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Afeganistão: Helicópteros Black Hawk, Humwees e Tucanos, o arsenal que caiu nas mãos do Talibã


Insurgentes que tomaram o Afeganistão herdaram arsenal de equipamento militar fabricados nos EUA; mas até que ponto serão capazes de manter e usar esse material? Crise no Afeganistão: veja a angústia no aeroporto em Cabul e a rotina de quem tenta escapar do controle do Talibã
Um vídeo postado recentemente nas redes sociais mostra combatentes do Talibã observando como um icônico equipamento militar americano — um helicóptero Black Hawk — era pilotado no aeroporto de Kandahar.
Um vídeo postado recentemente nas redes sociais mostra combatentes do Talibã observando como um icônico equipamento militar americano — um helicóptero Black Hawk — era pilotado no aeroporto de Kandahar.
Getty Images/Via BBC
A aeronave multifuncional de quatro lâminas estava apenas taxiando na pista, mas a manobra enviou uma mensagem ao mundo: o Talibã não é mais um grupo de soldados desorganizados empunhando rifles de assalto Kalashnikov em picapes surradas.
Combatentes com armas apoiam forças afegãs em guerra contra o Talibã nos arredores da província de Herat, no Afeganistão, em 10 de julho de 2021
Jalil Ahmad/Reuters
Desde a tomada de Cabul em 15 de agosto, combatentes do Talibã foram fotografados exibindo uma série de armas e veículos de fabricação americana.
Alguns deles foram fotografados em equipamentos de combate idênticos aos de outras forças especiais em todo o mundo. Eles não ostentavam as tradicionais barbas compridas ou roupas típicas, e certamente não havia nenhuma arma enferrujada.
Força aérea do Afeganistão recebeu A-29 Super Tucano antes de ser vencida pelo Talibã (foto de 2020)
Reuters/Via BBC
As armas foram conquistadas pelos militantes islâmicos ao derrotarem as Forças de Defesa e Segurança Nacional Afegãs (Ands) em diversas cidades.
Algumas pessoas nas redes sociais dizem que isso faz do Talibã o único grupo extremista do mundo a possuir uma força aérea.
Quantas aeronaves o Talibã possui?
A Força Aérea Afegã operava 167 aeronaves, incluindo helicópteros de ataque e aviões, no final de junho, de acordo com um relatório do Inspetor Geral Especial para Reconstrução do Afeganistão (Sigar, na sigla em inglês), um órgão do governo americano. Entre as aeronaves estão aviões de caça-leve A-29 Super Tucano fabricados pela brasileira Embraer.
Foto mostra tropas do Afeganistão com humvees – veículos que agora estão sob posse do Talibã
Reuters/Via BBC
Mas não está claro quantas aeronaves o Talibã realmente capturou. Imagens de satélite do aeroporto da cidade de Kandahar, fornecidas à BBC pela empresa americana Planet Labs, mostram uma série de aeronaves militares afegãs estacionadas na pista.
Uma imagem feita seis dias depois que a cidade foi tomada pelo Talibã mostra cinco aeronaves — pelo menos dois helicópteros MI-17, dois Black Hawks (UH-60) e um terceiro helicóptero que também poderia ser um UH-60, de acordo com Angad Singh, um especialista em aviação militar da Observer Research Foundation, com sede em Nova Déli, na Índia.
Outra imagem de satélite feita bem antes, em 16 de julho, mostrava 16 aeronaves — nove Black Hawks e dois helicópteros MI-17 e cinco aviões de asa fixa. Isso significa que algumas dessas aeronaves foram transportadas para fora do país ou transferidas para outras bases aéreas.
O Talibã também capturou as nove bases aéreas afegãs restantes, incluindo as de Herat, Khost, Kunduz e Mazar-i-Sharif — mas não está claro quantas aeronaves eles apreenderam, pois não há imagens de satélite desses aeroportos disponíveis.
Os combatentes do Talibã e a imprensa local têm postado imagens de aeronaves e drones confiscados nesses aeroportos.
Mas também existe a possibilidade de que algumas aeronaves foram retiradas do Afeganistão antes que pudessem cair nas mãos de insurgentes. A análise de imagens de satélite tiradas em 16 de agosto do aeroporto Termez do Uzbequistão mostra mais de duas dúzias de helicópteros, incluindo MI-17, MI-25, Black Hawks e também várias aeronaves A-29 de ataque leve e C-208, de acordo com um especialista em aviação baseado em Nova Déli que não quis ser identificado.
Especialistas da consultoria de segurança CSIS dizem que esses aviões e helicópteros provavelmente são da Força Aérea Afegã.
Quais outros equipamentos militares o Talibã capturou?
Embora haja dúvidas sobre o poder aéreo do Talibã, especialistas concordam que eles têm experiência para manusear armas, rifles e veículos sofisticados. E há muitos desses equipamentos no Afeganistão.
Entre 2003 e 2016, os EUA passaram uma enorme quantidade de equipamento militar para as forças afegãs que lutaram a seu lado: 358.530 rifles de diferentes marcas, mais de 64 mil metralhadoras, 25.327 lançadores de granadas e 22.174 Humvees, de acordo com um relatório do governo americano.
Depois que as forças da aliança militar Otan encerraram seu papel de combate em 2014, a proteção do país ficou a cargo do Exército afegão. Enquanto este lutava para conter o Talibã, os EUA forneciam mais equipamentos militares e substituíam as armas mais antigas.
Os americanos forneceram cerca de 20 mil rifles M16 somente em 2017. Nos anos seguintes, os EUA contribuíram com pelo menos 3.598 rifles M4 e 3.012 Humvees, entre outros equipamentos, para as forças de segurança afegãs entre 2017 e 2021, de acordo com o Sigar.
O Exército afegão também tinha veículos blindados MSFV, que usava para operações de emergência. Esses veículos 4×4 podem ser usados para transportar pessoas ou equipamentos.
O que o Talibã pode fazer com seu novo arsenal?
Isso depende.
Capturar aeronaves pode ter sido fácil para o Talibã, mas operá-las e mantê-las será difícil, diz Jonathan Schroden, diretor do grupo de consultoria CNA e ex-conselheiro das forças americanas no Afeganistão. As peças precisam de constante manutenção e substituição, e uma força aérea depende de uma equipe de técnicos trabalhando para manter cada aeronave funcionando.
A maior parte das aeronaves recebia manutenção de empreiteiras privadas dos EUA, que começaram a deixar o país antes mesmo do ataque do Talibã às cidades e províncias em agosto.
Jodi Vittori, professora de política global e segurança da Universidade de Georgetown e veterana da Força Aérea dos EUA que serviu no Afeganistão, concorda que o Talibã não tem experiência para tornar essas aeronaves operacionais.
“Portanto, não há perigo imediato de o Talibã usar essas aeronaves”, diz ela, sugerindo que as aeronaves podem ter sido parcialmente desmontadas antes da rendição das forças afegãs.
No entanto, o Talibã tentará coagir ex-pilotos afegãos a pilotar esses aviões, diz Jason Campbell, pesquisador da Rand Corporation e ex-diretor para o Afeganistão no Gabinete do Secretário de Defesa dos EUA.
“Eles vão ameaçar os pilotos e suas famílias. Então, eles podem ser capazes de colocar alguns desses aviões no ar, mas suas perspectivas de longo prazo parecem sombrias.”
Mas é provável que o Talibã seja capaz de operar os MI-17 de fabricação russa, da mesma forma que tem feito no país há décadas. Quanto ao resto do arsenal aéreo, eles podem procurar países solidários para manutenção e treinamento.
Outros armamentos serão muito mais fáceis de serem usados pelos insurgentes. Até mesmo soldados de infantaria do Talibã parecem estar confortáveis com o equipamento terrestre que apreenderam.
O fato de o grupo ter acesso a tais armas modernas é um “fracasso colossal”, diz Michael Kugelman, vice-diretor do Wilson Center em Washington.
Mas os efeitos não se limitarão ao Afeganistão. Há temores de que as armas pequenas possam começar a aparecer no mercado negro e alimentar outras insurgências ao redor do mundo.
Isso não é um risco imediato, diz Vittori, mas uma cadeia de suprimentos pode aparecer nos próximos meses. A responsabilidade de impedir isso recai sobre países vizinhos como Paquistão, China e Rússia.
Campbell diz que o Talibã parece interessado em projetar um lado mais responsável, embora seja difícil acreditar que eles não venham a apoiar grupos ideologicamente semelhantes em todo o mundo.
A unidade dentro do Talibã é outro fator que terá um papel importante no modo como essas armas são usadas.
Vittori diz que existe a possibilidade de que grupos dissidentes de dentro da aliança do Talibã decidam romper, levando as armas com eles. Portanto, muito dependerá de como a liderança manterá o grupo unido quando a euforia inicial de assumir o controle do Afeganistão passar.
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Fonte: G1 Mundo

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Qual a extensão da presença de Estado Islâmico e Al-Qaeda no Afeganistão — e qual sua relação com Talibã


Após os ataques nas imediações do aeroporto de Cabul, muitos se perguntam se os grupos extremistas vão voltar a prosperar no país. Crise no Afeganistão: veja a angústia no aeroporto em Cabul e a rotina de quem tenta escapar do controle do Talibã
Os ataques a bomba nos arredores do aeroporto de Cabul na quinta-feira (26) alimentaram os temores de muita gente de que o Afeganistão se torne mais uma vez um terreno fértil para o extremismo.
As potências ocidentais correram para retirar seus cidadãos do país diante da ameaça de um ataque iminente, que acabou sendo executado e matou pelo menos 90 pessoas.
Os ataques a bomba nos arredores do aeroporto de Cabul na quinta-feira (26/08) alimentaram os temores de muita gente: de que o Afeganistão se torne mais uma vez um terreno fértil para o extremismo.
Getty Images/Via BBC
Um braço do grupo extremista autodenominado Estado Islâmico, chamado Estado Islâmico Khorasan, assumiu a autoria do ataque — e os Estados Unidos responderam com ataque de drones que teriam matado ao menos três membros do Estado Islâmico, entre eles o responsável por planejar o atentado.
ISIS-K: braço do Estado Islâmico no Afeganistão é suspeito de ser responsável por ataque em Cabul

Desde a chegada do Talibã ao poder, a comunidade internacional tem sob escrutínio tanto o Estado Islâmico quanto a Al-Qaeda, dois grupos enfraquecidos, mas que buscam se fortalecer após o colapso do governo afegão e a retirada das tropas ocidentais do país.
O Talibã nega que o país possa se tornar um santuário para terroristas, mas alguns especialistas têm dúvidas.
O Talibã prometeu ficar longe da Al-Qaeda, mas especialistas dizem que o grupo pode ter poder nos bastidores
Getty Images/Via BBC
“Não estou seguro do valor dessas palavras porque ouvimos as mesmas declarações nos anos 1990”, afirma à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, Bruce Hoffman, pesquisador chefe de luta contra o terrorismo e segurança nacional no Conselho de Relações Exteriores de Nova York, nos Estados Unidos.
Entre 1996 e 2001, sob o domínio do Talibã, a Al-Qaeda prosperou no Afeganistão e orquestrou ataques em todo o mundo. Agora, a preocupação é que o grupo recupere o poder à sombra do governo do Talibã, seus aliados.
Os confrontos entre o Estado Islâmico e o governo do Afeganistão se sucederam nos últimos anos
Getty Images/Via BBC
O Estado Islâmico, por sua vez, quer se fortalecer novamente após sua derrota na Síria e no Iraque e a queda de seu autoproclamado califado. Esta organização é inimiga tanto do Ocidente, quanto do Talibã e da Al-Qaeda.
Mas afinal, atualmente, qual a extensão da presença da Al-Qaeda e do Estado Islâmico no Afeganistão? E como é a relação deles com o Talibã?
Estado Islâmico Khorasan
O Estado Islâmico Khorasan é afiliado ao grupo original que controlava grandes áreas na Síria e no Iraque.
Esta facção surgiu em 2015, no leste do Afeganistão, no auge da organização — e é um inimigo jurado tanto do Talibã quanto da Al-Qaeda.
O Estado Islâmico é inimigo tanto da Al-Qaeda quanto do Talibã — e organizou vários ataques no Afeganistão nos últimos anos
Getty Images/Via BBC
“Eles se odeiam, são concorrentes, embora tenham ideologias semelhantes. Eles se atacaram durante meses. Este grupo considera que os talibãs são traidores por negociarem com os americanos”, explica à BBC News Mundo Michele Groppi, pesquisadora sobre a ordem mundial da Universidade King’s College London, no Reino Unido.
No comunicado em que assumiram a responsabilidade pelo ataque na quinta-feira, eles acusaram o Talibã de “colaborar” com as forças americanas para retirar “espiões” do país.
De acordo com Frank Gardner, correspondente para assuntos de Segurança da BBC, o Estado Islâmico Khorasan é o mais extremo e violento de todos os grupos militantes jihadistas que atuam no Afeganistão.
A Organização das Nações Unidas (ONU) observa que, apesar das perdas financeiras e territoriais, o Estado Islâmico continua sendo uma ameaça para o país e a região.
O Talibã assinou em fevereiro de 2020 um acordo de paz com os Estados Unidos, presidido na época por Donald Trump
Getty Images/Via BBC
“Ele está tentando manter sua relevância, reconstruir suas hierarquias, recrutar e treinar seguidores, potencialmente desertores do Talibã que rejeitaram o processo de paz”, diz o relatório da ONU.
Estima-se que o Estado Islâmico Khorasan tenha entre 1,5 mil e 2,2 mil combatentes espalhados por várias células, com maior presença nas províncias de Kunar e Nangarhar, no nordeste do país.
Em seu auge, chegou a contar com mais de 3 mil combatentes, mas sofreu baixas significativas em confrontos com as forças de segurança dos EUA e do Afeganistão, assim como contra o Talibã.
O grupo recruta tanto jihadistas afegãos quanto paquistaneses, sobretudo membros desertores do Talibã afegão que não consideram sua própria organização “radical o suficiente”.
A morte de Osama Bin Laden em 2011 foi um momento chave na ‘guerra ao terror’, travada pelos Estados Unidos e pelo Ocidente no Afeganistão
Getty Images/Via BBC
Fontes de inteligência atribuíram ao grupo algumas das piores atrocidades ocorridas no Afeganistão nos últimos anos, incluindo ataques contra escolas de meninas, hospitais e até mesmo uma maternidade, em que teriam matado a tiros mulheres grávidas e enfermeiras.
Enquanto o Talibã insiste que seu objetivo não vai além do que acontece no Afeganistão, o Estado Islâmico mostrou uma postura mais expansionista e dura contra o Ocidente e as Nações Unidas.
“O Khorasan tem uma visão muito diferente de como o Afeganistão deve funcionar. Eles são ainda mais ferozes do que o Talibã”, explica Groppi.
Al-Qaeda
De acordo com um relatório recente da ONU, a Al-Qaeda está presente em pelo menos 15 províncias afegãs, principalmente nas regiões leste, sul e sudeste do país.
“É uma presença significativa. Eles estão em praticamente metade do território, desde antes mesmo da queda de Cabul”, contextualiza Hoffman.
“No total, estima-se que a Al-Qaeda tenha entre 400 e 600 combatentes, mas imagino que esses números cresçam após a vitória do Talibã”, acrescenta à BBC News Mundo Colin Clarke, pesquisador e analista de segurança do Soufan Center em Nova York, nos EUA.
Em 29 de fevereiro de 2020, os Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, assinaram um acordo com o Talibã em Doha, no Catar, em que foi definido um cronograma para a retirada de suas tropas e aliados após quase 20 anos de conflito.
Em troca, Washington obteve a promessa de que o Talibã não permitiria “que nenhum de seus membros, ou outros indivíduos ou grupos, incluindo a Al-Qaeda, usem o território afegão para ameaçar a segurança dos Estados Unidos e de seus aliados”.
A invasão do Afeganistão foi parte da “guerra ao terror” declarada pelo ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush após os ataques de 11 de setembro de 2001.
O Afeganistão do Talibã era uma das bases da Al-Qaeda — e a inteligência dos Estados Unidos localizava ali e no vizinho Paquistão o principal quartel-general de seu líder, Osama Bin Laden.
As Nações Unidas garantem que o Talibã e a Al-Qaeda continuam alinhados. Na verdade, afirmam que o vínculo se aprofundou como resultado de casamentos e laços tribais.
Especialistas acreditam que o Talibã e a Al-Qaeda manterão uma postura de distanciamento e discrição até que o primeiro atinja seus objetivos de controle do país.
O Talibã nega e reafirma que respeita os pontos do acordo de Doha e não tem vínculos com a organização.
“O Talibã prometeu impedi-los de atacar os EUA e o Ocidente, mas isso não significa que eles não usem o Afeganistão para desestabilizar a Ásia ou talvez provocar tensões nucleares entre a Índia e o Paquistão”, adverte Hoffman.
“Me preocupa que, com o Talibã, os extremistas estarão melhor posicionados para orquestrar ataques por meio de suas facções em outros países, como a Síria e o Iêmen”, acrescenta o especialista.
Por outro lado, acadêmicos advertem que o consórcio Talibã-Al-Qaeda pode ser reforçado na luta contra o Estado Islâmico, seu inimigo comum.
A Al-Qaeda surgiu entre as redes de jihadistas que lutaram no Afeganistão contra a invasão soviética na década de 1980.
Seu objetivo final é estabelecer um califado. A estratégia do grupo é lançar ataques de alto impacto contra o Ocidente, como o das Torres Gêmeas em Nova York em 2001.
O Estado Islâmico surgiu, por sua vez, entre alguns remanescentes da Al-Qaeda no Iraque, mas eles romperam relações em 2014.
O grupo também liderou ataques contra o Ocidente e atentados sectários brutais no Oriente Médio e na Ásia.
Diferentemente da Al-Qaeda, o Estado Islâmico está buscando ativamente a expansão e conquista territorial.
Ambas as organizações rivalizam pelo domínio do movimento jihadista global.
O que pode acontecer no futuro?
O que vai acontecer a médio e longo prazo é uma incógnita. Mas é claro que o desafio à segurança começa em breve, acelerado pelo ataque ao aeroporto de Cabul poucos dias antes de 31 de agosto, prazo final para a retirada das potências estrangeiras do país.
Sistema de defesa americano intercepta cinco foguetes lançados contra aeroporto de Cabul
O Talibã prometeu ficar longe da Al-Qaeda e se concentrar na reorganização de seu país.
No entanto, conforme o grupo recuperava terreno nas últimas semanas, afegãos denunciaram execuções de soldados e punições a mulheres.
Muitos optaram por fugir do país por medo de que se repita o que aconteceu na década de 1990, quando o Talibã governou o Afeganistão sob um regime estrito baseado na sharia (lei islâmica).
Hoffman acredita que a Al-Qaeda não fará parte do novo governo, mas pode ter poder nos bastidores.
No entanto, Groppi prevê que se “o Talibã não conseguir o que deseja: reconhecimento internacional, fundos e segurança para governar o Afeganistão, pode convidar abertamente a Al-Qaeda”.
Por outro lado, muitos analistas, como Colin Clarke, esperam que a ascensão do Talibã ao poder provoque um fluxo de novos recrutas tanto para este grupo quanto para a Al-Qaeda e Estado Islâmico Khorasan.
“Não vamos esquecer também que os EUA podem usar o Talibã para combater o Estado Islâmico. No curto prazo, esses dois grupos continuarão a lutar um contra o outro. No longo prazo, tudo dependerá da dinâmica interna e dos jogos internacionais”, avalia Groppi.
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Fonte: G1 Mundo

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Ataque de foguetes contra aeroporto acelera retirada no penúltimo dia de tropas americanas no Afeganistão


Mais de 114 mi pessoas já deixaram o Afeganistão. A data-limite de saída é 31 de agosto. EUA interceptam ao menos 5 mísseis lançados contra o aeroporto de Cabul
Vários foguetes foram lançados nesta segunda-feira (30) contra o aeroporto internacional de Cabul, no penúltimo dia da presença das tropas dos Estados Unidos no Afeganistão. Os americanos aceleram a operação para concluir a retirada de pessoas do país em clima de ameaças de novos ataques.
Imagem de satélite fornecida pela Maxar Technologies mostra multidão reunida no portão nordeste do Aeroporto Internacional de Cabul, capital do Afeganistão, em 27 de agosto de 2021, um dia após um atentado terrorista no portão Abadia, em outro local do aeroporto
Maxar Technologies via AP
Um ex-funcionário do Departamento de Segurança do governo afegão, derrubado pelos talibãs há duas semanas, informou que os foguetes foram lançados a partir de um veículo na zona norte de Cabul, onde fica o aeroporto. Moradores das proximidades do aeroporto afirmaram que ouviram o som da ativação do sistema de defesa de mísseis e que viram estilhaços caindo do céu, indicando que ao menos um foguete foi interceptado.
Operação dos EUA em Cabul
A Casa Branca confirmou o ataque com foguetes contra o aeroporto e destacou que a retirada prossegue sem interrupção.
As tropas americanas se concentram neste momento em remover todos os militares e diplomatas dos Estados Unidos do país. “O presidente Biden voltou a confirmar a ordem para que os comandantes redobrem os esforços para fazer o que for necessário para proteger nossas forças no local”, afirmou a Casa Branca em um comunicado.
Penúltimo dia
O presidente americano, Joe Biden, estabeleceu a terça-feira 31 de agosto como data-limite para a retirada das tropas do Afeganistão. O marco significará o fim de duas décadas de uma operação militar iniciada como represália pelos atentados de 11 de setembro.
O retorno do movimento fundamentalista islâmico Talibã ao poder, do qual haviam sido afastados em 2001, desencadeou uma tentativa desesperada de fuga de afegãos do país. Os voos foram organizados pelos países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos. Eles permitiram a retirada de mais de 114.000 pessoas do aeroporto de Cabul.
As operações terminam oficialmente nesta terça-feira (31), mas vários países já concluíram suas missões. Algumas potências, como França e Reino Unido pedem a criação de uma “zona protegida” em Cabul, sob controle da ONU, para a realização de operações humanitárias. Mas o Talibã já rejeitou a proposta.
Ameaça do Estado Islâmico
O grupo Estado Islâmico (EI), rival dos talibãs, representa uma grande ameaça na reta final da retirada, como demonstrou o ataque suicida contra o aeroporto na quinta-feira (26) passada. O duplo atentado matou mais de 100 pessoas, incluindo 13 soldados americanos.
Biden advertiu para a elevada probabilidade de novos atentados. O exército americano realizou no domingo (29) um ataque aéreo contra um carro-bomba em Cabul. O veículo foi atingido por um drone a dois quilômetros do aeroporto da capital afegã.
Um porta-voz talibã confirmou que o carro cheio de explosivos, que seguia para o aeroporto, foi destruído. Os talibãs também informaram que um suposto segundo ataque atingiu uma casa.
Morte de civisAo longo dos 20 anos de guerra no Afeganistão, as tropas dos Estados Unidos foram acusadas de matar civis em seus ataques aéreos. Esse foi um dos motivos que provocaram a perda do apoio local. No domingo, a ação americana pode ter atingido novamente civis.
“Recebemos relatos de vítimas civis após o nosso ataque contra um veículo em Cabul”, afirmou em um comunicado o capitão Bill Urban, porta-voz do Comando Central militar americano. Urban disse que as explosões foram “potentes” e que o exército investiga ainda se elas provocaram mortes entre civis. “Nos deixaria profundamente tristes qualquer perda de vida inocente”, afirmou.
Nos últimos anos, o braço do EI no Afeganistão e Paquistão executou alguns dos ataques mais violentos nestes países, com massacres de civis em mesquitas, praças, escolas e hospitais.
Embora o grupo Estado Islâmico e o Talibã sejam grupos sunitas radicais, os dois mantêm uma grande rivalidade. Ambos reivindicam que representam a verdadeira jihad (“guerra santa”).
O atentado de quinta-feira, a ação mais violenta contra os Estados Unidos no Afeganistão desde 2011, provocou um reforço da cooperação entre as forças americanas e os talibãs para proteger o aeroporto. No sábado (28), combatentes talibãs escoltavam um fluxo constante de afegãos dos ônibus até o terminal de passageiros, onde as pessoas eram entregues a soldados americanos para a retirada.
Retorno do líder talibã
O Talibã, que abrigou no passado a rede terrorista Al-Qaeda, promete uma versão mais moderada do regime fundamentalista que impôs no Afeganistão entre 1996-2001.
Muitos afegãos, especialmente aqueles que trabalharam com as missões estrangeiras ou para o governo destituído, temem a nova versão talibã. Milhares já conseguiram deixar o país na operação de retirada organizada pelas potências ocidentais, mas muitos ainda tentam fugir nos últimos voos americanos.
No domingo, os talibãs anunciaram que seu líder supremo, Hibatullah Akhundzada, está em Kandahar, sul do Afeganistão, e planeja fazer uma aparição pública em breve.

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Fonte: G1 Mundo

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Foguetes disparados contra aeroporto de Cabul atingem casas


Imagem de satélite do Aeroporto Internacional de Cabul, capital do Afeganistão, em 27 de agosto de 2021, um dia após o atentado terrorista em um dos portões do local
Maxar Technologies via AP
Foguetes que aparentemente foram lançados contra o aeroporto internacional de Cabul, capital do Afeganistão, atingiram um bairro próximo nesta segunda-feira (30), segundo a agência de notícias Associated Press.
Ainda não está claro se alguém ficou ferido com os lançamentos, que ocorrem na véspera do prazo final para as tropas americanas e de países aliados se retirarem da guerra no Afeganistão, a mais longa da história dos Estados Unidos.
Também nesta segunda, o sistema antimísseis dos EUA interceptou cinco foguetes lançados contra o aeroporto. Nenhum dos ataques interrompeu os voos de retirada, feito com aviões cargueiros militares C-17 americanos que decolam e pousam a todo momento no aeroporto.
Nenhum grupo assumiu imediatamente a responsabilidade pelos ataques.
O Aeroporto Internacional Hamid Karzai tem sido palco recorrente de cenas de caos desde o dia 15, quando uma “blitz” do Talibã resultou em uma tomada relâmpago do poder no Afeganistão.
Na quinta-feira (27), o braço afegão do Estado Islâmico lançou um ataque suicida devastador em um dos portões do aeroporto, que matou mais de 180 pessoas (incluindo 13 militares americanos).

Fonte: G1 Mundo

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Coreia do Norte parece ter reiniciado reator nuclear, afirma agência da ONU


Os inspetores da agência da ONU foram expulsos da Coreia do Norte em 2009 e, desde então, precisam monitorar a atividade nuclear norte-coreana a partir do exterior. Imagem de 6 de agosto da usina nuclear Yongbyon, na Coreia do Norte
Divulgacão / GeoEye Satellite Image / AFP
A Coreia do Norte parece ter reiniciado o reator nuclear de Yongbyon, afirmou, nesta segunda-feira (30) a agência de energia atômica da ONU.
A agência diz que o fato é “profundamente preocupante” e pode indicar uma expansão do programa armamentista do regime norte-coreano.
Coreia do Sul e Coreia do Norte religam linha direta entre líderes
“Desde o início de julho há indícios, incluindo a descarga de água de resfriamento, consistentes com o funcionamento do reator”, afirmou a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) em seu relatório anual.
O dirigente norte-coreano, Kim Jong-un, propôs em 2019 desmantelar parte do complexo de Yongbyon, a principal instalação nuclear do país, em sua segunda reunião de cúpula com o então presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em troca de uma redução das sanções internacionais, mas a oferta foi rejeitada.
O reator parecia inativo desde dezembro de 2018 até recentemente, afirma o relatório da AIEA, com data de sexta-feira 27 de agosto.
Os inspetores da agência da ONU foram expulsos da Coreia do Norte em 2009 e, desde então, precisam monitorar a atividade nuclear norte-coreana a partir do exterior.
A possível operação do reator é mais um sinal recente de que o governo da Coreia do Norte está usando um laboratório radioquímico próximo ao local para separar o plutônio do combustível usado retirado previamente do reator.
Os dois fatos são “profundamente preocupantes” e as atividades representariam uma “clara violação” das resoluções da ONU, afirmou a Aiea.
Um funcionário de um posto importante do Departamento de Estado americano afirmou que o governo dos Estados Unidos estava a par do relatório e está coordenando suas ações com outros países aliados.
Este relatório destaca a necessidade urgente de diálogo e diplomacia para que se possa conseguir a completa desnuclearização da península da Coreia, afirmou essa fonte do Departamento de Estado.
“Nós continuamos buscando o diálogo com a Coreia do Norte para abordar esta atividade relatada e toda a série de questões relacionadas à desnuclearização”, completou.
Localizado a cem quilômetros ao norte da capital Pyongyang, Yongbyon abriga o primeiro reator nuclear do país e é a única fonte conhecida de plutônio para seu programa armamentista.
Porém, analistas suspeitam que não é a única instalação de enriquecimento de urânio da Coreia do Norte.
Foto divulgada pela Coreia do Sul mostra inspeção de usina nuclear da Coreia do Norte em 2009
Ministério de Relações Estrangeiras da Coreia do Sul/ Divulgação/Via AFP
Submetida a várias sanções internacionais, a Coreia do Norte suspendeu os testes nucleares e de mísseis em 2018 durante a aproximação diplomática com os Estados Unidos, que agora está paralisada.
Em janeiro de 2020, o regime comunista anunciou o fim da moratória autoimposta e executou desde então uma série de lançamentos de mísseis de curto alcance. O país não realiza um teste nuclear desde 2017.
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Fonte: G1 Mundo

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Conheça o ex-ministro do Afeganistão que virou entregador na Alemanha


Há anos, os afegãos são o segundo maior grupo de migrantes na Alemanha, atrás dos sírios. Há cerca de 210 mil pedidos de asilo registrados desde 2015. Sayed Sadaat, que trabalha como entregador na Alemanha, em 29 de agosto de 2021
Jens Schuleter / AFP
No Afeganistão, Sayed Sadaat de 50 anos, era ministro do governo. Agora, na cidade de Leipzig, no leste da Alemanha, ele ganha a vida de bicicleta, entregando comida em domicílio.
A jornada é de seis horas, de segunda a sexta-feira, de meio-dia às 22h nos finais de semana. Sayed usa um uniforme laranja, característico de sua empresa, e a mochila onde carrega os pedidos de seus clientes.
ONU alerta para nova onda migratória; meio milhão de afegãos devem fugir do país até o fim do ano
“Não tem por que ter vergonha. É um trabalho como outro qualquer. Se há emprego, é porque há uma determinada demanda e que alguém deve se encarregar de satisfazê-la”, diz ele.
Sayed Sadaat em um café, durante entrevista em 29 de agosto de 2021
Jens Schlueter / AFP
Milhares de afegãos deixaram seu país recentemente, após retomada do Talibã, em voos das forças de coalizão que ocuparam o país durante 20 anos. Espera-se que mais deles devem chegar por conta própria em contingentes ainda maiores nos próximos meses e anos.
A barreira linguística
Há anos, os afegãos são o segundo maior grupo de migrantes na Alemanha, atrás dos sírios. Há cerca de 210 mil pedidos de asilo registrados desde 2015.
Sayed Sadaat chegou meses antes do colapso do governo de Cabul. Ele foi ministro de Comunicações do seu país Natal entre 2016 e 2018. Ele diz que deixou o cargo porque estava farto da corrupção dentro do governo e encontrou trabalho como consultor no setor de telecomunicações.
Em 2020, a segurança começou a se deteriorar no país. “Então decidi ir embora”, diz ele.
Crise no Afeganistão: veja a angústia no aeroporto em Cabul e a rotina de quem tenta escapar do controle do Talibã
Embora tenha nacionalidade afegã e britânica, optou por se instalar na Alemanha no final de 2020, pouco antes do Brexit.
Em sua opinião, a economia alemã, a maior da Europa, oferece-lhe mais oportunidades em seu setor. Sem saber alemão, no entanto, é difícil encontrar trabalho. A pandemia de Covid-19 e as medidas de confinamento não facilitaram o aprendizado.
Agora ele dedica quatro horas por dia ao estudo do idioma, antes de sair com a bicicleta para fazer entregas pela empresa Lieferando. Sadaat ganha 15 euros por hora (cerca de R$ 92), um salário modesto, mesmo que seja bem acima do salário mínimo na Alemanha (R$ 58 por hora). Ele afirma ser capaz de atender às suas necessidades.
Como cidadão britânico, Sayed não pode solicitar o “status” de refugiado, nem os respectivos benefícios.
O ex-ministro, que não quer falar sobre sua família no Afeganistão, diz que não se arrepende de sua decisão.
Por um período limitado
O posto de entregador “é por um período limitado, até que eu encontre outro emprego”, diz ele.
Sorrindo, ele diz que o emprego o ajudou a ficar em forma, pedalando cerca de 1.200 quilômetros por mês. Com a retirada das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, Sayed acha que pode ser útil na Alemanha.
“Posso aconselhar o governo alemão e tentar fazer com que o povo afegão tire proveito disso, porque posso dar a eles uma imagem realista do terreno”, completa.
Por enquanto, porém, não tem contatos, então a prioridade é a entrega em domicílio.
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Fonte: G1 Mundo

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Sistema antimísseis dos EUA intercepta foguetes lançados contra o aeroporto de Cabul


Tentativa de ataque não interrompeu as operações no terminal na capital da Afeganistão. Estados Unidos correm contra o tempo para concluir retirada de tropas e aliados do país. Imagem mostra carro em chamas. Veículo teria disparado foguetes contra o aeroporto de Cabul
Agência de notícia Aamaj/via Reuters
O sistema de defesa antimísseis dos Estados Unidos interceptou cinco foguetes lançados contra o aeroporto de Cabul, no Afeganistão, nesta segunda-feira (30). A informação é da agência de notícias Reuters.
O presidente norte-americano Joe Biden foi avisado sobre a tentativa de ataque, que não interrompeu as operações no aeroporto.
A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse em um comunicado que o presidente “reafirmou sua ordem para que os comandantes redobrem seus esforços para priorizar o que precisa ser feito para proteger as forças no solo”.
Os Estados Unidos tentam concluir a operação de retirada de tropas e de aliados até o prazo limite, que é terça-feira. Até agora, 114 mil pessoas deixaram o país e ao menos 4 mil militares ainda estão no Afeganistão.
VÍDEO: Imagens mostram fumaça sobre Cabul após nova explosão
Ataque aéreo com drone
No domingo, os Estados Unidos executaram um ataque aéreo com drone contra integrantes do Estado Islâmico na cidade de Cabul, no Afeganistão.
O alvo eram pessoas suspeitas de serem militantes do braço afegão do Estado Islâmico, chamado Estado Islâmico-Khorasan. Um carro que levava um homem-bomba ao aeroporto foi atingido.
Um funcionário do governo dos EUA disse que o ataque deste domingo foi feito por um drone que era pilotado por agentes que nem mesmo estão no Afeganistão. Segundo ele, explosões secundárias após o ataque provam que o homem-bomba levava uma grande quantidade de material explosivo.
O Talibã é inimigo do Estado Islâmico no Afeganistão. Segundo a agência Associated Press, o Talibã confirmou que um ataque dos EUA atingiu um homem-bomba que estava em um carro e que pretendia fazer um atentado no aeroporto de Cabul.
Um porta-voz do comando central dos EUA, o capitão Bill Urban, afirmou que os militares ainda estão tentando descobrir se o ataque matou algum civil. Por enquanto, segundo ele, não há evidência de que isso tenha acontecido.
Imagem de controle nas imediações do aeroporto de Cabul, em 29 de agosto de 2021
Sargento Victor Mancilla/Divulgação Exército dos EUA/Via Reuters
Explosão em Cabul
Ouviu-se o barulho de uma explosão perto do aeroporto de Cabul, afirmaram testemunhas à agência de notícias Reuters.
Imagens transmitidas pela TV do Afeganistão mostram fumaça escura no céu, mas não há nenhuma informação a respeito de perdas até o momento.
Não se sabe se a explosão que ocorreu na região ao norte do aeroporto e o ataque a um carro com um homem-bomba estão ligados.
Reprodução de vídeo que mostra fumaça escura em Cabul, em 29 de agosto de 2021
Reprodução
Duas testemunhas disseram à Reuters que a explosão parece ter sido causada pelo impacto de um foguete que atingiu uma casa em uma região ao norte do aeroporto, mas ainda não há confirmação.
Uma autoridade afegã afirmou ao “New York Times” que a explosão parece ter mesmo sido causada por um foguete.
Vídeos nas redes sociais também mostram pessoas tentando jogar água no prédio de onde sai fumaça.
Imagem de satélite da Maxar Technologies mostra o Aeroporto Internacional de Cabul, capital do Afeganistão, em 27 de agosto de 2021, um dia após o atentado terrorista em um dos portões do local
Maxar Technologies via AP
Aviso de Joe Biden
Na quinta-feira houve uma explosão do lado de fora do aeroporto de Cabul que deixou mais de 180 mortos. Esse ataque foi reivindicado pelo braço afegão do Estado Islâmico.
A primeira resposta dos EUA veio no sábado: dois dirigentes do Estado Islâmico-Khorasan foram mortos em ataques de drone. Além desses dois, um terceiro dirigente ao grupo terrorista ficou ferido. Segundo os militares dos EUA, os três estiveram envolvidos no planejamento e execução do atentado suicida do lado de fora do aeroporto de Cabul.
No próprio sábado, o presidente dos EUA, Joe Biden, alertou que um novo ataque ao aeroporto de Cabul é “muito provável” nas “próximas 24 a 36 horas” e que o bombardeio americano que matou dois membros do grupo Estado Islâmico “não será o último”.
“A situação no local continua extremamente perigosa e a ameaça de um ataque terrorista no aeroporto continua alta”, escreveu o presidente em um comunicado após se reunir com seus conselheiros militares e de segurança.
Biden diz que novo ataque ao aeroporto de Cabul é ‘muito provável’
Ataque com drones matou dois membros do Estado Islâmico e deixou um terceiro ferido no Afeganistão, diz exército dos EUA
Estado Islâmico-Khorasan: conheça o grupo extremista rival do Talibã que espalha terror no Afeganistão
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Biden declara situação de desastre após o furacão Ida atingir Louisiana


Assistência pode incluir subsídios para habitação temporária e reparos domésticos. Estado tem mais de um milhão de clientes sem energia elétrica. Foto mostra a cidade de Nova Orleans, Louisiana, no primeiro dia da chegada do furacão Ida, que provocou ventos de 240 km/h
Patrick T. Fallon/AFP
O presidente dos EUA, Joe Biden, declarou situação de desastre na Louisiana e ordenou ajuda federal para complementar os esforços de recuperação nas áreas afetadas pelo furacão Ida, disse a Casa Branca neste domingo (29).
“A assistência pode incluir subsídios para habitação temporária e reparos domésticos, empréstimos de baixo custo para cobrir perdas de propriedades não seguradas e outros programas para ajudar moradores e proprietários de negócios a se recuperarem dos efeitos do desastre”, disse a Casa Branca.
Mais de um milhão de clientes na Louisiana estão sem energia elétrica, de acordo com o site PowerOutage.us, que monitora quedas de energia. Em Nova Orleans, o fornecimento está totalmente interrompido.
Furacão Ida atinge costa sul dos Estados Unidos
Furacão Ida
O furacão Ida atingiu o continente como uma violenta tempestade de categoria 4 na tarde de domingo, com ventos chegando a 240 km/h.
Segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, na sigla em inglês), Ida enfraqueceu para um furacão de categoria 1. Ida está agora localizada a cerca de 50 km a leste-sudeste de Baton Rouge, Louisiana, com ventos máximos a 155 km/h, disse o NHC.
A previsão é que o Ida se encaminhe rumo ao nordeste nesta segunda-feira (30).
As chuvas fortes já vinham afetando desde a manhã as ruas desertas de Nova Orleans, onde moradores colocaram tapumes nas janelas e fizeram bloqueios com sacos de areia. O Porto Fourchon foi diretamente afetado por ventos de aproximadamente 240 km/h.
Em meio às advertências urgentes sobre possíveis danos catastróficos, a maioria dos moradores seguiu as recomendações das autoridades de deixar a região. Um recorde de pessoas engarrafaram as rodovias de saída de Nova Orleans às vésperas da chegada de Ida.
Em uma localidade do leste de Nova Orleans, na manhã deste domingo alguns moradores faziam preparativos de última hora. “Não estou certo de estar preparado”, disse Charles Fields, de 60 anos, ainda levava para dentro de casa seus móveis de jardim. “Mas teremos que enfrentá-lo.”
Em 2005, o Katrina inundou a casa de Fildes – a água atingiu 3,3 metros. “Vamos ver como aguenta [desta vez]”, afirmou.
Veja, no vídeo abaixo, avião chacoalhando ao fazer imagens de dentro do furacão Ida:
Piloto de avião faz imagens de dentro do furacão Ida
Veja, no vídeo abaixo, a água invadindo uma casa na cidade de Grand Isle, Louisiana:
Água invade casa nos EUA durante passagem do furacão Ida
Imagens da destruição
Veja, abaixo, fotos da passagem do furacão Ida pelos EUA:
Foto de 29 de agosto de 2021 em Nova Orleans, na Louisiana, mostra homem passando ao lado de estrutura destruída após a passagem do furacão Ida
Eric Gay/AP
Foto de 29 de agosto de 2021 feita na cidade de Bay St. Louis, Mississippi, mostra um veículo parcialmente submerso após a passagem do furacão Ida
Steve Helber/AP
Foto de 29 de agosto de 2021 mostra a chegada do furacão Ida à cidade de New Orleans, Louisiana
Patrick T. Fallon/AFP
‘Teste importante’, diz governador
governador da Louisiana, John Bel Edwards, advertiu neste domingo que o furacão Ida será “um teste importante” para o sistema de prevenção de inundações do estado, expandido após a passagem devastadora do Katrina.
E explicou à CNN que centenas de milhares de moradores deixaram suas casas. E acrescentou que a situação “traz várias dificuldades desafiadoras para nós”, já que “os hospitais [estão] tão cheios de pacientes com Covid”.
Com baixa taxa de vacinação, a Louisiana está entre os estados mais atingidos pela pandemia. Com 2,7 mil internações neste sábado (28), as hospitalizações estão perto dos níveis mais altos da pandemia.
Este domingo coincide, ainda, com o 16º aniversário do Katrina, o furacão devastador que inundou 80% de Nova Orleans, deixando 1,8 mil mortos e bilhões de dólares em danos.
“É muito doloroso pensar em outra tempestade poderosa com o furacão Ida tocando o solo neste aniversário”, já havia dito Edwards anteriormente.
Ida e Covid
A Casa Branca informou neste domingo que agências federais mobilizaram mais de 2 mil trabalhadores de emergência na região (incluindo 13 equipes urbanas de buscas e resgate), juntamente com abastecimento de comida e água, assim como geradores elétricos.
Autoridades locais, a Cruz Vermelha e outras organizações prepararam dezenas de abrigos para pelo menos 16 mil pessoas, acrescentou a Casa Branca.
Os planos para enfrentar o furacão e ativar os refúgios foram complicados pela Covid-19. O presidente Joe Biden, que declarou estado de emergência em Louisiana, pediu no sábado que todas as pessoas nos abrigos usem máscaras e mantenham distanciamento de segurança.
Terminal petrolífero foi afetado
Furacão Ida chega aos Estados Unidos
NOAA/Via Reuters
O terminal marítimo do LOOP fica em águas abertas, a cerca de 29 km da costa da Louisiana. Em Port Fourchon fica a base terrestre.
O porto da Louisiana é o único terminal de águas profundas dos EUA capaz de descarregar superpetroleiros. De acordo com o site do Port Fourchon, ele abrange:
cerca de 10% a 15% do petróleo doméstico dos EUA;
10% a 15% das importações de petróleo estrangeiro;
está ligado a cerca de metade da capacidade de refino dos EUA;
e também atende a 90% da produção de petróleo em águas profundas do Golfo do México.
Neste domingo, mais de 95% da produção de petróleo do Golfo do México nos EUA ficou suspensa, o que representa cerca de 1,74 milhão de barris por dia de produção. O Golfo fornece cerca de 17% do petróleo do país.
Mais furacões
Furacão Ida deixa estragos em Cuba
O furacão Ida tinha tocado o solo na noite desta sexta-feira (27) no oeste de Cuba com categoria 1, causando alguns danos materiais e cortes de energia, segundo o jornal “Granma” (veja o vídeo acima).
Paralelamente, o furacão Nora deixou um menor espanhol morto e uma mulher desaparecida no estado mexicano de Jalisco (oeste do país), depois de ter tocado o solo no sábado nesta região como furacão de categoria 1.
Nora perdeu força e, neste domingo, tinha o status de tempestade tropical, na altura do estado de Sinaloa. Mas continuou provocando “chuvas fortes e inundações” no sudeste e oeste do país, segundo o NHC.
No fim de semana passado, outro furacão, o Grace, impactou a região mexicana de Veracruz (leste) como categoria 3 e provocou a morte de pelo menos 11 pessoas neste estado e no vizinho Puebla (centro).
Os cientistas têm advertido para um aumento no número de fortes ciclones à medida que a superfície do oceano esquenta devido ao aquecimento global, o que representa uma ameaça cada vez maior para as comunidades costeiras em todo o mundo.
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Fonte: G1 Mundo

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Mãe luta com puma com as próprias mãos para salvar filho de ataque


O animal avançou e arrastou o menino de 5 anos pelo quintal da casa da família na Califórnia, nos Estados Unidos. Ataques de pumas são raros na América do Norte
Getty Images
Uma mulher na Califórnia, nos Estados Unidos, salvou seu filho de 5 anos de um ataque de um puma.
O menino estava brincando do lado de fora de sua casa em Calabasas, nas montanhas de Santa Mônica, a oeste de Los Angeles, quando o animal se lançou sobre ele.
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A criança foi arrastada pelo gramado, mas sua mãe correu e bateu no puma com as próprias mãos até que ele largou seu filho.
O animal foi posteriormente morto a tiros pelas autoridades responsáveis ​​pela vida selvagem.
O menino sofreu ferimentos na cabeça e no torso, mas agora está em condição estável em um hospital em Los Angeles, informou a agência de notícias Associated Press.
O capitão Patrick Foy, porta-voz do departamento de vida selvagem da Califórnia, disse à AP que a mãe “salvou a vida de seu filho”.
Ataques são raros
Depois de chegar ao local, um oficial de vida selvagem encontrou um puma agachado nos arbustos com as “orelhas para trás e sibilando”, disse o departamento.
O oficial matou o felino, acreditando ser ele o provável culpado “por causa do seu comportamento e da proximidade com o local do ataque”.
Um teste de DNA confirmou posteriormente que foi o mesmo animal que atacou a criança.
Ataques de pumas são muito raros na América do Norte. As autoridades disseram que o animal envolvido era jovem.
Os especialistas acreditam que ele ainda estava aprendendo a caçar e se defender sozinho, de acordo com a emissora CBS News.

Fonte: G1 Mundo

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Colisão entre embarcações deixa ao menos 11 mortos no Peru

Acidente ocorreu na manhã deste domingo em um rio da Amazônia peruana. Número de desaparecidos é incerto. Ao menos onze passageiros morreram após a colisão, ao amanhecer deste domingo (29), de duas embarcações em um rio da Amazônia peruana, informou o governo. Há desaparecidos.
“Até o momento, tem-se uma quantidade ainda indeterminada de desaparecidos, assim como 11 mortos e 6 feridos”, informou o Instituto Nacional de Defesa Civil em um comunicado.
O acidente ocorreu às 05h30 (07h30 horário de Brasília) no rio Huallaga, em Muyuna, quando uma barcaça carregada com mercadorias navegava rumo à cidade de Yurimaguas em meio à neblina do amanhecer, segundo informações do canal estatal TV Perú.
Bombeiros, policiais e marinheiros estão a cargo das tarefas de buscas dos desaparecidos.
Viajavam na embarcação acidentada famílias inteiras, entre elas cerca de 20 crianças, segundo testemunhos dos sobreviventes.
Entre os passageiros que conseguiram se salvar sozinhos e nadar até a margem estavam quatro crianças, segundo a imprensa local.
“Eu perdi minha esposa e meu filho”, disse, resignado, um dos sobreviventes, ressaltando que alguns dos passageiros não sabiam nadar.
Os passageiros pertenciam a uma comunidade religiosa que voltava a Yurimaguas após participar de uma vigília em um casario afastado na floresta, conhecido como Santa Maria.
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Fonte: G1 Mundo