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Homem pesca ‘peixe-dourado’ gigante na Austrália


Brett Methven levou um susto ao fisgar o que parecia ser um ‘peixinho-dourado’ de cerca de 10 quilos, retirado de uma profundidade de 400 metros. Na verdade, especialista explicou que se trata de um Japanese Rubyfish, que muito raramente é visto naquele país. Homem pesca ‘peixe-dourado’ gigante na Austrália
Acostumado a pescar grandes peixes, Brett Methven levou um susto com o que fisgou quando saiu para alto-mar pela segunda vez com seu amigo Brad, em Harvey Bay, no estado de Queensland, na Austrália.
Ele tirou das águas, de uma profundidade de 400 metros, um “peixe-dourado” de cerca de 10 quilos (veja vídeo acima).
Brett Methven posa com o peixe que pescou em Harvey Bay, na Austrália
Reprodução/Instagram/Brett Methven
No vídeo, é possível ver o choque dos amigos com o tamanho do animal, e a surpresa por sua aparência. Sem saber ao certo de que espécie se tratava, eles não param de comentar sobre o quanto ele é enorme, e mencionam que foram mais rápidos que um tubarão, que rondava a área e também estava prestes a capturar a presa.
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Ao postar o vídeo, Methven até brincou na legenda, dizendo que “isso é o que acontece muitos anos depois de você jogar seu peixinho pela privada”, como se sua pesca fosse um peixinho-dourado de aquário que tivesse crescido desproporcionalmente em liberdade.
Brett Methven posa com o peixe que pescou em Harvey Bay, na Austrália
Reprodução/Instagram/Brett Methven
Na verdade, ao consultar um especialista, ele descobriu que, apesar da semelhança com o animal de estimação, ele havia pescado um Japanese Rubyfish, ou um Erythrocles schlegelii, um peixe que aparece na Austrália muito raramente.
O animal tem esse nome porque foi pescado pela primeira vez no Japão, mas também é encontrado em países como a Coreia, o Quênia e a África do Sul, sempre vivendo abaixo dos 300 metros de profundidade.
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Fonte: G1 Mundo

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Líder de grupo extremista americano Proud Boys é condenado a 5 meses de prisão


Organização é apontada como uma das responsáveis pela invasão do Capitólio dos EUA, no início de janeiro. Enrique Tarrio em protestos dos Proud Boys em dezembro de 2020
Jim Urquhart/Reuters
Enrique Tarrio, o líder do grupo extremista Proud Boys, foi condenado nesta segunda-feira (23) nos Estados Unidos a cinco meses de prisão por atear fogo a um cartaz do movimento antirracista Black Lives Matter, em um dos protestos em apoio ao ex-presidente Donald Trump.
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Tarrio, de 36 anos, organizou e liderou protestos dos Proud Boys, um dos grupos que invadiram o prédio do Congresso dos EUA no dia 6 de janeiro.
Ele foi preso pela polícia da cidade de Washington DC no começo de janeiro, antes do protesto dos apoiadores de Donald Trump.
Tarrio foi indiciado por ter dois cartuchos de rifles e ter queimado um pôster do Black Lives Matter durante um protesto em dezembro.
Ao menos cinco membros dos Proud Boys foram acusados pela sua participação na invasão. O FBI afirmou que a prisão de Tarrio foi uma tentativa de evitar eventos como os que aconteceram no dia 6 de janeiro.
Relembre o ataque ao Congresso dos EUA no vídeo abaixo.
Os momentos que antecederam a invasão do Capitólio
Identificados com as cores preto e amarelo, os Proud Boys ganharam notoriedade quando o presidente Trump lhes disse para “recuar e esperar” durante um debate em setembro de 2020 com Biden, então candidato democrata à presidência.

Fonte: G1 Mundo

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EUA aceleram operações no Afeganistão e retiram quase 16 mil pessoas em 24 horas


Últimas retiradas elevam a 42 mil o número de pessoas transferidas do Afeganistão pelos EUA desde julho, sendo 37 mil desde 14 de agosto, segundo Ministério da Defesa norte-americano. Prazo termina em 31 de agosto, mas países não excluem tentativa de prorrogação. Famílias afegãs embarcam em Boeing C-17 da Força Aerea dos EUA no aeroporto internacional Hamid Karzai, em Cabul, no Afeganistão, na segunda-feira (23)
Samuel Ruiz/US Marine Corps/AFP
Quase 16 mil pessoas foram retiradas do Afeganistão pelo aeroporto de Cabul nas últimas 24 horas, anunciou o Pentágono nesta segunda-feira (23).
O prazo da retirada dos americanos do país, fixado pelo presidente Joe Biden, vence em 31 de agosto, o que provoca a aceleração das operações.
As últimas retiradas elevam a 42 mil o número de pessoas transferidas do Afeganistão desde julho, 37 mil após a intensificação das operações aéreas em 14 de agosto, véspera da tomada de Cabul pelos talibãs, declarou o porta-voz do ministério da Defesa americano, John Kirby.
Durante todo o domingo e madrugada de segunda-feira, 61 aviões militares e civis de diversos países decolaram do aeroporto da capital afegã, afirmou o general Hank Taylor, do Estado maior americano. Entre as 16 mil evacuações, 11 mil foram feitas em aviões militares, de acordo com o general.
Isso inclui “alguns milhares” de cidadãos americanos, milhares de afegãos que cooperaram com os Estados Unidos, que tinham pedido ou recebido um visto de imigração, e também afegãos que temem represálias dos talibãs por terem trabalhado para ONGs, veículos de comunicação e outros empregos não aprovados pelos islamistas, indicou Kirby.
O porta-voz do ministério da Defesa se recusou a dizer o número exato de americanos retirados do país.
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Ele sublinhou que o objetivo era de retirar todas as forças americanas de Cabul em 31 de agosto, data fixada por Biden para a saída das tropas do Afeganistão, apesar das objeções dos aliados da Otan, que temem que a ponte aérea seja suspensa antes do fim do mês para permitir a evacuação dos 5.800 soldados americanos mobilizados no aeroporto para garantir a operação de transferência de civis.
Kirby não excluiu uma prorrogação da data limite. Para os Estados Unidos, “o objetivo é retirar o máximo possível de pessoas, o mais rápido possível”, destacou. “O objetivo é tentar fazer o possível até o fim do mês”.
Violações de direitos humanos
Enquanto as operações de retirada das tropas americanas continuam, a Organização de cooperação islâmica (OCI) depositou nesta segunda-feira na ONU um projeto de resolução pedindo uma investigação sobre as violações dos direitos humanos no Afeganistão.
O texto será debatido na terça-feira (24) na sessão extraordinária do Conselho dos direitos humanos (CDH), organizado após pedido do Paquistão, que coordena a OCI sobre direitos humanos e questões humanitárias, e do Afeganistão, com o apoio de dezenas de países, entre eles França e Estados Unidos.
“Nosso objetivo coletivo e individual deve ser de impedir a perda de vidas inocentes, de fornecer uma ajuda humanitária aos que precisam e acelerar o processo de reconciliação e de regulamentação política”, declarou na segunda-feira o embaixador representante do Paquistão, Khalil Hashmi, durante a reunião de organização da sessão.
O CDH organiza três sessões ordinárias por ano, mas se um terço dos estados membros fazem uma demanda, ele pode decidir realizar uma sessão extraordinária.
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Fonte: G1 Mundo

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Ajuda a vilarejos atingidos pelo terremoto no Haiti será feita por helicóptero para evitar saques


Enquanto a ajuda internacional não chega, muitos vilarejos e municípios tentam se virar como podem. Ritmo das entregas se acelera, mas o abastecimento por via aérea não acontece sem dificuldades. Distribnuição de alimentos em Cayes, após o terremoto que atingiu o Haiti
Reginald Louissant Jr/AFP
Mais de uma semana depois do terremoto que atingiu o Haiti, as autoridades do país anunciaram que de agora em diante o envio de ajuda humanitária aos sobreviventes será feito por helicóptero.
A medida visa evitar os saques de caminhões e, principalmente, auxiliar os vilarejos isolados.
Enquanto a ajuda internacional não chega, muitos vilarejos e municípios tentam se virar como podem. Depois do terremoto de 14 de agosto, o prefeito de Corail, Alex Maxcia, criou o que ele chama de “locais de acolhimento”.
Ele explica que esses locais são “escolas, escritórios ou casas de família que devem respeitar algumas normas” (de segurança). Trata-se de prédios que não foram muito danificados pela catástrofe na cidade do departamento da Grand’Anse, no oeste do Haiti.
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Julie Gerthy se refugiou em um desses locais, o centro da Cruz-Vermelha de Corail. A casa dela foi destruída pelo tremor e ela ficou com medo de dormir na rua. “Aqui, nós temos mais segurança. Dormir na rua, no centro da cidade, é muito perigoso porque há muitos vagabundos”, afirmou à RFI.
Além de acolher os sobreviventes durante a noite, os centros também favorecem a ajuda mútua.
“Somos muito numerosos aqui e cada um traz alguma coisa. Nos organizamos como podemos. Eu, por exemplo, posso trazer alguns ingredientes para a refeição e aquela senhora pode trazer outra coisa. Somos como uma família. Nos apoiamos mutuamente”, conta Julie Gerthy.
Segundo o prefeito de Corail, os centros de acolhimento do município abrigam atualmente metade dos 20 mil moradores da cidade.
Vilarejos isolados
Para melhor distribuir a ajuda humanitária nas zonas rurais, as autoridades haitianas decidiram privilegiar a partir de agora o envio dos produtos de primeira necessidade por helicóptero.
O ritmo das entregas se acelera, mas o abastecimento por via aérea não acontece sem dificuldades. A chegada da ajuda a Corail é um exemplo da complexidade da operação.
O helicóptero CH47 Chinook do exército americano sobrevoa a cidade buscando um lugar onde pousar. Ele desce em voo estacionário a um metro do solo, ao lado de um bairro popular e do mar.
Quando o bagageiro traseiro se abre, uma multidão corre em direção do aparelho, criando uma grande confusão. Para impedir que os moradores subam a bordo, os soldados americanos jogam alguns pacotes da carga para a multidão antes de decolarem com urgência.
A população ficou enfurecida. Ela esperava receber água e alimentos. “Consegui pegar uma sacola. É um macacão. Não sei para que serve”, disse um morador.
O macacão em questão é uma roupa anticovid que não é destinada aos sobreviventes. Ela integra o equipamento de um hospital de campanha enviado pela Argentina, juntamente com dez médicos, entre eles Marina Cardelli, presidente dos capacetes brancos argentinos.
“Nós vamos ficar em Corail cerca de 20 dias para reforçar a capacidade da resposta sanitária do hospital local. O estabelecimento foi danificado pelo terremoto e não pode, hoje, funcionar de maneira adequada. Viemos apoiar os esforços pessoal (hospitalar)”, detalhou a médica.
Finalmente, o helicóptero Chinook pousou no campo de futebol da cidade e distribuiu toda a sua carga. Durante esse tempo, os dois únicos policiais de Corail tentaram conter os moradores ainda tensos.
Duzentos soldados americanos mobilizados no Haiti
Os Estados Unidos anunciaram o envio de 200 soldados ao Haiti. De acordo com as autoridades americanas, os militares devem apoiar os esforços humanitários para ajudar os sobreviventes da catástrofe.
“Não tenho certeza de que isso faça uma grande diferença na nossa situação atual. Penso que socorristas ou médicos seriam mais úteis do que militares após um terremoto”, salienta Rolphe Papillon, ex-deputado de Corail.
“Ver americanos no solo nacional não choca mais os haitianos do que ver dominicanos ou colombianos. Há algum tempo, perdemos o sentido de soberania nacional”, indica.
O que mais choca o ex-deputado é ver muita conversa e poucas ações concretas sobre a crise.
“Penso que o internacional pode querer ajudar, mas existe o que chamamos de responsabilidade regaliana do Estado! A resiliência tem que ser local. Temos que desenvolver localmente as capacidades de resposta. Elas não dependem nem do internacional nem de Porto-Príncipe”, critica Rolphe Papillon.
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Fonte: G1 Mundo

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Mulher que tentava engravidar dá à luz quíntuplos nos EUA após tratamento de fertilidade


Após três anos tentando ter filhos, Brenda Raymundo, do Texas, deu à luz cinco crianças. Caso é raro e os pequenos precisaram ficar em observação na UTI neonatal por mais de dois meses. Brenda Raymundo com seus cinco filhos
Reprodução/gofundme
Uma mulher que tentava engravidar deu à luz quíntuplos nos Estados Unidos após fazer um tratamento de fertilidade, segundo reportagens da imprensa local.
Após três anos tentando ter filhos, Brenda Raymundo, do Texas, deu à luz cinco crianças. O caso é raro e os pequenos precisaram ficar em observação na UTI neonatal por mais de dois meses.
Com uma gravidez de risco, os bebês nasceram prematuros, com sete meses. O menor deles chegando a pesar apenas 1,3kg.
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“Eu queria ter filhos, mas não conseguia”, disse Raymundo em entrevista à emissora KDFW. “Quando eu morava no México, cheguei a me consultar com um especialista.”
Ela contou que o médico prescreveu um tratamento com base em remédios, mas que ele havia dito ser “extremamente raro” ter mais do que gêmeos.
Quando se mudou para Dallas, pouco depois, ela descobriu que estava grávida de seis semanas. Quando o médico americano disse para ela eram cinco bebês, ela ficou em choque, lembrou.
“Eu comecei a chorar”, disse a Raymundo. “Eu estava preocupada sobre como iria ser a seguir, se eles iriam nascer prematuros.”
Com o pai das crianças afastado do trabalho, por conta de um acidente, uma amiga de Raymundo resolveu fazer uma campanha online para arrecadar dinheiro para os novos papais.
Se cuidar de um bebê já é caro, cinco são mais ainda. Segundo a nova mãe, os pequenos usam em média 50 fraldas todos os dias. Até o momento, mais de US$ 1.450 foram arrecadados.
VÍDEOS: Notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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VÍDEO captura o momento em que raio cai no quintal de casa em Honduras

Irmãos gravavam a chuva da varanda quando foram surpreendidos pelo fenômeno. Ninguém ficou ferido. VÍDEO captura o momento em que raio cai no quintal de casa em Honduras
Um instrutor de luta olímpica e seu irmão capturaram em vídeo o momento exato em que um raio atingiu o quintal da casa de seus avós em Honduras, na semana passada (veja acima).
Ronald Griffin, que mora em San Francisco (EUA), visitava o país centro-americano para comemorar o aniversário de 100 anos de seu avô, que mora no local.
No momento em que uma forte tempestade passava pela região, ele resolveu gravar a chuva da varanda de casa. Seu irmão teve a mesma ideia, e os dois foram surpreendidos pelo fenômeno.
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Ninguém ficou ferido, mas é possível ver que o relâmpago chegou a afetar uma árvore no quintal. Logo após o choque, eles correm assustados para entrar em casa.
Griffin – que aparece de toalha – disse que chegou a sentir o calor do raio, e que ficou “cego, surdo, e desorientado” por alguns instantes.
Como os raios se formam?
Durante a temporada de verão no hemisfério norte, é comum que tempestades como essa aconteçam em áreas da América Central.
Especialistas explicam que os raios aparecem mais justamente no verão. Quanto mais quente fica o ar, mais leve ele fica, e mais rápido sobe para a atmosfera.
No encontro com temperaturas mais frias, há formação de gotículas de gelo que se chocam dentro das nuvens, formando a eletricidade.
Quando há formação de nuvens com raios no horizonte, o melhor a fazer é evitar lugares abertos. Buscar abrigo em prédios, pontos de ônibus ou dentro de carros, por exemplo.

Fonte: G1 Mundo

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Riqueza mineral do Afeganistão pode dar ao Talibã trilhões de dólares da luta contra o aquecimento global


O subsolo do Afeganistão tem reservas estimadas em até US$ 3 trilhões em minérios como cobre, cobalto e lítio, fundamentais para a transição para uma economia verde. Foto de 2009 mostra soldados dos EUA no deserto do Afeganistão, cujo subsolo tem reservas estimadas entre US$ 1 trilhão e US$ 3 trilhões em minérios
Manpreet Romana/AFP
Ao tomar o poder político no Afeganistão após a partida dos EUA, o grupo radical islâmico Talibã passou a deter também o controle sobre uma riqueza mineral estimada em algo entre US$ 1 trilhão e US$ 3 trilhões.
Ao mesmo tempo em que é um dos países mais pobres do mundo – em 2016, mais de metade da população estava abaixo da linha da pobreza, segundo dados do Banco Mundial -, o Afeganistão possui extensas reservas de cobre, lítio, cobalto, ferro, ouro, que permaneceram relativamente intocadas nas últimas décadas, período em que o país esteve mergulhado em diferentes conflitos armados.
Entre 1996 e 2001, quando o Talibã governou a nação, sua principal atividade econômica foi a produção de papoula para extração do ópio, matéria prima para a fabricação de heroína.
O país era considerado um pária nas relações internacionais e comerciais. Agora, porém, as coisas podem ser diferentes.
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Não porque o Talibã, que tenta vender uma imagem mais moderada ao mundo, tenha efetivamente mudado de status no xadrez global.
Mas porque as condições de exploração e sobretudo o mercado desses minérios se alterou drasticamente nos últimos anos, impulsionado pela necessidade do mundo de se mover em direção à uma economia verde.
Recentemente, um relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas mostrou que os efeitos do aquecimento global têm se acelerado e que será preciso fazer mais para impedir uma catástrofe ambiental que ameace a sobrevivência humana na Terra.
Vai ser preciso mudar – e rápido – como produzimos e como consumimos.
E é exatamente por deter recursos necessários para essa mudança que o grupo islâmico pode ter uma janela de oportunidade.
Para Rod Schoonover, cientista especializado em mudanças climáticas e ex-funcionário de inteligência americana, o Talibã “não está só sentado sobre valiosas jazidas de pedras preciosas, mas de minérios centrais para a produção industrial mundial como o ferro e, especialmente, de parte dos recursos mais críticos no processo de transição econômico ambiental no século 21”.
Afinal, o que há no subsolo afegão?
Há centenas de anos, sabe-se que a região onde fica o Afeganistão é rica em minérios.
Mas foram os soviéticos, nos anos 1960 e 1970, quem primeiro mapearam a composição geológica do Afeganistão, resultado de uma série de colisões entre placas tectônicas que liberaram para a superfície terrestre partes do manto e do magma do planeta.
Entre os anos 2000 e 2010, o Centro de Pesquisa Geológica dos Estados Unidos e o Centro Afegão de Pesquisa Geológica retomaram as análises soviéticas do solo e se lançaram a um extensivo inventário de cerca de mil minas e depósitos minerais ao redor do país.
Para fazer o levantamento, os pesquisadores contaram não só com o auxílio de satélites da Nasa, mas tiveram que ser levados às regiões pesquisadas a bordo de Black Hawks, os helicópteros militares americanos, e fazer suas escavações e coletas paramentados com trajes dos Marines e sob a vigilância de soldados armados.
Basicamente, todo o trabalho foi feito em zonas de guerra.
Isso explica porque, apesar da qualidade desses estudos, boa parte do conhecimento que se tem sobre as riquezas minerais afegãs ainda estão limitadas a estimativas e a realidade em solo pode ser ainda mais impressionante.
À época do estudo, o cientista americano Robert Tucker, que liderou a expedição no Afeganistão, afirmou à revista Scientific American que suas projeções sobre quantidades dos metais eram “conservadoras”.
O esforço gerou um mapa com mais de 800 milhões de pixels de dados – onde estariam potenciais reservatórios de minérios – o que corresponde a uma área de 440 mil quilômetros quadrados, cerca de 70% do país.
Os cálculos de Tucker e seu time indicam, por exemplo, que o país poderia produzir 60 milhões de toneladas de cobre.
Em 2021, a escassez do metal levou o preço a subir mais de 40% em relação ao valor de 2020 e afetou pesadamente a indústria automotiva, por exemplo, que não conseguia produzir por falta de peças feitas de cobre.
O cobre é ainda fundamental na produção de placas de luz solar e outras soluções sustentáveis.
Há ainda estimadas 2,2 bilhões de toneladas de minério de ferro, que, em 2010 valiam cerca de US$ 420 bilhões, e são a principal matéria prima do aço. Além de quase cem minas diferentes de ouro e prata.
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Mas a análise das rochas vulcânicas do perigoso deserto afegão mostraram também a existência de 1,4 milhão de toneladas de um grupo de 17 elementos químicos conhecidos como terras-raras, como o lantânio e o neodímio, que possuem incomuns propriedades catalíticas, metalúrgicas, nucleares, elétricas, magnéticas e luminescentes.
E depósitos de lítio em quantidades tão significativas que um documento interno do Departamento de Defesa dos EUA qualificou o Afeganistão como a “Arábia Saudita do Lítio”.
Nas estimativas das autoridades americanas, apenas na província de Ghazni, na porção sudeste do país, haveria reservas de lítio de tamanho equivalente às da Bolívia, onde está o maior depósito conhecido desse metal no mundo.
“Mas pode haver muito mais do que isso, só que não foi possível analisar, dada a insegurança no terreno”, explica Schoonover.
Um mercado em ebulição
Tanto as terras-raras quanto o lítio são fundamentais no desenvolvimento de produtos de alta tecnologia verde.
Eles são usados em celulares, televisores, motores híbridos, computadores, lasers e baterias de todos os tipos, incluindo os de carros elétricos.
Entre as terras-raras, há ainda algumas fundamentais para fazer supercondutores, ligas que conduzem energia com mínimas perdas presentes em diferentes indústrias.
Esses minerais são tão centrais para a economia atual que o Congresso americano os classificou como “críticos para a segurança nacional”.
“A crescente demanda por cobre, lítio e cobalto, em particular, está sendo impulsionada em grande parte pela transição para a energia verde.”, afirmou à BBC News Brasil Michaël Tanchum pesquisador do Instituto Austríaco para Europa e Política de Segurança e do Instituto do Oriente Médio, em Washington D.C.
Até 2030, os EUA planejam ter metade de sua frota automotiva composta por veículos elétricos (hoje são cerca de 2%). E em 2035, a União Europeia espera eliminar todos os carros com motor à combustão.
O que está escrito na bandeira talibã?
Em sua fabricação e funcionamento, carros elétricos demandam em média seis vezes mais minerais, como lítio e cobalto, dos que os convencionais.
Assim, é fácil entender porque, nos próximos nove anos, a projeção é que a demanda mundial por lítio aumente cerca de quatro vezes. Já a demanda por terras-raras deve quase triplicar até 2030.
Em maio, a Agência Internacional de Energia alertou que a produção de lítio, cobre, cobalto e terras raras precisa crescer drasticamente ou o mundo perderia a chance de combater o aquecimento global.
A entrada do Afeganistão no mercado também representaria uma bem-vinda diversificação de fornecedores.
Atualmente, apenas 3 países – China, Congo e Austrália – respondem por 75% da produção global de lítio, cobalto e terras-raras.
O fator China
“Não resta dúvida que as potencialidades econômicas para os afegãos da exploração desse subsolo seriam enormes e essenciais, mas se fosse assim tão fácil os próprios americanos já teriam começado a exploração.
É impossível criar condições de mineração industrial ao mesmo tempo em que se tenta desviar de balas”, afirma Schoonover.
Não apenas os sucessivos conflitos militares explicam o motivo pelo qual a riqueza mineral afegã nunca foi sistematicamente explorada.
O país não tem vias rodoviárias asfaltadas ou malha ferroviária capaz de escoar a produção.
Além disso, a atividade mineradora exige enorme quantidade de energia elétrica – recurso escasso em um país onde somente 35% da população têm acesso à eletricidade – e de água, também limitada e com distribuição precária no país.
Nessas condições, o pouco de mineração até hoje foi irregular e artesanal.
Todos esses problemas já existiam antes, mas agora, sem os EUA por perto, há também novas oportunidades.
“Em contraste com a primeira vez em que o Talibã chegou ao poder na década de 1990, a China, vizinha do Afeganistão, é agora uma potência manufatureira com alcance global. Isso muda a equação, já que o controle do Talibã sobre o Afeganistão agora chega em um momento em que há uma crise no fornecimento desses minerais no futuro próximo e a China precisa deles”, afirma Michaël Tanchum.
De acordo com Tanchum, se o Talibã oferecer aos chineses condições mínimas de segurança para a operação, é possível que a China seja capaz de cruzar a fronteira – com maquinário, pessoal treinado e até com insumos para construções de vias – e criar as condições para uma produção em escala de minérios.
A depender do mercado, seria inclusive uma solução lucrativa.
E a China não é conhecida por relações internacionais baseadas em sanções por assuntos de direitos humanos e liberdades individuais, temas, aliás, que frequentemente trazem problemas ao governo de Pequim.
“Fora da própria China, os maiores produtores desses minerais são a Austrália, o Chile e a Argentina. Assim, o Afeganistão poderia ajudar a China a obter maior segurança de abastecimento a uma distância muito mais próxima, reduzindo a participação de mercado para os produtores de lítio da América Latina”, diz o pesquisador.
Embora não costume operar em zonas de guerra, a própria China já tem uma posição pioneira no Afeganistão para extrair minerais.
Em 2007, a Corporação Metalúrgica da China (MCC) adquiriu um contrato de arrendamento de 30 anos para minerar cobre em Mes Aynak, no Afeganistão, por US$ 3 bilhões, no que é considerado o maior investimento estrangeiro na história do país.
As operações de mineração da MCC foram duramente afetadas pela instabilidade no país devido ao conflito entre o Talibã e o ex-governo afegão.
Agora, com a queda do governo afegão, as condições mudam sensivelmente.
“Se houver condições operacionais estáveis, então as explorações de cobre sozinhas podem gerar dezenas de bilhões de dólares de receita, estimulando o desenvolvimento de operações de mineração de lítio e outros metais”, diz Tanchum.
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Outros países da região, como o Paquistão, certamente teriam interesse nisso, já que a produção poderia ser transportada por suas rotas comerciais até a China, o que geraria receitas aos paquisteneses e aumentaria os incentivos para que eles atuem em favor da estabilidade da área.
O Paquistão é o principal aliado estrangeiro do Talibã, que possui bases no país vizinho.
A situação no Afeganistão após a tomada de Cabul pelos radicais islâmicos segue incerta.
Uma parte da população luta para fugir enquanto o Talibã tenta colocar em pé o governo do novo Emirado e estabelecer as bases – legais e repressoras – em que seu poder vai se assentar.
Há, no entanto, uma sensação de que a ascensão ao poder do grupo é um fato dado.
Em 2010, o geólogo americano Jack Medlin afirmou que as recém-descobertas reservas minerais do país eram “uma riqueza que autorizava os afegãos a sonhar com um futuro que eles desconheciam”.
É possível que o Talibã, agora no comando de tudo, tenha herdado a possibilidade de concretizar esse sonho de mais de uma década.
Vídeos: Histórias e relatos sobre o caos no Afeganistão
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Fonte: G1 Mundo

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Nova York exige que professores e funcionários de escolas públicas se vacinem contra a Covid


Todos os trabalhadores deverão ter recebido ao menos a primeira dose da vacina até o início das aulas, em setembro. Medida visa avançar a cobertura e proteção contra a variante delta do coronavírus. Melissa Jean lê livro em escola no bairro do Brooklyn, em Nova York, em 24 de março de 2021
Mark Lennihan/Pool via AP
Professores e funcionários de escolas públicas da cidade de Nova York terão que se vacinar contra a Covid-19, disse o prefeito Bill de Blasio nesta segunda-feira (23), enquanto a metrópole se empenha em vacinar mais moradores e desacelerar a disseminação da variante delta, altamente contagiosa.
O departamento municipal de saúde emitirá uma ordem exigindo que todos os 148 mil membros do maior distrito escolar dos Estados Unidos recebam ao menos uma dose de uma vacina até 27 de setembro, explicou De Blasio. As aulas devem começar na cidade no dia 13 de setembro.
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Pela primeira vez para funcionários municipais, empregados do Departamento de Educação não terão mais a opção de se submeter a exames semanais.
“Queremos que nossas escolas sejam extraordinariamente seguras o ano inteiro”, disse o prefeito em uma coletiva de imprensa.
O anúncio foi feito no mesmo dia que a agência de medicamentos dos EUA concedeu o registro definitivo à vacina da Pfizer/BioNTech contra Covid (veja no vídeo abaixo).
Vacina da Pfizer tem registro definitivo aprovado nos EUA
Com essa medida, as autoridades de saúde pública esperam poder convencer os americanos que ainda não se vacinaram de que a vacina contra o coronavírus é segura.
Meisha Porter, reitora das escolas públicas da cidade de Nova York, disse que ao menos 63% dos funcionários estão vacinados contra a Covid-19.
Funcionários de escolas de Chicago, de Los Angeles e do Estado de Washington também receberam ordens para tomar a vacina.

Fonte: G1 Mundo

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Primeiro-ministro sueco anuncia que irá renunciar novamente ao cargo


Stefan Löfven diz que renunciará em novembro para permitir que seu sucessor se prepare para as eleições de 2022. Ele já havia deixado de ser premiê em 28 de junho, após perder uma moção de confiança, mas foi reinvestido no cargo pelo Parlamento, em 7 de julho. O primeiro-ministro da Suécia. Stefam Löfven, anuncia que irá deixar o cargo em novembro, durante pronunciamento em Estocolmo, no domingo (22)
Henrik Montgomery/TT News AgencyAFP
O primeiro-ministro da Suécia, o social-democrata Stefan Löfven, atualmente em uma posição frágil, anunciou neste domingo (22) que renunciará em novembro para permitir que seu sucessor se prepare para as eleições de 2022.
“Renunciarei ao meu cargo como líder do partido durante o congresso de novembro e, consequentemente, também ao cargo de primeiro-ministro”, declarou em um comício.
Lofven, de 64 anos, está à frente de seu partido há quase uma década e se tornou primeiro-ministro em 2014. Permaneceu no cargo até 28 de junho, quando teve que abandoná-lo após perder uma moção de confiança uma semana antes.
Premiê sueco renuncia após voto de censura no Parlamento
Stefan Löfven assume novamente como primeiro-ministro da Suécia
Depois de mais uma semana de crise, foi reinvestido pelo Parlamento, em 7 de julho, mas continuou em uma posição frágil. O anúncio de sua renúncia tem como objetivo manter as chances de seu partido para as eleições previstas para setembro de 2022.
“Tudo chega ao seu fim e quero oferecer a quem for meu sucessor a melhor oportunidade possível”, afirmou neste domingo.
Este ex-sindicalista siderúrgico governou por três anos em coalizão com os Verdes, em um Executivo minoritário como consequência dos resultados das eleições de 2018, muito fragmentados.
Seus apoiadores receberam seu anúncio com surpresa, já que esperavam, como ele havia manifestado anteriormente, que liderasse o partido até a próxima eleição.
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Fonte: G1 Mundo

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Cercado por talibãs, refugiado tenta resgatar filhos no Afeganistão e trazê-los ao Brasil

Sorab Kohkhan vive com a mulher em São Paulo e voltou à terra natal para resolver questões burocráticas dias antes de o Talibã tomar o poder em Cabul, capital do Afeganistão. Ele tenta reencontrar os filhos e deixar o país com a família. Refugiado afegão que mora no Brasil tenta resgatar os filhos no Afeganistão
Em um pequeno restaurante na Liberdade, Centro de São Paulo, a refugiada afegã Raihana Ebrahemi, de 47 anos, se desdobra para cozinhar, encaminhar os pedidos dos aplicativos e atender a clientela presencialmente. Faz tudo com muita dificuldade em compreender e falar português.
A rotina de trabalho é de 12 a 15 horas diárias. Ela só deixa o restaurante para descansar em casa, um conjugado de quarto e sala em um cortiço bem ao lado do restaurante.
Em circunstâncias normais, uma rotina como essa já seria desgastante para qualquer um, mas Raihana vive uma situação inimaginável: o marido dela, o também afegão Sorab Kohkhan, de 64 anos, está a 13 mil quilômetros de distância, no Afeganistão, escondido dos talibãs, que, segundo ele, estão por toda parte.
Sorab mora com Raihana no Brasil e cuida do restaurante junto com ela. Depois de muitos anos sem voltar à terra natal, ele viajou ao Afeganistão em 13 de agosto para resolver questões burocráticas.
Na véspera do dia em que entraria no país, pela fronteira com o Paquistão, o Talibã surpreendia o mundo – e Sorab também – e tomava a capital, Cabul, muito tempo antes do esperado.
Com a ascensão dos jihadistas, o objetivo da viagem de Sorab passou a ser um só: resgatar os três filhos de lá: Najiba, 24, Abdula, 17 e Niamat, 10.
A GloboNews acompanhou a saga de Sorab e a espera angustiante de Raihana nesses últimos dias.
“Ele (Sorab) quer que meus filhos venham para o Brasil, mas não conseguimos. Eu também quero meus filhos comigo aqui no Brasil, onde eu moro.”
Sorab está escondido há três dias no mesmo local, a alguns quilômetros ao norte do Cabul, esperando o momento mais seguro para seguir viagem em direção aos filhos.
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Saga
A GloboNews manteve conversas diárias por telefone e por aplicativos de mensagens com Sorab no Afeganistão. Também acompanhamos o dia a dia no restaurante de Raihana.
Ele decolou na sexta-feira, dia 13, de São Paulo para Islamabad, no Paquistão, com uma escala em Istambul, na Turquia. De Islamabad, pegou um ônibus até a cidade de Peshawar, que fica perto da fronteira com o Afeganistão. Lá, se juntou com um grupo de cerca de 20 refugiados afegãos de vários países que tentam resgatar seus familiares.
Quarta, 18
GloboNews: Neste momento, onde o senhor está?
Sorab: No Paquistão, mas seguramente esta noite ou amanhã já estarei dentro do Afeganistão.
GloboNews: E qual é a ideia do senhor? Chegar, encontrar os filhos e tentar trazê-los ao Brasil, é isso?
Sorab: O primeiro passo é encontrá-los e levá-los para algum lugar seguro. Porque é uma barbaridade o que o talibã está fazendo. É inimaginável.
GloboNews: O senhor está há quase três dias sem falar com seus filhos?
Sorab: Sim, porque não pega internet nas montanhas. E não queremos que eles falem nos telefones celulares porque não podem confiar em ninguém.
Quinta, 19
Sorab conseguiu atravessar a fronteira do Paquistão com o Afeganistão. Quando conversou por telefone, estava em Pole Charkhi, uma localidade a cerca de 20 km de Cabul, onde há uma prisão cujos detentos foram resgatados pelo Talibã dias antes.
Globonews: Como é que estão as coisas por aí? Onde o senhor está neste momento?
Sorab: Estou aqui perto de Cabul. As pessoas estão assustadas. Todo mundo. Porque não se sabe o que vai acontecer. É uma coisa incrível, muito crítica, sobretudo para pessoas comuns: mulheres, crianças. Você vê na cara deles que todo mundo está assustado. A dúvida do grupo é qual caminho seguir. O mais curto, pelo sul de Cabul, está mais perigoso.
Estamos esperando informações das pessoas para decidir se vamos pelo lado direito ou esquerdo.
GloboNews: E você viu muitos talibãs pelo caminho?
Sorab: (risos) Para onde você vai, em cada pedra, tem um desses filhos da p…
GloboNews: E vocês têm conseguido dormir aí?
Sorab: Dormir? Como vai dormir, senhor? É assim: dormimos dez minutos, meia hora, com um olho aberto e um olho fechado.
Sexta, 20
Sorab e o grupo chegam a um ponto ao norte de Cabul, esperando o caminho ficar mais seguro para seguir viagem. Eles contam com informantes espalhados por alguns pontos do país relatando a situação dos lugares.
Globonews: Como tá a situação aí hoje no Afeganistão e no local onde você está?
Sorab: Estou perto de Cabul, a 30/ 40 quilômetros, a meia hora/40 minutos. Dá muito medo, não podemos confiar em ninguém, até nas pessoas que estão ao nosso redor.
Sábado, 21
Sorab continua no mesmo ponto. A situação fica mais tensa. Não conseguimos contato por telefone, mas ele enviou uma mensagem de voz por um aplicativo.
Sorab: Estou trancado por dois dias. Algumas pessoas tiveram problemas. Não sei o que vou fazer. Tem que aguardar. Não podemos cometer falhas, senão me custará muito caro.
Domingo, 22
Sorab não atende as ligações, mas responde a mensagens pelo aplicativo. Ele continua pelo terceiro dia seguido no mesmo local, ainda esperando o caminho ficar livre dos talibãs.
Enquanto isso, Raihana manda um recado à família no Afeganistão: “Oi, filhos, vocês estão bem? Fiquem tranquilos, filhos. Vocês estão seguros em casa. Fiquem com Deus. Eu quero que vocês não sintam muito medo. Até logo, tchau”.
Visto
Se conseguir chegar até os filhos, o desafio de Sorab será, então, arrumar alguma forma para sair do Afeganistão e entrar no Paquistão. Em seu país, não há representação do governo brasileiro. Mesmo afegãos que colaboraram para os americanos estão tendo dificuldade para sair do país.
No Paquistão, a Embaixada do Brasil fica na capital, Islamabad. O pedido de refúgio só pode ser solicitado às autoridades brasileiras no momento do desembarque no Brasil. Para viajar até aqui, os afegãos precisam de um visto da Embaixada no Paquistão.
Eles relatam que é muito difícil obter o documento. O processo, segundo os afegãos, é demorado e quase sempre termina com a resposta negativa.
O que facilitaria o ingresso desses afegãos seria a concessão, por parte da Embaixada brasileira no Paquistão, de um visto humanitário. Esse tipo de visto, nos moldes dos oferecidos atualmente a haitianos e sírios, está sendo estudado pelo governo brasileiro, segundo o Itamaraty (leia mais abaixo).
Minoria Hazara
Para qualquer opositor do Talibã, a ascensão do grupo já é motivo de desespero. Para a família de Sorab e Raihana, há um agravante: a família pertence à minoria étnica hazara, de origem mongol e turca, cuja aparência difere muito da dos outros afegãos.
É o terceiro grupo étnico mais populoso do país – de 10% a 20% da população -, atrás dos tadjiques e dos pashtuns – estes últimos, a etnia majoritária, à qual pertencem a grande maioria dos talibãs. Os hazaras são predominantemente xiitas, num país em que a maioria é sunita.
Há regiões do mundo islâmico em que sunitas e xiitas convivem pacificamente, mas no Afeganistão o xiismo nunca foi tolerado pelos fundamentalistas do Talibã. Por tudo isso, o povo hazara sofre uma opressão histórica e uma discriminação diária por uma parcela dos afegãos. E uma perseguição constante do regime talibã.
Os hazaras chegaram ao Afeganistão no século 8 e se estabeleceram principalmente nas terras altas e áridas da região central do país, batizadas de Hazaristão. É num distrito dessa região, chamado Jaghori, onde estão os filhos de Sorab e Raihana. O restaurante da Liberdade leva o nome de um cartão-postal na região dos hazara: as montanhas Koh-i-Baba.
Quando viveu no Afeganistão, Sorab trabalhou como professor universitário. Chegou a ser sequestrado e torturado pelos talibãs. Um primo dele foi morto pelo grupo enquanto esperava a análise do pedido de refúgio ao governo brasileiro.
Sorab já morou na Alemanha e na Espanha antes de se mudar para o Brasil, em 2013. Ele trabalhou em uma pizzaria e depois abriu o restaurante na Liberdade. Raihana veio quatro anos depois, após o governo brasileiro lhe conceder refúgio.
Neste momento, a preocupação maior é com a filha mais velha, que é professora da educação básica e ostenta com orgulho as fotos de suas alunas nas redes sociais. A família diz que ela espera há dois anos a análise de um pedido de refúgio ao Brasil.
Najiba está escondida junto com outras mulheres da família. Ela gravou um vídeo à GloboNews fazendo um apelo às autoridades brasileiras. “Eu sou Najiba, filha de Raihana. Minha mãe está no Brasil e eu, no Afeganistão. E o Afeganistão está com o Talibã. Eu tenho medo do Talibã. Meu Deus, eu quero a minha mãe. No Afeganistão, a gente não tem segurança agora. O Talibã está muito perto. Hoje eu vivo no Afeganistão com minha avó, mas agora eu quero ir ao Brasil.”
Quando governou o Afeganistão, entre 1996 e 2001, o grupo extremista proibia as mulheres de trabalhar e estudar, além de exigir o uso da burca. Publicamente, as lideranças agora têm prometido moderação, mas os opositores acreditam que essa promessa vai durar pouco tempo e serve apenas para despistar a comunidade internacional.
Medo generalizado
O medo dos talibãs não se restringe às minorias étnicas e religiosas. Jabir Khan Moslemyar, de 38 anos, é muçulmano sunita e da etnia pashtun, a mesma dos extremistas. Ele chegou a São Paulo em 2014 e, desde então, trabalha como ambulante na Feira da Madrugada. Jabir conta que tem 22 familiares diretos no Afeganistão, incluindo a mulher e quatro filhos. “A gente mora numa casa só, mas agora, com medo, a gente se dividiu. Um na casa do tio, outro na casa da avó.”
Todos estão presos dentro de casa, com medo até de ir até o mercado para comprar comida. “Como você vai sair num lugar em que por todo canto tem gente que você não conhece, nunca viu, como você vai ficar em paz para fazer as suas coisas?”
A filha mais velha, de 13 anos, quer ser médica, mas ele acha que os talibãs não vão permitir que ela estude. “Ninguém sabe o que vai acontecer amanhã. Da outra vez que governaram o Afeganistão, não deixavam nem as pessoas sair de casa. Eles dizem que vão mudar agora, mas ninguém acredita. Essa mudança vai durar alguns dias, para eles arrumarem o governo e só. O povo de lá não acredita que eles vão mudar. ”
O sonho de Jabir é que ele consiga viver com os filhos aqui no Brasil. “Precisamos de ajuda para trazer nossos familiares. Precisamos do visto na Embaixada no Paquistão. Tem muita gente que quer trazer suas famílias.”
O que diz o governo brasileiro
O governo federal afirma que, após a ascensão do Talibã, está estudando facilitar a concessão de vistos humanitários para afegãos viajarem ao Brasil, mas ainda não houve mudanças concretas.
Em dezembro passado, o Conare (Comitê Nacional para Refugiados), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, facilitou o pedido de refúgio para afegãos que desembarcam no Brasil por considerar que o Afeganistão vive grave e prolongada crise humanitária.
Segundo dados da Polícia Federal, 112 cidadãos afegãos vivem atualmente no Brasil, sendo 62 deles em São Paulo.
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Fonte: G1 Mundo