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Israel começa a aplicar 3ª dose da vacina contra Covid-19 em todos os maiores de 12 anos


Única exigência é que cidadão tenha tomado a 2ª dose há pelo menos 5 meses. OMS havia pedido para que países não aplicassem o reforço antes de cada nação atingir pelo menos o índice de 10% de moradores totalmente vacinados. Israelense recebe a 3ª dose da vacina da Pfizer neste domingo (29)
Ahmad Gharabli/AFP
Após registrar um recorde diário de novos casos de Covid-19, Israel começa a aplicar neste domingo (29) o reforço da vacina da Pfizer em todos os maiores de 12 anos – até então, apenas os cidadãos com mais de 40 anos podiam ser contemplados.
É necessário ter tomado a segunda dose do imunizante há pelo menos 5 meses.
A medida vai contra a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de aguardar a vacinação avançar no mundo antes de iniciar a aplicação do reforço, para não prejudicar as nações mais pobres.
Segundo o órgão, o correto seria esperar até que pelo menos 10% dos moradores de cada país estivessem protegidos com duas doses.
Atualmente, segundo o monitoramento do “Our World in Data”, Haiti, República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Iêmen, Chade, Guiné-Bissau, Mali e Tanzânia, por exemplo, não chegam nem a 0,5% da população totalmente vacinada. Em Israel, o índice é de 62,2%.
Argumentos de Israel
O país adota os seguintes argumentos para ampliar a aplicação do reforço:
uma terceira dose da vacina da Pfizer em pessoas com 60 anos ou mais oferece de cinco a seis vezes mais proteção contra casos graves e hospitalização por Covid-19, segundo estudo publicado pelo Ministério da Saúde israelense em agosto;
em setembro, as escolas vão reabrir, e os moradores devem se reunir com mais frequência nos feriados religiosos.
Há também uma preocupação com o avanço no número de casos de Covid. No sábado, foram 12.113 infectados em 24 horas – o último recorde havia sido registrado em 27 de janeiro (11.934).
A situação chegou a melhorar após o ritmo avançado de vacinação – no começo de junho, Israel ficou dois dias seguidos sem registrar nenhuma nova contaminação.
A variante delta, no entanto, mudou o quadro e obrigou o governo a retomar protocolos de prevenção, como uso de máscaras e exigência de comprovantes de imunização para a entrada em locais fechados.
Vídeos sobre vacinação

Fonte: G1 Mundo

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Furacão Ida: como os furacões se formam e por que são tão frequentes nos EUA, México e Caribe


Entenda a razão pela qual o fenômeno é raro na América no Sul neste guia com gráficos e imagens de satélite.
BBC
Furacões são as maiores e mais violentas tempestades do planeta e a cada ano, entre os meses de junho e novembro, afetam a região do Caribe, do Golfo do México e da costa leste dos Estados Unidos. A depender de sua força, podem arrasar populações e cidades inteiras.
Seus homólogos são os tufões, que afetam o noroeste do oceano Pacífico, e os ciclones, que ocorrem no sul do Pacífico e no oceano Índico.

NOAA via BBC
Todos eles são ciclones tropicais, mas o nome furacão é usado exclusivamente para os do Atlântico norte do nordeste do Pacífico.
Neste domingo (29), Nova Orleans se prepara para o possível impacto direto de uma tempestade mais forte que o furacão Katrina, que deixou um rastro de destruição há exatos 16 anos.
Trata-se do furacão Ida, que se intensificou nas águas quentes do Golfo do México antes de sua chegada à costa sul dos Estados Unidos. A tempestade é de categoria 4, uma abaixo do nível máximo, com ventos de até 225km/h.
Mas como se formam os furacões e por que costumam ocorrer nesta parte do mundo?
Uma bomba de energia
O mecanismo mais comum de formação de furacões no Atlântico — que provoca mais de 60% desses fenômenos — é uma onda tropical.
A onda começa como uma perturbação atmosférica que cria uma área de relativa baixa pressão.
Isso acontece geralmente no leste da África, a partir de meados do mês de julho.
Se essa área de baixa pressão encontra as condições adequadas para se manter e se desenvolver, ela começa a mover-se de leste a oeste, com a ajuda dos ventos alísios.

NOAA via BBC
Quando chega ao oceano Atlântico, a onda tropical pode ser o início de um furacão, mas, para que ele se forme, precisa de fontes de energia, como a umidade, o calor e o vento adequados.
Em concreto, é preciso que a temperatura da superfície do oceano seja superior aos 27º C, assim como a da camada de água que se estende por pelo menos 50 metros logo abaixo da superfície.
Também são necessários tipos de vento específicos. Por um lado, ventos com rotação horizontal, para que a tempestade se concentre.
Por outro, é preciso que os ventos subindo a partir da superfície do oceano mantenham sua força e velocidade constantes.
Se houver cortante de vento, ou seja, variações no vento com a altura, isso pode interromper o fluxo de calor e umidade que faz com que o furacão tome forma.
Também é preciso que haja uma concentração de nuvens carregadas de água e alta umidade relativa na atmosfera.

BBC
Tudo isso precisa ocorrer nas latitudes adequadas, em geral entre os paralelos 10° e 30° do hemisfério norte, já que nesta região o efeito da rotação da Terra faz com que os ventos possam convergir e ascender ao redor da área de baixa pressão.
Quando a onda tropical encontra todos estes ingredientes, cria-se uma área de cerca de 50 a 100 metros, onde eles começam a interagir.
“O movimento da onda tropical funciona como o disparador dessa tempestade”, explicou à BBC News Brasil Jorge Zavala Hidalgo, coordenador geral do Serviço Meteorológico Nacional do México.
E esta tempestade funciona como um catalisador: começa um balé de calor, ar e água.
A área de baixa pressão faz com que o ar úmido e quente que vem do oceano suba e se esfrie, o que alimenta as nuvens.
A condensação desse ar libera calor e faz com que a pressão sobre a superfície do oceano baixe ainda mais, o que atrai mais umidade do oceano, fortalecendo a tempestade.
Os ventos convergem e ascendem dentro desta área de baixa pressão, girando em direção contrária às agulhas do relógio — por influência da rotação da Terra.
É essa rotação que dá aos furacões sua imagem característica.
Furacão
Getty via BBC
À medida em que a tempestade fica mais poderosa, o olho do furacão, uma área central de até 10 km permanece relativamente tranquilo.
Ao seu redor se levanta a parede do olho, composta de nuvens densas, onde ficam os ventos mais intensos. Para além dela, ficam as faixas em forma de espiral, onde há mais chuvas.
A velocidade dos ventos é a que determina em que momento podemos chamar esse fenômeno de furacão. Em seu nascimento é uma depressão tropical, quando sua força aumenta passa a ser uma tempestade tropical e se torna um furacão quando passa dos 118 km/h.
Furacão
Proteção civil/ Governo do México via BBC
A partir daí, eles podem ser classificados em cinco categorias segundo a velocidade sustentada de seus ventos. Para medir o poder destrutivo dos furacões do Atlântico, se utiliza a escala Saffir-Simpson.
A força dos ciclones tropicais é tanta que seus ventos poderiam produzir energia equivalente a quase a metade da capacidade de geração de eletricidade do mundo inteiro, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).
Furacão
NOAA via BBC
No entanto, os principais responsáveis pela destruição e pela perda de vidas quando passa um furacão são as marés de tempestade nas cidades costeiras e as inundações provocadas pelas chuvas que ele traz.
Nos Estados Unidos, por exemplo, as marés de tempestade foram responsáveis por quase a metade das mortes relacionadas aos ciclones tropicais do Atlântico entre 1963 e 2012, segundo dados da Sociedade Americana de Meteorologia.
Além destes fatores, a destruição causada por um furacão depende de outras circunstâncias, como a velocidade com a qual ele passa, a geografia do território e a infraestrutura da região afetada.
As tempestates tropicais Amanda e Cristobal não chegaram a ser furacões, mas provocaram chuvas extraordinárias e muita destruição na Guatemala e no México entre maio e junho de 2020
Getty via BBC
“Não necessariamente a destruição ou o perigo associados a um ciclone tropical correspondem a sua categoria. Por exemplo, um ciclone de categoria maior não tem por que ter mais chuva”, disse Jorge Hidalgo à BBC News Brasil.
México, Estados Unidos e Caribe: as zonas mais vulneráveis
Um dos fatores que explica que essa região seja mais propensa a receber furacões é que o oceano Atlântico, nas latitudes tropicais, tem a temperatura adequada para sua formação durante mais meses no ano.
Outro fator é a circulação dos ventos que empurram os furacões.
Os ventos alísios, principais ventos nas latitudes baixas tropicais, vão de leste a oeste, levando os ciclones até as costas do Caribe, do Golfo do México e dos Estados Unidos.
O percurso destes ventos também é influenciado pela rotação da Terra — o chamado efeito de Coriolis — que faz com que eles tendam a desviar-se em direção ao norte.
Os furacões que se formaram no Atlântico Norte em 2019 seguiram trajetórias diferentes de acordo com as correntes de ar e outros fenômenos, como os anticiclones, que encontravam em seu caminho
WIKI PROJECT TROPICAL CYCLONES/TRACKS/NASA/XYKLONE
Normalmente, enquanto os furacões avançam, eles também se deslocam levemente para o norte.
Ao passar do paralelo 30°N, costumam encontrar-se com os ventos do oeste, outra das grandes correntes globais de ventos, que faz com que passem a ir em direção à leste. Daí por diante, se afastam do continente americano.
Mas em seu caminho, ainda no oceano Atlântico, os furacões se encontram com o enorme anticiclone das Bermudas-Açores, que pode determinar se eles vão se dirigir ao Golfo do México, ao Caribe ou aos Estados Unidos.
Os anticiclones são regiões de alta pressão atmosférica com ar mais seco, menos nuvens e ventos que giram na direção das agulhas do relógio no hemisfério norte.
O anticiclone dos Açores funciona como uma espécie de obstáculo que domina a parte norte do oceano Atlântico. Para avançar, os furacões precisam passar ao redor dele.
É por isso que o tamanho e a posição desse anticiclone podem influenciar a trajetória de um ciclone tropical.
Ciclone
CBC, Nasa via BBC
Se o anticiclone está mais fraco e mais posicionado à leste, os furacões o rodeiam e seguem para o norte, se distanciando do Caribe (veja o gráfico acima).
Se, pelo contrário, ele estiver mais forte e mais posicionado ao sul e ao oeste, um furacão que passa ao redor dele acaba indo para o Golfo do do México, o sul dos Estados Unidos ou as ilhas caribenhas.
A posição do anticiclone muda de acordo com o ano, com as estações e pode variar também em questão de dias.
“Por causa dessas variações, um furacão pode ter uma trajetória muito diferente hoje do que outro que passar apenas três ou cinco dias depois”, explica Jorge Zavala Hidalgo, do Serviço Meteorológico Nacional do México.
Seguindo a mesma lógica, os anticiclones podem fazer com que furacões que já estão se afastando das Américas voltem atrás. Foi o que aconteceu com o furacão Sandy, em 2012.
Depois de tocar terra em Cuba, Sandy começou a se deslocar em sentido nordeste, afastando-se do continente. Mas um anticiclone na Groenlândia e uma frente fria bloquearam seu caminho. Isso fez com que ele voltasse para a costa leste dos Estados Unidos, causando destruição nos Estados de Nova York e Nova Jérsei.
Em seu caminho para o norte, o furacão Sandy foi bloqueado por um anticiclone e retornou à costa leste dos EUA, causando destruição em Nova York e Nova Jérsei
Getty via BBC
A razão pela qual furacões são raros na América do Sul
Se a parte norte do Atlântico oferece as condições ideais para a formação de furacões, o mesmo não ocorre abaixo da linha do Equador.
“O Atlântico Sul é mais tranquilo porque lá não há onda tropical — é um fenómeno mais comum no hemisfério norte — e há mais variações na velocidade e na direção do vento, algo que inibe a formação de furacões”, disse à BBC News Brasil Gary M. Barnes, professor aposentado da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos.
Além disso, os ciclones tropicais não costumam se formar se estiverem a menos de 500 quilômetros da linha do Equador, seja para o norte ou para o Sul.
Isso acontece porque, nessa faixa, o efeito de Coriolis é muito fraco para fazer com que os ventos girem e possam formar uma tempestade.
O único furacão registrado na América do Sul foi o Catarina, em 2004, que atingiu o sul do Brasil
Nasa via BBC
Apesar de depressões e tempestades tropicais já terem sido registrados no sul do Brasil, o único ciclone tropical registrado oficialmente na região foi o Catarina, em 2004.
O furacão atingiu o Estado de Santa Catarina, deixando mais de 10 mortos e mais de 500 feridos, além de cerca de 30 mil pessoas desabrigadas.
“Os ciclones nessa região costumam ser extratropicais, ou seja, que ocorrem em latitudes médias e têm núcleo frio. O Catarina foi assim. Mas ele adquiriu características de ciclone tropical e se tornou um furacão, algo que é raro de acontecer”, explicou à BBC News Brasil José Manuel Gálvez, meteorologista do Centro de Previsão Climática da NOAA.
A mudança climática pode impactar a formação de furacões?
“A mudança climática faz com que a temperatura da superfície e da capa espessa do oceano fiquem mais altas, e isso é um problema. Temos teorias que dizem que se o oceano ficar mais quente, isso pode se traduzir em tempestades mais fortes e intensas”, diz Gary Barnes.
Há indicações de que as áreas em que os ciclones tropicais encontram condições para se desenvolver e para sobreviver também estão ficando mais extensas ao longo do tempo, segundo Jorge Hidalgo, do Serviço Meteorológico do México.
“Talvez o número de ciclones não aumente, mas a distribuição de categorias pode mudar. Ou seja, podemos ter mais furacões de categoria maior e menos de categoria menor”, afirma.
Os cientistas concordam, no entanto, que é cedo para medir o impacto da mudança climática no fenômeno.
“É provável que os furacões se intensifique pouco a pouco, mas vamos precisar de muitos dados para provar que o aquecimento global vai provocar furacões mais fortes. Em 25 anos pode ser que tenhamos provas”, conclui o meteorologista Gary M. Barnes.

Fonte: G1 Mundo

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Joe Biden recebe militares mortos em Cabul e se encontra com familiares das vítimas


Os corpos dos 13 militares mortos no atentado terrorista no Afeganistão chegam aos Estados Unidos neste domingo (28). Familiares das vítimas têm encontro marcado com o presidente americano e sua esposa, Jill Biden, na Casa Branca. Joe Biden, presidente dos Estados Unidos
Reprodução
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, receberá neste domingo (29) os corpos dos 13 militares mortos no atentado terrorista ocorrido na semana passada no Afeganistão. A homenagem acontecerá na base aérea de Dover, no estado de Delaware.
Antes, Biden e sua esposa Jill se encontrarão com as famílias das vítimas na Casa Branca, em Washington.
Na última quinta-feira (26), o Estado Islâmico Khorasan, braço do Estado Islâmico no Afeganistão, confirmou a autoria do ato — um homem-bomba explodiu perto do aeroporto de Cabul e deixou mais de 180 feridos entre afegãos e americanos.
O rápido avanço do Talibã pelo país em meio à retirada das tropas americanas e as cenas caóticas no aeroporto apresentaram a Biden seu maior desafio de política externa até o momento.
Biden prometeu punir os responsáveis ​​pela bomba no aeroporto. No sábado (28), militares dos EUA disseram que mataram dois militantes do Estado Islâmico em um ataque de drones no Afeganistão.

Fonte: G1 Mundo

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Testemunhas afirmam ter ouvido uma explosão perto de aeroporto em Cabul, no Afeganistão


Ainda não há confirmação; testemunhas disseram que explosão pode ter sido causada pelo impacto de um foguete que atingiu uma residência perto do aeroporto. Imagem de satélite da Maxar Technologies mostra o Aeroporto Internacional de Cabul, capital do Afeganistão, em 27 de agosto de 2021, um dia após o atentado terrorista em um dos portões do local
Maxar Technologies via AP
Ouviu-se o barulho de uma explosão perto do aeroporto de Cabul, afirmaram testemunhas à agência de notícias Reuters neste domingo (29).
Imagens transmitidas pela TV do Afeganistão mostram fumaça escura no céu, mas não há nenhuma informação a respeito de perdas até o momento.
Duas testemunhas disseram que a explosão parece ter sido causada pelo impacto de um foguete que atingiu uma casa em uma região ao norte do aeroporto, mas ainda não há confirmação.
Aviso de Joe Biden
No sábado, O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, alertou que um novo ataque ao aeroporto de Cabul é “muito provável” nas “próximas 24 a 36 horas” e que o bombardeio americano que matou dois membros do grupo Estado Islâmico “não será o último”.
“A situação no local continua extremamente perigosa e a ameaça de um ataque terrorista no aeroporto continua alta”, escreveu o presidente em um comunicado após se reunir com seus conselheiros militares e de segurança.

Fonte: G1 Mundo

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A impactante imagem de 500 migrantes ‘transbordando’ de barco encontrado perto da Itália


Guarda costeira da Itália encontrou embarcação à deriva repleta de pessoas, algumas das quais feridas. Guarda costeira da Itália encontrou a embarcação à deriva repleta de pessoas, algumas das quais feridas
EPA via BBC
Uma embarcação com mais de 500 pessoas à bordo foi encontrada à deriva perto da costa da Itália no sábado (28).
O barco azul parecia “transbordar” de pessoas, numa imagem que dá a dimensão do desespero de migrantes que buscam uma nova vida na Europa.
A guarda costeira italiana contabilizou 539 passageiros, entre eles mulheres e crianças sentadas perigosamente nas laterais da embarcação, com as pernas penduradas para fora.
Eram migrantes que deixaram a Líbia na tentativa de obter asilo o refúgio na Europa. As autoridades italianas informaram que o barco estava à deriva em frente à ilha de Lampedusa. Alguns dos resgatados mostravam sinais de terem sido vítimas de violência no país de origem.
Segundo a médica Alida Srrachieri, da ONG humanitária Médicos Sem Fronteiras, vários parecem ter sido agredidos fisicamente na Líbia.
O prefeito de Lampedusa, Toto Martello, descreveu o resgate como “um dos maiores desembarques de todos os tempos” num único dia. Lampedusa, que fica entre a Sicília e o continente africano, é um dos principais pontos de acesso para quem deseja se estabelecer na Europa.
A ilha tem um acampamento de refugiados e migrantes desenhada originalmente para abrigar 300 pessoas. Mas, atualmente, há cinco vezes esse número. Muitos outros migrantes estão fora dessa local, acampado em estradas empoeiradas.
A maioria corre o risco de ser deportada de volta ao país de origem, já que vêm de nações que não se qualificam para o pedido de asilo.

Fonte: G1 Mundo

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EUA entram na fase final de retirada no aeroporto de Cabul


Cerca de 113,5 mil pessoas foram retiradas do Afeganistão pelos Estados Unidos e aliados nas últimas duas semanas. As tropas americanas deixarão o Afeganistão em 31 de agosto. Otan e União Europeia pedem prorrogação do prazo para conseguir finalizar a operação de ‘resgate’ no país. Imagem de satélite fornecida pela Maxar Technologies mostra multidão reunida no portão nordeste do Aeroporto Internacional de Cabul, capital do Afeganistão, em 27 de agosto de 2021, um dia após um atentado terrorista no portão Abadia, em outro local do aeroporto
Maxar Technologies via AP
As Forças Armadas dos Estados Unidos estão na fase final da retirada de Cabul, no Afeganistão. Neste domingo (29), há cerca de 1.000 civis no aeroporto Hamid Karzaida. Depois da saída dessas pessoas, os próprios militares vão deixar o país e, então, o Talibã vai passar a dominar o aeroporto.
Um dirigente militar norte-americano que está no aeroporto afirmou que o plano é garantir que todos os civis estrangeiros e aqueles que correm risco sejam retirados ainda neste domingo. Os membros das forças vão começar a voar quando esse processo terminar.
Cerca de 113,5 mil pessoas foram retiradas do Afeganistão pelos Estados Unidos e aliados nas últimas duas semanas. No entanto, estima-se que dezenas de milhares que também poderiam ter viajado ficaram para trás.
Além disso, os talibãs bloquearam as estradas que levam ao aeroporto e permitem apenas a passagem de ônibus autorizados.
O presidente Joe Biden tem afirmado que vai manter o calendário de retirada, que prevê o fim da operação na terça-feira (31). Há cerca de 4.000 soldados em Cabul.
Imagens de satélites mostram uma multidão de pessoas concentradas na fronteira do Afeganistão com o Paquistão. O vídeo registra o aumento da movimentação na região sul do país — uma das várias tentativas da população de fugir do grupo extremista Talibã (assista abaixo).
VÍDEO: Imagens de satélite mostram multidão em fronteira do Afeganistão
Essa é uma das maiores operações de retirada de pessoas por aviões na história. A ação marca o fim da missão de 20 anos dos Estados Unidos, que invadiram o país para derrubar o Talibã após os ataques de 11 de setembro de 2001 — os terroristas usavam o Afeganistão como um centro de treinamento.
Crise econômica e fome
O colapso do governo do Afeganistão deixou um vazio administrativo e pode ser que haja uma crise econômica e fome no país.
Preços de trigo, óleo e arroz estão aumentando rapidamente, e a moeda afegão, o afghani está caindo — na fronteira com o Paquistão, as casas de câmbio se recusam a aceitar o afghani.
No sábado (28), os bancos foram obrigados a abrir, mas havia limite de saque de até 20 mil afghanis (cerca de R$ 1.040). Formaram-se longas filas nos bancos.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, disse que as dificuldades vão terminar quando a nova gestão do país assumir de fato. Nos próximos dias serão anunciados os nomes que vão formar o governo, segundo ele.
‘Zona segura’
A Otan e União Europeia solicitaram uma prorrogação de alguns dias para conseguir retirar todos os afegãos aptos a receber proteção ocidental.
França e Reino Unido defenderão na segunda-feira (30), em um encontro no Conselho de Segurança da ONU, a criação de uma “zona segura” em Cabul para permitir a continuidade das operações humanitárias após 31 de agosto, afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Isto estabeleceria um marco às Nações Unidas para atuar em caráter de urgência e permitiria, sobretudo, a cada um assumir suas responsabilidades e à comunidade internacional manter a pressão sobre os talibãs”, disse Macron.
Muitos países, incluindo, França, Itália, Espanha, Alemanha, Canadá e Austrália, já concluíram suas operações de retirada. Algumas nações admitiram que deixaram civis afegãos que correm perigo no país.
A Turquia negocia com os talibãs para uma possível cooperação na administração do aeroporto.
Com o retorno ao poder, os talibãs tentam apresentar uma imagem mais aberta e moderada. Muitos afegãos, no entanto, temem a repetição do regime fundamentalista e brutal imposto entre 1996 e 2001, quando o Talibã foi derrubado por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.
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Fonte: G1 Mundo

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Talibã mata cantor de músicas folclóricas em região do Afeganistão onde ainda há conflitos


Familiares do cantor Fawad Andarabi contaram que membros do Talibã deram um tiro na cabeça do músico. Combatentes do Talibã patrulham o bairro de Wazir Akbar Khan na cidade de Cabul, nesta quarta-feira (18)
Rahmat Gul/AP
Um membro do Talibã matou o cantor folclórico Fawad Andarabi no Afeganistão em circunstâncias que ainda não são claras, disse a família do músico neste domingo (29).
VÍDEO: Veja apresentação de Fawad Andarabi, músico morto pelo Talibã
O assassinato aconteceu na sexta-feira, no vale do Andarabi, uma região montanhosa na província de Baghlan, a cerca de 100 quilômetros ao norte de Cabul.
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O Talibã afirma que controlou a região do vale, mas lá há alguns distritos onde milícias que ainda entram em confronto com o grupo extremista. Essa área é vizinha de Panjshir, a única província que o Talibã não conseguiu dominar.
Afegãos armados resistem ao Talibã em área de Parakh, em Bazarak, na província de Panjshir, em 19 de agosto de 2021
Ahmad Sahel Arman/AFP
Membros do Talibã já haviam ido à casa de Andarabi —eles até mesmo beberam chá com o músico, disse o filho de Fawad, Jawad Andrabi. No entanto, na sexta-feira os talibãs mataram o cantor.
“Ele era um cantor inocente, que só entretinha as pessoas. Eles deram um tiro em sua cabeça”, disse Jawad.
O filho afirmou que vai procurar justiça, e que um conselho local do Talibã prometeu punir os autores do assassinato.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou que o grupo vai investigar o incidente, mas não tinha informações sobre a morte.
Andarabi tocava um instrumento chamado ghichak, uma espécie de alaúde. Ele cantava músicas sobre o lugar onde ele nasceu, sobre seu povo e sobre o Afeganistão.
Um vídeo publicado em redes sociais mostra Andarabi cantando, sentado em um tapete, no meio das montanhas. A letra diz que “Não há um país no mundo como a minha terra, uma nação orgulhosa, nosso lindo vale, a casa dos nossos antepassados”.
Karima Bennoune, relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito à cultura, afirmou que tem grande preocupação pela morte de Andarabi. “Pedimos aos governos que exijam do Talibã o respeito aos direitos de artistas”, ela afirmou em uma rede social.
Agnes Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional, disse que há evidências que o Talibã de 2021 é tão intolerante, violento e repressor como o de 2001.
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Fonte: G1 Mundo

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Onde a escassez de água já provoca guerras no mundo (e quais as áreas sob risco iminente)


Falta de água afeta aproximadamente 40% da população mundial e está causando conflitos e migrações. Uma equipe de especialistas usa inteligência artificial para prever de onde serão os futuros embates por esse recurso vital. Falta de água afeta aproximadamente 40% da população mundial e está causando conflitos e migrações
ASAAD NIAZI/AFP/GETTY IMAGES via BBC
Em entrevista à BBC via Zoom de seu apartamento em Amsterdã, Ali al Sadr faz uma pausa para beber de um copo de água filtrada e limpa.
Percebendo a ironia, ele solta uma risada. “Antes de deixar o Iraque, eu lutava todos os dias para encontrar água potável”, diz ele. Três anos antes, al Sadr participou de protestos de rua em sua cidade natal, Basra. Os manifestantes exigiam ações concretas das autoridades diante da crescente crise de água na cidade.
“Antes da guerra, Basra era um lugar bonito”, acrescenta o jovem de 29 anos. “Eles costumavam nos chamar de Veneza do Oriente.”
Limitada de um lado pelo rio Shatt al Arab, a cidade é cortada por uma rede de canais.
Sadr diz que adorava trabalhar ao lado dos canais como estivador. “Mas quando saí, eles estavam jogando esgoto não tratado nos cursos d’água. Não podíamos nos lavar, o cheiro me deu enxaqueca e, quando finalmente fiquei doente, passei quatro dias na cama.”
No verão de 2018, a água contaminada enviou 120 mil residentes aos hospitais da cidade e, quando a polícia abriu fogo contra os manifestantes, Al Sadr teve sorte de escapar com vida. “Em um mês, fiz as malas e fui para a Europa”, conta.
Histórias como a de Al Sadr estão se tornando muito comuns em todo o mundo. Um quarto da população mundial enfrenta agora uma grave escassez de água por pelo menos um mês por ano e, como no caso de Al Sadr, a crise está levando muitos a buscar uma vida mais segura no exterior.
Protestos em Basra em 2018 por causa da contaminação da água na cidade
HAIDAR MOHAMMED ALI/AFP VIA GETTY IMAGES via BBC
“Se não tem água, as pessoas começam a ir embora”, disse Kitty Van Der Heijden, chefe de cooperação internacional do Ministério de Relações Exteriores dos Países Baixos e especialista em hidropolítica.
A escassez de água afeta aproximadamente 40% da população mundial e, segundo estimativas das Nações Unidas e do Banco Mundial, secas poderiam colocar 700 milhões de pessoas em risco de deslocamento em 2030.
Muitos observadores como Van der Heijden estão preocupados pelo que poderia acontecer. “Se não há água, os políticos vão tentar controlar esse recurso e é possível que comecem a brigar por ele.”
Ao longo do século 20, o uso mundial de água cresceu mais do que o dobro da taxa de crescimento populacional. Essa dissonância está levando atualmente muitas cidades a racionar água, de Roma e Cidade do Cabo a Lima e municípios do Brasil.
A crise da água tem estado todos os anos, desde 2012, entre os cinco maiores perigos na lista de Riscos Globais por Impacto do Foro Econômico Mundial.
Em 2017, secas severas contribuíram para a pior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial, com 20 milhões de pessoas na África e Oriente Médio se vendo obrigadas a abandonar suas casas devido à escassez de alimentos e aos conflitos envolvendo acesso a água.
A relação entre guerra e água
Peter Gleick, diretor do Pacific Institute, com sede em Oakland, Califórnia, passou as últimas três décadas estudando o vínculo entre a escassez de água, guerras e migração. Ele acredita que os conflitos por água estão aumentando. “Com raras exceções, ninguém morre literalmente de sede”, disse Gleick.
“Mas cada vez mais pessoas morrem por causa de água contaminada ou devido a conflitos por acesso a água.”
Represas construídas pela Turquia reduziram o fluxo de água até o Iraque
HAIDAR MOHAMMED ALI/AFP/GETTY IMAGES via BBC
Gleick e sua equipe estão por trás de uma cronologia de conflitos por água chamada Water Conflict Chronology. Trata-se de um registro de 925 conflitos hídricos, grandes e pequenos, que remontam aos dias do rei babilônico Hammurabi. A lista não é exaustiva e os conflitos enumerados variam de guerras a disputas de vizinhos. Mas o que a cronologia revela é que a relação entre água e conflitos é complexa.
“Classificamos os conflitos por água em três grupos”, diz Gleick. “Como um ‘desencadeador’ do conflito, onde a violência se associa a disputas sobre o acesso e o controle da água; como uma ‘arma’ do conflito, onde a água é utilizada como arsenal, inclusive mediante o uso de represas que retêm água ou inundam comunidades rio abaixo; e como um ‘alvo’ de conflitos, onde recursos hídricos ou estações de tratamento ou dutos são alvos de ataque.”
Agricultura é principal foco
No entanto, ao ver os registros que Gleick e seus colegas compilaram, fica claro que a maior parte dos conflitos está relacionada à agricultura. Talvez isso não seja surpreendente já que a agricultura representa 70% do uso da água doce no planeta.
Na região de Sahel, na África, por exemplo, há registros frequentes de violentos enfrentamentos entre pastores e agricultores devido à escassez de água para seus animais e cultivos.
À medida que aumenta a demanda por água, também cresce a escala dos potenciais conflitos. “As últimas pesquisas sobre o tema mostram que a violência relacionada com a água está aumentando com o tempo”, destacou Charles Iceland, diretor global de água do World Resources Institute.
“O crescimento da população e o desenvolvimento econômico estão impulsionando a crescente demanda por água no mundo todo. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas estão diminuindo o abastecimento de água ou fazendo com que as chuvas sejam mais erráticas em muitos lugares.”
Em nenhum lugar o efeito duplo de estresse hídrico e mudança climática é mais evidente do que na ampla bacia dos rios Tigre e Eufrates, que inclui Turquia, Síria, Iraque e oeste do Irã. Segundo imagens de satélite, a região está perdendo água subterrânea mais rápido que quase qualquer outro lugar do mundo.
E enquanto alguns países fazem tentativas desesperadas para garantir seu abastecimento de água, suas ações estão prejudicando seus vizinhos.
A escassez de água afeta aproximadamente 40% da população mundial
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Durante junho de 2019, quando as cidades iraquianas sofreram uma onda de calor de 50° C, a Turquia disse que começaria a encher o reservatório de sua barragem de Ilisu, nas origens do Tigre.
A represa é parte de um projeto de longa duração da Turquia para construir 22 grandes diques e centrais elétricas ao largo do Tigre e do Eufrates que, segundo um informe da Agência Internacional Francesa de Água, está afetando significativamente o fluxo de água até a Síria, Iraque e Irã.
De acordo com a mesma fonte, esse projeto turco, chamado GAP (Guneydogu Anadolu Projesi), deve incluir a construção de até 90 represas e 60 centrais elétricas quando for finalizado.
Como o nível da água subiu atrás da barragem de Ilisu, de mais de 1,5 km de largura, o fluxo do rio para o Iraque foi cortado pela metade. A milhares de quilômetros de distância, em Basra, no Iraque, al-Sadr e seus vizinhos viram a qualidade da água se deteriorar.
Em agosto de 2018, centenas de pessoas começaram a chegar aos hospitais de Basra com erupções cutâneas, dores abdominais, vômitos, diarreia e até cólera, de acordo com a Human Rights Watch.
“Na verdade, a história de Basra tem duas partes”, destaca Charles Iceland. “Primeiro, há o despejo de esgoto nos cursos d’água locais sem nenhum tratamento. Mas a construção de barragens na fronteira com a Turquia também deve ser considerada: com menos água doce descendo o Tigre e o Eufrates, a água salgada (do Golfo persa) está se infiltrando rio acima. Com o passar do tempo, está arruinando as colheitas e deixando as pessoas doentes.”
Como prever conflitos por água
É um problema complexo, mas essa capacidade de enxergar vínculos entre eventos aparentemente díspares ajudou orientar o trabalho de Charles Island com a associação Água, Paz e Segurança (Water, Peace and Security), uma iniciativa financiada pelo governo holandês e um grupo de seis ONGs americanas e europeias, incluindo o Pacific Institute e o World Resources Institute.
Eles desenvolveram uma Ferramenta Global de Alerta Precoce, que usa inteligência artificial para prever conflitos. O sistema combina dados sobre chuva, safras ruins, densidade populacional, riqueza, produção agrícola, níveis de corrupção, secas e inundações, entre muitas outras fontes de dados, para produzir alertas de conflito.
Os potenciais conflitos são mostrados em uma projeção de Mercator com pontos vermelhos e laranja até o nível do distrito administrativo. Atualmente este sistema alerta para cerca de 2.000 possíveis pontos de conflito, com uma taxa de acerto de 86%.
O rio Indo é fonte vital de água para a Índia e o Paquistão, mas se origina nas montanhas do Tibete, controladas pela China
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Embora a ferramenta de previsão identifique conflitos em potencial, ela também pode ajudar a entender o que está acontecendo em áreas que já estão enfrentando disputas devido à escassez de água.
As planícies do norte da Índia, por exemplo, são uma das áreas agrícolas mais férteis do mundo. No entanto, essa região é palco de frequentes confrontos entre agricultores devido à escassez de água.
Os dados revelam que o crescimento populacional e os altos níveis de irrigação já ultrapassaram os suprimentos de água subterrânea disponíveis. Apesar das exuberantes terras agrícolas na área, o mapa de Água, Paz e Segurança classifica quase todos os distritos no norte da Índia como “extremamente alto” em termos de estresse hídrico.
Vários rios importantes que alimentam a área, o Indo, o Ganges e o Sutlej, originam-se no lado tibetano da fronteira, mas são vitais para o abastecimento de água na Índia e no Paquistão. Vários conflitos na fronteira eclodiram recentemente entre Índia e China, por reivindicações de áreas de acesso ao rio.
Um violento confronto em maio do ano passado no vale de Galwan, por onde passa um afluente do Indo, deixou 20 soldados indianos mortos. Menos de um mês depois, houve relatos de que a China estava construindo “estruturas” que poderiam reduzir o fluxo do rio para a Índia.
A escassez de água não se deve somente à seca, mas também à contaminação e à poluição; acima, voluntários coletando garrafas de plástico em rio
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O impacto da coesão social no grau de conflito
Mas os dados capturados pela ferramenta de alerta também revelam tendências surpreendentes, como migração populacional para algumas das áreas com maior estresse hídrico.
Omã, por exemplo, sofre de níveis mais altos de seca do que o Iraque, mas antes da pandemia recebia centenas de milhares de migrantes por ano. Isso porque Omã tem melhor classificação em termos de corrupção, infraestrutura hídrica, fracionamento étnico e tensão hidropolítica.
“A vulnerabilidade de uma comunidade à seca é mais importante que a seca em si”, afirmou Lina Eklund, pesquisadora de Geografia Física na Universidade de Lund, na Suécia.
O vínculo entre escassez de água e conflitos, em outras palavras, não é tão simples como parece. Mesmo quando existe uma seca grave, uma combinação complexa de fatores vai determinar se realmente isso levará a um conflito: a coesão social é um dos mais importantes.
Peguemos a região do Curdistão iraquiano, no norte do Iraque, por exemplo – uma área que sofreu uma seca de cinco anos que empurrou 1,5 milhão de agricultores sírios a centros urbanos em março de 2011. A comunidade curda, com seus vínculos fortes, não passou pelo mesmo êxodo, descontentamento ou lutas internas.
Jessica Hartog, chefe de gestão de recursos naturais e mudanças climáticas da International Alert, uma ONG com sede em Londres, explica que o governo sírio, que aspirava a autossuficiência alimentar, apoiou durante muito tempo a agricultura, com subvenções de combustível, fertilizantes e extração de água subterrânea.
Quando Damasco eliminou abruptamente essas ajudas em meio à seca, as famílias rurais se viram obrigadas a migrar em massa aos centros urbanos. A crise causou desconfiança no regime de Bashir al Assad e isso, por sua vez, impulsionou a guerra civil que tem dizimado o país.
A Arábia Saudita atende 50% das suas necessidades de água com plantas dessalinizadoras
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Como impedir confrontos por água
Mas se conflitos potenciais de água podem ser identificados, é possível fazer algo para impedir que eles ocorram?
Infelizmente, não existe uma solução única que possa ser aplicada a várias situações. Em muitos países, a simples redução de vazamentos no encanamento pode fazer uma grande diferença: o Iraque perde até dois terços da água tratada devido à infraestrutura danificada.
O World Resource Institute também sugere abordar a corrupção e reduzir a extração desmedida para agricultura. Charles Iceland propõe até mesmo aumentar o preço da água para refletir o verdadeiro custo de fornecê-la. Em muitas partes do mundo, as pessoas se acostumaram a ver a água como um recurso abundante e barato, e não algo que deveria ser valorizado como um tesouro.
O nível de água disponível também pode ser aumentado por técnicas como a dessalinização da água do mar. Atualmente, a Arábia Saudita atende 50% de suas necessidades de água por meio desse processo.
A reciclagem de águas residuais também pode oferecer uma alternativa de baixo custo e fácil de implementar que pode ajudar as comunidades agrícolas afetadas pelas secas.
Uma avaliação da dessalinização e do tratamento de águas residuais estima que o aumento do uso dessas técnicas poderia reduzir a proporção da população mundial que sofre de severa escassez de água de 40% para 14%.
A agricultura representa 70% do uso de água doce do planeta
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Em âmbito internacional, é provável que grandes represas de países a montante aumentem o risco de disputas com pessoas que dependem desses recursos rio abaixo.
No entanto, Susanne Schmeier, professora de Direito e Diplomacia da Água, no instituto IHE Delft para a Educação sobre Água, nos Países Baixos, destaca que os conflitos ribeirinhos entre países são mais fáceis de detectar e menos prováveis de chegar a um ponto crítico.
“Os conflitos locais são muito mais difíceis de controlar e tendem a aumentar rapidamente, diferentemente dos conflitos transfronteiriços, onde as relações entre os Estados muitas vezes limitam a escalada dos conflitos relacionados com a água”, disse Schmeier.
No entanto, existem muitos exemplos em todo o mundo onde as tensões são altas: o conflito do Mar de Aral, envolvendo Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Tadjiquistão e Quirguistão; o conflito do rio Jordão entre os estados levantinos; e a disputa do rio Mekong entre a China e seus vizinhos do sudeste asiático.
Nenhuma dessas discórdias se transformou em conflito, mas Schmeier menciona uma disputa que poderia desencadear um confronto. Egito, Sudão e Etiópia dependem do rio Nilo e, durante muito tempo, trocam acusações sobre o projeto da Grande Represa do Renascimento da Etiópia (Great Ethiopian Renaissance Dam ou GERD)- uma obra de US$5 bilhões e três vezes o tamanho do Lago Tana.
Quando o governo etíope anunciou o plano de seguir adiante com o projeto, Egito e Sudão promoveram exercícios de guerra conjuntos em maio deste ano, que chamaram deliberadamente de “Guardiães do Nilo”.
Essa disputa talvez seja, atualmente, a de maior risco de se converter numa guerra pela água, mas há vários outros locais em estado crítico de tensão.
Funcionários paquistaneses, por exemplo, têm se referido à estratégia de uso das águas que cruzam a fronteira com a Índia de “guerra da quinta geração”, enquanto o ex-presidente do Uzbequistão Islam Karimov advertiu que disputas regionais por água poderiam provocar uma guerra.
“Não vou citar países específicos, mas tudo isso poderia se deteriorar ao ponto de o resultado ser não só um confronto, mas também guerras”, disse Karimov, que governou o país de 1991 até a sua morte em 2016.
Os acordos para compartilhar a água são uma forma comum de acalmar esse tipo de disputa. Foram firmados mais de 200 acordos desse tipo desde o final da Segunda Guerra Mundial, como o Tratado de Águas do Indo de 1960, entre Índia e Paquistão, e o acordo entre Israel e Jordânia firmado antes do tratado de paz.
Dificuldade de negociação
Mas uma tentativa de mais de uma década da ONU de introduzir uma Convenção Global da Água sobre rios e lagos transfronteiriços só conseguiu que 43 países aderissem à iniciativa.
Hartog diz que os tratados modernos provavelmente precisarão incluir protocolos de mitigação de secas para acalmar os temores entre países de que nações vizinhas restrinjam o acesso a rios durante uma crise. Os acordos também devem conter mecanismos de resolução de disputas.
Um exemplo positivo é o de Lesoto, África do Sul, Botswana e Namíbia que, após um aumento perigoso nas tensões por acesso a água no ano 2000, intensificaram a cooperação através da chamada Comissão do Rio Orange-Senqu (Orasecom).
Neste caso, a negociação de acordos, com a consagração dos princípios de uso razoável da água, foi suficiente para aliviar a situação.
Dessalinização é estratégia mais eficiente
Mas, quando se trata de liberar recursos adicionais, os estudos indicam mais uma vez que a dessalinização e o tratamento de águas residuais são as estratégias mais eficientes.
Talvez o Egito esteja prestando atenção a isso. No ano passado, o governo egípcio negociou uma série de acordos para construir até 47 novas plantas de dessalinização, além da maior planta de tratamento de águas residuais do mundo.
No entanto, ainda que autoridades egípcias tenham acelerado a construção das plantas, a maior parte desses projetos só vai ser concluída depois de 2030. Enquanto isso, a situação da água no país continua a se deteriorar.
Hartog acredita que Egito, Etiópia e Sudão podem precisar de ajuda externa se quiserem evitar conflitos.
“Parece improvável que os três países cheguem a um acordo por conta própria e os esforços diplomáticos internacionais devem ser intensificados para evitar uma escalada”, disse ele, acrescentando que a pressão sobre o governo cada vez mais isolacionista de Addis Abeba está aumentando.
“Este poderia ser o melhor ponto de entrada para países como Estados Unidos, Rússia e China unirem forças para ajudar esses países ribeirinhos a garantir um acordo trilateral vinculativo.”
E como resolver conflitos internos
Vários países estão impulsionando iniciativas para administrar melhor a água. O Peru, por exemplo, requer que os provedores de serviços de água revertam parte de seus lucros em pesquisa e uso de infraestrutura verde na gestão de águas pluviais.
O Vietnã está combatendo a poluição industrial ao longo de sua parte do Delta do Mekong e também está integrando infraestrutura para garantir uma distribuição mais justa entre seus residentes urbanos e rurais.
À medida que as mudanças climáticas e o crescimento populacional continuam a agravar o problema das secas em todo o mundo, essas soluções serão cada vez mais necessárias para interromper o conflito e a migração.
Em dezembro do ano passado, mais de dois anos depois de Ali al Sadr abandonar Basra, menos de 11% das casas dessa cidade iraquiana tinham acesso a água potável.
Uma injeção de US$ 6,4 milhões no final de 2020 da Holanda por meio do Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, está ajudando a melhorar a infraestrutura de água da cidade. Mas as quedas de energia no início do verão desligaram muitos dos sistemas de bombeamento de água em meio a altas temperaturas.
É difícil para os residentes de Basra pensar em problemas a nível global quando enfrentam dificuldades para obter água potável diariamente. A cidade voltou a ser palco de agitação nos últimos meses, e Al Sadr acredita que as manifestações vão continuar até que a situação melhore.
“Quando eu estava protestando, não sabia o que estava por trás de toda essa crise”, disse Ali.
“Eu só queria pouco de água para beber.”
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Fonte: G1 Mundo

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Furacão Ida sobe para categoria 3 nos Estados Unidos


Informação é do Serviço Nacional de Meteorologia do país. Moradores de áreas de alto risco deixaram suas casas e fizeram fila para estocar suprimentos. Homens colocam madeira compensada em frente a uma loja em preparação para o furacão Ida, em Nova Orleans
Marco Bello/Reuters
O Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA informou neste domingo (29) que o furacão Ida subiu para categoria 3, com ventos que podem passar dos 185 km/h. O fenômeno deve tocar a terra ao sul do país neste fim de semana após atingir o oeste de Cuba.
A previsão é de uma “onda de tempestade potencialmente mortal” quando o furacão atingir a costa da Louisiana e do Mississippi. O alerta é para que as pessoas nas áreas afetadas sigam o conselho das autoridades locais.
Moradores de áreas de alto risco deixaram suas casas e fizeram fila para estocar suprimentos antes da chegada do furacão.
Louisiana declarou estado de emergência em antecipação à tempestade, que atingirá os Estados Unidos no domingo, 16 anos após o devastador furacão Katrina, que causou inundações em 80% de Nova Orleans e matou mais de 1.800 pessoas.
As autoridades já ordenaram evacuações obrigatórias fora das áreas protegidas de Nova Orleans e cidades costeiras sujeitas a inundações, como Grand Isle.
“As pessoas estão fazendo as malas e saindo agora”, disse o chefe da polícia de Grand Isle, Scooter Resweber, à mídia local.
A declaração de estado de emergência, aprovada pelo presidente Joe Biden, canalizará fundos federais suplementares e ajuda ao estado do sul para fortalecer seus esforços de preparação e resposta a emergências.
Passagem por Cuba
O furacão atingiu a costa na noite de sexta-feira no oeste de Cuba com a categoria 1, com ventos máximos sustentados perto de 128 km por hora.
Furacão Ida se aproxima de Cuba
Reuters
Ida atingiu a ilha na província de Pinar del Río, o atual epicentro da pandemia de coronavírus na ilha.
No Twitter, o ministro da Saúde de Cuba, José Ángel Portal, alertou nesta sexta-feira sobre uma “dupla ameaça”: o fenômeno meteorológico em meio ao mais grave momento da pandemia.
Mais de 10.000 pessoas foram evacuadas e a energia foi cortada antes da tempestade, como medida de precaução. Em Havana, o transporte público foi suspenso às 12h.
Na semana passada, uma rara tempestade tropical atingiu a costa nordeste dos Estados Unidos, deixando milhares de residentes sem energia, arrancando árvores e causando chuvas recordes.
VÍDEO: Tempestade tropical Henri chega à costa no nordeste dos EUA
Os cientistas alertaram para um aumento no número de ciclones fortes à medida que a superfície do oceano esquenta devido às mudanças climáticas, o que representa uma ameaça crescente para as comunidades costeiras do mundo.
Vídeos: Últimas notícias de mundo

Fonte: G1 Mundo

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Sedes do partido do presidente Castillo são revistadas no Peru

Promotores peruanos e a polícia revistaram os escritórios Peru Livre neste sábado. O MP iniciou uma investigação preliminar contra o partido de esquerda por suposta lavagem de dinheiro. Pedro Castillo assume oficialmente a presidência do Peru
Promotores peruanos e a polícia revistaram os escritórios do partido de esquerda Peru Livre neste sábado (28) em uma investigação sobre o financiamento da campanha eleitoral que levou Pedro Castillo à Presidência.
As buscas em sete imóveis, incluindo a casa do líder do partido, Vladimir Cerrón, foram autorizadas pelo juiz Carlos Sánchez a pedido do Ministério Público.
O MP iniciou uma investigação preliminar contra o Peru Livre por suposta lavagem de dinheiro, que inclui o novo chefe de gabinete de Castillo, Guido Bellido.
O juiz autorizou a “entrada, busca domiciliar, apreensão de bens e destravamento (que deve incluir a quebra de fechaduras, guarda-roupas, armários, escritórios particulares, cofres de metal, madeira e outros)” nas sete propriedades, segundo um documento judicial.
O promotor Richard Rojas comandou as operações em três imóveis em Lima e quatro na cidade andina de Huancayo, onde mora Cerrón, condenado em 2019 a quatro anos de prisão com suspensão por corrupção enquanto era governador da região (Junín). A sentença o impediu de ser candidato a vice-presidente de Castillo.
A investigação preliminar tem como alvos Bellido e Cerrón, um médico formado em Cuba, além do partido Peru Livre, como pessoa jurídica.
“Os dirigentes do Peru Livre têm que se submeter à justiça como os dirigentes de outros partidos. O fato de ter responsabilidade no governo não os exime da investigação judicial”, disse à AFP o analista político Hugo Otero.
Turbulento primeiro mês
Fundado por Cerrón em 2008 como movimento político com sede em Huancayo, o Peru Livre se define como marxista-leninista.
O partido chegou ao poder com a vitória de Castillo, um professor rural de Cajamarca (norte), sobre a candidata de direita Keiko Fujimori na votação de 6 de junho.
Em abril, conquistou a maior bancada do fragmentado Congresso peruano, 37 de um total de 130, o que o obrigou a buscar alianças.
As batidas se estenderam por várias horas sem contratempos, mas o partido governista expressou em um comunicado seu “estranhamento” com a medida.
Acrescentou estar disposto a “colaborar” com as investigações de financiamento de campanha, mas repudiou “qualquer tentativa de amedrontamento das forças de ordem, Ministério Público e Poder Judiciário, de pretender violar o devido processo”.
As batidas foram realizadas no dia em que Castillo completou um mês no poder, período marcado pelo cerco da oposição e apelos para sua destituição, e no dia seguinte à concessão do voto de confiança do Congresso ao gabinete chefiado por Bellido, que lhe permitiu permanecer no cargo.
A votação no Congresso foi o primeiro teste para o governo de Castillo, que assumiu o cargo em 28 de julho após um confronto de cinco anos entre Executivo e Legislativo, enquanto a incerteza levanta nuvens sobre a economia peruana, que tenta deixar para trás os efeitos nocivos da pandemia.
Disputas entre o novo governo e a oposição custaram o cargo do ministro das Relações Exteriores, Héctor Béjar, em 17 de agosto. Os opositores esperavam novas mudanças de ministros, mas Castillo recusou. Em meio à tensão, o Congresso aprovou um voto de confiança ao gabinete por 73 votos a 50.
Acusações de corrupção e lavagem de dinheiro assombram políticos peruanos há cinco anos, quando estourou o escândalo de pagamentos ilegais pela Odebrecht, que afetou quatro ex-presidentes e Keiko Fujimori. Ela nega as acusações, mas passou 16 meses em prisão preventiva e deve ir a julgamento em breve.

Fonte: G1 Mundo