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Site revela detalhes dos planos para funeral da rainha Elizabeth II


Portal teve acesso a documentos que mostram protocolos para anúncio da morte da soberana e para coroação de Charles. Detalhes revelam preocupação com superlotação de Londres e com alertas de ataques terroristas. Rainha Elizabeth II lê discurso no Parlamento britânico, em 11 de maio de 2021
Chris Jackson/AP
Quando o primeiro-ministro do Reino Unido for informado por telefone de que “London Bridge caiu”, ele saberá que a rainha Elizabeth II morreu e que a Operação London Bridge terá início, um protocolo complexo cujos detalhes foram revelados nesta sexta-feira (03) pelo site Politico.
O “dia D” – como é chamado o dia da morte da rainha – começará com uma série de ligações e e-mails para altos funcionários e ministros, cujo rascunho já foi redigido.
“Caros colegas, é com tristeza que escrevo para informá-los da morte de Sua Majestade, a Rainha”, enviará aos ministros o secretário de gabinete.
Cada dia subsequente à morte é referido como “D + 1,” “D + 2” e assim por diante, revelou o site, que teve acesso a documentos do governo britânico.
Os planos para a Operação London Bridge e a Operação Spring Tide, que estabelece como Charles irá ascender ao trono, contêm detalhes específicos, como a potencial “ira” de parte da população caso Downing Street – residência oficial e o escritório do primeiro-ministro britânico – não consiga baixar as bandeiras a meio mastro em no máximo 10 minutos após o anúncio.
O site enfatiza, porém, que a monarca de 95 anos está com uma “boa saúde” e que “nada sugere” que esses planos “tenham sido revistos com alguma urgência”.
Elizabeth II completa 95 anos: veja 5 curiosidades sobre a rainha
Anúncio ao público
Os cidadãos britânicos tomarão conhecimento da notícia por meio de uma nota oficial emitida pela Casa Real. O primeiro-ministro será o primeiro membro do governo a fazer uma declaração, e os demais integrantes do Executivo não poderão se pronunciar sobre o assunto antes disso.
O Parlamento britânico, bem como as câmaras autônomas da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, cessarão suas atividades. Será anunciado um minuto de silêncio nacional e o Ministério da Defesa irá disparar salvas de vários locais.
Na internet, os planos incluem mudar o site da família real para uma página negra com uma curta declaração confirmando a morte da rainha. O site oficial do governo britânico e as redes sociais do governo exibirão uma faixa preta. O conteúdo não urgente não será publicado e os retuítes serão proibidos, a menos que sejam autorizados pelo chefe de comunicações do governo.
Os documentos também mostraram preocupações do Ministério das Relações Exteriores sobre como providenciar a entrada de um número significativo de turistas no Reino Unido, do Ministério do Interior sobre como lidar com potenciais alertas de terrorismo e do Departamento de Transporte sobre a superlotação de Londres.
Coroação do novo rei
No dia da morte da rainha, o primeiro-ministro terá uma audiência com o novo rei, Charles, filho mais velho de Elizabeth II. Depois, o premiê participará de uma cerimônia fúnebre íntima na Catedral St. Paul’s.
Charles se dirigirá à nação às 18h (hora local) e será proclamado soberano às 10h (hora local) do dia seguinte. Além disso, nos dias que antecederam o funeral, ele fará uma viagem pelo Reino Unido, começando na Escócia e terminando no País de Gales.
Príncipe Charles, filho de Philip e o primeiro na linha de sucessão ao trono britânico, acompanha o funeral do pai em 17 de abril de 2021
Leon Neal/Pool/Reuters
Translado do caixão
O protocolo prevê diferentes alternativas, dependendo do local da morte da soberana. Se ela morrer em sua residência em Sandringham (leste da Inglaterra), seu caixão chegará em um trem e será recebido pelo primeiro-ministro na estação de St. Pancras, em Londres.
Se acontecer em Balmoral (Escócia), a “Operação Unicórnio” será ativada, e o caixão será levado de trem para Londres, se possível. E, se não, a “Operação Overstudy”, será ativada, a qual transportará o caixão de avião.
No segundo dia de luto, o caixão com a rainha irá ao Palácio de Buckingham, e no quinto marchará em procissão ao Palácio de Westminster. Lá, ficará até o oitavo dia em caixão elevado e aberto ao público durante 23 horas por dia.
Pessoas observam e tiram foto do aviso no portão do Palácio de Buckingham que anuncia a morte do príncipe Philip, marido da Rainha Elizabeth II, em 9 de abril de 2021
Hannah McKay/Reuters
Funeral da rainha
O funeral oficial será realizado 10 dias após a morte de Elizabeth II e anunciado como um “dia de luto nacional”, mas não será um feriado oficial. Se cair em um dia de semana, ficará ao critério dos empregadores conceder ou não o dia de folga.
A cerimônia acontecerá na Abadia de Westminster e a monarca será enterrada na Capela Memorial do Rei George VI, no Castelo de Windsor, junto com seu marido, o duque de Edimburgo, que faleceu em abril deste ano.
YouTube do G1: As tretas da família real

Fonte: G1 Mundo

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Oposição e governo da Venezuela discutem eleições em retomada de negociações no México


Em primeiro rodada de diálogo, em 13 de agosto, foi emitido documento com sete pontos de discussão, entre eles os direitos políticos, garantias eleitorais e um cronograma para eleições monitoráveis. Estas questões são agora prioritárias, segundo oposicionistas. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se reúne com negociadores do governo antes da viagem deles ao México para discussões com a oposição, no Palácio Miraflores, em Caracas, na quinta-feira (2)
Miraflores Palace/Handout via Reuters
O governo e a oposição da Venezuela retomaram, nesta sexta-feira (3), as negociações no México, cujo objetivo mais imediato é estabelecer um cronograma e garantias para a participação de partidos contrários a Nicolás Maduro nas eleições regionais de novembro.
Depois de confirmar esta semana que competirá nas eleições para prefeitos e governadores em 21 de novembro, a oposição rompe com três anos de boicote eleitoral e reafirma os acordos elaborados em 13 de agosto em um memorando de entendimento durante a primeira rodada de negociações.
Nesse documento, sete pontos de discussão foram levantados, entre eles os direitos políticos, garantias eleitorais e um cronograma para eleições monitoráveis, questões prioritárias na agenda opositora a partir desta sexta-feira, segundo informações de uma fonte à AFP.
“Nosso objetivo é alcançar um acordo que solucione o conflito por meio de uma eleição presidencial e parlamentar livre e justa, com garantias”, disse o líder opositor Juan Guaidó em um vídeo divulgado em suas redes sociais.
“Todos sabemos que hoje não há condições para um processo eleitoral livre e justo na Venezuela, por isso estamos no México, estamos lutando para chegar a essas condições”, acrescentou.
O memorando também inclui aspectos como o levantamento de sanções e restauração de direitos, convivência política e social, proteção da economia e garantias de implementação, assim como monitoramento e verificação do que foi acordado.
O presidente da Assembleia Nacional venezuelana e chefe da delegação governamental, Jorge Rodríguez, declarou na quinta-feira à rede Telesur que suas propostas se concentrarão especialmente “na questão econômica e social (…) e na devolução de recursos que pertencem à Venezuela, para poder atender às necessidades de toda a população”.
Maduro e os membros da delegação se reuniram quinta-feira à noite no palácio presidencial de Miraflores. “Ajustamos os últimos detalhes do Documento de Petições que levaremos ao México, para o novo dia de negociação com os setores da oposição”, escreveu em sua conta do Twitter.
A mesa de diálogo, que segundo fontes da oposição começou depois das 12 horas no horário local (14 horas em Brasília) e vai durar até segunda-feira (6), é facilitada pelo reino da Noruega e conta com o apoio do México.
Guaidó, reconhecido por cinquenta países como presidente encarregado, acrescentou que a decisão dos partidos opositores de participarem das eleições de novembro foi resultado de “um processo árduo (…) para lutar em outra frente da batalha, mas trabalhar para a mesma finalidade”.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

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Terror em Araçatuba, agressão contra babá, furacão Ida: os vídeos mais vistos da semana


Veja as imagens que impactaram o Brasil e o mundo nesta semana. Veja as imagens que impactaram o Brasil e o mundo nesta semana.

Fonte: G1 Mundo

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Biden visita a Luisiana após passagem do furacão Ida


Região sudeste dos EUA foi a primeira a enfrentar a força da tempestade, ainda no fim de semana passado. Centenas de pessoas precisaram deixar suas casas e muitas permanecem sem energia elétrica. Presidente Joe Biden em visita a área afetada pelo furacão Ida na Luisiana, em foto de 3 de setembro de 2021
Jonathan Ernst/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, visitou a Luisiana nesta sexta-feira (3) para ver de perto a destruição causada pelo furacão Ida, a tempestade que devastou a porção sul do estado e deixou um milhão de pessoas sem eletricidade.
Biden se encontrou com o governador da Luisiana, John Bel Edwards, e com autoridades locais para falar do furacão, que representa um teste duro para o presidente logo depois da retirada caótica das forças norte-americanas do Afeganistão.
O quinto furacão mais poderoso a atingir os EUA tocou o solo na Luisiana no domingo (29). A tempestade deixou mais de um milhão de pessoas sem luz. Além disso, milhares estão sem abastecimento de água.
“Esta tempestade foi fora do comum, não somente aqui, mas em toda a Costa Leste”, disse Biden durante uma reunião com autoridades.
“Sei que vocês estão frustrados com a volta da energia”, disse, acrescentando que o governo está trabalhando em tempo integral com as companhias elétricas e fornecendo geradores.
Presidente Biden em visita a áreas atingidas pelo furacão Ida na Luisiana em foto de 3 de setembro de 2021
Jonathan Ernst/Reuters
Área atingida pelo furacão Ida no estado da Luisiana em foto de 3 de setembro de 2021
Jonathan Ernst/Reuters
VÍDEO: Antes e depois do Furacão Ida

Fonte: G1 Mundo

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Biden pede que Departamento de Justiça avalie retirar sigilo de documentos sobre o 11 de Setembro


Presidente americano assinou uma ordem executiva para que a investigação do FBI, feita há 20 anos, se torne pública. O democrata vem sendo pressionado por familiares das vítimas para pôr fim ao sigilo. O presidente dos EUA, Joe Biden, durante pronunciamento sobre o encerramento da retirada do Afeganistão, na Casa Branca, na terça-feira (31)
Reuters/Carlos Barria
Biden pede que Departamento de Justiça avalie retirar sigilo de documentos sobre o 11 de Setembro
Presidente americano assinou uma ordem executiva para que a investigação do FBI, feita há 20 anos, se torne pública. O democrata vem sendo pressionado por familiares das vítimas.
Reportagem em atualização.

Fonte: G1 Mundo

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Após juiz ordenar que hospital libere ivermectina, entidades nos EUA fazem apelo contra aumento do uso de remédio ineficaz contra a Covid-19


Enquanto país vive aumento de casos e hospitalizações, uso da droga aumentou impulsionada por grupos antivacina. Órgãos do governo e associações médicas são contra utilização, mas EUA tem entidade que defende uso e um dos seus fundadores está no centro de uma ação judicial movida por paciente para aplicação do antiparasitário em paciente. Não há evidências científicas sobre eficácia da ivermectina contra covid-19
Getty Images
Os Estados Unidos enfrentam aumento de casos e de hospitalizações por Covid-19 e veem estagnados os números da vacinação, enquanto órgãos do governo e entidades de saúde alertam contra o uso da ivermectina. O remédio antiparasitário que já teve a ineficácia comprovada contra o novo coronavírus é defendido por grupos antivacina e no, mais recente capítulo nos EUA, a sua prescrição foi parar em um tribunal de Ohio.
Fabricante de ivermectina, Merck diz que dados não apontam eficácia contra a Covid
Ivermectina: de tratamento para gado ao Nobel, a história do remédio sem eficácia comprovada contra Covid-19
Produtor de ivermectina diz que pagou anúncios, apesar de não ter feito estudos sobre remédio
Na segunda-feira (30), o juiz Gregory Howard proferiu uma decisão liminar para que o Hospital West Chester, localizado nos arredores de Cincinnati, em Ohio, trate um paciente com Covid-19 com ivermectina.
A ação foi movida pela mulher do paciente Jeffrey Smith, que recebeu uma receita de ivermectina do médico Fred Wagshul, um dos fundadores do grupo chamado “Front Line Covid-19 Critical Care Alliance” (FLCCC), que defende o uso do vermífugo.
De acordo com a imprensa americana, o caso será avaliado por um tribunal de apelações. O hospital alega que segue as recomendações do a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês), que não aprova o uso. Além disso, o hospital alega que o médico pró-ivermectina indicou o remédio sem conhecer o histórico do paciente.
Aumento do uso
Um relatório recente dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostrou que, em meados de agosto, os médicos assinavam mais de 88.000 receitas do medicamento por semana, muito acima do nível pré-pandêmico, de 3.600, de acordo com a agência AFP. Os centros de controle de intoxicações registraram o triplo de chamadas por overdose de ivermectina.
Na quarta-feira (1º), na mesma semana em que o processo movido pelo paciente ganhou repercussão nos Estados Unidos, três entre as entidades de saúde mais relevantes do país, a American Medical Association (AMA), a American Pharmacists Association (APhA), e a American Society of Health-System Pharmacists (ASHP) assinaram uma nota conjunta contra o uso de ivermectina para tratar ou prevenir a Covid.
“Nós estamos alarmados com os relatos de que a prescrição e a distribuição de ivermectina aumentou 24 vezes desde o início da pandemia e aumentou exponencialmente nos últimos meses. Por isso estamos pedindo para o fim imediato da prescrição, distribuição e uso da ivermectina contra a Covid fora dos ensaios clínicos”, afirmaram as entidades em nota.
No fim de agosto, a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) fez um alerta em sua conta no Twitter, sobre o uso da ivermectina, remédio ineficaz contra a Covid-19.
Voce não é cavalo nem vaca, deixe de tomar ivermectina, alerta agência de medicamentos dos EUA
Reprodução/Twitter
“Você não é um cavalo. Você não é uma vaca. Sério, pessoal, parem com isso”, afirmou a FDA na publicação, trazendo ainda um link para um posicionamento da agência, divulgado em maio deste ano, onde indica: “Por que você não deve usar ivermectina para tratar ou prevenir Covid-19”.
A droga é aprovada pela FDA para uso em humanos contra parasitas e também no uso veterinário em certas condições.
Em maio, a FDA detalhou que a versão da ivermectina para uso animal é altamente concentrada, pois é usada em animais de grande porte, como cavalos e vacas, que podem pesar muito mais do que um ser humano – uma tonelada ou mais. “Essas altas doses podem ser altamente tóxicas em humanos”, afirmou.
(Abaixo, veja vídeo sobre paciente que descobriu problema no fígado por causa do uso excessivo da ivermectina)
Mulher lamenta após descobrir problema no fígado por causa do uso excessivo da ivermectina
G1 no YouTube

Fonte: G1 Mundo

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Bob Dylan, príncipe e padres: os ‘novos’ 9 mil casos abuso sexual na Justiça dos EUA


Milhares de reclamações de abuso sexual infantil foram feitas graças a uma mudança na lei de Nova York. Milhares de casos foram movidos contra padres católicos
Getty Images/BBC
Atenção: Esta reportagem contém conteúdo que pode ser perturbador para alguns leitores.
Uma mudança em uma lei no Estado de Nova York permitiu a abertura de mais de 9 mil processos por abuso infantil — incluindo casos contra o príncipe Andrew, Bob Dylan e padres católicos de alto escalão — que anteriormente estavam impedidos por uma regra estadual que determinava a prescrição de casos.
A prescrição (statute of limitations, em inglês) acontece quando uma pessoa perde o direito de processar outra porque se passou tempo demais desde o suposto delito.
Tom Andriola tinha 25 anos, estava na beira do cânion Bryce, no Estado de Utah, e cogitava pular para sua morte.
Já havia se passado 14 anos desde que o irmão adotivo mais velho de Andriola abusara sexualmente dele, mas a memória do trauma ainda estava viva. Lá, na beira do cânion, no isolamento do parque, ele contou o caso para sua esposa — a primeira pessoa a quem ele confidenciou seu segredo.
“Eu realmente pensava que, se eu revelasse alguma coisa sobre isso a alguém, ele viria e me mataria”, lembra Andriola.
Algumas semanas antes, o mesmo irmão havia os visitado, ficando um dia a mais do que o planejado. Algo durante aquela viagem desencadeou lembranças do abuso, deixando Andriola ansioso e impaciente para que seu irmão fosse embora.
Por muitos anos depois daquilo, ele não falou mais a ninguém sobre o caso.
Mas como o abuso aconteceu há muito tempo, o irmão nunca foi responsabilizado. No momento em que Andriola estava pronto para divulgar publicamente sua história, o tempo hábil para ele processar seu irmão havia expirado, segundo a lei de prescrição do Estado de Nova York, onde o abuso ocorreu.
Embora seu irmão tivesse sido condenado por molestar outro menino, Andriola não foi autorizado a testemunhar em seu julgamento.
“Nunca recebi um reconhecimento e um pedido de desculpas. A única prestação de contas que houve foi que ele foi pego com outra pessoa”, disse ele.
Bob Dylan e príncipe Andrew
Agora, graças a uma mudança na lei estadual, pessoas como Andriola podem ter uma chance melhor de conseguir justiça. A Lei das Vítimas Infantis (CVA, ou Child Victims Act, em inglês) de Nova York suspendeu por dois anos a lei de prescrição nos casos de abuso infantil — permitindo que vítimas entrem com ações civis.
A lei, aprovada em 2019, deu prazo de até 14 de agosto de 2021 para as vítimas entrarem com processos. Nesse prazo, mais de 9,2 mil casos foram protocolados. Entre os réus estão o príncipe real britânico Andrew e o cantor Bob Dylan — ambos negam as acusações.
Dylan está sendo processado por uma mulher que alega ter sido abusada sexualmente por ele em 1965, quando ela tinha 12 anos. Segundo o processo judicial, Dylan teria “se aproveitado de seu status de músico para dar (a ela) álcool e drogas e abusar dela sexualmente múltiplas vezes”, também com ameaça de violência física.
A mulher, que hoje tem 68 anos e mora no Estado americano de Connecticut, é identificada apenas pelas iniciais JC. O processo afirma que o abuso ocorreu no apartamento de Dylan no Hotel Chelsea, em Nova York, durante um período de seis semanas, entre abril e maio de 1965.
Um porta-voz do cantor disse à BBC que “essa alegação de 56 anos atrás é falsa e será combatida vigorosamente”.
No caso do príncipe Andrew, filho da rainha Elizabeth 2ª, uma advogada americana alega ter sido levada ao Reino Unido aos 17 anos para ter relação sexual com o príncipe. Virginia Giuffre, que também moveu processos contra o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, afirma que foi abusada sexualmente pelo príncipe Andrew em Londres e Nova York.
O príncipe Andrew nega as acusações.
‘Porção muito pequena’
Marci Hamilton, presidente-executiva da Child USA, uma organização sem fins lucrativos que trabalha contra o abuso infantil, disse que as quase 10 mil reclamações ainda representam apenas “uma porção muito pequena” do que se acredita ser a verdadeira escala no Estado de Nova York.
Alguns dados sugerem que cerca de uma em cada cinco meninas e um em cada 13 meninos são abusados sexualmente nos EUA — “isso é 15-20% da população”, diz Hamilton.
Estudos descobriram que cerca de um terço das vítimas falam sobre o abuso sexual sofrido antes de chegar a idade adulta. Mas outro terço o faz mais tarde na vida — a idade média nos EUA é de 52 anos. O restante não revela nada.
O medo — de retaliação, de não serem acreditados — é central, assim como a vergonha, com algumas vítimas acreditando que são culpadas pelo abuso que sofreram.
Também pode haver confusão na cabeça da vítima sobre o que aconteceu.
As crianças podem não reconhecer imediatamente como abuso ou estupro o que lhes aconteceu, muitas vezes nas mãos de um adulto de confiança.
O príncipe Andrew e Bob Dylan estão entre os que foram processados de acordo com a nova lei. Ambos negam as acusações de abuso
Getty Images/BBC
A casa paroquial da Igreja Católica de Santa Cecília, na cidade de Nova York, era maior do que David Ferrick, então com 10 anos, imaginava que seria.
Um padre de sua escola católica estava lhe dando uma tour do local. Ferrick, agora com 52 anos, pediu para falar reservadamente com o padre a pedido de sua mãe, que pensava que o menino precisava de conselhos paternais.
O padre era a escolha mais óbvia: ele era “amigo de todo mundo”, disse Ferrick — o padre legal que tocava Beatles e levava os meninos aos jogos de basquete da escola.
Ferrick relembra o encontro. O padre pediu a ele que fossem para o quarto para ter mais privacidade. O ar abafado da tarde de verão havia tornado o lugar sufocante.
“Vamos tirar nossas camisas”, Ferrick lembra de ouvir o padre dizendo, antes de sugerir que “descansassem um pouco”.
“Vou tirar minhas calças também, está muito quente”, teria dito o padre. “Você deveria fazer o mesmo.”
O garoto de 10 anos achou que era um pedido estranho. Mas ele confiava no padre.
De acordo com Ferrick, o padre então o fez se deitar ao lado dele na cama — para uma soneca à tarde, antes de conversarem.
“Ele estava atrás de mim, me abraçando de conchinha”, diz Ferrick. “Eu achei que era estranho — mas que ele realmente me amava, porque ele é padre.”
“Comecei a notá-lo mexendo na cintura da minha cueca, puxando-a e depois rolando-a para baixo. Eu fazia tudo o que podia para fingir que estava dormindo. Aos 10 anos, não conseguia processar o que estava acontecendo.”
O padre é agora um dos 24 clérigos nomeados por 27 querelantes em uma ação civil de Nova York, movida graças à nova lei.
O homem, que foi acusado de abuso por vários ex-coroinhas, negou todas as acusações, mas não conseguimos contatá-lo. Ele foi afastado da paróquia em 2004 e expulso do sacerdócio em 2006. Ele está listado na Diocese de Brooklyn entre os ex-membros do clero denunciados por abuso sexual de menores de idade.
Por 20 anos, Ferrick não contou a ninguém o que acontecera. Àquela altura, a janela legal para processar o padre havia se fechado.
Antes da lei CVA, as vítimas de abuso sexual infantil em Nova York tinham até seu 21º aniversário — três anos depois de se tornarem adultas perante o Estado — para entrar com ações civis.
Agora, por causa da nova lei, Ferrick finalmente terá a oportunidade de contar a um tribunal o que aconteceu.
“Quando soube que o prazo de prescrição havia sido estendido, fiquei muito animado”, disse ele. Ferrick agora está servindo como testemunha no caso contra o ex-padre.
Entre os casos de maior visibilidade está um processo contra a Arquidiocese de Nova York por suposto abuso sexual cometido por Theodore McCarrick, o ex-cardeal católico que foi expulso do sacerdócio em 2019. Ele é a autoridade católica de mais alto escalão a enfrentar acusações de abuso sexual nos USA.
O ex-clérigo, de 91 anos, foi condenado pelo Vaticano por ter abusado sexualmente de um menino na década de 1970, mas até agora vinha conseguindo evitar processos nos EUA, em grande parte por causa da lei de prescrição de Nova York.
Ele agora enfrenta acusações civis em Nova York e Nova Jersey, bem como acusações criminais em Massachusetts por abusar sexualmente de um adolescente na década de 1970.
A BBC pediu que o ex-cardeal se manifestasse sobre as acusações, mas o pedido foi recusado pelo seu advogado, Barry Coburn.
Os crescentes processos contra o clero levaram as paróquias à ruína financeira. Nos últimos dois anos, quatro das oito dioceses de Nova York pediram falência.
Isso tem motivado grande parte da oposição a lei CVA.
O parlamentar de Nova York Michael Fitzpatrick, um dos três deputados estaduais que se opõem ao CVA, diz que a legislação é uma alteração deliberada dos princípios jurídicos americanos para favorecer advogados que só pensam em dinheiro.
Fitzpatrick, um católico praticante cuja própria diocese declarou falência em 2020 em meio a centenas de acusações de abusos, disse à BBC que o custo era “injusto” para os seguidores da paróquia, cujas contribuições à Igreja estão sendo usadas em batalhas judiciais.
A CVA “criou uma oportunidade para aquelas forças que não gostam da Igreja Católica causarem mal a ela”, diz o deputado.
“Houve um problema? Sim, houve”, disse Fitzpatrick, quando questionado sobre o abuso sexual por membros do clero. “Mas a Igreja foi em frente e avançou para lidar com o problema.”
“O sistema legal não deve ser alterado para satisfazer os caprichos do dia. Como sabemos que todas essas alegações são sinceras ou precisas? Você acha que todas são sinceras? Eu não.”
As leis de prescrição para abuso sexual variam amplamente nos EUA. Embora Nova York tenha virado manchete por causa do grande volume de casos, os defensores das vítimas dizem que o Estado não está na vanguarda quando se trata de leis de abuso.
De acordo com a CVA, a prescrição em casos criminais (relacionados a crimes que afetam a sociedade como um todo e levam a punições maiores) para abuso sexual de um menor foi estendida para 28 anos de idade. Para casos civis (casos específicos de um indivíduo contra outro indivíduo ou organização, com penas menores), o limite agora se estende para 55 anos.
Mas em Estados como Maine e Vermont, por exemplo, não há limite de tempo para as vítimas de agressão sexual entrarem com processos civis.
Em Dakota do Norte e Oregon, o prazo limite para processos criminais é antes de a vítima completar 40 anos. Em Massachusetts, onde o ex-cardeal McCarrick enfrenta acusações criminais, a prescrição para crimes sexuais é suspensa quando o suposto agressor, se não um residente de Massachusetts, deixa o Estado após o suposto abuso.
Andriola vê a CVA como um modesto primeiro passo na promoção de direitos contra abusos sexuais.
“Não é o suficiente”, diz ele. “Simplesmente não deveria haver prescrição para esses casos.”
E embora a CVA tenha se tornado lei após o movimento #MeToo, sua aprovação demorou muito para acontecer, dizem os críticos. O projeto foi apresentado pela primeira vez em Nova York em 2006 pela deputada Margaret Markey.
“São as vítimas que mais sofrem como resultado da arcaica lei de prescrições de nosso Estado para esses crimes”, Markey disse em 2015, quando pressionou pela aprovação do projeto de lei.
A causa tinha cunho pessoal para Markey. Embora ela não tenha falado sobre isso na assembleia, um de seus filhos lhe disse mais tarde na vida que havia sido abusado sexualmente quando criança por um padre na igreja católica de sua família.
Indenizações em casos civis podem ser fundamentais para apoiar os serviços de ajuda aos sobreviventes.
Vítimas de abuso infantil têm maior probabilidade de sofrer de doenças como depressão, transtorno de estresse pós-traumático, abuso de drogas ou álcool, dizem os especialistas, e tratamentos nos EUA podem ser extremamente caros.
Hamilton, da Child USA, estima o custo médio em cerca de US$ 830 mil (R$ 4,2 milhões) ao longo da vida.
O abuso de Ferrick o deixou com raiva. “É algo em que ainda estou trabalhando”, disse ele. E ele se preocupa intensamente com seus filhos — três filhas e dois filhos. Ele diz que “nunca, jamais” deixaria seus próprios filhos terem a liberdade que ele teve, relembrando sua infância independente em Nova York.
“Toda vez que vejo meus filhos indo a qualquer lugar, o primeiro pensamento que vem à minha mente é como eles vão se machucar”, disse ele.
Após o sucesso da CVA, defensores como Andriola estão agora voltando seu olhar para a Lei dos Sobreviventes de Adultos (Adult Survivors Act, em inglês).
Essa lei criaria uma janela de um ano para que vítimas adultas de abuso sexual entrem com ações judiciais hoje prescritas. A legislação, que foi aprovada por unanimidade no Senado de Nova York em junho, está paralisada na Assembleia desde janeiro.
Andriola espera que outras leis surjam.
“Quando alguém chega ao seu limite e está pronto para denunciar algum criminoso, a porteira se abre, porque, finalmente, os outros sobreviventes sentem que é seguro denunciar”, diz.
Se você foi afetado por abuso sexual ou violência, é possível fazer contato com associações como a Childhood Brasil. Denúncias de crimes podem ser feitos à Polícia Militar no telefone 190 e no Disque Direitos Humanos no número 100. Nos EUA, você pode ligar para a Linha Direta Nacional de Abuso Infantil da Childhelp pelo telefone 1-800-422-4453.
Ilustrações: Angélica Casas
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Fonte: G1 Mundo

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Extremista ‘viking’ que invadiu o Capitólio dos EUA assume culpa e faz acordo judicial


Jacob Chansley, que ficou conhecido por ter usado chifres durante a invasão do congresso americano em 6 de janeiro, pode pegar até 20 anos de prisão. Foto de 6 de janeiro de 2021, dia da invasão ao Capitólio dos EUA, mostra policiais conversando com apoiadores do então presidente americano, Donald Trump, incluindo Jacob Chansley (à direita), do lado de fora do plenário do Senado
Manuel Balce Ceneta/AP
Extremista ‘viking’ que invadiu o Capitólio dos EUA assume culpa e faz acordo judicial
Jacob Chansley, que ficou conhecido por ter usado chifres durante a invasão do congresso americano em 6 de janeiro, pode pegar até 20 anos de prisão.
Reportagem em atualização.

Fonte: G1 Mundo

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VÍDEO: Homem retira cobra de garagem na Austrália

A píton estava escondida debaixo do cortador de grama em uma casa rural. A moradora precisou pedir ajuda a um especialista para conseguir resgatar o animal selvagem. VÍDEO: Homem retira cobra de garagem na Austrália
Um homem resgatou uma cobra que estava escondida em uma garagem de Doonan, na Austrália, e postou as imagens em sua rede social (veja no vídeo acima).
Luke Huntley, que é um especialista em recuperar animais selvagens, disse que o caso ocorreu no meio de agosto em uma residência rural do estado de Queensland, no nordeste do país.
A moradora da casa estranhou que seus cavalos pareciam assustados e identificou o motivo: a píton de quase 3 metros de comprimento estava escondida debaixo do cortador de grama.
Huntley explicou que na Austrália, durante esta época do ano, as cobras costumam migrar e que por isso é preciso ficar de olho em todos os cantos para evitar acidentes.
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Fonte: G1 Mundo

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Assassinos de Koskela: adolescentes são condenados por torturar e matar ex-colega de classe na Finlândia


O crime ocorreu em dezembro do ano passado. Três jovens, de então 16 anos, espancaram e mataram um garoto que conheciam desde o jardim de infância. Eles poderão pegar até dez anos de prisão. Memorial com velas e flores em homenagem ao adolescente morto após ser torturado por três colegas na Finlândia em dezembro de 2020
Vesa Moilanen/Lehtikuva/AFP
Um tribunal da Finlândia condenou, nesta sexta-feira (3), três adolescentes a até dez anos de prisão por torturarem e espancarem um ex-colega de classe até a morte. O caso horrorizou o país nórdico.
O crime cometido em dezembro de 2020, que gerou a condenação por assassinato para os três jovens com então 16 anos, ocorreu após meses de repetidas agressões.
Segundo a acusação, a vítima – um menino de 16 anos que vivia em um abrigo – foi atacada “de forma sádica” durante várias horas antes de morrer.
Seu corpo foi encontrado em um parque de Koskela, ao norte da capital Helsinki. A ministra do Interior, Maria Ohisalo, disse à época que o crime era “arrepiante”.
Os três condenados, que segundo a Justiça conheciam a vítima desde o jardim de infância, se declararam inocentes da acusação de assassinato.
O tribunal reconheceu que eles agiram de forma coordenada. Mais de 100 lesões foram identificadas no corpo da vítima e elas foram feitas “de forma especialmente brutal e cruel”, disse a condenação.
Segundo dados oficiais, quase um em cada dois jovens de entre 14 e 16 anos que vivem em internatos na Finlândia sofreu ou sofrem agressões e ameaças de violência.
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Fonte: G1 Mundo