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Republicanos aprovam no Texas polêmica lei de acesso ao voto


Críticos do projeto dizem que as novas restrições afetarão as minorias, especialmente os americanos negros, que tendem a apoiar os democratas.
Manifestante protesta contra projeto de lei do Texas que poderá dificultar o voto de minorias no estado
Gabrielle/Reuters
A assembleia legislativa do estado do Texas, nos Estados Unidos, aprovou uma lei na terça-feira (31), que poderá restringir os direitos de voto das minorias.
O Partido Republicano domina a assembleia. Os deputados do partido afirmam que a nova lei torna as eleições mais seguras contra fraudes eleitorais. Na prática, o texto proíbe a votação em drive-ins e cria novas restrições ao horário de votação e à votação pelo correio.
Voto pelo correio: como funciona e por que ele complica o resultado da eleição dos EUA
O governador do Texas, Greg Abbott, afirmou que planeja sancionar a medida.
Apoiadores do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, afirmam, sem nenhuma evidência, que houve fraude nas eleições de 2020. A nova lei do Texas foi aprovada nesse contexto.
Críticos do projeto dizem que as novas restrições afetarão as minorias, especialmente os americanos negros, que tendem a apoiar os democratas.
Desde janeiro, 18 estados americanos adotaram 30 leis que restringem a votação. Cerca de outras 12 propostas estão em tramitação, segundo o Centro Brennan para Justiça.
Tentativa de bloquear o projeto
Em meados de julho, cerca de 50 deputados estaduais democratas do Texas viajaram para fora do estado em uma tentativa para bloquear o projeto de lei que, agora, foi aprovado. Pelo regimento interno da assembleia do Texas, é preciso haver uma quantidade mínima de deputados na casa para aprovar um projeto.
Porém, o governador convocou duas sessões legislativas especiais consecutivas e, em 19 de agosto, um número suficiente de democratas finalmente estava presente para alcançar o quórum, o que permitiu o início dos debates sobre o projeto antes de sua aprovação na terça-feira.
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Fonte: G1 Mundo

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Número de mortos causados pelo furacão Ida sobe para 6 nos EUA


Casas e empresas inundadas após a passagem do furacão Ida em LaPlace, no estado da Louisiana, em 31 de agosto de 2021 nos Estados Unidos
Gerald Herbert/AP
Subiu para seis o número de mortos causados pelo furacão Ida nos Estados Unidos após autoridades confirmarem que dois eletricistas morreram no estado do Alabama.
Outras duas pessoas morreram no Mississippi e duas, na Louisiana.
Os eletricistas estavam consertando danos causados à rede elétrica pelo Ida, que na segunda-feira (30) foi rebaixado para uma tempestade tropical mas continua causando estragos pelo país.
James Banner, vice-presidente sênior da Pike Electric, confirmou à rede de televisão NBC que os funcionários morreram na terça-feira (31) na comunidade de Adger, no condado de Jefferson.
Casas inundadas após a passagem do furacão Ida em LaPlace, no estado da Louisiana, em 31 de agosto de 2021 nos Estados Unidos
Gerald Herbert/AP

Fonte: G1 Mundo

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Lei antiaborto que desconsidera incesto e estupro entra em vigor no Texas


O ‘projeto de lei do batimento cardíaco’ não faz exceções para estupro ou incesto, e fará do Texas um dos estados mais difíceis para se realizar um aborto nos Estados Unidos. Protestos pelos direitos reprodutivos em Austin, no Texas, em 2019
Jay Janner/Austin American-Statesman via AP
Uma lei do Texas que proíbe o aborto após seis semanas de gestação, período em que muitas mulheres ainda não sabem que estão grávidas, entrou em vigor nesta quarta-feira (1º) no estado americano, depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos não se pronunciou sobre um pedido de emergência para impedir o projeto.
O governador republicano Greg Abbott assinou o projeto de lei em maio, colocando o Texas na lista de uma dúzia de estados que proíbem o aborto assim que o batimento cardíaco fetal pode ser detectado, o que normalmente ocorre por volta da sexta semana de gravidez.
Por que o aborto voltou a ser assunto nos EUA?
O chamado “projeto de lei do batimento cardíaco” não faz exceções para estupro ou incesto, e fará do Texas um dos estados mais difíceis para se realizar um aborto nos Estados Unidos.
A Suprema Corte ainda pode aceitar a reivindicação de organizações de defesa dos direitos civis e outros grupos, incluindo a União Americana de Liberdades Civis (ACLU) e a Planned Parenthood, assim como o Centro de Direitos Reprodutivos. “Aproximadamente 85% a 90% das pessoas que fazem um aborto no Texas estão grávidas de pelo menos seis semanas, o que significa que essa lei proibiria quase todos os abortos no estado”, protestou a ACLU.
Outros estados que tentaram decretar restrições ao aborto no início da gravidez não puderam fazê-lo por causa da decisão histórica da Suprema Corte de 1973, Roe vs. Wade. Essa decisão permitiu o aborto enquanto o feto não é viável, o que geralmente ocorre por volta de 22 a 24 semanas de gravidez. O Arkansas pressionou a corte com uma proibição semelhante em março passado.
A lei do Texas é diferente, porque permite que os cidadãos, em vez de funcionários estaduais, como promotores ou departamentos de saúde, façam cumprir a proibição. A iniciativa “cria um esquema de caça a recompensas que encoraja o público em geral a abrir processos judiciais caros e hostis contra qualquer um que eles acreditem ter violado a proibição”, disse a ACLU.
Recompensa de US$ 10 mil contra aborto
“Qualquer pessoa que processou com sucesso um trabalhador da unidade de saúde, provedor de serviços de aborto ou qualquer pessoa que ajude alguém a fazer um aborto depois de seis semanas será recompensada com pelo menos US$ 10 mil (R$ 51,5 mil), pagos pelo réu”, explicou.
A Suprema Corte deve examinar nas próximas semanas um caso envolvendo uma lei estadual do Mississippi que proíbe o aborto após a 15ª semana de gravidez, exceto em casos de emergência médica ou anomalia fetal grave. Este será o primeiro caso de aborto avaliado pela principal corte do país desde que o ex-presidente Donald Trump consolidou uma maioria conservadora de seis magistrados no tribunal, que tem nove membros.
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Análise: Discurso de Joe Biden deixa de lado solidariedade ao povo afegão


Uma geração inteira, que nasceu nos anos 2000, junto com a chegada das tropas dos EUA, cresceu com a presença ocidental e acreditou que aquelas tropas lutavam também pra garantir liberdades que o Talibã não permitia. Por estas liberdades, muitos estão agora sendo perseguidos. Discurso de Joe Biden deixa de lado solidariedade ao povo afegão
Faltou uma palavra no discurso que o presidente Joe Biden fez pra marcar o fim da guerra no Afeganistão.
Durante quase meia hora, Biden não pronunciou nenhuma palavra de solidariedade ao povo afegão.
E não estou falando dos soldados, tradutores, pessoas que trabalharam com as tropas nestes 20 anos.
Estou falando de uma geração inteira, que nasceu nos anos 2000, junto com a chegada das tropas, cresceu com a presença ocidental e acreditou que aquelas tropas lutavam também pra garantir liberdades que o Talibã não permitia.
Meninas, que hoje tem 20 anos de idade, e acreditaram na promessa de que o Afeganistão estava sendo moldado com base em conceitos democráticos.
Que foram para a escola, abriram empresas, e algumas viraram até influenciadoras digitais, como é o caso da Najma Sadeqi, uma youtuber de 20 anos que morreu tentando sair do país.
Por causa destas liberdades, muitas outras estão sendo perseguidas pelo Talibã.
Mulheres afegãs usam burca ao fazer compras em feira em Cabul, no dia 28 de agosto
Aamir Qureshi/AFP
E o presidente Joe Biden não trouxe uma palavra de solidariedade por estas mortes e estas perseguições.
Além disso, tudo que evoluía no Afeganistão dependia do dinheiro que vinha de fora. Sem investimento internacional não existe escola, não há educação e nem infraestrutura.
Documentos confidenciais obtidos pelo jornal “Washington Post” apresentam relatos de pessoas que defendiam a intervenção e agora pensam que teria sido melhor se os americanos nunca tivessem ocupado o país.
O problema não foi a forma como os EUA saíram do Afeganistão. O problema foi a ocupação.
Isto Biden até admite, mas sempre sob a ótica da América em primeiro lugar e dos custos para os americanos. Sem nenhuma solidariedade ao Afeganistão.
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Fonte: G1 Mundo

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Biden se defende, se repete e retrata a saída caótica do Afeganistão como êxito


Enquanto o Talibã declara vitória, presidente tenta convencer americanos que o desfecho trágico da guerra de 20 anos era inevitável. O presidente dos EUA, Joe Biden, durante pronunciamento sobre o encerramento da retirada do Afeganistão, na Casa Branca, na terça-feira (31)
Reuters/Carlos Barria
Num discurso para marcar o fim desastroso da guerra mais longa dos EUA, o presidente Joe Biden ficou na defensiva e se mostrou repetitivo. “Era uma escolha entre a saída ou a escalada militar”. “Eu não estenderia esta guerra para sempre e não estenderia uma saída para sempre.” “A ameaça terrorista se espalhou por todo o mundo, muito além do Afeganistão.” “É hora de olhar para o futuro e não para o passado.”
Suas palavras eram endereçadas apenas ao público americano. Aos compatriotas, Biden enumerou as vantagens de retirar as tropas do Afeganistão e encerrar a guerra: livrar-se do custo diário de US$ 300 milhões durante duas décadas, focar em uma competição séria com a China e enfrentar os desafios que a Rússia apresenta ao EUA.
Uma terceira década de permanência no Afeganistão seria inviável, conforme constatou o presidente. Os americanos parecem concordar. Uma pesquisa do Pew Research revelou que 54% dos entrevistados apoiam a decisão de retirar as tropas; 42% a classificam como errada e consideram pobre a estratégia de saída conduzida pelo presidente.
Faltou na mensagem de Biden o reconhecimento aos afegãos, sobretudo aos que trabalharam com os EUA nos últimos 20 anos e ficaram para trás, sob o domínio dos talibãs. O presidente se vangloriou da operação que em duas semanas retirou do país 120 mil pessoas, 5.500 com cidadania americana. Mas estima-se que cerca de 100 mil em situação vulnerável não conseguiram sair.
Avião militar dos EUA decola do Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul, na segunda-feira (30), pouco antes do fim do prazo de retirada das tropas do país.
AP Photo/Wali Sabawoon
Entre eles, estão cerca de 4 mil estudantes, funcionários e famílias da Universidade Americana do Afeganistão, em Cabul, um dos primeiros locais invadidos por militantes talibãs. Centenas esperaram no domingo durante sete horas para entrar no aeroporto, mas foram informados de que a operação de evacuação havia terminado e não haveria mais voos. Voltaram apavorados para suas casas.
Se Biden procurou convencer os americanos de que o fim da guerra era inevitável e necessário, o Talibã assumiu o controle do Afeganistão declarando vitória. Militantes do grupo radical atiraram para o ar e exibiram caixões cobertos com bandeiras americanas.
Para os afegãos, no entanto, não há o que festejar. O fim da guerra marca o início de uma nova era, que já se antevê como sangrenta e trágica para o país.

Fonte: G1 Mundo

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‘Serial killer’ brasileiro é ligado a três assassinatos de mulheres na Flórida


Roberto Wagner Fernandes, que morou em Miami nos anos 1990 e no início dos anos 2000, fugiu para o Brasil, mas morreu em um acidente de avião. DNA confirmou elo com crimes. Roberto Wagner Fernandes, em imagem do Gabinete do Xerife do Condado de Broward
Gabinete do Xerife do Condado de Broward / via AFP Photo
Três assassinatos de mulheres na Flórida, cometidos há cerca de 20 anos, foram de autoria de um ‘serial killer’ brasileiro que mais tarde morreu em um acidente de avião, informou a polícia americana nesta terça-feira (31).
Roberto Wagner Fernandes, que morou em Miami nos anos 1990 e no início dos anos 2000, pode ser responsável por outros assassinatos, informou o Gabinete do Xerife do Condado de Broward, no sudeste da Flórida.
Os restos mortais de Fernandes foram exumados há vários meses e as autoridades americanas conseguiram vincular de forma conclusiva o seu DNA com os três assassinatos na Flórida.
“Acredito que haja outros casos por aí e isso faz parte de nossa investigação em andamento”, disse o detetive do condado de Broward, Zachary Scott.
A polícia afirmou que Fernandes foi acusado no Brasil pelo assassinato de sua esposa em 1996, mas foi absolvido e se mudou para Miami, onde trabalhou como comissário de bordo e motorista de ônibus de turismo.
As três mulheres assassinadas na Flórida eram viciadas em drogas e se prostituíram.
A primeira vítima foi Kimberly Dietz-Livesey, cujo corpo foi encontrado dentro de uma mala em junho de 2000. Dois meses depois, o corpo de outra mulher, Sia Demas, foi encontrado dentro de uma mochila à beira de uma estrada. Uma terceira vítima, Jessica Good, foi esfaqueada até a morte. Seu corpo foi encontrado flutuando na Baía de Biscayne, em Miami, em agosto de 2001.
Depois de se tornar suspeito do assassinato de Good, Fernandes fugiu para o Brasil, que não tem tratado de extradição com os Estados Unidos.
Em 2011, os investigadores conseguiram comparar o DNA e as impressões digitais do assassinato de Good aos assassinatos de Dietz-Livesey e Demas no condado de Broward e a busca por Fernandes foi retomada.
Depois de saber que Fernandes, um piloto licenciado, teria morrido em um acidente de avião em 2005 enquanto voava do Brasil para o Paraguai, as autoridades foram procurar seu túmulo.
“Tivemos que confirmar se a morte era real ou não”, explicou o sargento Nikoli Trifonov. “As pessoas podem fingir sua morte, especialmente depois de cometer um assassinato.”

Fonte: G1 Mundo

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Oposição venezuelana rompe três anos de boicote e anuncia participação em eleições regionais de novembro


‘Sabemos que essas eleições não serão nem justas, nem convencionais’, diz comunicado divulgado nesta terça (31) por partidos que integram Mesa da Unidade Democrática (MUD). Oposição ressalta, porém, importância de ‘fortalecer a cidadania e promover verdadeira solução para a grave crise no país’. O líder de oposição Freddy Guevara concede entrevista coletiva em Caracas, na Venezuela, na terça-feira (31)
Reuters/Leonardo Fernandez Viloria
A oposição venezuelana anunciou sua participação unificada nas eleições de prefeitos e governadores previstas em 21 de novembro, rompendo três anos de boicote e convocações à abstenção por falta de condições, informou a plataforma nesta terça-feira (31).
“Anunciamos à comunidade nacional e internacional nossa participação no processo de (eleições) regionais e municipais de 21 de novembro de 2021 pela Mesa da Unidade Democrática (MUD)”, que agrupa os principais partidos opositores, de acordo com um comunicado lido em uma coletiva de imprensa em Caracas.
A oposição não participou das eleições de 2018, quando o presidente Nicolás Maduro foi reeleito, nem das de 2020, quando perderam o controle do Parlamento. Nos dois casos, os opositores tacharam os pleitos de fraudulentos.
“Sabemos que essas eleições não serão nem justas, nem convencionais. A ditadura impôs graves obstáculos que colocam em risco a expressão de mudança do povo venezuelano”, afirma o texto.
O anúncio ocorre em um momento em que o governo de Maduro e a oposição estão no México participando de um processo de negociação que inclui, entre outros pontos, o desenvolvimento de um calendário eleitoral e o estabelecimento de condições.
“No entanto, entendemos que serão um terreno de luta útil para fortalecer a cidadania e promover a verdadeira solução para a grave crise em nosso país: eleições presidenciais e legislativas livres. Vamos nos organizar, nos mobilizar e nos fortaleceremos na unidade a serviço da reinstitucionalização democrática da Venezuela”, acrescentou a oposição no comunicado.
A MUD nasceu em 2008 como uma aliança de oposição que reunia cerca de trinta organizações. Em 2012, se inscreveu como partido para se candidatar às eleições legislativas de 2015, nas quais o chavismo perdeu o Congresso pela primeira vez em 15 anos.
A justiça proibiu o uso do nome MUD há três anos, até 29 de junho, quando foi reabilitado.
O secretário-geral do partido Ação Democrática, Henry Ramos Allup, indicou que a lista de candidatos está “bastante avançada”.
Diversos partidos da oposição já manifestaram o desejo de participar nas eleições regionais, que serão organizadas por um Conselho Nacional Eleitoral (CNE) com representantes da oposição e do governo, nomeados em negociação interna.
Allup disse que o anúncio veio da plataforma política e não do chamado governo interino liderado por Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente encarregado da Venezuela, depois de ignorar a reeleição de Maduro em 2018.
Ele também lembrou que a decisão tem a “aprovação” dos Estados Unidos e da União Europeia em meio ao interesse em se chegar a uma solução para a crise política na Venezuela.
Guaidó, que insiste em que não há condições para uma eleição, não disse se participará.
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Fonte: G1 Mundo

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Como a Segunda Guerra Mundial deu origem à Paralimpíada


Reabilitação de pessoas com lesões na medula espinhal por meio do esporte competitivo foi introduzida por médico no Reino Unido quando soldados voltavam feridos por causa da guerra. A iniciativa deu origem a competições esportivas. Ivor Elmes, um ex-policial palestino ferido em 1947, em sua cadeira de rodas enquanto lança um dardo nos Jogos de Stoke Mandeville, em 1953
BETTMANN ARCHIVE/GETTY IMAGES
O que a Segunda Guerra Mundial tem a ver com a Paralimpíada?
Bem… Tudo.
Antes da Segunda Guerra Mundial, quando soldados voltavam feridos da guerra, seu destino era desventuroso.
Pessoas com lesões na medula espinhal muitas vezes morriam dentro de um ano após sofrerem os danos, sem terem tido a esperança de uma recuperação.
“As pessoas eram colocadas num leito de hospital, atrás de cortinas fechadas e deixadas ali para perecer”, diz à BBC News Brasil Ian Brittain, professor do Coventry Business School, no Reino Unido, e especialista em esportes paralímpicos.
Os soldados com lesões na medula espinhal morriam por lesões por pressão que levavam a choques sépticos ou falência dos rins – um reflexo do pouco conhecimento médico da época.
Além disso, antes da Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido não estava preparado para a quantidade de leitos de hospitais de que precisaria com um conflito daquele calibre. Com uma alta mortalidade, médicos tampouco tinham oportunidade para aprender como tratar essas lesões.
Um médico britânico, no entanto, adquiriu experiência durante a Primeira Guerra Mundial. Ao lado de outros médicos, o neurologista George Riddoch defendeu que soldados com lesões ortopédicas ou na espinha deveriam receber tratamento especializado, em unidades especiais criadas só para eles.
“A Segunda Guerra Mundial exerceu um enorme papel na criação dos Jogos Paralímpicos”, diz o historiador de esportes Cobus Rademeyer, da Universidade Sol Plaatje, na África do Sul.
“Mas, indiretamente, a Primeira Guerra Mundial também foi importante. Raddoch identificou problemas no tratamento de pacientes durante a Primeira Guerra e não queria repeti-los na Segunda.”
Com o advento da Segunda Guerra Mundial, o mundo viu muitos soldados e civis feridos por bala ou estilhaços de balas. Mas o conhecimento médico havia avançado um pouco. A descoberta dos antibióticos sulfanilamida e penicilina deu sobrevida a quem, em outras ocasiões, teria morrido.
Além disso, desta vez, o Reino Unido tomou medidas para se preparar militarmente, mas também do ponto de vista médico, liberando leitos para tratar os feridos. Enquanto isso, Riddoch tentava estabelecer unidades especializadas.
A ele é atribuída uma decisão que mudaria os rumos da reabilitação dos pacientes com lesões na medula espinhal – e o subsequente nascimento da Paralimpíada.
Stoke Mandeville
Em 1943, Riddoch indicou um experiente neurologista chamado Ludwig Guttmann para chefiar um novo centro nacional para lesões espinhais no Reino Unido, o Hospital Stoke Mandeville, na cidade de Aylesbury, a 100 km de Londres.
Nascido na Alemanha em 1899, Guttmann havia fugido da opressão nazista contra a comunidade judaica e emigrado para Oxford, no Reino Unido, em 1939.
Ali, ele trabalhou em uma enfermaria militar inglesa para ferimentos na cabeça.
A equipe britânica deixando o Aeroporto Heathrow de Londres para os Jogos Internacionais de Stoke Mandeville em Israel, em 1968. Ludwig Guttmann, presidente e fundador dos jogos, é retratado com Karen Hill, de Mansfield, de 18 anos
PETER STONE/MIRRORPIX/GETTY IMAGES/BBC
Guttmann aceitou o convite, mas pediu que pudesse tocar o centro da maneira como ele quisesse. O hospital começou como um local de tratamento para militares ingleses que retornavam da Segunda Guerra Mundial com ferimentos.
O neurologista primeiro implementou o procedimento de virar pacientes a cada duas horas para que eles não tivessem mais lesões por pressão. Depois, introduziu atividade física como um caminho fundamental para a reabilitação dos pacientes.
Ele tinha três argumentos para tanto: a atividade física por meio do esporte era uma maneira natural para fortalecer o tronco e os membros superiores de uma pessoa paraplégica, por exemplo, que precisaria estar forte para mover suas cadeiras de roda.
Em segundo lugar, o esporte era bom para o bem-estar físico e mental dos pacientes.
“Se não fosse divertido, não iria para frente”, diz Brittain.
Por último, o esporte era um caminho para a integração social.
O primeiro esporte eleito por Guttmann ilustra bem essa última ideia. Era tiro com arco. “Se um paciente fosse para o Stoke Mandeville e praticasse tiro com arco, ele poderia voltar para casa e se inscrever em um clube para pessoas sem deficiência, competindo da mesma distância que elas”, diz Brittain.
As pessoas foram encorajadas a experimentar também atividades como polo em cadeira de rodas e basquete em cadeira de rodas.
Em 1948, Guttmann organizou uma competição para 16 homens e mulheres com algum tipo de lesão. Foram os Jogos Stoke Mandeville para atletas em cadeiras de rodas. E a competição foi organizada para coincidir com a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1948 em Londres.
Na época, diz Brittain, o que o neurologista estava fazendo era lutar contra um establishment que não estava interessado em deficiência.
Até então, o esporte já tinha sido usado como forma de reabilitação em pequenos bolsões. Na Primeira Guerra Mundial, um centro de reabilitação na Inglaterra focou no uso da atividade física para veteranos deficientes visuais. Em 1932, nasceu também no Reino Unido a Sociedade de Golfistas com Um Braço.
“Mas nenhuma dessas iniciativas eram um esforço concentrado como o de Guttmann, que depois virou competições que viajaram para além de um só local”, diz o especialista.
A equipe de basquete dos EUA marca contra a Holanda nos Jogos Internacionais de Stoke Mandeville em 30 de julho de 1955
FRED RAMAGE/KEYSTONE/HULTON ARCHIVE/GETTY IMAGES/BBC
No segundo Jogos Stoke Mandeville, em 1949, o número de atletas cresceu para 37. Além de tiro com arco, a competição incluiu também o netball, um jogo parecido com basquete.
“E eu não sei se ele era um louco ou um visionário. Mas naqueles jogos, Guttmann disse que um dia haveria Jogos Olímpicos para pessoas com deficiência. É algo incrível de se dizer quando só havia 37 pessoas competindo”, diz Brittain.
Ele ressalta, no entanto, que nada disso seria possível sem a personalidade dogmática e até ditatorial do médico.
“Ele era ambicioso, insistia nisso”, afirma.
E, claro, sem o engajamento, esforço e dedicação dos atletas. E também de uma mulher bastante importante – Joan Scruton, que começou como assistente de Guttmann, mas se tornou seu braço direito e, eventualmente, secretária-geral dos jogos entre 1975 e 1982.
A visão de Guttmann, como sabemos, foi concretizada.
A cada ano, novos esportes eram adicionados à competição. A primeira equipe de fora veio de um centro de reabilitação na Holanda, em 1952, dando à competição um caráter internacional.
O neurologista, diz Brittain, viajava pelo mundo para treinar médicos como neurocirurgiões, e tentava divulgar suas atividades para onde ia.
Também desafiava os países a levarem suas próprias equipes de atletas com deficiência para os jogos em Stoke Mandeville.
Em 1959, quando estava em uma conferência na Itália, conheceu o diretor de um centro de reabilitação e o convenceu a sediar os jogos em Roma – onde os Jogos Olímpicos aconteceriam no ano seguinte.
E, assim, em 1960, os jogos para atletas com deficiência aconteceram junto da Olimpíada de Roma.
Mas houve problemas. A vila dos atletas não era totalmente acessível para cadeiras de rodas, e militares tiveram de carregar atletas para cima e para baixo de escadas. À medida que o movimento crescia, a acessibilidade também ia sendo melhorada.
De qualquer forma, aquele havia sido o início oficial da Paralimpíada – que, aliás, se chamava assim como uma referência a “paraplégicos” e porque Guttmann constantemente fazia referência aos Jogos Olímpicos, explica Brittain.
Em 1976, com a inclusão de outras deficiências, o prefixo “para” passou a simbolizar “paralelos”. Hoje, Paralimpíada significa jogos olímpicos paralelos.
E não é a primeira vez que são sediados no Japão.
Japão
Um cirurgião ortopédico japonês chamado Yutaka Nakamura viajou para o Reino Unido nos anos 1950 para visitar Guttmann e os jogos de Stoke Mandeville. No Japão, o conceito de reabilitação ainda não havia se firmado.
Guttmann convenceu Nakamura que ele deveria tentar sediar os jogos no Japão. De volta a seu país, Nakamura organizou seus próprios jogos, mas foi recebido com críticas de quem achava ruim expor pessoas com deficiência.
Ele insistiu na ideia. Em 1962, Nakamura bancou uma viagem de dois atletas japoneses para participar dos Jogos de Stoke Mandeville. A notícia de que participantes do Japão haviam viajado de tão longe para participar dos jogos eletrizou a imprensa britânica e, eventualmente, a imprensa global.
Assim, graças a seus esforços, em 1964, os Jogos Paralímpicos foram realizados em Tóquio.
A competição foi se expandindo nos próximos anos, com mais grupos de deficientes e até Jogos de inverno, realizados pela primeira vez em 1976, na Suécia.
Mas, em seus anos iniciais, a Paralimpíada era muito “medicalizada”, descreve Brittain.
“Os médicos decidiam quem ia participar e como seriam classificados a partir das lesões dos pacientes. Com mais atletas participando nos anos 1970 e 1980, há pressão por classificações menos médicas. Eles reivindicaram esportes classificados mais por sua habilidade do que pelo seu nível de deficiência.”
Em 1976, nos Jogos Paralímpicos em Toronto, no Canadá, deficiências físicas originadas de amputações e atletas com deficiência visual participaram pela primeira vez – antes disso, os jogos ainda eram para atletas que usavam cadeiras de rodas.
Mais de 1,500 atletas de 40 países participaram dos jogos. Foi neste campeonato que o Brasil conquistou sua primeira medalha, uma prata na bocha na grama.
Guttmann, que faleceu em 1980, continuou seu trabalho no hospital, mas seguiu sendo também uma figura chave para os Jogos. Tornou-se presidente da Federação Internacional de Jogos Stoke Mandeville e, anos mais tarde, foi condecorado cavaleiro pela Rainha.
Os jogos só foram crescendo, com mais atletas, mais modalidades e mais países participando. Também cresceu o número de público nos locais de competição. Hoje, de volta a Tóquio, são 22 modalidades, com duas estreias: badminton e taekwondo, e 4,4 mil atletas.
VÍDEO: Brasileiros chegam à cerimônia de abertura da Paralimpíada
Representantes da delegação brasileira chegam à cerimônia de abertura da Paralimpíada

Fonte: G1 Mundo

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‘Mamãe antivacina’ é denunciada em Nova York por vender comprovantes falsos de vacinação contra a Covid-19


Jasmine Clifford alimentava um perfil negacionista no Instagram. Ela teria vendido cerca de 250 carteirinhas falsas com a ajuda de uma comparsa, segundo a promotoria de Manhattan. Comprovante falso de vacinação imita carteira do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC)
Cortesia/Justiça dos EUA
A promotoria de Nova York apresentou denúncia nesta terça-feira (31) contra a influencer AntiVaxMomma (Mamãe antivacina, em inglês) pela venda de comprovantes falsos de vacinação contra a Covid-19.
Jasmine Clifford, de Nova Jersey, teria vendido ao menos de 250 carteirinhas falsas a US$ 200 (R$ 1 mil) cada uma com a ajuda de uma comparsa, segundo os investigadores de Manhattan.
Clifford teria oferecido também, por uma taxa extra de US$ 250 (R$ 1.300), colocar o nome do comprador na base de dados oficial de vacinados abastecida pelo estado americano.
Com essa fraude, seria possível frequentar eventos de acesso controlado para não-vacinados, como espetáculos musicais e jogos de beisebol.
A “Mamãe antivacina” alimentava um perfil negacionista no Instagram, que foi derrubado após a denúncia. O Facebook, que controla a rede, disse que irá revisar outras contas que possam estar fazendo a mesma coisa.
Pelo menos 13 pessoas, que teriam comprado a carteirinha falsa, também foram denunciados pelos investigadores americanos. Ao menos um deles teria pago para entrar na base de dados do governo.
A vacinação contra a Covid-19 nos EUA é gratuita e universal. Em Nova York, quem se vacinar recebe também um incentivo de US$ 100 (R$ 500) da prefeitura.
VÍDEOS com notícias internacionais
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Fonte: G1 Mundo

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Afeganistão: ‘O dia em que o Talibã levou meu pai’


Uma mulher conta o que significa viver sob o regime do Talibã e como seu pai foi levado em 1999. Mulher conta à BBC como foi ter tido seu pai levado pelo Talebã quando ela tinha só 10 anos, em 1999
AFP/BBC
Enquanto o Talibã se prepara para formar um novo governo no Afeganistão, uma mulher conta à BBC a história de como sua família foi dividida quando seu pai desapareceu durante o regime talibã em 1999, antes da guerra.
Friba, que mora em Londres, tinha 10 anos quando viu seu pai pela última vez em sua casa na cidade de Herat, no oeste do Afeganistão.
Sua família acredita que ele tenha sido sequestrado pelo Talibã.
Essa é a sua história. Os nomes foram removidos para proteger a identidade das pessoas afetadas.
“Viver sob o controle do regime talibã é como estar em um relacionamento abusivo. No começo, está tudo bem. Eles fazem muitas promessas, são cautelosos e até mantêm algumas de suas promessas.
Mas enquanto você está sentindo uma falsa sensação de segurança, eles estão executando seus planos.
Em breve, à medida que o mundo ficará gradualmente cansado do Afeganistão e a mídia se voltará para outras notícias, o Talibã estará fortalecendo seu poder a cada dia e o ciclo selvagem começará de novo.
Meu pai nasceu em Herat e se formou na Universidade de Cabul.
Depois da faculdade, ele se casou e começou a trabalhar em uma pequena equipe do governo afegão na época.
Quando os russos foram embora e os mujahideen assumiram o poder, meu pai encontrou trabalho em uma ONG.
Com a chegada do Talibã em Herat, meu pai teve a chance de fugir, mas ele ficou. Ele amava seu trabalho e amava Herat.
Eu nunca vou esquecer o rosto da minha mãe
A vida era brutal sob o regime do Talibã. Meu pai tinha quatro filhas que estavam sendo roubadas de uma educação, e um menino.
Mas seu trabalho era gratificante, ele tinha ambições, para ele e para nós, e trabalhar com animais tornava a vida um pouco mais suportável.
Certa manhã, em meados de junho de 1999, meu pai acabava de tomar o café da manhã e se preparava para sair para o trabalho.
Ele olhou para mim e sorriu enquanto subia em sua bicicleta e ia embora.
Poucos minutos depois, alguns vizinhos apareceram à nossa porta com suas bicicletas. Eles disseram que o Talibã o havia levado.
Jamais esquecerei o rosto de minha mãe. Estava congelado, em choque.
Ela pegou a mão do meu irmão de cinco anos e saiu correndo, desesperada para encontrá-lo.
Naquela noite, minha mãe voltou com o peso do mundo sobre os ombros.
Não havia notícias de meu pai, onde ele poderia estar ou mesmo se ele estava vivo.
O Talibã está de volta às ruas de Herat
Getty Images/BBC
Meus tios e alguns amigos tentaram sem sorte descobrir onde ele estava detido.
Todos os dias, minha mãe visitava os escritórios do Talibã, mas eles se recusavam a ouvi-la.
Depois de esgotar todos os meios possíveis, meu tio foi a Kandahar porque soube que o Talibã havia feito alguns prisioneiros lá. Mas não havia notícias.
Então ele foi para Cabul e Mazar-i-Sharif, mas ele também não estava lá.
Nossos vizinhos, que testemunharam sua prisão, tinham certeza de que viram como os mesmos membros do Talibã haviam sequestrado outros vizinhos e depois os libertado de uma prisão em Herat.
Minha mãe era forte, uma leoa, e não ia desistir.
Contra conselhos da família, ela levou meu irmão (porque sob o governo do Talibã, ela só podia viajar com um homem, mesmo que ele fosse apenas um menino) e foi para Kandahar, para o escritório do líder do Talibã, Mullah Omar.
O Talibã a espancou e ameaçou. Eles disseram que se a vissem novamente, ela seria apedrejada até a morte.
Minha mãe voltou para casa decepcionada e derrotada.
Não podemos perdoar o Talibã
A vida sob o Talibã passou de um inferno para um buraco negro de desespero.
Minha mãe, temendo por nossas vidas, decidiu deixar o Afeganistão e nos levar para Mashhad, no Irã.
Em 2004, quando as coisas melhoraram no Afeganistão, retornamos. Queríamos estudar e fazer algo por nós mesmos.
‘Viver sob o controle do regime talebã é como estar em um relacionamento abusivo’
Anadolu Agency/BBC
Nosso pai tinha esperanças que queríamos cumprir.
Ainda me lembro de seu sorriso charmoso, e ainda tenho a caneta que ele me deu.
Não podemos lamentar sua vida, e não vamos esquecê-lo.
Enquanto assistimos às notícias sobre como o Talibã está tomando o Afeganistão novamente, temo que a história se repita.
Agora sou casada e moro na Inglaterra. Mas temo por minha mãe, minhas irmãs e meu irmão, que ainda estão no Afeganistão, e pelas milhões de famílias que sentirão dor e sofrerão perdas como nós.
Seu único crime, ter nascido no Afeganistão.”
Produzido por Rozina Sini

Fonte: G1 Mundo