministro esbarra também na boa fase do Novo Partido Democrático, de esquerda, que divide a atenção e tira votos dos liberais, abrindo espaço para os conservadores.
Até então desconhecido por 90% dos eleitores, Erin O´Toole, que lidera o partido há apenas um ano, corteja trabalhadores sindicalizados e suburbanos moderados. Incentiva a vacinação, mas ressalta que, em vez de determinar a sua obrigatoriedade aos funcionários federais, exigiria que eles fossem testados diariamente.
Os adversários acusam o primeiro-ministro de colocar seus interesses acima dos eleitores, convocando eleições enquanto o país ainda se recupera da pandemia e administra suas consequências.
Os eleitores demonstram interesse em outras prioridades, num indício de que o apreço ao premiê não é o mesmo de seis anos atrás, quando sua estrela despontou no meio político. Trudeau deve ter se arrependido do mau passo diante do sufoco que enfrenta nesta campanha antecipada.
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Fonte: G1 Mundo

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Mulheres do Afeganistão não poderão praticar esportes, diz líder talibã


Segundo líder cultural do Talibã, esporte feminino é algo ‘inapropriado e desnecessário’. Khalida Popal, ex-capitã da seleção afegã de futebol, em foto sem data
Reprodução/Instagram/Khalida Popal
As mulheres serão proibidas de praticar esportes no Afeganistão, afirmou um dos líderes culturais do Talibã, Ahmadullah Wasiq, em uma entrevista a uma rede de TV da Austrália, a SBS.
Segundo Wasiq, esporte feminino é algo inapropriado e desnecessário. Ele falou especificamente sobre o críquete, que é muito praticado naquela região da Ásia.
“Eu não acho que não será permitido às mulheres jogar críquete, porque não é necessário que as mulheres joguem críquete. No críquete, elas podem estar em situações em que o rosto e o corpo delas não estejam cobertos, e o Islã não permite que elas sejam vistas dessa forma”, afirmou ele.
VÍDEO: O que esperar do futuro das mulheres no Afeganistão?
“Essa é a era da mídia, haverá fotos e vídeos [de mulheres praticando esportes], e as pessoas poderão assistir. O Islã e o Emirado Islâmico (a forma como o Talibã se refere ao próprio regime) não permitem que as mulheres joguem críquete ou os esportes em que elas ficam expostas”, afirmou ele, segundo o jornal “The Guardian”.
Governo provisório sem mulheres
Na terça-feira (7), os líderes do Talibã anunciaram os primeiros nomes do governo provisório do Afeganistão. Não há nenhuma mulher. Todos os ministros são talibãs.
Nesta quarta-feira, a União Europeia disse que o grupo extremista não cumpriu o pacto de incluir grupos diferentes na formação do governo.
A União Europeia reclamou principalmente da falta de diversidade étnica e religiosa.
O bloco havia estabelecido cinco condições para ter uma relação com o Talibã, e entre essas estava a de formar um governo de transição inclusivo e representativo.
Protesto por direitos das mulheres
No dia 4 de setembro houve um protesto pelos direitos das mulheres em Cabul, a capital do país. Naquela ocasião, as mulheres afirmam que o Talibã as alvejou com gás lacrimogêneo e spray de pimenta enquanto tentavam caminhar de uma ponte até o palácio presidencial.
Houve outros protestos semelhantes em Cabul e também em Herat, a terceira maior cidade do Afeganistão.
As mulheres reivindicavam o direito de trabalhar e serem incluídas no governo.
Mulheres só poderão estudar separadas de homens
O Talibã também determinou regras para que as mulheres possam frequentar as universidades: as estudantes afegãs terão que usar uma abaya (um vestido longo usado pelas muçulmanas) preta e um véu, o niqab, que cobre o rosto deixando apenas os olhos à mostra.
As aulas não serão mistas, segundo um decreto publicado pelo novo regime talibã.
Além disso, as mulheres inscritas nestes estabelecimentos terão que sair da sala cinco minutos antes dos estudantes homens e aguardar, em salas de espera, até que eles deixem o local, de acordo com o decreto que tem data de sábado (4) e foi publicado pelo Ministério do Educação superior.
As universidades terão também que “recrutar professoras para as estudantes”, ou tentar contratar “professores idosos” cuja moralidade tenha sido testada.
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Presidente da Argentina usa cúpula latino-americana sobre clima sem Bolsonaro para se aproximar dos EUA


A cúpula é uma prévia da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-26) que acontecerá entre outubro e novembro em Glasgow, Montagem mostra os presidente Alberto Fernández e Jair Bolsonaro
Gabriel Bouys e Ueslei Marcelino/Reuters
A Argentina será a anfitriã nesta quarta-feira (8) de uma cúpula latino-americana sobre o clima. A ausência do presidente Jair Bolsonaro na reunião beneficia a estratégia do presidente argentino, Alberto Fernández, de ocupar o vácuo deixado pelo Brasil como líder da região na questão ambiental e, por essa via, aproximar-se do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
A cúpula latino-americana será uma prévia da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-26) que, entre 31 de outubro e 12 de novembro, reunirá os líderes mundiais em Glasgow, na Escócia. Alberto Fernández vai conduzir a reunião virtual, intitulada “Diálogo de Alto Nível sobre Ação Climática nas Américas”, no Museu do Bicentenário da Casa Rosada, sede do governo argentino. 
O objetivo anunciado da reunião é promover o diálogo para enfatizar a urgência de uma ação climática nas Américas, para impulsionar a arquitetura de mecanismos inovadores na implementação de ações e para incentivar a cooperação no continente. Ao longo de cinco painéis, o encontro terá a participação dos presidentes de Colômbia, Costa Rica, Panamá, Paraguai e República Dominicana, da primeira-ministra de Barbados, do enviado especial dos Estados Unidos para o Clima, John Kerry, do secretário-geral da ONU, António Guterres, além dos ministros do Meio Ambiente de Argentina, Chile, Colômbia e Panamá.
ONGs em defesa do meio-ambiente pedem adiamento da Cúpula do Clima da ONU
A ausência do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, é a mais visível, mas também a mais previsível. Longe de esvaziar a reunião, o vácuo deixado pelo Brasil é propício para o objetivo da Argentina de ocupar esse espaço como interlocutor entre a região e os líderes mundiais. Fernández espera que o encontro seja um trampolim para um encontro bilateral com Joe Biden.
Crédito em troca de ação climática
A reunião começou a ganhar forma em 14 de maio passado, quando Fernández propôs a ideia de uma conferência regional sobre mudanças climáticas ao americano John Kerry durante um encontro bilateral que tiveram em Roma.
Naquele momento, o argentino traçou uma estratégia que une as suas necessidades domésticas de financiamento com o objetivo da comunidade internacional de preservação ambiental: a troca de dívida por ações de preservação do meio ambiente.
“Expus a John Kerry que deveríamos pensar em formas de financiamento para os países que abordarem as mudanças climáticas. Isso poderia envolver países devedores aos que os Estados Unidos, em vez de darem recursos financeiros, poderiam reduzir as suas dívidas”, explicou Fernández na ocasião.
A conversa entre o presidente argentino e o enviado do governo de Joe Biden também teve como assunto uma forma de envolver o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, no compromisso de proteção ao meio ambiente. Kerry sublinhou esse aspecto geopolítico sobre o Brasil.
“O presidente [Alberto Fernández] está muito interessado em ajudar os países da América Latina e a sua liderança no assunto climático é bem-vinda. Esperamos poder trabalhar com Bolsonaro para progredirmos”, disse Kerry.
Argentina quer liderar a região
A questão climática é uma janela de oportunidade que a Argentina encontrou para se tornar referência na América Latina, aproveitando o desprezo do governo brasileiro pela matéria. Fernández levanta a bandeira do meio ambiente, temática ainda desconhecida para os argentinos. Ele procura liderar a agenda climática na região em oposição a Bolsonaro, em franco descrédito perante as potências mundiais.
Em 21 e 22 de abril passados, durante a Cúpula Ibero-americana e a Cúpula de Líderes sobre o Clima, promovida por Biden, o argentino associou a questão ambiental com as suas necessidades internas de dinheiro.
“Crédito aos países em desenvolvimento, incorporando elementos de ação climática aos beneficiados e estabelecendo uma relação virtuosa entre alívio financeiro e cuidado ambiental”, propôs Fernández na reunião ibero-americana. “Pagamentos por serviços ecossistêmicos e trocas de dívida por ação climática”, acrescentou o líder argentino na Cúpula de Líderes sobre o Clima.
Aproximação com Biden
A Argentina procura aprofundar o seu diálogo com Washington no contexto da sua necessidade de um acordo financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Os Estados Unidos são o principal sócio do FMI e único país com poder de veto sobre acordos.
Se o ex-presidente Donald Trump representava distância para o governo argentino, Joe Biden oferece uma chance de aproximação, exatamente o contrário do que representa para o Brasil.
“A Argentina que ocupar esse vácuo que o Brasil deixou. Com um bom olfato político, Fernández aproveita os foros internacionais para se posicionar”, explica à RFI o analista internacional argentino Raúl Aragón.
“A pergunta é até que ponto a agenda ambiental de Fernández é genuína ou é apenas parte de uma estratégia de política internacional”, questiona o cientista político Carlos Meléndez, da Universidade Diego Portales do Chile.
Limites internos à liderança regional
A força de projeção internacional do presidente argentino pode, no entanto, ser limitada devido à sua acelerada perda de popularidade interna, apontada por todas as pesquisas de opinião. A queda é dramática: a aprovação às ações de Fernández passou de cerca de 70% em abril de 2020 a aproximadamente 25% em agosto de 2021.
“Nesse cenário, é irrelevante se Fernández quer ou não ser um líder ambientalista. As aspirações de liderança ambiental de Fernández não têm nenhum aval na atual realidade argentina”, avalia à RFI o ex-chanceler Jorge Faurie (2017-2019).
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Veja quem são os ministros do novo governo do Talibã no Afeganistão


Grupo extremista anunciou nesta terça parte de seu gabinete de governo. Três semanas depois de tomar o poder no Afeganistão, o Talibã anunciou nesta terça-feira (7) parte de seu futuro governo, que será dirigido por Mohammad Hasan Akhund.
Fundado em 1994 pelo mulá Omar, o movimento islâmico sempre foi envolto em mistério, mesmo durante sua gestão anterior do país, de 1996 a 2001.
Segue um panorama geral dos novos rostos do executivo afegão, que o Talibã prometeu ser “inclusivo” e que será concluído nas próximas semanas.
Mohammad Hasan Akhund, primeiro-ministro
Foto de arquivo tirada em 25 de agosto de 1999 mostra o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Sartaj Aziz, recebendo seu então homólogo afegão Mohammad Hasan Akhund (à esquerda) em uma base aérea em Rawalpindi, a cerca de 25 quilômetros de Islamabad.
Saeed Khan/AFP
Natural de Kandahar, o novo primeiro-ministro afegão foi aliado próximo e conselheiro político do fundador do movimento e líder supremo, mulá Omar.
No primeiro governo do Talibã, foi vice-ministro das Relações Exteriores e governador da província de Kandahar, no sul, berço dos islâmicos.
De acordo com as Nações Unidas, Mohammad Hasan Akhund, cujo nome aparece na lista de sancionados pelo Conselho de Segurança por envolvimento em “atos e atividades dos talibãs”, é conhecido por ter sido um dos “comandantes talibãs mais eficazes”.
Mulá Baradar, vice-primeiro-ministro
O mulá Abdul Ghani Baradar, no centro, em Moscou, em março de 2021
Alexander Zemlianichenko/Reuters
O cofundador do movimento Abdul Ghani Baradar será o número dois do novo Executivo, informou Zabihullah Mujahid, principal porta-voz do grupo, durante uma entrevista coletiva em Cabul.
Baradar,figura respeitada por várias facções talibãs, coordenou as negociações de Doha com o governo dos Estados Unidos, que levaram à retirada das forças estrangeiras do país.
Abdul Salam Hanafi, vice-primeiro-ministro
Abdul Salam Hanafi chega para negociações de paz em Doha, em agosto de 2021
Hussein Sayed/Reuters
Abdul Salam Hanafi, que também está na lista negra da ONU, foi o vice-ministro da Educação no primeiro governo do Talibã, que proibiu a escolarização das mulheres.
A ONU o proibiu de viajar, mas suspendeu a medida para que ele pudesse participar das negociações de Doha.
Depois que o Talibã foi destituído do poder em 2001, ele assumiu a província de Jawzjan (norte), controlada pelo movimento islâmico. O Conselho de Segurança da ONU também o acusa de envolvimento com tráfico de drogas.
Talibã anuncia governo interino no Afeganistão
Sirajuddin Haqqani, ministro do Interior
Sirajuddin Haqqani, líder da rede Haqqani, vai comandar a pasta do Interior. Ele é filho do famoso comandante da jihad antissoviética Jalaluddin Haqqani.
A rede Haqqani, fundada por seu pai, é considerada “terrorista” por Washington, que garante ser uma das facções mais perigosas enfrentadas pelas tropas afegãs e da Otan nas últimas duas décadas.
O FBI prometeu recompensa de até US$ 5 milhões por qualquer informação que possa levar à prisão de Sirajuddin Haqqani.
A rede é acusada de ter assassinado altos funcionários afegãos e sequestrado ocidentais, que teria libertado em troca de resgates ou outros prisioneiros. É o caso do soldado americano Bowe Bergdhal que, após ser sequestrado, foi libertado em 2014 em troca de cinco presos afegãos de Guantánamo.
Mulá Yaqub, ministro da Defesa
Entre as outras nomeações anunciadas nesta terça-feira está a do mulá Yaqub, filho do mulá Omar, para o cargo de ministro da Defesa;
Yaqub é o chefe da poderosa comissão militar do Talibã, que decidiu a estratégia do movimento na guerra contra o governo afegão.
Os laços com seu pai, altamente reverenciado como o chefe dos talibãs, fazem dele uma figura unificadora dentro de um movimento amplo e diverso.
No entanto, especulações sobre seu exato papel no movimento são comuns e alguns analistas consideram que sua nomeação para a chefia da citada comissão, em 2020, foi apenas simbólica.

Fonte: G1 Mundo