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Furacão Nora toca o solo no México

O furacão Nora tocou o solo neste sábado no estado mexicano de Jalisco e se mantém perto da costa mexicana do Pacífico. As autoridades mexicanas não reportaram feridos até o momento. O furacão Nora tocou o solo neste sábado (28) no estado mexicano de Jalisco e se mantém perto da costa mexicana do Pacífico, informou o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos.
O olho de Nora, de categoria 1 na escala Saffir-Simpson (de 5) “permanece perto da costa do México depois de tocar o solo no noroeste de Jalisco”, informou o NHC em seu último boletim.
As autoridades mexicanas não reportaram feridos até o momento.
Nora impactou “perto de Vicente Guerrero (Jalisco) e continuou movendo-se perto da costa desde então”, destacou o NHC.
Às 21h de Brasília, o ciclone situava-se 50 km ao sul-sudoeste de Puerto Vallarta (Jalisco) e a 555 km de Cabo San Lucas (Baixa Califórnia), deslocando-se a 22 km/h rumo ao norte com ventos sustentados de 130 km/h, informou o NHC.
O olho do furacão “continuará movendo-se perto da costa do México nas próximas horas” e depois sair ao Golfo do México, “movendo-se em paralelo à costa do México”, acrescentou.
O NHC não descarta que possa virar para a direita, adentrando na terra e dissipando-se.
As autoridades mexicanas tinham habilitado 15 refúgios em Jalisco e enviado socorristas para a zona de impacto.
No último fim de semana, outro furacão, o Grace, atingiu Veracruz (leste) como categoria 3 na escala Saffir-Simpson e causou a morte de pelo menos 11 pessoas no estado e em seu vizinho, Puebla (centro).

Fonte: G1 Mundo

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Reino Unido retira suas tropas do Afeganistão, mas deixa centenas de afegãos para trás

O governo britânico encerrou sua operação de resgate no país – ministro da Defesa diz que até 1.000 afegãos elegíveis não conseguiram embarcar. Um avião fretado para o resgate de cães e gatos é alvo de críticas no Reino Unido. Europa encerra voos para retirar civis do Afeganistão
O Reino Unido concluiu neste sábado (28) sua operação de retirada do Afeganistão após a saída de um voo com seus últimos soldados no país e disse lamentar não ter podido evacuar centenas de colaboradores afegãos.
O ministério da Defesa tuitou que “um voo final transportando o pessoal das Forças Armadas britânicas deixou Cabul”, mensagem acompanhada de uma foto de soldados aparentando cansaço embarcando no avião.
Horas antes, o Reino Unido tinha enviado seu último avião para retirar civis do Afeganistão e destinou seus últimos esforços para a evacuação do pessoal diplomático e militar restante antes da data limite de 31 de agosto para a saída das tropas americanas.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, agradeceu a todos os que participaram da operação e destacou que em pelo menos duas semanas foram retiradas 15.000 pessoas.
“Quero agradecer a todos aqueles envolvidos e às milhares que serviram ali nas duas últimas décadas”, disse em mensagem nas redes sociais.
O comandante das forças armadas do Reino Unido, general Nick Carter, disse que a operação de retirada “saiu tão bem quanto possível”, mas que foi “desolador” não ter “podido tirar todos”. Carter calculou que o número de afegãos elegíveis que não foram evacuados era “de umas centenas”.
O ministro da Defesa, Ben Wallace, tinha estimado anteriormente que entre 800 e 1.100 afegãos elegíveis para realocação sob o esquema do Reino Unido “não conseguiram” sair.
Um dos últimos a deixarem Cabul foi o diretor britânico da organização beneficente de animais Nowzad, Paul ou “Pen” Farthing, cuja campanha para retirar 200 gatos e cães em um avião fretado privadamente provocou polêmica no Reino Unido.
“Estamos aliviados em confirmar que Pen e os animais de Nowzad deixaram o Afeganistão à tarde e estão a salvo”, reportou a organização no Twitter.
A insistência de Farthing em tirar os animais enquanto muitos afegãos ficaram para trás, inclusive alguns funcionários da Nowzad, foi amplamente criticada no Reino Unido.
O encarregado do comitê de Assuntos Exteriores da Câmara dos Comuns, Tom Tugendhat, explicou à LBC Radio que um tradutor afegão que trabalhou para o Reino Unido tinha lhe perguntado: “Por que meu filho de cinco anos vale menos que um cão?”.

Fonte: G1 Mundo

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Prefeito de ilha paradisíaca em Honduras é detido acusado de narcotráfico


Jerry Hynds estava supostamente num carro que fazia escolta de um caminhão-pipa que levava drogas escondidas, informou o Ministério Público local. Advogado diz que mandatário caiu em ‘armadilha’ por causa de divergências políticas. Imagem registrada em 28 de agosto de 2021 no aeroporto de Tegucigalpa, capital de Honduras, mostra o policiais escoltando o prefeito da ilha paradisíaca de Roatan, Jerry Hynds (ao centro, de boné vermelho); segundo a polícia, ele foi preso por estar num carro que, supostamente, fazia parte de um comboio que transportava drogas
Orlando Sierra/AFP
O prefeito da ilha paradisíaca de Roatán, em Honduras, Jerry Hynds, foi detido por supostamente escoltar um caminhão-pipa que levava drogas escondidas, informou o Ministério Público local neste sábado (28).
Segundo nota do MP, o prefeito foi detido na noite de sexta-feira com outras três pessoas, durante inspeções a veículos realizadas pela Agência Técnica de Investigação Criminal (ATIC) e a Promotoria Especial contra o Crime Organizado (FESCCO).
Dentro de um caminhão-pipa “foram encontrados 98 sacos de suposta droga”, informou a Promotoria. Segundo a imprensa local, a droga encontrada pesaria duas toneladas. No veículo viajavam duas pessoas.
“Enquanto isso, atrás do caminhão-pipa ia o prefeito Jerry Hynds, a bordo de um veículo da marca Toyota, Land Cruiser, cabine dupla” e mais uma pessoa em um terceiro veículo, explicou a nota.
O prefeito foi levado para a capital, Tegucigalpa, para ser processado por autoridades com jurisdição federal.
Em declarações ao jornal “El Heraldo”, o advogado de Hynds, Norman Reaño, disse que tudo foi uma coincidência planejada. “O prefeito ia para a Prefeitura e quando o caminhão-pipa foi detido, ele vinha atrás e depois disso, foi detido”, explicou.
Para Reaño, o prefeito caiu em uma armadilha por ter sido crítico à criação em sua jurisdição de uma “cidade-modelo”– ou Zona Especial de Desenvolvimento Econômico (Zede). O termo se refere a territórios autônomos que, embora fiquem dentro de Honduras, têm leis e jurisdição próprias, para atrair investimentos.
Em Roatán fica a Zede Próspera, voltada a atividades turísticas. Dias atrás, o próprio Hynds havia dito que queria transformar todo o município em uma Zede, para que os investimentos na ilha não fossem exclusivamente para a Próspera.
Honduras está na mira dos Estados Unidos por acusações de narcotráfico contra suas principais autoridades. Tony Hernández, ex-deputado e irmão do presidente Juan Orlando Hernández, foi sentenciado à prisão perpétua em Nova York por tráfico de drogas.
Nos Estados Unidos, também foi sentenciado por narcotráfico Geovanny Fuentes, a quem a Justiça americana considera sócio do presidente. O promotor Jacob Gutwillig considerou Honduras um narco-Estado.
Hernández negou as acusações e garante que todas as acusações fazem parte de uma vingança de chefes do narcotráfico que seu governo capturou ou ajudou a extraditar aos Estados Unidos.
Honduras terá eleições presidenciais em 28 de novembro e vários candidatos são apontados por corrupção ou narcotráfico.
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Fonte: G1 Mundo

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Islamofobia: ‘o que oprime muçulmanas no Brasil não é o lenço’, diz pesquisadora da USP

A antropóloga Francirosy Campos, que estuda o tema há mais de 20 anos, diz que preconceito e ataques contra fiéis do Islã no Brasil, especialmente contra mulheres, aumentaram após as notícias do Talibã tomando poder no Afeganistão. A tomada do poder pelo Talibã no Afeganistão teve consequências não só para as mulheres que vivem sob o regime, mas também para muçulmanas no Brasil. Isso porque os episódios de islamofobia — preconceito e ataques contra muçulmanos — aumentaram após as notícias sobre as ações do Talibã. O crescimento foi registrado pela pesquisadora Francirosy Campos, que estuda o assunto há mais de 20 anos.
“Tudo o que alguém faz de errado em nome da religião se volta contra a comunidade muçulmana, especialmente contra as mulheres”, diz Campos, que é professora da Universidade de São Paulo, antropóloga com pós-doutorado na Universidade de Oxford, feminista e muçulmana.
A pesquisadora explica que movimentos políticos com teor religioso, como o Talibã, não são a mesma coisa que a religião do Islã. E que há muita diversidade e muitas diferenças no mundo muçulmano. A opressão das mulheres em alguns lugares, diz, não é resultado da religião, mas do “contexto cultural e político de cada lugar”.
“O patriarcado, o machismo estão em todas as sociedades. Os homens são machistas dentro do Islã, fora do Islã, com religião, sem religião. Mas isso não impede que as mulheres construam suas agências, suas formas de luta e suas formas de resistência”, afirma.
Leia a seguir trechos da entrevista de Campos à BBC News Brasil.
BBC News Brasil – Que sentimento vem, para uma pessoa muçulmana, ao ver um grupo fundamentalista como o Talibã oprimir pessoas em nome da religião?
Francirosy Campos – Primeiro é um sentimento de impotência, de tristeza. A gente tem uma religião que nos ensinou a beleza da compreensão, do diálogo, dos valores humanos. Porque se a gente for olhar para os objetivos da Sharia (lei islâmica), eles são a preservação da vida, da consciência, da propriedade, da religião. E, quando você vê situações como essa, essas pessoas não estão nem chegando a 0,01% do objetivo da Sharia. Não adianta rezar dez vezes ao dia, mais do que está prescrito, sendo que você maltrata sua mãe, maltrata um animal, não é um pessoas honesta… Sua oração não vale nada. Isso é ser extremista. E, além de tudo, tudo o que alguém faz de errado (em nome da religião) volta para nós, para a comunidade muçulmana.
BBC News Brasil – O fato do Talibã ter tomando controle do Afeganistão pode criar ou aumentar preconceitos contra muçulmanos?
Campos – Já está acontecendo, aumentou muito. Minha área de pesquisa é justamente sobre islamofobia, e eu não estou dando conta de ver tudo. Porque as pessoas não sabem o que é o Islã, elas não sabem que (a situação no país) é um conflito político, não sabem muitas vezes nem onde fica o Afeganistão. Isso reverbera nos grupos mais frágeis, que são as mulheres que usam lenços, que muitas vezes sofrem ataques verbais e até físicos muito violentos. A gente precisa explicar o que isso representa para as mulheres afegãs, que têm suas lutas e movimentos que não necessariamente são os mesmos daqui, e descolonizar um pouco o olhar sobre esse povo e sobre as próprias mulheres muçulmanas que estão no Brasil. Porque há uma diversidade entre os muçulmanos – eles não são iguais, vêm de culturas diferentes, têm valores diferentes. Eu fiquei vendo várias postagens de mulheres falando sobre o lenço, dizendo para muçulmanas tirarem o lenço… Não é o lenço que é o problema.
BBC News Brasil – O uso do lenço pelas mulheres é um dos aspectos mais reconhecíveis do Islã para muitas pessoas. Essa peça é sinônimo de opressão?
Campos – O uso do hijab é uma obrigação alcorânica, mas existe o livre arbítrio. Tenho várias amigas muçulmanas que não usam — e elas não são mais ou menos muçulmanas, só não estão seguindo um preceito religioso. Existem sociedades e famílias que permitem que suas filhas escolham, e tem sociedades teocráticas, como a Arábia Saudita, o Irã, que obrigam. Se existem sociedades em que as mulheres vivem sem roupas, usam pinturas corporais, porque as mulheres muçulmanas não podem vestir as vestimentas tradicionais? Porque, se algumas questionam, outras não questionam ou escolhem usar. Faz parte da cultura e da individualidade delas.
BBC News Brasil – O que o uso do lenço representa para uma mulher muçulmana que escolhe fazer uso dele?
Campos – Tem vários significados que eu colhi nas minhas pesquisas. Para algumas mulheres, é um empoderamento, para outras é religiosidade, para outras é um ato político. Se você pensar nas opressões contra mulheres muçulmanas que tiveram mais destaque na França, começando em 1989, a partir daí houve uma revolta tão grande das mulheres de origem islâmica que muitas que não usavam o lenço passaram a usar, como um ato político. Eu, por exemplo, sou muçulmana há muitos anos e sou docente da USP há mais de dez anos. E eu sempre tive o desejo de usar, mas eu não tinha coragem. Por medo da islamofobia, ou por medo de intimidar os meus alunos, passavam mil coisas pela minha cabeça. Mas quando eu comecei a ver a quantidade de meninas que não tinham a mesma estabilidade que eu, que estão lutando para usar o lenço e recebem todo tipo de ofensa, eu resolvi usar.
BBC News Brasil – O que é essencial esclarecer sobre o Islã para quem não conhece a religião e só leu ou ouviu sobre ela em notícias sobre grupos fundamentalistas?
Campos – A primeira coisa é tirar essa imagem de que a Sharia é o mal. O que é a Sharia? Sharia significa “caminho”, são as orientações do Corão, os ensinamentos e as atitudes do Profeta Muhammad. Quem é muçulmano pratica a Sharia: os muçulmanos rezam, os muçulmanos fazem jejum, isso faz parte da Sharia. O tipo de casamento islâmico, o tipo de divisão de herança etc. O que acontece é que esses escritos, esse código de conduta, passa por uma interpretação, então quanto mais sábio, mais erudito, quanto mais compreensão da língua árabe (língua do Corão), melhor a interpretação. Existem diversas escolas e formas de interpretação e interpretações literalistas, às vezes aliadas ao analfabetismo, com pessoas que têm pouco conhecimento da língua, podem acabar caindo para o extremismo, como aconteceu com o Talibã de 20 anos atrás.
Outro ponto é em relação aos direitos das mulheres. As mulheres têm direitos no mundo muçulmano desde o século 7, desde o advento do Islã. Isso não quer dizer que em todas as sociedades esses direitos sejam garantidos. É como nós no Brasil — temos direitos, mas nem sempre eles são garantidos. As mulheres têm direito de voto, de escolher o marido, de usar anticoncepcional, direito ao prazer, à herança, ao divórcio, ao conhecimento. É um grande absurdo o Talibã proibir o estudo das mulheres. Não tem nada no Islã que diga que as mulheres não devam estudar, ao contrário: a primeira palavra revelada do Corão é “leia”.
Existe uma diferença entre o Islã religião (que eu escrevo com m, islam) e o islã político, que na academia a gente tecnicamente chama de islamismo. O Talibã está dentro desse islã político, que se apropria da religião para uma ação política. Nessa categoria você pode colocar o Talibã, a Irmandade Muçulmana, e outros movimentos políticos que nascem dentro de uma perspectiva religiosa. E há muitas divisões mesmo nesses movimentos políticos, com formas diferentes de interpretar a religião: mística, tradicionalista, reformista, literalista etc.
Isso tem a ver com o contexto cultural e político de cada lugar, não com a religião. O patriarcado e o machismo estão em todas as sociedades. Os homens são machistas dentro do Islã, fora do Islã, com religião, sem religião. Mas isso não impede que as mulheres construam suas agências, suas formas de luta e suas formas de resistência.
BBC News Brasil – É possível ser feminista e muçulmana?
Campos – Sim, claro! Desde o século 18, as mulheres muçulmanas já tinham movimentos estruturados. Não necessariamente elas chamavam de movimentos feministas, mas há movimentos estruturados de mulheres. O Afeganistão é um exemplo: as meninas, quando o Talibã estava no poder pela primeira vez, elas pegavam as câmeras e colocam embaixo da burca e filmavam todas as atrocidades as violência que elas viam.
BBC News Brasil – Malala Yousafzai, do Paquistão, ficou mundialmente conhecida por querer estudar e ser atacada pelo Talibã.
Campos – Olha, eu não acho que a Malala é um grande exemplo de resistência. Onde ela sofreu o atentado, 80 crianças foram assassinadas pelos Estados Unidos, e ela nunca falou sobre essas crianças. É uma violência, um absurdo o que aconteceu com ela, mas eu não a considero um símbolo. Ela silencia sobre a morte dessas crianças e sobre a morte das mulheres do Afeganistão pela Inglaterra. Ela foi muito usada pelos Estados Unidos para falar o que eles queriam que uma mulher muçulmana falasse. Então, eu acho que o símbolo de resistência são as mulheres do Afeganistão que resistem ao Talibã todos os dias. Considero mais símbolo a Benazir Bhutto (ex-primeira ministra do Paquistão).
BBC News Brasil – Qual o impacto da islamofobia para as mulheres muçulmanas no Brasil?
Campos – O impacto da islamofobia é muito grande. A islamofobia no Brasil é de classe. O que minha pesquisa aponta é que a islamofobia afeta muito mais as mulheres revertidas (convertidas) ao Islã, de classe média baixa, jovens e acima de 40 anos. As mulheres que andam de metrô, de ônibus, que andam a pé, que têm subempregos, são essas que são as mais afetadas. Se você anda de carro, você está mais protegida. Mas vai pegar um metrô às seis da tarde de lenço. É uma vulnerabilidade. As mulheres nascidas no Islã também sofrem intolerância, mas elas têm mais apoio. A mulher que se converte, ela vai sozinha, ela não faz parte de uma comunidade, não tem uma família muçulmana para dar apoio.
A gente achava que as redes sociais teriam a maior parte das agressões, mas muitas das agressões são nas ruas. Desde puxar o lenço, fazer comentários pejorativos até pedradas. Tem mulheres que já sofreram pedradas, foram perseguidas, empurradas.
(No Brasil, entre 800 mil e 1,2 milhão de pessoas são muçulmanas, segundo estimativas da Fambras, a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil. Destas, cerca de 100 mil são convertidas, ou seja, não nasceram em famílias islâmicas.)
BBC News Brasil – A preocupação de feministas ocidentais com as mulheres no Afeganistão é legítima?
Campos – A preocupação é legítima. O que não é legítimo é que as mulheres falem pelas outras mulheres. Por exemplo: eu sou uma mulher que sempre vai estar do lado das mulheres, quer sejam muçulmanas ou não, sejam elas negras, brancas, não importa. Mas eu não posso falar por elas. Eu sou uma muçulmana que usa lenço, mas não posso falar por todas as muçulmanas que usam lenço, eu não sou eleita para isso, não sou uma representante. Eu represento o meu lugar, como acadêmica, que fala aquilo que pesquisa há mais de 20 anos.

Fonte: G1 Mundo

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Morte de milhões de peixes por falta de oxigênio comove Espanha


Milhares de pessoas fizeram neste sábado uma corrente humana em torno do Mar Menor, uma laguna de água salgada no sudeste do país; animais morreram devido à poluição causada por dejetos agrícolas. Quantidade de peixes retirados do local chegou a 15 toneladas. Foto de 20 de agosto de 2021 mostra peixes mortos na laguna de Mar Menor, em Murcia, na Espanha
Eva Manez/Reuters
Milhares de pessoas fizeram neste sábado (28) uma corrente humana em torno do mar Menor, uma laguna de água salgada no sudeste da Espanha, em sinal de luto pelos milhões de peixes que morreram no local devido à poluição. Os dejetos agrícolas levaram a um fenômeno que reduziu a oxigenação da água ao ponto de asfixiar os peixes, de acordo com organizadores da manifestação e governantes da região.
Os organizadores avaliam que 70 mil pessoas participaram do ato e se deram as mãos, alinhando-se por centenas de metros. Participaram moradores e turistas frequentadores da praia de Alcazares, que se estende por seis quilômetros nas bordas da laguna, de 73 quilômetros de comprimento. As imagens das toneladas de peixes mortos ou agonizando, tentando respirar, chocam a opinião pública espanhola há quase duas semanas.
“É uma manifestação de luto pela morte dos animais. Queríamos que as pessoas pedissem, de uma maneira ou de outra, perdão pela barbárie que nós causamos”, disse à AFP o militante Jesus Cutillo. “Há dias, assistimos à morte de milhões e milhões de peixes, e ver essas mortes inúteis nos machuca.”
Muitos manifestantes estavam de preto e traziam cartazes dizendo “SOS Mar Menor”. O objetivo do ato era “mostrar a nossa determinação para que isso nunca mais se repita”, explicou Cutillo.
Proliferação de algas
Em foto de 21 de agosto de 2021, funcionários da Prefeitura de Murcia, na Espanha, retiram peixes mortos na laguna do Mar Menor
Eva Manez/Reuters
Cientistas indica que a principal causa da falta de oxigênio é chegada na laguna de centenas de toneladas de nitratos utilizados como fertilizante pela agricultura intensiva, que favorecem à aparição de algas que asfixiam o ecossistema aquático. O fenômeno chama-se eutrofização.
Na segunda-feira (23), sétimo dia do desastre ecológico, governantes da região informaram que de 4,5 a 6 toneladas de peixes já haviam sido retiradas. Neste sábado, a quantidade foi atualizada para 15 toneladas.
“As 15 toneladas de peixes mortos ou de biomassa mostram que é uma verdadeira catástrofe ambiental e uma emergência. Precisamos de ajuda imediata para o ecossistema”, declarou a prefeita da cidade vizinha Cartagena, Noelia Arroyo.
A ministra do Meio Ambiente, a socialista Teresa Ribera, esteve no local na quarta-feira (25). Ela acusou o governo regional, dos conservadores do Partido Popular, de tolerar práticas agrícolas ilegais nos campos de Cartagena, imensa área de cultivo intensivo. Organizações de agricultores, por sua vez, asseguram que respeitam a legislação ambiental em vigor.
Foto de 25 de agosto de 2021 mostra homem pendurando faixa contra a poluição na laguna Mar Menor, na Espanha de onde foram retiradas toneladas de peixes que morreram por causa de poluentes agrícolas
Jose Miguel Fernandez/AFP
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Fonte: G1 Mundo

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Biden diz que novo ataque ao aeroporto de Cabul é ‘muito provável’


“A situação continua extremamente perigosa e a ameaça de um ataque terrorista no aeroporto continua alta”, escreveu o presidente americano em um comunicado. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, alertou neste sábado (28) que um novo ataque ao aeroporto de Cabul é “muito provável” nas “próximas 24 a 36 horas” e que o bombardeio americano que matou dois membros do grupo Estado Islâmico “não será o último”. “A situação no local continua extremamente perigosa e a ameaça de um ataque terrorista no aeroporto continua alta”, escreveu o presidente em um comunicado após se reunir com seus conselheiros militares e de segurança.
EUA se preparam para novo ataque do Estado Islâmico
Ataque com drones
Dois dirigentes do Estado Islâmico-Khorasan, o braço do Estado Islâmico no Afeganistão, foram mortos nos ataques de drone feitos pelos Estados Unidos no sábado (28). Além desses dois, um terceiro dirigente ao grupo terrorista ficou ferido. Segundo os militares dos EUA, os três estiveram envolvidos no planejamento e execução do atentado suicida do lado de fora do aeroporto de Cabul, na quinta-feira.
Pode ser que haja novas operações, de acordo com as agências de notícias. Os bombardeios com drones foram executados na província de Nangarhar, uma região montanhosa do Afeganistão.
Foi uma retaliação, pois menos de 48 horas antes houve um ataque suicida que matou 169 afegãos e 13 militares americanos no aeroporto de Cabul. Esse atentado foi reivindicado pelo Estado Islâmico-Khorasan. No Afeganistão, esse grupo e o Talibã são inimigos.
Ouça ‘O Assunto’

Fonte: G1 Mundo

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Milhares marcham em Washington e outras cidades dos EUA por direitos eleitorais

Objetivo é pressionar parlamentares a aprovarem leis contra onda de restrições em estados governados por republicanos. Com bandeiras do Black Lives Matter, participantes defendem que minorias podem ser prejudicadas por essas medidas. Atos ocorrem no aniversário de 58 anos da histórica marcha em que Martin Luther King fez o discurso do ‘Eu tenho um sonho’. Milhares de manifestantes deram início a marchas em Washington e em outras cidades dos Estados Unidos neste sábado (28) para exigir proteção aos seus direitos eleitorais, tentando pressionar parlamentares a aprovarem leis contra uma onda de restrições em estados governados por republicanos.
No aniversário da histórica marcha de 1963 de Martin Luther King Jr. em Washington, organizadores da Marcha por Washington e Direitos Eleitorais defendem que medidas estaduais para limitar o acesso ao voto podem ter um impacto desproporcional às minorias.
Em Washington, manifestantes com bandeiras do Black Lives Matter e cartazes pedindo legislações federais marcharam da praça McPherson ao último ponto de encontro no National Mall, onde King fez seu famoso discurso “Eu tenho um sonho”, 58 anos atrás.
Carolyn Ruff, ativista de 74 anos, afirmou que viajou de Chicago para Washington para pressionar pela aprovação de uma lei federal que restauraria proteções chave à Lei de Direitos Eleitorais de 1965, que tornou ilegais práticas discriminatórias de votos.
A lei, batizada em homenagem ao falecido herói dos direitos civis John Lewis, foi aprovada na Câmara dos EUA nesta semana, mas encarará um cenário pouco promissor no Senado devido às regras que permitem que a minoria bloqueie legislações.
Após o democrata Joe Biden ter vencido a eleição presidencial de 2020, parlamentares republicanos em muitos estados restringiram o uso de caixas de depósito e a possibilidade de votação pelo correio. A medida entrou em vigor depois de o ex-presidente republicano Donald Trump ter tentado, sem sucesso, reverter o resultado da eleição com base em alegações infundadas de fraude eleitoral generalizada.
Até agora este ano, pelo menos 18 estados sancionaram leis restringindo o acesso do eleitor, segundo o Centro Brennan por Justiça da Universidade de Nova York.
Organizadores esperam cerca de 50 mil manifestantes em Washington. Protestos também foram planejados em Phoenix, Miami e outras cidades.

Fonte: G1 Mundo

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Reino Unido e Alemanha buscam abordagem comum do G7 ao Talibã


Boris Johnson, primeio-ministro britânico, e a chanceler alemã, Angela Merkel, discutiram como unificar abordagem do grupo ao Talibã. Johnson afirma que qualquer tipo de reconhecimento precisará passar por respeito aos direitos humanos. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson e a chanceler alemã Angela Merkel discutiram a situação do Afeganistão neste sábado e concordaram que são necessárias ajuda internacional e uma abordagem comum do G7 ao futuro governo do Afeganistão.
Angela Merkel e Boris em um encontro em 11 de setembro de 2019, em Berlim
Fabrizio Bensch/Reuters
“O primeiro-ministro e a chanceler decidiram trabalhar, junto com o resto do G7, para construir um roteiro para lidar com qualquer novo governo afegão discutido na reunião entre líderes da semana passada”, disse o gabinete de Johnson, em um comunicado.
“O primeiro-ministro sublinhou que qualquer reconhecimento ou discussão com o Talibã precisam ser condicionados a uma passagem segura a quem deseja deixar o país e ao respeito aos direitos humanos”, acrescentou o comunicado britânico.
Merkel também conversou com o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte. Seu gabinete disse que Merkel, Johnson e Rutte concordaram que a principal prioridade ainda era a organização da retirada de cidadãos, funcionários locais de apoio e afegãos que precisam de proteção.

Fonte: G1 Mundo

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Militares dos EUA começam a deixar aeroporto de Cabul; veja o balanço da operação de retirada do Afeganistão


Reino Unido não vai mais tirar civis do Afeganistão. Alemanha terminou suas operações na quinta-feira. EUA deverão seguir até o último dia. Militares ajudam a retirar uma criança da multidão perto do aeroporto de Cabul, no Afeganistão
Sargento Victor Mancilla/U.S. Marine Corps/via Reuters
Cerca de 110 mil pessoas foram retiradas do Afeganistão desde o dia 14 de agosto. O Talibã tomou o poder no país no dia 15 de agosto.
Ainda há alguns dias para tirar mais gente do país: os Estados Unidos e o Talibã negociaram que a retirada plena aconteceria no dia 31 de agosto.
Vídeo mostra pessoas correndo enquanto tiros são ouvidos em Cabul
Veja como estão as operações de retirada:
Estados Unidos
Os soldados dos EUA começaram a sua retirada do aeroporto de Cabul, afirmou o porta-voz das Forças Armadas, John Kirby.
A previsão é que a operação só acabe no último dia, 31 de agosto.
EUA lançam ataque aéreo contra Estado Islâmico-k no Afeganistão
Veja também
EUA lançam ataque com drones contra Estado Islâmico-k no Afeganistão
EUA pedem a seus cidadãos para deixarem imediatamente os portões do aeroporto de Cabul
A prioridade é a retirada de militares dos EUA e de equipamento dos norte-americanos.
Ao menos 5.400 americanos foram retirados do Afeganistão —no último dia, foram 300. Cerca de 350 afirmaram que ainda tentam deixar o país. Eles são os únicos que o governo dos EUA conhece. Há outros 280 que se identificaram como americanos, mas não pretendem deixar o Afeganistão.
Reino Unido
O país fez o seu último voo militar em que carregou civis neste sábado (28). Nos próximos voos, só vão viajar militares britânicos.
Nas duas últimas semanas, os britânicos retiraram cerca de 15 mil pessoas, entre seus próprios cidadãos e afegãos, do Afeganistão.
Estima-se que um número entre 800 e 1.100 afegãos que trabalharam com o Reino Unido nos últimos 20 anos enquadravam-se nos critérios para deixar o Afeganistão, mas não conseguiram chegar ao aeroporto.
Alemanha
Os voos de retirada de pessoas feitos pela Alemanha terminaram na quinta-feira (26). Os militares alemães tiraram 5.347 pessoas —a maioria delas, mais de 4.100, são afegãs.
A Alemanha chegou a dizer que tinha identificado 10 mil pessoas que precisavam sair do Afeganistão. Nesse balanço estavam ativistas de direitos humanos, jornalistas e os funcionários locais que trabalhavam para os alemães.
Cerca de 300 alemães vão continuar no Afeganistão, disse um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Alemanha.
Catar e Emirados Árabes
Mais de 40 mil pessoas deixaram o Afeganistão e foram para Doha, no Catar. As operações continuarão pelos próximos dias.
Os Emirados Árabes ajudaram a retirar 36.500 pessoas até o momento. Dessas, 8.500 foram recebidas no país.
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Fonte: G1 Mundo

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Costa Leste dos EUA se prepara para o ‘extremamente perigoso’ furacão Ida


Moradores de áreas de alto risco deixaram suas casas e fizeram fila para estocar suprimentos antes da chegada do furacão. Moradores de áreas de alto risco deixaram suas casas e fizeram fila para estocar suprimentos antes da chegada do furacão Ida, anunciado como “extremamente perigoso”. O fenômeno deve tocar a terra ao sul dos Estados Unidos neste fim de semana após atingir o oeste de Cuba.
O Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA está prevendo uma “onda de tempestade potencialmente mortal” quando o furacão atingir a costa da Louisiana e do Mississippi, alertando sobre “danos catastróficos por ventos” e pedindo às pessoas nas áreas afetadas que sigam o conselho das autoridades locais.
“A hora de agir é AGORA. O furacão Ida está previsto para atingir a terra firme como um furacão de categoria 4”, alertou o escritório do Serviço Nacional de Meteorologia de Nova Orleans em um tuíte.
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É o segundo nível mais alto na escala de furacões de vento de Saffir-Simpson, com uma força mínima de 209 quilômetros por hora.
Louisiana declarou estado de emergência em antecipação à tempestade, que atingirá os Estados Unidos no domingo, 16 anos após o devastador furacão Katrina, que causou inundações em 80% de Nova Orleans e matou mais de 1.800 pessoas.
As autoridades já ordenaram evacuações obrigatórias fora das áreas protegidas de Nova Orleans e cidades costeiras sujeitas a inundações, como Grand Isle.
“As pessoas estão fazendo as malas e saindo agora”, disse o chefe da polícia de Grand Isle, Scooter Resweber, à mídia local.
A declaração de estado de emergência, aprovada pelo presidente Joe Biden, canalizará fundos federais suplementares e ajuda ao estado do sul para fortalecer seus esforços de preparação e resposta a emergências.
O furacão atingiu a costa na noite de sexta-feira no oeste de Cuba com a categoria 1, com ventos máximos sustentados perto de 128 km por hora.
Furacão Ida se aproxima de Cuba
Reuters
Ida atingiu a ilha na província de Pinar del Río, o atual epicentro da pandemia de coronavírus na ilha.
No Twitter, o ministro da Saúde de Cuba, José Ángel Portal, alertou nesta sexta-feira sobre uma “dupla ameaça”: o fenômeno meteorológico em meio ao mais grave momento da pandemia.
Mais de 10.000 pessoas foram evacuadas e a energia foi cortada antes da tempestade, como medida de precaução. Em Havana, o transporte público foi suspenso às 12h.
O NHC disse que a tempestade provavelmente produzirá chuvas “consideráveis” e inundações do sudeste da Louisiana até a costa do Mississippi e do Alabama.
Na semana passada, uma rara tempestade tropical atingiu a costa nordeste dos Estados Unidos, deixando milhares de residentes sem energia, arrancando árvores e causando chuvas recordes.
VÍDEO: Tempestade tropical Henri chega à costa no nordeste dos EUA
Os cientistas alertaram para um aumento no número de ciclones fortes à medida que a superfície do oceano esquenta devido às mudanças climáticas, o que representa uma ameaça crescente para as comunidades costeiras do mundo.
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Fonte: G1 Mundo