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Joe Biden discursa sobre tomada do Afeganistão pelo Talibã


É a primeira declaração do presidente dos EUA desde que o grupo extremista tomou Cabul, a capital afegã, e tirou de cena um governo aliado de Washington. Presidente dos EUA, Joe Biden, acena ao chegar ao forte McNair nesta segunda-feira (16)
Leah Millis/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, discursa nesta segunda-feira (16) na Casa Branca sobre a tomada de Cabul pelo grupo extremista Talibã — que agora detém o controle de praticamente todo o território do Afeganistão.
Esta foi a primeira vez que Biden se manifestou oficialmente sobre o assunto desde que o presidente afegão Ashraf Ghani deixou o país e admitiu que o Talibã havia “vencido”.
Dando continuidade a uma promessa do ex-presidente Donald Trump, o democrata anunciou a retirada dos milhares de militares americanos no Afeganistão em abril, em um processo que deveria ser concluído até o fim de agosto, colocando fim à participação dos EUA em quase 20 anos de guerra (saiba mais adiante nesta reportagem).
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Combatentes do Talibã assumem o controle do palácio presidencial afegão em Cabul, capital do Afeganistão, após o presidente Ashraf Ghani fugir do país em 15 de agosto de 2021
Zabi Karimi/AP
EUA invadiram Afeganistão em 2001
Os EUA atacaram o Afeganistão em 2001, em reação ao atentado do 11 de Setembro, e tirou o grupo extremista do poder. O Talibã foi acusado pelos americanos de esconder e financiar membros da Al-Qaeda, grupo terrorista comandado por Osama bin Laden e responsável pelo atentado.
Em fevereiro de 2020, o então presidente americano, Donald Trump, assinou acordo de paz com o Talibã que previa a retirada total das tropas do país até abril deste ano. Assim, já empossado, Biden manteve o acordo e adiou a saída completa para o fim deste mês.
A queda de Cabul ocorreu muito antes do previsto pelos EUA. Segundo a Reuters, a estimativa dos serviços de inteligência americanos era a de que o Talibã chegasse a Cabul em setembro, com uma possível tomada do poder em novembro.
A maior parte das forças lideradas pelos EUA deixaram o Afeganistão em julho, e o Talibã se aproveitou da retirada e avançou rapidamente pelo país, conquistando diversas capitais de províncias desde o início do mês.
VÍDEO: Veja cronologia da tomada de poder do Talibã no Afeganistão
Situação no aeroporto
Nesta segunda-feira, milhares de pessoas invadiram a pista no aeroporto internacional de Cabul, e multidões tentaram entrar em aviões para deixar o país.
O tumulto deixou mortos e feridos. As forças americanas assumiram o controle do local e suspenderam todos os voos do aeroporto Hamid Karzai para tentar controlar a situação.
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O porta-voz-chefe do Pentágono, John F. Kirby, disse que 2,5 mil fuzileiros navais americanos foram enviados ao local. E tropas turcas passara a ajudar a proteger o aeroporto (veja mais abaixo).
A autoridade de aviação afegã afirmou que o aeroporto foi “liberado para os militares” e aconselhou as companhias aéreas a evitarem o espaço aéreo do país, o que levou as principais delas a desviarem voos.
Afegãos se aglomeram na pista do aeroporto de Cabul no dia 16 de agosto para tentar fugir do país após o Talibã assumir o controle do Afeganistão
AFP
Afegãos lotam avião no aeroporto de Cabul para tentar fugir do Talibã no Afeganistão
Wakil Kohsar / AFP
Afegãos são vistos em cima de avião após multidão invadir aeroporto de Cabul na tentativa de fugir do Talibã; voos comerciais foram cancelados
Wakil Kohsar / AFP
Mais de 60 países, incluindo EUA, Alemanha, Japão e França, publicaram um comunicado no domingo em que fizeram um apelo para que cidadãos afegãos e estrangeiros tenham permissão para deixar o Afeganistão em segurança.
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou em uma reunião a portas fechadas que o país precisa evacuar com urgência cerca de 10 mil pessoas sob sua responsabilidade, segundo a Reuters.
“Estamos testemunhando tempos difíceis”, teria dito Merkel a colegas de seu partido, o Democrata Cristão. “Agora devemos nos concentrar na missão de resgate.”
Número de mortos
O número de vítimas não havia sido confirmado oficialmente por autoridades afegãs até a última atualização desta reportagem.
O porta-voz do Pentágono afirmou também que um soldado ficou ferido e dois afegãos armados foram mortos após terem atirado contra tropas americanas, segundo informações preliminares.
O jornal americano “The Wall Street Journal” diz que três pessoas foram mortas por armas de fogo. A agência de notícias Reuters fala em cinco óbitos.
A Reuters não diz se as vítimas foram atingidas por disparos de armas de fogo ou pisoteadas durante a confusão. Não está claro se os tiros foram disparados contra pessoas ou para o alto.
VÍDEO: Veículos ficam presos em congestionamento nas ruas de Cabul
Talibã toma o poder no Afeganistão
G1
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VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Líderes mundiais reagem à chegada do Talibã ao poder no Afeganistão


Macron teme terrorismo e Merkel fala em situação ‘amarga, dramática e aterrorizante’, mas ressalta que é importante garantir ajuda humanitária para evitar nova crise de refugiados. Reino Unido admite que não conseguirá retirar todos os cidadãos afegãos aliados do país. Imagem retirada de vídeo do pronunciamento do presidente da França, Emmanuel Macron, sobre a tomada do poder no Afeganistão pelo Talibã, na segunda-feira (16)
Christophe Archambault/AFP
A preocupação com a retomada do terrorismo após o Talibã assumir o poder no Afeganistão foi mencionada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, nesta segunda-feira (16), um dia depois de o grupo extremista tomar a capital, Cabul, e de o presidente Ashraf Ghani deixar o país.
Segundo ele, grupos terroristas existentes naquele país tentarão se aproveitar da instabilidade deste momento.
Macron negou, porém, a possibilidade de intervenção, mesmo dizendo que fará de tudo para que a “Rússia, os Estados Unidos e a Europa cooperem de maneira eficaz” na luta contra o terrorismo. Segundo ele, o Afeganistão “tem seu destino em suas mãos”.
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Em um discurso transmitido pela TV, Macron lembrou os 13 anos em que o Exército francês esteve no Afeganistão ao lado dos norte-americanos (entre 2001 e 2014), e disse que a França vai continuar a repatriar afegãos que trabalharam para o país durante esse período.
Ele afirmou que cerca de 800 deles já teriam chegado ao país e que dois aviões e forças especiais continuam empenhados na retirada de mais pessoas.
“É nosso dever e nossa dignidade proteger aqueles que nos ajudaram: tradutores, motoristas, cozinheiros e tantos outros”, disse.
Alemanha repatria 10 mil
A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, durante pronunciamento sobre a tomada do poder no Afeganistão pelo Talibã, na segunda-feira (16)
Odd Andersen/Pool/AFP
Já a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, chamou a situação de “amarga, dramática e aterrorizante” e enfatizou que é preciso focar no resgate de estrangeiros e também de afegãos que ajudaram as forças aliadas da Otan. Ela disse ainda que esforços serão feitos para oferecer apoio e refúgio, especialmente para a equipe de apoio afegã que ajudou os militares alemães.
A Alemanha deve repatriar 10 mil pessoas no total, incluindo mais de 2,5 mil afegãos que ajudaram as forças da OTAN durante o período de combate ao Talibã, além de advogados e militantes de direitos humanos.
VÍDEO: Veja cronologia da tomada de poder do Talibã no Afeganistão
Merkel ressaltou também que é preciso garantir ajuda aos países vizinhos que devem receber muitos afegãos em fuga para evitar uma nova crise de refugiados. “Não devemos repetir o erro do passado quando não demos fundos suficientes para o ACNUR e outros programas de ajuda humanitária e as pessoas deixaram a Jordânia e o Líbano em direção à Europa”, lembrou.
Reino Unido não consegue retirar todos
Nesta segunda-feira, o secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, admitiu que “algumas pessoas não conseguirão sair”, ao dizer que o país não conseguirá retirar do país todos os seus aliados afegãos.
Soldados britânicos no Afeganistão, em foto de 22 de agosto de 2011
AP Photo/Brennan Linsley
Contendo as lágrimas, ele estimou que ainda existem 4 mil pessoas, entre britânicos e afegãos que prestaram serviços ao Reino Unido, como tradutores, por exemplo, que precisam ser retirados do Afeganistão, e disse que a expectativa é de que as forças britânicas consigam remover mil por dia.
Ele acrescentou que alguns dos afegãos terão que fazer pedidos de asilo, possivelmente para outros países.
Um porta-voz do premiê Boris Johnson negou que tenha havido falhas no sistema de inteligência, que subestimou o prazo para a retirada do pessoal, acreditando que a queda de Cabul levaria mais tempo.
Combatentes do Talibã assumem o controle do palácio presidencial afegão em Cabul, capital do Afeganistão, após o presidente Ashraf Ghani fugir do país em 15 de agosto de 2021
Zabi Karimi/AP
“Eu não descreveria dessa forma. Obviamente, trabalhamos em estreita colaboração com o governo anterior do Afeganistão para apoiá-lo em várias frentes diferentes e temos monitorado a situação de perto”, disse o porta-voz. “É evidente que o Talibã se moveu rapidamente por todo o país”.
No domingo, após o grupo extremista assumir o controle da capital Cabul, Johnson afirmou que nenhum país deverá reconhecer o Talebã como governo do Afeganistão. “Queremos uma posição unida entre os que pensam da mesma forma, o tanto quanto pudermos”, disse, em um pronunciamento em vídeo.
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Nesta segunda, porém, a China afirmou que deseja manter “relações amistosas” com o Talebã. China e Afeganistão são países vizinhos e têm 76 km de fronteiras comum.
A China “respeita o direito do povo afegão a decidir seu próprio destino e futuro e deseja seguir mantendo relações amistosas e de cooperação com o Afeganistão”, afirmou à imprensa a porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying.
Já o encarregado russo para o Afeganistão, Zamir Kabulov, afirmou nesta segunda-feira que o embaixador de seu país em Cabul se reunirá na terça-feira (17) com os talibãs e que a Rússia decidirá se reconhece ou não o governo do Talibã de acordo com as ações do grupo.
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Vídeos: Talibã avança no Afeganistão

Fonte: G1 Mundo

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Pentágono cometeu erros que levaram Talibã a tomar o controle do Afeganistão; saiba quais


Departamento de Defesa dos EUA cometeu erros de cálculo que, segundo especialistas, dificultaram uma reação do exército afegão contra a investida Talibã. Combatentes do Talibã assumem o controle do palácio presidencial afegão em Cabul, capital do Afeganistão, após o presidente Ashraf Ghani fugir do país em 15 de agosto de 2021
Zabi Karimi/AP
O colapso do exército afegão que permitiu aos combatentes talibãs assumir o controle de Cabul mostrou os erros cometidos durante 20 anos pelo governo dos Estados Unidos no Afeganistão:
Escolha incorreta do equipamento entregue aos afegãos
Expectativa errada sobre o número de combatentes aliados
Planos traçados de maneira frágil
Falta de salário ao exército da Afeganistão
Veja abaixo em detalhes quais foram esses erros:
1. Equipamento incorreto
Imagem de veículo das forças de segurança do governo do Afeganistão perto de Kandahar, em 13 de agosto de 2021
Sidiqullah Khan/AP
Washington gastou US$ 83 bilhões em esforços para criar um exército moderno que refletisse as suas tropas.
Em termos práticos, isso significou uma enorme dependência do apoio aéreo e uma rede de comunicação de alta tecnologia em um país onde apenas 30% da população pode contar com um fornecimento de energia elétrica confiável.
Aviões, helicópteros, drones, veículos blindados, óculos de visão noturna: o governo dos Estados Unidos não economizou em gastos para equipar o exército do país asiático. Recentemente chegou a fornecer aos afegãos os últimos helicópteros de ataque Black Hawk.
Mas os afegãos, incluindo muitos jovens analfabetos em um país que carece de infraestrutura para equipamentos militares de última geração, não conseguiram implementar uma resistência séria contra um inimigo menos equipado e aparentemente superado em números.
Suas capacidades foram superestimadas, de acordo com John Sopko, o inspetor geral especial dos Estados Unidos para a reconstrução do Afeganistão (SIGAR).
O exército americano “sabia como era ruim o exército afegão”, destacou.
O relatório mais recente de seu gabinete ao Congresso, apresentado na semana passada, afirma que os “sistemas avançados de armas, veículos e logística utilizados pelos militares ocidentais estavam além das capacidades da força afegã, em grande parte analfabeta e sem instrução”.
2. Números exagerados
Soldado do exército afegão faz guarda em local onde ocorreu ataque suicida perto de uma academia militar em Cabul, no Afeganistão, em 2020
Rahmat Gul/ AP
Durante meses, os funcionários do Pentágono insistiram na vantagem numérica das forças afegãs, de 300.000 integrantes entre exército e polícia, sobre os talibãs, avaliados em 70.000.
Mas os números do exército estavam exagerados, segundo o Centro de Luta contra o Terrorismo da Academia Militar de West Point, Nova York.
Em julho de 2020, segundo a estimativa de West Point, os 300.000 incluíam apenas 185.000 soldados do exército ou forças de operações especiais sob o controle do ministério da Defesa, enquanto a polícia e outra força de segurança constituíam o restante.
E apenas 60% das tropas afegãs eram combatentes treinados, segundo os analistas de West Point.
Uma estimativa mais precisa da força de combate do exército, sem contar os 8.000 oficiais da Força Aérea, é de 96.000, concluíram.
O relatório SIGAR aponta que as deserções sempre foram um problema.
O documento indica que até 2020 o exército afegão teve que substituir 25% de sua força a cada ano, em grande parte devido às deserções, e os soldados americanos que trabalhavam com os afegãos afirmaram que a taxa era “normal”.
3. Planos frágeis
População do Afeganistão atravessa uma barreira de segurança ao cruzar a fronteira, em Chaman, Paquistão.
ASSOCIATED PRESS
As autoridades americanas prometeram reiteradamente que continuariam apoiando o exército afegão depois de 31 de agosto, a data anunciada para a conclusão da retirada das tropas americanas, mas nunca explicaram como isso aconteceria do ponto de vista logístico.
Durante sua última visita a Cabul, em maio, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, mencionou a possibilidade de ajudar os afegãos a manter sua força aérea à distância, por meio do que chamou de logística “além do horizonte”.
O conceito vago implicaria treinamentos através da plataforma Zoom. O método parece um tanto ilusório, dada a falta de computadores, smartphones ou boas conexões Wi-Fi dos afegãos.
Ronald Neumann, ex-embaixador dos Estados Unidos em Cabul, afirmou que o exército americano deveria ter “levado mais tempo” para a retirada.
O acordo alcançado entre o governo do então presidente Donald Trump e os talibãs considerava uma retirada completa das forças estrangeiras em 1º de maio.
O sucessor de Trump, Joe Biden, adiou a data, originalmente para 11 de setembro, antes de mudar novamente para 21 de agosto.
Mas também decidiu retirar todos os cidadãos americanos do país, incluindo os terceirizados que têm um papel chave no apoio à logística americana no Afeganistão.
“Construímos uma força aérea que dependia de terceirizados para a manutenção e depois retiramos os terceirizados”, declarou Neumann à rádio pública NPR
4. Nem salários nem alimentos
Membros do Talibã em Cabul, no Afeganistão, em 16 de agosto de 2021
Reuters
Ainda pior, o Pentágono pagou durante anos os salários do exército afegão. Mas desde que o exército americano anunciou sua retirada em abril, a responsabilidade dos pagamentos passou ao governo de Cabul.
Muitos soldados afegãos reclamaram nas redes sociais que não receberam salário durante meses e, em muitos casos, suas unidades não recebiam mais alimentos ou suprimentos, incluindo munições.
A rápida retirada americana representou o golpe final.
“Ao sair e retirar nossa cobertura aérea, abalamos o exército e a moral dos afegãos”, disse Neumann.

Fonte: G1 Mundo

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Afegãos nos EUA, frustrados com saída do exército norte-americanos, dizem que não há esperança de derrotar Talibã


Em um protesto com cerca de 300 pessoas em frente à Casa Branca, afegãos que moram nos EUA disseram estar frustrados com a saída do exército dos norte-americanos do Afeganistão. Protesto de afegãos em Washington DC contra saída dos militares dos EUA do Afeganistão, em 15 de agosto de 2021
Ken Cedeno/Reuters
Cerca de 300 pessoas, a maioria delas de afegãos que moram nos Estados Unidos e ou descendentes de famílias do Afeganistão, protestaram na frente da Casa Branca, a sede do governo norte-americano, no domingo (15), de acordo com uma reportagem do “New York Times”.
Eles tinham placas nas quais se liam, entre outros dizeres, “os EUA nos traíram”.
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Os manifestantes também mostravam bandeiras do Afeganistnao.
Um dos objetivos do protesto era chamar atenção para os afegãos que ficaram presos no país que agora é dominado pelo Talibã —muitos dos manifestantes têm parentes no país.
Para eles, quando havia soldados norte-americanos no Afeganistão ainda havia alguma esperança de derrotar o Talibã, e que a decisão do presidente Joe Biden de tirar os militares do país os deixa frustrados.
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Fonte: G1 Mundo

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Venezuela liberta líder da oposição acusado de traição e terrorismo


Ex-deputado Freddy Guevara foi preso em julho acusado de traição e terrorismo. Liberdade condicional foi concedida a ele semanas após o presidente Nicolás Maduro confirmar início de um novo diálogo com a oposição. Ex-deputado venezuelano Freddy Guevara, opositor ao governo, foi vice-presidente da Assembleia Naciona
Ronaldo Schemidt/AFP
O ex-deputado venezuelano Freddy Guevara, dirigente do partido de oposição Voluntad Popular e braço direito do líder opositor Juan Guaidó, saiu da prisão na noite deste domingo (15). Ele havia sido preso há um mês acusado de traição e terrorismo, mas recebeu liberdade condicional.
Guevara foi preso em Caracas, capital da Venezuela, em 12 de julho por membros do serviço de inteligência venezuelano Sebin. A decisão que o colocou em liberdade ocorreu cerca de três semanas após o presidente do país, Nicolás Maduro, confirmar o início de um novo diálogo com a oposição previsto para o mês de agosto.
O ex-parlamentar foi acusado pela promotoria de participar de violentos confrontos entre policiais e gangues em um bairro da capital venezuelana. O governo do presidente Nicolás Maduro atribuiu os atos a um suposto plano para tirá-lo do poder.
Governo da Venezuela prende opositor aliado de Juan Guaidó
Ao ser solto, Guevara afirmou que esteve isolado por vários dias e ainda não tinha detalhes sobre as regras atreladas à sua soltura.
“Não estou certo sobre quais são as medidas [de liberdade], tenho que revisá-las”, disse Guevaraem entrevista a uma emissora de televisão local logo após ser solto.
Na mesma entrevista, o ex-deputado, que foi vítima da covid-19 enquanto esteve preso, criticou o regime sob o qual a população do país está submetida.
“Enquanto não houver solução política aqui na Venezuela, sei que minha liberdade é condicional como a liberdade de todos os venezuelanos”, acrescentou.
Freddy Guevara foi eleito em 2015 e seu mandato acabou em janeiro de 2021. Em 2017, ele se tornou um dos nomes mais conhecidos nas manifestações que exigiam a saída de Maduro do poder. Por conta de sua atuação, foi acusado de incitar à violência em protestos antigovernamentais que deixaram cerca de 125 mortos.
Ao saber da denúncia que poderia levá-lo à prisão, Guevara se refugiou na embaixada chilena até receber indulto de Maduro em setembro do ano passado.

Fonte: G1 Mundo

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A volta do Talibã ao poder no Afeganistão: EUA vão reavaliar ameaças terroristas


Em uma reunião com senadores, general dos EUA afirmou que se os grupos terroristas puderem se desenvolver no Afeganistão, pode surgir uma ameaça em cerca de dois anos, diz agência. VÍDEO: Guerra ao Talibã já dura 20 anos; entenda
O principal general das Forças Armadas dos Estados Unidos, Mark Milley, afirmou em uma reunião com alguns senadores do país que, agora, a perspectiva de ataques terroristas poderão surgir em um futuro mais próximo do que se previa.
Membro das forças do Talibã inspeciona a área fora do Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul
Stringer/Reuters
Milley, presidente do comitê integrado de chefes das Forças Armadas, conversou com senadores dos EUA no domingo (15), segundo a agência Associated Press.
Membro do Talibã do lado de fora do aeroporto internacional Hamid Karzai , de Cabul, em 16 de agosto de 2021
Reuters
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No mesmo dia, o Talibã retomou o controle do Afeganistão ao invadir a capital de Cabul e não encontrar resistência (o presidente Ashraf Ghani fugiu para o Tajiquistão).
Além de Milley, também participaram da conferência com os senadores membros do alto escalão do governo de Joe Biden, como o secretário de Estado (Antony Blinken) e o secretário de Defesa (Lloyd Austin), de acordo com a AP.
Oficialmente, as Forças Armadas dos EUA afirmam que ainda é muito cedo para fazer uma avaliação sobre uma eventual ameaça terrorista.
Especialistas analisam retomada do Afenenistão pelo Talibã
Na reunião, no entanto, falou-se que o exército já espera uma mudança no ritmo que os grupos terroristas no Afeganistão podem retomar suas atividades, de acordo com uma pessoa que conhece o tema afirmou à AP.
As agências de inteligência precisam entender o que vai acontecer agora que o Talibã tomou o país rapidamente.
Há menos de uma semana, os militares dos EUA avaliavam que Cabul poderia ser cercada pelos insurgentes em 30 dias.
Espionar no país dos talibãs vai ser mais difícil
Em junho, os líderes do Pentágono disseram que um grupo extremista como a Al-Qaeda pode se reconstituir no Afeganistão, e isso representa uma ameaça para a segurança interna dos EUA. Eles estimaram que isso poderia acontecer cerca de dois anos após a saída das tropas norte-americanas.
Os EUA invadiram o Afeganistão há duas décadas justamente porque o Talibã, que dominava o país na época, abrigava os líderes da Al-Qaeda.
VÍDEO: Entenda o que é o Talibã, grupo extremista que tomou a capital do Afeganistão
Os especialistas dizem que o grupo insurgente e a organização terrorista ainda são alinhados, e outros grupos também podem, eventualmente, se refugiar no Afeganistão que agora que o Talibã voltou ao poder.
Combatentes do Talibã assumem o controle do palácio presidencial afegão em Cabul, capital do Afeganistão, após o presidente Ashraf Ghani fugir do país em 15 de agosto de 2021
Zabi Karimi/AP
Agora, os grupos terroristas podem crescer mais rapidamente do que da primeira vez, segundo um especialista ouvido pela AP.
As agências de inteligência dos EUA estão estudando novos possíveis cenários que envolvem ameaças, de acordo com a pessoa que participou da reunião, mas há novas dificuldades.
Com uma presença militar norte-americana reduzida e o país no controle do Talibã, monitorar as ameaças de terrorismo é mais difícil. Os espiões têm dificuldade de fazer avaliações a respeito do apoio ao grupo extremista.
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Fonte: G1 Mundo

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Vídeo mostra pessoa caindo de avião decolando do Afeganistão, diz agência


Imagem da decolagem do avião em Cabul, nesta segunda (16)
Reprodução
Uma pessoa caiu enquanto se pendurava em um avião que decolava do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, nesta segunda-feira (16), informou a agência de notícias Associated Press.
O vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento exato em que um avião decola e o que parecia ser uma pessoa, que estaria tentando fugir do Afeganisão se segurando na aeronave cai.
A informação de que uma pessoa tentava escapar junto à aeronave foi dada pela imprensa local e confirmada pela agência americana de notícias Associated Press.
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Reportagem em atualização.

Fonte: G1 Mundo

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‘Não fomos ao Afeganistão para formar uma nação’: 5 argumentos de Biden para abandonar o país


Com retirada das tropas americanas do Afeganistão, o Talibã rapidamente dominou o país e assumiu o controle de Cabul, a capital. Mulheres temem perder os direitos conquistados nos últimos 20 anos. Para Biden, cabe aos afegãos lutar para impedir retrocessos. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante pronunciamento na Casa Branca, na terça-feira (3)
Win McNamee/Getty Images/AFP
“Não fomos ao Afeganistão para formar uma nação”. O presidente dos EUA, Joe Biden, usou essa frase como uma das justificativas para retirar as tropas americanas do Afeganistão num momento em que o país estava ainda longe de consolidar um regime democrático e continuava sob ameaça de retorno do Talibã.
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Pouco depois de iniciada a saída dos militares americanos do país, que seria concluída até o dia 31 de agosto, combatentes do grupo fundamentalista avançaram por todo o território e tomaram a capital, Cabul, no domingo (15).
O retorno do Talibã ocorre no mesmo ano do aniversário de 20 anos do ataque ao World Trade Centre, em Nova York, e ao Pentágono, em Washington, em 11 de setembro de 2001. Os ataques foram orquestrados por Osama Bin Laden, líder da rede Al-Qaeda. Bin Laden na época recebia apoio e asilo do Talibã que governava o Afeganistão.
Em resposta, os EUA e aliados iniciaram a Guerra do Afeganistão e retiraram o Talibã do poder.
Quase 20 anos depois, tudo parece retornar ao ponto de partida, com o grupo fundamentalista de volta ao comando, mulheres temendo por suas vidas e seus direitos, e civis contrários ao grupo islamista lotando o aeroporto internacional de Cabul, tentando fugir do país.
Para críticos à retirada das tropas, esse cenário é uma humilhação a Biden e aos EUA. No entanto, o presidente americano não parece disposto a voltar atrás na decisão.
Na verdade a retirada das tropas americanas do Afeganistão foi acordada pelo ex-presidente Donald Trump. Em fevereiro de 2020, os Estados Unidos firmaram em Doha, no Catar, um acordo com lideranças Talibã, que previa a retirada dos soldados americanos daquele país. Pelo seu lado, o Talibã se comprometia a combater a Al-Qaeda e a qualquer outro grupo extremista, como o autoproclamado, Estado Islâmico, que chegou a ter forte presença no Afeganistão.
Mas quais os argumentos de Joe Biden para “abandonar” o Afeganistão e permitir que o Talibã retorne a todo vapor? O presidente tem repetido cinco justificativas para deixar os afegãos à própria sorte e encerrar de vez uma guerra que dura 20 anos.
VÍDEO: Guerra ao Talibã já dura 20 anos; entenda
Saiba quais são elas:
1. ‘Já cumprimos a missão’
Joe Biden sempre foi crítico da presença prolongada de tropas americanas no Afeganistão. Para ele, a missão dos EUA com essa guerra deveria se resumir a: abater Osama Bin Laden e impedir que o Afeganistão se tornasse base para grupos radicais contrários aos EUA.
Ou seja, na visão de Biden, não seria papel dos EUA permanecer no país até que ele fosse reconstruído e tivesse uma estrutura institucional sólida, com regime democrático estável.
“Os Estados Unidos já cumpriram sua missão no Afeganistão: pegar os terroristas que nos atacaram no 11 de setembro, garantir punição a Osama Bin Laden e degradar a ameaça terrorista, para impedir que o Afeganistão se tornasse base para que ataques contra os EUA fossem planejados”, disse Joe Biden em julho.
“Nós alcançamos esses objetivos. Foi para isso que fomos lá.”
De fato, Osama Bin Laden foi morto numa operação da Marinha dos EUA em maio de 2011, e diversos integrantes do alto escalão da Al-Qaeda também foram mortos ou detidos desde o início da guerra.
Mas o regime que deu cobertura para as ações da Al-Qaeda, o Talibã, continua inegavelmente forte. O governo afegão que até domingo 15 de agosto era dirigido pelo então presidente eleito, Ashraf Ghani, nunca chegou a ter controle total do país. O Talibã nunca deixou de operar abertamente em certas áreas.
Sem as tropas americanas, os combatentes conseguiram avançar sem resistência pelas grandes cidades do país. As forças militares afegãs, que haviam sido treinadas pelos americanos, se retiraram sem lutar em grande parte dos distritos, inclusive na capital, Cabul.
O presidente afegão, Ashraf Ghani, fugiu do país, argumentando que fez isso para evitar “derramamento de sangue”, e homens armados tomaram o palácio presidencial sem qualquer dificuldade.
A capital era a única grande cidade ainda nas mãos do governo civil. Com a conquista desse último refúgio, o Talibã passou a dominar praticamente o país todo novamente.
A pergunta que fica é: com a volta do Talibã ao poder, o governo americano realmente pode afirmar que alcançou o objetivo de impedir que o Afeganistão se tornasse base para grupos radicais e eventuais ataques aos EUA?
Combatentes do Talibã assumem o controle do palácio presidencial afegão em Cabul, capital do Afeganistão, após o presidente Ashraf Ghani fugir do país em 15 de agosto de 2021
Zabi Karimi/AP
2. ‘Cabe aos afegãos decidir seu futuro’
Ao falar sobre os motivos da retirada das tropas do Afeganistão, o presidente Biden deixou claro considerar que os Estados Unidos não devem assumir para si a responsabilidade pela democracia, o respeito aos direitos humanos e a estabilidade no pais.
“Nós não fomos ao Afeganistão para formar uma nação. É direito e responsabilidade exclusiva da população afegã decidir seu futuro e como querem administrar seu país”, declarou.
Ao estabelecer setembro e, posteriormente, o fim de agosto como data para a retirada total das tropas americanas no Afeganistão, Biden declarou que os EUA já haviam feito a sua parte treinando soldados afegãos, garantindo armas e financiamento para o regime civil.
“Juntamente com aliados da Otan e parceiros, nós treinamos e equipamos quase 300 mil membros ativos da Força Nacional de Segurança Afegã, e muitos outros que não estão mais na ativa”, declarou Biden em julho, em discurso feito para explicar os planos de retirada das tropas.
“Nós fornecemos aos nossos parceiros afegãos todos os instrumentos. Deixe eu enfatizar, todos os instrumentos, treinamento e equipamentos militares modernos. Vamos continuar a financiar e dar equipamentos. E vamos garantir a capacidade de manter a força aérea”, declarou.
Enquanto Biden destacava o treinamento dado pelos EUA aos militares afegãos, especialistas alertavam que as forças do Afeganistão, sozinhas, não seriam capazes de impedir o avanço do Talibã.
As previsões dos analistas se confirmaram e agora boa parte do arsenal militar doado pelos EUA podem cair nas mãos do grupo radical islâmico.
Talibãs em Farah, uma capital de província do Afeganistão, em 11 de agosto de 2021
Mohammad Asif Khan/AP
3. ‘Estou cumprindo um acordo’
Outro argumento de Biden para retirar as tropas americanas do Afeganistão é a necessidade de cumprir acordo firmado pelo governo do ex-presidente Dinald Trump com o Talibã.
Assinado em fevereiro de 2020, o acordo previa que os EUA retirariam suas tropas do país até maio de 2021. Em troca, o Talibã não atacaria integrantes de forças internacionais. A saída total das tropas acabou sendo adiada mas, quando tomou posse em janeiro de 2021, Joe Biden declarou que não voltaria atrás no acordo firmado por Trump e retiraria as tropas até 11 de setembro de 2021, data dos 20 anos do ataque às Torres Gêmeas, em Nova York.
Posteriormente, Biden antecipou o prazo final de saída dos militares americanos para agosto. Ao justificar a decisão, Biden declarou, em julho, que o acordo firmado pelo ex-presidente dos EUA evitou mortes de soldados americanos.
“Se eu tivesse anunciado em abril que os EUA iriam voltar atrás no acordo feito pela última administração, os Estados Unidos e forças aliadas permaneceriam no Afeganistão e o Talibã voltaria a atacar as nossas tropas”, declarou Biden.
“Ficar significaria mortes entre as tropas dos EUA. Homens e mulheres americanas no meio de uma guerra civil.”
Ou seja, segundo Biden, uma vez tendo firmado o acordo, os EUA ficariam mais expostos do que nunca se permanecessem no território. O presidente anunciou que ofereceria aos afegãos que trabalharam para o governo americano nos últimos 20 anos a possibilidade de morar nos EUA, para que não fossem alvos de ataques.
Mas milhares de pessoas que se dedicaram a construir um regime civil desde o início da guerra agora temem ser mortos ou perder seus direitos num regime controlado pelo Talibã.
Eles acusam o governo americano de ter abandonado a população à própria sorte, principalmente as mulheres que, num regime fundamentalista islâmico, podem voltar a ser impedidas de estudar, trabalhar ou até andar pelas ruas sozinhas.
4. ‘Ameaça terrorista vai além do Afeganistão’
Biden também justificou a retirada das tropas dizendo que os EUA precisam utilizar recursos e efetivo para combater o terrorismo de maneira mais estratégica. Segundo ele, células e grupos terroristas se deslocaram para além do Afeganistão.
“Os Estados Unidos não podem se dar ao luxo de se manter presos a políticas que respondem a um mundo que existia há 20 anos. Precisamos lidar com as ameaças que se apresentam hoje. A ameaça terrorista atualmente se espalhou para além do Afeganistão”, argumenta.
“Portanto, estamos reposicionando recursos e o combate ao terrorismo para alcançar as ameaças onde elas estão maiores hoje: sul da Ásia, Oriente Médio e África”, disse.
Biden ainda argumentou que os EUA precisam reservar recursos para fazer frente à competição com a China.
“Temos que focar em fortalecer os principais pontos fortes da América para enfrentar a competição estratégica com a China e outras nações, que realmente vai determinar nosso futuro”, disse ele.
5. ‘Já tivemos gastos e mortes demais’
Biden tem mencionado ainda, como argumento pela retirada das tropas, o número de mortes de militares americanos e os gastos que os EUA tiveram com a guerra.
“Depois de 20 anos, trilhões de dólares foram gastos treinando e equipando as forças de Segurança Nacional e Defesa afegãs. 2.448 americanos foram mortos, 20.772 foram feridos e milhares de outros voltaram às suas casas com traumas que afetam sua saúde mental”, argumentou.
“Eu não vou mandar uma nova geração de americanos para a guerra no Afeganistão sem que haja uma expectativa razoável de alcançar um resultado diferente.”
Mas o custo da guerra em perda de vidas foi muito maior para os afegãos. Desde o início do conflito, há 20 anos, mais de 66 mil militares afegãos e 47,2 mil civis morreram. Estima-se que mais de 50 mil guerrilheiros do Talibã tenham sido mortos no conflito.
Porta-vozes do Talibã afirmam que não vão matar ou se vingar das pessoas que apoiaram e atuaram no regime civil que governou o Afeganistão durante a ocupação americana. Mas as memórias do período em que o grupo islamista esteve no poder deixam margem para temer que o oposto aconteça.
Questionado em julho, numa entrevista coletiva, se os EUA seriam responsáveis pelas mortes de civis se o Talibã ocupasse o país após a retirada das tropas, Biden respondeu:
“Não, não, não. Cabe ao povo do Afeganistão decidir que governo eles querem, não a nós impor um governo a eles.”
Na mesma entrevista, Biden foi perguntado por uma jornalista afegã sobre o que ele teria a dizer às mulheres do país, que temem perder todos os direitos que conquistaram. Em resposta, o presidente americano contou que, há um tempo, visitou uma escola para meninas no Afeganistão e recebeu um apelo de uma menina de 14 ou 15 anos para que os EUA não deixassem o país.
“Vocês não podem ir embora, não podem. Eu quero ser médica e, se vocês forem embora, eu nunca vou conseguir ser médica”, disse a menina, segundo o relato de Biden.
O presidente disse que o apelo foi de “partir o coração” e, em resposta à pergunta da jornalista, afirmou que o papel dos EUA foi cumprido ao treinar e financiar as forças de segurança afegãs para que impedissem retrocessos.
Com o Talibã no poder, no entanto, o futuro das mulheres do país é incerto e o sonho da menina de se tornar médica parece ter se tornado distante.

Fonte: G1 Mundo

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Ciclone tropical Grace segue para o Haiti após terremoto devastador


Centro meteorológico do país alertou para possíveis inundações repentinas e possíveis deslizamentos de terra nas próximas horas. Terremoto ocorrido no sábado deixou ao menos 1,3 mil mortos e 5,7 mil feridos. Moradores observam casas que desabaram com o terremoto em Les Cayes, no Haiti
Ralph Tedy Erol/Reuters
A depressão tropical Grace está se dirigindo para o Haiti, que sofreu um terremoto de magnitude 7,2 no sábado (14), onde pode causar fortes chuvas nas próximas horas, informou o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) nesta segunda-feira (16) em seu último relatório.
Grace está localizada a cerca de 200 km a leste de Porto Príncipe, a capital do Haiti, e está se movendo para oeste a cerca de 24 km / h, com ventos máximos sustentados de 55 km / h e rajadas mais fortes, disse a agência.
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O centro do ciclone “passará perto da costa sul de São Domingos – a ilha compartilhada por Haiti e República Dominicana – hoje e esta noite”, disse o NHC, com sede em Miami, no sudeste dos Estados Unidos.
Há previsão de chuvas entre 127mm e 254 mm no sul do Haiti e na República Dominicana, com máximos isolados de 381 mm, segundo a mesma fonte.
“Essas fortes chuvas podem produzir inundações repentinas e urbanas e possíveis deslizamentos de terra”, alertou o centro meteorológico.
VÍDEO: Veja imagens da destruição causada por terremoto no Haiti
Pelo menos 1.300 pessoas morreram e 5.700 ficaram feridas no terremoto que atingiu o sudoeste do Haiti no sábado, deixando milhares de moradores desabrigados.
Grace passará por Jamaica, Cuba e Ilhas Cayman entre terça e quarta-feira, segundo a trajetória prevista pelo NHC.

Fonte: G1 Mundo

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‘Estou chorando dia e noite’: o drama das afegãs diante do Talibã


Mulheres temem perda de direitos; uma delas disse que tiraria a própria vida a ter casamento forçado com combatente do grupo. Mulheres temem perda de direitos; uma delas disse que tiraria a própria vida a ter casamento forçado com combatente do grupo
Reuters/BBC
“Não acredito que o mundo abandonou o Afeganistão. Nossos amigos vão ser mortos. Eles vão nos matar. Nossas mulheres não terão mais direitos”, lamentou, com voz embargada, uma passageira afegã que havia acabado de desembarcar na Índia vinda de seu país natal.
Seu desespero é compartilhado por muitos, sobretudo mulheres, no Afeganistão. Elas temem um retrocesso em seus direitos com o país novamente sob o controle do grupo extremista Talibã.
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Algumas das que fugiram de áreas controladas pelo Talibã disseram que os militantes exigiam que as famílias entregassem meninas e mulheres solteiras para se tornarem esposas de seus combatentes.
Muzhda, de 35 anos, uma mulher solteira que fugiu de Parwan para Cabul com suas duas irmãs, afirmou que tiraria a própria vida a permitir que o Talibã a obrigasse a se casar.
“Estou chorando dia e noite”, disse ela à agência de notícias France Presse.
Mulheres de áreas controladas pelo Talibã também descreveram ser forçadas a usar burcas — veste que cobre todo o corpo, e possui uma estreita tela, à altura dos olhos, através da qual se pode ver — e militantes espancaram pessoas por infringirem as regras sociais.
A vida sob o Talibã na década de 1990 forçou as mulheres a usar a vestimenta. Os islamistas radicais restringiram a educação para meninas com mais de 10 anos e punições brutais foram impostas, incluindo execuções públicas.
No domingo — dia útil nos países muçulmanos, um tuíte de uma ex-embaixadora da juventude da ONU, Aisha Khurram, sobre a situação na Universidade de Cabul viralizou.
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“Alguns professores se despediram de suas alunas quando todos foram evacuados da Universidade de Cabul nesta manhã… e talvez não tenhamos nossa formatura assim como milhares de alunos em todo o país…”, escreveu ela na rede social.
Também no Twitter, Lotfullah Najafizada, chefe do serviço de notícias afegão Tolo News, postou uma imagem de um homem cobrindo de tinta fotos de mulheres pintadas em um muro em Cabul.
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No domingo, o Talibã tomou a capital afegã e passou a controlar a totalidade do país.
A ofensiva relâmpago do grupo extremista ocorre pouco meses após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de que iria retirar as tropas americanas do país, com previsão para a saída total em setembro.
Desde então, o Talibã foi ganhando cada vez mais terreno — e impôs suas regras nas áreas que passou a controlar.
Foi o caso do distrito onde vive a parteira Nooria Haya (nome fictício), de 29 anos.
Em entrevista à BBC, ela disse que seus dias de trabalho incluíam regularmente reuniões e discussões com médicos do sexo masculino. Mas, recentemente, ela descobriu que essas interações entre pessoas de sexos opostos estavam proibidas.
Segundo Nooria, foi a primeira ordem que o Talibã deu a eles quando o grupo assumiu o controle da região.
“Há muitas restrições agora. Quando saio de casa, tenho que usar a burca, conforme ordenado pelo Talibã, e um homem tem que me acompanhar”, relatou.
Pela primeira vez, portanto, ela pôde sentir na pele como seria sua vida dali em diante.
Assim como Haya, muitas mulheres jovens nunca tinham presenciado a maneira como o Talibã fazia justiça e governava as áreas sob seu controle — o grupo extremista governou o Afeganistão de 1996 a 2001, quando o país foi invadido por tropas internacionais lideradas pelos Estados Unidos.
“De repente, a maior parte de nossas liberdades foi retirada de nós”, disse Nooria. “É tão difícil. Mas não temos escolha. Eles são brutais. Temos que fazer o que eles dizem. Eles estão usando o Islã para seus próprios fins. Todos somos muçulmanos, mas suas crenças são diferentes.”
Futuro
Desde que o Talibã foi expulso do poder, as mulheres voltaram a ocupar cargos na vida pública, chegando a constituir um quarto do Parlamento.
O número de meninas no ensino primário aumentou para 50%, embora no fim do ensino secundário, elas são apenas 20%.
A expectativa de vida das mulheres aumentou de 57 para 66 anos. Comparadas com as de outros países, as estatísticas do Afeganistão são ruins, mas, sem dúvida, ocorreram melhorias.
No entanto, agora existe apenas o medo de retrocesso.
Em entrevista à BBC, a ex-parlamentar Farzana Kochai disse que as pessoas estavam visivelmente assustadas: “Não sei como medir a (ameaça), o medo que elas têm em seus corações, cada uma delas. Elas enfrentam uma situação que não podem acreditar que está acontecendo e pensam: ‘Para onde [vamos], o que fazer?’
“Todos estamos enfrentando [o mesmo] e pensamos ‘podemos perder nossas vidas’ agora, porque ninguém está no comando do que está acontecendo”.
Moradora de Cabul, Mahbouba Seraj é uma militante de longa data pelos direitos das mulheres e das crianças no país.
Ela disse à BBC que não serviria a ninguém se todas as mulheres deixassem o país, acrescentando estar preparada para trabalhar com o Talibã para tentar mudar as coisas dentro da nova estrutura.
“Se as mulheres do Afeganistão, aquelas que estão envolvidas e têm trabalhado — se pudéssemos nos sentar em uma mesa e realmente conversar com essas pessoas (militantes)… eles podem se conscientizar sobre quais recursos eles têm com as mulheres do Afeganistão, porque antes disso, antes do Talibã, nem o mundo nem nossa república realmente viam a força da mulher afegã”, afirmou.
“Eles nunca nos usaram da maneira que deveriam, nunca lidaram com isso da maneira que deveriam. Então, espero que eles nos usem agora. Se eles usarem, então estamos bem. Se não, desde que haja segurança, que minhas meninas estejam bem, que todo mundo esteja bem, então eu posso ficar bem”, acrescentou.
Um porta-voz do Talibã alegou que o grupo respeitará as mulheres e que meninas continuarão a ter acesso à educação.
Mas, segundo a professora afegã e ativista dos direitos humanos Pashtana Durrani, o que o Talibã diz sobre os direitos das mulheres e o que está fazendo na prática são duas coisas diferentes.
Falando à BBC News, ela pediu clareza sobre quais direitos das mulheres são aceitáveis para o grupo islâmico.
Durrani disse que precisava falar, apesar de temer por sua vida.
“Tenho que lutar hoje, para que a próxima geração não tenha que enfrentar todo esse conflito.”

Fonte: G1 Mundo