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Japão: o exército de mulheres qualificadas que só conseguem subempregos


Por que as mulheres ainda lutam por melhores empregos na terceira maior economia do mundo. Yumiko Suzuki passou sete anos em casa criando seus filhos antes de voltar ao trabalho
Yumiko Suzuki
Existem muitas mulheres inteligentes e formadas no Japão que poderiam estar tirando o país da sua atual recessão econômica rumo a uma espetacular recuperação da pandemia.
Mas o rígido sistema trabalhista do país – junto à liderança predominantemente masculina – permanece sendo um enorme entrave que impede as mulheres de conseguir empregos mais bem remunerados.
Os críticos advertem que o país corre o risco de tornar-se uma nação de donas de casa frustradas com diplomas universitários.
O prazo definido pelo próprio Japão para aumentar significativamente o número de mulheres em papéis de liderança até 2020 passou em silêncio no final do ano passado, sem que sequer se chegasse perto desse objetivo.
Conhecida como “Womenomics” em inglês e anunciada com grande alarde, a política do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe de criar um “Japão onde as mulheres podem brilhar” foi, em grande parte, um fracasso. E não só devido à Covid-19.
Atualmente, existe apenas uma mulher para cada dez homens no Parlamento e menos de 15% dos altos cargos no setor privado são ocupados por mulheres – a metade do objetivo original para 2020.
Shinzo Abe anunciou a criação de um “Japão onde as mulheres podem brilhar”
Getty Images via BBC
O ex-primeiro-ministro Shinzo Abe defende que a política foi um sucesso: existem agora mais mulheres trabalhando do que nunca. Mas que tipo de trabalho essas mulheres com alta formação estão fazendo?
Os críticos acreditam que essa política teve pouco a ver com a criação de mudanças sociais – que permitiriam que as mulheres progredissem no trabalho – e mais a ver com a necessidade premente de trabalhadores. A população japonesa em idade produtiva vem encolhendo rapidamente desde a década de 1990.
Por décadas, cerca de 60% das mulheres abandonaram o trabalho profissional após ter seu primeiro filho. Mães que cuidam dos seus filhos em tempo integral – porque a renda do marido pode sustentar a família inteira – foram tradicionalmente vistas como privilegiadas.
Mas, quando chegou a política Womenomics, as mães já estavam começando a voltar ao trabalho porque a renda familiar diminuiu.
Apenas 42,1% deixaram seus empregos em 2019, elevando os percentuais de participação no mercado de trabalho para 70,9% para mulheres com 15-64 anos de idade e até 77,7% na faixa de 25-44 anos, segundo os números do governo.
Para apoiar essa mudança, o governo lançou campanhas a fim de eliminar as listas de espera nas creches. E também pressionou as grandes companhias para que tenham pelo menos uma mulher em cargo executivo. Mas não havia incentivos financeiros, nem penalidades para quem não obedecesse.
Mulheres executivas japonesas no distrito comercial no centro de Tóquio
Getty Images via BBC
Por isso, muitas mulheres ficaram estacionadas em cargos em meio período ou sem possibilidade de promoção. A renda média das mulheres japonesas é mais de 40% menor que a dos homens, segundo o Fórum Econômico Mundial.
A volta ao trabalho
Mais da metade das mulheres japonesas entra no mercado de trabalho com diploma universitário, quase o mesmo número dos homens. Mas, depois de abandonar um trabalho em tempo integral, é quase impossível retornar à sua carreira original após um período de licença.
“Se quiser voltar a trabalhar, você precisará procurar um emprego no supermercado – como faria um estudante em busca de trabalho em meio período”, afirma Yumiko Suzuki, que trabalha como consultora profissional na agência Warc.
Quinze anos atrás, Suzuki também decidiu abandonar o trabalho remunerado e tornar-se dona de casa – uma decisão que não foi fácil para ela.
Sua história é mais ou menos típica. Depois da universidade, ela trabalhou tanto quanto seus colegas homens – ou seja, até depois do horário, muitas vezes perdendo o último trem para casa, apenas para provar que era capaz.
Yumiko agora ajuda outras mulheres a retomar suas carreiras
Yumiko Suzuki
Mas, quando ela conheceu seu marido, que trabalhava na mesma companhia, eles perceberam que, para ter uma família, um deles teria que desistir da sua carreira.
Atualmente, muitas mães que trabalham têm a opção de trabalhar por menos tempo ou em horários flexíveis, o que não existia quando ela saiu da empresa, em 2006.
“Nós dois estávamos trabalhando 24 horas por dia. Sabíamos que não poderíamos começar uma família dessa forma”, conta ela.
Mas, depois de sete anos como mãe e dona de casa criando os dois filhos, Suzuki tentou voltar ao mercado de trabalho.
Ela ficou surpresa quando percebeu que o tempo que passou em casa era visto como “uma lacuna” no seu currículo. Ela não conseguia nem mesmo uma entrevista.
Por fim, ela precisou obter três certificados profissionais antes de finalmente receber uma oferta de trabalho em tempo integral em uma start-up. Agora, ela ajuda outras mães a retomar suas carreiras.
O ponto crucial do problema são as rígidas práticas de contratação do Japão e o sistema de empregos vitalícios criado para reconstruir a economia após 1945
Getty Images via BBC
Como custear as falhas
O problema reside nas rígidas práticas de contratação do Japão. O sistema de empregos vitalícios criado para reconstruir a economia após a Segunda Guerra Mundial não dita rigorosamente as normas, mas as principais companhias continuam a empregar novos formandos todos os anos, na primavera, e oferecer a eles empregos para toda a vida.
E, se você perder essa oportunidade, pode ser muito difícil candidatar-se a outra vaga no ano seguinte.
Qualquer falha no seu currículo também é reprovada pelas grandes companhias, que ainda usam um sistema de avaliação baseado na idade: quanto mais tempo de vida você tem, mais a sua carreira progride, independentemente da sua capacidade.
Kathy Matsui, que cunhou o termo Womenomics quando trabalhava no banco de investimentos Goldman Sachs, afirma que “o país tem uma falta tão grande de talentos que estamos examinando todo o sistema de avaliação com base no tempo”.
Ela espera que finalmente ocorra uma mudança radical das práticas de contratação. Matsui afirma que essa mudança está sendo causada pelo êxodo de mulheres trabalhadoras brilhantes que não estão mais optando por trabalhar em empresas renomadas que esperam que você “fique 30 anos até se tornar gerente”.
Kathy Matsui afirma que as empresas japonesas enfrentam falta de mão de obra e, por isso, precisam ampliar sua busca por talentos
Getty Images via BBC
O mundo das start-ups, no qual ela entrou depois de sair da Goldman Sachs para lançar um fundo de capital de risco denominado MPower Partners Fund, opera de forma muito diferente.
“Essas companhias novas estão tentando explorar a oferta de talentos, não apenas de mulheres, mas também de trabalhadores com mais idade. Não há pessoas suficientes para todo o trabalho que precisa ser feito e, se você se recusar a mudar, você perderá a guerra por talentos.”
Como impulsionar as mudanças
Cynthia Usui, gerente nacional da rede de hotéis LOF Hotel, concorda. Sua empresa é incomum por contratar ativamente ex-donas de casa, mães solteiras e outras que costumam batalhar para conseguir empregos nas companhias tradicionais.
“Eu não acho que as empresas tenham escolha. Você precisa ter um time diverso como o nosso para ter sucesso.”
Por 17 anos, ela própria foi uma mãe dona de casa. Usui voltou a trabalhar aos 47 anos – e o seu primeiro emprego foi na cantina da escola da sua filha.
“O governo gasta muito dinheiro requalificando homens japoneses com 50 e 60 anos de idade” com os chamados centros de recursos humanos grisalhos, agrega ela.
“Eu gostaria de dizer ao governo: vocês deveriam estar gastando o mesmo dinheiro com as mulheres que foram donas de casa e estão tentando voltar ao trabalho.”
Para Kathy Matsui, é frustrante que muitos não compreendam que o Womenomics poderá significar melhor desempenho financeiro da indústria e maior crescimento econômico para o Japão.
“As pessoas ainda analisam o problema no campo dos direitos humanos ou da igualdade, o que sem dúvida é o caso, mas isso não chama a atenção de todos”, diz ela.
Até agora, as empresas japonesas têm relutado a comprometer-se publicamente com o aumento do número de mulheres no seu quadro de pessoal.
Mas o direcionamento da mudança poderá vir finalmente das multinacionais, que são mais ativas – como a Goldman Sachs, antiga empregadora de Kathy Matsui.
Ela tem a paridade de gênero como objetivo ao contratar formandos e, ao enfrentar dificuldades para encontrar mulheres com qualificação adequada para cargos iniciais de engenharia, realizou workshops sobre codificação.

Fonte: G1 Mundo

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Biden visitará Nova York e Nova Jersey, castigados pelo furacão Ida


O presidente democrata já havia visitado o estado de Louisiana na sexta-feira (3), quando fez um apelo pela unidade nacional para combater a mudança climática. Carros e caminhões são vistos após enchente nesta quinta-feira (2) na via expressa Major Deegan, no bairro do Bronx, em Nova York, após passagem do furacão Ida
Craig Ruttle/AP
O presidente americano Joe Biden visitará os estados de Nova York e Nova Jersey na próxima terça-feira (7), para avaliar os danos causados pela tempestade mortal Ida – anunciou a Casa Branca neste sábado (4).
Biden irá a Manville, em Nova Jersey, e ao bairro do Queens, na cidade de Nova York, de acordo com um comunicado.
VEJA TAMBÉM: Tempestade Ida causa mortes e inundações em Nova York; FOTOS
As inundações devastadoras da noite de quarta-feira (1º) deixaram 47 mortos em Nova York e sua região.
O presidente dos EUA, Joe Biden, se despede após encontro com líderes locais de comunidades atingidas pelo furacão Ida em Galliano, no estado de Louisiana, nos EUA, na sexta (3)
Jonathan Ernst/Reuters
Na sexta-feira (3), o presidente democrata esteve em Louisiana, o primeiro estado americano na mira do Ida quando este atingiu o continente, causando graves danos.
Na ocasião, fez um apelo pela unidade nacional para combater a mudança climática, fenômeno que identificou como a causa de acontecimentos extremos cada vez mais frequentes.
O presidente democrata também aproveitou a visita para elogiar os méritos de seus gigantescos programas de investimentos, em particular em infraestrutura, e que ainda não foram aprovados pelo Congresso.

Fonte: G1 Mundo

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Talibãs adiam anúncio sobre governo, em meio à resistência armada no Vale do Panjshir


Região é um dos últimos focos de oposição ao novo regime. Os talibãs voltaram a adiar, neste sábado (4), a apresentação de seu Executivo, cuja composição poderia dar pistas sobre como serão os próximos anos no Afeganistão, em meio à resistência armada no vale Vale do Panjshir.
Embora quase três semanas tenham-se passado desde que o Talibã recuperou o poder, duas fontes do movimento islâmico disseram à AFP que o esperado anúncio do novo governo será adiado pela segunda uma vez.
Originalmente, o gabinete ministerial talibã seria divulgado na sexta-feira (3).
Uma explicação para este atraso pode ser a situação em Panjshir, um dos últimos focos de oposição armada ao novo regime. Um antigo reduto antitalibã, este vale fica a cerca de 80 quilômetros ao norte da capital e é de difícil acesso.
Desde segunda-feira (30), quando as últimas tropas americanas deixaram o país, o vale é palco de combates entre os talibãs e a Frente Nacional de Resistência (FNR).
A região é praticamente a única das 34 províncias afegãs que não foi conquistada pelo grupo extremista em sua volta ao poder após 20 anos.
Cimenti: Talibã diz que tomou o último reduto rebelde, mas resistência nega
‘Resistência continua’
Em Cabul, rajadas de arma de fogo ecoaram na sexta-feira à noite (3), para celebrar a vitória do movimento islâmico em Panjshir, após rumores do sucesso talibã. O grupo não fez, porém, qualquer anúncio oficial a esse respeito.
Segundo os serviços de emergência da capital, duas pessoas morreram, e outras 20 foram feridas por esses disparos “de celebração”. Este episódio levou o principal porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, a pedir aos seus apoiadores, no Twitter, que parem de “atirar para o alto” e, “em vez disso, [deem] graças a Deus”.
Refugiado no Vale do Panjshir, o ex-vice-presidente Amrullah Saleh divulgou uma mensagem de vídeo alertando que uma “situação muito difícil” está acontecendo, mas que “a resistência continua e continuará”.
De acordo com Ahmad Massud, que lidera a resistência no vale, os talibãs ofereceram à FNR dois cargos no futuro governo.
Mas, “como pedíamos um futuro melhor para o Afeganistão, nem sequer consideramos” a oferta, disse na quarta-feira (1) o filho do comandante Ahmed Shah Massud, assassinado em 2001 pela Al-Qaeda.
Para Massud, os talibãs “escolheram o caminho de guerra”.
Desde sua volta ao poder, os talibãs tentam transmitir uma imagem de moderação. Nesse sentido, prometeram formar um governo “inclusivo” e, nas últimas semanas, multiplicaram seus contatos com personalidades afegãs que se opõem a eles. Entre elas, estão o ex-presidente Hamid Karzai e o ex-vice-presidente Abdullah Abdullah.
Talibã retoma 3 distritos na província de Baghlan e cerca o Vale do Panjshir
Lucas Sampaio/G1
Reação dos países
Na sexta-feira, vários países voltaram a afirmar que vão julgar o novo governo por suas ações, e não por suas palavras.
O presidente russo, Vladimir Putin, disse esperar que os talibãs se comportem de maneira “civilizada”, enquanto a China pediu-lhes que “rompam” definitivamente com grupos “terroristas”.
O secretário de Estado americano, Antony Blinken, que visitará o Catar entre segunda e quarta-feira, manifestou, por sua vez, que espera que o governo seja “realmente inclusivo” com “não talibãs” representativos “das diferentes comunidades e dos diferentes interesses do Afeganistão”.
Embora tenham prometido assegurar os direitos das mulheres, o Talibã já deu a entender que o gênero não estará representado em seu futuro gabinete. Várias ativistas foram às ruas em Herat (oeste), na quinta-feira, e na capital, na sexta, em protesto.
Movimento de resistência ao Talibã participam de treinamento militar na área de Malimah, no distrito de Dara, na província de Panjshir, em 2 de setembro de 2021, enquanto o vale continua sendo o último local ainda não conquistado pelo grupo extremista no Afeganistão
Ahmad Sahel Arman/AFP
Catástrofe humanitária
Para além das questões de segurança, a questão agora é como os talibãs conseguirão endireitar a economia do país, que se encontra em um estado lamentável após quatro décadas de conflito.
“O Afeganistão enfrenta uma catástrofe humanitária iminente”, alertou a ONU na sexta-feira, que realizará uma reunião em 13 de setembro para aumentar a ajuda humanitária destinada ao país.
O Catar anunciou o envio, neste sábado (4), de 15 toneladas de ajuda humanitária procedente do mundo todo para o Afeganistão e disse que os voos continuarão “nos próximos dias”.
Os “voos internacionais” estarão “operacionais em breve”, disse o embaixador do Catar no Afeganistão, Saeed bin Mubarak Al-Khayarin, à rede Al-Jazeera.
O radar, a torre de controle e a pista foram reparados, e a segurança, garantida, dentro e ao redor do aeroporto de Cabul, acrescentou o embaixador catariano.

Fonte: G1 Mundo

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Mudanças climáticas: o ‘outro’ gás que contribui cada vez mais para o aquecimento global


Embora limitar o dióxido de carbono tenha sido a estratégia mais amplamente usada, o último relatório da ONU sobre as mudanças climáticas mostrou que o metano é responsável por grande parte do aquecimento atual. De onde ele vem e como pode ser limitado? Último relatório da ONU sobre as mudanças climáticas mostrou que o metano é responsável por grande parte do aquecimento atual
Reuters
Um dos dados mais surpreendentes do recente relatório da ONU sobre mudanças climáticas foi a proeminência do metano como gás responsável pelo aumento das temperaturas.
Uma campanha agressiva para cortar as emissões de metano poderia dar ao mundo mais tempo para enfrentar as mudanças climáticas, dizem os especialistas.
O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sugere que entre 30% e 50% do aumento das temperaturas se deve a esse gás poderoso, mas de vida curta.
As principais fontes de metano incluem a agricultura, os campos de petróleo e gás e os aterros sanitários.
Mudanças recentes no clima causadas pelo homem não têm precedentes, aponta relatório da ONU
Por décadas, os maiores esforços para enfrentar o aquecimento global têm se concentrado em limitar as emissões de dióxido de carbono (CO2) oriundas de atividades humanas, como geração de energia ou desmatamento.
Isso se baseia em evidências científicas, já que o CO2 é responsável por cerca de 70% do aumento do aquecimento global ocorrido desde a revolução industrial.
O metano (CH4), por outro lado, não tem recebido essa atenção.
Isso pode estar mudando, já que um importante estudo das Nações Unidas no início deste ano destacou seu impacto ambiental.
Agora, segundo o relatório do IPCC, calcula-se que o metano tenha acrescentado meio grau centígrado ao aquecimento global.
Fontes de metano
Então, de onde vem todo esse gás?
Cerca de 40% do metano se origina de fontes naturais, como pântanos, mas a maior parte dele vem de uma série de atividades humanas.
“É uma combinação de origens, da agricultura — incluindo pecuária e cultivo de arroz — à outra fonte importante de metano, que são os depósitos de lixo”, diz o professor Peter Thorne, um dos cientistas do IPCC, da Maynooth University, na Irlanda.
“Uma das principais fontes vem da produção, transporte e aproveitamento do gás natural, que tem um nome enganoso, e deveria se chamar gás fóssil”, acrescenta. Desde 2008, houve um aumento significativo nas emissões de metano que os pesquisadores associam ao boom do fraturamento hidráulico, o método de exploração de petróleo em partes dos EUA.
Em 2019, o metano na atmosfera atingiu níveis recordes, cerca de duas vezes e meia maior do que na era pré-industrial.
O que preocupa os cientistas é que o metano é um fator forte quando se trata do aquecimento climático. Em um período de 100 anos, ele aquece entre 28 e 34 vezes mais que o CO2.
No entanto, um aspecto positivo do CH4 é que ele não dura tanto no ar quanto o CO2.
Bolhas de metano em um pântano na Suécia
Reuters
“Se você emitir uma tonelada de metano hoje, em uma década você esperaria que apenas meia tonelada permanecesse na atmosfera e em duas décadas, um quarto de tonelada”, diz o professor Thorne, acrescentando:
“Então, basicamente, se pudermos parar nossas emissões de metano até o final do século, sua presença na atmosfera deve retornar aos níveis naturais, como estavam em 1750.”
No curto prazo, os especialistas acreditam que, se as emissões de metano fossem reduzidas em 40-45% na próxima década, o aumento da temperatura até 2040 poderia ser limitado em 0,3 grau.
Em um mundo onde cada fração de grau conta, isso potencialmente faz uma enorme diferença neste esforço para evitar que as temperaturas globais subam mais de 1,5 grau.
O gado
O que entusiasma muitos pesquisadores é a crença de que uma série de ações relativamente simples pode ajudar rapidamente a limitar a produção de metano.
“É relativamente barato limitar algumas de suas fontes”, diz o professor Euan Nisbet, da Royal Holloway University de Londres.
“Em particular, estamos falando de vazamentos na indústria de gás, que agora são muito mais fáceis de se detectar do que há 10 ou 20 anos, pois os instrumentos para detectá-los são muito melhores.”
“Algumas ações podem ser tomadas muito rapidamente: nos trópicos, você pode colocar terra em cima dos enormes aterros urbanos e também pode impedir o incêndio de resíduos da colheita”, acrescenta. Essas medidas rápidas funcionam. Nos EUA, os esforços para coletar gás em aterros sanitários reduziram as emissões de metano em 40% entre 1990 e 2016.
A coleta de gás metano em aterros sanitários funcionou nos EUA
Reuters
Na agricultura, também ocorrem mudanças técnicas relacionadas ao manejo de dejetos e rações que podem reduzir as emissões desse gás.
Mas alcançar grandes reduções exigirá ação política.
Em países como a Irlanda ou a Nova Zelândia, onde a agricultura desempenha um papel fundamental na economia, essas mudanças podem ser problemáticas.
Para ter sucesso, essas decisões devem ser justas e equitativas.
“Você não pode simplesmente dizer às pessoas que elas não podem mais criar mais vacas ou ovelhas”, diz o professor Thorne.
“São necessárias políticas para ajudar na transição para outros meios de gestão da terra, mas isso não vai acontecer se as pessoas disserem que você não pode mais criar gado. Tem que ser uma abordagem muito mais sutil.”
A escolha dos consumidores em relação à sua dieta de carnes e laticínios, sem dúvida, terá um impacto neste setor.
A pecuária é uma das fontes de gás metano e qualquer decisão tomada pode ser muito polêmica em países que dependem deste setor
Reuters
Indústria
A indústria de petróleo e gás também enfrenta um grande desafio na limitação do metano.
As leis atuais não conseguiram impedir os vazamentos. Mas há um interesse crescente de empresas do setor de combustíveis fósseis em usar tecnologia que possa identificar rapidamente essas perdas e eliminá-las.
“Se você olhar de um ponto de vista objetivo, o setor está melhorando em relação a vazamentos e incidentes, mas não rápido o suficiente”, diz Arnel Santos, um veterano da indústria de petróleo, primeiro com a Shell e agora com a empresa de tecnologia de energia mCloud.
“Precisamos andar mais rápido para mostrar que podemos realmente implantar tecnologia para melhorar o que fazemos, porque as melhorias até agora não são rápidas o suficiente em relação ao que estamos vendo”, acrescenta.
Talvez a maior mudança necessária no cenário internacional seja separar o metano de outros gases que causam o aquecimento.
Como os negociadores do clima da ONU lidam com todos os gases de efeito estufa em um mesmo processo político, há preocupações de que eles possam fazer trocas, comparações e compromissos sobre o metano que anulem os esforços para reduzir essas emissões.
Muitos agora estão pedindo um processo separado para o metano, nos moldes do Protocolo de Montreal, que conseguiu reunir os países para regular os gases que afetaram a camada de ozônio.
“Para parar o aquecimento a longo prazo, devemos parar as emissões de dióxido de carbono”, disse o professor Thorne.
“Mas para nos ajudar nesse caminho, poderíamos tratar esses gases de maneira diferente. E se pudéssemos tratar o metano de maneira diferente, poderíamos ganhar tempo para nos adaptar às mudanças que estão ocorrendo.”
Estudo em comunidades de várzea monitora emissão de gás metano na região

Fonte: G1 Mundo

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Companhia aérea Philippine Airlines pede concordata nos EUA


Empresa das Filipinas busca reestruturar US$ 2 bilhões em dívidas para tentar superar crise desencadeada pandemia do coronavírus. Aviões da Philippine Airlines em aeroporto de Manila, em imagem de arquivo
Romeo Ranoco/Reuters
A companhia aérea Philippine Airlines anunciou neste sábado (4) pedido de concordata nos Estados Unidos para cortar US$ 2 bilhões em dívidas, enquanto tenta sobreviver em uma indústria afundada pela pandemia do coronavírus.
A companhia aérea nacional das Filipinas afirma que o processo de recuperação judicial permitirá reestruturar seus contratos e economizar US$ 2 bilhões em dívidas, ao mesmo tempo em que espera outros US$ 665 milhões, quando o processo estiver concluído.
Demanda global por transporte de passageiro segue bem abaixo do patamar pré-pandemia
Iata prevê recuperação no transporte global de passageiros apenas em 2023
A empresa também vai reduzir sua frota em 25% e vai renegociar seus contratos para baixar o preço dos aluguéis.
“A Philippine Airlines continuará suas operações comerciais, depois que a reestruturação da nossa rede, da nossa frota e da nossa organização estiver concluída”, disse o vice-presidente e diretor financeiro, Nilo Thaddeus Rodriguez, em uma mensagem de vídeo.
O volume de passageiros nas Filipinas caiu mais de 75%, passando de 30 milhões, em 2019, para sete milhões em 2020, devido às restrições relacionadas com a pandemia da Covid-19, disse o presidente da companhia aérea, Gilbert Santa Maria.
A empresa cancelou mais de 80.000 voos, perdeu US$ 2 bilhões em receita e demitiu 2.300 funcionários. No momento, segundo seu presidente, opera 21% do total de voos anteriores à pandemia, cobrindo apenas 70% dos destinos habituais.
O Capítulo 11 da lei de falências americana (Bankrutpcty Code) permite a uma empresa com dificuldades financeiras continuar funcionando normalmente, dando-lhe um tempo para chegar a um acordo com seus credores. O processo é equivalente ao da recuperação judicial da legislação brasileira.

Fonte: G1 Mundo

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Nova Zelândia registra 1ª morte por Covid-19 em seis meses


Caso foi o 27º óbito da pandemia no país. Vítima é uma mulher de 90 anos com outras complicações de saúde . Pessoas cruzam ruas quase vazias do distrito comercial de Auckland, na Nova Zelândia, em imagem do dia 27 de agosto.
Michael Craig/NZ Herald via AP
A Nova Zelândia informou neste sábado (4) sua primeira morte ligada ao coronavírus em seis meses, em meio a um ressurgimento da Covid-19 no país que, segundo as autoridades, começa a ficar sob controle.
A falecida, o 27º óbito da pandemia na Nova Zelândia, é uma mulher de 90 anos com outras complicações de saúde que não conseguiu receber um respirador, nem ser internada na UTI, e morreu em um hospital de Auckland na sexta-feira (3).
Com uma estratégia de tolerância zero ao vírus, a Nova Zelândia luta desde meados de agosto contra o avanço da pandemia, quando foi detectado o primeiro caso de contágio local em seis meses.
As autoridades decretaram um duro confinamento a seus cinco milhões de habitantes. Desde então, 782 casos foram registrados, especialmente em Auckland, sua cidade mais populosa.
Nas últimas 24 horas, foram detectados 20 novos casos positivos, bem abaixo do pico de 84 infecções no fim de semana passado (28 e 29 de agosto).
Desde o início da pandemia de Covid-19, o governo da Nova Zelândia é elogiado por sua gestão eficaz da crise sanitária.

Fonte: G1 Mundo

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Você viu? Atestado na CPI, recuo do PIB, alta na conta de luz, terror em Araçatuba, chuva em NY, brinquedo antiestresse e adeus a Sérgio Mamberti


Uma seleção de reportagens publicadas no G1 com as notícias de 30 de agosto a 3 de setembro. Madrugada de terror em Araçatuba. Recuo do PIB. Chuva história em Nova York. Nova proposta para o Imposto de Renda. Atestado médico na CPI da Covid. Alta na conta de luz. Adeus a Sérgio Mamberti. Brinquedo antiestresse febre entre crianças. Pedido de casamento nas Paralimpíadas. Confusão com lista de aprovados da UFPR. Guia da cafeteira ideal. Moto que anda sozinha. Estreia do G1 Enem.
Economia sem fôlego 💵 📉
“Eu perdi tudo, fui a zero. Além de ficar sem negócio, fiquei sem teto, porque eu morava lá. Parece que tropecei na beira de um poço, caí nele e não parei de afundar.”
As palavras acima são da empresária Daniela Falcão. Ela é uma das milhares de profissionais do ramo turístico que sofrem com o impacto do PIB, que recuou 0,1% no 2º trimestre. Ela era dona de um hostel localizado próximo ao Estádio do Maracanã. Decidiu fechar as portas logo depois de declarada a pandemia.
ENTENDA o PIB em queda e e veja 10 riscos que podem frear retomada
Variação trimestral do PIB desde 2016
Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1
Terror em Araçatuba
Além de assaltarem bancos com forte armamento explosivo, criminosos usaram moradores como escudo humano em madrugada de terror em Araçatuba (SP). Para atravessar a cidade, os bandidos colocaram pessoas em cima de carros. Uma das vítimas, que não quis se identificar, disse que nunca se segurou com tanta força em algo, com medo de cair e acharem que estava fugindo. O personal trainer Márcio Victor Possa da Silva, também colocado no capô de um veículo, foi morto com dez tiros. Um ciclista teve os pés amputados após achar que um artefato no chão era um celular. No vídeo abaixo, veja imagens marcantes do mega-assalto:
Terror em Araçatuba: saiba como foi o mega-assalto a agências bancárias
Estragos da tempestade Ida 🌧️
A passagem da tempestade tropical Ida nos EUA resultou em imagens impressionantes: uma estação do metrô de Nova York foi tomada pela água da chuva e uma vaca foi encontrada pendurada região metropolitana de Nova Orleans. Houve mortes e mais de 1,1 milhão de pessoas ficaram sem energia.
Imagens mostram água saindo pelo teto dos vagões do metrô de Nova York
Antes de chegar aos EUA como tempestade tropical, o Ida foi sentido em outros países como um furacão. O vídeo abaixo foi gravado dentro de um avião que passou exatamente pelo olho do Ida.
Avião chacoalha ao entrar dentro de furacão Ida
Moto 👻
Mistéééééério num estacionamento de Londrina. Câmeras de segurança flagraram uma moto 🏍️ andando sozinha. A imagens mostram que, no momento em que a moto começa a se mover, o sensor de luz do local também é ativado, deixando o ambiente claro. Em seguida, a moto cai no chão. Assista (se for capaz):
Vídeo de moto andando sozinha em estacionamento de Londrina viraliza; ASSISTA
E cadê o dono??????? Darcy Furquim disse que estranhou quando chegou ao local e encontrou a moto no chão (foi quando teve a ideia de ver as câmeras). Apesar do susto, ele acredita em alguma falha no motor.
“É uma situação que foge da normalidade, mas não é uma situação que é um fantasma, um espírito, acredito. Deve ter sido uma pane.”
Adeus a Sérgio Mamberti
Mordomo Eugênio da novela “Vale Tudo” e dr. Victor do seriado “Castelo Rá-tim-bum” são só alguns papéis da longa e bonita carreira de Sérgio Mamberti. ⚡ O ator, que imortalizou o bordão “raios e trovões”, morreu aos 82 anos, em decorrência de falência múltipla de órgãos.
😔 Cassio Scapin, que deu vida ao Nino do “Castelo Rá-tim-bum”, homenageou o colega de cena:
“Hoje partiu Sergio Mamberti. Nosso Tio Vitor! Um homem, um artista que lutou pelo progresso e desenvolvimento da nação brasileira, com as armas que tinha, a cultura e a arte! Fará imensa falta a sua força! Nosso coração doido se despede com muita dor e uma grande salva de palmas! Bravos meu querido.”
Dê o play no vídeo abaixo para rever cenas do ator:
Sérgio Mamberti: Veja cenas de novelas com o ator
Atestado na CPI
A semana da CPI da Covid foi marcada por uma ausência: o lobbista Marconny Alberna, que apresentou um atestado médico. Mas a própria comissão não comprou a ideia, contestou a veracidade do documento e botou a polícia legislativa no encalço do ausente. E mais: o próprio médico que assinou o atestado de Marconny voltou atrás e quis cancelar o documento, segundo o senador Randolfe Rodrigues. Como Marconny não foi encontrado, os senadores, então, requisitaram ao STF que aprovasse uma condução coercitiva (com “uso da força policial e de todos os meios mínimos necessários”). E mais: o próprio médico que assinou o atestado de Marconny voltou atrás e quis cancelar o documento, segundo o senador Randolfe Rodrigues.
Valdo: Atestado médico de depoente não é válido, dizem fontes
Mas Ivanildo Gonçalves, motoboy da VTCLog, firma de logística que virou alvo da CPI por suspeitas de irregularidades envolvendo o Ministério da Saúde, compareceu. Ele é tido como “testemunha-chave” porque o Coaf identificou movimentação atípica da VTCLog no valor de R$ 117 milhões. Desse total, o motoboy movimentou R$ 4,7 milhões.
VÍDEO: CPI exibe lista com valores de saques feitos por motoboy
04 tatuado
Foi com uma tatuagem no braço que Renan Bolsonaro decidiu homenagear o pai. Em um estúdio em Goiânia, o 04 fez o desenho do rosto do presidente Jair Bolsonaro no braço. Ao publicar foto da tatuagem em uma rede social, Renan escreveu parte da letra da música “Muito Orgulho, Meu Pai”, de Gabriel o Pensador: “Quando eu crescesse eu queria ser que nem você. Agora eu já cresci e ainda quero ser. Eu tenho orgulho do pai e tenho cada vez mais”.
Filho de Bolsonaro tatua rosto do pai no braço, em Goiânia
Reprodução/Instagram
Por um lugar ao ☀️
A principal praia de Balneário Camboriú deve voltar a receber a luz do sol por mais horas. Hoje, os arranha-céus que beiram a orla encobrem os banhistas com sombra durante parte do dia. Mas a paisagem já começou a mudar graças à chegada de uma draga que vai alargar o trecho tomado pela areia e deixá-lo com uma largura de cerca de 350 metros. Veja abaixo como a praia está se alargando e compare o antes e depois em fotos:
Processo de alargamento de praia em Balneário Camboriú (SC)
Escolta de Ricardo Nunes
“Muito técnica” e “reagindo a uma injusta agressão”: foi assim que o ouvidor das Polícias do estado de São Paulo, Elizeu Soares Lopes, classificou a reação de PMs da escolta do prefeito da capital, Ricardo Nunes, a uma tentativa de assalto que terminou com um morto. Câmeras de segurança registraram o momento em que dois homens supostamente armados se aproximam do carro parado em frente à casa de Nunes. Uma policial à paisana que está fora do veículo reage com um tiro. Outro policial sai do carro e corre atrás do ladrão, que acabou baleado e morto. O segundo assaltante consegue fugir numa moto.
Vídeo: Equipe de segurança do prefeito de SP reage a tentativa de assalto e suspeito morre
Incêndio em garimpo
Um incêndio causado por uma explosão de dinamites em um garimpo de Guarantã do Norte, em Mato Grosso, deixou dois mortos e três feridos. Uma das vítimas era a universitária Daniella Trajano Dalff, de 28 anos, filha do casal dono da empresa que fornecia explosivos para a região. Mario Lucier Caldeira, presidente da Cooperativa dos Garimpeiros, também não resistiu e morreu carbonizado no local. Investigações da Polícia Civil apontam que os dois estavam, de forma clandestina, manuseando um solvente inflamável para apagar os códigos de rastreio dos explosivos. O objetivo era comercializar os itens no mercado ilegal.
VÍDEO: Filha de empresários morre durante explosão de dinamites em garimpo em MT
O ❤️ está nas Paralimpíadas
Ela disse sim! 🥰💍 Ao final da bateria 4 das eliminatórias dos 200m T11 feminino, prova para deficientes visuais nas Paralimpíadas de Tóquio, a atleta Keula Nidreia Semedo, de Cabo Verde, foi pedida em casamento pelo próprio guia, Manuel Antônio da Veiga. Dê o play para ver o momento do pedido:
Veja momento em que guia pede atleta em casamento nas Paralimpíadas de Tóquio
Plástico bolha que não acaba
Comercializado com ares de “brinquedo antiestresse”, o chamado “pop it” virou febre entre crianças. Segundo especialistas, o movimento repetitivo de ficar apertando as bolhas pode promover o relaxamento e amenizar a ansiedade. Para adultos, manusear a bandeja de silicone colorida com várias bolinhas lembra a sensação de apertar plástico-bolha, sabe? O “Segue o fio”, programa do canal do g1 no YouTube, explica como o pop it, considerado um item da categoria “fidget toys”, que traduzido do inglês significa brinquedo para inquietação, funciona.
Nova fase do PIX
O Banco Central regulamentou duas novas modalidades do PIX, que estarão disponíveis a partir de 29 de novembro: o PIX Saque – que permitirá o saque em dinheiro em estabelecimentos comerciais – e o PIX Troco – que também permitirá o saque, mas associado a uma compra ou à prestação de um serviço. Saiba como as novas modalidades vão funcionar.
Imposto de Renda no seu bolso 💰
O texto-base da reforma do Imposto de Renda aprovado na Câmara dos Deputados pode impactar no seu bolso, já que estabelece mudanças para a pessoa física. O projeto atualiza as faixas de renda da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física, isentando um número maior de contribuintes. Por outro lado, reduz o limite de desconto simplificado na declaração anual. Veja detalhes no vídeo abaixo:
Entenda como a reforma do Imposto de Renda pode mexer com seu bolso
Importante lembrar: o texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente para entrar em vigor.
📝 G1 Enem
Na contagem regressiva para o Enem, o G1 estreou programa uma série de lives no YouTube com revisões, games, dicas, bate-papos e explicações. Aproveite para acompanhar o programa e mandar os seus comentários e dúvidas – eles podem ser exibidos na tela durante a live e respondidos pelo professor Philippe Spitaleri, do Curso Anglo (SP). Pra começar, que tal encarar um desafio com questões de química? Dê o play:
Dica: já acesse agora a página e se inscreva – assim, você receberá lembretes no celular. O link é: https://www.youtube.com/c/g1.
💡 Conta de luz ainda mais cara
A conta de luz do brasileiro foi elevada a outro patamar, ainda pior que a bandeira vermelha, até então a mais cara. Agora, com a “bandeira tarifária escassez hídrica”, as faturas são acrescidas de R$ 14,20 para cada 100 kW/h consumidos.
Entenda as bandeiras tarfiárias
Economia G1
Para estimular a economia, o governo anunciou um programa de desconto a quem reduzir de forma voluntária o consumo de energia. O programa tem duração prevista até dezembro, mas pode ser prorrogado. Saiba como ele funciona. No vídeo abaixo, veja algumas dicas para economizar os custos:
Fim da Lei de Segurança Nacional
O presidente Jair Bolsonaro sancionou, com cinco vetos, o projeto que revoga a Lei de Segurança Nacional, criada em 1983, na ditadura militar, e usada nos últimos meses contra críticos do governo. Investigado no inquérito das fake news no STF, Bolsonaro vetou trechos que punem “comunicação enganosa em massa” e quem proibir realização de manifestação pacífica. Veja, a seguir, os cinco vetos:
2️⃣ Manifestações – veto: artigo que prevê punição a quem impedisse “o livre e pacífico exercício de manifestação”.
3️⃣ Militares – veto: trecho que aumentava em 50% o tempo de condenação de militares caso o crime atente contra o Estado de Direito (previa também a perda de patente ou de graduação).
4️⃣ Servidores públicos – veto: trecho que aumentava em um terço a pena caso os crimes contra o Estado democrático de Direito cometidos com violência ou grave ameaça com uso de arma de fogo ou por funcionário público (previa também a perda da função).
5️⃣ Ações de partidos – veto: trecho que permitia que partidos com representação no Congresso movessem ação sobre crimes contra as instituições democráticas no processo eleitoral.
Por falar em Bolsonaro… O Ministério Público Estadual do Mato Grosso abriu inquérito para apurar um sobrevoo feito por um helicóptero do Centro Integrado de Operações Aéreas em um colégio particular de Cuiabá após a escola punir uma professora que criticou o presidente e os apoiadores dele, em sala de aula.
Helicóptero do Ciopaer sobrevoa colégio com a bandeira do Brasil em Cuiabá
Concurso animal 🙈🙉🙊
O que pássaros mal-humorados, um macaco desinibidíssimo e um urso “modelando” têm em comum? Eles são as estrelas do concurso Comedy Wildlife Photo, que premia as fotos mais engraçadas da vida selvagem. Nós garantimos: essas imagens são a melhor coisa que você na sua semana. Aproveite!
Veja fotos finalistas de concurso que premia cliques mais engraçadas de animais selvagens
🐍 O registro de uma sucuri mostrando a língua não foi selecionado para o concurso, mas merece ser compartilhado. O animal de aproximadamente 6 metros “fez a pose” ao ser flagrado por um documentarista de natureza, em Bonito (MS). Assista:
Sucuri ‘mostra língua’ ao ser flagrada por documentarista em águas cristalinas de Bonito
Mundo animal 🐊
A ideia da blogueira Dev H Langer era tentar fazer a foto de um jacaré com a boca aberta. Mas, ao se aproximar do animal com um drone, ele abocanhou a câmera. O resultado? Não uma foto da boca, mas um vídeo (feito por outra pessoa que filmava o passeio), do jacaré devorando o drone.
Vídeo: Jacaré abocanha e mastiga drone nos EUA
De sonho a pesadelo
O que era para ser o início de um sonho, virou um pesadelo na vida do estudante Gabriel Zimermann. Num dia, acordou com a notícia de que tinha sido aprovado no vestibular de medicina da UFPR. Comemorou com a família, com os amigos e até raspou o cabelo. Mas no outro dia acordou sabendo que havia sido um erro da universidade ao computar e divulgar notas (e, com a nova classificação, passou para a lista de espera).
“Abri e reabri umas cinco vezes [a lista] para ter certeza. Não conseguia acreditar. Não sabia nem o que pensar. […] Foi a noite inteira sem conseguir dormir, fiquei muito triste mesmo”, disse Gabriel.
UFPR corrige resultado do vestibular e substitui 31 nomes
Apesar da frustração, o jovem afirmou que vai manter vivo o sonho de estudar medicina.
Coletor de lixo herói
Graças ao coletor de lixo Kelvin Jonathan dos Santos, o menino Lucas Almeida, de 5 anos, está hoje bem, são e salvo. Como mostram as imagens de câmeras de segurança, graças a Kelvin, Lucas escapou de um atropelamento, em Rolândia (PR).
Criança é salva de atropelamento, no Paraná
Segundo a família de Lucas, o pequeno saiu de casa após para ir atrás do avô. E, olha que perigo, conseguiu abrir o portão sem ninguém perceber.
Violência dentro de casa
Além de sofrer agressões da patroa, a babá Raiana Ribeiro ficava horas sem comer e chegou a desmaiar na casa da família, em Salvador. Para fugir da violência cometida por Melina França, a babá se jogou do apartamento e caiu no parapeito do prédio.
“Não tem corpo que aguente ficar sem alimentação, sem beber e ainda recebendo pancada. Eu lembro que minha cabeça começou a rodar e eu ficava sem conseguir respirar direito”, disse a babá.
O vídeo abaixo mostra um dos episódios de agressão. As imagens são fortes:
VÍDEO: Câmera de segurança mostra agressões contra babá que pulou de prédio em Salvador
Guia da cafeteira ideal ☕
Intenso, suave, mais doce ou ácido… Tem café para muitos gostos e a chave para alcançar o resultado que mais se adequa a você está no método de preparo. Há muitas opções, que vão desde os coadores “diferentões” passando pela prensa francesa, cafeteira italiana, aeropress até as tradicionais máquinas de café espresso. Veja guia para escolher a cafeteira que mais combina com você.
Cafeteiras de espresso
Divulgação
Marco temporal
O procurador-geral da República, Augusto Aras, apresentou no STF manifestação contrária ao “marco temporal”. Para Aras, o direito dos indígenas sobre as terras é “originário” e deve ser analisado caso a caso.
“O Brasil não foi descoberto. O Brasil não tem 521 anos. Não se pode invisibilizar os nossos ancestrais que nos legaram este país”, afirmou Aras.
A Corte retomou nesta semana o julgamento que discute se a demarcação de terras indígenas deve seguir o marco. Por essa regra, os índios só podem reivindicar terras que já eram ocupadas por eles antes da promulgação da Constituição de 1988. O plenário do STF ouviu sustentações orais de interessados no tema e de partes no processo. O julgamento deve ser retomado semana que vem, com o voto do relator, ministro Edson Fachin.
Veja comentário de Flávia Oliveira sobre o tema:
Flávia: ‘Chamou atenção a forma com que Aras se posicionou a favor dos indígenas’

Fonte: G1 Mundo

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Bélgica empilha 90 mil toneladas de entulho em rodovia após enchentes; veja fotos


Móveis, paredes e telhados foram arrastados durante as fortes enchentes de julho deste ano; ‘lixão provisório’ serve para armazenar o material enquanto os centros de reciclagem estão abarrotados. Milhares de toneladas de lixo são empilhadas em estrada da Bélgica após enchentes, foto de 3 de setembro de 2021
Kilian Fichou/AFP
Uma cidade da Bélgica empilhou cerca de 90 mil toneladas de entulho em uma rodovia após as fortes enchentes que atingiram a região em julho deste ano.
Restos de móveis, paredes e telhados foram destruídos e o “lixão provisório” foi erguido para armazenar todo o material enquanto os centros de reciclagem estão abarrotados.
O plano do governo regional é reciclar até 60% dos destroços – que ocupam 8 quilômetros da rodovia A601 em Juprelle, perto da cidade de Liège – e incinerar o restante.
Móveis, paredes e telhados destruídos nas enchentes de julho são empilhados em rodovia da Bélgica, foto de 3 de setembro de 2021
François Walschaerts/AFP
A estimativa do Ministério do Meio Ambiente belga é de que toda essa operação de limpeza ainda deve durar mais pelo menos nove meses.
A região mais afetada pelas enchentes no país foi a Valônia, cuja principal cidade é justamente Liège.
Os maiores estragos estão em cidades e vilas ao longo dos rios Mosa (que nasce na França, passa pelo país e adentra a Holanda) e Vesdre, perto da fronteira com a Alemanha.
Veja mais fotos do lixão improvisado:
Caminhão passa ao lado de entulhos retirados após as enchentes na Bélgica, foto de 3 de setembro de 2021
François Walschaerts/AFP
90 mil toneladas de lixo foram retiradas após enchentes na Bélgica, foto de 3 de setembro de 2021
François Walschaerts/AFP
Lixo retirado após enchentes na Bélgica é enfileirado em rodovia, foto de 3 de setembro de 2021
François Walschaerts/AFP
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Fonte: G1 Mundo

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Governo brasileiro autoriza a concessão de visto humanitário a afegãos


Medida é parecida com a que já ocorre com sírios e haitianos. Documento é feito fora do Brasil, em consulados ou embaixadas brasileiras no exterior – como a de Islamabad, no Paquistão. Centenas de pessoas se reúnem, algumas segurando documentos, perto de um posto de controle em volta do Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul, capital do Afeganistão, em 26 de agosto de 2021
Wali Sabawoon/AP
Os ministérios das Relações Exteriores e da Justiça e Segurança Pública anunciaram nesta sexta-feira (3) que o Brasil poderá conceder visto humanitário a afegãos que desejarem deixar o país por conta do regime talibã.
O pedido de visto humanitário, diferentemente do de refúgio, tem de ser feito fora do Brasil, em alguma autoridade consular. No caso do Afeganistão, a mais próxima é a Embaixada de Islamabad, no Paquistão.
Segundo o Itamaraty, além de Islamabad, as embaixadas em Teerã, Moscou, Ancara, Doha e Abu Dhabi estarão habilitadas a processar os pedidos de visto “para acolhida humanitária”.
No mês passado, o Itamaraty disse que preparava em coordenação com a pasta da Justiça e Segurança Pública a concessão dos vistos humanitários “em termos semelhantes aos concedidos a haitianos e sírios”.

Fonte: G1 Mundo

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Madre Teresa: as virtudes e controvérsias da religiosa que virou santa há cinco anos


Em 1971, quando foi noticiado que mulheres em Bangladesh haviam ficado grávidas depois de terem sido estupradas por soldados paquistaneses durante a guerra de Independência ali travada, a voz de Madre Teresa não foi para combater as atrocidades perpetradas pelos militares, mas sim para defender que as mulheres prosseguissem com suas gravidezes. Presidente dos EUA Ronald Reagan durante homenagem a Madre Teresa
Casa Branca
Frequentemente listada entre as personalidades mais conhecidas do século 20, Madre Teresa de Calcutá (1910-1997) acumulou homenagens, como o Prêmio Nobel da Paz de 1979, e acabou sendo oficializada como santa pelo Vaticano em um processo relativamente rápido — Francisco a canonizou em 4 de setembro de 2016, exatamente há cinco anos, menos de duas décadas depois de sua morte.
Mas não são poucas as controvérsias acumuladas na biografia da religiosa, uma mulher de etnia albanesa nascida na atual Macedônia do Norte, cujo nome civil era Anjezë Gonxhe Bojaxhiu, que fundou uma congregação chamada Missionárias da Caridade e devotou sua missão ao serviço aos chamados “mais pobres entre os pobres”, “os intocáveis”, os últimos na hierarquia social da sociedade indiana.
Biógrafos já levantaram polêmicas a respeito de seu fundamentalismo e também acerca da origem de parte do dinheiro arrecadado por sua instituição. Também há discussão sobre a qualidade do atendimento prestado aos pobres e até um questionamento sobre sua fé — com base em diários em que a religiosa afirmava não sentir a presença de Deus.
“Na Igreja Católica, quando mais uma pessoa se doa para o próximo, mais importante ela fica aos olhos do mundo. Foi assim com São Francisco de Assis, que se desfez até de suas vezes; foi assim com a Irmã Dulce, aqui no Brasil, que se dedicou aos mais pobres e doentes e assim também foi com Santa Teresa de Calcutá, que vivia para ajudar os mais pobres na Índia”, afirma frei Rogério Lima, assistente eclesiástico da fundação pontifícia ACN – Ajuda à Igreja que Sofre.
“A radicalidade de doação de Madre Teresa ganhou fama, chamou a atenção do mundo inteiro”, continua ele. “Suas atitudes e pensamentos mudaram a forma de pensar de muita gente. Quem consegue ficar com o coração indiferente quando se lembra do episódio em que Madre Teresa, ao ouvir alguém dizer que não cuidaria de um moribundo nem por um milhão de dólares, ouve sua resposta afirmando que por um milhão de dólares ela também não cuidaria, que só aceitaria cuidar por amor.”
Para Lima, “a questão da caridade define a missão dela, uma cristã acima de tudo”. “O seu testemunho de caridade é visível e reconhecido mesmo por pessoas e regimes que não professam a doutrina cristã e não aceitam a Igreja Católica”, enfatiza. “Sua obra não foi marcada por um proselitismo. Conseguiu ir para países comunistas e de outros lastros de credo e políticas, muitas vezes sua obra foi para países onde o catolicismo não poderia entrar e ela entrou. Dialogava com todos, foi prêmio Nobel da Paz por este forte acento de um grande humanismo.”
O Calcutá como complemento ao nome religioso deve-se à cidade indiana, capital do estado de Bengala Ocidental. Nos anos 1950, ali Madre Teresa fundou sua congregação — atualmente, funciona lá a sede mundial da instituição religiosa, que tem 4,5 mil membros espalhados em mais de 130 países do globo.
“Ela era uma religiosa professa católica, vivia em nação cujas religiões principais são o hinduísmo e o islamismo, com apenas 2,3% de cristãos. Preocupava-se com aqueles que não tinham ninguém. Ia buscar seu irmão nas ruas das áreas mais pobres da Índia, muitos deles não professavam a religião dela mas o importante era acolhê-los, reumanizá-los, dada a desumanização com que eram tratados”, comenta o pesquisador e estudioso da vida de santos José Luís Lira, fundador da Academia Brasileira de Hagiologia e professor da Universidade Estadual Vale do Aracaú, do Ceará.
“Em tudo isso ela era uma cristã-católica. Sua congregação viva da caridade e para a caridade.”
Lira acredita que foram esses fatores que “contribuíram para as polêmicas”. “Mas, para mim, ela foi e está santa. É modelo de amor ao próximo e de caridade e enxergo total altruísmo nas ações dela e de suas ‘filhas’, as freiras que dão seguimento ao seu trabalho”, completa.
Madre Teresa de Calcutá em foto sem data
Manfredo Ferrari/BBC
O caminho do dinheiro
À medida que o trabalho junto aos pobres chamava a atenção do mundo, mais e mais doações chegavam para a causa de Madre Teresa. A origem de parte desse dinheiro é um calcanhar de Aquiles pronto para receber golpes dos críticos.
Em seu livro ‘The Missionary Position: Mother Teresa in Theory and Practice’, o jornalista e escritor britânico Christopher Eric Hitchens (1949-2011) apresentou a madre como uma oportunista, que trafegava entre uma elite conservadora e apresentava a situação dos pobres indianos de maneira hábil para conseguir engordar os cofres de sua congregação.
No apêndice da reedição de 2003 de sua obra, quando ele relatou sua participação, como depoente, no processo de beatificação da religiosa, o jornalista disse que “não era da minha conta o que a Igreja decidia sobre seus santos, mas a palavra santo tinha um significado secular compreensível para todos e estava pronto para argumentar que a candidata não merecia esse adjetivo de forma alguma”.
“Quando me perguntaram se eu sabia alguma coisa sobre seu trabalho entre os pobres, respondi que havia caminhado com ela por Calcutá e que havia chegado à conclusão de que ela não era tanto amiga dos pobres, mas sim amiga da pobreza. Ela louvava a pobreza, a doença e o sofrimento como dádivas do alto, e dizia às pessoas que aceitassem essas dádivas com alegria”, escreveu.
“Opunha-se veementemente à única política que já aliviou a pobreza em todas as nações — que é empoderar as mulheres e garantir seu controle sobre a própria fertilidade”, prosseguiu
Hitchens afirmou que a famosa instituição fundada por Madre Teresa em Calcutá era, “na verdade, nada mais do que um hospital primitivo, um lugar onde as pessoas iam morrer, um lugar onde os cuidados médicos eram escassos, se não inexistentes”. Por outro lado, ele enfatizou que quando ela precisava, voava “de primeira classe para uma clínica privada na Califórnia”.
“As grandes somas de dinheiro arrecadadas foram gastas principalmente na construção de conventos em sua homenagem”, ressaltou. “Ela tinha feito amizade com uma série de vigaristas e exploradores ricos, de Charles Lincoln, da Lincoln Savings & Loans, à repulsiva dinastia Duvalier, do Haiti, aceitando generosas doações de ambos que, na verdade, haviam sido roubadas dos pobres.”
Para ilustrar seu ponto de vista, Hitchens citou que Madre Teresa recebeu “dinheiro sujo” do advogado, banqueiro e incorporador de imóveis Charles Keating (1923-2014), preso em 1991 nos Estados Unidos por fraude. “Madre Teresa escreveu ao juiz do caso alegando que Keating era um bom homem. Ele definitivamente era bom, para ela: havia lhe emprestado seu jato particular e passado a ela 1,4 milhão de dólares”, disse o jornalista.
Hitchens ainda sentenciou que, “apesar das vastas somas de dinheiro arrecadas pela ordem religiosa, nenhum livro de contabilidade das Missionárias da Caridade jamais foi tornado público”. Ele acrescentou que não estava acusando Madre Teresa de se apropriar do dinheiro para seus próprios fins, mas sim se o dinheiro foi gasto “na pregação do fundamentalismo católicos em países pobres, como ela mesma parece ter repetidamente afirmado”.
Professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, o historiador, filósofo e teólogo Gerson Leite de Moraes concorda que a origem do dinheiro para as obras da religiosa é algo recorrente no questionamento da santidade dela, enquanto personagem histórico. “Parece que a organização [por ela fundada] não estava muito preocupada com isso. Desde que o dinheiro chegasse”, comenta ele.
Madre Teresa em foto de 1985, em Hong Kong
REUTERS/Andrew Wong
Um abrigo para morrer
“Há uma polêmica também sobre ela não administrar bem esses recursos, porque as condições de vida das pessoas e das instituições [dirigidas pela congregação], as condições sanitárias eram muito ruins e isso pesa”, acrescenta ele. “Mas tudo isso torna a Madre Teresa talvez um símbolo de santidade que a Igreja hoje quer evidenciar: uma santidade que não é de uma pessoa com uma vida perfeita, mas uma pessoa de carne e osso, vivendo no mundo real, com suas dúvidas, idiossincrasias, questionamentos. Mas uma pessoa que opera, executa, tem algo prático a mostrar.”
O vaticanista Filipe Domingues, que acompanhou de perto o processo de canonização da religiosa em 2016, lembra que essa era uma característica do trabalho de Madre Teresa. “Ela fazia coisas muito pequenas e muito simples, mas de um jeito extraordinário, porque fazia com muito amor”, ressalta ele.
“Ela acolhia aquelas pessoas, os últimos entre os últimos na sociedade, os intocáveis, dentro de um país já pobre. Eram pessoas que precisavam. Qualquer coisa que recebessem já era mais do que eles tinham”, explica. “E Madre Teresa acolhia essas pessoas num abrigo e ficava com essas pessoas, dava alguma dignidade para elas morrerem. Não era um super hospital, mas ela botava as pessoas para dentro e cuidava dessas pessoas até elas morrerem. Sua obra não tinha milagres ou curas, o extraordinário era fazer isso que ninguém fazia, acolher aquelas pessoas no momento de mais fragilidade, que é o fim da vida.”
“Elas se sentiam acolhidas, abraçadas, fisicamente inclusive, e sentiam ali um primeiro olhar do que viria depois, que seria o acolhimento de Deus. Madre Teresa foi importante porque conseguiu antecipar para algumas pessoas essa primeira visão do Céu ou de uma vida que vem depois, segundo a crença católica”, completa o vaticanista.
Domingues recorda que a própria religiosa enfatizava que nunca havia tido a intenção de criar um hospital, mas sim de dar um lugar para que as pessoas morressem com dignidade, uma cama para morrer em paz.
Entre ditadores
Sua proximidade com os ditadores haitianos François Duvalier (1907-1971), o Papa Doc, e Jean-Claude Duvalier (1951-2014), o Baby Doc, benfeitores de seus projetos, é uma das páginas mais problemáticas de sua biografia.
Em seu livro ‘Mother Teresa: The Untold Story’, o médico indiano Aroup Chatterjee, que conviveu com ela nas ruas de Calcutá, pontuou que a religiosa era “uma velha amiga da milícia haitiana” e da “notória família Duvalier, que governava com a ajuda de seu exército particular”.
“Quando ela [Madre Teresa] visitou o Haiti como convidada dos Duvaliers [para ser condecorada no país], ela rendeu homenagens à madame Duvalier, que não apenas tirou milhões dos cofres do Estado, mas também foi instrumento de tortura no reino do terror”, criticou. “A madre disse a Michele Duvalier: ‘senhora presidente, o país vibra com o trabalho de sua vida’. E ainda acrescentou que jamais havia visto ‘os pobres tão familiarizados com seu chefe de Estado como estavam com ela’.”
Foto de arquivo de Madre Teresa de Calcutá, de 15 de maio de 1997
AFP Photo
“Não, ela não estava sendo apenas educada com anfitriões generosos”, completa o médico. “[Madre Teresa] quase nunca falava sobre seus anfitriões em seus discursos, mesmo quando recebia prêmios. Seus discursos eram geralmente prolixos, começando com o tema da pobreza, tanto do corpo quanto da mente, e depois se lançando em uma longa diatribe contra o aborto.”
Chatterjee disse que tal postura elogiosa aos Duvaliers era um tratamento que ela reservava “para os muitos selecionados”. “Só consigo pensar em [Ronald] Reagan [(1911-2004), presidente americano que, como o autor destaca, tinha uma postura a favor de guerras, pró-armas e a favor da pena de morte]. Mesmo o prefeito de Roma, [Francesco] Rutelli, de quem ela gostava particularmente apesar de seu objetivo declarado de livrar a cidade dos ciganos, não recebeu tal tipo de elogio”, destacou.
“Não é que Madre Teresa tolerasse assassinatos indiscriminados por ditadores implacáveis. Mas sua linha era: se você está indo bem em termos de religião e aborto, então tudo o mais que você possa fazer eu esquecerei. Além disso, se você for financeiramente generoso com a minha ordem, estará expiando o que o resto do mundo vê como crime”, definiu o médico.
Professor no Instituto São Paulo de Estudos Superiores, o padre Antonio Bogaz lembra de outra perspectiva: o uso que personalidades podem fazer da boa imagem de pessoas como Madre Teresa. “Podemos ficar preocupados, pois os grandes nomes da Igreja podem ser manipulados pelos poderosos”, argumenta ele. “Percebia-se que os poderosos usavam seus nomes, mesmo para fazerem marketing. Houve mesmo comerciais nas televisões mundiais com testemunhos da Madre Teresa, como que mostrando a superioridade generosa dos capitalistas em favor dos pobres do mundo.”
“Do ponto de vista pessoal, acredita-se que ela escolheu lugares de pobreza, onde a miséria era imensa, sobretudo entre as castas mais pobres. Todos os grande profetas e altruístas devem estar atentos, para não serem ingênuos e assim serem manipulados e usados pelas corporações. Sua missão [de Madre Teresa] continua e se espalhou mesmo entre os países ricos, para servir as camadas mais pobres”, prossegue o padre.
“Basta ficar atento, pois onde existe mais riqueza, a miséria é mais gritante. A cooptação dos grandes servidores dos pobres é um perigo constante”, comenta ele. “Existe uma geopolítica internacional, que quer sempre manifestar-se como benfeitores do mundo, mas muitas vezes fazem doações generosas, para manter as relações de dominações. Não é diferente da lógica dos ‘traficantes dos morros; que alimentam os pobres e continuam a dominação. Os governantes são especialistas nestas estratégias. Madre Teresa vale por si mesma, para mostrar que os pobres merecem cuidados para sobreviverem dignamente”.
Bogaz ainda frisa que “grande doações podem ter sido manipuladas por mediadores”, algo possivelmente recorrente em grandes instituições beneficentes.
Domingues conta que, durante o processo de canonização conversou com o postulador da causa junto ao Vaticano, o padre canadense Brian Kolodiejchuk. “Sempre levantam esse ponto, de ela ter recebido dinheiro de pessoas escusas, de ditadores, etc. Padre Brian foi muito veemente sobre isso, disse que quando Madre Teresa sabia que a origem do dinheiro era ilegal, ela não aceitava”, relata.
O vaticanista, contudo, admite que, seja “até possível” que ela tenha recebido “dinheiro sujo”, “porque era tanta doação, de tantos lugares, que não tinha como olhar todos os detalhes”. “Mas o que penso é que ela só aceitava em nome dos pobres, ela fazia as coisas em nome dos pobres. Ela sempre falava: se há uma pessoa desesperada, que precisa de comida, que está numa situação de vulnerabilidade extrema, não há condições de recusar nenhum tipo de ajuda”, acrescenta.
“Também tenho minhas críticas, podemos questionar eticamente. Mas quando tentamos pensar com a cabeça dela, podemos entender por que talvez ela possa ter aceitado doações de políticos ou de empresas… Era pobreza extrema mesmo. E quem vive essa realidade não fica fazendo perguntas”, diz.
Aborto
O jornalista Hitchens disse que foi perguntado se Madre Teresa poderia ser chamada de hipócrita. “Respondi que não”, escreveu. “Madre Teresa sempre tornou públicas suas crenças radicalmente reacionárias. Não é culpa dela que ninguém as tenha notado e que o rebanho da mídia tenha decidido que ela era uma pessoa compassiva e de coração terno.”
Esses posicionamentos foram notórios. Sua cruzada em defesa do direito à vida desde o momento da concepção foi intensa. No livro ‘Mother Teresa: The Final Verdict’, o médico Chatterjee escreveu que a religiosa “moveria a Terra para evitar um único aborto — na verdade, ela muitas vezes viajou pela Terra para impedir um aborto, ou por causa do aborto”.
“Eu odeio reconhecer isso, mas acho que quando se tratam de questões sociais, mesmo o papa [na época do livro, João Paulo II] é muito mais liberal do que Madre Teresa”, comentou o médico.
De acordo com sua interpretação, a postura da Igreja frente ao aborto — “transformando uma questão pessoal a uma questão política” — nas últimas décadas é um legado do trabalho realizado por Madre Teresa, e sua influência na cúpula do catolicismo. “Deixados por conta própria próprio, os velhos do Vaticano, suspeito, teriam sido ignorados como um bando de antiquados sem relevância”, sentenciou ele.
Em 1971, quando foi noticiado que mulheres em Bangladesh haviam ficado grávidas depois de terem sido estupradas por soldados paquistaneses durante a guerra de Independência ali travada, a voz de Madre Teresa não foi para combater as atrocidades perpetradas pelos militares, mas sim para defender que as mulheres prosseguissem com suas gravidezes.
“É interessante que Madre Teresa não tenha pronunciado uma palavra de condenação às ações dos soldados, nem mesmo uma palavra de simpatia pelas mulheres. Toda a sua obsessão era que as mulheres estupradas, se grávidas, não abortassem”, disse o médico. “Ela poderia ter estendido a assistência a todas as mulheres torturadas e abusadas mas, em vez disso, escolheu oferecer ajuda até o parto para as mulheres estupradas que tivessem seus bebês.”
Para Domingues, a posição inveterada e sem exceções de Madre Teresa quando ao aborto é uma “não polêmica”. “Ela acreditava nisso como a Igreja acredita: que a vida tem de ser defendida em todos os estágios, inclusive no ventre materno”, explica ele. “Estranho seria se ela defendesse algo diferente, que não refletisse a postura que ela representa, ou seja, do catolicismo.”
Em 1995, quando houve um referendo na Irlanda para decidir se seria permitido o divórcio e o segundo casamento, Madre Teresa fez campanha pelo “não”. “Uma irlandesa casada com um alcoólatra violento e incestuoso teria de suportar e oferecer seus sofrimentos como um sacrifício a Deus”, argumentou Hitchens, lembrando que a princesa Diana (1961-1997), de quem ela era amiga, podia se divorciar do marido e não era criticada pela religiosa por conta disso. “Era como voltar aos dias da Igreja medieval, quando preceitos morais estritos eram pregados para os pobres, enquanto indulgências eram dadas aos ricos.”
Contra o socialismo
Segundo Chatterjee, a proximidade entre Madre Teresa e o papa João Paulo II (1920-2005) também era afinada pelo espectro ideológico político. “O papel político mais útil da madre veio nos anos que levaram à destruição do bloco socialista”, anotou o biógrafo. “Ele [o papa] e a madre trabalharam incansavelmente para serem admitidos em um país do bloco oriental após o outro, anos antes da queda do Muro de Berlim. O único objetivo era a desestabilização política, e não a caridade.”
Ele dá como exemplo a visita de Madre Teresa à Berlim Oriental em junho de 1980, quando ela liderou uma procissão de 20 mil católicos. No ano seguinte, no auge da Guerra Fria, abriu uma unidade de sua casa lá. “Mesmo as autoridades da Alemanha Oriental não puderam dizer não a ela”, ressalta ele, enfatizando que logo após a queda do muro, em 1989, quando “a casa teria sido extremamente necessária para dar socorro à Berlim Oriental com seus novos e múltiplos problemas”, a instituição fechou as portas.
“Ao longo de sua vida, Madre Teresa teve centenas de encontros secretos com diferentes papas, para que o catolicismo pudesse retornar à sua Albânia. Ela teve a sorte de ver o fim do regime stalinista em vida”, disse Chatterjee.
Segundo escreveu o biógrafo, “em um nível internacional, a agenda política de Madre Teresa era estreita, consistindo na ‘política’ da intervenção reprodutiva humana e do catolicismo”. “Na Índia, entretanto, ela frequentemente se envolvia com políticas pragmáticas. Ela era uma conservadora, política e social, de extrema-direita. Infelizmente, muitos das esquerda são enganados por sua postura e pretensão de amar os pobres”, alfinetou ele.

Em 2003, padre Kolodiejchuk lançou o livro ‘Mother Teresa: Come Be My Light’, a partir de cartas e anotações da própria religiosa. A obra acabou expondo uma faceta então inesperada de uma santa: o momento em que a própria fé em Deus parece ser questionada.
“Ela deixou claro [em seus diários] que talvez na maior parte da vida ela não sentia a presença de Deus. Ela rezava, fazia tudo com grande disciplina e diligência, mas vivia numa grande escuridão. Rezava e não sentia nada de volta, não se sentia amada por Deus e, para ela, isso era uma grande dor”, pontua Domingues. “O céu era uma escuridão, ela dizia.”
“Madre Teresa experimentou o que chamamos no cristianismo de ‘noite escura'”, explica o hagiógrafo Lira. “Grandes santos e místicos tiveram essa experiência que é uma espécie de ausência de fé. Percebe-se aí que Santa Teresa de Calcutá questionava o seu Deus diante de tanta desumanidade que via e ela dizia que tinha vontade de se sentir amada por Deus. Ela se sentia como que desamparada.”
Para o teólogo Moraes, esse percurso acaba trazendo ainda mais humanidade para a personagem. Ao tornar públicas as dúvidas que a religiosa tinha, “aquele momento em que a fé dá uma balançada”, inclusive “com frases chocantes, dizendo que Deus realmente não existe, que eu busco mas ninguém responde, não tenho fé alguma”, o postulador a aproxima do ser humano comum.
“Santo não é uma pessoa perfeita”, acrescenta Domingues. “Mas uma pessoa cuja trajetória de vida faz um sentido do ponto de vista da fé, das obras, das virtudes.”
“A Igreja a considera importante porque ela deu um verdadeiro testemunho para os cristãos”, diz padre Bogaz. “Tantas são as ordens que se ocupam dos pobres e dos doentes, mas com grandes estruturas. Ela se tornou serva destes povos mais pobres, viveu a pobreza que os religiosos professam de forma radical.”
“A santidade de Madre Teresa é intocável, pois viveu na simplicidade e na indigência até o final da vida”, acrescenta ele. “Viveu pobre, entre os pobres. Somente quem vive entre os pobres pode entender a lógica dessa solidariedade, bem diferente de governantes distantes ou jornalistas que apenas buscam a curiosidade dos eventos. Por centro, seu olhar para os pobres e a urgência de socorrer os miseráveis não lhe permitia ver a intenção das doações e pode mesmo ter havido ingenuidade nestas ações humanitárias.”
Ele alerta: “não se questiona sua santidade, mas todos que se dedicam à missão de servir os mais vulneráveis devem estar atentos para não serem instrumentalizados por governos e poderosos que se servem destas situações para fazer auto-propaganda e se perpetuarem no poder”.

Fonte: G1 Mundo